A doença periimplantar: Uma revisão de literatura

PERI-IMPLANT DISEASE: A LITERATURE REVIEW

LA ENFERMEDAD PERIIMPLANTARIA: UNA REVISIÓN DE LA LITERATURA

Autor

URL do Artigo

https://iiscientific.com/artigos/2B40F7

DOI

doi.org/10.63391/2B40F7

Faria, Leonardo Coviello de. A doença periimplantar: Uma revisão de literatura. International Integralize Scientific. v 5, n 49, Julho/2025 ISSN/3085-654X

Resumo

A doença periimplantar é uma condição inflamatória complexa que afeta os tecidos moles e duros (Ósseo) ao redor dos implantes dentários, representando um desafio crescente na implantodontia moderna. Essa patologia pode evoluir desde uma inflamação limitada à mucosa periimplantar (mucosite) até a destruição progressiva do osso ao redor do implante (peri-implantite), comprometendo a estabilidade e a longevidade do implante. A etiologia multifatorial inclui a colonização bacteriana por microrganismos anaeróbios gram-negativos, além de fatores de risco locais e sistêmicos que influenciam a resposta imune do hospedeiro. Esta revisão aborda os principais aspectos etiológicos, fisiopatológicos, fatores de risco, diagnóstico clínico e radiográfico, além das estratégias atuais para tratamento e prevenção, fundamentadas em evidências científicas e consensos internacionais. O conhecimento aprofundado sobre a doença periimplantar é essencial para o desenvolvimento de abordagens clínicas integradas, visando a preservação dos implantes e a promoção da saúde bucal geral.
Palavras-chave
doença periimplantar; peri-implantite; mucosite periimplantar; implantes dentários; inflamação.

Summary

Peri-implant disease is a complex inflammatory condition affecting both the soft and hard tissues surrounding dental implants, posing an increasing challenge in modern implant dentistry. This pathology can range from inflammation confined to the peri-implant mucosa (mucositis) to progressive bone loss around the implant (peri-implantitis), jeopardizing implant stability and longevity. Its multifactorial etiology involves bacterial colonization predominantly by anaerobic gram-negative microorganisms, alongside local and systemic risk factors that influence the host immune response. This review discusses the main etiological and pathophysiological aspects, risk factors, clinical and radiographic diagnosis, as well as current evidence-based treatment and prevention strategies grounded in international consensus. An in-depth understanding of peri-implant disease is essential to develop integrated clinical approaches aimed at preserving implants and promoting overall oral health.
Keywords
peri-implant disease; peri-implantitis; peri-implant mucositis; dental implants; inflammation.

Resumen

La enfermedad periimplantaria es una condición inflamatoria compleja que afecta los tejidos blandos y duros alrededor de los implantes dentales, representando un desafío creciente en la implantología moderna. Esta patología puede variar desde una inflamación limitada a la mucosa periimplantaria (mucositis) hasta la pérdida ósea progresiva alrededor del implante (periimplantitis), comprometiendo la estabilidad y longevidad del implante. La etiología multifactorial incluye la colonización bacteriana, principalmente por microorganismos anaerobios gramnegativos, junto con factores de riesgo locales y sistémicos que influyen en la respuesta inmune del huésped. Esta revisión aborda los principales aspectos etiológicos, fisiopatológicos, factores de riesgo, diagnóstico clínico y radiográfico, así como las estrategias actuales de tratamiento y prevención fundamentadas en evidencia científica y consensos internacionales. El conocimiento profundo de la enfermedad periimplantaria es esencial para desarrollar enfoques clínicos integrados que promuevan la preservación de los implantes y la salud bucal general.
Palavras-clave
enfermedad periimplantaria; periimplantitis; mucositis periimplantaria; implantes dentales; inflamación.

INTRODUÇÃO

O avanço da implantodontia nas últimas décadas transformou radicalmente a reabilitação oral, consolidando-se como uma solução eficiente, funcional e esteticamente satisfatória para a reposição de dentes perdidos. Esse progresso tecnológico e clínico permitiu que milhões de pacientes ao redor do mundo recuperassem a mastigação, a fala e a autoestima, elevando significativamente a qualidade de vida. No entanto, com o aumento expressivo do número de implantes instalados, surgiu um crescimento paralelo nas complicações periimplantares, especialmente as condições inflamatórias conhecidas como mucosite e peri-implantite.

