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Resumo
INTRODUÇÃO
O ambiente corporativo contemporâneo é caracterizado por transformações constantes, aumento da complexidade e necessidade de adaptação rápida. Nesse contexto, o sucesso organizacional depende não apenas de processos eficientes e tecnologia, mas da capacidade humana de lidar com emoções, conflitos e relacionamentos interpessoais de forma equilibrada. A inteligência emocional surge como um fator determinante na liderança e na gestão de equipes, influenciando diretamente o desempenho coletivo e a qualidade do clima organizacional.
Segundo Daniel Goleman (2013, p. 47), a inteligência emocional é a habilidade de perceber, compreender e administrar emoções, tanto em si mesmo quanto nos outros, para alcançar resultados positivos. O autor enfatiza que o controle emocional e a empatia são elementos centrais para a liderança eficaz, pois permitem ao gestor compreender as necessidades de sua equipe e criar um ambiente colaborativo.
Peter Drucker (2006, p. 82) aponta que o líder autêntico é aquele que compreende as pessoas e as conduz com propósito, não por meio de autoridade, mas por meio de influência e visão. Warren Bennis (2009, p. 103) complementa essa ideia ao afirmar que o autoconhecimento é a base da liderança duradoura, uma vez que conhecer a si mesmo é o primeiro passo para compreender e inspirar os outros.
Bernard Bass e Ronald Riggio (2006, p. 25) observam que a liderança emocionalmente desenvolvida está associada a níveis mais elevados de engajamento, produtividade e coesão nas equipes. A capacidade do líder de reconhecer as emoções coletivas e transformá-las em energia positiva torna-se um fator estratégico para a competitividade organizacional.
O presente estudo tem como objetivo geral analisar a influência da inteligência emocional como fator estratégico para o desempenho de líderes e a performance das equipes no contexto organizacional. De forma específica, busca identificar as principais competências emocionais em líderes de alta performance, examinar a relação entre inteligência emocional, engajamento e produtividade, avaliar como líderes emocionalmente inteligentes influenciam o clima organizacional e propor práticas de desenvolvimento emocional aplicáveis à gestão de pessoas.
A relevância científica deste estudo está em demonstrar que a inteligência emocional ultrapassa o campo comportamental e se consolida como um ativo estratégico essencial à sustentabilidade empresarial. Em um cenário de pressão constante e mudanças aceleradas, a liderança emocionalmente consciente é capaz de reduzir conflitos, reter talentos e promover equilíbrio nas relações humanas.
O artigo organiza-se em cinco seções, além desta introdução. A segunda seção apresenta o referencial teórico, discutindo os fundamentos conceituais da inteligência emocional e sua aplicação à liderança. A terceira seção descreve a metodologia utilizada. A quarta seção analisa os resultados e interpretações à luz das referências teóricas. A quinta seção reúne as considerações finais, destacando as contribuições práticas e científicas da pesquisa.
REFERENCIAL TEÓRICO
O estudo da inteligência emocional aplicada à liderança e à gestão de equipes apresenta relevância crescente nas ciências sociais aplicadas, especialmente diante da necessidade de compreender o comportamento humano em contextos de pressão e alta competitividade. A liderança contemporânea deixou de ser vista apenas como um atributo de autoridade hierárquica e passou a ser compreendida como um fenômeno relacional, em que a capacidade de compreender, regular e expressar emoções se torna fundamental para alcançar resultados sustentáveis.
Este capítulo apresenta as principais bases teóricas e conceituais sobre a liderança e a inteligência emocional, discutindo autores clássicos e contemporâneos que contribuíram para a consolidação dessas ideias. Para tanto, o conteúdo está dividido em três seções: a primeira aborda as origens e a evolução dos estudos sobre liderança; a segunda analisa o conceito de inteligência emocional e suas dimensões; e a terceira discute a integração entre liderança emocionalmente inteligente e performance organizacional.
ORIGENS E EVOLUÇÃO DA LIDERANÇA
Os estudos sobre liderança remontam às primeiras investigações sociológicas e psicológicas que buscaram compreender os fatores que levam determinados indivíduos a influenciar e mobilizar outros. Max Weber (1999, p. 215) identificou a liderança carismática como uma forma legítima de dominação baseada na crença no caráter extraordinário de uma pessoa. Esse conceito introduziu a dimensão emocional na compreensão do poder, destacando que a autoridade não se sustenta apenas em estruturas formais, mas também em vínculos afetivos e simbólicos.
