Adolescentes neurodivergentes e déficit motor: Uma revisão integrativa

NEURODIVERGENT ADOLESCENTS AND MOTOR DEFICIT: AN INTEGRATIVE REVIEW

ADOLESCENTES NEURODIVERGENTES Y DÉFICIT MOTOR: UNA REVISIÓN INTEGRADORA

Autor

URL do Artigo

https://iiscientific.com/artigos/2E08FC

DOI

doi.org/10.63391/2E08FC

Oliveira, Charles Henrique Andrade de. Adolescentes neurodivergentes e déficit motor: Uma revisão integrativa. International Integralize Scientific. v 5, n 51, Setembro/2025 ISSN/3085-654X

Resumo

Este artigo tem como objetivo fazer uma pesquisa integrativa buscando trabalhos científicos que apontem para adolescentes neurodivergentes e os possíveis déficits motores que acometem nessa fase de transição e na diversidade de dificuldades que podem emergir ou piorar nesse período. As pesquisas foram realizadas nas bases de dados Lilacs – Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde/BVS, Scientific Electronic Library Online (SciELO), PubMed/Medline e Google Acadêmico. Os descritores utilizados foram “adolescentes”, “adolescência”, “neurodivergentes”, “desenvolvimento motor”, “déficit motores” e “transtornos do neurodesenvolvimento”, combinados ao operador booleano AND, considerando apenas artigos publicados no período de 2020 a 2025. A ausência de publicações específicas nessa temática, alerta para a necessidade de maiores estudos e pesquisas voltadas para uma visão integral dos adolescentes neurodivergentes, ampliando e incentivando compartilhamento de práticas já vivenciadas e expertises adjuvantes entre essas intervenções e abordagens. Existe uma grande diversidade de sintomas e necessidades em indivíduos neurodivergentes, as práticas profissionais de diferentes áreas e diferentes campos de atuação devem englobar essa diversidade em suas estratégias de atuação.
Palavras-chave
adolescentes; neurodivergentes; déficit motor.

Summary

This article aims to conduct integrative research seeking scientific works that point to neurodivergent adolescents and the possible motor deficits that affect them during this transition phase and the diversity of difficulties that may emerge or worsen during this period. The research was conducted in the databases Lilacs – Latin American and Caribbean Literature in Health Sciences/VHL, Scientific Electronic Library Online (SciELO), PubMed/Medline, and Google Scholar. The descriptors used were “adolescents,” “adolescence,” “neurodivergent,” “motor development,” “motor deficits,” and “neurodevelopmental disorders,” combined with the Boolean operator AND, considering only articles published between 2020 and 2025. The lack of specific publications on this topic highlights the need for further studies and research focused on a comprehensive view of neurodivergent adolescents, expanding and encouraging the sharing of existing practices and adjunctive expertise across these interventions and approaches. Neurodivergent individuals exhibit a wide range of symptoms and needs; professional practices across different disciplines and fields should incorporate this diversity into their strategies.
Keywords
teenagers; neurodivergent; motor deficit.

Resumen

Este artículo pretende realizar una investigación integradora buscando trabajos científicos que visibilicen a los adolescentes neurodivergentes y los posibles déficits motores que les afectan durante esta fase de transición y la diversidad de dificultades que pueden surgir o agravarse durante este periodo. La investigación se realizó en las bases de datos Lilacs – Literatura Latinoamericana y del Caribe en Ciencias de la Salud/BVS, Scientific Electronic Library Online (SciELO), PubMed/Medline y Google Académico. Los descriptores utilizados fueron «adolescentes», «adolescencia», «neurodivergente», «desarrollo motor», «déficit motor» y «trastornos del neurodesarrollo», combinados con el operador booleano AND, considerando únicamente los artículos publicados entre 2020 y 2025. La falta de publicaciones específicas sobre este tema resalta la necesidad de más estudios e investigaciones centrados en una visión integral de los adolescentes neurodivergentes, ampliando y fomentando el intercambio de prácticas existentes y la experiencia complementaria en estas intervenciones y enfoques. Las personas neurodivergentes presentan una amplia gama de síntomas y necesidades; las prácticas profesionales de diferentes disciplinas y campos deberían incorporar esta diversidad en sus estrategias.
Palavras-clave
adolescentes; neurodivergente; déficit motor.

