Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) no contexto escolar

ATTENTION DEFICIT HYPERACTIVITY DISORDER (ADHD) IN THE SCHOOL CONTEXT

TRASTORNO POR DÉFICIT DE ATENCIÓN E HIPERACTIVIDAD (TDAH) EN EL CONTEXTO ESCOLAR

Autor

URL do Artigo

https://iiscientific.com/artigos/07D013

DOI

doi.org/10.63391/07D013

Dutra, Queily Geny de Oliveira . Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) no contexto escolar. International Integralize Scientific. v 5, n 51, Setembro/2025 ISSN/3085-654X

Resumo

O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é uma condição neurobiológica que afeta significativamente o desempenho escolar, exigindo dos educadores conhecimento para identificação e manejo adequado. Este artigo, baseado em pesquisa bibliográfica, analisa as características do TDAH, suas implicações no ambiente escolar e as estratégias recomendadas para o atendimento de alunos com o transtorno. Fundamentado em autores como Barkley, Rohde, Mattos e Benczik, o estudo destaca a importância de diagnósticos precisos, intervenções comportamentais e capacitação docente. Desta forma a formação continuada e a abordagem interdisciplinar são essenciais para promover a inclusão e melhorar a aprendizagem de alunos com TDAH. O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é uma condição de base neurobiológica que afeta o funcionamento executivo do cérebro, envolvendo dificuldades na autorregulação da atenção, controle de impulsos e planejamento de tarefas. No ambiente escolar, o TDAH se manifesta por comportamentos como inquietação motora, distração frequente, dificuldade de seguir instruções, baixa tolerância à frustração e impulsividade o que pode comprometer não só o rendimento acadêmico, mas também a interação social da criança. Segundo (Barkley, 2002), o TDAH não é apenas um problema de comportamento, mas uma disfunção nos processos de autorregulação, exigindo um olhar diferenciado da escola. O diagnóstico não deve ser precipitado, e o papel dos profissionais da educação é essencial na observação criteriosa e no encaminhamento para avaliação especializada. A abordagem interdisciplinar é outro elemento fundamental para a construção de um processo educativo inclusivo. O aluno com TDAH precisa de uma rede de apoio que envolva não apenas o professor, mas também psicopedagogos, psicólogos escolares, coordenadores pedagógicos, fonoaudiólogos e, quando necessário, neurologistas e psiquiatras. Esse trabalho coletivo permite uma visão integrada do estudante e facilita a elaboração de intervenções mais eficazes. A interdisciplinaridade favorece ainda a escuta ativa da família e a criação de estratégias conjuntas para o sucesso do aluno, tanto no aspecto pedagógico quanto emocional e comportamental. Como destaca (Nóvoa, 1992), a prática educativa deve ser compreendida em sua complexidade, exigindo cooperação entre saberes e sujeitos. No caso do TDAH, isso é essencial para que o aluno não seja estigmatizado ou rotulado, mas compreendido em sua singularidade. Dessa forma, o enfrentamento dos desafios impostos pelo TDAH no ambiente escolar requer compromisso institucional com a formação continuada dos educadores, aliado a uma atuação interdisciplinar que garanta suporte, acolhimento e estratégias diferenciadas. A escola, ao assumir uma postura proativa, sensível às diferenças e fundamentada em práticas pedagógicas inclusivas, contribui significativamente para o processo de aprendizagem significativa e desenvolvimento integral desses alunos.
Palavras-chave
TDAH; educação; compreensão docente; encaminhamento; ensino fundamental.

