UROLITÍASE EM CÃES E GATOS: ABORDAGEM CLÍNICA, DIAGNÓSTICA E TERAPÊUTICA ATUAL

UROLITHIASIS IN DOGS AND CATS: CURRENT CLINICAL, DIAGNOSTIC AND THERAPEUTIC APPROACH

UROLITIASIS EN PERROS Y GATOS: ABORDAJE CLÍNICO, DIAGNÓSTICO Y TERAPÉUTICO ACTUAL

Autor

URL do Artigo

https://iiscientific.com/artigos/98D0B5

DOI

doi.org/10.63391/98D0B5

Ramos, Glória . UROLITÍASE EM CÃES E GATOS: ABORDAGEM CLÍNICA, DIAGNÓSTICA E TERAPÊUTICA ATUAL. International Integralize Scientific. v 5, n 48, Junho/2025 ISSN/3085-654X

Resumo

A urolitíase é uma afecção prevalente em cães e gatos, caracterizada pela formação de cálculos no trato urinário, cuja composição, localização e impacto clínico variam de acordo com fatores como espécie, raça, sexo, dieta e presença de comorbidades. O objetivo deste estudo foi revisar e analisar criticamente a literatura científica sobre os aspectos epidemiológicos, etiopatogenia, manifestações clínicas, diagnóstico e tratamento dessa condição, oferecendo subsídios para a prática veterinária baseada em evidências. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica narrativa, realizada em bases como PubMed, ScienceDirect, Scopus, SciELO e Google Scholar, considerando publicações de 2001 a 2023, com critérios rigorosos de inclusão e exclusão, priorizando fontes com paginação verificável. Os resultados apontam que, em cães, a estruvita mantém predominância, enquanto em gatos observa-se aumento significativo de oxalato de cálcio nas últimas décadas. O diagnóstico precoce, obtido por meio da combinação de urianálise e exames de imagem, é determinante para o sucesso terapêutico. A escolha do tratamento deve considerar a composição do cálculo, sendo possível empregar abordagem médica, cirúrgica ou minimamente invasiva, associada a estratégias preventivas personalizadas. Conclui-se que o manejo efetivo da urolitíase requer integração entre diagnóstico preciso, intervenção terapêutica adequada e prevenção direcionada, ressaltando-se a importância da educação continuada e do monitoramento periódico para reduzir a incidência e recorrência da doença.
Palavras-chave
Palavras-chave: Urolitíase. Cães. Gatos. Diagnóstico. Tratamento.
Urolitíase. Cães. Gatos. Diagnóstico. Tratamento.

Summary

Urolithiasis is a prevalent condition in dogs and cats, characterized by the formation of calculi in the urinary tract, whose composition, location, and clinical impact vary according to factors such as species, breed, sex, diet, and comorbidities. This study aimed to review and critically analyze the scientific literature on the epidemiological aspects, pathogenesis, clinical signs, diagnosis, and treatment of this condition, providing evidence-based support for veterinary practice. It is a narrative literature review conducted in databases such as PubMed, ScienceDirect, Scopus, SciELO, and Google Scholar, considering publications from 2001 to 2023, with strict inclusion and exclusion criteria, prioritizing sources with verifiable pagination. The results show that struvite remains predominant in dogs, while calcium oxalate has significantly increased in cats over recent decades. Early diagnosis, obtained through the combination of urinalysis and imaging, is crucial for therapeutic success. Treatment choice should consider the composition of the calculus, with medical, surgical, or minimally invasive approaches being possible, associated with personalized preventive strategies. It is concluded that effective management of urolithiasis requires integration between accurate diagnosis, appropriate therapeutic intervention, and targeted prevention, emphasizing the importance of continuing education and periodic monitoring to reduce the incidence and recurrence of the disease.
Keywords
Keywords: Urolithiasis. Dogs. Cats. Diagnosis. Treatment.
Urolithiasis. Dogs. Cats. Diagnosis. Treatment.

Resumen

La urolitiasis es una afección prevalente en perros y gatos, caracterizada por la formación de cálculos en el tracto urinario, cuya composición, localización e impacto clínico varían de acuerdo con factores como especie, raza, sexo, dieta y presencia de comorbilidades. El objetivo de este estudio fue revisar y analizar críticamente la literatura científica sobre los aspectos epidemiológicos, la etiopatogenia, las manifestaciones clínicas, el diagnóstico y el tratamiento de esta condición, ofreciendo aportes para la práctica veterinaria basada en evidencias. Se trata de una investigación bibliográfica narrativa, realizada en bases como PubMed, ScienceDirect, Scopus, SciELO y Google Scholar, considerando publicaciones de 2001 a 2023, con criterios rigurosos de inclusión y exclusión, priorizando fuentes con paginación verificable. Los resultados señalan que, en perros, la estruvita mantiene predominancia, mientras que en gatos se observa un aumento significativo del oxalato de calcio en las últimas décadas. El diagnóstico precoz, obtenido mediante la combinación de urianálisis y pruebas de imagen, es determinante para el éxito terapéutico. La elección del tratamiento debe considerar la composición del cálculo, siendo posible emplear abordaje médico, quirúrgico o mínimamente invasivo, asociado a estrategias preventivas personalizadas. Se concluye que el manejo efectivo de la urolitiasis requiere la integración entre un diagnóstico preciso, una intervención terapéutica adecuada y una prevención dirigida, resaltando la importancia de la educación continua y del monitoreo periódico para reducir la incidencia y la recurrencia de la enfermedad.
Palavras-clave
Palabras clave: Urolitiasis. Perros. Gatos. Diagnóstico. Tratamiento.
Urolitiasis. Perros. Gatos. Diagnóstico. Tratamiento.

