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Resumo
INTRODUÇÃO
A sociedade contemporânea é marcada por transformações aceleradas, impulsionadas pelo avanço exponencial das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) e, mais recentemente, pelas Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDICs). Essa realidade permeia todos os setores, incluindo o educacional, exigindo uma constante adaptação. As TDICs emergem como instrumentos indispensáveis para transformar práticas pedagógicas e repensar o papel da escola no século XXI.
Desde as últimas décadas, a inserção das TICs no contexto educacional tem sido objeto de intensos debates e reflexões. A necessidade de incorporar essas ferramentas nas práticas pedagógicas tornou-se premente para valorizar e melhorar o processo de ensino-aprendizagem (Nascimento, 2013). Inicialmente, a inclusão digital enfrentou resistências e desafios, mas a ubiquidade das tecnologias na vida cotidiana de crianças e jovens tornou sua presença na escola praticamente inevitável. Ignorar esse movimento seria distanciar a educação da realidade social dos estudantes.
A educação, nesse cenário, torna-se cada vez mais híbrida, dialógica e interativa, exigindo dos professores competências não apenas pedagógicas, mas também tecnológicas. Como observa Nascimento (2012), a escola não pode assumir um papel neutro diante do contexto sóciotecnológico contemporâneo.
As TDICs não se limitam a ferramentas operacionais, mas se constituem como meio de mediação para a aprendizagem significativa, tornando os ambientes escolares mais colaborativos e motivadores (Nascimento, 2012; Tajra, 2001). A presença das tecnologias em sala de aula, portanto, deve ser intencional e estrategicamente planejada.
A inclusão das tecnologias na educação básica, em especial no ensino fundamental, exige discussões aprofundadas sobre currículo, metodologias, formação docente e políticas públicas. Conforme salientam Kenski (2004) e Brasil (1998), a tecnologia pode ser catalisadora de novas formas de pensar e aprender.
O discurso pedagógico sobre a tecnologia na educação, no entanto, oscila entre visões instrumentalistas e deterministas. A visão instrumental considera a tecnologia uma ferramenta flexível, adaptável aos propósitos humanos e pedagógicos.
Por outro lado, a perspectiva determinista atribui à tecnologia o poder de moldar a cultura e a sociedade, impondo-se como uma força transformadora inquestionável (Peixoto; Araújo, 2012). Superar essa dicotomia é crucial para uma integração eficaz.
Conforme os mesmos autores, a apropriação fragmentada de conceitos, mesmo de autores renomados, pode obscurecer a compreensão plena do fenômeno tecnológico na educação, tornando fundamental uma análise mais integrada e crítica.
No Brasil, documentos oficiais como os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) e a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) têm enfatizado a importância das tecnologias. Os PCNs, publicados em 1998, já destacavam a necessidade de utilizar recursos tecnológicos para aprimorar o ensino (Brasil, 1998).
Eles previam ambientes de aprendizagem que estimulassem novas formas de pensar e aprender, além de oferecerem recursos eficientes para tarefas complexas, liberando tempo para atividades interpretativas e elaboração de conclusões (Brasil, 1998).
Para o Ensino Fundamental, os PCNs enfatizavam a capacidade dos alunos de usar diferentes fontes de informação e recursos tecnológicos para construir conhecimento (Brasil, 1998b). Isso sublinha a necessidade de um professor em contínuo processo de formação.
Os PCNs reforçam a importância da inserção tecnológica, apontando que ela deve promover ambientes de aprendizagem mais dinâmicos e investigativos (Brasil, 1998). O professor, nesse contexto, torna-se um mediador da construção do conhecimento.
A atuação docente, entretanto, enfrenta desafios diversos. Como destacam Carvalho e Gonçalves (2000), há uma contradição entre o discurso teórico sobre inovações pedagógicas e a prática ainda tradicional em sala de aula, o que demanda novas formas de formação inicial e continuada.
A formação docente para o uso das TDICs, no entanto, ainda é um gargalo. Muitos cursos de licenciatura não contemplam, de maneira efetiva, o desenvolvimento de habilidades tecnológicas específicas, o que impacta negativamente na atuação do professor (Costa; Pinheiro; Costa, 2016).
Estudos como os de Nascimento e colaboradores (2015) apontam para a necessidade urgente de investimentos em formação continuada docente, especialmente em ambientes virtuais, como redes sociais, que já são utilizadas espontaneamente pelos professores como espaços de aprendizagem informal.
A formação de professores, tanto inicial quanto continuada, emerge como um desafio central nesse cenário. É necessário que os educadores estejam preparados para interagir com as novas tecnologias em seu ambiente de trabalho (Nascimento et al., 2017).