Summary

Disorder (ADHD) is a neurobiological condition that significantly impacts the school environment, requiring teachers and education professionals to have an adequate understanding of the condition in order to identify and refer students.Attention Deficit Hyperactivity Disorder (ADHD) is a neurobiological condition that affects the executive functioning of the brain, involving difficulties in self-regulation of attention, impulse control and task planning. In the school environment, ADHD manifests itself through behaviors such as motor restlessness, frequent distraction, difficulty following instructions, low tolerance to frustration and impulsivity, which can compromise not only the child’s academic performance, but also their social interaction. According to (Barkley, 2002), ADHD is not just a behavioral problem, but a dysfunction in self-regulation processes, requiring a differentiated approach from the school. The diagnosis should not be rushed, and the role of education professionals is essential in careful observation and referral for specialized evaluation. The interdisciplinary approach is another fundamental element for the construction of an inclusive educational process. Students with ADHD need a support network that involves not only the teacher, but also psychopedagogues, school psychologists, pedagogical coordinators, speech therapists and, when necessary, neurologists and psychiatrists. This collective work allows for an integrated view of the student and facilitates the development of more effective interventions. Interdisciplinarity also favors active listening to the family and the creation of joint strategies for the student’s success, both in the pedagogical and emotional and behavioral aspects. As (Nóvoa, 1992) highlights, educational practice must be understood in its complexity, requiring cooperation between knowledge and subjects. In the case of ADHD, this is essential so that the student is not stigmatized or labeled, but understood in his or her uniqueness. Thus, it is concluded that facing the challenges imposed by ADHD in the school environment requires an institutional commitment to the ongoing training of educators, combined with an interdisciplinary approach that ensures support, acceptance and differentiated strategies. By adopting a proactive stance, sensitive to differences and based on inclusive pedagogical practices, the school contributes significantly to the process of meaningful learning and integral development of these students.
Keywords
ADHD; education; teacher understanding; guidance; elementary education.

Resumen

El Trastorno por Déficit de Atención e Hiperactividad (TDAH) es una condición neurobiológica que afecta significativamente el rendimiento escolar, requiriendo que los educadores tengan conocimientos para su identificación y manejo adecuado. Este artículo, basado en investigación bibliográfica, analiza las características del TDAH, sus implicaciones en el ámbito escolar y las estrategias recomendadas para la atención a los estudiantes con el trastorno. Basado en autores como Barkley, Rohde, Mattos y Benczik, el estudio destaca la importancia de diagnósticos precisos, intervenciones conductuales y formación del profesorado. Se concluye que la educación continua y el enfoque interdisciplinario son esenciales para promover la inclusión y mejorar el aprendizaje de los estudiantes con TDAH. El Trastorno por Déficit de Atención e Hiperactividad (TDAH) es una condición neurobiológica que impacta significativamente el ambiente escolar, requiriendo que los docentes y profesionales de la educación tengan un conocimiento adecuado de la problemática para poder identificar y derivar a los estudiantes. El trastorno por déficit de atención e hiperactividad (TDAH) es un trastorno de base neurobiológica que afecta el funcionamiento ejecutivo del cerebro e implica dificultades en la autorregulación de la atención, el control de los impulsos y la planificación de tareas. En el ámbito escolar, el TDAH se manifiesta a través de conductas como inquietud motora, distracción frecuente, dificultad para seguir instrucciones, baja tolerancia a la frustración e impulsividad, que pueden comprometer no sólo el rendimiento académico, sino también la interacción social del niño. Según (Barkley, 2002), el TDAH no es sólo un problema de conducta, sino una disfunción en los procesos de autorregulación, lo que requiere una perspectiva diferente desde la escuela. El diagnóstico no debe apresurarse y el papel de los profesionales de la educación es esencial en la observación cuidadosa y la derivación a evaluación especializada. El enfoque interdisciplinario es otro elemento fundamental para la construcción de un proceso educativo inclusivo. Los estudiantes con TDAH necesitan una red de apoyo que involucre no sólo a los docentes, sino también a psicólogos educativos, psicólogos escolares, coordinadores pedagógicos, logopedas y, cuando sea necesario, neurólogos y psiquiatras. Este trabajo colectivo permite una visión integradora del estudiante y facilita el desarrollo de intervenciones más efectivas. La interdisciplinariedad también favorece la escucha activa de la familia y la creación de estrategias conjuntas para el éxito del alumno, tanto en el aspecto pedagógico como en el emocional y conductual. Como destaca (Nóvoa, 1992), la práctica educativa debe ser comprendida en su complejidad, requiriendo la cooperación entre conocimientos y sujetos. En el caso del TDAH, esto es fundamental para que el alumno no sea estigmatizado ni etiquetado, sino comprendido en su singularidad. Así, se concluye que afrontar los desafíos que impone el TDAH en el ámbito escolar requiere un compromiso institucional con la formación continua de los educadores, combinado con una acción interdisciplinaria que garantice el apoyo, la acogida y estrategias diferenciadas. La escuela, al adoptar una postura proactiva, sensible a las diferencias y basada en prácticas pedagógicas inclusivas, contribuye significativamente al proceso de aprendizaje significativo y desarrollo integral de estos estudiantes.
Palavras-clave
TDAH; educación; enseñar la comprensión; reenvío; educación elemental.