Essas patologias representam desafios clínicos complexos e de grande relevância, pois podem comprometer a longevidade e o sucesso do implante, culminando muitas vezes em falhas e necessidade de remoção, o que acarreta custos adicionais, desconforto para o paciente e impacto negativo na saúde bucal global. A mucosite periimplantar caracteriza-se por uma inflamação restrita e reversível da mucosa ao redor do implante, manifestando-se por sinais como vermelhidão, edema e sangramento ao sondar, sem envolvimento ósseo. Já a peri-implantite é uma condição mais grave, que envolve não apenas a inflamação, mas também a perda óssea progressiva em torno do implante, configurando um quadro clínico de difícil manejo e com risco aumentado de falha protética.

Apesar das diferenças clínicas entre mucosite e peri-implantite, ambas compartilham a mesma origem etiológica fundamental: a resposta inflamatória desencadeada pelo biofilme bacteriano acumulado na superfície do implante e nos tecidos adjacentes. Essa colonização microbiana cria um ambiente propício para a perpetuação da inflamação e destruição tecidual, especialmente quando associada a fatores de risco locais e sistêmicos, como higiene inadequada, histórico de periodontite, tabagismo e controle glicêmico deficiente.

Diante desse cenário, torna-se imprescindível que a prática clínica contemple uma abordagem preventiva e terapêutica baseada no diagnóstico precoce, monitoramento constante e intervenções adequadas para controlar a inflamação e preservar a saúde periimplantar. Esta revisão se propõe a explorar os principais aspectos da doença periimplantar, desde sua etiologia e fisiopatologia até o diagnóstico, tratamento e estratégias de prevenção, oferecendo uma visão atualizada e integrada para otimizar os resultados clínicos e promover a longevidade dos implantes dentários.

ETIOLOGIA E FATORES DE RISCO

A doença periimplantar tem como gatilho fundamental a colonização bacteriana no sulco ao redor do implante, onde a microbiota predominante é composta por microrganismos anaeróbios gram-negativos — basicamente os mesmos que atuam na doença periodontal clássica dos dentes naturais. Entre os principais patógenos envolvidos estão Porphyromonas gingivalis, Tannerella forsythia e Treponema denticola, bactérias que têm grande capacidade de invadir tecidos, modular a resposta imunoinflamatória e perpetuar a destruição dos tecidos de suporte (Mombelli et al., 2012).

Essa similaridade microbiológica reforça a ideia de que a doença periimplantar não é um fenômeno isolado, mas sim uma extensão das dinâmicas patogênicas já bem estabelecidas na periodontite, com particularidades próprias relacionadas à estrutura implantológica.

Porém, a presença das bactérias não é o único fator determinante para o desenvolvimento da doença. Diversos fatores de risco interagem para desencadear ou agravar o processo, tornando a doença periimplantar uma condição multifatorial. Entre esses fatores, destacam-se:

Má higiene oral e acúmulo de biofilme bacteriano: o principal fator modificável, onde a falha na remoção adequada do biofilme cria um ambiente propício para a colonização e proliferação bacteriana, mantendo a inflamação ativa.

Histórico de periodontite prévia: pacientes que já apresentam ou apresentaram doença periodontal possuem maior suscetibilidade, provavelmente devido a um ambiente imunológico e microbiológico desfavorável que persiste mesmo após a instalação do implante.

Tabagismo: o cigarro compromete a vascularização tecidual e a resposta imune local, reduzindo a capacidade de defesa contra os microrganismos e dificultando a reparação dos tecidos, além de estar associado a piores resultados no tratamento.

Controle glicêmico inadequado em diabéticos: o diabetes mellitus mal controlado afeta negativamente a resposta imune e os processos de cicatrização, criando um terreno fértil para a instalação e progressão da peri-implantite.

Excesso de carga oclusal: sobrecargas mecânicas no implante podem gerar microtraumas e favorecer a inflamação, além de comprometer a estabilidade óssea ao redor do implante.

Falhas na instalação e posicionamento do implante: erros técnicos durante a cirurgia, como posicionamento inadequado, podem dificultar a higiene e favorecer o acúmulo de biofilme, além de impactar negativamente na osseointegração.

Condições sistêmicas que afetam a resposta imunológica: doenças que alteram a imunidade do paciente, como imunossupressão, osteoporose ou uso de certos medicamentos, também são consideradas fatores que aumentam o risco de peri-implantite (Koldsland et al., 2010; Sanz et al., 2017).

Compreender esses fatores de risco e sua interação é crucial para o desenvolvimento de estratégias personalizadas de prevenção e manejo, reforçando a importância da avaliação multidisciplinar e do acompanhamento rigoroso dos pacientes implantados.

