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Resumo
INTRODUÇÃO
No âmbito da educação de surdos, a legislação busca promover mudanças nas relações que se estabelecem na sociedade para com esses sujeitos, apontando para a necessidade de uma educação bilíngue, que contemple a Libras como como primeira língua (L1) e a Língua Portuguesa, na modalidade escrita, como segunda língua (L2).
Contudo, apesar das lutas em prol de uma educação inclusiva que contempla as especificidades da comunidade surda, torna-se importante levantar a seguinte questão: sob qual cenário encontra-se implementada a educação bilíngue de surdos no sistema educacional brasileiro?
Com base nessa questão, o presente artigo versa sobre as perspectivas contemporâneas da educação bilíngue para surdos no Brasil, retratando seus avanços e recuos. Face a isto, tem como objetivo principal ressaltar as principais pesquisas que versam sobre a implementação da educação bilíngue para surdos no âmbito das escolas regulares, delimitando-se na análise das possibilidades e desafios.
A relevância deste estudo converte-se para o olhar sobre a educação dos surdos que considera os aspectos culturais, sociais e linguísticos na proposta de educação bilíngue, para a qual, a comunidade surda levanta seus questionamentos, exigindo políticas públicas educacionais que sejam efetivamente inclusivas.
Justificando a escolha pela defesa do tema, parte-se do princípio democrático contido em nossa Carta Magna, prevendo e amparando a inclusão de todas as pessoas, a partir da garantia do acesso aos direitos e oportunidades com ênfase na educação inclusiva. Direitos esses que foram negligenciados durante muito tempo à comunidade surda, que se vê ainda marginalizada ou excluída do convívio social, sem o respeito à diversidade e à singularidade de cada indivíduo.
Contando com o método da pesquisa bibliográfica, que abrange aspectos da literatura específica sobre a educação de surdos, em especial, a modalidade de educação bilíngue para surdos, traz pressupostos que buscam elucidar o fenômeno investigado, levando-nos a uma profícua reflexão sobre a proposta de educação inclusiva. Para isso, contempla as contribuições teóricas de Azevedo (2022); Fernandes (2008, 2012); Quadros (1997, 2006); Skliar (1998, 2001), entre outros, abordando a educação de surdos, o bilinguismo e a proposta de inclusão desses alunos nas escolas regulares.
PERSPECTIVA HISTÓRICA DA EDUCAÇÃO DE SURDOS
A educação de alunos surdos constitui uma das questões mais complexas e desafiadoras no panorama educacional brasileiro contemporâneo. A década de 1990 representa um marco transformador em relação aos paradigmas até então vigentes na educação de surdos, estabelecendo novas bases para compreender as necessidades educacionais desta população específica (Fernandes, 2008).
O reconhecimento da Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) através da Lei nº 10.436/2002 e sua regulamentação pelo Decreto nº 5.626/2005 marcaram o início de uma nova era na educação de surdos no país. Em 2021, a educação bilíngue passa a figurar na LDB (Brasil, 1996), como constituidora da identidade surda, propagando-se por toda a trajetória educacional do indivíduo surdo.
Este cenário de transformações legais e paradigmáticas revela tanto as possibilidades quanto os desafios inerentes à construção de uma educação verdadeiramente inclusiva para estudantes surdos. O reconhecimento dos surdos como grupo linguístico minoritário considera a necessidade de políticas públicas que viabilizem o aprendizado da LIBRAS como sua língua materna e assegurem a Língua Portuguesa como segunda língua no currículo escolar (Fernandes, 2008).
No Brasil, a educação de surdos no Brasil passou por diferentes fases históricas, cada uma caracterizada por paradigmas específicos que influenciaram profundamente as práticas educacionais. Desde a fundação do Imperial Instituto de Surdos-Mudos em 1857, hoje Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES), até os dias atuais, observa-se uma trajetória marcada por disputas ideológicas e metodológicas (Rocha, 2007).