INTRODUÇÃO

O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é uma condição neurobiológica caracterizada por dificuldades no autocontrole, desatenção, impulsividade e/ou hiperatividade inadequadas para a idade da criança (Barkley, 2002). No ambiente escolar, essas características manifestam-se de forma mais evidente, impactando o desempenho acadêmico e social dos alunos. A complexidade do TDAH exige dos professores não apenas a capacidade de identificar possíveis casos, mas também de realizar encaminhamentos adequados para diagnóstico e tratamento. No ambiente escolar, essas características tornam-se mais evidentes, desafiando professores a diferenciar comportamentos típicos do transtorno de indisciplina ou desinteresse.

Este artigo, de caráter bibliográfico, tem como objetivo revisar a literatura sobre o TDAH no contexto escolar, abordando suas definições, causas, sintomas, impactos e estratégias de intervenção. A pesquisa baseia-se em autores consagrados, como (Barkley, 2002) / (Rohde; Mattos 2003) / (Benczik, 2002) / (DuPaul; Stoner, 2007), com foco na relevância de práticas educacionais inclusivas.

Segundo (Barkley, 2002), o TDAH deve ser compreendido como uma disfunção na autorregulação do comportamento, mais do que um simples transtorno de atenção. Tal compreensão exige dos docentes uma prática pedagógica sensível, reflexiva e adaptada às singularidades dos alunos, o que só é possível por meio da formação continuada.

De acordo com (Libâneo, 2012), a formação continuada é essencial para o desenvolvimento profissional do educador, pois permite a ressignificação da prática pedagógica frente às novas demandas da escola contemporânea. O autor afirma que “a formação docente precisa estar voltada à reflexão crítica sobre a prática, à compreensão da realidade educacional e ao desenvolvimento de competências para lidar com a diversidade dos alunos” (Libâneo, 2012, p. 42). Assim, o professor que atua com alunos com TDAH deve ser capaz de aplicar estratégias didáticas diferenciadas, como a organização do tempo e do espaço, uso de estímulos visuais, reforço positivo, e a fragmentação de tarefas em etapas menores. Esses recursos favorecem a concentração e a autonomia do estudante.

Além disso, destaca-se a importância da abordagem interdisciplinar, que envolve o trabalho conjunto de professores, psicopedagogos, psicólogos escolares, fonoaudiólogos e demais profissionais da saúde e da educação. A atuação articulada entre os saberes contribui para a construção de um plano pedagógico mais eficaz e acolhedor.

Ao discutir a prática psicopedagógica, (Bossa, 2000) reforça a relevância do olhar interdisciplinar para compreender os processos de aprendizagem em sua complexidade. Para a autora, o fracasso escolar muitas vezes está relacionado não a limitações cognitivas, mas a obstáculos emocionais, sociais ou metodológicos, que devem ser investigados em parceria com diferentes profissionais.

Nesse sentido, (Weiss, 2011) acrescenta que a psicopedagogia deve atuar como mediadora entre a escola, a família e o sujeito que aprende, promovendo a escuta, a análise dos vínculos e a construção de estratégias para favorecer a autoria do pensamento.