FISIOPATOLOGIA

A resposta inflamatória desencadeada pelo biofilme bacteriano ao redor dos implantes periimplantares é o ponto central na gênese da doença periimplantar. Esse biofilme, formado por uma comunidade complexa de microrganismos, estimula a liberação local e sistêmica de mediadores pró-inflamatórios cruciais, como as interleucinas IL-1β e IL-6, o fator de necrose tumoral alfa (TNF-α) e as metaloproteinases de matriz. Essas substâncias são potentes agentes que promovem a degradação progressiva dos tecidos moles e, principalmente, a reabsorção óssea ao redor do implante, comprometendo sua estabilidade e função (Schou et al., 2013).

O mecanismo subjacente à destruição óssea envolve a ativação dos osteoclastos, as células responsáveis pela reabsorção óssea, reguladas por um delicado sistema molecular denominado RANK/RANKL/OPG. Nesse sistema, o RANKL (ligante do receptor ativador do fator nuclear kappa B) estimula a diferenciação e atividade dos osteoclastos, enquanto o OPG (osteoprotegerina) atua como um “freio” natural, bloqueando essa ativação. Na doença periimplantar, há um desequilíbrio nessa regulação, com aumento da expressão de RANKL em relação à OPG, intensificando a atividade osteoclástica e acelerando a perda óssea. Esse mecanismo é bastante semelhante ao observado na periodontite dos dentes naturais, evidenciando uma conexão biológica direta entre essas duas condições (Albrektsson & Isidor, 1994).

Outro aspecto que contribui para a maior vulnerabilidade dos implantes à progressão da doença periimplantar é a peculiar arquitetura do tecido periimplantar. Diferentemente dos dentes naturais, que são conectados ao osso alveolar por meio do ligamento periodontal — uma estrutura fibrosa que atua como amortecedor e barreira imunológica — o implante está diretamente osseointegrado, sem essa camada protetora. Essa ausência do ligamento periodontal implica que o implante possui uma defesa imunológica reduzida e uma menor capacidade de amortecimento frente às agressões mecânicas e bacterianas, facilitando o avanço da inflamação e a destruição tecidual (Lindhe & Meyle, 2008).

Além disso, a vascularização e a resposta celular ao redor dos implantes são diferentes dos tecidos periodontais naturais, o que pode impactar na capacidade de reparo e resistência à inflamação. Esses fatores anatômicos e fisiológicos reforçam a necessidade de uma vigilância clínica rigorosa, associada a estratégias específicas para o controle do biofilme e o manejo da resposta inflamatória, a fim de garantir a longevidade dos implantes dentários.

DIAGNÓSTICO

O diagnóstico da doença periimplantar requer uma abordagem clínica criteriosa e o uso de exames complementares para confirmar a presença e a extensão do processo inflamatório e destrutivo ao redor dos implantes dentários. A precisão na avaliação inicial é fundamental para definir o tratamento adequado e prevenir a progressão da doença.

AVALIAÇÃO CLÍNICA

A avaliação clínica é a base para o diagnóstico da doença periimplantar, envolvendo uma inspeção detalhada e a sondagem cuidadosa dos tecidos moles adjacentes ao implante. A profundidade da sondagem periimplantar, quando superior a 4 mm, associada a sangramento ao sondar, é um forte indicativo de inflamação ativa, pois revela a presença de resposta inflamatória e possível destruição tecidual. A presença de supuração é um sinal clínico claro de infecção local e atividade patológica intensa, devendo ser considerada um alerta vermelho para intervenção imediata.

A mobilidade do implante, embora geralmente ausente nos estágios iniciais, é um sinal tardio e preocupante que indica comprometimento significativo do suporte ósseo, podendo antecipar a falha do implante se não tratada adequadamente. Além disso, alterações visíveis na cor e na textura da mucosa periimplantar, como vermelhidão, edema e mudança na consistência tecidual, são manifestações clínicas que reforçam o diagnóstico de processos inflamatórios ativos, conforme descrito por Albrektsson & Isidor (1994).

AVALIAÇÃO RADIOGRÁFICA

Os exames radiográficos, especialmente as radiografias periapicais, são ferramentas indispensáveis para complementar o diagnóstico clínico da doença periimplantar. Eles possibilitam a visualização e o monitoramento da estrutura óssea ao redor do implante, permitindo a comparação entre as imagens obtidas no momento atual e as radiografias realizadas logo após a instalação do implante. A identificação de perda óssea progressiva ao redor do implante é um indicador radiográfico chave para o diagnóstico da peri-implantite.