INTRODUÇÃO

O período da adolescência é uma etapa do desenvolvimento que envolvem transformações significativas não somente físicas, mas incluem mudanças cognitivas, afetivo-emocionais e sociais, perpassando não apenas no indivíduo, mas em suas interações sociais como: Papéis desempenhados na família, escola, grupos sociais e no meio que transita. Desta maneira autoras como Líbio e Bosa (2024) apontam para eixos essenciais nesse período: mudanças físicas, que envolvem a sexualidade, formação de identidade (singularidade) e fortalecimento da autonomia (tomada de decisões). Nessa etapa do desenvolvimento deve-se ter um olhar atento para aqueles adolescentes neurodivergentes.

O termo neurodiversidade foi apresentado desde 1998, referindo a diversidade neurológica da população, ou seja, as diversas variações de funcionamento neurológico nos seres humanos, nos aspectos sociais e comportamentais, incluindo processos de aprendizagem, atenção, humor e demais funções cognitivas e executivas (Santos et al., 2024).

Nas palavras das autoras:

Esse conceito engloba diferenças de neurocognição que não devem ser vistas como déficits, distúrbios ou deficiências, reunindo conhecimentos sobre outras condições. Entre essas composições neurológicas, podem ser incluídas: dispraxia, dislexia, discalculia, síndrome de Tourette, transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH), entre outras como o Transtorno do Espectro Autista (TEA) […]. Todas essas condições fazem parte da diversidade humana, devendo ser respeitadas como qualquer outra diferença – sexualidade, gênero, etnias etc (Santos et al., 2024, p. 02).

Considerando que a adolescência por si diz respeito a mudanças significativas e importantes para o desenvolvimento do indivíduo, é importante chamar a atenção para adolescentes neurodivergentes e as dificuldades nessa fase. Autoras como Serbai e Priotto (2021) sinalizam que nessa fase podem ocorrem declínios comportamentais, impactando nas suas habilidades de linguagem e sociabilidade, acarretando sintomas ansiosos e depressivos associados ao grau de conscientização sobre si mesmo e, muitas vezes, dificuldades de estabelecer/manter amizades (iniciar conversas e interação em pares). Essas peculiaridades tornam essa etapa desafiadora do que tange o processo de autonomia e desenvolvimento psicoafetivo em seu meio (educacional e social).

Entendendo os desafios apresentados nessa fase da vida para esse público, deve-se ampliar o olhar para dificuldades motoras. Transtornos do neurodesenvolvimento tendem a apresentar déficits comportamentais e/ou cognitivos e podem dificultar a aquisição e execução de funções motoras, tais como: funções manuais e na coordenação global (lateralidade, alterações no equilíbrio, postura e marcha). Neurodivergentes no processo de autopercepção na adolescência, percebem maiores dificuldades motores, como: marcha alterada, dificuldade no controle postural, instabilidade no equilíbrio, alterações no tônus ​​e déficits na coordenação motora (Starmac et al., 2024).

Este artigo pretende chamar a atenção dos problemas motores que adolescentes neurodivergentes sofrem e o a necessidade de ampliar estudos acerca do tema, devido a escassez de estudos voltados para esse público, focando nas características motoras e como isso acarreta prejuízos em demais áreas do desenvolvimento, trazendo uma visão integral e biopsicossocial do sujeito.

