Do papel ao digital: Caminhos da educação paranaense no ensino de português e matemática

FROM PAPER OR TO DIGITAL: EDUCATIONAL PATHWAYS IN PARANA’S PORTUGUESE AND MATHEMATICS TEACHING

DEL PAPEL A LO DIGITAL: CAMINOS DA LA EDUCACÍON PARANAENSE EM LA ENSEÃNZA DE PORTUGUÉS Y MATEMÁTICAS

Autor

URL do Artigo

https://iiscientific.com/artigos/00AC73

DOI

doi.org/10.63391/00AC73

Nakamura , Lucimara . Do papel ao digital: Caminhos da educação paranaense no ensino de português e matemática. International Integralize Scientific. v 5, n 49, Julho/2025 ISSN/3085-654X

Resumo

Este artigo analisa os caminhos percorridos pela educação pública do estado do Paraná na integração das tecnologias digitais ao ensino de Língua Portuguesa e Matemática, a partir da implementação de programas educacionais como Leia Paraná, Redação Paraná e Matemática Paraná. Com base na Instrução Normativa n.º 005/2024 da SEED/PR e em uma revisão de literatura, investiga-se o impacto desses recursos digitais na prática pedagógica e no desenvolvimento das competências dos estudantes, em consonância com as diretrizes da Base Nacional Comum Curricular. Os resultados evidenciam avanços na autonomia, no raciocínio lógico, na fluência leitora e na competência escritora dos alunos, além da valorização da mediação docente e da formação continuada. Conclui-se que a política educacional paranaense oferece um modelo eficaz de integração tecnológica, fundamentado em planejamento, acompanhamento e inovação didático-metodológica.
Palavras-chave
tecnologias digitais; ensino de língua portuguesa; ensino de matemática; políticas educacionais; inovação pedagógica.

Summary

This article analyzes the pathways taken by public education in the state of Paraná in integrating digital technologies into the teaching of Portuguese Language and Mathematics, based on the implementation of educational programs such as Leia Paraná, Redação Paraná, and Matemática Paraná. Grounded in Instruction No. 005/2024 by SEED/PR and a literature review, the study investigates the impact of these digital resources on pedagogical practices and the development of students’ competencies, in line with the guidelines of the Brazilian National Common Curricular Base (BNCC). The results show progress in students’ autonomy, logical reasoning, reading fluency, and writing skills, in addition to the enhancement of teacher mediation and ongoing professional development. It concludes that Paraná’s educational policy offers an effective model of technological integration, supported by planning, monitoring, and didactic-methodological innovation.
Keywords
digital technologies; portuguese language teaching; mathematics teaching; educational policies; pedagogical innovation.

Resumen

Este artículo analiza los caminos recorridos por la educación pública del estado de Paraná en la integración de tecnologías digitales en la enseñanza de Lengua Portuguesa y Matemáticas, a partir de la implementación de programas educativos como Leia Paraná, Redação Paraná y Matemática Paraná. Basado en la Instrucción Normativa n.º 005/2024 de SEED/PR y en una revisión bibliográfica, el estudio investiga el impacto de estos recursos digitales en las prácticas pedagógicas y en el desarrollo de las competencias de los estudiantes, en consonancia con las directrices de la Base Nacional Común Curricular (BNCC) de Brasil. Los resultados evidencian avances en la autonomía, el razonamiento lógico, la fluidez lectora y la competencia escritora de los alumnos, además de la valorización de la mediación docente y la formación continua. Se concluye que la política educativa del estado de Paraná ofrece un modelo eficaz de integración tecnológica, sustentado en la planificación, el seguimiento y la innovación didáctico-metodológica.
Palavras-clave
tecnologías digitales; enseñanza de lengua portuguesa; enseñanza de matemáticas; políticas educativas; innovación pedagógica.

INTRODUÇÃO 

A revolução digital tem provocado profundas transformações em todas as esferas da sociedade, e no campo educacional não é diferente. O uso de tecnologias digitais no ambiente escolar, especialmente no ensino de Língua Portuguesa e Matemática, tornou-se uma estratégia relevante para ampliar o acesso ao conhecimento, promover a personalização da aprendizagem e fomentar a participação ativa dos estudantes. Nesse contexto, o Estado do Paraná tem se destacado pela implementação de programas educacionais que incorporam recursos digitais ao processo de ensino-aprendizagem, conforme regulamentado pela Instrução Normativa n.º 005/2024 da Secretaria de Estado da Educação (SEED/PR), que orienta a utilização desses recursos em toda a rede pública estadual.