Desta forma, a promoção da inclusão e o aprimoramento da aprendizagem de alunos com TDAH exigem um compromisso da escola com a formação continuada de seus profissionais, aliada a uma abordagem interdisciplinar e dialógica. A compreensão integral do sujeito e de seus processos de aprendizagem só é possível por meio da integração entre teoria, prática e sensibilidade educativa.

TEÓRICO REFERENCIAL

O estudo fundamenta-se em autores que abordam o TDAH sob perspectivas neurobiológicas, educacionais e psicossociais. (Barkley, 2002) define o TDAH como um transtorno de desenvolvimento do autocontrole, destacando problemas com períodos de atenção, controle de impulsos e níveis de atividade inadequados para a idade. Segundo o autor, o TDAH é um transtorno real, um problema real, e frequentemente, um obstáculo real (Barkley, 2002, p. 35). (Rohde; Mattos, 2003) complementam, enfatizando a origem genética e a disfunção nas funções executivas, como organização, planejamento e integração cognitiva. Para (Rohde; Mattos, 2003, p. 35), embora a contribuição genética seja substancial, é improvável que exista o gene do TDAH. (Benczik, 2002) destaca a importância de diagnósticos precisos para evitar rótulos equivocados, como indisciplina, que podem estigmatizar crianças com TDAH.

No contexto escolar, (DuPaul; Stoner, 2007) sugerem intervenções baseadas em princípios comportamentais, como feedback frequente e reforço positivo contingente, para otimizar o aprendizado de alunos com TDAH. Esses autores reforçam que “nenhuma modalidade isolada de tratamento, incluindo medicamentos psicoestimulantes, é suficiente para aliviar os múltiplos problemas relacionados ao TDAH” (DuPaul; Stoner, 2007, p. 206).

O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é amplamente estudado sob diferentes enfoques, o que permite uma compreensão mais abrangente de seus efeitos sobre o desenvolvimento e a aprendizagem. Os autores que abordam o TDAH de maneira interdisciplinar – combinando saberes da neurociência, da psicologia, da pedagogia e da psicopedagogia – contribuem para o delineamento de práticas educativas mais eficientes e inclusivas. (Barkley, 2002) oferece uma das definições mais consolidadas do TDAH ao descrevê-lo como um transtorno do desenvolvimento do autocontrole, impactando a capacidade de o sujeito regular sua atenção, impulsividade e atividade motora. Para o autor, o TDAH não deve ser tratado como um problema menor ou um mito social, mas sim como uma condição real, com consequências significativas. Sua afirmação de que o TDAH é um transtorno real, um problema real, e frequentemente, um obstáculo real (Barkley, 2002, p. 35) ressalta a seriedade da condição e a necessidade de intervenções embasadas e empáticas.

Complementando essa visão, (Rohde; Mattos, 2003) defendem que o TDAH tem forte base genética, com evidências que apontam para alterações nas funções executivas, especialmente em processos como organização, planejamento e memória de trabalho. Ainda que reconheçam a importância da predisposição genética, os autores alertam contra a busca por determinismos simplistas, afirmando que embora a contribuição genética seja substancial, é improvável que exista o gene do TDAH (Rohde; Mattos, 2003, p. 35). Isso reforça a complexidade do transtorno e a importância de considerar também os fatores ambientais, familiares e pedagógicos.

Nesse sentido, (Benczik, 2002) traz uma reflexão importante sobre o risco de diagnósticos apressados e rótulos estigmatizantes. Crianças com TDAH são frequentemente interpretadas pela escola como indisciplinadas ou preguiçosas, o que contribui para a construção de identidades escolares negativas. A autora defende que um diagnóstico bem realizado, feito por equipe multidisciplinar, é fundamental para garantir intervenções adequadas e prevenir práticas educativas excludentes.