REFERENCIAL TEÓRICO

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde) o período da adolescência compreende entre 10 a 19 anos, refere-se a transição da infância para a vida adulta. Fase vivenciada com diferentes responsabilidades e vulnerabilidades. Há ocorrência de alterações físicas, hormonais e emocionais (alteração de humor). As pessoas estão em busca de sua identidade, acarretando possíveis conflitos e desentendimentos na família. O indivíduo passa por um período de perda de identidade, onde deixa de ser criança, contudo ainda não é um adulto (Tavares et al., 2022).

Adolescentes neurodivergentes, além das mudanças proveniente dessa fase, podem apresentar outras dificuldades com sensibilidades sensoriais aumentadas, sejam por estímulos auditivos, visuais, táteis, entre outros. Os diferentes ambientes frequentados pelo adolescente podem causar desconforto e dificultar sua interação social e educacional, podendo incluir suporte efetivo como assistente de sala, terapeutas ou profissionais de apoio, inclusive com necessidades de adaptações escolares e sociais (Pinto et al., 2024).

Como critérios de diagnósticos nos transtornos do neurodesenvolvimento o desenvolvimento motor ainda não faz parte desses critérios, é pouco estudado ou enfatizado, contudo na prática clínica é um dos desafios a serem enfrentados, visto que indivíduos nessa condição tem seu funcionamento autônomo e funcional prejudicados, sendo necessário um trabalho específico para aprimorar e incorporar as atividades de seu cotidiano, partindo de uma avaliação detalhada e intervenções dentro dos padrões apresentados desde a infância, podendo aumentar ou apresentar novas dificuldades na adolescência (Starmac et al., 2024).

Quando se entende o conceito de neurodiversidade, reconhece-se e respeita-se as diversidades do funcionamento neurológico que estão arraigados a vida dos sujeitos. Nas palavras das autoras Santos et al. (2024): Cada ser humano apresenta uma conexão neurológica própria, e, quando essa conexão ‘foge’ do considerado padrão, ela é chamada de atípica (ou neurodivergente) (p. 02). Nesta perspectiva não se associa essas variações com conceitos de negativos ou limitantes, mas como vantagens competitivas e potencializadoras, faz parte da própria diversidade humana, são formas de expressão e de interação diferentes tão somente (Santos et al., 2024)

Ainda segundo as autoras Santos et al. (2024) a comunidade autista adotou o termo neurodiversidade, e foi responsável pela sua ampla divulgação, chegando de forma rápida às outras diversidades neurológicas. Esse conceito traz ressignificação para o estigma, promovendo maior inclusão desse público, seja no campo educacional, social e mercado de trabalho. Até o meio virtual deve sua parcela de contribuição no período da pandemia: As redes sociais promoveram o reconhecimento das pessoas com os chamados cérebros diversos ou neurodivergentes que se encontraram no mundo virtual (Santos et al., 2024, p. 02).

Dentro dessa diversidade existe uma gama de sintomas, comportamentos e dificuldades enfrentadas por esse público. Autoras como Helena, Borges e Sleifer (2025) nos apontam para comorbidades ou sintomas associados a esse espectro do desenvolvimento motor como: marcha atípica, transtorno do desenvolvimento da coordenação, estabilidade postural reduzida, disfunções oculomotoras e déficits de equilíbrio. Ainda chama a atenção das dificuldades motoras estejam interligadas ou podem ser interferidas por alterações vestibulares. Visto que há uma escassez de pesquisas voltadas especificamente para essa fase do desenvolvimento humano e com esse público específico.

