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Resumo
INTRODUÇÃO
Nos centros urbanos, a vida cotidiana está profundamente ligada à saúde pública. Pesquisadores estão constantemente buscando entender como a industrialização, urbanização, desenvolvimento econômico e globalização influenciam a saúde das pessoas. Esses fatores transformam radicalmente o modo como vivemos e nos alimentamos. A Organização Mundial da Saúde destaca que, especialmente em países em desenvolvimento, a falta de ambientes saudáveis dificulta a adoção de hábitos alimentares benéficos. Isso não apenas afeta a saúde física, mas também a qualidade de vida como um todo, tornando essencial o desenvolvimento de ambientes urbanos que promovam o bem-estar de seus habitantes (ISESP, 2020).
As hortas urbanas são frequentemente vistas como uma atividade social, pois envolvem a comunidade e promovem a inclusão social. A produção urbana de alimentos, representa uma forma inovadora de agricultura urbana, muitas vezes praticada dentro de uma perspectiva familiar. Elas têm o potencial de transformar o ambiente urbano em um modelo mais sustentável e servir como um instrumento eficaz no combate à fome. Além disso, essas hortas promovem a segurança alimentar, geram emprego e renda, e incentivam o desenvolvimento sustentável nas cidades (Sousa, Bazzoli, Delgado, 2021).
Em consonância com o exposto, Silva, Freitas e Santos (2023, cap.12 p.221) destacam a relevância das hortas urbanas como uma estratégia fundamental para promover a sustentabilidade e a qualidade de vida nos centros urbanos contemporâneos:
As hortas urbanas não apenas desempenham um papel crucial na promoção da saúde e da segurança alimentar, mas também incorporam aspectos de bem-estar associados a áreas verdes. Pesquisas destacam que esses espaços fomentam o espírito de coletividade e solidariedade, melhoram a qualidade de vida nas cidades e constroem relações sociais significativas. Além disso, as hortas urbanas promovem a troca de saberes, a interdependência entre os membros da comunidade e oferecem oportunidades para relaxamento e prática de exercícios físicos.
Explorando sobre o assunto, desde o início do século XXI, o apoio às hortas urbanas e periurbanas no Brasil tem sido uma parte importante da política nacional para reduzir a pobreza e garantir a segurança alimentar. O Programa Nacional de Agricultura Urbana, financiado com recursos federais, tem apoiado hortas comunitárias em todas as regiões do país, além de outras atividades agrícolas. Em outubro de 2008, dados do Governo Federal indicaram que esses projetos estavam em andamento em todo o território nacional. Além do apoio federal, entidades privadas, municípios e estados também têm incentivado o cultivo de hortas urbanas por meio de políticas públicas locais. Essas ações têm sido fundamentais no combate à fome entre famílias de baixa renda, promovendo não apenas a segurança alimentar, mas também a inclusão socioeconômica e a melhoria da qualidade de vida nas comunidades urbanas (Pereira, 2021).
De acordo com Costa e Sakurai (2021), as hortas urbanas desempenham um papel crucial na regulação de microclimas, na melhoria da qualidade do ar e do solo, na polinização e na redução de ruídos urbanos. Elas contribuem significativamente para a mitigação das mudanças climáticas ao reduzir a necessidade de transporte de alimentos para centros urbanos, o que diminui as emissões de gases de efeito estufa, como o CO2. Segundo esses autores, além dos benefícios ambientais, as hortas urbanas também promovem a saúde e a segurança alimentar ao fornecer alimentos frescos e saudáveis à população local. Elas são espaços ideais para a educação ambiental, incentivando o contato com a natureza em meio urbano e melhorando a saúde mental dos envolvidos. Ademais, essas hortas fomentam o engajamento civil e, em muitos casos, geram renda para a população, contribuindo para o desenvolvimento econômico local. A implementação de hortas urbanas também ajuda a reduzir as ilhas de calor, melhorar a qualidade do ar e absorver ruídos, tornando as cidades mais habitáveis e sustentáveis.
