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Resumo
INTRODUÇÃO
A Doença de Chagas é causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi (T. cruzi), que ainda representa um desafio significativo para a saúde pública no Brasil. Apesar dos avanços nas estratégias de prevenção e controle, bem como nas mudanças epidemiológicas que se registram na última década, a prevalência e a incidência dos casos permanecem em níveis de alerta. Estima-se que mais de 7 milhões de pessoas no mundo, especialmente na América Latina, estejam infectadas pelo T. Cruzi, o parasita causador da doença de Chagas (World Health Organization, 2025).
Segundo o Ministério da Saúde (2023), a Doença de Chagas é considerada um importante problema de saúde pública no Brasil, presente em todas as regiões, embora com diferentes padrões epidemiológicos. Historicamente, a maior incidência ocorre em áreas rurais, devido à maior presença de triatomíneos, conhecidos como barbeiros, cuja predominância é maior em moradias de construção precária. A distribuição da Doença de Chagas no Brasil apresenta duas realidades epidemiológicas distintas. Na Região Norte, especialmente no estado do Pará, observa-se maior prevalência de casos agudos relacionados à transmissão oral por alimentos contaminados, como o açaí (Núcleo do Conhecimento, 2023).
Já em áreas rurais do Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste, persiste um número significativo de casos crônicos, como consequência da antiga transmissão vetorial em ambientes domiciliares (Fiocruz, 2024).
Quando avaliados os casos crônicos da doença, verificou-se que os estados com maior número de casos registrados entre 2023 e 2024 foram Minas Gerais, Bahia e Pernambuco (Sousa et al., 2024).
Diante desse contexto, a questão central que norteia esta pesquisa é: Qual é a prevalência da Doença de Chagas no Brasil, quais são seus principais desafios para a saúde pública e quais estratégias de prevenção e políticas públicas podem ser adotadas para seu enfrentamento? Desse modo, esta temática busca detalhar informações sobre os aspectos que favorecem a disseminação do número de casos da doença, além de esclarecer os principais fatores de prevenção da infecção, contribuindo para a melhoria da qualidade da saúde pública no Brasil.
A justificativa deste estudo consiste em apresentar dados sobre a situação epidemiológica da Doença de Chagas no Brasil, incluindo o número de casos por região, além de identificar os principais fatores de risco. Nesse contexto, a implementação de ações adequadas mostra-se necessária para prevenir negligências no controle da doença. Dessa forma, o estudo busca fornecer subsídios teóricos e práticos relevantes a profissionais, gestores e pesquisadores da área da saúde.
O objetivo deste estudo é identificar medidas de prevenção e controle da Doença de Chagas no Brasil, considerando fatores epidemiológicos e sociais que influenciam sua prevalência. Tratou-se de um estudo observacional, de abordagem quantitativa, do tipo transversal, que analisou dados epidemiológicos provenientes de bases nacionais para estimar a prevalência da doença e identificar as principais medidas de prevenção adotadas. Foram utilizadas estatísticas descritivas para apresentar a distribuição dos casos e a frequência dos fatores associados. Os dados foram obtidos a partir de notificações registradas de Doença de Chagas no Brasil, no período de 2022 a 2023, acessíveis por meio do Sistema de Informação de Agravos de Notificação – SINAN (Brasil, 2025).
Neste artigo, serão abordados, em um primeiro momento, os conceitos essenciais relacionados à Doença de Chagas no Brasil e sua distribuição epidemiológica. Em seguida, será realizada uma análise sobre os principais desafios enfrentados pela Doença de Chagas na saúde pública brasileira. Posteriormente, serão apresentadas estratégias de políticas públicas capazes de potencializar as ações de prevenção e enfrentamento da doença.
REFERENCIAL TEÓRICO
Este capítulo reúne os conceitos essenciais e os estudos mais recentes que sustentam a análise sobre o impacto da Doença de Chagas no Brasil. Para isso, foram utilizadas referências atualizadas que abordam a epidemiologia, os desafios preventivos e as particularidades dessa infecção nas diferentes regiões do país. O referencial está estruturado, a seguir, em três subtópicos considerados centrais para a compreensão do tema.
