O ensino e aprendizagem e a produção textual no ensino fundamental

TEACHING AND LEARNING AND TEXT PRODUCTION IN ELEMENTARY EDUCATION

ENSEÑANZA Y APRENDIZAJE Y PRODUCCIÓN DE TEXTOS EN EDUCACIÓN PRIMARIA

Autor

URL do Artigo

https://iiscientific.com/artigos/1A4652

DOI

doi.org/10.63391/1A4652

Santos, Maria Erisvânia Rodrigues dos . O ensino e aprendizagem e a produção textual no ensino fundamental. International Integralize Scientific. v 5, n 51, Setembro/2025 ISSN/3085-654X

Resumo

Este trabalho consiste no estudo o ensino e aprendizagem e a produção textual no ensino fundamental, contendo a introdução, a produção textual e a importância no ensino e aprendizagem, a produção textual no contexto dos anos iniciais do ensino fundamental, a produção textual no contexto dos anos finais do ensino fundamental, propostas para ajudar na resolução da problemática e conclusões. Dessa comprenndendo a importância da produção textual para a vida acadêmica dos discentes, como também para a vida social. Analisando da prática de escrita para o ensino fundamental, na base nacional curricular comum (BNCC), investigando-se, habilidades e refletindo-se sobre o processo de ensino e aprendizagem.
Palavras-chave
produção textual; ensino fundamental; aprendizagem.

Summary

This work consists of the study of teaching and learning and textual production in elementary school, containing the introduction, textual production and its importance in teaching and learning, textual production in the context of the initial years of elementary school, textual production in the context of the final years of elementary school, proposals to help solve the problem and conclusions. From this understanding the importance of textual production for the academic life of students, as well as for social life. Analyzing the writing practice for elementary school, in the common national curriculum base (BNCC), investigating skills and reflecting on the teaching and learning process.
Keywords
textual production; elementary education; learning.

Resumen

Este trabajo consiste en el estudio de la enseñanza-aprendizaje y la producción textual en la educación primaria, conteniendo la introducción, la producción textual y su importancia en la enseñanza-aprendizaje, la producción textual en el contexto de los años iniciales de la educación primaria, la producción textual en el contexto de los años finales de la educación primaria, propuestas para ayudar a resolver el problema y conclusiones. Comprendiendo así la importancia de la producción textual para la vida académica de los estudiantes, así como para su vida social. Analizar la práctica de escritura para la educación primaria, en la base curricular nacional común (BNCC), investigando habilidades y reflexionando sobre el proceso de enseñanza y aprendizaje.
Palavras-clave
producción textual; educación primaria; aprendizaje.

INTRODUÇÃO

Este artigo traz a escrita como prática de fundamental importância para uma compreensão do conhecimento. Sob esse viés, o trabalhar no desenvolvimento da habilidade textual do aluno é fazer desse indivíduo um sujeito capaz de reproduzir realidades através da escrita. Destacando que escrever vai muito além de dominar códigos linguísticos, envolve umas práxis apurada na escolha das palavras, na clareza das ideias e na utilização dos elementos coesivos responsáveis pela costura do texto. Apenas com essas habilidades, pode-se qualificar o aluno e considerá-lo como um escritor competente capaz de registrar no papel conceitos e ideias subjetivas de forma mais clara possível.

À princípio, entende-se como escolarizado as pessoas que se comuniquem por escrito a respeito de todas as situações sociais fazendo uso das diferentes modalidades do discurso. Onde um bom escritor quando alcançar a convicção de que, ao escrever, ele pode expressar ideias, transmitir conceitos, provocar nas pessoas com sua produção escrita um redemoinho de sensações, é pela aquisição da escrita que o sujeito se torna apto para desempenhar seu papel na sociedade, exercer sua cidadania, fazer-se ouvir e ter seus direitos respeitados, pois, junto com a escolaridade, surge também a criticidade, fator social de grande valia ao ser humano.