Recentemente, o governo brasileiro reforçou seu compromisso com a agricultura urbana e periurbana ao instituir o Programa Nacional de Agricultura Urbana e Periurbana, através do Decreto nº 11.700 de 2023, e mais tarde, a Política Nacional de Agricultura Urbana e Periurbana, sancionada em 2024. Essas iniciativas visam promover a segurança alimentar, a inclusão socioeconômica e a resiliência climática nas cidades, além de estimular a educação ambiental e a produção agroecológica (Pereira, 2021).
Com base no que foi apresentado, é possível afirmar que as hortas urbanas desempenham um papel importante no apoio às camadas mais vulneráveis da população, incluindo aposentados, donas de casa, desempregados e outros grupos sociais. Essas hortas oferecem uma oportunidade de geração de alimentos, renda e inclusão social para esses indivíduos. Dessa forma, a agricultura familiar, especialmente quando praticada em ambientes urbanos, configura-se como uma ferramenta estratégica dentro das políticas agrícolas. Ela contribui para o abastecimento local de alimentos frescos e saudáveis, além de ajudar a equilibrar os preços no mercado, beneficiando tanto os produtores quanto os consumidores. Assim, a agricultura familiar urbana fortalece a segurança alimentar e promove a justiça social, ao mesmo tempo em que incentiva práticas sustentáveis e o desenvolvimento comunitário (Sousa, Bazzoli, Delgado, 2021).
O propósito desta investigação é explorar o cultivo de hortas urbanas, considerando seus múltiplos impactos e contribuições para a sustentabilidade urbana. Os objetivos secundários da pesquisa incluem: 1) A importância e os benefícios do cultivo de hortas em espaços urbanos e reduzidos; 2) Analisar o impacto do uso de agrotóxicos; 3) Enfatizar a importância da conscientização pública e do engajamento contínuo da comunidade nessas iniciativas.
METODOLOGIA
Este estudo foi desenvolvido pelo método de revisão de literatura, de caráter qualitativo e descritivo, consultando autores específicos que abordaram o tema. Os artigos para o referencial teórico foram selecionados segundo descritores: hortas urbanas, sustentabilidade, agrotóxicos. Os artigos com datas retroativas são citados devido à relevância do conteúdo e compatibilidade com o tema proposto neste texto.
BENEFÍCIOS NO CULTIVO DE HORTAS
A produção de hortas em espaços reduzidos contribui significativamente para o acesso a alimentos frescos e nutritivos. Com a expansão das áreas urbanas, a distância entre os centros urbanos e as zonas rurais produtoras de alimentos tende a aumentar, o que frequentemente resulta na perda de parte do valor nutricional dos produtos durante o transporte. Ao cultivar alimentos localmente, mesmo em pequenos espaços, é possível reduzir o tempo entre a colheita e o consumo, garantindo que frutas e vegetais preservem suas propriedades nutricionais. Essa prática representa uma abordagem multifacetada que, além de mitigar os impactos da urbanização, promove estilos de vida mais saudáveis e sustentáveis (Santos et al., 2024).
O cultivo de alimentos em hortas domésticas contribui significativamente para uma alimentação mais saudável e sustentável. Além de reduzir os gastos com a compra de hortaliças, essa prática incentiva uma relação mais cuidadosa e valorizada com os alimentos. O ato de cultivar, cuidar e colher os próprios alimentos desperta uma conexão especial, que vai além do aspecto nutricional, envolvendo também o prazer sensorial, como a apreciação dos aromas frescos. Esse processo de cultivo exerce um efeito terapêutico, estimulando tanto o corpo quanto a mente, promovendo bem-estar e equilíbrio emocional. Assim, as hortas domésticas não apenas oferecem benefícios práticos e econômicos, mas também fortalecem a saúde mental e a qualidade de vida de quem as cultiva (Silva; Santos; Almeida, 2021).