INTRODUÇÃO

A urolitíase, definida como a formação de cálculos minerais em qualquer segmento do trato urinário, representa uma das afecções urológicas mais prevalentes na clínica de pequenos animais, com impacto significativo na morbidade e mortalidade de cães e gatos. 

Estudos epidemiológicos indicam que, em cães, a ocorrência situa-se entre uma fração relevante das consultas urológicas, enquanto em gatos os casos relacionados ao trato urinário inferior podem alcançar proporções expressivas nos atendimentos clínicos, justificando atenção diagnóstica e preventiva (Osborne et al., 2009; Houston et al., 2017). Essa condição resulta da interação entre fatores dietéticos, metabólicos, genéticos e ambientais, que culminam na supersaturação urinária, nucleação cristalina e crescimento de urólitos com diferentes composições minerais.

A composição e a frequência dos cálculos variam conforme espécie, sexo, geografia e época. O urólito de estruvita permanece entre os mais comuns em cães, sobretudo em fêmeas, frequentemente associado a infecções por microrganismos urease-positivos como Staphylococcus pseudintermedius (Bartges e Callens, 2015). Em gatos, observou-se aumento da prevalência de urólitos de oxalato de cálcio nas últimas décadas, associado a mudanças no manejo nutricional, incluindo maior acidificação urinária e controle de minerais (Lekcharoensuk et al., 2001).

O diagnóstico precoce é fundamental, pois a obstrução urinária decorrente de cálculos pode ocasionar azotemia pós-renal e até ruptura vesical. A literatura recomenda a integração de anamnese, exame físico e exames complementares, com urinálise, radiografia e ultrassonografia como pilares da identificação e caracterização dos urólitos (Ettinger e Feldman, 2017).

O tratamento combina estratégias médicas, dietéticas e cirúrgicas, conforme tipo, tamanho e localização do cálculo, bem como o estado clínico do paciente. A prevenção de recidivas é aspecto central, já que taxas importantes de recorrência são reportadas em séries clínicas acompanhadas ao longo de anos (Osborne et al., 2009). A integração entre diagnóstico acurado, intervenção adequada e monitorização longitudinal permite controlar o episódio agudo e preservar a saúde urinária a longo prazo.

Este artigo apresenta revisão atualizada e crítica sobre urolitíase em cães e gatos, abrangendo epidemiologia, etiopatogenia, manifestações clínicas, diagnóstico, terapêutica e prevenção, baseada em evidências verificáveis. Ao término da leitura, espera-se que o leitor esteja apto a reconhecer, diagnosticar e tratar a urolitíase com segurança e efetividade.

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

A urolitíase em cães e gatos é uma afecção multifatorial caracterizada pela formação de urólitos no trato urinário, resultante do acúmulo e precipitação de minerais que se agregam em cristais e, posteriormente, em cálculos. Esses depósitos minerais podem se localizar nos rins, ureteres, bexiga ou uretra, e sua ocorrência está diretamente relacionada à interação de fatores endógenos e exógenos, como composição da urina, pH urinário, concentração de minerais, dieta, predisposição genética e presença de infecções bacterianas. 

Estudos recentes indicam que a prevalência dessa condição varia de acordo com a espécie, a raça, o sexo e a faixa etária, tornando-se um dos problemas urológicos mais frequentemente diagnosticados na prática clínica de pequenos animais (Lulich et al., 2016; Bartges e Callens, 2015).

O interesse científico pela urolitíase veterinária aumentou nas últimas décadas em virtude das mudanças epidemiológicas observadas na composição e frequência dos cálculos, bem como pelo aprimoramento dos métodos diagnósticos e terapêuticos. Além disso, a condição representa desafio clínico devido à possibilidade de recidiva, à necessidade de manejo prolongado e ao potencial de evoluir para obstruções graves, especialmente em machos. 

A compreensão detalhada da etiopatogenia e dos fatores predisponentes é fundamental para o estabelecimento de protocolos clínicos eficazes, capazes de associar terapias médicas, intervenções cirúrgicas e estratégias preventivas de forma individualizada (Osborne et al., 2009; Houston et al., 2017).

2.1 Aspectos epidemiológicos da urolitíase em cães e gatos

A epidemiologia da urolitíase em pequenos animais revela que a prevalência e o tipo de urólito variam conforme a espécie, a idade, o sexo, a raça e a região geográfica. Em cães, estudos apontam maior frequência de urólitos de estruvita, especialmente em fêmeas de raças como Schnauzer Miniatura, Shih Tzu e Lhasa Apso, enquanto os de oxalato de cálcio apresentam predominância em machos de raças como Bichon Frisé e Yorkshire Terrier (Bartges e Callens, 2015). 

Em gatos, a situação difere, com o oxalato de cálcio assumindo maior relevância nas últimas décadas, particularmente em animais de meia-idade a idosos (Lekcharoensuk et al., 2001).

As mudanças na composição dos urólitos estão diretamente relacionadas às alterações dietéticas implementadas nas últimas décadas, voltadas principalmente à prevenção de cálculos de estruvita, mas que inadvertidamente aumentaram a incidência de cálculos de oxalato de cálcio. O monitoramento constante dessas alterações tem sido possível graças a centros de referência, como o Minnesota Urolith Center, que reúnem e analisam grandes quantidades de amostras (Lulich et al., 2016).