EPIDEMIOLOGIA DA DOENÇA DE CHAGAS NO BRASIL
De acordo com dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN/DATASUS) (Brasil,, 2025), entre 2022 e 2023 foram registrados 954 casos de Doença de Chagas na forma aguda no Brasil, sendo a maioria (907 casos) concentrada na Região Norte, seguida por 25 casos no Nordeste, 10 no Sudeste, 9 no Sul e 3 no Centro-Oeste. Até 2023, foram notificados 4.059 casos de Doença de Chagas aguda no Brasil, dos quais 94,6% ocorreram na Região Norte, com destaque para o estado do Pará, que concentrou 79,5% dos registros. A maioria das infecções (80,4%) foi atribuída à transmissão oral, especialmente durante o período da safra do açaí (setembro e outubro), afetando principalmente adultos entre 20 e 59 anos (Núcleo do Conhecimento, 2025).
Desde 2020, a notificação da forma crônica da Doença de Chagas tornou-se obrigatória em todo o território nacional. Com a integração do sistema à plataforma e-SUS Notifica, em 2023, passou a ser possível monitorar a doença de forma mais eficaz, estimar com maior precisão a carga epidemiológica, detectar casos precocemente e planejar intervenções terapêuticas, contribuindo para a meta nacional de eliminação da Doença de Chagas até 2030 (Brasil, 2023).
As estimativas indicam que entre 1,9 e 4,6 milhões de pessoas no Brasil estejam infectadas pelo Trypanosoma cruzi, representando aproximadamente 1,0% a 2,4% da população nacional (Brasil, 2025). Esses dados servem para demonstrar que, mesmo com a implementação de políticas de controle, a Doença de Chagas continua a representar um alerta no sistema epidemiológico do Brasil, exigindo atenção constante às diferentes formas de transmissão, ao fortalecimento das ações de prevenção e ao monitoramento específico para cada região do país.
OS PRINCIPAIS DESAFIOS ENFRENTADOS DA DOENÇA DE CHAGAS NA SAÚDE PÚBLICA DO BRASIL
Apesar dos avanços em saúde, a Doença de Chagas continua a representar um desafio relevante para a saúde pública no Brasil, pois alguns fatores dificultam a quebra da cadeia de transmissão. A persistência da doença em comunidades rurais, associada às dificuldades de acesso a cuidados especializados, evidencia a necessidade de maior atenção. Segundo Modesto et al. (2023), é imprescindível investir em ações educativas e em programas de treinamento que fortaleçam a vigilância epidemiológica e promovam a intervenção precoce.
A fragilidade das estratégias de enfrentamento, somada à formação insuficiente dos profissionais de saúde, compromete a detecção precoce e o tratamento oportuno dos pacientes. Mesmo com protocolos estabelecidos, a falta de preparo adequado leva frequentemente a diagnósticos em estágios avançados da doença (Santos et al ., 2024).
A transmissão oral, decorrente do consumo de alimentos contaminados pelo parasita, associada à subnotificação de casos — inclusive na forma crônica — e à ausência de rastreamento ativo, compromete o diagnóstico e o tratamento precoces da doença.
A Doença de Chagas é considerada uma endemia de grande relevância no continente americano, afetando principalmente grupos populacionais em situação de maior vulnerabilidade social. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a doença é classificada entre as Doenças Tropicais Negligenciadas e permanece associada à ausência de políticas públicas eficazes, sobretudo no controle da transmissão vetorial do Trypanosoma cruzi, principal forma de infecção humana.
POLÍTICAS PÚBLICAS E ESTRATÉGIAS DE ENFRENTAMENTO DA DOENÇA DE CHAGAS NO BRASIL
O Brasil vem desenvolvendo estratégias de políticas públicas voltadas para o enfrentamento da Doença de Chagas, com o objetivo de atingir a meta de eliminação da doença até 2030. Essas estratégias incluem ações de prevenção, controle, assistência e vigilância, integração de dados em sistemas de informação e mobilização da sociedade para o enfrentamento da doença.
Entre as medidas de prevenção da Doença de Chagas estão o controle do vetor Triatoma infestans por meio de inseticidas residuais, barreiras físicas, como telas e mosquiteiros, e o uso de repelentes e roupas de mangas compridas durante atividades noturnas em áreas de risco (Brasil,, 2025).