[…] para que esses indivíduos atinjam suas potencialidades, é necessária uma maior sensibilização para este tópico para promover uma melhor gestão clínica deste grupo de indivíduos e melhorar a sua qualidade de vida, tendo em vista que o sistema vestibular parece possuir uma influência significativa nas funções cognitivas, especialmente habilidades visuoespaciais (memória visuoespacial, navegação, rotação mental e representação mental do espaço tridimensional), atenção e funções executivas (Helena, Borges e Sleifer, 2025, p. 02)

É importante ressaltar que os marcos do desenvolvimento infantil são complexos, sua composição é multifatorial, pois agrega aspectos biológicos, ambientais, imunológicos e neurológicos, desta forma desencadeia déficits no desenvolvimento motor. É consenso no meio acadêmico que sinais e sintomas podem ser apresentados nos primeiros anos de vida, podendo se estender até a adolescência ou sofrer modificações no período da adolescência, período que requer outras demandas, como a interação social e comunicação. Os atrasos motores, estereotipias, visados como atípicos podem apresentar um peso a mais nessa fase de identificação de si mesmo e pertencimento de grupos (Spies e Gasparotto, 2023).

A adolescência é marcada por mudanças físicas no corpo, incluindo a maturação sexual, que determinam o eu físico, além das mudanças corporais em si, as dificuldades motoras e sensoriais têm grande relevância nessa experimentação, assim como a construção de sua identidade solidificada, que impactam diretamente ao maior contato com seus pares, maior tempo dentro das escolas (Líbio e Bosa, 2024).

Ainda nas perspectivas das autoras Líbio e Bosa (2024) existe uma espera de uma maior autonomia desses adolescentes, o que se entende como a transformação de tomada de decisões, é preciso encorajamento para suas responsabilidades e maior independência, o que pode ficar prejudicado pelas dificuldades de execução, de movimentos e até de planejamento considerando a neurodiversidade.

O desenvolvimento da autonomia é contínuo e sofre influência de diversas variáveis, entre elas o contexto familiar. Nesse sentido, o suporte parental e um clima familiar em que coexistem afeto, regras claras e comunicação aberta favorecem a autonomia do adolescente (Líbio e Bosa, 2024, p. 02)

Algumas pesquisas voltadas para adolescentes autistas apontam que há uma insatisfação nessa face quanto a sua qualidade de vida devido a insatisfação na autodeterminação (tomada de decisões) que podem estar ligadas a sua própria autonomia ou em relação ao contexto familiar limitante que podem atenuar maiores dificuldades na capacidade de manter e fazer novas amizades, o que podem gerar, entre outro comportamentos, de isolamento e sinais depressivos (Serbai e Priotto, 2021).

Outras características neurodivergentes também são apontadas como fatores que pode prejudicar suas interações sociais na adolescência, como estereotipias, que tendem a persistir até a vida adulta; comportamentos repetitivos, podem aumentar em sua frequência e intensidade, causando desconfortos ou até mesmo compulsões. Tendo em vista que alguns transtornos do neurodesenvolvimento têm dificuldade na identificação e expressão de suas emoções, de processar informações complexas, no funcionamento cognitivo, o que acarreta numa limitação de suas experiências nas relações, tanto mental, quando nas familiares e seu cotidiano; assim como os comportamento ritualístico, podem desencadear sintomas ansiosos, depressivos e opositores desafiadores; já os interesses restritos podem ser bastante negativos de acordo com o tipo de transtorno do neurodesenvolvimento (transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (Serbai e Priotto, 2021).

Autoras como Zanetti e Quaresma (2020) fazem um alerta no cuidado e atenção a essa fase do desenvolvimento humano que é uma transição, uma passagem: pode ser mais conturbada, ou não acontecer de maneira eficaz, sujeitando o autista a permanecer na condição de criança (p. 04). É necessário um plano de intervenção individualizado e singular, considerando suas potencialidades, experiências individuais, contexto familiar, terapêutico (quando se existe) e escolar (primordial), onde o indivíduo possa se relacionar com o mundo que o cerca de maneira ativa e participativa em todo o processo.