O período de hegemonia do oralismo, intensificado após o Congresso de Milão de 1880, caracterizou-se pela proibição do uso de línguas de sinais e pela imposição exclusiva da língua oral. Esta abordagem, que perdurou por mais de um século, deixou marcas profundas na comunidade surda brasileira, limitando significativamente as possibilidades educacionais e o desenvolvimento linguístico de gerações de estudantes surdos (Goldfeld, 2002).
A emergência da comunicação total nas décadas de 1970 e 1980 representou uma tentativa de superação das limitações do oralismo, propondo o uso simultâneo de diferentes modalidades comunicativas. Contudo, esta abordagem ainda não reconhecia plenamente o status linguístico das línguas de sinais, tratando-as como meros recursos auxiliares no processo educativo (Ciccone, 1990).
MARCO LEGAL E POLÍTICAS PÚBLICAS: AVANÇOS E LIMITAÇÕES
O arcabouço legal brasileiro relacionado à educação de surdos passou por transformações significativas nas últimas duas décadas. A Constituição Federal de 1988 estabeleceu as bases para uma educação inclusiva, garantindo o direito à educação para todos os cidadãos e prevendo atendimento educacional especializado para pessoas com deficiência (Brasil, 1988).
A Lei nº 10.436/2002, conhecida como Lei de Libras, representa um marco histórico ao reconhecer a Língua Brasileira de Sinais como meio legal de comunicação e expressão, constituindo um sistema linguístico de natureza visual-motora com estrutura gramatical própria (Brasil, 2002).
O Decreto nº 5.626/2005 regulamentou a Lei de Libras, estabelecendo diretrizes específicas para a educação de surdos, incluindo a obrigatoriedade da disciplina de Libras nos cursos de formação de professores e fonoaudiologia, bem como a criação de cursos de graduação em Letras-Libras e de formação de tradutores e intérpretes (Brasil, 2005).
Mais recentemente, a Lei nº 14.191/2021 alterou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), estabelecendo a educação bilíngue de surdos como modalidade de ensino independente, caracterizada pela utilização da Libras como primeira língua e do português escrito como segunda língua (Brasil, 2021).
Nas últimas décadas, assistimos a uma grande mudança no panorama da Educação Especial, favorecendo a inclusão de alunos com necessidades educacionais específicas. Contudo, a implementação efetiva das políticas públicas enfrenta obstáculos significativos que limitam seu alcance e eficácia.
Um dos principais desafios refere-se à formação de professores. Para uma inclusão de qualidade, as escolas têm que abraçar o sistema bilíngue e na formação continuada os professores devem dominar a Libras. A pesquisa revela que as escolas não estão preparadas para atender as necessidades da comunidade surda, evidenciando a necessidade de investimentos massivos em formação profissional.
A questão da infraestrutura também se apresenta como obstáculo importante. Muitas escolas carecem de recursos básicos para implementar uma educação bilíngue eficaz, incluindo materiais didáticos adequados, tecnologias assistivas e espaços físicos apropriados para o ensino visual (Lacerda, 2006).
O PARADIGMA DA EDUCAÇÃO BILÍNGUE: POSSIBILIDADES E DESAFIOS
Segundo Fernandes (2012), o bilinguismo na educação de surdos emerge como uma proposta revolucionária que reconhece a língua de sinais como uma língua natural e completa, capaz de sustentar todos os processos cognitivos e educacionais dos estudantes surdos. A educação bilíngue para surdos pode ser definida como uma proposta educacional que compreende, em sua realização, a utilização de duas línguas na comunicação e no ensino dos Surdos: a Libras e a Língua Portuguesa.
Este paradigma fundamenta-se no reconhecimento de que os surdos constituem uma comunidade linguística minoritária, com direito ao desenvolvimento pleno de sua língua natural e ao acesso à língua majoritária de seu país na modalidade que lhes é acessível – preferencialmente a escrita (Quadros, 1997).
A proposta bilíngue pressupõe que a Libras deve ser adquirida como primeira língua (L1), fornecendo a base linguística e cognitiva necessária para o posterior aprendizado do português escrito como segunda língua (L2). Esta sequência linguística respeita os processos naturais de aquisição da linguagem e potencializa as capacidades de aprendizagem dos estudantes surdos (Skliar, 1998).