A transição do ensino tradicional — centrado no uso do papel e do quadro negro — para práticas pedagógicas mediadas por tecnologias digitais reflete a necessidade de acompanhar os avanços sociais e culturais promovidos pela era da informação. De acordo com Palfrey e Gasser (2011), os estudantes atuais são nativos digitais, imersos em um universo de múltiplas linguagens, hipertextos e interações mediadas por tecnologias, o que exige da escola uma reinvenção de suas práticas e linguagens pedagógicas. A justificativa deste estudo, portanto, reside na importância de compreender como os programas educacionais digitais promovidos pelo Governo do Paraná — como o Matemática Paraná, o Redação Paraná e o Leia Paraná — vêm contribuindo para a melhoria da aprendizagem em duas áreas centrais do currículo escolar: a Língua Portuguesa e a Matemática.

O objetivo geral deste artigo é analisar os caminhos percorridos pela educação pública paranaense na integração de tecnologias digitais ao ensino de Língua Portuguesa e Matemática, evidenciando as contribuições pedagógicas desses recursos para o desenvolvimento das habilidades previstas na Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Como objetivos específicos, busca-se: (a) descrever os principais programas digitais implementados no Paraná voltados a essas áreas do conhecimento; (b) discutir os impactos pedagógicos dessas iniciativas na mediação docente e no protagonismo discente; e (c) refletir sobre os desafios e potencialidades da digitalização do ensino nesses componentes curriculares.

A metodologia adotada neste artigo baseia-se em uma revisão de literatura com enfoque qualitativo, envolvendo o estudo de documentos oficiais, como a Instrução Normativa n.º 005/2024 – DEDUC/SEED (2024), e de produções acadêmicas que discutem o uso das tecnologias digitais na educação, especialmente nas áreas de Língua Portuguesa e Matemática (Almeida; Moran, 2005; Amancio; Sanzovo, 2020; Chagas; Steyer, 2014; Guerreiro; Ribeiro Neto, 2019; Oliveira; Cunha, 2021). Esta revisão possibilita uma análise crítica dos recursos digitais como estratégias pedagógicas de inovação e inclusão educacional.

Inicialmente apresenta-se uma seção dedicada ao panorama teórico sobre a integração das tecnologias digitais na educação e seu impacto no ensino de Língua Portuguesa e Matemática. Em seguida, discute-se a política pública educacional do estado do Paraná voltada à digitalização do ensino, com foco nos programas educacionais implementados. A penúltima seção analisa os resultados e as reflexões advindas da revisão de literatura e das diretrizes curriculares e tecnológicas. Por fim, são apresentadas as considerações finais com sugestões para pesquisas futuras e recomendações pedagógicas.

A INTEGRAÇÃO DAS TECNOLOGIAS DIGITAIS AO ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA E MATEMÁTICA

A das tecnologias digitais às práticas educativas tem promovido transformações profundas na forma como o conhecimento é ensinado e aprendido. Especialmente no ensino de Língua Portuguesa e Matemática, essas ferramentas têm contribuído para dinamizar as aulas e aproximar os conteúdos escolares da realidade digital vivenciada pelos estudantes (Almeida; Moran, 2005).

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei n. 9394/96) assegura a formação integral do educando, o que inclui a capacidade de lidar criticamente com as novas tecnologias. Com isso, a inserção de recursos digitais no processo pedagógico torna-se não apenas uma alternativa, mas uma necessidade no cenário atual.

No estado do Paraná, a Secretaria de Estado da Educação (SEED) implementou programas como Redação Paraná, Matemática Paraná e Leia Paraná, com o objetivo de potencializar o ensino por meio do uso de recursos educacionais digitais (Paraná, 2024).

Esses programas têm como base a utilização de plataformas digitais que promovem atividades pedagógicas interativas, o que favorece o engajamento dos estudantes e o desenvolvimento de competências como a autonomia, o pensamento crítico e a resolução de problemas.

