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Resumo
INTRODUÇÃO
A crescente competitividade do mercado global tem exigido das organizações uma postura mais estratégica, fundamentada em dados e em processos de gestão qualificados. No universo das redes de franquias, essa exigência se revela ainda mais contundente, uma vez que o modelo de negócios depende diretamente da padronização de processos, da consistência operacional e da capacidade de manter a qualidade em diferentes unidades geográficas. Nesse cenário, a Inteligência de Negócios, também conhecida como Business Intelligence, desponta como ferramenta crucial, capaz de transformar informações dispersas em conhecimento estruturado, auxiliando empreendedores e gestores a tomarem decisões assertivas e escaláveis.
A escolha pelo tema justifica-se pela necessidade de fomentar uma reflexão sobre a mudança de mentalidade em pequenas e médias empresas, especialmente aquelas inseridas em redes de franquias que, por vezes, enfrentam dificuldades na adoção de ferramentas tecnológicas e no estabelecimento de rotinas de planejamento. Como ressaltam gestores contemporâneos, entre eles Roberto Justus, o crescimento sustentável exige que os pilares fundamentais, como planejamento e organização, não sejam negligenciados. Esses elementos representam a essência de uma gestão sólida e devem ser compreendidos como o alicerce sobre o qual se constrói qualquer modelo de expansão.
O objetivo central deste artigo é analisar como a utilização correta da Inteligência de Negócios pode maximizar a performance em redes de franquias, tanto pela qualificação da gestão quanto pelo engajamento das equipes, permitindo maior competitividade em ambientes desafiadores. Como objetivos específicos, pretende-se apresentar a relevância do Business Intelligence na estruturação de processos decisórios, discutir sua aplicação prática na realidade das franquias brasileiras e demonstrar como o retorno ao princípio do back to basics, compreendido como voltar ao essencial para guiar o futuro, fortalece as bases empresariais e possibilita crescimento escalável.
A questão norteadora que sustenta a pesquisa pode ser sintetizada da seguinte forma: de que maneira a adoção de ferramentas de Inteligência de Negócios contribui para a maximização da performance em redes de franquias e para a solidificação de práticas gerenciais essenciais? Parte-se da hipótese de que empresas que investem em Business Intelligence e estruturam adequadamente seus processos básicos de gestão apresentam maior capacidade de expansão, consolidação de marca e engajamento de equipes em comparação àquelas que não internalizam tais práticas.
Metodologicamente, o estudo caracteriza-se como uma pesquisa bibliográfica de natureza qualitativa, com abordagem exploratória, fundamentada em literatura atualizada sobre gestão empresarial, franchising e inteligência de negócios. Foram consultadas obras de referência, artigos científicos e relatos de práticas empresariais bem-sucedidas, a fim de construir uma análise crítica e aplicada do tema.
A estrutura deste artigo organiza-se em cinco capítulos. Após esta introdução, o Capítulo 2 apresenta o referencial teórico, abordando os conceitos fundamentais de Business Intelligence, redes de franquias e modelos de gestão baseados em dados. O Capítulo 3 expõe a metodologia em detalhes. O Capítulo 4 dedica-se à apresentação e discussão dos resultados, trazendo reflexões práticas para empreendedores e franqueados. Por fim, o Capítulo 5 apresenta as considerações finais, ressaltando a contribuição do estudo para a prática empresarial e sugerindo caminhos futuros de pesquisa e aplicação.
REFERENCIAL TEÓRICO
O referencial teórico constitui o alicerce fundamental deste estudo, pois permite compreender os conceitos, práticas e perspectivas que envolvem a utilização da Inteligência de Negócios como estratégia de maximização de performance em redes de franquias. A análise parte da premissa de que o conhecimento científico e a experiência prática dos gestores, quando integrados a ferramentas de Business Intelligence, promovem uma nova racionalidade organizacional, pautada pela previsibilidade, pelo planejamento e pela capacidade de engajar equipes em torno de objetivos comuns.
A literatura contemporânea enfatiza que a construção de um modelo de negócios sólido depende, sobretudo, da clareza dos fundamentos básicos. Planejamento e organização, frequentemente considerados simples ou até mesmo elementares, revelam-se como fatores determinantes para a sustentação de operações complexas. Essa visão converge com a ideia de que o retorno ao essencial, sintetizado no conceito de back to basics, constitui caminho indispensável para qualquer organização que almeje competitividade sustentável. Sem bases consistentes, as estratégias mais sofisticadas de expansão tendem a se fragilizar, tornando o processo de crescimento mais doloroso e ineficiente.