O monitoramento e a vigilância, juntamente com a notificação obrigatória da forma crônica da doença, iniciada em 2020 e integrada ao sistema “e-SUS Notifica” em 2023, têm permitido estimativas mais precisas da carga da doença, detecção precoce de casos e planejamento de ações de saúde (Brasil, 2025).
A criação de projetos comunitários, como o Cuida Chagas, promove a testagem e a educação em saúde, incentivando a participação da população no controle da doença, cuja meta é, até 2025, a implementação em 32 municípios da América Latina, incluindo o Brasil (Cuida Chagas, 2025). O Programa Brasil Saudável, lançado em 2024, articula ações intersetoriais para reduzir desigualdades sociais e fortalecer a atenção à saúde, reforçando estratégias de prevenção, diagnóstico e controle da Doença de Chagas (Brasil, 2024).
Essas ações demonstram o compromisso contínuo do país no combate à Doença de Chagas e na melhoria da qualidade de vida das populações afetadas.
METODOLOGIA
O presente estudo teve como propósito investigar o impacto da Doença de Chagas no Brasil, utilizando uma abordagem qualitativa de natureza bibliográfica, com enfoque exploratório e descritivo. A metodologia foi estruturada para garantir precisão, reprodutibilidade e confiabilidade, favorecendo a análise das tendências, dos desafios e das ações voltadas ao enfrentamento dessa doença no cenário nacional.
TIPO DE PESQUISA
O estudo apresenta abordagem qualitativa, pois concentra-se na análise e interpretação crítica de informações obtidas a partir de fontes documentais e científicas, sem a utilização de instrumentos quantitativos para coleta de dados em campo. Seu caráter é exploratório e descritivo, buscando aprofundar a compreensão do tema, identificar os principais aspectos epidemiológicos e examinar as políticas públicas e estratégias de prevenção atualmente vigentes.
PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
Para alcançar os objetivos delineados, foi conduzida uma pesquisa bibliográfica, envolvendo a seleção, análise e síntese de livros, artigos científicos, relatórios oficiais e documentos institucionais publicados entre 2022 e 2025. Esta abordagem metodológica justifica-se pela necessidade de reunir informações recentes e confiáveis, capazes de proporcionar uma compreensão ampla e contextualizada da Doença de Chagas no Brasil.
Foram consideradas fontes oficiais do Ministério da Saúde, incluindo boletins epidemiológicos e comunicados recentes, bem como estudos acadêmicos publicados em periódicos científicos nacionais. Os materiais selecionados foram examinados de maneira sistemática, com o objetivo de identificar tendências epidemiológicas, desafios para a prevenção, aspectos sociais e impactos da infecção no cenário nacional.
INSTRUMENTOS DE COLETA DE DADOS
A obtenção dos dados ocorreu por meio de análise documental e revisão sistemática da literatura, contemplando diferentes fontes de referência. Entre elas, destacam-se os boletins epidemiológicos emitidos pelo Ministério da Saúde (Brasil, 2022; 2023), relatórios técnicos da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas, 2024) e artigos científicos localizados em bases como SciELO, PubMed e Google Scholar. A busca utilizou descritores relacionados à Doença de Chagas no cenário nacional, com o objetivo de assegurar a relevância e a atualidade das informações analisadas.
POPULAÇÃO E AMOSTRA
O estudo foi realizado com caráter de pesquisa bibliográfica, por meio da análise de documentos e publicações científicas pertinentes ao tema. A definição da amostra considerou como critérios a atualidade dos materiais publicados entre 2022 e 2025, a relevância para o objeto de estudo e rigor acadêmico. Foram incluídos documentos oficiais e estudos que apresentaram dados empíricos e reflexões aprofundadas acerca da situação epidemiológica da Doença de Chagas no Brasil.
PROCEDIMENTOS DE ANÁLISE DOS DADOS
A etapa de interpretação dos dados foi realizada com base na técnica de análise de conteúdo descrita por Bardin (2022), a qual possibilita sistematizar, agrupar e interpretar informações qualitativas obtidas em diferentes fontes. Durante o processo, definiram-se categorias temáticas que abrangeram tópicos como epidemiologia, estratégias de prevenção e políticas públicas, permitindo uma discussão crítica e fundamentada sobre a Doença de Chagas.