No caso do ensino de Língua Portuguesa, a tecnologia digital tem permitido o contato com uma diversidade de gêneros textuais, ampliando as possibilidades de leitura, escrita e interpretação. Tais recursos aproximam os estudantes da linguagem utilizada em seu cotidiano digital (Freitas; Costa, 2006).

Os hipertextos são exemplos disso, pois rompem com a linearidade textual tradicional e possibilitam uma leitura mais ativa e exploratória, o que estimula o leitor a realizar conexões, tomar decisões e interagir com múltiplos formatos (Ferrari, 2010; Filho, 1994).

As práticas com hipertextos e blogs têm se mostrado eficazes para incentivar a produção escrita e a compreensão leitora, contribuindo para a formação de sujeitos críticos e autônomos (Chagas; Steyer, 2014).

O Programa Redação Paraná oferece um ambiente virtual que estimula a escrita de diferentes gêneros textuais, permitindo a correção por meio da inteligência artificial, o que garante feedbacks imediatos e eficazes para o aprimoramento das competências linguísticas dos estudantes (Paraná, 2024).

Segundo Oliveira et al. (2014), a integração das tecnologias digitais ao ensino de Língua Portuguesa não apenas inova as práticas docentes, mas também dialoga com as formas de comunicação dos alunos, tornando o ensino mais significativo.

As tecnologias digitais, nesse contexto, atuam como mediadoras do conhecimento e devem ser utilizadas como instrumentos de autoria, que possibilitam aos estudantes construir e reconstruir saberes de forma ativa e reflexiva (Almeida; Moran, 2005).

Guerreiro e Ribeiro Neto (2019) ressaltam que o uso das tecnologias em sala de aula permite uma abordagem mais atrativa, principalmente quando relacionadas a temas de interesse dos alunos, o que potencializa o aprendizado.

O ambiente digital também favorece a multimodalidade textual, ou seja, a combinação de diferentes linguagens, como texto, imagem, som e vídeo, ampliando os sentidos e enriquecendo as experiências educativas (Xavier; Santos, 2001).

A leitura e a produção de textos multimodais promovem o desenvolvimento de novas habilidades comunicativas, essenciais para a atuação cidadã e profissional no século XXI (Rapaport, 2008).

Com relação à Matemática, o uso de tecnologias digitais tem sido considerado uma das estratégias mais eficientes para tornar o ensino mais dinâmico e compreensível, principalmente por meio da visualização de conceitos abstratos (Amancio; Sanzovo, 2020).

O Programa Matemática Paraná disponibiliza atividades digitais gamificadas para os anos iniciais e outras com progressão de complexidade para os anos finais e o Ensino Médio, favorecendo o desenvolvimento do raciocínio lógico e da capacidade de resolver problemas (Paraná, 2024).

As tecnologias também possibilitam o acompanhamento individualizado da aprendizagem, permitindo que o professor intervenha de forma mais pontual e eficiente (Almeida; Moran, 2005).

O uso do software GeoGebra, por exemplo, permite que o estudante manipule gráficos e equações de forma interativa, facilitando a compreensão dos conteúdos matemáticos (Oliveira; Cunha, 2021).

Esse tipo de ferramenta proporciona uma aprendizagem ativa, onde o aluno não apenas observa, mas interage e explora os conteúdos, desenvolvendo autonomia e protagonismo no processo educativo.

A inserção das tecnologias no ensino da Matemática contribui para a contextualização dos conteúdos, relacionando-os às situações do cotidiano e à realidade dos estudantes (Amancio; Sanzovo, 2020).

Nesse processo, o papel do professor é fundamental. Ele deixa de ser o detentor exclusivo do saber para atuar como mediador, orientador e facilitador da aprendizagem (Almeida; Moran, 2005).

O planejamento pedagógico passa a demandar competências tecnológicas por parte do docente, que deve conhecer os recursos digitais e saber utilizá-los de maneira crítica e intencional.

Os programas da SEED/PR prevêem formação continuada para os professores, com apoio dos técnicos pedagógicos dos Núcleos Regionais de Educação, chamados de “embaixadores” (Paraná, 2024).

A atuação desses profissionais tem sido essencial para orientar, acompanhar e avaliar a implementação dos programas, garantindo maior eficácia e alinhamento com as diretrizes curriculares.