Aprofundando a reflexão sobre o tema, Santos et al. (2024) agricultura urbana tem se expandido muito além das tradicionais hortas em escolas e espaços comunitários, alcançando também residências particulares e apartamentos. Com o crescimento da consciência sobre a importância da sustentabilidade e do cultivo próprio de alimentos, muitas pessoas passaram a cultivar plantas comestíveis mesmo em espaços pequenos, como varandas, jardins verticais e até dentro de casa. Essa prática tem se popularizado junto com o desenvolvimento de novas tecnologias que facilitam o manejo dessas plantas em ambientes urbanos restritos. Essa tendência reflete uma mudança no modo como as pessoas se relacionam com a produção de alimentos, buscando mais autonomia e contato direto com o que consomem, além de contribuir para a redução do impacto ambiental. Cultivar alimentos em casa ou em espaços urbanos reduz a necessidade de transporte e embalagens, além de aumentar a biodiversidade local e melhorar a qualidade do ar e do ambiente urbano.
Silva, Santos e Almeida (2021), sugerem como uma opção para o cultivo em casa a mini-horta, ideal para quem tem pouco tempo e espaço para se dedicar a uma produção maior. Esse tipo de horta geralmente envolve o cultivo orgânico de hortaliças em pequenos recipientes, posicionados em locais estratégicos como janelas e varandas, garantindo que as plantas recebam a luz solar necessária. A altura em que são colocadas facilita os cuidados, promovendo uma postura ergonômica ao evitar que a pessoa precise se curvar ou se sentar no chão para manejar as plantas. Além de otimizar o uso do espaço, as hortas suspensas também têm sido utilizadas como elementos decorativos nos ambientes.
De acordo com Silva et al, (2010), cultivar alimentos em hortas domésticas traz inúmeros benefícios, especialmente ao garantir o acesso a alimentos frescos, nutritivos e em quantidade suficiente para o consumo diário. Por não depender do uso de produtos químicos e por permitir que os alimentos sejam colhidos no momento certo, essas hortaliças preservam suas qualidades naturais, o que contribui diretamente para a segurança alimentar e nutricional das famílias.
Os autores afirmam que, além de nutrir, esses alimentos funcionam como verdadeiros aliados da saúde, pois atuam como alimentos funcionais, ou seja, vão além da nutrição básica, ajudando a fortalecer funções do organismo, melhorar o bem-estar e até reduzir o risco de diversas doenças. Mais do que isso, o ato de plantar e cuidar da horta traz satisfação, prazer e pode funcionar como uma atividade terapêutica, promovendo equilíbrio mental e físico. Assim, cultivar uma horta em casa não é apenas uma forma de garantir comida saudável, mas também um caminho para uma vida mais conectada, ativa e harmoniosa.
É possível implementar uma horta em qualquer residência, seja casa ou apartamento, desde que haja um ambiente com iluminação solar adequada. Essa mesma possibilidade se estende a espaços públicos, como praças e parques, desde que a legislação municipal permite o cultivo de plantas comestíveis nesses locais. Uma opção prática para o cultivo de hortaliças, ervas medicinais, temperos e até frutas é o uso de vasos. Para que a horta urbana prospere, é fundamental que o local escolhido receba luz solar direta por pelo menos parte do dia e tenha acesso fácil a uma fonte de água, que pode ser uma torneira próxima, desde que seja viável transportar a água com um balde ou regador. Além disso, é essencial que o cultivo seja realizado de forma orgânica, evitando o uso de agrotóxicos e pesticidas sintéticos, garantindo assim alimentos mais saudáveis e um impacto ambiental reduzido (SILVA; SANTOS; Almeida, 2021).
Conforme Sousa, Bazzoli e Delgado (2021, p.7)
Materiais como embalagens, pneus e entulhos são utilizadas nas contenções de pequenas encostas e os resíduos domésticos são usados como adubos em pequenas produções de alimentos urbanos.
Evidencia-se que a agricultura urbana, por meio das hortas urbanas, contribui para a reutilização de resíduos orgânicos via compostagem, o que auxilia na redução do lixo urbano e beneficia o meio ambiente onde essas atividades são desenvolvidas.