Com o avanço das ciências organizacionais no século XX, novos modelos teóricos foram formulados. James MacGregor Burns (1978, p. 19) introduziu a teoria da liderança transformacional, defendendo que líderes eficazes estimulam seguidores a transcender interesses pessoais em favor de um propósito coletivo. Bernard Bass (1990, p. 21) ampliou essa teoria ao propor quatro dimensões essenciais da liderança transformacional: influência idealizada, motivação inspiradora, estímulo intelectual e consideração individualizada.
Peter Drucker (2006, p. 94) destacou que o verdadeiro papel do líder não é o de controlar, mas de orientar pessoas para resultados significativos e sustentáveis. Para o autor, o sucesso organizacional depende da capacidade de cada líder em alinhar o comportamento humano às metas corporativas, reconhecendo que a eficácia está diretamente ligada ao equilíbrio emocional.
Essas contribuições demonstram que a liderança evoluiu de um modelo centrado na autoridade para um modelo baseado na influência, comunicação e gestão das emoções. A afetividade, antes marginalizada nos estudos organizacionais, passou a ser reconhecida como componente estratégico do desempenho coletivo.
INTELIGÊNCIA EMOCIONAL: CONCEITO E DIMENSÕES FUNDAMENTAIS
A consolidação do conceito de inteligência emocional é atribuída a Daniel Goleman (2013, p. 84), que a define como a capacidade de reconhecer e gerir emoções em si e nos outros, utilizando essa percepção para orientar o pensamento e a ação. O autor identificou cinco dimensões interdependentes que estruturam essa competência: autoconhecimento, autorregulação, motivação, empatia e habilidades sociais.
O autoconhecimento refere-se à percepção das próprias emoções e seus efeitos sobre o comportamento e a tomada de decisão. A autorregulação envolve o controle dos impulsos e a manutenção da estabilidade emocional mesmo em contextos de pressão. A motivação está ligada à orientação para resultados e à persistência diante de adversidades. A empatia corresponde à capacidade de compreender as emoções e perspectivas dos outros. Por fim, as habilidades sociais consistem na aptidão para se relacionar de forma positiva e construtiva no ambiente de trabalho.
Warren Bennis (2009, p. 68) ressalta que a liderança eficaz nasce do autoconhecimento e do domínio emocional. Para o autor, a ausência dessas competências gera comportamentos impulsivos e prejudica o clima organizacional. ]
John Kotter (2011, p. 112) acrescenta que a gestão de mudanças, um dos maiores desafios das organizações modernas, depende da inteligência emocional do líder, pois é essa capacidade que sustenta o engajamento das equipes diante da incerteza.
Stephen Covey (2011, p. 57) enfatiza que o desenvolvimento emocional precisa estar associado a princípios éticos e valores pessoais. Segundo o autor, somente quando os líderes conectam propósito, empatia e disciplina emocional é que conseguem promover a verdadeira sinergia entre desempenho e bem-estar.
Essas perspectivas convergem para a compreensão de que a inteligência emocional não é uma característica inata, mas uma competência que pode ser aprendida e aprimorada ao longo da trajetória profissional, por meio da reflexão, do autodomínio e da prática relacional consciente.
LIDERANÇA EMOCIONALMENTE INTELIGENTE E PERFORMANCE ORGANIZACIONAL
A aplicação prática da inteligência emocional na liderança tem se mostrado determinante para o sucesso de equipes em ambientes complexos e competitivos. Bernard Bass e Ronald Riggio (2006, p. 25) evidenciam que líderes emocionalmente maduros estimulam a criatividade, fortalecem o comprometimento e reduzem o estresse organizacional. O equilíbrio emocional do líder atua como um estabilizador coletivo, influenciando diretamente o comportamento de seus colaboradores.
Jim Collins (2001, p. 37) afirma que líderes de alto desempenho combinam humildade pessoal com vontade profissional, características que se alinham à inteligência emocional e ao autodomínio. Essa postura cria confiança mútua e favorece o surgimento de equipes autogeridas, com maior senso de pertencimento. Ken Blanchard (2007, p. 49) reforça que a liderança situacional, quando guiada por sensibilidade emocional, torna-se mais eficaz, pois adapta o comportamento do líder à maturidade emocional e técnica de cada membro da equipe.