A educação bilíngue para surdos apresenta possibilidades únicas de desenvolvimento integral dos estudantes. Quando implementada adequadamente, esta abordagem permite que os alunos surdos desenvolvam competências linguísticas sólidas em ambas as línguas, ampliando significativamente suas oportunidades educacionais e profissionais futuras.
A perspectiva da educação bilíngue para o ensino dos alunos surdos considera a língua de sinais brasileira – Libras como primeira língua, e o ensino da modalidade escrita como segunda língua, com seu processo de oficialização ocorrendo a partir do estabelecimento da Lei de Libras (Jesus, 2019). Esta abordagem respeita os processos naturais de aquisição da linguagem e favorece o desenvolvimento cognitivo pleno dos estudantes surdos. Segundo o autor:
Libras é fundamental para que haja números suficientes de profissionais qualificados para o ensino em Libras e de Libras, em todas as regiões do país, e assim, seja possível implementar uma educação bilíngue para os surdos, nos diferentes espaços que ele estiver matriculado (Jesus, 2019, p. 18).
Pesquisas demonstram que estudantes surdos em programas bilíngues eficazes apresentam melhor desempenho acadêmico, maior autoestima e identidade cultural mais sólida quando comparados àqueles em programas exclusivamente orais (Svartholm, 2008).
Com o avanço das tecnologias digitais, abriram-se novas possibilidades para a educação de surdos. Plataformas de ensino à distância, aplicativos educacionais em Libras, vídeos legendados e recursos de realidade aumentada oferecem ferramentas poderosas para enriquecer o processo educativo. Temos hoje os recursos digitais, que contribuem para a incursão no mundo da leitura e da escrita da Língua Portuguesa, representando uma estratégia pedagógica inovadora que conecta a cultura surda aos objetivos educacionais formais. Azevedo (2022, p. 46) cita algumas dessas tecnologias em seu estudo, afirmando que “a aprendizagem do estudante surdo pode ser potencializada a partir de vários recursos tecnológicos .”
Um desses recursos é o Avatar Tridimensional 3D, que traduz textos em tempo real para a língua de sinais. Segundo Gonçalves (2012), trata-se de uma nova abordagem pedagógica que faz uso da linguagem computacional na educação de surdos, cujo sistema:
Utiliza um Avatar 3D para representação da Libras, utilizando entrada baseada em um modelo formal e gerando sinais automaticamente através de um motor gráfico, baseado em parâmetros gerais como as posições e articulações utilizadas e não em sinais completos, possuindo ainda a vantagem de permitir a inclusão de novos sinais e parâmetros (Gonçalves, 2012, p. 3).
Azevedo (2022, p. 47) cita ainda o uso dos dicionários digitais, que “destacam tempos verbais, imagens e sinônimos”, fazendo uso da língua de sinais. Assim como os aplicativos de tradução automática, plataformas de ensino de Libras, jogos educacionais visuais e os sistemas de videoconferência, que têm transformado as possibilidades educacionais. O desenvolvimento dessas tecnologias na educação de surdos tem se intensificado, oferecendo ferramentas inovadoras para o processo ensino-aprendizagem. Com isso, o reconhecimento automático de línguas de sinais e tradução automática entre Libras e Português promete revolucionar a acessibilidade comunicacional. Embora ainda em desenvolvimento, essas tecnologias podem amplificar significativamente as possibilidades de comunicação e acesso à informação para pessoas surdas.
Sistemas de realidade virtual para ensino de Libras e simuladores de situações comunicativas oferecem ambientes controlados e seguros para prática linguística, especialmente úteis para estudantes ouvintes em processo de aprendizagem da língua de sinais. É o caso do LibrAR, um aplicativo de aprendizagem de Libras que usa a realidade aumentada e a realidade virtual em dispositivo móvel. Conforme elucidam Silva, Reis e Lopes (2018, p. 949).
