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Resumo
INTRODUÇÃO
Atualmente, a área da Educação tem apresentado mudanças importantes, entre elas ações que ampliam conhecimentos e formas de aprender e se relacionar. Nas praxes adotadas pelas unidades escolares, destacam-se as relações interpessoais, que podem influenciar de modo positivo ou negativo o trabalho coletivo ou individual e como consequência a aprendizagem dos alunos. Os relacionamentos interpessoais acontecem em diferentes ambientes, como casa, escola e trabalho. Particularmente na escola, que é um espaço social, fundamental para formar os indivíduos, as pessoas se relacionam entre si e em grupo. Estudar a postura de cada pessoa, as relações interpessoais e a conexão entre família e escola podem contribuir para aprimorar o processo de ensino e aprendizagem.
Muitas vezes, há problemas nos relacionamentos interpessoais e emocionais dentro das instituições, o que pode dificultar seu funcionamento e o desenvolvimento de todos os envolvidos. E quando se trata de relações entre indivíduos que continuamente tratam de normas e diretrizes institucionais, se torna mais importante que a interação seja mais harmônica, considerando sempre o trabalho coletivo.
Assim, a influência das relações interpessoais na função do supervisor escolar é um aspecto fundamental para o sucesso da gestão educacional. No ambiente escolar, as interações entre o supervisor, professores, equipe administrativa e demais membros da comunidade escolar desempenham um papel importante na criação de um clima de trabalho positivo e colaborativo. Essas relações impactam diretamente na motivação, na comunicação e na resolução de conflitos, contribuindo para um ambiente mais harmonioso e eficiente. Compreender como as relações interpessoais afetam a atuação do supervisor escolar é essencial para promover práticas de liderança mais eficazes e, assim, melhorar a qualidade do ensino e o desenvolvimento de toda a comunidade escolar.
RELACIONAMENTO INTERPESSOAL
Ao conceber a formação da individualidade como processo social, Vigotski, (2000) considera que o modo de ser de um sujeito é influenciado pela relação que ele estabelece com os outros. Ele afirma que “Através dos outros constituímo-nos”. Assim, um ambiente se harmoniza conforme as relações interpessoais dos indivíduos daquele grupo.
Chiavenato (2010) define que a relação interpessoal é uma vertente importante para a administração participativa, na qual o comportamento humano possibilita o trabalho em equipe, a confiança e a real participação das pessoas na atividade a ser desenvolvida.
Segundo de Oliveira, C. R. L. S. (2019), “A relação interpessoal, segundo a psicologia, é a capacidade de relacionar ou conviver com outras pessoas, com diferentes comportamentos pessoais e sociais. Se o homem é um ser relacional, a relação interpessoal significa vínculo ou conexão entre duas ou mais pessoas dentro de um determinado contexto.”
“A partir do momento em que conhecemos a nós mesmos, o processo de comunicação interpessoal com outras pessoas ao nosso redor, principalmente nos ambientes de trabalho, que é onde surgem grandes amizades, solução para diversos problemas e a união se fortalece. A autora afirma que se os sentimentos gerados pela convivência forem positivos, o nível das tarefas a serem realizadas será facilitado levando a uma boa produtividade. Entretanto, se o sentimento gerado não for positivo, as tarefas a serem realizadas passam a sofrer os efeitos, gerando insatisfação, desagrados, antipatia e aversão.” (De Oliveira, 2019)
AS RELAÇÕES INTERPESSOAIS DENTRO DA ESCOLA
O relacionamento interpessoal é um fator indispensável para qualquer organização, prioritariamente para as escolas, devido ao seu caráter formativo e social. Desse modo, a gestão escolar deve priorizar ações e estratégias para promover o desenvolvimento de um bom clima organizacional nas escolas. (Silva, 2023)
“A escola é um ambiente de trabalho no qual se estabelecem diversas relações interpessoais, tendo em vista que a educação, objeto de trabalho escolar, é um processo coletivo e não individual. Decorrente dessas relações podem e devem haver conflitos. Então, conflitos não são sempre negativos, pelo contrário, são alavancas para ir-se à frente. Surgem em meio às relações interpessoais estabelecidas na escola, devido as causas mais variadas, posto que o trabalho compele os sujeitos a conviverem”
Segundo Silva, (2001) o clima de uma escola é o conjunto de efeitos subjetivos percebidos pelas pessoas, quando interagem com a estrutura formal, bem como o estilo dos administradores escolares, influenciando nas atitudes, crenças, valores e motivação dos professores, alunos e funcionários.
O relacionamento interpessoal é um fator indispensável para qualquer organização, prioritariamente para as escolas, devido ao seu caráter formativo e social. Desse modo, a gestão escolar deve priorizar ações e estratégias para promover o desenvolvimento de um bom clima organizacional nas escolas. (Silva, 2023)
Se uma organização diz respeito a um grupo social com características particulares onde se tem papéis definidos e atribuídos a cada indivíduo que é responsável por desenvolvê-lo, logo, a escola é uma organização que tende sempre a buscar a garantia do funcionamento com o bom relacionamento dos elementos que a compõem. (De Oliveira, 2019)
Considerando a importância das relações interpessoais, para que ele floresça de forma saudável dentro de uma organização escolar, é fundamental reconhecer o papel do gestor. Ele é o elemento-chave que influencia diretamente o alcance da missão educativa da escola, atuando na tomada de decisões, na organização e na coordenação tanto das atividades administrativas quanto pedagógicas. Além disso, o gestor promove a integração entre os diferentes setores, adotando uma gestão que valoriza a qualidade do trabalho realizado, o crescimento dos alunos e o desenvolvimento contínuo de todos os profissionais que fazem parte da escola. Dessa forma, a liderança eficaz contribui para criar um ambiente mais harmonioso, produtivo e focado no sucesso de toda a comunidade escolar.