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) estabelece como competência geral o uso das tecnologias digitais de forma crítica, significativa, reflexiva e ética, o que reforça a necessidade de sua inserção no cotidiano escolar (Brasil, 2017).

Varão (2022) afirma que, ao trabalhar com tecnologias, o professor de Língua Portuguesa amplia sua prática para além do texto impresso, explorando as múltiplas possibilidades expressivas dos ambientes digitais.

A experiência do Paraná demonstra que é possível implementar uma política pública educacional voltada à inovação tecnológica, sem abrir mão da qualidade e da equidade no ensino. Essa transformação, porém, exige um compromisso coletivo com a formação docente, a gestão eficiente dos recursos e a participação ativa dos estudantes no processo de aprendizagem.

A integração das tecnologias digitais ao ensino de Língua Portuguesa e Matemática representa um caminho promissor para tornar a educação mais atrativa, inclusiva e alinhada às demandas do mundo contemporâneo.

POLÍTICAS PÚBLICAS E PROGRAMAS DIGITAIS NO PARANÁ PARA O ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA E MATEMÁTICA

A política educacional do estado do Paraná tem se caracterizado, nos últimos anos, por iniciativas voltadas à inovação pedagógica com base no uso de tecnologias digitais. Tais ações refletem um compromisso com a melhoria da qualidade do ensino e a promoção da equidade educacional por meio da inclusão digital dos estudantes da rede pública estadual (Paraná, 2024).

A Instrução Normativa n.º 005/2024 da SEED/PR estabelece diretrizes claras para a implementação e funcionamento dos programas que utilizam recursos educacionais digitais no ensino fundamental e médio, com foco no desenvolvimento de competências e habilidades previstas nos documentos curriculares do estado.

Essa normativa define como recurso educacional digital qualquer ferramenta que enriqueça a interação entre o estudante e o objeto do conhecimento, atuando como estratégia pedagógica para o professor. Trata-se, portanto, de uma abordagem intencional e planejada, que não se limita ao uso de tecnologia pela tecnologia, mas busca resultados concretos na aprendizagem (Paraná, 2024).

Dentre os programas instituídos, destacam-se o Leia Paraná, voltado à promoção da leitura; o Redação Paraná, voltado à escrita e à competência comunicativa; e o Matemática Paraná, que visa ao desenvolvimento do raciocínio lógico e da resolução de problemas matemáticos. Cada um deles apresenta especificidades em sua estrutura e objetivos, mas todos se fundamentam em uma concepção pedagógica inovadora.

O Programa Leia Paraná utiliza dois ambientes de aprendizagem: uma Biblioteca Digital e um Clube de Leitura. A Biblioteca Digital oferece aos estudantes acesso a obras de diversos gêneros e níveis de complexidade, organizadas conforme a etapa de ensino. Já o Clube de Leitura propõe atividades de interpretação textual alinhadas aos referenciais curriculares do estado (Paraná, 2024).

Essa iniciativa busca não apenas o desenvolvimento da fluência leitora, mas também o estímulo ao gosto pela leitura e à ampliação do repertório cultural dos alunos. Guerreiro e Ribeiro Neto (2019) ressaltam que o acesso à leitura digital, quando bem mediado, promove o engajamento e a formação crítica dos estudantes.

Além disso, o Leia Paraná articula suas ações com os objetivos do projeto de vida dos estudantes, promovendo uma abordagem que valoriza o protagonismo juvenil e as escolhas pessoais, alinhando-se à proposta de educação integral defendida pela BNCC (Brasil, 2017).

Já o Redação Paraná oferece um ambiente digital voltado à prática da escrita, no qual o estudante pode produzir textos e receber feedbacks automáticos com base em critérios de correção previamente definidos. Essa funcionalidade, segundo Chagas e Steyer (2014), é fundamental para o aprimoramento contínuo da escrita.

O uso da inteligência artificial no processo de correção textual é uma das inovações do programa. Ao identificar erros gramaticais e de coerência, a plataforma orienta a revisão e reescrita dos textos, promovendo o desenvolvimento da competência comunicativa de maneira personalizada (Paraná, 2024).

Para Oliveira et al. (2014), essa prática rompe com o modelo tradicional de ensino de redação, centrado na correção final do professor, e passa a valorizar o processo de escrita como construção ativa e interativa.