Do ponto de vista educacional, (DuPaul; Stoner, 2007) enfatizam que nenhuma intervenção isolada é capaz de resolver os desafios impostos pelo TDAH. Eles defendem o uso de estratégias comportamentais baseadas em reforço positivo, regras claras, feedback constante e suporte na autorregulação emocional. Para os autores, nenhuma modalidade isolada de tratamento, incluindo medicamentos psicoestimulantes, é suficiente para aliviar os múltiplos problemas relacionados ao TDAH (Dupaul; Stoner, 2007, p. 206). Isso destaca a necessidade de um trabalho conjunto entre escola, família e equipe de saúde.

Além disso, do ponto de vista psicopedagógico, a integração entre esses saberes deve promover uma escuta atenta das manifestações do sujeito, respeitando sua singularidade. A escola não pode se limitar a aplicar estratégias comportamentais de maneira mecanizada, mas deve construir ambientes de aprendizagem responsivos e afetivos, capazes de valorizar o potencial do aluno com TDAH e favorecer seu protagonismo no processo educativo.

A abordagem interdisciplinar sobre o TDAH é imprescindível para que se compreenda o transtorno em sua totalidade, respeitando as dimensões biológicas, cognitivas e sociais que o compõem. A escola, nesse cenário, precisa deixar de ser apenas um espaço de reprodução de conteúdo e tornar-se um lugar de escuta, mediação e acolhimento, em que profissionais qualificados possam intervir de forma consciente, reflexiva e ética. O estudo do TDAH, portanto, não se limita ao campo da patologia, mas adentra o terreno da inclusão, da alteridade e da valorização das diferenças no processo educativo.

A IMPORTÂNCIA DA FORMAÇÃO CONTINUADA E DA INTERDISCIPLINARIDADE

Essa compreensão, embora limitada, permite aos professores diferenciar comportamentos típicos do TDAH de indisciplina, superando preconceitos apontados por (Benczik, 2002), destaca que diagnósticos apressados rotulam crianças como indisciplinadas.

O TDAH é definido como um transtorno de desenvolvimento do autocontrole, envolvendo problemas com períodos de atenção, controle de impulsos e níveis de atividade inadequados para a idade. Suas principais características incluem desatenção, hiperatividade e impulsividade, que se manifestam em comportamentos como dificuldade de concentração, agitação motora e interrupção de conversas (Rohde; Mattos, 2003).

No ambiente escolar, essas características tornam-se mais evidentes devido às demandas de atenção sustentada e comportamento regulado. (Rohde; Mattos, 2003) destacam: Os sintomas de impulsividade, que em geral, são observados em coexistência com os de hiperatividade, são a dificuldade em aguardar a vez […] e a interrupção das conversas dos outros (Rohde; Mattos, 2003, p. 77).

A falta de conhecimento dos professores pode agravar esses desafios. (Benczik, 2002) enfatiza: Diagnósticos apressados e equivocados têm rotulado crianças com necessidades de limites, indisciplinadas de hiperativas (Benczik, 2002, p. 24). Assim, a capacitação docente é crucial 

No cotidiano escolar, o encaminhamento de alunos com indícios de TDAH segue, em geral, um fluxo bem definido. Inicialmente, os professores observam comportamentos persistentes de desatenção, impulsividade ou agitação motora, que dificultam o processo de aprendizagem. A partir dessas observações, é comum que haja a comunicação à coordenação pedagógica ou à direção, a qual entra em contato com os responsáveis legais da criança e sugere a busca por avaliação profissional especializada.

É importante destacar que esse processo é válido e necessário, porém não pode se encerrar no diagnóstico médico ou psicológico. Ele deve ser complementado por ações pedagógicas concretas e contínuas no ambiente escolar. A medicalização isolada, sem o envolvimento efetivo da equipe pedagógica, corre o risco de reforçar rótulos e exclusões (Oliveira, 2010). Contudo, é importante refletir que a presença do segundo professor, por si só, não garante a inclusão efetiva, se não estiver acompanhada de formação continuada, planejamento colaborativo e conhecimento técnico sobre as especificidades do transtorno.