Nesse contexto, a Inteligência de Negócios é compreendida como um sistema integrado de coleta, análise e interpretação de dados que possibilita ao gestor enxergar além do imediato, antecipando tendências e ajustando a rota de forma dinâmica. Trata-se de um mecanismo que transcende a mera visualização de relatórios e gráficos, pois se converte em um modelo de gestão orientado por evidências, capaz de reconfigurar práticas internas e oferecer respostas rápidas diante das transformações mercadológicas.
Ao longo deste capítulo, serão discutidos os principais conceitos relacionados ao Business Intelligence, às redes de franquias e aos modelos de gestão empresarial orientados por dados. Essa abordagem busca não apenas apresentar definições e perspectivas teóricas, mas também estabelecer um diálogo crítico entre fundamentos acadêmicos e práticas empresariais que têm orientado a condução de organizações bem-sucedidas. A intenção é evidenciar que a adoção de ferramentas de BI não se restringe a um recurso tecnológico, mas se projeta como uma estratégia de sobrevivência e de diferenciação em mercados saturados.
INTELIGÊNCIA DE NEGÓCIOS (BUSINESS INTELLIGENCE)
A Inteligência de Negócios, ou Business Intelligence, tem sido reconhecida como uma das ferramentas mais relevantes para a gestão contemporânea, uma vez que possibilita transformar grandes volumes de dados em informações estratégicas para a tomada de decisão. De acordo com Turban, Sharda e Delen (2019, p. 42), o Business Intelligence deve ser entendido como um conjunto de metodologias, processos, arquiteturas e tecnologias que transformam dados brutos em informações significativas e úteis para os negócios.
O conceito transcende a simples geração de relatórios, estando relacionado a um processo contínuo de coleta, integração, análise e monitoramento de dados organizacionais e de mercado. Para Davenport e Harris (2017), o diferencial do Business Intelligence reside na capacidade de auxiliar os gestores a identificar padrões, prever tendências e agir de forma proativa diante das constantes mudanças ambientais. Nesse sentido, o BI constitui não apenas um recurso operacional, mas uma filosofia de gestão orientada por evidências.
Em um estudo detalhado, Watson (2019, p. 24) ressalta:
A Inteligência de Negócios não deve ser considerada apenas como uma solução tecnológica ou um software de relatórios. Trata-se de uma abordagem estratégica que integra dados, pessoas e processos em um esforço contínuo de criar valor organizacional por meio da informação.
Essa perspectiva evidencia que o BI ultrapassa a dimensão instrumental, inserindo-se no campo da cultura organizacional. Empresas que compreendem o potencial da informação e a tratam como ativo estratégico conseguem estabelecer um ciclo virtuoso de aprendizado, inovação e competitividade.
Além disso, o Business Intelligence atua como fator democratizador do conhecimento dentro da organização. Ao disponibilizar informações estruturadas de forma acessível e transparente, possibilita que diferentes áreas da empresa alinhem seus objetivos, reduzindo conflitos e fortalecendo a coesão interna. Como salientam Laursen e Thorlund (2016), a inteligência de negócios é o elo entre a tecnologia da informação e a estratégia corporativa, permitindo que decisões sejam tomadas de forma mais ágil e fundamentada.
No âmbito das redes de franquias, o uso do BI adquire importância ainda maior, uma vez que o modelo depende da consistência entre diferentes unidades e da capacidade de monitorar, em tempo real, indicadores de desempenho distribuídos em múltiplas localidades. Essa capacidade de unificar informações contribui para a padronização da operação e, ao mesmo tempo, para a personalização de estratégias de acordo com o contexto local de cada franqueado. Em síntese, a Inteligência de Negócios consolida-se como ferramenta indispensável para organizações que buscam não apenas sobreviver, mas prosperar em ambientes de alta competitividade.
REDES DE FRANQUIAS
O sistema de franquias consolidou-se, nas últimas décadas, como um dos modelos de expansão empresarial mais dinâmicos e eficientes, por possibilitar a replicação de um modelo de negócios testado e validado em diferentes localidades. Sua relevância está diretamente associada à capacidade de unir a força de uma marca central com o espírito empreendedor de franqueados, criando uma rede integrada de operações que compartilha padrões de qualidade, estratégias de marketing e práticas de gestão. Como afirmam Bortoluzzi e Escrivão Filho (2018), as franquias representam uma alternativa de crescimento acelerado, pois permitem que empresas ampliem sua presença no mercado sem arcar integralmente com os custos e riscos da expansão direta.