Com foco nas dificuldades motoras e funcionais, que têm grande impacto na funcionalidade diária (pessoal, psicológico e social), migrando para dificuldades de interação com o outro, limitado sua comunicação, interferindo na sua aprendizagem, interferindo na sua autoestima, desmotivação e sinais depressivos. Exercícios físicos promovem benefícios significativos, desde a melhora das habilidades motoras globais, no humor, no sono e autoestima. Segundo os autores Valente et al. (2023) exercícios físicos promovem benefícios a nível psicológico e emocional, contribuindo para a redução de sintomas de depressão, estresse e ansiedade (p. 02).

Nesta perspectiva, o treinamento funcional (TF) tem sido apresentado como uma ótima estratégia de EF (exercício físico) para a promoção de estilo de vida saudável, aprimorando as capacidades físicas, psicológicas e sociais, sendo importante um trabalho integrado, baseado na intervenção biopsicossocial de forma individualizada e intensiva (Valente, et al, 2023 p. 03)

Para além do treinamento funcional, práticas com embasamento a análise do comportamento associados aos princípios teóricos do exercício e movimento e aos sistemas sensoriais associados à prática da equoterapia, que se utiliza do cavalo como um recurso em uma prática interdisciplinar para crianças com TEA (Silva et al, 2021). Prática que pode ser estendida ao público neurodivergente em geral e promover qualidade de vida na fase da adolescência.

Apesar da dificuldade de literatura científica é possível ter um panorama da importância de se atentar para esse público específico, suas dificuldades motoras, as implicações que esses déficits impactam na sua qualidade de vida e consolidação enquanto indivíduo, enquanto cidadão. Para profissionais de diferentes áreas de atuação, diferentes pressupostos teóricos, a importância de maiores pesquisas e divulgação de experiências eficazes e de qualidade das atuações multi e interprofissionais, com visão integral das neurodiversidades.

METODOLOGIA

A revisão integrativa foi a metodologia escolhida para este artigo, através dela é possível pesquisar estudos científicos já desenvolvidos e publicados, permitido fazer uma análise e sintetizar a combinação de diferentes estudos e diferentes abordagens acerca do assunto escolhido tendo em vista que há poucas publicações especificamente do tema escolhido. Foi possível definir e direcionar de uma forma global aspectos do déficit motor podendo direcionar para todos indivíduos neurodivergentes (Soares et al, 2022).

O norteador desse artigo é encontrar pesquisas científicas cujo o tema seja adolescência de neurodivergentes e seus possíveis dificuldades no desenvolvimento motor. Como não foi encontrado nessa perspectiva limitadora, foram associados títulos e temas que aproximam suas temáticas como: transtornos do neurodesenvolvimento, autismo, e ainda incluindo crianças e adolescentes voltados para prejuízos motores. As bases de dados pesquisadas foram Lilacs – Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde/BVS, Scientific Electronic Library Online (SciELO), PubMed/Medline e Google Acadêmico. Os descritores utilizados foram adolescentes, adolescência, neurodivergentes, desenvolvimento motor, déficit motores e transtornos do neurodesenvolvimento esses combinados ao operador booleano AND em todas as bases, no período de 2020 a 2025. Os bancos de dados só foram considerados artigos publicados, descartando publicação de teses e/ou dissertações.

Não foi encontrado nenhum artigo específico com estudo na fase exclusivamente da adolescência e com ênfase no desenvolvimento motor e seus prejuízos nessa fase. Sendo possível fazer um interlace dos trabalhos encontrados que permeiam ou exploram aspectos acerca do tema escolhido. Os artigos encontrados são específicos de áreas especializadas, não encontrando ou enfatizando praticas ou estudos de experiências multi ou interdisciplinares.

Dentro dessa metodologia é possível fazer uma síntese dos assuntos encontrados e fazer uma análise que integre o tema foco ao objetivo desse estudo, assim como fazer uma breve avaliação ou suposição das possibilidades da ausência de estudos de um assunto específico, e dados relevantes achados nos trabalhos (Dantas et al, 2022).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A adolescência é uma etapa do desenvolvimento humano que requer diferentes demandas e mudanças, desde as mudanças físicas provenientes da maturação biológica, incluindo mudanças socias e escolares importantes, como regime integral, responsabilidades e vulnerabilidades, assim como tomadas de decisões, fortalecimento de sua autoestima, autonomia e perspectiva para futuro. E quando se volta essa fase para adolescentes neurodivergentes deve-se ter um olhar mais cuidadoso e efetivo pelo espectro amplo de perfis e de potencialidades individuais e singulares.