De acordo com Osborne et al. (2009, p. 183):

A presente discussão epidemiológica baseia-se na análise quantitativa de 350.803 urólitos caninos, 94.778 urólitos felinos e 6.310 tampões uretrais felinos submetidos ao Minnesota Urolith Center no período de 1981 a 2007.

Esses números elucidam a magnitude do levantamento epidemiológico realizado, oferecendo base sólida para identificar padrões de prevalência e composição dos cálculos em cães e gatos. A partir dessa análise, verificou-se que, em cães, há predominância de urólitos específicos com perfil distinto conforme sexo e raça, enquanto em gatos observa-se evolução significativa na prevalência de tipos de cálculos ao longo do tempo (Osborne et al., 2009).

2.2 Etiopatogenia e fatores predisponentes

A formação de urólitos é um processo complexo e multifatorial, que envolve a interação de elementos químicos, físicos e biológicos no trato urinário. O início ocorre pela supersaturação da urina por determinados minerais, que pode resultar de ingestão inadequada de água, dieta desequilibrada, alterações metabólicas ou doenças sistêmicas. Quando a urina atinge níveis de supersaturação, formam-se núcleos cristalinos que servem como base para agregação progressiva, originando cálculos clinicamente significativos (Osborne et al., 2009, p. 184; Lulich et al., 2016, p. 102).

A composição química da urina, especialmente em relação ao pH e à concentração de minerais como cálcio, magnésio, fósforo e amônio, exerce influência direta sobre a formação dos diferentes tipos de urólitos. Urinas alcalinas favorecem a precipitação de estruvita, enquanto pH ácido tende a favorecer a formação de oxalato de cálcio. Infecções urinárias por bactérias urease-positivas também desempenham papel relevante, pois hidrolisam a ureia em amônia, elevando o pH e favorecendo a cristalização de fosfatos (Bartges e Callens, 2015, p. 769).

Conforme Ettinger e Feldman (2017, p. 2125):

A urolitíase não deve ser entendida apenas como o resultado da precipitação mineral, mas como um fenômeno dinâmico que envolve a interação entre fatores promotores e inibidores da cristalização. A presença de inibidores naturais, como citrato e magnésio, pode reduzir a formação de cristais, enquanto a deficiência desses elementos favorece a litogênese. O reconhecimento desses mecanismos é fundamental para orientar estratégias dietéticas e terapêuticas voltadas não apenas para a dissolução de urólitos existentes, mas principalmente para a prevenção de novos episódios.

Algumas raças apresentam mutações genéticas que influenciam o metabolismo de minerais e a excreção urinária, predispondo ao desenvolvimento de cálculos. Schnauzers Miniatura e Lhasa Apso são mais suscetíveis a cálculos de cálcio, enquanto cães de raças menores tendem a desenvolver cálculos de estruvita com maior frequência (Osborne et al., 2009, p. 190). Em gatos, animais da raça Persa e Himalayo apresentam maior risco de desenvolver oxalato de cálcio (Lekcharoensuk et al., 2001, p. 1085).

Condições sistêmicas, como hiperadrenocorticismo, diabetes mellitus e hiperparatireoidismo, também aumentam a probabilidade de formação de cálculos, seja pela alteração da composição da urina ou pela predisposição a infecções do trato urinário (Grauer, 2015, p. 894). Além disso, fatores ambientais e comportamentais, como ingestão hídrica insuficiente e sedentarismo, contribuem de forma significativa para o risco, especialmente em animais mantidos exclusivamente em ambientes internos.

2.3 Manifestações clínicas

Os sinais clínicos da urolitíase variam de acordo com a localização, o tamanho e o número dos cálculos, bem como com a presença ou não de obstrução urinária. Em casos de urólitos vesicais não obstrutivos, os animais podem apresentar hematúria, disúria e polaciúria, sendo esses sinais frequentemente intermitentes e de intensidade variável (Bartges e Callens, 2015, p. 772). Em situações de obstrução uretral parcial ou completa, os sinais tornam-se mais graves, incluindo estrangúria intensa, anúria e dor abdominal acentuada.

De acordo com Osborne et al. (2009, p. 188):

Os sinais clínicos da urolitíase são consequência da irritação mecânica da mucosa do trato urinário e da obstrução ao fluxo de urina. A hematuria resulta de trauma vascular, enquanto a disúria e a polaciúria estão relacionadas à inflamação e espasmo da bexiga e da uretra. Em casos graves, a obstrução total leva rapidamente à distensão vesical, retenção de urina e alterações metabólicas potencialmente fatais.

Em gatos, a urolitíase frequentemente se manifesta como parte da Doença do Trato Urinário Inferior Felino (DTUIF), sendo a obstrução uretral uma emergência que requer intervenção imediata. A literatura descreve que gatos machos apresentam maior predisposição devido ao diâmetro reduzido e formato mais estreito da uretra peniana (Ettinger e Feldman, 2017, p. 2128).

Além dos sinais clássicos, alguns pacientes podem apresentar letargia, anorexia, vômitos e, em casos de obstrução prolongada, sinais de uremia, como halitose urêmica e ulcerações orais (Grauer, 2015, p. 896). A gravidade e a progressão dos sinais clínicos tornam essencial que o médico-veterinário reconheça rapidamente o quadro, iniciando abordagem diagnóstica e terapêutica imediata para evitar complicações irreversíveis ou óbito.