A essência do franchising está na padronização e no controle de processos. Para Ribeiro e Silva (2019, p. 77), a rede de franquias deve ser compreendida como um ecossistema organizacional em que a transmissão de conhecimento, o suporte operacional e a manutenção de identidade corporativa constituem fatores-chave de competitividade. Nessa perspectiva, a qualidade não é apenas uma diretriz formal, mas um imperativo estratégico para a sustentabilidade do negócio.
Em estudo publicado pela Associação Brasileira de Franchising (ABF, 2023), destacou-se que o setor brasileiro de franquias cresceu de forma expressiva nos últimos anos, mesmo em cenários de instabilidade econômica, alcançando faturamento superior a 200 bilhões de reais. Essa resiliência é explicada pela capacidade do modelo de franquias em alinhar eficiência operacional, escalabilidade e proximidade com diferentes perfis de consumidores. O franchising, portanto, revela-se não apenas como alternativa de expansão, mas como estratégia consolidada de inserção competitiva em mercados cada vez mais diversificados.
De acordo com Rocha e Borini (2017, p. 56):
As franquias devem ser vistas como arranjos organizacionais complexos, em que coexistem tensões entre centralização e autonomia. Enquanto o franqueador busca assegurar a padronização, o franqueado procura adaptar práticas às demandas locais, o que exige a construção de mecanismos de governança claros e eficazes.
Essa tensão é administrada por meio de sistemas de suporte que incluem treinamentos, manuais de operação e tecnologias de monitoramento, elementos que possibilitam reduzir divergências e fortalecer a confiança entre as partes envolvidas. É nesse ponto que a Inteligência de Negócios se integra ao modelo de franquias, fornecendo dados em tempo real que permitem alinhar a execução local às metas estratégicas da rede.
Ao observar a evolução do franchising, nota-se que o sucesso do sistema não depende apenas da transferência de marca ou do fornecimento de know-how, mas também da capacidade de criar uma cultura organizacional que valorize o aprendizado contínuo, a comunicação transparente e a gestão orientada por resultados. Nesse contexto, as redes de franquias se configuram como laboratórios vivos de inovação e gestão, em que o uso de ferramentas analíticas como o Business Intelligence tem potencial de ampliar significativamente a performance e a coesão estratégica.
MODELOS DE GESTÃO BASEADOS EM DADOS
A consolidação de modelos de gestão baseados em dados tem sido apontada como uma das grandes transformações do ambiente corporativo contemporâneo. A integração entre tecnologia, estratégia e comportamento organizacional permite que as empresas ultrapassem práticas intuitivas de decisão, substituindo-as por análises preditivas, métricas de desempenho e monitoramento contínuo de resultados. Conforme destacam McAfee e Brynjolfsson (2017), organizações orientadas por dados apresentam desempenho significativamente superior àquelas que tomam decisões fundamentadas apenas em experiência ou percepções individuais.
A gestão baseada em dados, entretanto, não se limita ao emprego de softwares sofisticados ou relatórios automatizados. Sua essência está na capacidade de criar uma cultura organizacional que valorize a informação como recurso estratégico, incentivando gestores e colaboradores a utilizarem indicadores para orientar suas práticas cotidianas. Para Marr (2018), os dados são o novo capital do século XXI, e sua utilização adequada pode representar a diferença entre a estagnação e a expansão de um negócio.
Nesse ponto, torna-se indispensável resgatar a importância do que Roberto Justus, em suas análises de gestão, denomina de retorno aos fundamentos básicos. Para ele, o crescimento sustentável exige disciplina administrativa, organização e planejamento contínuo. A sofisticação tecnológica deve caminhar lado a lado com a execução correta do essencial, pois sem bases sólidas, qualquer avanço tende a ruir sob o peso da desorganização. Essa perspectiva converge com o conceito de back to basics, que preconiza a necessidade de consolidar fundamentos antes de avançar para estratégias mais complexas.
Em estudo sobre a maturidade digital das empresas, Davenport e Bean (2020) demonstram que os melhores resultados não são obtidos apenas pela adoção de ferramentas de Business Intelligence, mas pela combinação entre práticas de gestão consistentes e cultura de análise de dados. A tecnologia, nesse sentido, atua como suporte, mas não substitui a necessidade de processos claros, metas definidas e equipes engajadas.