A escrita é uma forma do ser humano se comunicar, mas também uma maneira de transformar o cidadão. Assim, a produção de textos desde dos mais pequenos, simples aos mais grandes e complexos é de grande importância para o ser humano e consequente para o cidadão. Destacar que a escola tem um papel fundamental nesse processo de produção textual. 

É incontestável a importância da escrita na sociedade atual, então saber escrever é muito mais que saber colocar no papel os códigos da língua portuguesa, é ter a oportunidade de ingressar num mundo infinito de interações e participar de práticas discursivas que constituem o mundo como o próprio sujeito. Além disso, se sentir parte integrante da sociedade e sujeito de suas próprias ações, expondo pensamentos, comunicando-se com os outros, desenvolvendo, a cada interação, seu potencial de socialização.

O objetivo geral deste trabalho é fundamentar a realização de entender a importância da produção de texto dentro do ensino e aprendizagem no ensino fundamental. Já os objetivos específicos são: compreender a importância da produção de texto dentro do ensino e aprendizagem; entender as habilidades que contemplem o ensino da produção de textos do ensino fundamental anos iniciais e finais, analisar as principais dificuldades, propor ações de melhorias.

A justificativa se configura que a produção textual é considerada um dos pilares do ensino e aprendizagem, enquanto que a metodologia se fundamenta em uma pesquisa bibliográfica, utilizando as leituras de trabalhos acadêmicos sobre o tema, pesquisas na internet, artigos, revistas, documentos oficiais entre outros, como também realizando argumentações e discussões. Realizando uma revisão literária, onde o foco principal foi buscar contribuições de diversos autores e estudiosos que pesquisam sobre o tema, e os subtemas que contemplam o mesmo.

A problemática abordada constitui-se na dificuldade de muitos alunos no que se refere à aprendizagem de produção textual dentro do ensino fundamental, gerando uma grande perda para o mesmo dentro do processo de ensino. 

Em suma, a prática da escrita como prática social tem se tornado um desafio para a educação brasileira atualmente, principalmente se tratando de educação básica na etapa do ensino fundamental.

A PRODUÇÃO TEXTUAL E A IMPORTÂNCIA NO ENSINO E APRENDIZAGEM 

A produção textual está compreendida em todo o contexto educacional, tanto o texto oral quanto o escrito possuem especificidades que os descrevem de acordo com o grau de complexidade de cada um, a escola de fato tem o papel de proporcionar no ensino da língua portuguesa métodos que tratam do sentido, do para quê e o porquê estudar essa área do conhecimento, e demonstrar que esse conhecimento vai além das normas e regras predeterminadas pela gramática tradicional. Um conhecimento que seja regrado na praticidade dos elementos que constitui esse estudo, que mostra outras faces e pontos de vistas que direcionam esse ensino para práticas que vão além do ler e escrever bem. Então essa linguagem deve ter um cuidado à parte e uma grande dedicação, tanto pelos educadores com o papel de transmitir o conhecimento de forma adequada e ensiná-los, como os educandos no que se refere ao interesse e ao esforço. Dessa forma:

Considero a produção de textos (orais e escritos) como ponto de partida (e ponto de chegada) de todo processo de ensino/aprendizagem da língua. E isto não apenas por inspiração ideológica e devolução do direito à palavra às classes desprivilegiadas, para delas ouvirmos a história, contida e não contada, da grande maioria que hoje ocupa os bancos escolares. Sobretudo, é porque no texto que a língua – objeto de estudos – se revela em sua totalidade quer enquanto discurso que remete a uma relação intersubjetiva no próprio processo de enunciação marcada pela temporalidade e suas dimensões. (Geraldi, 1997, p. 135).