A IMPORTÂNCIA DAS RELAÇÕES INTERPESSOAIS NA ATUAÇÃO DO SUPERVISOR ESCOLAR
Segundo, Carlos, et al (2012), o contexto educacional passou por várias transformações no decorrer dos anos, nos dias atuais a Escola ainda presencia certos paradigmas e/ou concepções tradicionais bem explícitas que acabam interferindo no processo pedagógico. Um desses dilemas diz respeito à concepção de supervisão, e consequentemente ao relacionamento entre o supervisor e o professor. Pode-se dizer que o orientador educacional é concebido como um “fiscal”, um “investigador”, ou até mesmo um “juiz”; que determina o que pode e/ou que deve ser feito. Diante dessa tal situação, o professor se sente desamparado, desprovido de auxílio, de trocas de experiências e/ou vivências. Assim, a presença do supervisor acaba se tornando um incômodo.
Essa situação, pode prejudicar o clima de colaboração e confiança na escola. Para melhorar essas relações, é fundamental que o Supervisor Escolar adote uma postura mais acolhedora, de parceria e apoio, promovendo um ambiente onde os professores se sintam valorizados e encorajados a compartilhar suas vivências. Fortalecer as relações interpessoais pode contribuir para um processo pedagógico mais positivo e eficaz, beneficiando toda a comunidade escolar.
É de relevância o fato de que o supervisor escolar atue com visão coletiva, mostrando a importância (que detêm as relações interpessoais) aos professores, alunos e a todos os indivíduos que fazem parte da comunidade escolar. Para isso é importante que tal profissional detenha as habilidades de olhar, ouvir, falar e cuidar. Somente assim, o planejamento será, de fato, coletivo. de relevância o fato de que o supervisor escolar atue com visão coletiva, mostrando a importância (que detêm as relações interpessoais) aos professores, alunos e a todos os indivíduos que fazem parte da comunidade escolar. Para isso é importante que tal profissional detenha as habilidades de olhar, ouvir, falar e cuidar. Somente assim, o planejamento será, de fato, coletivo, (Souza, et al, 2017).
As relações interpessoais desempenham um papel importante na atuação do supervisor escolar. Com a responsabilidade de orientar, apoiar e coordenar a equipe pedagógica e administrativa, é essencial que mantenha uma comunicação aberta, respeitosa e empática com todos os membros da comunidade escolar. Quando o supervisor consegue estabelecer boas relações com professores, funcionários, alunos e pais, cria um ambiente de confiança e colaboração, o que facilita a implementação de ações, a resolução de conflitos e o alcance de metas comuns.
O trabalho em equipe é essencial para alcançar os objetivos e metas previstas, embora muitos ainda não valorizem o trabalho coletivo. Dessa forma, é necessário que o supervisor proponha estratégias, objetivos definidos, uma comunicação eficaz, feedbacks constantes e liderança compartilhada, para um relacionamento de respeito e democrático no ambiente escolar, criando assim, boas condições de trabalho e um bom clima relacional, (Carlos, 2012).
Além disso, relações interpessoais positivas ajudam o supervisor a entender melhor as necessidades e dificuldades de cada pessoa, promovendo um clima de respeito mútuo e motivação. Essa conexão emocional e profissional contribui para o fortalecimento do trabalho em equipe, melhora o clima escolar e, consequentemente, impacta positivamente na qualidade do ensino e no desenvolvimento de toda a comunidade escolar.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
As relações interpessoais desempenham um papel fundamental na gestão escolar, pois criam um ambiente de colaboração, respeito e confiança entre todos os envolvidos na comunidade escolar. Quando gestores, professores, funcionários, alunos e pais mantêm uma comunicação aberta e empática, fica mais fácil enfrentar desafios, tomar decisões conjuntas e promover um clima positivo de aprendizagem. Além disso, boas relações interpessoais contribuem para o desenvolvimento de uma cultura escolar mais inclusiva e motivadora, onde todos se sentem valorizados e engajados. Investir na construção de vínculos saudáveis é, portanto, essencial para o sucesso e o bem-estar de toda a comunidade escolar.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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BRENNER, Carmen Eloísa Berlote; FERREIRA, Liliana Soares. Trabalho pedagógico, gestão e as relações interpessoais na escola. Revista Iberoamericana de Educación, [S. l.], v. 82, n. 2, p. 47–63, 2020. DOI: 10.35362/rie8223628. Disponível em: https://rieoei.org/RIE/article/view/3628. Acesso em: 9 jul. 2025.
CARLOS, Jociane Aparecida; LODI, Ivana Guimarães. A prática pedagógica em supervisão escolar: a importância da inter-relação entre o supervisor pedagógico e o corpo docente. Revista Evidência, v. 8, n. 8, 2012.
CHIAVENATO, I. Iniciação à Teoria das Organizações. São Paulo: Manole, 2010
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SILVA, Jerônimo Jorge Cavalcante. Gestão escolar participada e clima organizacional. Gestão em ação, Salvador, v. 4, n. 2, p. 49-59, 2001.
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SOUZA, Mariana Barbosa de et al . Desafios da supervisão escolar: o papel do supervisor escolar no planejamento participativo-escolar. Conjectura: filos. e Educ., Caxias do Sul , v. 22, n. 3, p. 482-499, dez. 2017 . Disponível em http://educa.fcc.org.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2178-46122017000400482&lng=pt&nrm=iso.Acessos em 20 abr. 2025. https://doi.org/10.18226/21784612.v22.n3.5.
VIGOTSKI, L. S. Manuscrito de 1929. Educação & Sociedade, Campinas, ano XXI, n. 71, p. 21-44, jul. 2000.
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