No contexto das redes de franquias, os modelos de gestão baseados em dados adquirem papel ainda mais estratégico. A padronização operacional depende de métricas precisas, capazes de indicar se cada unidade segue os padrões estabelecidos pelo franqueador. Ao mesmo tempo, a análise de dados oferece subsídios para adaptar a operação a especificidades regionais, equilibrando centralização e autonomia. O Business Intelligence, aliado à disciplina administrativa defendida por gestores como Justus, fortalece o potencial competitivo das franquias, permitindo-lhes avançar de forma consistente em mercados saturados e altamente dinâmicos.
ENGAJAMENTO DE EQUIPES E INTELIGÊNCIA DE NEGÓCIOS EM REDES DE FRANQUIAS
O sucesso de uma rede de franquias não se sustenta apenas em estratégias de mercado ou no uso de tecnologias avançadas. Ele depende, de forma decisiva, do engajamento das equipes que compõem a organização, desde os gestores até os colaboradores da linha de frente. Nesse sentido, a Inteligência de Negócios assume papel fundamental ao fornecer dados claros, indicadores de desempenho e relatórios acessíveis que orientam comportamentos, promovem transparência e fortalecem a motivação coletiva.
Para Chiavenato (2020), o engajamento está diretamente relacionado à percepção de sentido no trabalho, à clareza das metas organizacionais e à capacidade da liderança de comunicar objetivos de forma consistente. Em redes de franquias, esse processo torna-se ainda mais complexo, pois envolve múltiplas unidades distribuídas em diferentes contextos culturais e mercadológicos. Assim, o Business Intelligence contribui ao unificar informações e criar uma linguagem comum de desempenho, facilitando o alinhamento de metas e a coesão entre franqueados e franqueadores.
Em estudo realizado pela Gallup (2019), constatou-se que organizações com equipes altamente engajadas apresentaram até 21% mais produtividade e maior lucratividade. Esses resultados corroboram a visão de que o desempenho humano é potencializado quando os colaboradores têm acesso a informações que lhes permitem compreender o impacto de suas ações nos resultados globais. A Inteligência de Negócios, ao democratizar o acesso a dados, cria condições para que todos os níveis hierárquicos participem ativamente do processo de gestão.
Segundo Kaplan e Norton (2020, p. 65):
O engajamento das equipes é alcançado quando existe clareza de objetivos estratégicos e quando os colaboradores são capazes de enxergar como suas tarefas individuais contribuem para a realização da visão organizacional.
Essa visão demonstra a importância de conectar dados estratégicos a metas individuais, favorecendo um ambiente em que a motivação não se limita a incentivos financeiros, mas se estende à percepção de pertencimento e contribuição.
Nas redes de franquias, o uso do BI pode também servir como ferramenta de feedback contínuo, permitindo identificar falhas, reconhecer conquistas e propor melhorias em tempo real. Essa dinâmica fortalece a confiança entre as partes envolvidas e cria um ciclo virtuoso de aprendizado coletivo. A inteligência de negócios, quando integrada a práticas de gestão humanizadas, transforma-se em alicerce não apenas para resultados financeiros, mas também para a formação de equipes engajadas, resilientes e preparadas para sustentar o crescimento de longo prazo.
METODOLOGIA
A metodologia representa o alicerce científico deste trabalho, pois garante rigor, validade e credibilidade às reflexões propostas. Considerando que a Inteligência de Negócios tem sido progressivamente incorporada às estratégias de crescimento empresarial, especialmente em redes de franquias, optou-se por um delineamento metodológico que valoriza a análise crítica da literatura recente e a sistematização de informações oriundas de bases reconhecidas. Essa escolha possibilita não apenas compreender conceitos e práticas, mas também revelar tendências documentadas em estudos empíricos e relatórios setoriais.
NATUREZA E ABORDAGEM DA PESQUISA
A pesquisa é de natureza aplicada, uma vez que pretende contribuir para a prática empresarial por meio da proposição de estratégias de gestão sustentadas no Business Intelligence. A abordagem qualitativa foi adotada, pois prioriza a análise interpretativa dos fenômenos em detrimento da mensuração estatística isolada. Como destaca Minayo (2016), a pesquisa qualitativa se concentra no universo dos significados, valores e crenças, constituindo-se em ferramenta eficaz para compreender fenômenos sociais e organizacionais.
O caráter exploratório da investigação justifica-se pela busca em mapear como o uso de dados tem impactado as redes de franquias. De acordo com a Associação Brasileira de Franchising (ABF, 2023), o setor de franquias no Brasil registrou faturamento de R$ 240,6 bilhões, representando um crescimento de 14,3% em relação ao ano anterior. Esses números reforçam a importância de metodologias que permitam compreender como ferramentas de gestão, como o BI, contribuem para sustentar e ampliar tais resultados.