Na atualidade percebe-se em muitos alunos de fundamental dos anos iniciais e anos finais nas práticas escritas, repetições, palavras não articuladas, falta de coesão e coerência no contexto textual, bastantes erros em relação à pontuação e a escrita, prejudicando a compreensão do texto. Assim, fazer algumas interrogações, quando o aluno produz textos com qualidade de ter uma organização textual voltada a informações adquiridas no cotidiano, os textos escolhidos e apresentados em sala de aula são significativos para a realidade dos alunos, as crianças tem uma tendência a escrever da maneira como fala e dar-se por satisfeita por atender suas necessidades comunicativas entre outros motivos que justificam muitos alunos terem uma produção de texto fragmentada sem compreensão e interpretação. 

As dificuldades de aprendizagens, da escrita é um problema enfrentado por muitos alunos que frequentam as escolas públicas e privada no Brasil, estas dificuldades, comprometem de forma significativa a trajetória estudantil. Assim:

(…) é próprio da linguagem seu caráter interlocutivo. A língua é o meio privilegiado de interação entre os homens. Em todas as circunstâncias em que se fale ou se escreva há um interlocutor. O monólogo, não é mais, do que uma situação comunicativa, em que o locutor elege a si mesmo interlocutor. O interlocutor pode ser real ou imaginário, individual ou coletivo. (Geraldi, 2007, p. 118). 

A escrita consolidada na vida de uma pessoa possibilita um futuro promissor, além do crescimento educacional, social, intelectual e cultural. É por isso que essa temática deve ter um cuidado especial e uma grande dedicação, tanto pelos docentes com a função de transmitir o conhecimento de forma adequada e ensiná-los, como os discentes possam ter interesse e esforço.   

Destacar escrever significa falar, se expressar sobre o papel, sendo um requisito obrigatório para a formação de um cidadão, dessa forma, a escrita existe na interação das pessoas de diferentes regiões e é através dos registros escritos que ocorre a comunicação. 

(…) texto, em sentido lato, designa toda e qualquer manifestação da capacidade textual do ser humano, (quer se trate de um poema, quer de uma música, uma pintura, um filme etc.), isto é, qualquer tipo de comunicação realizado através de um sistema de signos. Em se tratando da linguagem verbal, temos o discurso, atividade comunicativa de um falante, numa situação de comunicação dada, englobando o conjunto de enunciados produzidos pelo locutor e o evento de sua enunciação. O discurso é manifestado, linguisticamente, por meio de textos (sentido estrito). Neste sentido, o texto consiste em qualquer passagem, falada ou escrita, que forma um todo significativo, independente de sua extensão. 19 Trata-se, pois, de uma unidade de sentido, de um contínuo comunicativo contextual que se caracteriza por um conjunto de relações responsáveis pela tessitura do texto – os critérios ou padrões de textualidade, dentre os quais merecem destaque especial a coesão e a coerência. ão mundialmente. (Fávero e Koch, 1998, p. 25).

Torna-se extremamente importante produzir textos, assim, também exercita mente, a coordenação motora e a escrita, mostrar também, que ainda é numerosa a quantidade de alunos do ensino fundamental que não conseguem elaborar um texto coerente, considerando que o aluno ainda encontra grandes dificuldades na escrita.    

É necessário compreender e produzir uma grande variedade de textos, atendendo os conhecimentos gramaticais, normativos e ortográficos em função da aprimorando de suas práticas sociais de linguagem, utilizando se padrões que os organizam e seus contextos de produção e recepção. 

A produção escrita serve de importante recurso no processo de aprendizagem do aluno, uma vez que produzindo textos, discente deixa de exercer um papel passivo, de leitor, para atuar ativamente como autor, declarando suas ideias através dessa linguagem escrita. Destacando que a produção escrita serve de importante recurso no processo de aprendizagem do aluno, uma vez que produzindo textos, o estudante deixa de exercer um papel passivo, de leitor, para atuar ativamente como autor, expressando suas ideias através dessa linguagem escrita. 

Assim, produzindo textos o estudante tem a possibilidade de expressar suas ideias com mais clareza, efetividade e fluidez, o que permitirá que esse sujeito alcance resultados significativos em várias áreas da vida.