A presença da informática nas séries iniciais também tem se mostrado crucial para a iniciação tecnológica dos alunos. Nascimento (2023) observa que, ao usar computadores como ferramentas pedagógicas, os alunos são estimulados a resolver problemas de forma integrada e significativa.
A experiência com o software GeoGebra, por exemplo, tem demonstrado ganhos no ensino da geometria e da álgebra, tanto no ensino básico quanto no superior (Nascimento, 2012). O software favorece a visualização e a experimentação matemática de maneira interativa.
Além disso, a cibercultura e o contexto hipermidiático atual demandam da escola uma ressignificação do espaço de ensino. Moran (2004) afirma que a aprendizagem na sociedade digital exige novas estruturas cognitivas e novos modos de interação entre alunos, professores e conteúdo.
A análise de experiências em países como México, Portugal e Estados Unidos reforça a importância da contextualização cultural e pedagógica no uso das TDICs. Embora as ferramentas sejam similares, os resultados variam conforme a formação docente e o suporte institucional (Nascimento et al., 2015).
A educação pública brasileira precisa, portanto, avançar na oferta de infraestrutura adequada, conectividade, equipamentos e políticas de incentivo à inovação pedagógica com tecnologia. A intencionalidade política é indispensável para consolidar avanços reais.
É necessário compreender as tecnologias como aliadas do processo educativo, e não como soluções milagrosas. Como defendem Coutinho e Chaves (2002), a eficácia das tecnologias depende do projeto pedagógico que as sustenta, da intencionalidade didática e do engajamento docente.
Este artigo propõe refletir sobre o panorama das tecnologias digitais na educação, especialmente no ensino fundamental, a partir da análise de sua evolução histórica, das principais ferramentas utilizadas e dos impactos iniciais na aprendizagem. A pesquisa visa colaborar com a construção de práticas mais inclusivas, críticas e tecnológicas na escola brasileira.
EVOLUÇÃO DAS TECNOLOGIAS DIGITAIS NO ENSINO FUNDAMENTAL
O avanço das TDICs alterou significativamente os processos educativos nas últimas décadas, promovendo transformações que extrapolam a simples introdução de equipamentos em sala de aula. Desde os primeiros laboratórios de informática até os ambientes virtuais de aprendizagem, o ensino fundamental tem vivenciado profundas mudanças em sua estrutura pedagógica.
O percurso histórico das tecnologias educacionais revela uma evolução pautada por diferentes fases: a introdução do rádio e da televisão educativa, a chegada dos computadores nas escolas e, mais recentemente, a ubiquidade da internet e dos dispositivos móveis. Como lembra Santaella (2020), “a transição é urgente, porque se trata de um modelo hoje em profunda crise e em busca de novas formas de adequação em um mundo inteiramente novo” (p. 9).
Para Kenski (2020), a presença das tecnologias na escola não se dá apenas como recurso, mas como “expressão de uma cultura digital que modifica valores, comportamentos e modos de aprender” (p. 140). A autora destaca que a escola precisa compreender esse novo ecossistema e adaptar-se a ele sem abandonar os fundamentos pedagógicos.
Ao analisar as práticas docentes na contemporaneidade, Guimarães et al. (2024) indicam que a pandemia da Covid-19 foi um divisor de águas, ao acelerar processos de digitalização que vinham ocorrendo de forma tímida nas redes públicas de ensino. O uso do celular como principal ferramenta educacional emergiu como alternativa acessível em comunidades com limitações estruturais.
O ensino fundamental, por ser a base da formação do estudante, exige especial atenção na mediação tecnológica. De acordo com Sales (2020), o desafio está em promover uma “educação em rede com dispositivos móveis”, que não seja meramente reprodutiva, mas sim participativa, colaborativa e crítica. Essa perspectiva exige o rompimento com a cultura do ensino transmissivo.
Em diálogo com essa visão, Guimarães et al. (2024) destacam que “o uso das TIC na escola não pode se resumir à instrumentalização técnica, mas precisa estar ancorado em projetos pedagógicos intencionais” (p. 12). Assim, é preciso considerar o contexto sociocultural dos alunos e suas formas de apropriação tecnológica.
O cenário pandêmico evidenciou desigualdades estruturais, como a ausência de conectividade e de formação docente, que dificultaram o uso pleno das tecnologias no ensino fundamental. Segundo Rosas (2021), 56,9% dos alunos em cidades com mais de 100 mil habitantes ficaram sem acesso a conteúdo escolares por falta de internet.