USO DE AGROTÓXICOS
Segundo Lopes e Albuquerque (2018), a partir da década de 1950, nos Estados Unidos, a agricultura passou por uma grande transformação conhecida como Revolução Verde, que buscava modernizar as técnicas agrícolas e aumentar a produtividade. Esse movimento chegou ao Brasil na década seguinte e ganhou força nos anos 1970 com o Programa Nacional de Defensivos Agrícolas (PNDA), que vinculava o uso de agrotóxicos à concessão de créditos agrícolas, tendo o Estado como um dos principais incentivadores dessa prática. Assim, o uso massivo desses produtos tornou-se parte integrante do modelo agrícola, impulsionando a produção, mas também gerando impactos sociais e ambientais significativos.
De acordo com a lei nº 7.802, de 11 de julho de 1989, os agrotóxicos são definidos como substâncias ou agentes, que podem ser físicos, químicos ou biológicos, utilizados em diversas etapas da produção agrícola, desde o cultivo até o armazenamento e processamento dos produtos. Eles também são aplicados em pastagens, na proteção de florestas sejam elas naturais ou plantadas e em outros ecossistemas, além de ambientes urbanos, aquáticos e industriais. O principal objetivo desses produtos é modificar a composição da flora ou da fauna para proteger essas áreas contra organismos considerados prejudiciais. Além disso, a definição inclui substâncias usadas como desfolhantes, herbicidas, estimuladores e inibidores do crescimento das plantas (Karam; Rios; Fernandes, 2015).
Em consonância com o exposto, Ribeiro e Pereira (2016), abordam sobre o Brasil ser um dos maiores consumidores de agrotóxicos no mundo. Infelizmente, os casos de intoxicação por essas substâncias têm crescido rapidamente, especialmente entre os trabalhadores rurais que estão em contato direto com esses produtos. Embora existam leis que regulam o uso dos agrotóxicos, a fiscalização ainda é insuficiente, o que acaba permitindo que esses produtos sejam vendidos e usados de maneira descontrolada, colocando em risco a saúde das pessoas e o meio ambiente.
Segundo Mota, Barros e Santos (2025), o uso de agrotóxicos pode provocar poluição no meio ambiente e trazer sérios riscos tanto para os ecossistemas quanto para a saúde das pessoas, incluindo a possibilidade de desenvolver câncer. Essa doença, que tem múltiplas causas e se manifesta de forma crônica, ocorre quando células com alterações no material genético crescem de maneira descontrolada, prejudicando o funcionamento do corpo. O surgimento do câncer está relacionado à combinação de fatores internos do organismo e influências externas, entre as quais a alimentação se destaca como um elemento importante.
Silva, Santos e Almeida (2021, p. 8), destacam que o uso de agrotóxicos representa um importante fator ambiental relacionado ao surgimento de diversas doenças, incluindo o câncer.
O uso de agrotóxicos pode ser um fator ambiental de destaque na ocorrência de diversas doenças como o câncer, pois os princípios ativos dessas substâncias químicas no organismo podem induzir a carcinogênese, reduzir as atividades de enzimas (acetilcolinesterase e butirilcolinesterase5), causam genotoxicidade, alterações genéticas, estresse oxidativo e imunossupressão, e podem agir como desreguladores endócrinos.
Os impactos negativos dos agrotóxicos na saúde humana têm sido amplamente investigados, e diversos estudos já encontraram essas substâncias no sangue das pessoas, no leite materno e em resíduos presentes nos alimentos que consumimos diariamente. Essas pesquisas indicam que o uso desses produtos pode estar ligado a problemas sérios, como malformações congênitas, câncer, transtornos mentais e dificuldades relacionadas à reprodução, evidenciando a importância de repensar o uso desses químicos para proteger a saúde da população (Ribeiro; Pereira, 2016).
Portanto, pode- se afirmar que o cultivo de alimentos em hortas urbanas contribui para a redução do uso de agrotóxicos, impactando positivamente a qualidade nutricional dos alimentos consumidos. A menor exposição a compostos químicos nocivos está associada à promoção de padrões alimentares mais saudáveis e à redução dos riscos à saúde pública (Santos et al., 2024).
CONSCIENTIZAÇÃO
Segundo as informações apresentadas e considerando a proximidade da população com o cultivo em hortas urbanas e domésticas, Pereira (2021) reitera que se torna imprescindível que a prática agrícola seja conduzida por meio de técnicas que excluem o uso de substâncias tóxicas, a fim de garantir a proteção dos trabalhadores envolvidos na produção, das comunidades adjacentes, do meio ambiente como um todo e, naturalmente, dos consumidores finais.