Segundo (Libâneo, 2012) a organização do trabalho pedagógico requer intencionalidade didática e competência para lidar com a diversidade, o que exige capacitação constante dos docentes e a construção coletiva de estratégias inclusivas. Nesse sentido, o professor deve atuar não como “assistente”, mas como coautor do processo educativo.

Apesar da existência de fluxos formais de encaminhamento e apoio legal, a ausência de práticas pedagógicas específicas é um dos maiores desafios na escolarização de alunos com TDAH. Muitos professores sentem-se despreparados para lidar com essas demandas, o que aponta para a urgência da formação continuada.

Segundo (Weiss, 2011), a escola precisa compreender que o aluno com TDAH não é um problema a ser resolvido fora da sala de aula, mas um sujeito que demanda estratégias diferenciadas no próprio processo de ensino-aprendizagem. Isso inclui a construção de rotinas estruturadas, uso de recursos visuais, fracionamento de tarefas, tempos diferenciados de concentração e valorização da autoestima do estudante.

Nesse cenário, a psicopedagogia institucional oferece instrumentos valiosos para analisar os vínculos de aprendizagem, os atravessamentos emocionais e as dinâmicas pedagógicas que interferem no processo educativo (Bossa, 2000). Desta forma, as mediações pedagógicas devem ser ajustadas ao perfil do estudante.

Portanto, embora o protocolo de encaminhamento escolar e a previsão de um segundo professor estejam de acordo com as normas legais vigentes, a ausência de intervenções pedagógicas concretas revela uma fragilidade no cotidiano escolar que precisa ser superada. A capacitação docente, o trabalho interdisciplinar e o planejamento pedagógico inclusivo são caminhos possíveis para a construção de uma escola que reconheça e respeite as diferenças, promovendo aprendizagens significativas e equitativas para todos.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os professores possuem conhecimento básico sobre o TDAH, suficiente para identificar sintomas e realizar encaminhamentos iniciais, mas insuficiente para implementar práticas pedagógicas específicas. A formação continuada, com foco em estratégias educacionais e intervenções interdisciplinares, é essencial para melhorar a qualidade do ensino para alunos com TDAH.

A complexidade do transtorno reforça a importância de uma abordagem colaborativa entre educadores, psicólogos, médicos e famílias. Estudos futuros devem explorar práticas pedagógicas inovadoras e avaliar o impacto do segundo professor no processo de aprendizagem desses alunos, contribuindo para uma educação mais inclusiva.

A revisão bibliográfica evidencia que o TDAH é um transtorno complexo que exige dos educadores conhecimento aprofundado para identificação e manejo adequado. As características de desatenção, hiperatividade e impulsividade impactam o desempenho escolar, demandando intervenções baseadas em reforço positivo, ajustes curriculares e trabalho interdisciplinar.

A capacitação docente é essencial para superar rótulos equivocados e promover a inclusão. Estudos futuros devem explorar a eficácia de práticas pedagógicas específicas no apoio a alunos com TDAH, contribuindo para uma educação mais equitativa e eficaz.

É comum que professores da educação básica apresentem um conhecimento elementar sobre o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), o que os capacita minimamente para identificar comportamentos indicativos do transtorno e realizar encaminhamentos à equipe pedagógica ou a profissionais especializados. No entanto, esse conhecimento básico não é suficiente para a condução de estratégias pedagógicas adaptadas que favoreçam a aprendizagem e a inclusão efetiva desses alunos em sala de aula.

Como destaca (Libâneo, 2012), a docência não pode ser reduzida à simples transmissão de conteúdos: exige domínio teórico-prático sobre o desenvolvimento dos estudantes, suas necessidades específicas e os modos de organizar o ensino com intencionalidade educativa. Nesse sentido, a ausência de formação continuada sobre TDAH revela uma lacuna que compromete a eficácia do trabalho docente frente à diversidade escolar.