Apesar dessas barreiras, surgiram experiências inovadoras e criativas que ressignificaram o uso das TDICs. Um exemplo disso é o uso do GeoGebra como recurso interativo e visual no ensino da matemática, permitindo aos estudantes experimentarem conceitos de forma concreta e dinâmica (Nascimento, 2012).
A discussão sobre a evolução tecnológica no ensino fundamental também passa pela crítica ao modelo tradicional. Santaella (2020) ressalta que a escola precisa “superar a arquitetura anacrônica das salas de aula, estruturadas como na era industrial” (p. 8), e avançar para modelos pedagógicos mais flexíveis, integrados à cultura digital.
A transformação digital da educação fundamental é, portanto, um processo que deve ser conduzido com cuidado e reflexão crítica. Como apontam Kenski (2020) e Guimarães et al. (2024), o simples acesso a ferramentas não garante inovação, sendo fundamental repensar os objetivos e métodos educacionais.
A proposta de educação digital no ensino fundamental deve contemplar a formação para o multiletramento, a cidadania digital e a construção de conhecimento colaborativo. Segundo Nonato e Sales (2020), isso implica educar “para operar conscientemente com a hipertextualidade que transita pela cultura digital” (p. 133).
Um ponto crucial nessa evolução é a necessidade de políticas públicas que garantam infraestrutura, conectividade e formação continuada dos professores. Nascimento et al. (2015) demonstram que, em países como México, Portugal e Estados Unidos, os resultados com tecnologias digitais foram mais consistentes onde houve suporte institucional contínuo.
A cultura digital escolar não se limita ao uso de plataformas, mas abarca redes sociais, jogos digitais, realidade aumentada e recursos multimídia. Como observam Gonçalves e Moreira (2020), os ambientes de aprendizagem em rede devem ser concebidos para enriquecer a experiência formativa com base em princípios da interação e autoria.
A escola, nesse novo contexto, deve se tornar um espaço de experimentação, onde o erro é parte do processo de aprendizagem e onde a tecnologia se alia à pedagogia crítica. O papel do professor passa de transmissor para curador, mediador e incentivador da pesquisa e da construção de sentido (Moran, 2004; Guimarães et al., 2024).
Conclui-se, portanto, que a evolução das tecnologias digitais no ensino fundamental não é apenas uma mudança de meios, mas uma transformação cultural e pedagógica. Essa evolução exige articulação entre infraestrutura, formação docente, projetos pedagógicos consistentes e políticas educacionais inclusivas. Trata-se de um processo em curso, cheio de potencialidades e desafios.
PRINCIPAIS FERRAMENTAS E PLATAFORMAS UTILIZADAS
As ferramentas e plataformas digitais utilizadas na educação básica brasileira refletem o movimento global de integração das tecnologias à prática pedagógica. No ensino fundamental, os recursos variam desde softwares educacionais específicos até ambientes virtuais de aprendizagem e redes sociais adaptadas ao ensino, com destaque para plataformas como Google Classroom, Microsoft Teams, Moodle, YouTube, e o GeoGebra.
Dentre os recursos amplamente utilizados no ensino da matemática e ciências, o GeoGebra se destaca por sua capacidade de unir álgebra, geometria e cálculo em um ambiente visual e interativo. Conforme Nascimento (2012), esse software oferece possibilidades para a experimentação matemática em tempo real, favorecendo aprendizagens ativas e a compreensão dos conceitos espaciais e algébricos.
Guimarães et al. (2024) salientam que “as tecnologias digitais vêm sendo, gradativamente, incorporadas às práticas docentes no ensino fundamental, com destaque para o uso de celulares, aplicativos móveis e plataformas digitais de compartilhamento” (p. 13). Essa afirmação aponta para a versatilidade das ferramentas utilizadas, mas também para o desafio de apropriação crítica dessas tecnologias por parte dos docentes.
As plataformas de gerenciamento de aprendizagem (LMS), como o Google Classroom e o Moodle, ganharam espaço sobretudo durante o período pandêmico, mas continuam sendo utilizadas em propostas híbridas. Segundo Santaella (2020), essas ferramentas provocaram uma ruptura no modelo tradicional de ensino ao permitir que o aluno se tornasse mais ativo na construção do próprio conhecimento.
Além dos ambientes formais de aprendizagem, as redes sociais e os aplicativos de comunicação como WhatsApp, Telegram e Instagram têm sido incorporados de forma espontânea por muitos professores como instrumentos de mediação pedagógica. Essa prática aproxima os conteúdos escolares da linguagem digital cotidiana dos estudantes (Sales, 2020).