A característica de um cultivo isento de agrotóxicos pode estimular a participação comunitária na horta, uma vez que isso assegura não apenas a obtenção de produtos livres de contaminantes químicos, promovendo uma alimentação mais saudável, mas também permite que indivíduos manuseiem com segurança os equipamentos e insumos utilizados no processo produtivo (Pereira, 2021).
Santos et al. (2024), ressalta que a saúde humana está diretamente relacionada ao consumo de alimentos de qualidade, cuja procedência seja confiável e segura. Embora a produção em larga escala frequentemente utilize métodos convencionais, a crescente demanda por alimentos saudáveis, impulsionada pelo movimento agroecológico, ressalta a importância de alternativas mais sustentáveis. Nesse cenário, o cultivo de hortas urbanas em espaços reduzidos tem se popularizado, assegurando a origem dos alimentos e promovendo o bem-estar social.
A manutenção de hortas urbanas proporciona diversos benefícios à população que interage com esses espaços verdes. Atividades como o plantio, a irrigação, a poda e o acompanhamento do desenvolvimento das plantas desde o florescimento até a frutificação promovem um senso de realização e fortalecem a conexão com o meio ambiente. Ademais, o simples contato visual e físico com a vegetação, cuja tonalidade verde possui reconhecidas propriedades calmantes, contribui significativamente para a promoção do bem-estar e da tranquilidade dos indivíduos (Silva; Freitas; Santos, 2023).
CONSIDERAÇÕES FINAIS
As hortas urbanas emergem como uma solução multifacetada para os desafios contemporâneos da urbanização, promovendo a saúde pública e a sustentabilidade. Elas oferecem acesso a alimentos frescos e nutritivos, mitigam os impactos ambientais negativos e promovem o bem-estar social através do engajamento comunitário e da inclusão de grupos vulneráveis. O uso de agrotóxicos na agricultura convencional apresenta sérios riscos à saúde e ao meio ambiente, com evidências ligando a exposição a essas substâncias a doenças graves como o câncer. Nesse contexto, as hortas urbanas surgem como alternativa, reduzindo a dependência de produtos químicos nocivos e promovendo a produção de alimentos mais saudáveis.
Iniciativas governamentais, como o Programa Nacional de Agricultura Urbana e Periurbana, e o engajamento da sociedade civil são cruciais para expandir e fortalecer as hortas urbanas, promovendo a segurança alimentar, a justiça social e a sustentabilidade ambiental nas cidades. A conscientização sobre os benefícios das hortas urbanas e os riscos dos agrotóxicos é essencial para promover uma mudança de mentalidade e incentivar práticas mais saudáveis e sustentáveis.
Ademais, as hortas urbanas se destacam como ferramentas de inclusão social, oferecendo oportunidades para grupos vulneráveis, como aposentados, desempregados e donas de casa, gerarem alimentos, obterem renda e se reintegrarem à sociedade. Ao promoverem a agricultura familiar em áreas urbanas, essas iniciativas fortalecem o abastecimento local de alimentos frescos e saudáveis, além de contribuírem para a estabilização dos preços no mercado, beneficiando tanto produtores quanto consumidores. Assim, a agricultura familiar urbana não apenas garante a segurança alimentar, mas também promove a justiça social, incentivando práticas sustentáveis e o desenvolvimento comunitário.
Além dos benefícios diretos à saúde e à economia, as hortas urbanas desempenham um papel crucial na conscientização ambiental e na promoção de práticas sustentáveis. Ao envolver a comunidade no cultivo de alimentos, essas iniciativas incentivam a reutilização de resíduos orgânicos por meio da compostagem, contribuindo para a redução do lixo urbano e para a preservação do meio ambiente. A proximidade com a natureza em ambientes urbanos também promove a educação ambiental, despertando o interesse pela sustentabilidade e incentivando a adoção de hábitos mais responsáveis em relação ao consumo e à produção de alimentos.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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