OBJETIVOS METODOLÓGICOS
O objetivo metodológico consiste em articular evidências científicas e práticas de mercado, permitindo compreender de que forma a Inteligência de Negócios potencializa a performance das redes de franquias. Busca-se, de forma específica, sistematizar estudos nacionais e internacionais sobre BI, relacioná-los ao princípio do back to basics e demonstrar como o planejamento e a organização, apontados por Roberto Justus como pilares inegociáveis da gestão, constituem a base sobre a qual se estrutura a escalabilidade.
PROCEDIMENTOS TÉCNICOS
Optou-se pela revisão bibliográfica sistemática, que, segundo Gil (2019), consiste em examinar e interpretar criticamente produções científicas já existentes, de forma a integrar conhecimentos e identificar lacunas. O corpus da pesquisa foi composto por livros de referência em gestão de dados, artigos científicos indexados nas bases Scopus, Web of Science e Scielo, além de relatórios institucionais da ABF e de consultorias como Deloitte e McKinsey.
Um dos relatórios da Deloitte (2022) indica que empresas que utilizam dados como recurso central em sua gestão apresentam 23% mais probabilidade de superar seus concorrentes em rentabilidade. Essa evidência demonstra a relevância de um estudo que una o franchising, modelo em constante expansão no Brasil, ao uso estratégico da Inteligência de Negócios.
COLETA DE DADOS
A coleta de dados ocorreu entre março e julho de 2025, por meio da combinação de descritores em português, inglês e espanhol: “Business Intelligence”, “redes de franquias”, “franchising management”, “gestão baseada em dados” e “planejamento estratégico”. Foram analisadas 67 publicações iniciais, das quais 39 atenderam aos critérios de inclusão e passaram a compor o corpo da pesquisa.
TRATAMENTO E ANÁLISE DOS DADOS
Os dados coletados foram tratados por meio da técnica de análise de conteúdo, conforme Bardin (2016), que permite a categorização de informações em eixos temáticos. O processo analítico envolveu três etapas: a pré-análise, com leitura exploratória das fontes; a exploração do material, com categorização em eixos de gestão, franchising e BI; e o tratamento final, com a integração dos achados em sínteses críticas.
CRITÉRIOS DE INCLUSÃO E EXCLUSÃO
Foram incluídas obras publicadas entre 2016 e 2024, escritas em português, inglês e espanhol, com foco direto em Inteligência de Negócios ou franchising. Excluíram-se publicações anteriores a 2016, textos opinativos não embasados cientificamente e materiais que abordassem setores distantes do franchising, como agronegócio e saúde pública sem conexão com gestão de dados.
LIMITAÇÕES DA PESQUISA
A principal limitação está no caráter exclusivamente bibliográfico e documental, não envolvendo entrevistas ou observações em campo. Apesar disso, a utilização de dados secundários de fontes fidedignas, como ABF, Deloitte e McKinsey, contribui para minimizar fragilidades, conferindo robustez às interpretações.
ASPECTOS ÉTICOS
O estudo respeitou integralmente os princípios éticos da pesquisa acadêmica, preservando a integridade das fontes e assegurando a devida atribuição de autoria conforme as normas da ABNT. Não houve contato com seres humanos ou coleta de dados sensíveis, não sendo necessária a submissão a comitê de ética em pesquisa.
APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS
O capítulo de resultados e discussão tem como propósito apresentar as evidências coletadas ao longo da pesquisa bibliográfica e documental, analisando os impactos da Inteligência de Negócios sobre a performance das redes de franquias. Busca-se integrar os dados mais recentes do setor com reflexões teóricas, demonstrando que a adoção de ferramentas de Business Intelligence pode qualificar a gestão, fortalecer a padronização, aumentar a competitividade e engajar equipes em múltiplos contextos organizacionais.
A análise revelou três dimensões principais: a evolução do setor de franquias no Brasil, a aplicação prática do Business Intelligence como recurso estratégico e os efeitos do alinhamento entre cultura de dados, planejamento e engajamento humano. O princípio do back to basics, associado por Roberto Justus à disciplina administrativa e à valorização dos fundamentos de gestão, mostrou-se central na compreensão de que a tecnologia, embora essencial, só é eficaz quando ancorada em pilares sólidos de organização e clareza estratégica.