A utilização do ambiente digital para a produção textual também possibilita o trabalho com gêneros multimodais e hipertextuais, como blogs, crônicas e relatos digitais, que dialogam com o universo dos estudantes e suas práticas sociais (Ferrari, 2010; Filho, 1994).

A proposta do Redação Paraná também promove o letramento digital ao inserir o estudante em uma cultura de escrita mediada por tecnologias, em consonância com as reflexões de Freitas e Costa (2006) sobre as práticas escolares e extraescolares de leitura e escrita na adolescência.

No campo da Matemática, o Matemática Paraná apresenta uma estrutura diferenciada para cada etapa de ensino. Para os anos iniciais, adota a gamificação como estratégia de aprendizagem. Para os anos finais e o Ensino Médio, utiliza recursos digitais baseados na progressividade da aprendizagem, organizados por níveis de complexidade (Paraná, 2024).

Segundo Amancio e Sanzovo (2020), os jogos digitais e a gamificação são capazes de transformar a relação dos estudantes com a Matemática, tornando o aprendizado mais prazeroso, desafiador e eficaz.

Além disso, o programa permite o acompanhamento em tempo real da evolução dos estudantes, fornecendo relatórios de desempenho que auxiliam o professor no planejamento de ações pedagógicas mais assertivas.

A utilização de softwares como o GeoGebra, presente no programa, permite a manipulação visual de conceitos matemáticos, o que facilita a compreensão de conteúdos complexos, como funções, geometria e álgebra (OLiveira; Cunha, 2021).

Essa abordagem está alinhada à ideia de que a tecnologia deve ser usada como ferramenta para construir sentidos e não apenas como meio de transmissão de conteúdos (Almeida; Moran, 2005).

Outro aspecto importante da política educacional paranaense é a figura do “embaixador pedagógico”. Cada Núcleo Regional de Educação conta com um ou mais técnicos pedagógicos que atuam na implementação e acompanhamento dos programas digitais nas escolas da rede pública estadual (Paraná, 2024).

Esses profissionais são responsáveis por conhecer os recursos e suas intencionalidades, apoiar o planejamento das ações nas escolas, oferecer formações aos professores e analisar os indicadores de aprendizagem, promovendo intervenções pedagógicas quando necessário.

A presença desses mediadores representa um diferencial da política do estado, pois garante a articulação entre a proposta digital e as necessidades concretas das unidades escolares, fortalecendo a coerência entre planejamento e execução.

A gestora da SEED/PR também estabeleceu que esses programas estejam integrados ao material pedagógico RCO+Aulas, o que facilita o uso dos recursos digitais no cotidiano da sala de aula, garantindo sua utilização efetiva e significativa.

O uso dos programas digitais é pautado na análise dos resultados da Prova Paraná, que permite diagnosticar as habilidades com menor índice de acerto e, a partir disso, planejar ações pedagógicas voltadas à recomposição das aprendizagens (Paraná, 2024).

Essa articulação entre avaliação diagnóstica e uso das tecnologias digitais contribui para uma educação mais responsiva e baseada em evidências, o que, segundo Palfrey e Gasser (2011), é fundamental para atender às demandas da geração digital.

A BNCC reforça a importância da tecnologia na educação ao reconhecer a cultura digital como uma das dez competências gerais a serem desenvolvidas ao longo da Educação Básica, exigindo das escolas uma reorganização de seus currículos e práticas pedagógicas (Brasil, 2017).

Varão (2022) salienta que o trabalho com tecnologias no ensino de Língua Portuguesa tem possibilitado uma aproximação entre as práticas escolares e as práticas sociais, contribuindo para o desenvolvimento de um sujeito crítico, criativo e comunicativo.

Rapaport (2008) também destaca a relevância da tecnologia no ensino de línguas, apontando que os recursos digitais oferecem novas formas de expressão e interação, ampliando as possibilidades de ensino e aprendizagem.

Nesse contexto, os programas educacionais digitais do Paraná representam uma política pública educacional consistente, que busca responder aos desafios contemporâneos da educação, promovendo o acesso, a permanência e a aprendizagem dos estudantes.

A experiência do estado demonstra que, com planejamento, investimento e acompanhamento, é possível integrar tecnologias digitais ao ensino de forma eficaz, respeitando as especificidades de cada componente curricular e garantindo a qualidade da educação pública.