Em consonância, Kenski (2020) afirma que o papel das tecnologias digitais não é meramente técnico, mas cultural e comunicacional. As ferramentas digitais reconfiguram as relações em sala de aula, deslocando o eixo do conhecimento centralizado para uma lógica de rede, onde os saberes circulam em múltiplos formatos e suportes.
Outro recurso frequentemente utilizado no ensino fundamental são os vídeos educativos, hospedados principalmente em plataformas como o YouTube, que permite o uso de conteúdos audiovisuais diversificados. Moran (2004) destaca que a linguagem audiovisual facilita a compreensão de conteúdos abstratos e estimula múltiplas inteligências, quando usada de maneira planejada.
Nascimento et al. (2015), ao analisarem experiências em diferentes países, apontam que o uso de ferramentas digitais ganha maior efetividade quando articulado a projetos pedagógicos coerentes e contextualizados. O uso do GeoGebra, por exemplo, apresentou melhores resultados em contextos onde os professores foram devidamente formados e acompanhados em sua prática.
O ensino híbrido, que combina o presencial e o remoto, ampliou o uso de plataformas como o Kahoot, Padlet, Mentimeter e Plickers, que promovem dinâmicas de gamificação e avaliação formativa. Nonato e Sales (2020) explicam que esses recursos “favorecem a autoria, a interação e o multiletramento dos estudantes” (p. 136), aspectos fundamentais para a educação na cultura digital.
No entanto, é importante ressaltar que o simples uso dessas ferramentas não garante inovação pedagógica. Como afirmam Coutinho e Chaves (2002), a tecnologia deve estar a serviço de um projeto educativo bem estruturado, com objetivos claros, métodos diversificados e avaliação contínua.
O uso de plataformas e ferramentas digitais deve considerar a diversidade dos alunos e o contexto sociotécnico de cada escola. Guimarães et al. (2024) argumentam que “o acesso e a familiaridade com as tecnologias ainda são desiguais entre os estudantes, o que requer políticas públicas que garantam inclusão digital” (p. 15). Nesse sentido, o papel da escola é também socializador e democratizador do acesso ao conhecimento digital.
Conclui-se que as plataformas e ferramentas digitais utilizadas no ensino fundamental representam um conjunto vasto de possibilidades, que precisam ser mediadas por práticas pedagógicas intencionais e significativas. O desafio contemporâneo está menos em escolher a ferramenta ideal e mais em saber integrá-la de forma crítica, ética e pedagógica à realidade escolar.
IMPACTOS INICIAIS DAS TECNOLOGIAS NA APRENDIZAGEM
A introdução das tecnologias digitais no ensino fundamental provocou impactos significativos na dinâmica da sala de aula, no comportamento dos alunos e nas práticas pedagógicas. Esses impactos foram sentidos de modo mais acentuado a partir da pandemia de Covid-19, quando o ensino remoto emergencial tornou o uso das tecnologias uma exigência inadiável.
Inicialmente, muitos professores enfrentaram dificuldades em lidar com as ferramentas digitais, tanto por falta de formação quanto por insegurança quanto às mudanças no papel docente. Como observa Moran (2004), a mediação tecnológica requer que o professor se torne mais curador e menos transmissor, exigindo uma postura ativa e investigativa.
Guimarães et al. (2024) identificaram que os primeiros impactos positivos nas práticas pedagógicas ocorreram quando houve um real engajamento dos docentes em ressignificar suas aulas, utilizando tecnologias para estimular a participação, o diálogo e a resolução de problemas. Tais impactos foram mais evidentes em disciplinas que se beneficiam da visualização, como matemática e ciências.
No que se refere aos alunos, as tecnologias digitais ampliaram o repertório de linguagens, favorecendo múltiplas formas de expressão e aprendizagem. De acordo com Nonato e Sales (2020), a cultura digital escolarizada deve valorizar as práticas sociais digitais que os estudantes já dominam, promovendo a autoria e a criatividade como elementos centrais do processo educativo.
Os recursos visuais e interativos, como vídeos, simulações e jogos educativos, facilitaram a compreensão de conteúdos antes considerados abstratos ou distantes da realidade dos alunos. Santaella (2020) defende que essas linguagens digitais impactam diretamente os processos cognitivos, modificando as formas de atenção, leitura e retenção da informação.
Contudo, é importante destacar que o impacto inicial não foi uniforme. Kenski (2020) alerta que a presença da tecnologia por si só não garante inovação ou melhoria da aprendizagem. Em muitos casos, a reprodução do ensino tradicional apenas migrou de formato, sem mudanças efetivas nos métodos ou nas interações.