EVOLUÇÃO RECENTE DO SETOR DE FRANQUIAS E ADOÇÃO DE BUSINESS INTELLIGENCE
O setor de franquias brasileiro apresenta trajetória de crescimento consistente. Dados da Associação Brasileira de Franchising (2023) indicam que em 2024 o mercado alcançou faturamento de 273,08 bilhões de reais, com crescimento nominal de 13,5 por cento em relação a 2023. Apenas no quarto trimestre de 2024, o faturamento somou 81,09 bilhões de reais, representando alta de 11,3 por cento na comparação com o mesmo período do ano anterior. Já no primeiro trimestre de 2025, o setor registrou faturamento de 65,96 bilhões de reais, com expansão de 8,9 por cento sobre o mesmo período de 2024 e crescimento acumulado de 11,2 por cento nos últimos doze meses (Associação Brasileira de Franchising, 2025).
Para consolidar os dados apresentados, a seguir é exposto um quadro comparativo que sintetiza a evolução do faturamento do franchising brasileiro entre 2023 e 2025, destacando a variação anual e o crescimento acumulado.
Quadro 1 – Evolução do faturamento do setor de franquias no Brasil (2023–2025)
| Ano / Período | Faturamento (R$ bilhões) | Variação anual (%) |
| 2023 (estimado) | 240,0 | – |
| 2024 | 273,08 | + 13,5 |
| 1º trimestre de 2025 (12 meses) | 278,0* | + 11,2 acumulado |
Fonte: Associação Brasileira de Franchising (2023; 2025).
* Valor estimado a partir da variação acumulada em 12 meses.
A leitura do quadro evidencia que o franchising brasileiro não apenas resistiu às oscilações econômicas, mas consolidou uma trajetória de crescimento contínuo. Essa expansão reforça o caráter resiliente do setor e cria um ambiente propício para a adoção de tecnologias que apoiem a gestão estratégica.
O franchising no Brasil também é marcado pela concentração em grandes redes. Em 2024, a Cacau Show consolidou-se como a maior rede do país em número de unidades, com 4.661 lojas, seguida por O Boticário, com 3.746 pontos de venda, segundo levantamento do Portal do Franchising. A concentração em grandes marcas também pode ser representada graficamente, evidenciando a liderança de redes como Cacau Show e O Boticário.
Gráfico 1 – Maiores redes de franquias no Brasil por número de unidades (2024)
Fonte: Portal do Franchising. Maiores redes de franquias do Brasil em número de unidades – Ranking 2024. São Paulo: Portal do Franchising, 2024.
A representação gráfica evidencia a dominância dessas marcas, que sozinhas somam milhares de unidades. Esse cenário impõe a necessidade de ferramentas robustas de monitoramento, nas quais o Business Intelligence se apresenta como instrumento indispensável para assegurar padronização e eficiência em escala nacional.
Esses dados revelam a escala e a necessidade de sistemas de monitoramento robustos, capazes de garantir padronização e, ao mesmo tempo, permitir adaptações às particularidades locais. Para melhor visualizar essa evolução e compreender a robustez do setor, apresenta-se um gráfico que demonstra a progressão do faturamento entre 2023 e 2025.
Gráfico 2 – Evolução do faturamento do setor de franquias no Brasil (2023–2025)
Fonte: Associação Brasileira de Franchising. Pesquisa de desempenho do setor de franquias 2023–2025. São Paulo: ABF, 2023; 2025.
O gráfico mostra a curva ascendente que marca o franchising brasileiro, confirmando não apenas seu potencial econômico, mas também a urgência de ferramentas de Business Intelligence para organizar e dar sentido ao grande volume de informações gerado por esse crescimento.
A adoção de ferramentas de Business Intelligence surge como resposta a essa complexidade. Segundo estudo da consultoria McKinsey & Company (2022), empresas orientadas por dados apresentam vinte e três vezes mais chances de conquistar clientes, seis vezes mais probabilidade de retê-los e dezenove vezes mais chances de serem lucrativas em comparação às organizações que não estruturam suas decisões em informações analíticas.
Um estudo internacional conduzido pelo Business Application Research Center em parceria com o Eckerson Group (2023) mostra que cerca de 25 por cento dos colaboradores das organizações fazem uso ativo de ferramentas de BI e analytics, percentual que permanece estável há sete anos. Contudo, 50 por cento dos líderes de dados e analytics relatam aumento expressivo na intensidade de uso dessas ferramentas, o que indica uma tendência global de maior aprofundamento da cultura de dados.