O cenário proposto para o LibrAR está dividido em três módulos. O primeiro módulo “Aprender os Sinais” tem o objetivo de mostrar para o usuário os sinais das letras do alfabeto e os algarismos numéricos a partir de uma mão 3D, realizando a animação necessária para o sinal. No segundo módulo “Jogo Associativo” o usuário tem o objetivo de associar o sinal na LIBRAS com o seu respectivo significado usando a RA. No terceiro módulo “Jogo de Raciocínio Rápido” o usuário precisa escolher o sinal correto para a letra ou algarismo numérico gerado aleatoriamente, usando a RV.
Com isso, a educação bilíngue oferece espaços privilegiados para o desenvolvimento da identidade surda e o fortalecimento da cultura surda. Quando os estudantes têm acesso a modelos linguísticos surdos adultos – professores, instrutores e intérpretes surdos – desenvolvem uma compreensão mais profunda de suas próprias possibilidades e potencialidades (Perlin, 1998). Neste sentido, a convivência com pares surdos em ambiente educacional adequado favorece o desenvolvimento de habilidades sociais, liderança e participação cidadã ativa na comunidade surda mais ampla.
No entanto, um dos maiores obstáculos para a implementação eficaz da educação bilíngue de surdos reside na formação inadequada dos profissionais envolvidos, uma vez que há a necessidade de formação continuada, como a capacitação para a educação bilíngue, respeitando os aspectos pedagógicos que caracterizam ensino voltado ao aluno surdo. Para Quadros (2006), a escassez de professores surdos fluentes em Libras representa um desafio particular.
O DESAFIO DA FORMAÇÃO DOCENTE BILÍNGUE
Estudos indicam que a presença de professores surdos como modelos linguísticos e identitários é fundamental para o sucesso educacional dos estudantes surdos, mas a formação destes profissionais ainda é limitada no país.
Um dos principais entraves para a consolidação da educação bilíngue de surdos é a lacuna existente na formação inicial dos docentes. Muitos cursos de licenciatura não oferecem uma formação específica voltada para o ensino de surdos, limitando-se a disciplinas superficiais de inclusão ou Libras básica. Isso faz com que os professores cheguem despreparados à sala de aula, enfrentando dificuldades para planejar e executar práticas pedagógicas adequadas (Silva, 2025, p.4-5).
A formação de intérpretes de Libras também enfrenta desafios significativos, pois, embora estes profissionais sejam essenciais em contextos inclusivos, sua atuação não substitui a necessidade de professores bilíngues e ambiente educacional adequado às especificidades dos estudantes surdos. Significa dizer que a formação em educação bilíngue é indispensável no contexto da educação de surdos, uma vez que abarca conhecimentos essenciais à prática docente, dotando o professor de capacidades necessárias ao processo de ensino-aprendizagem do aluno surdo (Soares, 2015).
Com isto, diferentes modelos de formação têm sido experimentados no país, desde cursos específicos de Pedagogia Bilíngue até especializações em educação de surdos. A criação dos cursos de Letras-Libras nas universidades federais representou avanço significativo na formação de professores surdos e ouvintes bilíngues. No entanto, é necessário expandir a oferta de cursos de Letras-Libras/Língua Portuguesa, para que as escolas tenham professores qualificados o suficiente na educação de surdos (Jesus, 2019).
Cabe destacar que a implementação da educação bilíngue demanda ainda investimentos em infraestrutura e recursos materiais específicos. Necessitando que as escolas estejam aparelhadas com materiais didáticos desenvolvidos especificamente para estudantes surdos, tecnologias assistivas adequadas, espaços físicos apropriados para comunicação visual, assim como uma biblioteca com acervo em Libras e materiais visuais e equipamentos de amplificação sonora para estudantes com resíduo auditivo. Visto que, a produção de materiais didáticos bilíngues ainda é limitada no país, forçando professores a adaptarem materiais existentes ou criarem seus próprios recursos, o que demanda tempo e expertise específica nem sempre disponíveis. De acordo com Rodrigues et al (2012, p. 3),
Infraestrutura é tudo aquilo que é utilizado para que algo ou alguma coisa seja produzido com adequação. No caso da escola, não somente os espaços físicos, mas também as tecnologias e todos os recursos necessários ao desenvolvimento do trabalho docente integram a infraestrutura necessária para a prática de uma educação de viés inclusivo.