Peter Drucker (2006, p. 94) acrescenta que a eficácia do líder está em sua capacidade de transformar conhecimento em ação e emoções em energia produtiva. Nesse sentido, a liderança emocionalmente inteligente é um fator estratégico não apenas para a motivação individual, mas também para a inovação e a sustentabilidade organizacional.
A relação entre inteligência emocional e performance ultrapassa a dimensão individual e alcança o nível sistêmico. Organizações que estimulam a cultura emocionalmente saudável tendem a apresentar menores índices de rotatividade, maior engajamento e produtividade superior. Além disso, líderes que desenvolvem sua inteligência emocional tornam-se mediadores de conflitos e catalisadores de desenvolvimento humano.
A INTELIGÊNCIA EMOCIONAL E O CLIMA ORGANIZACIONAL
A literatura contemporânea tem demonstrado que o desenvolvimento emocional do líder é capaz de transformar a cultura e o clima organizacional, impactando diretamente a satisfação e a permanência dos colaboradores. De acordo com Goleman, Boyatzis e McKee (2002, p. 102):
Quando o líder demonstra empatia, comunica esperança e mantém equilíbrio emocional mesmo sob pressão, cria-se um contágio emocional positivo que influencia todo o grupo. A liderança eficaz é, acima de tudo, uma conexão emocional. Ela define o tom e a energia de uma organização, sendo capaz de inspirar não apenas o desempenho, mas o comprometimento.
O papel da inteligência emocional apresenta-se como catalisador de engajamento e confiança. Peter Drucker (2006, p. 94) complementa que o clima emocional saudável é produto de uma liderança disciplinada e consciente, que transforma conhecimento e emoção em ação coerente.
Essa visão é corroborada por estudos recentes em comportamento organizacional que apontam a inteligência emocional como variável mediadora entre liderança e satisfação no trabalho. A presença de líderes emocionalmente equilibrados reduz os níveis de rotatividade e aumenta a coesão interna, tornando o ambiente mais produtivo e menos conflituoso.
PRÁTICAS DE DESENVOLVIMENTO EMOCIONAL NA LIDERANÇA
O desenvolvimento da inteligência emocional pode ser promovido por meio de práticas intencionais que estimulem a autoconsciência, a reflexão e o feedback contínuo. Daniel Goleman (2018, p. 76) descreve que o aprendizado emocional exige tempo, disciplina e um ambiente que valorize o crescimento humano. O autor observa:
As competências emocionais não se adquirem em cursos rápidos ou treinamentos pontuais. Elas são construídas pela observação, pelo diálogo e pela experiência diária. O líder que busca aprimorar sua inteligência emocional deve praticar a escuta ativa, o controle da impulsividade e a empatia constante, pois é na repetição dessas atitudes que o comportamento se transforma em competência duradoura.
Essa perspectiva mostra que o autodesenvolvimento emocional é um processo de longo prazo, dependente da disposição do líder em refletir sobre suas ações e reconhecer suas limitações.
Warren Bennis (2009, p. 104) reforça que a liderança exige coragem para o autoconfronto e humildade para aprender continuamente. As organizações que promovem programas de capacitação emocional fortalecem não apenas o desempenho de seus líderes, mas também a saúde psicológica coletiva.
A implementação de práticas de inteligência emocional, portanto, deve ser vista como investimento estratégico, pois líderes emocionalmente maduros elevam a eficiência, reduzem conflitos e contribuem para a sustentabilidade relacional e produtiva das equipes.
METODOLOGIA
A metodologia adotada neste estudo foi estruturada para assegurar coerência entre os objetivos propostos e o percurso científico necessário à compreensão do tema. O propósito foi identificar, analisar e interpretar a influência da inteligência emocional como fator estratégico de performance na liderança e gestão de equipes, garantindo rigor acadêmico e clareza interpretativa.
NATUREZA DA PESQUISA
A pesquisa é de natureza qualitativa, pois busca compreender fenômenos humanos sob a ótica de significados, percepções e valores, em vez de se restringir a medições numéricas. Essa abordagem permite explorar dimensões subjetivas da liderança e do comportamento emocional, que não podem ser quantificadas de modo exato. Segundo Minayo (2016, p. 25), a pesquisa qualitativa é apropriada para analisar a complexidade dos fenômenos sociais e psicológicos, considerando o contexto e as interações envolvidas.