A PRODUÇÃO TEXTUAL NO CONTEXTO DOS ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL

Inserir a criança no mundo letrado por meio de sistemas de escrita, é indispensável para que haja o entendimento dos símbolos, para alcançar o domínio da leitura e escrita, sendo essencial a escola participar do processo de aquisição da escrita, dando base para que o docente mediar este processo.

Alfabetizar, por sua vez, é um dos processos mais complexos na educação, para que o aluno se torne habilitado a ler e interpretar é preciso que se aproprie dos processos de linguagem de maneira que o viabilize a construção de conhecimento.

A aquisição da escrita é uma temática muito discutida na área da educação pelo motivo de ser muito importante na vida do cidadão, já que este está inserido em uma sociedade em que a escrita é uma das formas de comunicação mais utilizada, destacando que a maior parte do conhecimento produzido atualmente é divulgada na forma escrita. Cavazott coloca:

O processo inicial de apropriação da língua escrita assume, nos primeiros níveis de educação escolar, um papel fundamental ao instrumentalizar a criança para a inserção na cultura letrada. Além disso, cria as condições de operações mentais do aprendiz, que o capacita à apreensão progressiva dos conceitos mais elaborados, resultam no desenvolvimento das formas sociais de produção de sua sociedade. (Cavazott, 2004, p.19)

A aprendizagem da escrita acontece fundamentalmente durante a infância, entretanto a produção de textos não é inserida na vida escolar dos alunos nas séries iniciais o que muitas vezes resulta nas dificuldades enfrentadas pelos mesmos nesse momento, o que está ligado ao processo mecânico que muitos docentes utilizam até hoje, a criança primeiro aprende a ler e a escrever, depois a produzir textos. Desta forma, acredita-se que o ensino de produção de textos não deve ser pensado como posterior a formação do leitor, muito pelo contrário, a produção escrita de textos enquanto habilidade exige treinamento e deve ser ensinada simultaneamente a leitura.

Realmente compreende-se que o ensino da produção escrita está diretamente ligado ao ensino da leitura, uma vez que na medida em que os alunos são apresentados aos diferentes gêneros de textos, estes devem ser preparados para compreender e produzir tais gêneros. Luria cita:

[…] o desenvolvimento da escrita na criança prossegue ao longo de um caminho que podemos descrever como a transformação de um rabisco não diferenciado para um signo diferenciado. Linhas e rabiscos são substituídos por figuras e imagens, e estas dão lugar a signos. Nesta sequência de acontecimentos está todo o caminho do desenvolvimento da escrita, tanto na história da civilização como no desenvolvimento da criança. (Luria, 1988, p. 161, apud Bordignon; Paim, 2015, p.9)

Considerando que os anos iniciais do ensino fundamental estão dentro do ciclo de alfabetização, que atualmente compreender até o segundo ano dessa etapa do ensino, sendo essa fase considerada uma das mais importantes do ensino e aprendizagem, onde os alunos constroem a base do conhecimento, é nela onde se começa a construção das habilidades necessárias para a produção textual. Dessa forma, a BNCC, refere se:

(EF15LP05) Planejar, com a ajuda do professor, o texto que será produzido, considerando a situação comunicativa, os interlocutores (quem escreve/para quem escreve); a finalidade ou o propósito (escrever para quê); a circulação (onde o texto vai circular); o suporte (qual é o portador do texto); a linguagem, organização e forma do texto e seu tema, pesquisando em meios impressos ou digitais, sempre que for preciso, informações necessárias à produção do texto, organizando em tópicos os dados e as fontes pesquisadas. (EF15LP06)  Reler e revisar o texto produzido com a ajuda do professor e a colaboração dos colegas, para corrigi-lo e aprimorá-lo, fazendo cortes, acréscimos, reformulações, correções de ortografia e pontuação. (EF15LP07) Editar a versão final do texto, em colaboração com os colegas e com a ajuda do professor, ilustrando, quando for o caso, em suporte adequado, manual ou digital. (EF15LP08) Utilizar software, inclusive programas de edição de texto, para editar e publicar os textos produzidos, explorando os recursos multissemióticos disponíveis. (Brasil, 2018, p.69).