Além disso, a repetição de práticas tradicionais e homogêneas tende a acentuar o sentimento de inadequação e exclusão dos alunos com TDAH, reforçando rótulos como “aluno problema” ou “indisciplinado”. Isso aponta para a necessidade de investir em processos formativos que promovam a compreensão do sujeito em sua totalidade, superando visões patologizantes e fragmentadas.

A família desempenha papel central na mediação entre a escola e o acompanhamento terapêutico. Quando incluída de maneira colaborativa, contribui para o entendimento das dificuldades específicas do aluno e para a construção de estratégias conjuntas. O diálogo constante com os responsáveis também permite evitar culpabilizações e ampliar o apoio fora do ambiente escolar.

Além disso, o envolvimento da família fortalece a autoconfiança da criança e favorece a continuidade das intervenções, em consonância com a perspectiva defendida por (Libâneo, 2012) de uma educação comprometida com a formação integral e cidadã.

A inserção de um segundo professor tem sido indicada como uma possibilidade de apoio pedagógico, mas ainda carece de pesquisas mais aprofundadas que avaliem seu impacto real na aprendizagem dos alunos com TDAH. Investigações futuras podem explorar modelos inovadores de coensino, tutoria pedagógica e planejamento colaborativo, que valorizem tanto a personalização da aprendizagem quanto a construção de vínculos significativos entre aluno e professor.

Além disso, é necessário pesquisar e sistematizar práticas pedagógicas que se mostrem efetivas em contextos inclusivos, promovendo ambientes de aprendizagem mais flexíveis, acolhedores e responsivos à diversidade.

Em síntese, a superação dos desafios impostos pelo TDAH no ambiente escolar exige formação contínua, trabalho em rede e inovação pedagógica, com base em uma concepção de educação que valorize o sujeito em sua complexidade. O professor, longe de ser um mero executor de encaminhamentos, deve ser protagonista na construção de estratégias que promovam o desenvolvimento, a autoria e o pertencimento de todos os alunos, conforme defendem (Libâneo, 2012) / (Weiss, 2011) / (Pain, 1992).

A superação dos desafios impostos pelo Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) no ambiente escolar não se resolve apenas com encaminhamentos médicos ou diagnósticos formais. Trata-se de um processo mais complexo, que exige da escola uma mudança de postura frente à diversidade e um compromisso ético com a formação integral do sujeito. Nesse contexto, a formação docente continuada se torna essencial, não como treinamento técnico, mas como um processo permanente de reflexão crítica sobre a prática pedagógica e sobre os sujeitos que aprendem.

Do ponto de vista institucional, a superação dos desafios relacionados ao TDAH também exige a construção de um trabalho em rede que envolva não apenas os professores, mas também coordenadores pedagógicos, psicólogos escolares, profissionais da saúde e, principalmente, as famílias. Essa abordagem interdisciplinar, conforme defende (Pain, 1992), permite romper com a fragmentação do olhar e promover uma compreensão mais ampla e integrada dos processos de aprendizagem e dos impasses que os atravessam.

Ao mesmo tempo, é fundamental que a escola se abra à inovação pedagógica. Isso implica abandonar modelos de ensino rígidos e padronizados para adotar práticas mais flexíveis, colaborativas e centradas no aluno. Estratégias como tutoria individual, ensino por projetos, metodologias ativas, uso de recursos visuais e tecnológicos, ambientes de aprendizagem diversificados e avaliações qualitativas podem contribuir significativamente para o desenvolvimento de alunos com TDAH, respeitando seus ritmos e potencialidades.

A necessidade de inovar pedagogicamente nas escolas não é apenas uma tendência educacional moderna, mas uma exigência ética e pedagógica diante da complexidade dos sujeitos que aprendem. No caso dos alunos com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), essa inovação se torna ainda mais urgente, pois os modelos tradicionais marcados por aulas expositivas, avaliações padronizadas e passividade do aluno muitas vezes agravam as dificuldades de atenção, organização e permanência nas atividades.