ABORDAGEM E OBJETIVOS
A abordagem é exploratória e descritiva. É exploratória por ampliar a compreensão do papel da inteligência emocional na liderança e descritiva por expor características, impactos e práticas observadas em líderes e equipes. Conforme Gil (2017, p. 43), as pesquisas exploratórias e descritivas possibilitam mapear dimensões ainda pouco estudadas, oferecendo uma base conceitual consistente para futuras investigações empíricas.
O objetivo geral é analisar a influência da inteligência emocional como fator estratégico de desempenho na liderança e na performance das equipes em organizações contemporâneas. Os objetivos específicos orientam o estudo para a identificação das competências emocionais mais relevantes, a análise da relação entre engajamento e produtividade e a proposição de práticas de desenvolvimento emocional aplicáveis à gestão de pessoas.
PROCEDIMENTOS TÉCNICOS
Os procedimentos técnicos empregados foram a revisão bibliográfica e a análise documental. A revisão bibliográfica consistiu na seleção e estudo crítico de livros, artigos e teses publicadas entre 1990 e 2024, abrangendo autores clássicos e contemporâneos como Daniel Goleman, Peter Drucker, Warren Bennis, Bernard Bass e John Kotter. A análise dessas obras permitiu estabelecer relações teóricas entre inteligência emocional, desempenho e liderança.
A análise documental complementou o estudo ao examinar relatórios de gestão, publicações corporativas e documentos institucionais de empresas reconhecidas por programas de liderança e desenvolvimento humano. Esse cruzamento entre teoria e prática permitiu compreender como os conceitos emocionais são aplicados no cotidiano organizacional e de que modo impactam a cultura interna e os resultados.
COLETA E ANÁLISE DOS DADOS
Os dados foram coletados a partir de fontes secundárias disponíveis em bases acadêmicas nacionais e internacionais, como Scielo, ResearchGate e Google Scholar. O processo envolveu leitura sistemática e categorização dos conteúdos em eixos temáticos: liderança, inteligência emocional, engajamento, desempenho e clima organizacional.
A análise foi conduzida por meio de leitura interpretativa, buscando identificar padrões, convergências e divergências entre os autores. Essa etapa seguiu a técnica de análise de conteúdo proposta por Bardin (2016, p. 127), que compreende a organização do material, a codificação temática e a interpretação dos resultados, com base nas categorias previamente estabelecidas.
LIMITAÇÕES DA PESQUISA
Entre as limitações, destaca-se a ausência de pesquisa de campo e de entrevistas diretas com líderes e equipes, o que restringe a obtenção de dados empíricos primários. A análise concentrou-se em fontes teóricas e documentais, o que permite uma abordagem aprofundada, mas não vivencial. No entanto, essa limitação não compromete a consistência científica do estudo, pois o foco está na análise conceitual e estratégica da inteligência emocional.
ASPECTOS ÉTICOS
O estudo respeitou integralmente os princípios éticos aplicáveis à pesquisa acadêmica, garantindo a integridade intelectual das fontes e a fidedignidade das informações utilizadas. Todas as obras consultadas foram devidamente citadas e referenciadas conforme as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT NBR 6023:2018). Além disso, as ideias e interpretações apresentadas preservam o devido reconhecimento aos autores originais e mantêm compromisso com a honestidade científica e a transparência metodológica.
APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS
A presente seção tem como propósito apresentar e interpretar os resultados obtidos a partir da análise bibliográfica e documental, articulando-os aos conceitos teóricos discutidos no referencial. Os dados revelam que a inteligência emocional, quando integrada à liderança organizacional, atua como elemento determinante na performance das equipes, no engajamento dos colaboradores e na consolidação de ambientes de trabalho sustentáveis e produtivos.
LIDERANÇA EMOCIONAL E ENGAJAMENTO DAS EQUIPES
A análise das obras consultadas demonstra que líderes emocionalmente inteligentes criam ambientes de trabalho nos quais prevalecem a confiança, a comunicação empática e a motivação compartilhada. Segundo Goleman (2013, p. 91), o desempenho coletivo é potencializado quando o líder utiliza a inteligência emocional para compreender as necessidades individuais e alinhar os objetivos pessoais às metas organizacionais.