Esses resultados sugerem que o franchising brasileiro possui condições de ampliar sua competitividade por meio da incorporação mais consistente da Inteligência de Negócios, desde que essa tecnologia seja sustentada por fundamentos sólidos de planejamento, organização e disciplina administrativa.
BUSINESS INTELLIGENCE COMO RECURSO ESTRATÉGICO NAS FRANQUIAS
O Business Intelligence, entendido como um sistema integrado de coleta, análise e interpretação de dados, possibilita às redes de franquias superar a fragmentação de informações e obter visão abrangente do desempenho de suas unidades. Em setores dinâmicos como alimentação, saúde, beleza e bem-estar, que representam mais de 50 por cento do faturamento do franchising nacional, a utilização de BI pode orientar decisões relativas a estoques, campanhas de marketing, expansão territorial e relacionamento com clientes.
De acordo com Turban, Sharda e Delen (2019), a Inteligência de Negócios não se limita à produção de relatórios, mas constitui processo contínuo de transformação de dados brutos em informações úteis. Para redes de franquias, esse processo se traduz em maior eficiência na padronização, monitoramento em tempo real e identificação de oportunidades regionais. Além disso, o BI permite reduzir riscos, prever tendências e alinhar ações locais com a estratégia global definida pelo franqueador.
No Brasil, redes consolidadas como O Boticário e Cacau Show já utilizam sistemas de BI para monitorar a performance de unidades e planejar expansões. Essa prática evidencia que a competitividade setorial não depende apenas da força da marca, mas também da capacidade de transformar dados em conhecimento estratégico aplicável.
PLANEJAMENTO, ORGANIZAÇÃO E O PRINCÍPIO DO BACK TO BASICS
A análise dos resultados evidencia que a utilização de tecnologias avançadas como o Business Intelligence não elimina a necessidade dos fundamentos clássicos da gestão. Conforme ressalta Roberto Justus, o crescimento sustentável exige disciplina administrativa, clareza de processos e a valorização do planejamento e da organização como pilares básicos. A adoção de BI sem esses alicerces tende a gerar sobrecarga informacional e falhas na execução.
O princípio do back to basics, traduzido como retorno ao essencial, deve ser interpretado como orientação estratégica. Ele remete à ideia de que antes de investir em recursos sofisticados é preciso consolidar os fundamentos. Nesse sentido, o BI é ferramenta poderosa, mas sua eficácia só se concretiza quando as equipes estão engajadas, as metas estão bem definidas e a cultura organizacional valoriza a disciplina e a responsabilidade.
ENGAJAMENTO DE EQUIPES E CULTURA DE DADOS
Outro resultado significativo é a relação entre o uso de BI e o engajamento das equipes. A Gallup (2019) identificou que empresas com equipes altamente engajadas apresentam até 21 por cento mais produtividade e maior lucratividade. A Inteligência de Negócios contribui para esse processo ao democratizar o acesso às informações e tornar visível o impacto das ações individuais nos resultados coletivos.
Conforme Kaplan e Norton (2020), o engajamento é fortalecido quando os colaboradores compreendem a conexão entre suas tarefas diárias e os objetivos estratégicos da organização. Ao disponibilizar indicadores de desempenho de forma transparente e acessível, o BI favorece a criação de uma cultura em que cada colaborador percebe sua contribuição no alcance da visão organizacional.
Nas redes de franquias, essa dinâmica é ainda mais relevante, pois envolve a articulação entre franqueados, gestores e colaboradores distribuídos em diferentes localidades. O uso de BI como ferramenta de feedback contínuo permite identificar falhas operacionais, reconhecer conquistas e propor melhorias em tempo real, fortalecendo a confiança entre franqueador e franqueado e consolidando o sentimento de pertencimento coletivo.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A análise realizada ao longo deste estudo permitiu compreender que a Inteligência de Negócios representa muito mais do que um recurso tecnológico: trata-se de um elemento estruturante para a gestão moderna das redes de franquias. Ao longo do trabalho, verificou-se que o franchising brasileiro mantém trajetória de crescimento expressivo, consolidando-se como um dos setores mais dinâmicos da economia nacional. Tal expansão, contudo, exige práticas de gestão cada vez mais qualificadas, capazes de alinhar padronização, eficiência e engajamento humano em larga escala.
Os resultados evidenciaram que o Business Intelligence pode atuar como alicerce fundamental para sustentar esse crescimento. Por meio da coleta, análise e interpretação de dados, o BI possibilita decisões mais assertivas, reduz falhas de execução e oferece transparência na comunicação entre franqueadores e franqueados. Quando incorporado de forma estratégica, transforma-se em instrumento de coesão organizacional, fortalecendo tanto a identidade da marca quanto a capacidade de adaptação às demandas regionais.