As informações quantitativas extraídas de boletins epidemiológicos foram tratadas por meio de estatísticas descritivas, evidenciando tendências, perfis populacionais, regiões mais atingidas e mudanças observadas ao longo do tempo. O uso das abordagens qualitativa e quantitativa proporcionou uma análise integrada e mais abrangente do problema investigado.
DISCUSSÃO E RESULTADOS
PANORAMA DOS DADOS COLETADOS
A Doença de Chagas permanece um desafio de saúde pública no Brasil, com 1,9 a 4,6 milhões de pessoas infectadas pelo T. cruzi (aproximadamente 1% a 2,4% da população). Apesar do controle vetorial, a doença continua endêmica em áreas rurais e periféricas, e o diagnóstico precoce, assim como o tratamento, ainda são insuficientes para reduzir totalmente sua prevalência no país (Brasil, 2025).
Atualmente, a principal via de transmissão da doença no país é a oral, pois está associada ao consumo de alimentos contaminados, como açaí e caldo de cana, principalmente na região Amazônica, sendo responsável por até 70% dos casos agudos registrados (Fiocruz,, 2025b; Fiocruz,, 2025c). Em áreas rurais, observam-se prevalências mais elevadas, especialmente nos estados de Minas Gerais (8,8%), Goiás (7,4%), Distrito Federal (6,1%), Sergipe (6,0%) e Bahia (5,4%), enquanto no estado do Pará esse índice é de apenas 0,5% (Fiocruz,, 2025).
Um estudo realizado em âmbito nacional estimou que o ônus econômico anual da Doença de Chagas crônica no Brasil é de aproximadamente US$ 11,44 bilhões, abrangendo tanto custos diretos, como assistência médica e hospitalizações, quanto custos indiretos, relacionados à perda de produtividade por afastamento do trabalho (Silva; Oliveira; Pereira, 2025).
O reconhecimento precoce da Doença de Chagas continua sendo um desafio, uma vez que grande parte dos pacientes recebe o diagnóstico apenas em fases avançadas da doença.
ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS RESULTADOS
A análise dos dados epidemiológicos da Doença de Chagas no Brasil revela padrões de distribuição espacial e temporal distintos, evidenciando desigualdades regionais marcantes. Entre 2022 e 2023, foram confirmados 907 casos agudos da doença, sendo que a maior parte ocorreu na Região Norte, principalmente nos estados do Pará e Amazonas, onde a transmissão oral predomina (Brasil, 2023).
De acordo com dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN/DATASUS), entre os anos de 2022 e 2023 foram registrados 13 casos confirmados com evolução de óbito pela Doença de Chagas aguda no Brasil. A distribuição regional evidenciou maior concentração na Região Norte (10 casos), seguida pelas Regiões Nordeste (1 caso), Sudeste (1 caso) e Sul (1 caso). Não foram identificados registros de óbito notificados para a Região Centro-Oeste nesse período.
Os dados apresentados servem para demonstrar que, apesar das políticas públicas voltadas à doença, ainda há necessidade de implementar estratégias eficazes e de manter constante vigilância para garantir diagnóstico precoce e tratamento, visando reduzir a carga da doença no país.
FATORES DETERMINANTES QUE FAVORECEM A INCIDÊNCIA E PREVALÊNCIA DE DOENÇA DE CHAGAS NO BRASIL
A incidência e a prevalência da Doença de Chagas no Brasil são influenciadas por diversos fatores ambientais, sociais e epidemiológicos. Ao longo da história, a doença era predominante em áreas rurais devido à presença do vetor Triatoma spp. em moradias precárias de madeira, barro ou palha, que favoreciam a proliferação do inseto (Brasil, 2023). Condições de saneamento inadequadas, a falta de acesso à água potável e a educação em saúde limitada contribuem para a manutenção do ciclo de transmissão.
Nos últimos anos, a transmissão oral tem se destacado como a principal forma de infecção, especificamente na Região Norte do Brasil, por estar associada à ingestão de alimentos contaminados, como açaí e caldo de cana, durante os períodos de safra (Fiocruz, 2025a).