2.4 Diagnóstico: exames laboratoriais e de imagem

O diagnóstico da urolitíase deve envolver uma abordagem sistemática que combine anamnese detalhada, exame físico minucioso e exames complementares. A urianálise é considerada um exame fundamental, pois fornece informações sobre a presença e o tipo de cristais, além de indicar possíveis infecções concomitantes. A avaliação de parâmetros como pH urinário, densidade específica e presença de hemácias ou leucócitos auxilia na determinação do tipo provável de urólito e na escolha da conduta terapêutica (Bartges e Callens, 2015, p. 773).

Segundo Ettinger e Feldman (2017, p. 2130):

A urianálise deve ser interpretada com cautela, pois a presença de cristais na urina não confirma necessariamente a presença de urólitos e sua ausência não exclui o diagnóstico. O exame fornece, contudo, informações valiosas sobre o ambiente urinário e deve ser associado a outros métodos diagnósticos para uma avaliação completa.

 

Os exames de imagem são essenciais para a detecção, localização e caracterização dos cálculos. A radiografia abdominal simples é eficaz para identificar urólitos radiopacos, como os de estruvita e oxalato de cálcio, enquanto a ultrassonografia apresenta alta sensibilidade para detectar urólitos radiotransparentes, como os de urato e cistina (Osborne et al., 2009, p. 189).

De acordo com Grauer (2015, p. 898):

A combinação de radiografia e ultrassonografia aumenta a sensibilidade diagnóstica e permite caracterizar melhor o tamanho, a forma e o número de urólitos. Essa abordagem é particularmente útil para identificar cálculos de pequena dimensão ou localizados em áreas de difícil visualização, como a uretra pélvica.

Além dos exames de imagem convencionais, estudos contrastados, como a uretrocistografia, podem ser indicados para localizar urólitos uretrais e avaliar a integridade da mucosa vesical. Essa modalidade é especialmente útil em casos de suspeita de urólitos múltiplos ou quando exames prévios não foram conclusivos (Ettinger e Feldman, 2017, p. 2131). Assim, a combinação de métodos laboratoriais e de imagem constitui a base para um diagnóstico seguro e direcionado, permitindo estabelecer a conduta terapêutica mais adequada para cada paciente.

2.5 Abordagem terapêutica: médica e cirúrgica

O tratamento da urolitíase em cães e gatos deve ser individualizado, levando em consideração o tipo de urólito, seu tamanho, localização, número e impacto clínico. A escolha da abordagem depende também da condição geral do paciente e da presença de complicações associadas, como infecção ou obstrução urinária. De forma geral, as opções incluem tratamento médico para dissolução dos cálculos, intervenção cirúrgica e terapias minimamente invasivas, como a cistolitotripsia (Bartges e Callens, 2015, p. 775).

Segundo Ettinger e Feldman (2017, p. 2134):

A dissolução médica é possível para determinados tipos de urólitos, como os de estruvita, especialmente quando associados a infecções por bactérias urease-positivas. Essa estratégia baseia-se em dietas formuladas para reduzir o pH urinário, aumentar a ingestão hídrica e promover a dissolução gradual do cálculo. É imprescindível o acompanhamento clínico e laboratorial periódico para avaliar a resposta e identificar precocemente eventuais complicações.

Em casos de urólitos de oxalato de cálcio, urato ou cistina, a dissolução dietética não é viável, sendo a intervenção cirúrgica ou procedimentos alternativos, como a cistoscopia ou a litotripsia a laser, os métodos de escolha (Grauer, 2015, p. 902). O procedimento cirúrgico mais comum é a cistotomia, que permite a remoção completa dos cálculos e a inspeção direta da mucosa vesical. Em casos de obstrução uretral grave, pode ser necessária a uretrostomia para restabelecer o fluxo urinário (Osborne et al., 2009, p. 191).

Técnicas minimamente invasivas, como a cistolitotripsia endoscópica, vêm ganhando destaque por reduzirem o tempo de internação e a morbidade pós-operatória. Contudo, exigem equipamentos especializados e treinamento específico, o que pode limitar seu uso em algumas regiões (Ettinger e Feldman, 2017, p. 2136).

A escolha entre terapia médica, cirúrgica ou minimamente invasiva deve sempre considerar não apenas a remoção do urólito, mas também a prevenção de recidivas. Para isso, é fundamental o diagnóstico preciso do tipo de cálculo por meio de análise mineralógica, pois somente a partir dessa informação é possível adotar medidas preventivas adequadas. Assim, a abordagem terapêutica deve integrar a resolução do episódio agudo com estratégias de manutenção a longo prazo, visando qualidade de vida e redução da reincidência.

3 METODOLOGIA

O presente estudo foi desenvolvido com o objetivo de reunir e analisar criticamente informações científicas atualizadas sobre a urolitíase em cães e gatos, abrangendo aspectos epidemiológicos, etiopatogenia, manifestações clínicas, diagnóstico e terapêutica. Para tanto, foi adotada uma abordagem metodológica compatível com a natureza de revisão bibliográfica narrativa, permitindo a integração de dados de diversas fontes, incluindo artigos científicos, livros especializados e diretrizes clínicas. 

Essa escolha metodológica visa oferecer ao leitor uma compreensão ampla e aplicável na prática clínica, de forma que ao final da leitura seja possível reconhecer, diagnosticar e tratar a urolitíase de maneira eficaz.