Assim, a análise das políticas públicas implementadas no Paraná revela um caminho promissor para o uso pedagógico das tecnologias digitais no ensino de Língua Portuguesa e Matemática, servindo como modelo para outras redes de ensino do país.

RESULTADOS E REFLEXÕES SOBRE O USO DAS TECNOLOGIAS DIGITAIS NO ENSINO

A análise dos resultados e impactos da implementação das tecnologias digitais no ensino de Língua Portuguesa e Matemática no estado do Paraná revela avanços significativos, tanto do ponto de vista pedagógico quanto em relação ao engajamento dos estudantes. A partir da consolidação de programas como o Redação Paraná, Leia Paraná e Matemática Paraná, observam-se mudanças importantes nas dinâmicas de sala de aula e no desempenho dos alunos (Paraná, 2024).

No campo da Língua Portuguesa, os resultados indicam maior interesse e participação dos estudantes nas atividades de leitura e escrita, especialmente quando mediadas por plataformas digitais que oferecem interfaces atrativas, feedbacks em tempo real e estímulos à criatividade textual (Guerreiro; Ribeiro Neto, 2019). Essa mudança é percebida tanto pelos professores quanto pelos próprios alunos, que se reconhecem como autores em um ambiente de aprendizagem mais dinâmico e interativo.

A correção automatizada proposta no Redação Paraná, baseada em inteligência artificial, tem se mostrado uma ferramenta eficaz na orientação da reescrita textual, ampliando as oportunidades de aprendizagem por meio da prática contínua. A possibilidade de revisar os próprios textos a partir de critérios objetivos favorece a autonomia e o desenvolvimento das competências linguísticas (Chagas; Steyer, 2014).

Os gêneros digitais explorados nas plataformas, como blogs, diários de leitura e crônicas interativas, favorecem a expressão pessoal e a construção de sentido em contextos que vão além do ambiente escolar, aproximando os conteúdos trabalhados da realidade sociocultural dos estudantes (Ferrari, 2010; Filho, 1994).

A integração entre hipertexto, imagem e som, possibilitada pela multimodalidade dos recursos digitais, contribui para o enriquecimento das práticas de leitura e escrita, atendendo às diretrizes propostas por Xavier e Santos (2001) sobre os novos gêneros do discurso digital.

O Leia Paraná, por sua vez, promove uma cultura de leitura contínua, por meio de uma biblioteca digital acessível e compatível com os interesses dos estudantes. O estímulo à leitura de obras literárias e informativas com diferentes níveis de complexidade colabora para a formação de leitores críticos, reflexivos e autônomos (Varão, 2022).

A interação proposta pelo Clube de Leitura favorece a formação de comunidades leitoras escolares, nas quais os estudantes compartilham impressões e leituras, promovendo o diálogo e a escuta ativa, práticas fundamentais para o exercício da cidadania.

No que tange ao ensino de Matemática, os recursos digitais têm contribuído para o desenvolvimento do raciocínio lógico e da capacidade de resolver problemas, por meio da gamificação, da visualização de gráficos e do uso de simulações (Amancio; Sanzovo, 2020).

O uso de ferramentas como o GeoGebra permite que os estudantes compreendam conceitos matemáticos de forma concreta, experimentando diferentes possibilidades e testando hipóteses, o que é essencial para a construção do conhecimento (Oliveira; Cunha, 2021).

A gamificação, ao transformar os exercícios tradicionais em desafios interativos, colabora para a motivação dos alunos, especialmente daqueles que apresentam dificuldades em acompanhar o ensino convencional. Essa estratégia facilita o engajamento por meio da competição saudável, recompensas e evolução por níveis (Amancio; Sanzovo, 2020).

Os relatórios gerados pelas plataformas digitais são úteis para os professores avaliarem a progressão da aprendizagem e intervirem de forma personalizada. Esse acompanhamento contínuo é um dos fatores que possibilita a recomposição das aprendizagens identificadas como defasadas pela Prova Paraná (Paraná, 2024).

O papel do professor, neste contexto, passa a ser o de mediador de experiências, alguém que orienta, propõe desafios e acompanha o percurso de aprendizagem de forma mais próxima e efetiva (Almeida; Moran, 2005).