A transmissão da Doença de Chagas está diretamente relacionada à presença de vetores que conseguem se adaptar ao convívio humano. Entre os principais estão espécies como Triatoma brasiliensis, T. pseudomaculata, Panstrongylus megistus e T. infestans, reconhecidas pela facilidade de colonizar casas e seus arredores. Além disso, diferentes animais domésticos e silvestres, incluindo cães, gatos e marsupiais, funcionam como reservatórios naturais do T. cruzi, contribuindo para a persistência do ciclo de infecção em áreas próximas às moradias (Fiocruz, 2024).
Aspectos socioeconômicos, como pobreza, desigualdade social e recursos limitados para vigilância epidemiológica, dificultam o controle da Doença de Chagas, evidenciando a importância de políticas públicas integradas que incluam monitoramento contínuo, diagnóstico precoce, tratamento adequado e ações de educação em saúde (Brasil, 2023).
Por isso, é necessário reforçar e elaborar políticas públicas de saúde que garantam um monitoramento eficaz para o controle e tratamento da doença.
LIMITAÇÕES E SUGESTÕES PARA PESQUISAS FUTURAS
Apesar de fornecer uma visão abrangente sobre a Doença de Chagas no Brasil, este estudo apresenta algumas limitações que devem ser destacadas para subsidiar pesquisas futuras. A princípio, a análise de dados foi baseada principalmente em informações secundárias, como boletins epidemiológicos, relatórios oficiais e artigos publicados, o que pode não refletir integralmente a realidade local ou os casos subnotificados, que ainda ocorrem em grande parte do país devido a fatores como deficiência tecnológica. Além disso, grande parte das informações analisadas provém da Região Norte do Brasil, de modo que os resultados obtidos podem não representar a realidade nacional, uma vez que o perfil epidemiológico e socioeconômico varia entre as regiões.
Para pesquisas futuras, recomenda-se a realização de estudos de campo que integrem dados qualitativos e quantitativos, permitindo identificar determinantes sociais, ambientais e comportamentais específicos que influenciam a transmissão da Doença de Chagas. Estudos de longo prazo realizados em diferentes locais podem fornecer informações mais detalhadas sobre a evolução clínica, a eficácia das políticas públicas e os impactos socioeconômicos da doença. Além disso, a incorporação de métodos diagnósticos inovadores, juntamente com a adoção de estratégias de intervenção adaptadas a diferentes contextos regionais, pode representar um avanço significativo no controle e na prevenção da Doença de Chagas, contribuindo para a melhoria da qualidade da saúde pública no Brasil.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O presente estudo teve como objetivo analisar a distribuição, os fatores determinantes e os impactos da Doença de Chagas no Brasil, enfatizando aspectos epidemiológicos, socioeconômicos e ambientais. Entre 2022 e 2023, a forma aguda da Doença de Chagas apresentou 954 casos no Brasil, concentrados principalmente na Região Norte. Ainda observa-se que a transmissão apresenta características diferentes entre as regiões: Norte, a forma oral tem maior prevalência associada ao consumo de alimentos contaminados, enquanto no Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste prevalecem casos crônicos associados à transmissão vetorial domiciliar.
Além disso, a análise dos fatores determinantes evidenciou a importância das espécies vetoras e dos reservatórios animais na manutenção da circulação do Trypanosoma cruzi, bem como o papel de condições socioeconômicas e habitacionais na vulnerabilidade da população.
A pesquisa contribui para a compreensão da complexidade do ciclo de transmissão da Doença de Chagas e reforça a necessidade de estratégias integradas, combinando vigilância, diagnóstico precoce, educação em saúde e controle do vetor, com enfoque nas regiões mais vulneráveis e com maior prevalência.
Entre as limitações, destacam-se a subnotificação, a falta de análise por município e a ausência de dados atualizados nos sites oficiais em 2025, dificultando uma avaliação precisa da doença em nível local.
Para pesquisas futuras, recomenda-se estudos longitudinais que integrem dados clínicos, entomológicos e socioeconômicos, avaliando a efetividade de estratégias de prevenção e controle, com foco na redução da transmissão oral e no fortalecimento do diagnóstico e tratamento precoce.
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