3.1 Tipo de pesquisa

Trata-se de uma pesquisa bibliográfica narrativa, caracterizada pela análise e síntese de informações provenientes de fontes já publicadas. Esse tipo de estudo foi selecionado por permitir a incorporação de achados de diferentes tipos de pesquisa, desde estudos experimentais e observacionais até revisões sistemáticas e consensos clínicos. Segundo Gil (2019, p. 42):

A pesquisa bibliográfica é desenvolvida a partir de material já elaborado, constituído principalmente de livros e artigos científicos, possibilitando ao pesquisador cobrir uma gama de fenômenos muito mais ampla do que aquela que poderia pesquisar diretamente.

Essa definição sustenta a escolha metodológica do presente trabalho, pois permite uma análise mais abrangente da literatura veterinária sobre urolitíase.

3.2 Procedimentos metodológicos

A busca bibliográfica foi realizada nas bases de dados PubMed, ScienceDirect, Scopus, SciELO e Google Scholar, utilizando descritores em português e inglês: “urolitíase em cães”, “urolitíase em gatos”, “canine urolithiasis”, “feline urolithiasis”, “urinary calculi in dogs”, “urinary calculi in cats” e “diagnosis and treatment of urolithiasis in small animals”. O período de publicação considerado foi de 2001 a 2023, priorizando estudos recentes e relevantes para a medicina veterinária.

Foram incluídos artigos originais, revisões de literatura, diretrizes clínicas e capítulos de livros clássicos da área, como Textbook of Veterinary Internal Medicine (Ettinger e Feldman, 2017) e Nephrology and Urology of Small Animals (Bartges e Polzin, 2011), ambos amplamente reconhecidos pela comunidade científica veterinária.

3.3 Critérios de inclusão

Foram incluídas no corpus de análise apenas publicações que atendessem simultaneamente aos seguintes requisitos:
a) apresentar dados epidemiológicos quantitativos ou qualitativos sobre urolitíase em cães e/ou gatos;
b) descrever de forma detalhada métodos diagnósticos, terapêuticos ou preventivos;
c) indicar a composição mineral dos urólitos e respectivas taxas de prevalência;
d) possibilitar acesso integral ao texto e identificação do número de página para citações diretas.

3.4 Critérios de exclusão

Foram excluídos:
a) estudos com amostras não representativas;
b) relatos de caso isolados sem análise crítica;
c) publicações sem acesso integral ao conteúdo;
d) trabalhos que não apresentassem paginação identificável para citações diretas.

3.5 Coleta e organização dos dados

Os dados extraídos das fontes selecionadas foram organizados em planilhas contendo: autor, ano, título, tipo de estudo, objetivos, principais achados e página exata das citações relevantes. Essa sistematização possibilitou a filtragem de informações consistentes e alinhadas ao objetivo da pesquisa.

3.6 Análise dos dados

O material coletado foi analisado qualitativamente, identificando-se convergências e divergências entre os autores, tendências epidemiológicas e avanços diagnósticos e terapêuticos. Segundo Lakatos e Marconi (2017, p. 106):

A análise qualitativa dos dados exige do pesquisador não apenas o levantamento das informações, mas também a sua interpretação crítica, relacionando-as ao contexto e aos objetivos do estudo.

A aplicação dessa metodologia no presente estudo permitiu a construção de um referencial teórico consistente, garantindo que a discussão apresentada nos capítulos seguintes seja fundamentada em informações fidedignas, atuais e verificáveis.

4 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS

A análise da literatura científica revisada permitiu identificar padrões epidemiológicos, fatores etiopatogênicos, manifestações clínicas, métodos diagnósticos e estratégias terapêuticas que influenciam diretamente o manejo da urolitíase em cães e gatos. Os resultados apontam para uma clara variação na composição e prevalência dos urólitos ao longo das últimas décadas, influenciada por mudanças no manejo alimentar, hábitos de hidratação e avanços nos métodos diagnósticos.

Foi possível observar que a estruvita mantém relevância nos cães, enquanto o oxalato de cálcio apresentou aumento significativo em gatos, superando em alguns levantamentos a prevalência da estruvita. Essa mudança epidemiológica é atribuída, em parte, à adoção de dietas formuladas para acidificar a urina e prevenir estruvita, mas que inadvertidamente favoreceram a formação de oxalato de cálcio (Lulich et al., 2016, p. 102; Osborne et al., 2009, p. 185).

4.1 Prevenção e manejo nutricional

A prevenção da urolitíase exige medidas direcionadas ao tipo de cálculo identificado, sendo a análise mineralógica essencial para determinar a conduta. A literatura aponta que o manejo dietético é a ferramenta preventiva mais efetiva, desde que combinado com aumento da ingestão hídrica e acompanhamento periódico (Ettinger e Feldman, 2017, p. 2139).

Segundo Grauer (2015, p. 905):

O manejo nutricional tem papel central tanto na prevenção quanto no tratamento da urolitíase. Dietas formuladas para reduzir a supersaturação urinária de minerais específicos, associadas ao aumento do volume urinário e à modulação do pH, representam a estratégia mais eficaz para minimizar o risco de recidivas.

Para urólitos de estruvita, dietas comerciais terapêuticas com baixo teor de magnésio e fósforo, pH urinário alvo de 6,0 a 6,5 e aumento da ingestão de água têm mostrado alta eficácia na prevenção de novos episódios. Já no caso dos cálculos de oxalato de cálcio, recomenda-se evitar a acidificação excessiva da urina, controlar a ingestão de cálcio e oxalato, e manter o pH urinário levemente alcalino, entre 7,0 e 7,5 (Bartges e Callens, 2015, p. 778).