A educação tratada no âmbito escolar depara-se com dificuldades em relação à aprendizagem escrita, principalmente nas séries do ensino fundamental menor, principalmente no quarto e quinto ano, quando o aluno está prestes a chegar no ensino fundamental anos finais, onde os desafios do professor passam a ser maior com aqueles alunos, passando a ser uma questão a ser vista com muito cuidado por autoridades quando se referi a educação de muitos alunos que têm dificuldades no aprendizado escolar. 

Fazer com que o aluno consiga superar esse problema, muitas vezes causados por déficits cognitivos, físicos e, ou afetivos, representa a investigação, a finalidade, de muitos dos profissionais que acreditam no construir, nas superações que o processo educativo pode proporcionar. 

Os problemas na escrita são referentes às dificuldades no desenvolvimento das habilidades da escrita chamada de disgrafia e, pode ir desde erros na soletração até erros na sintaxe, estruturação ou pontuação das frases, ou na organização de parágrafos. Garcia, fala: 

Dificuldade de Aprendizagem (D.A.) é um problema que está relacionado a uma série de fatores e podem se manifestar de diversas formas como: transtornos, dificuldades significativas na compreensão e uso da escuta, na forma de falar, ler, escrever, raciocinar e desenvolver habilidades matemáticas. Esses transtornos são inerentes ao indivíduo, podendo ser resultantes da disfunção do sistema nervoso central, e podem acontecer ao longo do período vital. Podem estar também associados a essas dificuldades de aprendizagem, problemas relacionados as condutas do indivíduo, percepção social e interação social, mas não estabelecem, por si próprias, um problema de aprendizagem. (García, 1998, p. 32).

Dessa forma, os problemas relacionados às dificuldades de aprendizagem escolar dos alunos, referente á escrita é uma situação preocupante para os professores que atuam no ensino fundamental anos iniciais. Tais dificuldades são percebidas, via de regra, nas crianças que não tem um bom rendimento escolar em uma ou mais áreas de conhecimento, mostrando problemas na: expressão oral, compreensão oral, expressão escrita com ortografia apropriada, desenvoltura básica de leitura, compreensão da leitura, cálculo matemático português, entre outras.

A PRODUÇÃO TEXTUAL NO CONTEXTO DOS ANOS FINAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL

O conhecimento textual é um elemento do designado conhecimento prévio, que abrange um papel importante na compreensão e produção de textos. É ele que oportuniza ao leitor reconhecer as diversas estruturas textuais como narração, descrição, argumentação e os diferentes tipos de discursos, que são fundamentais na determinação de suas expectativas em relação aos textos e consequentemente a sua compreensão e produção. 

Na escrita nos anos finais do ensino fundamental, os discentes devem dominar esse componente, para chegarem ao ensino médio com uma boa base de habilidades necessárias. Dessa forma:

Admitindo como certo que não existem textos escritos ou orais, totalmente explícitos, e que o texto se constitui de um conjunto de pistas destinadas a orientar o leitor na construção do sentido; e, mais ainda, que para realizar tal construção, ele terá de preencher lacunas, formular hipóteses, testá-las […] tudo isso por meio de inferenciamentos que exigem a mobilização de seus conhecimentos prévios de todos os tipos, dos conhecimentos pressupostos e partilhados, do conhecimento da situação comunicativa, do gênero textual e de suas exigências, a compreensão terá de dar-se de forma não-linear.(Koch, 2003, p. 62)

O domínio da língua escrita é fundamental para a participação social efetiva, portanto é através dela que o homem se comunica, tem acesso à informação, expressões e defende pontos de vista, partilha ou constrói visões de mundo, produz conhecimentos.