A formação continuada dos docentes tem sido um dos pilares da efetivação desses programas. A atuação dos embaixadores pedagógicos tem garantido a disseminação de boas práticas, o suporte técnico e pedagógico, e o fortalecimento da cultura de uso das tecnologias nas escolas (Paraná, 2024).

O envolvimento da comunidade escolar, por meio da participação ativa das equipes gestoras, famílias e estudantes, também tem se revelado extremamente importante para o sucesso das iniciativas. A articulação entre escola e família potencializa o uso das plataformas fora do ambiente escolar, promovendo um processo de aprendizagem mais contínuo.

Palfrey e Gasser (2011) observam que os nativos digitais esperam experiências de aprendizagem que dialoguem com seu universo cotidiano, repleto de interações digitais. Dessa forma, programas educacionais que integram tecnologias digitais atendem a essa expectativa e aumentam a relevância da escola para esses estudantes.

As reflexões de Freitas e Costa (2006) sobre os usos da internet por adolescentes reforçam a importância de considerar suas práticas digitais ao planejar as intervenções pedagógicas, de modo a garantir sentido e engajamento na aprendizagem.

A implementação dos programas também tem gerado reflexões sobre os desafios da infraestrutura tecnológica, como a qualidade da conexão à internet, a disponibilidade de equipamentos e a capacitação dos profissionais da educação.

Apesar desses obstáculos, os avanços observados indicam que a integração das tecnologias digitais ao ensino é um caminho irreversível e necessário para a modernização da escola pública, em consonância com as demandas sociais e culturais contemporâneas.

As políticas públicas do Paraná, ao preverem o uso das tecnologias de forma estruturada, com planejamento, acompanhamento e avaliação, contribuem para consolidar práticas pedagógicas inovadoras e sustentáveis.

A análise dos dados educacionais e a implementação de políticas baseadas em evidências têm demonstrado que é possível melhorar os índices de aprendizagem, especialmente quando as estratégias estão alinhadas às necessidades reais dos estudantes e das escolas.

A articulação entre programas digitais e os referenciais curriculares do estado evidencia a preocupação com a coerência entre o que se ensina e como se ensina, assegurando que as tecnologias não se tornem meros instrumentos, mas verdadeiros aliados da aprendizagem.

O uso de tecnologias digitais também se mostra fundamental para garantir a inclusão de estudantes com diferentes perfis e necessidades, possibilitando uma aprendizagem mais personalizada e acessível a todos.

Nesse sentido, a política educacional paranaense se alinha às diretrizes da LDB (1996) e da BNCC (BRASIL, 2017), que preveem o uso de recursos didáticos diversificados e adaptados para o atendimento das especificidades dos alunos.

O estímulo à autonomia, à criatividade e ao protagonismo dos estudantes, presente nos programas digitais, colabora para a formação de sujeitos preparados para atuar em uma sociedade em constante transformação.

As tecnologias, quando bem integradas ao currículo, podem servir como pontes entre os saberes escolares e os saberes sociais, promovendo a interdisciplinaridade e o pensamento crítico.

Por fim, os resultados e reflexões apresentados demonstram que o investimento em tecnologias digitais para o ensino de Língua Portuguesa e Matemática no Paraná tem gerado impactos positivos e duradouros, contribuindo para o fortalecimento da educação pública de qualidade.

Esse panorama aponta para a necessidade de continuidade das ações, com ênfase na ampliação do acesso, na formação de professores e na inovação pedagógica, a fim de consolidar uma cultura educacional digital inclusiva e transformadora.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A integração das tecnologias digitais ao ensino de Língua Portuguesa e Matemática no estado do Paraná tem se consolidado como uma política pública inovadora, fundamentada em diretrizes pedagógicas claras, compromisso institucional e foco no desenvolvimento integral dos estudantes. A análise dos programas Leia Paraná, Redação Paraná e Matemática Paraná evidencia que tais iniciativas não apenas incorporam recursos digitais ao cotidiano escolar, mas também promovem transformações significativas nas práticas de ensino e aprendizagem.

Ao investir em plataformas interativas, ambientes virtuais de aprendizagem e ferramentas de inteligência artificial, o Paraná tem possibilitado que os estudantes desenvolvam competências essenciais ao século XXI, como o pensamento crítico, a comunicação eficaz, a resolução de problemas e o letramento digital. Essas competências estão alinhadas às orientações da Base Nacional Comum Curricular e às demandas sociais e culturais contemporâneas.