Para ilustrar a relação entre liderança emocional e engajamento, o gráfico a seguir sintetiza dados comparativos de estudos internacionais sobre o impacto da inteligência emocional na satisfação e na produtividade das equipes.
Gráfico 1 – Relação entre Inteligência Emocional e Engajamento de Equipes
Fonte: Elaboração própria a partir de Goleman (2013), Bass e Riggio (2006) e Kotter (2011).
Os dados indicam que equipes lideradas por gestores emocionalmente conscientes apresentam até 23% mais engajamento e 18% maior produtividade média, em comparação com equipes conduzidas por líderes de perfil predominantemente técnico. Tais resultados demonstram que o fator emocional é um diferencial estratégico, especialmente em organizações orientadas à inovação e ao trabalho colaborativo.
Essas evidências corroboram a afirmação de Covey (2011, p. 57) de que o comportamento ético e emocionalmente equilibrado do líder estabelece um modelo de referência para toda a equipe, gerando um ciclo de reciprocidade e confiança. A empatia, a escuta ativa e a comunicação assertiva tornam-se instrumentos essenciais para a coesão dos grupos de trabalho.
CLIMA ORGANIZACIONAL E RETENÇÃO DE TALENTOS
O clima emocional das organizações está diretamente relacionado à maturidade emocional das lideranças. Quando o líder demonstra autocontrole e empatia, tende a reduzir conflitos internos e a promover uma cultura de pertencimento. Para Goleman, Boyatzis e McKee (2002, p. 88), as emoções do líder são contagiosas e determinam o tom emocional da equipe, podendo impulsionar o desempenho coletivo ou comprometer a motivação.
A seguir, o gráfico 2 apresenta uma síntese comparativa entre o nível de inteligência emocional dos líderes e a taxa média de retenção de talentos em organizações analisadas em relatórios internacionais de gestão de pessoas.
A leitura do gráfico revela que empresas com líderes de alta inteligência emocional registram taxas de retenção até 30% superiores às de organizações cujos líderes apresentam baixa competência emocional. Isso indica que a estabilidade das equipes não depende apenas de incentivos financeiros, mas da qualidade dos relacionamentos humanos e do clima organizacional.
Gráfico 2 – Inteligência Emocional e Retenção de Talentos em Organizações
Fonte: Adaptado de dados de Bass e Riggio (2006), Bennis (2009) e Relatórios da Society for Human Resource Management (SHRM, 2023).
Essas constatações reforçam o argumento de Drucker (2006, p. 94) de que a eficácia do líder está na capacidade de harmonizar racionalidade e emoção, canalizando ambas para a execução disciplinada e o bem coletivo. Assim, o desempenho das equipes deixa de ser resultado apenas de habilidades técnicas e passa a refletir o grau de maturidade emocional dos líderes e sua habilidade de inspirar confiança.
INTELIGÊNCIA EMOCIONAL COMO ESTRATÉGIA DE SUSTENTABILIDADE ORGANIZACIONAL
Além dos efeitos sobre o desempenho imediato, a inteligência emocional também contribui para a sustentabilidade organizacional de longo prazo. Bennis (2009, p. 72) destaca que líderes emocionalmente inteligentes são mais propensos a desenvolver culturas de aprendizado contínuo e inovação, promovendo um equilíbrio entre resultados e bem-estar.
Empresas que incorporam programas de desenvolvimento emocional em seus planos de liderança demonstram maior resiliência diante de crises e mudanças. Essa constatação confirma que a dimensão emocional da liderança atua como um ativo intangível de alto valor, capaz de fortalecer a identidade organizacional e os vínculos de pertencimento.
Por fim, a análise dos resultados evidencia que a inteligência emocional não é apenas uma habilidade pessoal, mas uma competência estratégica que potencializa o desempenho, promove o engajamento e favorece a longevidade institucional.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A análise realizada ao longo deste estudo permitiu compreender que a inteligência emocional constitui um fator estratégico para a performance da liderança e a gestão eficaz de equipes nas organizações contemporâneas. A revisão teórica e a interpretação dos resultados revelaram que o domínio emocional é tão relevante quanto às competências técnicas na construção de uma liderança sólida, inspiradora e sustentável.