Persistem nos sistemas educacionais resistências significativas para a implementação plena da educação bilíngue, que se originam tanto de perspectivas teóricas divergentes quanto de preconceitos culturais em relação à surdez e às línguas de sinais. Skliar (2001) acredita que uma parcela da comunidade educacional e médica ainda advoga abordagens centradas correção da surdez através de tecnologias como implantes cocleares, em detrimento do reconhecimento da surdez como diferença linguística e cultural. Famílias ouvintes de crianças surdas frequentemente enfrentam dilemas sobre qual abordagem educacional escolher, influenciadas por informações contraditórias de diferentes profissionais e pela pressão social para normalizar a educação de seus filhos.
Dentre os desafios já citados, está também o linguístico, que requer o ensino do português como segunda língua para estudantes surdos apresenta complexidades particulares. Não se pode considerar simplesmente que utilizar a modalidade do português escrito com o estudante surdo supera todas as dificuldades, especialmente quando se trata de reflexões filosóficas complexas que requerem um conjunto de outras mediações. A diferença estrutural entre Libras e português gera desafios específicos no processo de letramento, pois questões como ordem sintática, uso de artigos, preposições e verbos de ligação requerem metodologias específicas e tempo prolongado de exposição e prática (Jesus, 2019; Azevedo, 2022).
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Com base nas pesquisas feitas, constata-se que o debate entre inclusão em escolas regulares e criação de escolas bilíngues específicas para surdos representa uma das questões mais controversas no campo. Os resultados indicam que as escolas bilíngues são o que os surdos almejam como modelo educacional em prol do desenvolvimento, revelando a preferência da comunidade surda por ambientes educacionais específicos.
Entretanto, a inclusão em escolas regulares, embora promova o convívio com estudantes ouvintes, frequentemente resulta em isolamento linguístico e cultural dos estudantes surdos, visto que a dependência de intérpretes como mediadores da comunicação pode limitar a participação ativa dos surdos no processo educativo. Por outro lado, as escolas bilíngues oferecem ambiente linguístico e cultural mais adequado, permitindo comunicação direta entre estudantes e professores, além de favorecer o desenvolvimento da identidade surda. Contudo, podem ser criticadas por limitarem o contato com a sociedade ouvinte majoritária.
À luz do tema central, que discutiu as possibilidades e desafios na educação de surdos, o estudo se concentrou na discussão sobre as perspectivas contemporâneas acerca da educação bilíngue, com propostas pedagógicas que representam tentativas de superação da dicotomia inclusão versus segregação. Para isso, faz-se necessária a formação docente bilíngue, tendo como referência os Institutos Federais que oferecem o curso de Pedagogia Bilíngue e a formação continuada. Assim como disponibilizam recursos especializados e apoio às escolas regulares da região, emergindo como estratégia promissora para ampliar o acesso à educação bilíngue de qualidade.
Acerca dos objetivos propostos para este estudo, ressalta-se que as possibilidades abertas pelo reconhecimento da Libras e pela implementação da educação bilíngue são enormes, oferecendo caminhos promissores para o desenvolvimento integral dos estudantes surdos. No entanto, a educação de alunos surdos no Brasil apresenta-se dentro de um panorama complexo, que é caracterizado por avanços significativos e desafios persistentes.
Um dos desafios na educação bilíngue remete às abordagens pedagógicas que sejam mais adequadas para atender às necessidades educacionais específicas dos surdos, dentre elas, o uso de tecnologias avançadas, materiais didáticos adequados e espaços físicos apropriados para o ensino visual, respeitando-se a identidade linguística e cultural da comunidade surda.
Este estudo, não só atende aos objetivos traçados, respondendo à questão levantada, como espera contribuir para novas pesquisas, abrindo precedentes que levem à efetivação de uma educação inclusiva que considere a modalidade bilíngue na educação de surdos, como mola mestre para a qualidade de seu processo de ensino aprendizagem, valorizando os aspectos que compõe a cultura da comunidade surda.
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