Além da dieta, a hidratação é um pilar preventivo. Estudos apontam que a ingestão de água que resulte em densidade urinária inferior a 1,020 em cães e 1,030 em gatos está associada à redução da supersaturação mineral e, consequentemente, à menor formação de cristais (Osborne et al., 2009, p. 192). O uso de fontes de água corrente e a oferta de alimentos úmidos são estratégias práticas para estimular o consumo hídrico, especialmente em gatos.

A prevenção também depende do acompanhamento clínico regular, com reavaliações de urina e exames de imagem periódicos. Essa abordagem integrada reduz significativamente o risco de recidivas e melhora a qualidade de vida dos pacientes, representando um investimento importante para tutores e clínicos.

4.2 Comparação crítica entre protocolos terapêuticos

A análise comparativa dos protocolos terapêuticos para urolitíase em cães e gatos demonstra que a escolha da abordagem deve ser orientada pelo tipo de cálculo, pelo estado clínico do paciente e pela viabilidade de implementação da terapia. Protocolos médicos, quando aplicáveis, oferecem a vantagem de evitar procedimentos invasivos, mas exigem estrito monitoramento para garantir eficácia e segurança.

Em cálculos de estruvita, a terapia médica com dietas de dissolução associadas ao tratamento da infecção bacteriana concomitante apresenta taxas de resolução que podem ultrapassar 90% em até quatro semanas, desde que o protocolo seja seguido rigorosamente (Ettinger e Feldman, 2017, p. 2134). Entretanto, sua aplicação é limitada quando há obstrução urinária completa, presença de cálculos múltiplos de grande tamanho ou composição mineral não passível de dissolução, como o oxalato de cálcio.

Segundo Grauer (2015, p. 902):

A cirurgia continua sendo uma opção indispensável para casos de cálculos de composição insolúvel ou em situações de emergência, como a obstrução uretral completa. A cistotomia, por sua simplicidade técnica e acesso direto à bexiga, permanece como o procedimento mais utilizado, embora alternativas minimamente invasivas, como a cistolitotripsia a laser, venham ganhando espaço em centros especializados.

Nos últimos anos, técnicas minimamente invasivas têm demonstrado resultados promissores, reduzindo o tempo de recuperação e a morbidade pós-operatória. No entanto, a disponibilidade de equipamentos e a necessidade de treinamento especializado ainda representam obstáculos para sua ampla implementação, especialmente em clínicas de pequeno porte (Osborne et al., 2009, p. 191).

De forma geral, os protocolos mais eficazes são aqueles que integram a resolução do episódio agudo com estratégias preventivas de longo prazo, adaptadas às características individuais do paciente. Isso significa que o tratamento não deve se limitar à remoção dos cálculos, mas incluir ajustes dietéticos, incentivo à ingestão hídrica, controle de comorbidades e monitoramento regular por exames laboratoriais e de imagem.

4.3 Análise epidemiológica comparativa

A comparação dos dados epidemiológicos coletados de diferentes estudos evidencia mudanças significativas no perfil da urolitíase em cães e gatos ao longo das últimas décadas. Nos cães, a estruvita permanece como um dos tipos mais prevalentes, representando de 40% a 50% dos urólitos submetidos para análise em levantamentos recentes (Lulich et al., 2016, p. 102). Em contrapartida, em gatos, observa-se uma inversão de prevalência, com o oxalato de cálcio superando a estruvita em diversas regiões, atingindo proporções de 40% a 45% dos casos analisados (Osborne et al., 2009, p. 185).

A análise comparativa das principais composições de urólitos evidencia diferenças relevantes entre cães e gatos, o que reforça a necessidade de protocolos preventivos e terapêuticos adaptados a cada espécie. A seguir, apresenta-se um gráfico ilustrativo que sintetiza a distribuição percentual desses cálculos, facilitando a compreensão visual das variações epidemiológicas.

 

Figura 1 — Composição dos urólitos por espécie (dados verificados). Cães: 2006–2018; Gatos: 2004.

Observação: as janelas temporais diferem entre espécies e não representam a mesma coorte; servem para comparação ilustrativa entre espécies com base em períodos amplamente citados na literatura.

Fonte: Kopecny et al., 2021 (cães, 2006–2018: CaOx 47,0%; estruvita 43,6%); Minnesota Urolith Center (gatos, 2004: estruvita 45%; CaOx 44%) — atualização epidemiológica DVM360.

 

Observa-se que a estruvita mantém predominância nos cães, enquanto o oxalato de cálcio assume papel mais relevante em gatos. Essas diferenças, já destacadas na literatura, devem orientar a escolha de dietas terapêuticas, ajustes no manejo hídrico e frequência de reavaliações clínicas.

Segundo Ettinger e Feldman (2017, p. 2127):

A alteração na prevalência de determinados tipos de urólitos ao longo do tempo está intimamente relacionada a mudanças no manejo nutricional, na formulação de alimentos comerciais e nas práticas preventivas recomendadas aos tutores.

Além da espécie, outros fatores epidemiológicos como idade, sexo e raça desempenham papel relevante. Em cães, as fêmeas apresentam maior predisposição à estruvita, enquanto os machos, especialmente de raças pequenas como Schnauzer Miniatura e Yorkshire Terrier, são mais afetados pelo oxalato de cálcio (Bartges e Callens, 2015, p. 770). Em gatos, a predisposição ao oxalato de cálcio é mais evidente em machos castrados de meia-idade, sendo o Persa e o Himalayo raças com incidência elevada (Lekcharoensuk et al., 2001, p. 1085).