A desigualdade no acesso aos dispositivos e à internet também gerou um impacto negativo no processo de aprendizagem, principalmente entre os alunos da rede pública. Rosas (2021) aponta que a exclusão digital foi um dos principais entraves à continuidade dos estudos durante o ensino remoto, afetando diretamente o rendimento e a permanência escolar.
Por outro lado, experiências com plataformas como o GeoGebra e ferramentas de autoria como o Padlet e o Canva revelaram resultados positivos na construção colaborativa do conhecimento. Nascimento (2012) demonstra que a interatividade promovida pelo GeoGebra estimula o pensamento crítico e o raciocínio lógico nos anos finais do ensino fundamental.
Nascimento et al. (2015), ao analisarem o uso das tecnologias em diferentes contextos internacionais, observaram que os impactos positivos na aprendizagem estavam relacionados ao suporte contínuo ao professor, à existência de uma política educacional clara e à valorização das práticas inovadoras em sala de aula.
As avaliações formativas mediadas por aplicativos como Kahoot e Mentimeter contribuíram para tornar o processo de avaliação mais dinâmico, imediato e significativo. Segundo Gonçalves e Moreira (2020), a gamificação, quando bem aplicada, gera maior engajamento dos estudantes e promove a aprendizagem ativa.
Outro impacto relevante está relacionado à motivação dos estudantes. Segundo Guimarães et al. (2024), o uso de tecnologias, quando alinhado ao cotidiano dos alunos, provoca maior interesse e envolvimento nas atividades escolares. A aproximação entre a linguagem da escola e a linguagem da cultura digital tem sido um fator-chave no engajamento.
Em síntese, os impactos iniciais das tecnologias na aprendizagem revelam tanto potencialidades quanto limitações. Os ganhos mais expressivos ocorreram quando as ferramentas foram usadas com intencionalidade pedagógica, articulação curricular e sensibilidade às condições dos alunos. O desafio contínuo é garantir que essas tecnologias não sejam apenas suporte técnico, mas vetores de transformação educativa.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O presente artigo buscou apresentar um panorama sobre as tecnologias digitais na educação, com ênfase no ensino fundamental. Partindo de uma revisão crítica da literatura e da análise de experiências educacionais, discutiu-se a evolução histórica das tecnologias no ambiente escolar, as principais ferramentas e plataformas utilizadas, bem como os impactos iniciais dessas tecnologias nos processos de ensino e aprendizagem.
Ficou evidente que a incorporação das tecnologias digitais não é um movimento recente, mas que foi intensificado especialmente a partir das demandas trazidas pela pandemia da Covid-19. O ensino remoto emergencial acelerou processos de digitalização e expôs, ao mesmo tempo, os desafios estruturais da educação básica brasileira, como a exclusão digital, a falta de formação docente e as desigualdades sociais.
No que se refere às ferramentas e plataformas, identificou-se um leque diversificado de recursos, como o GeoGebra, YouTube, Google Classroom, Moodle e aplicativos de gamificação. Essas tecnologias, quando utilizadas de forma crítica e com intencionalidade pedagógica, contribuem para promover o protagonismo estudantil, a interatividade, o pensamento crítico e a autonomia dos alunos.
Contudo, os impactos observados variam conforme o contexto, a formação dos professores, as condições de infraestrutura e a existência de políticas públicas efetivas. Nesse sentido, reafirma-se a ideia de que a tecnologia por si só não transforma a educação. É o projeto pedagógico que atribui sentido às ferramentas e que orienta sua integração ao currículo escolar.
Os autores analisados convergem na necessidade de que a cultura digital seja incorporada de forma crítica, inclusiva e reflexiva ao cotidiano escolar. A formação docente, o apoio institucional e a promoção de ambientes colaborativos de aprendizagem são condições essenciais para que os impactos das tecnologias digitais sejam positivos e sustentáveis.
Conclui-se que o uso das TDICs no ensino fundamental é um campo em constante construção e que demanda esforços conjuntos entre escola, professores, família e poder público. A educação do século XXI exige um novo olhar, mais aberto, flexível e sensível às transformações tecnológicas e culturais que moldam a forma como os estudantes aprendem e se relacionam com o conhecimento.
Dessa forma, espera-se que este estudo contribua para ampliar o debate sobre o papel das tecnologias digitais na educação básica e inspire novas pesquisas, práticas e políticas que fortaleçam uma educação mais inclusiva, interativa e significativa para todos os sujeitos do processo educativo.
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