A maioria dos estudantes chega ao final do ensino médio sem a menor noção sobre como fazer um resumo ou resenha, uma explicação, uma definição, um artigo, muitos não sabem escrever uma carta para que o aluno seja um bom escritor é preciso que ele seja também um bom leitor. A habilidade de fazer perguntas importantes e de saber onde encontrar as respostas no texto depende do conhecimento, do tipo de material envolvido, e da finalidade específica da leitura. Assim:

[…] o texto é visto como um produto- lógico – do pensamento (representação mental do escritor. A escrita, assim, é entendida como uma atividade por meio da qual aquele que escreve expressa seu pensamento, suas intenções, sem levar em conta as experiências e os conhecimentos do leitor ou a interação que envolve nesse processo. (Koch; Elias, 2018, p. 33).

Sob esse prisma, a produção textual e a forma como a escrita é concebida/trabalhada na escola é essencial que a compreender como um processo que demanda tempo para realização e uma prática sistematizada.

A BNCC tem a incumbência de complementar o documento da educação os PCNs, tendo em vista que eles dão origem às principais diretrizes a serem prezadas no ensino da produção de texto escrita, e a BNCC, por sua vez, foca no conteúdo a ser aplicado e, por isso, mantém seu foco nas habilidades a serem exploradas e objetos de conhecimento indispensáveis para a realização da atividade. O documento afirma precisamente que no ensino de LP a centralidade deve ser o texto, portanto, além de ler e compreender uma produção escrita, os alunos devem saber como realizá-las e precisa, também, perceber quais são os contextos de produção de cada composição para que dessa forma consigam exercer papel ativo na sociedade. 

Além disso, como nos outros eixos disponíveis na BNCC, o de produção de texto deve ser ensinado mediante os campos de atuação: jornalístico-midiático, atuação na vida pública, artístico literário e práticas de estudo e pesquisa, já que permitem o desenvolvimento das práticas de linguagens de modo vinculado à realidade.

O Eixo da Produção de Textos compreende as práticas de linguagem relacionadas à interação e à autoria (individual ou coletiva) do texto escrito, oral e multissemiótico, com diferentes finalidades e projetos enunciativos como, por exemplo, construir um álbum de personagens famosas, de heróis/heroínas ou de vilões ou vilãs; produzir um almanaque que retrate as práticas culturais da comunidade; narrar fatos cotidianos, de forma crítica, lírica ou bem-humorada em uma crônica; comentar e indicar diferentes produções culturais por meio de resenhas ou de playlists comentadas; descrever, avaliar e recomendar (ou não) um game em uma resenha, gameplay ou vlog. (Brasil, 2018, p. 76).

Dessa forma, a BNCC propõe que o ensino do texto em sala de aula seja produtivo tanto para o discente, como para o docente, objetivando que seja feito de forma dinâmica e formada por vários elementos, sempre que possível. É importante destacar que, em todo o documento, aponta-se a importância do trabalho com a multimodalidade, compreendida como o uso dos mais diversos recursos comunicativos para a obtenção de conhecimentos, demonstrando uma correlação constante, visto que o ensino, atualmente, tem acompanhado o surgimento das novas mídias, como: discursos digitais, imagens etc. e das enormes possibilidades.

PROPOSTAS PARA AJUDAR NA RESOLUÇÃO DA PROBLEMÁTICA

Como citados em outros tópicos anteriormente, muitos alunos do ensino fundamental anos e iniciais e anos finais possuem grandes dificuldades na produção de texto prejudicando o processo de ensino e aprendizagem em todos os sentidos educacionais.

Para tentar neutralizar os efeitos danosos dessa problemática, que por sinal atinge muitos alunos do ensino fundamental anos iniciais e anos finais, a escola junto com os professores e coordenadores pedagógicos podem desenvolver projetos interdisciplinares, projetos que envolvam a comunidade escolar, que envolva tecnologias, meios digitais e entre outros.