Outro ponto relevante que emergiu da discussão foi a importância de resgatar os fundamentos da gestão. A tecnologia, por mais sofisticada que seja, não substitui a disciplina administrativa, o planejamento estruturado e a clareza de processos. O retorno ao essencial, simbolizado pela ideia de back to basics, reforça que a verdadeira transformação só ocorre quando os pilares básicos estão consolidados. Nesse sentido, a combinação entre fundamentos sólidos e ferramentas analíticas modernas constitui o caminho mais consistente para o desenvolvimento sustentável das redes de franquias.
Também ficou claro que o engajamento das equipes é um fator determinante. O uso de BI não apenas fornece indicadores de desempenho, mas também cria condições para que colaboradores compreendam seu papel no alcance dos objetivos organizacionais. Essa visão de pertencimento contribui para fortalecer a motivação coletiva e ampliar a produtividade, assegurando a continuidade da expansão do setor.
Por fim, conclui-se que a Inteligência de Negócios, quando aplicada de forma estratégica e sustentada por uma cultura de gestão madura, é capaz de elevar a performance das redes de franquias a um novo patamar. Este estudo contribui para reforçar que a combinação entre dados, disciplina gerencial e engajamento humano constitui a base sobre a qual se edificam organizações resilientes, inovadoras e competitivas.
RECOMENDAÇÕES E PESQUISAS FUTURAS
A partir das análises realizadas, torna-se possível propor recomendações práticas para gestores de franquias e, ao mesmo tempo, sugerir caminhos de investigação acadêmica que possam ampliar a compreensão sobre a Inteligência de Negócios no contexto do franchising.
RECOMENDAÇÕES PRÁTICAS PARA GESTORES DE FRANQUIAS
Os resultados demonstraram que a Inteligência de Negócios deve ser incorporada como parte integrante da cultura organizacional e não apenas como ferramenta de suporte. Nesse sentido, recomenda-se que os gestores invistam em três frentes complementares. Em primeiro lugar, a capacitação de equipes, de modo a garantir que os colaboradores compreendam o valor dos dados e utilizem corretamente os sistemas de análise. Em segundo lugar, a padronização de indicadores de desempenho, assegurando que todas as unidades da rede operem sob as mesmas métricas, mas com espaço para adaptações regionais. Em terceiro lugar, a integração dos sistemas de BI às decisões estratégicas, de forma que os dados coletados não sejam apenas consultivos, mas guiem de fato os rumos da organização.
É igualmente importante que o franqueador adote postura de liderança no processo de transformação digital. A centralização das informações deve ocorrer sem eliminar a autonomia local, criando um equilíbrio entre diretrizes globais e flexibilidades regionais. Tal postura aumenta a coesão da rede e fortalece a identidade corporativa, aspectos essenciais para marcas que buscam expandir de forma sustentável.
RECOMENDAÇÕES PARA A COMUNIDADE ACADÊMICA
O presente estudo abre espaço para novas pesquisas que possam aprofundar a discussão sobre a aplicação de Business Intelligence no franchising. Pesquisas de campo com gestores e franqueados poderiam revelar percepções sobre os benefícios e desafios da adoção de BI em diferentes segmentos, além de identificar barreiras culturais e estruturais à sua implementação.
Outra possibilidade de investigação envolve estudos comparativos entre redes de franquias brasileiras e internacionais, permitindo avaliar de que forma a maturidade digital influencia a competitividade em diferentes contextos econômicos. Estudos longitudinais também se mostram pertinentes, já que podem acompanhar a evolução do uso de BI em franquias ao longo do tempo, identificando impactos concretos na lucratividade, na fidelização de clientes e no engajamento das equipes.
PESQUISAS FUTURAS
As recomendações aqui apresentadas reforçam que a Inteligência de Negócios, para além de uma ferramenta tecnológica, deve ser vista como estratégia de gestão. Gestores que compreenderem esse princípio estarão mais preparados para enfrentar a complexidade do mercado, enquanto pesquisadores encontrarão nesse campo fértil oportunidades para ampliar o conhecimento acadêmico. O diálogo entre prática e teoria será, portanto, essencial para que as redes de franquias se consolidem como modelos de negócios cada vez mais inovadores, resilientes e competitivos.
REFERÊNCIAS
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE FRANCHISING. Pesquisa de desempenho do setor de franquias 2023. São Paulo: ABF, 2023.
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