A inovação, neste contexto, não significa simplesmente a introdução de tecnologias ou metodologias da moda, mas uma mudança de concepção sobre o ensino e a aprendizagem. Significa, como defende (Libâneo, 2012), colocar o aluno no centro do processo educativo, respeitando seus tempos, interesses, formas de expressão e possibilidades de participação.

Neste cenário, o professor deixa de ser mero transmissor de conteúdo para tornar-se mediador do conhecimento, organizador de experiências significativas e promotor da autoria intelectual dos alunos. Ele precisa estar preparado para lidar com a imprevisibilidade, adaptar estratégias conforme a necessidade e manter o olhar atento às singularidades de cada estudante. Por fim, abrir-se à inovação pedagógica é também um ato de justiça educacional. Significa reconhecer que cada aluno tem o direito de aprender e se desenvolver de forma digna e respeitosa. No caso dos estudantes com TDAH, esse direito passa por ações concretas que transformem a sala de aula em um espaço de escuta, experimentação, diálogo e pertencimento.

Essas práticas, ao respeitarem os ritmos e potencialidades dos alunos com TDAH, promovem maior engajamento, autonomia e bem-estar. A flexibilização do ensino também ajuda a superar os desafios de atenção e impulsividade, permitindo que esses alunos desenvolvam suas competências em um ambiente que valoriza suas singularidades. Para implementar essas mudanças, é crucial que as escolas invistam em formação docente e infraestrutura adequada.

Dessa forma, o professor deixa de ser um mero executor de encaminhamentos clínicos para tornar-se protagonista de uma prática pedagógica inclusiva, ética e transformadora. Ele se posiciona como mediador do conhecimento, construtor de vínculos e promotor do pertencimento, atuando com base em uma concepção de educação que valoriza o sujeito em sua singularidade e complexidade.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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BOSSA, Nadia A. A psicopedagogia no Brasil: contribuições a partir da prática. 5. ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.

CHIZZOTTI, A. Pesquisa em ciências humanas e sociais. São Paulo: Cortez, 1991.

CÔAS, D. B. O Transtorno de Déficit de Atenção (TDAH) na escola: compreensão de professores do ensino fundamental. 2011. 76 f. Dissertação (Mestrado em Educação) – Universidade do Oeste de Santa Catarina, Joaçaba, 2011.

DUPAUL, G. J.; STONER, G. TDAH nas escolas: estratégias de avaliação e intervenção. São Paulo: M. Books do Brasil, 2007.

LIBÂNEO, José Carlos. Didática. 23. ed. São Paulo: Cortez, 2012.

NÓVOA, António. Formação de professores e profissão docente. In: NÓVOA, António (Org.). Os professores e a sua formação. Lisboa: Dom Quixote, 1992.

OLIVEIRA, Maria da Silva. A medicalização isolada e seus impactos na educação. In: Souza, João; Lima, Carla (Org.). Educação e saúde mental: abordagens interdisciplinares. São Paulo: Editora Exemplo, 2010.

PAIN, Sara. A escuta do inconsciente na aprendizagem escolar. Porto Alegre: Artes Médicas, 1992.

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WEISS, Maria Lúcia. Psicopedagogia clínica: uma visão diagnóstica dos problemas de aprendizagem. 7. ed. Rio de Janeiro: DP&A, 2011.

Dutra, Queily Geny de Oliveira . Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) no contexto escolar.International Integralize Scientific. v 5, n 51, Setembro/2025 ISSN/3085-654X

Referencias

Vivian Caroline Coraucci.
BAILEY, C. J.; LEE, J. H.
Management of chlamydial infections: A comprehensive review.
Clinical infectious diseases.
v. 67
n. 7
p. 1208-1216,
2021.
Disponível em: https://academic.oup.com/cid/article/67/7/1208/6141108.
Acesso em: 2024-09-03.

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Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) no contexto escolar

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