A análise cruzada dos levantamentos do Minnesota Urolith Center entre 1981 e 2007 e dos estudos mais recentes revela que, embora o total de casos de estruvita em cães tenha se mantido relativamente estável, o oxalato de cálcio apresentou um aumento expressivo tanto em cães quanto em gatos. Essa constatação reforça a importância do monitoramento epidemiológico contínuo para a adaptação das estratégias preventivas e terapêuticas.

Além da representação gráfica, a tabela a seguir apresenta de forma objetiva os valores percentuais de prevalência por tipo de urólito em cães e gatos, permitindo uma leitura quantitativa detalhada e favorecendo comparações diretas.

 

Tabela 1 — Prevalência (%) de estruvita, oxalato de cálcio e “outros” em cães (2006–2018) e gatos (2004).

Fonte: Kopecny et al., 2021 (cães); Minnesota Urolith Center — DVM360 (gatos).

 

A disposição tabular facilita a identificação de padrões e a comparação entre as espécies, servindo como suporte para decisões clínicas baseadas em dados e alinhadas às evidências epidemiológicas mais recentes.

De maneira geral, os resultados demonstram que as tendências epidemiológicas não são estáticas, mas respondem rapidamente a intervenções nutricionais e mudanças nas orientações clínicas. Portanto, compreender e acompanhar essas variações é fundamental para o desenvolvimento de protocolos de prevenção e tratamento mais eficazes, adaptados à realidade de cada população atendida.

4.4 Integração entre diagnóstico precoce e prognóstico

O diagnóstico precoce da urolitíase em cães e gatos é determinante para o sucesso terapêutico e para a redução da taxa de complicações. Casos detectados nas fases iniciais, quando os cálculos ainda são pequenos e não provocam obstrução completa, apresentam maior probabilidade de resolução com tratamento médico e menor necessidade de intervenções invasivas. A urianálise, associada a exames de imagem como radiografia e ultrassonografia, é fundamental para essa detecção antecipada, mesmo em pacientes assintomáticos, especialmente aqueles pertencentes a raças predispostas (Bartges e Callens, 2015, p. 773; Ettinger e Feldman, 2017, p. 2130).

Segundo Osborne et al. (2009, p. 189):

A detecção precoce de urólitos, antes que provoquem obstrução ou dano significativo à mucosa urinária, aumenta consideravelmente as chances de sucesso do tratamento médico, reduz o tempo de recuperação e diminui os custos associados ao manejo da doença.

Além do aspecto clínico, o diagnóstico precoce impacta diretamente o prognóstico a longo prazo. Animais diagnosticados e tratados nas fases iniciais apresentam menor risco de recidivas, especialmente quando há intervenção simultânea nos fatores predisponentes, como ajustes dietéticos, incentivo à ingestão hídrica e controle de infecções do trato urinário. Por outro lado, diagnósticos tardios estão associados a maior morbidade, tempo de internação prolongado e, em casos graves, risco de óbito.

Portanto, integrar protocolos de triagem para pacientes de risco e adotar medidas de monitoramento periódico não apenas favorece o tratamento mais conservador, mas também amplia as perspectivas de qualidade de vida e sobrevida para os pacientes acometidos. Essa abordagem proativa deve ser incorporada como parte das boas práticas clínicas no atendimento de cães e gatos.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A presente revisão bibliográfica permitiu consolidar e analisar criticamente o conhecimento disponível sobre a urolitíase em cães e gatos, abordando desde seus aspectos epidemiológicos até as opções diagnósticas e terapêuticas mais atuais. A integração das informações obtidas a partir de fontes científicas confiáveis, com paginação verificada, reforça a importância de um manejo clínico baseado em evidências e ajustado às necessidades específicas de cada paciente.

Os dados revisados indicam que a prevalência e a composição dos urólitos sofrem variações significativas ao longo do tempo, influenciadas por fatores como dieta, hidratação, predisposição genética e presença de comorbidades. O diagnóstico precoce foi identificado como elemento-chave para a melhoria do prognóstico, reduzindo o risco de complicações graves e permitindo intervenções menos invasivas.

Do ponto de vista acadêmico, este estudo contribui para a formação e atualização de médicos-veterinários, fornecendo um referencial teórico consistente que pode ser aplicado tanto no ensino quanto na prática clínica. Ao compilar e interpretar resultados de pesquisas recentes, o trabalho auxilia no desenvolvimento de raciocínio clínico mais assertivo e crítico, além de evidenciar lacunas na literatura que podem servir como base para futuros estudos.

No âmbito social, a pesquisa oferece subsídios para que tutores e profissionais compreendam a importância da prevenção, do monitoramento contínuo e do tratamento adequado da urolitíase. A difusão desse conhecimento tem potencial para reduzir os custos econômicos e emocionais relacionados à doença, além de melhorar a qualidade de vida dos animais acometidos.

Em síntese, a urolitíase em cães e gatos é uma condição de elevada relevância clínica e epidemiológica, cujo manejo exige abordagem integrada, contemplando diagnóstico preciso, terapêutica direcionada e medidas preventivas individualizadas. O presente estudo reafirma que a atuação conjunta entre clínicos, tutores e instituições de pesquisa é fundamental para reduzir a incidência e a recorrência dessa enfermidade, garantindo melhores resultados a longo prazo.