Os textos livres podem desenvolver o hábito e o gosto pela leitura e em função disso possibilitar a reescrita do que se leu. Pode-se dizer que aprender a escrever envolve dois processos paralelos: compreender a natureza do sistema de escrita da língua, os aspectos notacionais e o funcionamento da linguagem que se usa para escrever os aspectos discursivos, entretanto é necessário se colocar que língua escrita e ao distingui-la da fala, muitas vezes os autores consideram a estrutura tradicional de cada uma das modalidades, consideram a escrita em seu nível mais formal, dão primazia às práticas sociais. Fávero afirma:

Ao tratar da fala e da escrita, é preciso lembrar que estamos trabalhando com duas modalidades pertencentes ao mesmo sistema lingüístico: o sistema da Língua Portuguesa, com ênfase diferenciada em determinados componentes desse sistema. (Fávero, et al, 1999:69).  

De forma ampla, o professor antes de tudo tem que ser um conhecedor de seu aluno, oferecendo atividades que possibilitem a formação de opiniões, ajudando o aluno a avançar no processo de linguagem oral e principalmente na escrita. A finalidade é fazer com que um leitor ausente da produção compreenda o que se quis comunicar, esse desafio requer diferentes aprendizagens, faz-se necessário que o aluno encontre sentido no que está lendo. Seguindo esta ordem pode-se analisar a situação do educando na capacidade de perceber que a escrita tem uma função significativa no processo de construção do indivíduo e que só é capaz de desenvolver habilidades, de ler, escrever, falar, como também as capacidades de pensar, analisando sua realidade e interagindo dentro dela, de forma reflexiva e criativa. Conforme Antunes:

Escrever sem saber para quem é, logo de saída, é uma tarefa ineficaz, pois falta referência do outro, a que todo texto deve adequar-se. Como saber se dissemos de mais ou menos? Como avaliar se fomos precisos, se fomos relevantes, se dissemos com palavra certa aquilo que tínhamos a dizer? Sem o outro, do outro lado da linha, não há linguagem. (Antunes, 2003, pág. 46-47)

As atividades de produção e interpretação de uma vasta diversidade de textos orais, de observação de diferentes usos, são imprescindíveis ao diversificar as situações propostas tanto em relação ao tipo de assunto como em relação aos aspectos formais e ao tipo de atividade que demandam, fala, escrita e/ou reflexão sobre a língua. 

Conduzir o aluno a dominar a escrita de forma reflexiva e produtiva para a prática de produção de texto, tornando-o um escritor proficiente, tem se configurado um dos maiores desafios da escola. Entretanto o ensino da escrita, por ser considerado de difícil entendimento para aplicá-lo nas práticas pedagógicas, ainda continua sendo trabalhado de forma tradicional, sem considerar a língua na perspectiva da interação e do texto como enunciado.

Em suma, as orientações de produções textuais devem voltar-se para a observação e análise da língua em uso, produzindo oportunidades para o aluno refletir, construir, considerar hipóteses a partir da leitura e da produção de diversos textos. Logo, é dever do professor identificar as deficiências dos alunos e trabalhar com ética, determinação e metodologias de ensino eficaz, apesar de não possuir materiais necessários ele precisa criar com os que têm. Assim o docente pode se utilizar de novas metodologias de aprendizagem, as chamadas metodologias ativas, para facilitar o processo de ensino e aprendizagem.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Diante deste estudo, entende-se que a produção de texto é imprescindível para o desenvolvimento das habilidades linguísticas do aluno, para codificação e decodificação da linguagem escrita de forma clara e objetiva.

Considerar que o processo de produzir textos não é fácil, alguns têm mais dificuldade do que outros, por este motivo é imprescindível que parta da realidade dos alunos, que escrevam aquilo que conhecem ou para quem conhece, para facilitar o contato com a escrita, para criar mais desafios a fim de avançarem no processo de ensino e aprendizagem. Desse modo, é importante que os docentes conheçam seus alunos, suas especificidades e suas dificuldades, para que todos tenham acesso aos conhecimentos e oportunidades.              