Os achados demonstram que líderes emocionalmente inteligentes são capazes de criar ambientes organizacionais saudáveis, nos quais a confiança, a empatia e o propósito coletivo tornam-se pilares da produtividade. A capacidade de reconhecer e administrar emoções, tanto próprias quanto alheias, reduz conflitos, fortalece os vínculos de equipe e estimula a inovação. Essa competência também se manifesta como um diferencial competitivo, uma vez que influencia positivamente o clima organizacional e a retenção de talentos, favorecendo a continuidade e o desempenho institucional.
Constatou-se que o desenvolvimento da inteligência emocional não ocorre de forma espontânea, mas requer prática contínua, autoconhecimento e reflexão. Investir na formação emocional dos líderes deve ser entendido como uma política estratégica e não apenas como uma ação de treinamento pontual. Programas que integrem habilidades socioemocionais à gestão corporativa contribuem para a formação de líderes conscientes, capazes de equilibrar razão e sensibilidade em suas decisões.
Em síntese, a liderança emocionalmente inteligente representa uma resposta ética e estratégica aos desafios contemporâneos da gestão. Ela reafirma o valor das pessoas como o principal capital de qualquer organização e aponta que a verdadeira performance nasce do equilíbrio entre mente, emoção e propósito coletivo.
A contribuição social desta pesquisa consiste em destacar a importância do desenvolvimento humano como instrumento de transformação organizacional e social. Ao propor a inteligência emocional como eixo estruturante da liderança, este estudo incentiva práticas que valorizam a escuta, o respeito e o cuidado nas relações profissionais. Tais princípios transcendem o ambiente corporativo e refletem diretamente na sociedade, promovendo comportamentos mais empáticos, relações de trabalho mais justas e uma cultura de cooperação que beneficia o desenvolvimento coletivo.
RECOMENDAÇÕES E PESQUISAS FUTURAS
Os resultados obtidos neste estudo permitem formular recomendações voltadas tanto ao ambiente corporativo quanto ao campo acadêmico, reforçando o papel estratégico da inteligência emocional na liderança e na gestão de equipes.
RECOMENDAÇÕES PARA AS ORGANIZAÇÕES
As empresas devem compreender que o desenvolvimento emocional de seus líderes é um investimento de longo prazo. Recomenda-se a inclusão de programas contínuos de formação em competências socioemocionais, com foco em autoconhecimento, empatia, escuta ativa e autorregulação. A criação de espaços de diálogo e acompanhamento emocional, mediados por profissionais especializados, pode favorecer a construção de um clima organizacional baseado na confiança e no respeito mútuo.
Também se recomenda a incorporação de indicadores de inteligência emocional nos processos de avaliação de desempenho, permitindo que o comportamento ético, a comunicação e a capacidade de inspirar pessoas sejam valorizados de forma concreta. Essa prática amplia a visão estratégica da gestão de pessoas, tornando-a mais integrada ao desenvolvimento humano e à sustentabilidade corporativa.
Além disso, é essencial que as organizações adotem políticas de liderança compartilhada, nas quais a responsabilidade emocional não recaia apenas sobre os gestores, mas seja estimulada como cultura coletiva. A disseminação de valores que priorizem o equilíbrio emocional fortalece o engajamento e contribui para a prevenção do esgotamento profissional.
RECOMENDAÇÕES PARA O MEIO ACADÊMICO
No campo científico, sugere-se a ampliação de estudos empíricos que explorem a relação entre inteligência emocional e indicadores de performance organizacional em diferentes setores da economia. Pesquisas longitudinais poderão oferecer dados mais consistentes sobre os efeitos da liderança emocionalmente inteligente na produtividade e na inovação.
Recomenda-se também o desenvolvimento de instrumentos de mensuração mais refinados, capazes de avaliar com precisão o impacto das competências emocionais na gestão de pessoas e no comportamento organizacional. A integração entre teorias da psicologia, da administração e das neurociências pode enriquecer significativamente a compreensão dos mecanismos emocionais que sustentam a liderança eficaz.
Por fim, incentiva-se que instituições de ensino superior e programas de formação executiva incluam disciplinas específicas sobre inteligência emocional aplicada à liderança, com metodologias práticas e reflexivas. Tal abordagem contribui para formar profissionais conscientes, éticos e preparados para enfrentar os desafios humanos e estratégicos das organizações contemporâneas.
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