Adolescente neurodivergentes tem grande dificuldade na socialização entre seus pares e pessoas de seu interesse, devido a sua falta de autonomia, em muitos casos, e no processo psicoafetivo (Serbai e Priotto, 2021). Lidar com suas próprias emoções, reconhece-las e identificar no outro também é uma dificuldade nessa fase. Sua postura corporal e demais dificuldades motoras fica em evidência, onde o indivíduo tem mais consciência desta condição e pode somar a fatores que dificultam essa interação, incluindo sofrimento de bullying.

O ambiente escolar é primeira sociedade convivida pelo adolescente, nessa fase, a convivência com as diversidades e diferenças devem ser trabalhadas e discutidas. Essa aproximação entre diferenças pode emergir sentimentos como: medo, rejeição, temor, piedade, etc. Adolescentes neurodivergentes lidam com sentimentos de angústia muito aflorados pela dificuldade quanto aos aspectos subjetivos que essa fase desencadeia, podendo prejudicar não somente nas relações interpessoais, mas no seu rendimento escolar (Zanetti e Quaresma, 2020).

Autores como Valente et al. (2023) apontam resultados positivos no desenvolvimento motor para além das habilidades motoras, mas na interação social, no equilíbrio e na força. Na interação social os autores destacam fatores como: melhor comunicação, maior independência, confiança e autonomia.

Olhar para esses adolescentes em sua totalidade é mais que necessário, é encarrar um panorama complexo de diversidades, de individualidades e singularidades. Destaca-se um adolescente que caminham para a fase adulta e necessita lidar com sentimento, emoções, interações sociais, e que devem e podem exercer seu papel de cidadania plena, como todos seus direitos e deveres respeitados.

A falta de pesquisas voltadas para a temática elucidada pode demonstrar uma falta de sensibilidade de profissionais e de políticas públicas para essa fase. Há muita discussão acerca dos desafios na criança e tem aumentado a atenção para a fase adulta, mas se esquece que as crianças crescem e passam por essa transição antes de se tornarem adultos. Uma fase com demandas específicas que merecem atenção, o desenvolvimento motor, postura, equilíbrio e até mesmo o planejamento motor são peças chaves no que tangem as interações sociais entre pares.

A prática de atividades de lazer, sobretudo a atividade física, é considerada como fator de proteção à saúde mental. É considerado que a grande maioria não exerça atividades físicas diárias, e por isso, reflete um considerável fator de risco aos adolescentes para desenvolverem transtornos de ansiedade e depressão (Tavares et al. 2022, p. 03).

É sempre importante lembrar que o cuidado é com o outro, com pessoas, indivíduos com suas singularidades, cuidar da qualidade de vida requer uma visão ampla e integral do sujeito, considerando não apenas fatores motores, mas a saúde global, desde a interação, comunicação, bem estar. Desta maneira pode-se pensar em intervenções que garantem o desenvolvimento pleno dos neurodivergentes.

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Oliveira, Charles Henrique Andrade de. Adolescentes neurodivergentes e déficit motor: Uma revisão integrativa.International Integralize Scientific. v 5, n 51, Setembro/2025 ISSN/3085-654X

Referencias

Vivian Caroline Coraucci.
BAILEY, C. J.; LEE, J. H.
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v. 67
n. 7
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2021.
Disponível em: https://academic.oup.com/cid/article/67/7/1208/6141108.
Acesso em: 2024-09-03.

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n. 51
Adolescentes neurodivergentes e déficit motor: Uma revisão integrativa

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