Os resultados observados, tanto em termos de desempenho acadêmico quanto de engajamento discente, demonstram que o uso pedagógico das tecnologias pode superar desafios históricos da educação pública, como a defasagem de aprendizagem, a evasão escolar e a desmotivação dos alunos. A gamificação, os hipertextos, os ambientes multimodais e os recursos interativos ampliam o repertório metodológico dos professores e tornam a escola mais atrativa.

Contudo, o sucesso dessas ações depende diretamente de uma formação docente contínua, crítica e reflexiva, que permita aos professores não apenas utilizar as tecnologias, mas compreendê-las como aliadas na construção do conhecimento. A figura dos embaixadores pedagógicos tem se revelado estratégica nesse processo, promovendo o suporte necessário às escolas e articulando teoria e prática.

Outro fator essencial para a consolidação dessa política é a gestão eficiente dos recursos, a manutenção da infraestrutura tecnológica nas escolas e o monitoramento dos indicadores de aprendizagem. A experiência do Paraná mostra que, quando há planejamento, acompanhamento e comprometimento institucional, é possível garantir o acesso equitativo às tecnologias e promover uma educação de qualidade para todos.

As iniciativas analisadas neste artigo servem de referência para outras redes públicas de ensino que buscam integrar tecnologias de forma significativa ao currículo escolar. Mais do que uma adaptação às novas exigências tecnológicas, trata-se de uma mudança de paradigma educacional, na qual o digital não substitui o papel, mas o complementa, ampliando as possibilidades de ensinar e aprender.

Portanto, as tecnologias digitais devem ser compreendidas como instrumentos de transformação educacional, capazes de potencializar as práticas pedagógicas, diversificar estratégias e promover aprendizagens mais contextualizadas, colaborativas e significativas. O caminho percorrido pela educação pública paranaense indica que é possível unir inovação, equidade e qualidade no processo educativo, desde que as decisões sejam orientadas por princípios éticos, pedagógicos e humanos.

Neste cenário, o papel do professor como mediador e formador de cidadãos críticos é ainda mais relevante. É ele quem transforma as ferramentas em oportunidades, os dados em diagnósticos e os ambientes virtuais em espaços de crescimento intelectual e social. A escola, com o apoio das tecnologias digitais, segue sendo o lugar privilegiado da formação humana e da construção coletiva do saber.

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Referencias

Vivian Caroline Coraucci.
BAILEY, C. J.; LEE, J. H.
Management of chlamydial infections: A comprehensive review.
Clinical infectious diseases.
v. 67
n. 7
p. 1208-1216,
2021.
Disponível em: https://academic.oup.com/cid/article/67/7/1208/6141108.
Acesso em: 2024-09-03.

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Edição

v. 5
n. 49
Do papel ao digital: Caminhos da educação paranaense no ensino de português e matemática

Área do Conhecimento

IMPACTO DAS TECNOLOGIAS EDUCACIONAIS NO SUPORTE A ALUNOS COM DIFICULDADES – UM ESTUDO NA ESCOLA JOSÉ AUGUSTO GAMA DE SOUZA
tecnologias educacionais, dificuldades de aprendizagem, ensino-aprendizagem, tecnologias assistivas.
Integração de blockchain permissionado e inteligência artificial: Um framework para transparência e eficiência no procurement corporativo
blockchain permissionado; inteligência artificial; procurement; smart contracts; governança de dados.
Investigação baseada em dados: O impacto da inteligência artificial na eficiência das operações policiais
inteligência artificial; investigação policial; governança digital; ética algorítmica; segurança pública.
Inteligência estratégica: Lições da inteligência policial para a tomada de decisão em ambientes corporativos
inteligência estratégica; tomada de decisão; inteligência policial; gestão de riscos; competitividade empresarial.
A importância do uso da tecnologia em investigações policiais em ambientes críticos controlados
tecnologia; investigações policiais; segurança pública; aeroportos; inteligência artificial.
IA responsável e desenvolvimento seguro: uma Abordagem multidimensional entre tecnologia, direito e ética
inteligência artificial; governança algorítmica; ética digital; compliance tecnológico; segurança da informação.

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