É possível que mesmo os alunos que retratam dificuldades, estes possuem a capacidade de produzir textos, basta que o educador venha a ensinar não posteriormente a aprendizagem da leitura e da escrita, mas juntamente à essa a prática de produção de textos, o que permitirá que estes alunos, posteriormente não venham a apresentar dificuldades no momento de produzir textos.

Deve-se, então, considerar valor real que a escola e os professores possam propiciar instrumentos que suscitam e desenvolvam uma prática de produções de texto bem direcionada, com estratégias de atividades que provoquem e estimulem a criatividade dos alunos, para que estes superem a inércia ou desinteresse na elaboração de seus textos e possam agir como sujeitos críticos capazes de escrever sobre si e sobre o mundo, sendo de fundamental importância que seja desde os anos iniciais os alunos já trabalhem atividades de análise linguística a partir do texto produzido e o compreendam como um produto que precisa ser lapidado. Sendo de preferência, que seja o próprio texto do aluno, para que ele reflita que existem regras que precisam ser cumpridas ao se inscrever. E essas regras, portanto, são apreendidas no trabalho de reescrita textual.

Por fim, a abordagem da produção textual em língua portuguesa na BNCC, é possível notar que o documento tem a preocupação de dividir em campos de estudos os assuntos que parecem ser de maior relevância no âmbito escolar. Apesar de as habilidades e os objetos de conhecimento aparecerem de forma acanhada para as produções de texto, existe, sim, uma articulação entre os campos de atuação, objetos e habilidades, o que permite o ensino-aprendizagem dos jovens.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2018. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/wpcontent/uploads/2023/07/BNCC.pdf. Acesso em: 20 fevereiro de 2025.

BORDIGNON, Lorita Helena Campanholo; WOLFF PAIM, Marilane Maria. O processo de aquisição da escrita pela criança: Dialogando com Alexander Romanovich Luria. In: Educere XII congresso nacional de educação. 2015.

CAVAZOTTI. Maria Auxiliadora. Fundamentos teóricos e metodológicos da alfabetização. Curitiba: IESDE, 2004.

FÁVERO, L. L.; KOCH, I. Linguística textual: introdução. São Paulo: Cortez, 1998.

GARCIA, J.N. Manual de dificuldades de aprendizagem, leitura, escrita e matemática. Porto Alegre: Artes Médicas, 1998.

GERALDI, J. W. (org). Portos de passagem. 4ªed. São Paulo: Martins Fontes, 1997.

__________ A aula como acontecimento. Aveiro, Portugal: Universidade de Aveiro, 2004.

KOCH, Ingedore Grunfeld Villaça; ELIAS, Vanda Maria. Ler e escrever: estratégias de produção textual. 2. ed., 5ª Reimp. São Paulo: Contexto, 2018.

KOCH, I. G. V. A coerência textual.15. ed. São Paulo: Contexto, 2003

___________; Maria Lúcia da Cunha V. de Oliveira Andrade; Zilda Gaspar Oliveira de Aquino. Oralidade e escrita: perspectiva para o ensino de língua materna.São Paulo: Cortez, 1999.

Santos, Maria Erisvânia Rodrigues dos . O ensino e aprendizagem e a produção textual no ensino fundamental.International Integralize Scientific. v 5, n 51, Setembro/2025 ISSN/3085-654X

Referencias

Vivian Caroline Coraucci.
BAILEY, C. J.; LEE, J. H.
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Clinical infectious diseases.
v. 67
n. 7
p. 1208-1216,
2021.
Disponível em: https://academic.oup.com/cid/article/67/7/1208/6141108.
Acesso em: 2024-09-03.

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n. 51
O ensino e aprendizagem e a produção textual no ensino fundamental

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