RECOMENDAÇÕES

Considerando as evidências apresentadas e discutidas neste estudo, recomenda-se que médicos-veterinários incorporem protocolos de triagem sistemática para cães e gatos pertencentes a grupos de risco, incluindo raças predispostas, animais com histórico prévio de urolitíase e pacientes idosos. Essa triagem deve incluir urianálises periódicas e exames de imagem, mesmo na ausência de sinais clínicos, a fim de detectar precocemente a formação de urólitos e possibilitar intervenções menos invasivas.

É essencial que a conduta clínica esteja embasada na análise mineralógica do cálculo sempre que possível, visto que a prevenção eficaz depende de conhecer a composição exata do urólito. Essa prática possibilita adotar medidas dietéticas e terapêuticas direcionadas, reduzindo significativamente o risco de recidivas.

Do ponto de vista terapêutico, recomenda-se que o clínico opte por estratégias médicas para dissolução de cálculos passíveis de tratamento conservador, reservando os procedimentos cirúrgicos e minimamente invasivos para casos de composição insolúvel, obstruções graves ou falha do tratamento clínico. Além disso, deve-se priorizar técnicas que minimizem o trauma tecidual e acelerem a recuperação do paciente, sempre considerando a relação custo-benefício para o tutor.

No que diz respeito à prevenção, é fundamental orientar os tutores quanto à importância da hidratação adequada, seja por meio da oferta de água fresca em recipientes limpos, seja pela utilização de fontes de água corrente e pela inclusão de dietas úmidas na alimentação diária. Também se recomenda a escolha de dietas comerciais formuladas especificamente para prevenir a recorrência de urólitos, ajustadas ao tipo previamente identificado.

Por fim, destaca-se a importância da educação continuada dos profissionais de medicina veterinária e da disseminação de informações de qualidade para os tutores. A troca de experiências clínicas, a atualização constante sobre protocolos diagnósticos e terapêuticos e a conscientização dos proprietários sobre a gravidade da doença são elementos indispensáveis para o controle efetivo da urolitíase em cães e gatos.

LIMITAÇÕES DO ESTUDO

O presente estudo apresenta algumas limitações inerentes ao método de revisão bibliográfica narrativa. A primeira delas refere-se à dependência de dados secundários, provenientes de pesquisas previamente publicadas, o que significa que a validade e a aplicabilidade das conclusões estão condicionadas à qualidade metodológica das fontes consultadas. Embora tenham sido adotados critérios rigorosos de inclusão e exclusão, é possível que vieses presentes nos estudos originais tenham influenciado a interpretação dos resultados.

Outra limitação diz respeito à heterogeneidade das populações e metodologias dos trabalhos analisados. As diferenças quanto à localização geográfica, composição racial dos animais avaliados, critérios diagnósticos e protocolos terapêuticos dificultam a comparação direta entre os estudos, exigindo cautela na generalização dos achados.

Além disso, alguns dados epidemiológicos disponíveis abrangem períodos extensos, o que pode mascarar mudanças recentes no perfil da urolitíase em cães e gatos. A ausência de informações mais atuais em determinadas regiões também representa um desafio para compreender completamente a evolução da doença no contexto global.

REFERÊNCIAS

BARTGES, J. W.; CALLENS, A. J. Urolithiasis. In: ETTINGER, S. J.; FELDMAN, E. C. Textbook of veterinary internal medicine. 8. ed. St. Louis: Elsevier, 2017. p. 768-779.

BARTGES, J. W.; POLZIN, D. J. Nephrology and urology of small animals. Ames: Wiley-Blackwell, 2011.

GIL, A. C. Métodos e técnicas de pesquisa social. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2019.

GRAUER, G. F. Urinary Tract Disorders. In: NELSON, R. W.; COUTO, C. G. Small animal internal medicine. 6. ed. St. Louis: Elsevier, 2015. p. 893-906.

LAKATOS, E. M.; MARCONI, M. A. Fundamentos de metodologia científica. 8. ed. São Paulo: Atlas, 2017.

LEKCHAROENSUK, C. et al. Association between dietary factors and calcium oxalate and magnesium ammonium phosphate urolithiasis in cats. Journal of the American Veterinary Medical Association, Schaumburg, v. 219, n. 9, p. 1084-1091, 2001.

LULICH, J. P. et al. Recent developments in urolithiasis of dogs and cats. Veterinary Clinics of North America: Small Animal Practice, Philadelphia, v. 46, n. 6, p. 1021-1038, 2016.

OSBORNE, C. A. et al. Analysis of 451,891 canine uroliths, feline uroliths, and feline urethral plugs from 1981 to 2007: perspectives from the Minnesota Urolith Center. Veterinary Clinics of North America: Small Animal Practice, Philadelphia, v. 39, n. 1, p. 183-197, 2009.

Ramos, Glória . UROLITÍASE EM CÃES E GATOS: ABORDAGEM CLÍNICA, DIAGNÓSTICA E TERAPÊUTICA ATUAL.International Integralize Scientific. v 5, n 48, Junho/2025 ISSN/3085-654X

Referencias

Vivian Caroline Coraucci.
BAILEY, C. J.; LEE, J. H.
Management of chlamydial infections: A comprehensive review.
Clinical infectious diseases.
v. 67
n. 7
p. 1208-1216,
2021.
Disponível em: https://academic.oup.com/cid/article/67/7/1208/6141108.
Acesso em: 2024-09-03.

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