Essa perda óssea deve ser interpretada em conjunto com os achados clínicos para confirmar a gravidade da doença e determinar a melhor estratégia terapêutica. Segundo Carcuac & Berglundh (2014), a progressão da reabsorção óssea, especialmente quando acompanhada de sinais clínicos de inflamação, evidencia a necessidade de intervenção urgente para evitar a perda do implante.

Além das radiografias periapicais, tecnologias como tomografia computadorizada de feixe cônico (CBCT) podem ser utilizadas para avaliar com maior precisão a extensão da perda óssea e a anatomia local, oferecendo um suporte valioso para o planejamento do tratamento, principalmente em casos mais complexos.

TRATAMENTO

O manejo da doença periimplantar deve ser individualizado, considerando o estágio da lesão, a extensão do comprometimento tecidual e as condições sistêmicas e locais do paciente. A abordagem terapêutica tem como objetivos principais a eliminação ou controle do biofilme bacteriano, a redução da inflamação e a estabilização ou regeneração dos tecidos periimplantares afetados, visando preservar a funcionalidade e a longevidade do implante.

MUCOSITE PERIIMPLANTAR

A mucosite periimplantar é caracterizada por uma inflamação reversível da mucosa ao redor do implante, sem perda óssea associada. O tratamento nesta fase é fundamental para impedir a progressão para a peri-implantite, que representa um quadro mais grave e destrutivo. O controle rigoroso da placa bacteriana, por meio da remoção diária da microbiota subjacente, constitui a base do manejo da mucosite. Além disso, a profilaxia profissional regular, incluindo a limpeza mecânica realizada por profissionais qualificados, é indispensável para reduzir os agentes patogênicos e monitorar a resposta tecidual. A educação e orientação ao paciente sobre técnicas eficazes de higiene oral domiciliar são essenciais para garantir a adesão e continuidade do tratamento, fortalecendo o papel ativo do paciente no controle da doença.

PERI-IMPLANTE 

A peri-implantite caracteriza-se por uma inflamação associada à perda óssea progressiva ao redor do implante, exigindo uma abordagem terapêutica mais complexa e agressiva. Inicialmente, a terapia não cirúrgica é indicada, focando na raspagem e limpeza mecânica das superfícies do implante para a remoção do biofilme e depósitos bacterianos, utilizando instrumentos específicos que minimizem danos à superfície implantária. O uso de antimicrobianos tópicos e, quando indicado, sistêmicos, pode ser incorporado para reduzir a carga bacteriana e controlar a infecção, embora sua eficácia isolada seja limitada e dependa do contexto clínico.

Nos casos avançados, onde a perda óssea é significativa e a inflamação não é controlada pela terapia conservadora, a intervenção cirúrgica torna-se necessária. O procedimento cirúrgico visa permitir acesso direto para descontaminação profunda das superfícies implantárias, remoção do tecido inflamado e granulação, além de possibilitar a reconstrução óssea por meio de técnicas de regeneração óssea guiada (ROG), quando viável. Essas técnicas regenerativas utilizam enxertos ósseos e barreiras biocompatíveis para favorecer a reconstituição do suporte ósseo perdido, com o objetivo de estabilizar o implante e restabelecer a integridade periimplantar (Jepsen et al., 2015).

O sucesso do tratamento da peri-implantite depende, portanto, da detecção precoce, da correta seleção das técnicas terapêuticas, do controle rigoroso dos fatores de risco e do acompanhamento clínico contínuo, enfatizando a importância da integração entre o paciente e o profissional para a manutenção a longo prazo dos resultados.

PREVENÇÃO

A prevenção da doença periimplantar é a pedra angular para garantir a longevidade e o sucesso dos implantes dentários, e ela depende diretamente de uma combinação sólida entre manutenção rigorosa da higiene bucal, acompanhamento clínico periódico e controle efetivo dos fatores de risco modificáveis.

O manejo proativo desses elementos não é só um detalhe opcional — é a base para evitar a instalação e progressão da peri-implantite, que pode levar a prejuízos irreversíveis na estrutura óssea e na estabilidade do implante. Nesse sentido, a prevenção deve ser encarada como um processo contínuo e multidisciplinar, envolvendo o cirurgião-dentista, o periodontista, o paciente e, quando necessário, outros profissionais da saúde.

Programas educacionais voltados para o paciente são fundamentais. Eles precisam ser construídos para empoderar o paciente com conhecimento e práticas eficazes de higiene domiciliar, enfatizando técnicas específicas de limpeza ao redor dos implantes, como o uso correto de escovas interdentais, fios dentais especiais e irrigadores bucais. A educação deve ir além do básico, abordando também a importância do compromisso pessoal e da disciplina na rotina diária, pois a falha nesse aspecto é um dos principais gatilhos para o acúmulo de biofilme bacteriano e o desenvolvimento das doenças periimplantares.

Além disso, o acompanhamento clínico regular é indispensável. Consultas periódicas permitem a identificação precoce de sinais de mucosite ou peri-implantite, possibilitando intervenções rápidas que evitam o avanço da doença. Durante essas visitas, é essencial realizar a remoção profissional do biofilme e do cálculo, além de avaliações clínicas e radiográficas que monitoram a saúde dos tecidos periimplantares.

O controle dos fatores de risco modificáveis, como cessação do tabagismo, controle rigoroso do diabetes, correção de problemas oclusais e ajustes técnicos no implante, deve ser integrado à estratégia preventiva. Essa abordagem holística maximiza a eficácia das ações preventivas e contribui para a saúde sistêmica do paciente.

Em resumo, a prevenção eficaz da doença periimplantar exige um modelo de cuidado integrado, onde a educação do paciente, o suporte clínico contínuo e o controle dos riscos andam juntos. Esse tripé não só preserva a função e a estética do implante, mas também promove uma melhor qualidade de vida, evitando intervenções complexas e onerosas no futuro (Heitz-Mayfield & Mombelli, 2014).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A doença periimplantar configura-se como um dos maiores desafios da implantodontia moderna, especialmente devido ao seu caráter multifatorial e progressivo, que pode comprometer não apenas a longevidade dos implantes, mas também a qualidade de vida do paciente. A crescente prevalência dessa patologia evidencia a necessidade urgente de uma abordagem clínica que seja tanto preventiva quanto terapêutica, pautada em evidências científicas robustas.

Entender profundamente os mecanismos etiopatogênicos, que envolvem desde a colonização bacteriana até as complexas respostas inflamatórias e imunológicas do organismo, é essencial para o desenvolvimento de protocolos eficazes. Além disso, identificar e manejar os fatores de risco individuais — como histórico periodontal, condições sistêmicas, hábitos como tabagismo, e aspectos técnicos relacionados à instalação dos implantes — é indispensável para uma prática clínica segura e personalizada.

A peri-implantite não deve ser encarada isoladamente como uma complicação local, mas como um sinal de desequilíbrio sistêmico e ambiental na cavidade oral, que pode refletir em outras áreas da saúde geral. Por isso, o trabalho colaborativo entre cirurgiões-dentistas, periodontistas, especialistas em implantodontia e demais profissionais da saúde torna-se imprescindível. Essa integração multidisciplinar potencializa o diagnóstico precoce, a implementação de tratamentos mais eficazes e a elaboração de estratégias preventivas consistentes.

Outro pilar fundamental é o engajamento ativo do paciente, que deve ser continuamente orientado e motivado para a manutenção da higiene bucal rigorosa e para o acompanhamento regular com o profissional. O sucesso a longo prazo dos implantes depende da conscientização do paciente sobre o papel central da saúde periimplantar no contexto de sua saúde geral.

Portanto, enfrentar o desafio da doença periimplantar exige uma visão holística, que une conhecimento científico, habilidades clínicas e colaboração interdisciplinar, com o objetivo final de preservar a função, a estética e o bem-estar do paciente. Somente assim será possível garantir resultados duradouros e elevar o padrão de qualidade dos tratamentos implantológicos na prática odontológica contemporânea.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 

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SCHOU, S.; HOLMSTRUP, P.; LINDGREEN, E. The pathogenesis of peri-implantitis: a critical review. Journal of Oral Rehabilitation, v. 40, n. 7, p. 485-496, 2013.

Faria, Leonardo Coviello de. A doença periimplantar: Uma revisão de literatura.International Integralize Scientific. v 5, n 49, Julho/2025 ISSN/3085-654X

Referencias

Vivian Caroline Coraucci.
BAILEY, C. J.; LEE, J. H.
Management of chlamydial infections: A comprehensive review.
Clinical infectious diseases.
v. 67
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p. 1208-1216,
2021.
Disponível em: https://academic.oup.com/cid/article/67/7/1208/6141108.
Acesso em: 2024-09-03.

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v. 5
n. 49
A doença periimplantar: Uma revisão de literatura

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