Pedagogia empresarial: Entre a educação e a gestão de pessoas

BUSINESS PEDAGOGY: BETWEEN EDUCATION AND PEOPLE MANAGEMENT

PEDAGOGÍA EMPRESARIAL: ENTRE LA EDUCACIÓN Y LA GESTIÓN DE PERSONAS

Autor

URL do Artigo

https://iiscientific.com/artigos/352E92

DOI

doi.org/10.63391/352E92

Malheiro, Vandirene Alves. Pedagogia empresarial: Entre a educação e a gestão de pessoas. International Integralize Scientific. v 5, n 50, Agosto/2025 ISSN/3085-654X

Resumo

O presente artigo analisa a atuação do pedagogo no contexto empresarial, destacando sua contribuição para o desenvolvimento humano e funcionamento interno das empresas. Aborda os fatores históricos e econômicos que levaram à necessidade da inserção desse profissional. Assim como a importância das práticas pedagógicas na qualificação profissional e na gestão do capital humano. Nota-se que a pedagogia empresarial é uma ferramenta estratégica para o treinamento e desenvolvimento de pessoas e para a melhoria dos processos organizacionais. A globalização e a economia em transformação trouxeram consigo a urgência de as empresas se adequarem às exigências de mercado investindo na valorização e qualificação profissional dos funcionários dentro do ambiente corporativo.
Palavras-chave
pedagogia; empresa; educação; aprendizagem; competências.

Summary

This article analyzes the role of pedagogues in the business context, highlighting their contribution to human development and the internal functioning of companies. It addresses the historical and economic factors that led to the need for the inclusion of these professionals, as well as the importance of pedagogical practices in professional qualification and human capital management. It is clear that business pedagogy is a strategic tool for training and developing people and improving organizational processes. Globalization and the changing economy have brought with them the urgency for companies to adapt to market demands by investing in the development and professional qualification of employees within the corporate environment.
Keywords
pedagogy; business; education; learning; skills.

Resumen

Este artículo analiza el rol de los pedagogos en el contexto empresarial, destacando su contribución al desarrollo humano y al funcionamiento interno de las empresas. Aborda los factores históricos y económicos que impulsaron la necesidad de la inclusión de estos profesionales, así como la importancia de las prácticas pedagógicas en la cualificación profesional y la gestión del capital humano. Es evidente que la pedagogía empresarial es una herramienta estratégica para la formación y el desarrollo de las personas y la mejora de los procesos organizacionales. La globalización y la economía cambiante han traído consigo la urgencia de que las empresas se adapten a las demandas del mercado invirtiendo en el desarrollo y la cualificación profesional de sus empleados en el entorno corporativo.
Palavras-clave
pedagogía; negocios; educación; aprendizaje; habilidades.

 INTRODUÇÃO

O presente trabalho tem como objetivo abordar historicamente a participação do pedagogo no cenário empresarial. O uso de técnicas pertinentes à pedagogia visa o desenvolvimento de toda a equipe envolvida. Pretende-se, em um primeiro momento, demonstrar os fatores históricos e econômicos que levaram à necessidade desse profissional nas empresas, através de incentivo e projetos voltados para a mudança da política interna, cultural e social da empresa.  

Com a globalização e a economia em constante transformação, as empresas precisam adequar-se as exigências de mercado, ter políticas agressivas de programas, marketing e investimento no capital humano. O objetivo é promover os saberes necessários e contribuir para a valorização positiva de qualificação profissional dentro do ambiente de trabalho. De acordo com Furter, 1966 p, 68, “… não só a situação global mudou profundamente, mas também a própria imagem do homem foi atingida pela aceleração e pelo dinamismo histórico”. Para Gohn:

A globalização apresenta-se não só como uma nova visão internacional do trabalho ou uma ampliação das trocas comerciais entre os países, mas como um novo sistema de poder à mercê do mercado, onde o capital financeiro se sobrepõe aos Estados Nacionais e aos projetos políticos locais. Ela enfraquece as instituições públicas no que se refere à sua capacidade de regulação e integração, modifica relações de trabalho estabelecidas sobre direitos sociais dos trabalhadores, ignora culturas regionais ao criar novos desejos de consumo e, consequentemente, gera novas formas de dominação, principalmente de ordem cultural (Gohn, M.G.1999; p.10).

A função do pedagogo não se limita apenas às instituições formais de ensino, mas também a trabalhos voltados a empresas, independentemente de seu porte. Dessa forma, a concepção de ensino-aprendizagem tem uma percepção de conhecimentos produzidos por vários campos e atuações. Com articulação que compreende as relações entre as diversas formas entre homem e natureza, reflete sobre as inúmeras ações e contradições em relação a si próprias e ao ambiente em que vivem.

O processo de aprendizagem pode ser definido de forma sintetizada como o modo que os seres adquirem novos conhecimentos, desenvolvem competências e mudam o comportamento. Por sua vez, dentro de uma empresa, a pedagogia para além de um enriquecimento, pode chegar à esfera da intervenção, na medida em que contribui para a transformação e resolução de problemas. 

O profissional de pedagogia também contribui para a formação dos funcionários, de modo que estes adquiram novas habilidades. Isso faz com que o ambiente de trabalho seja mais coerente com os avanços contínuos, ou seja, a educação permeará não só os espaços da escola, mas também das organizações empresariais. O pedagogo empresarial trabalha para o desenvolvimento da consciência participativa de uma equipe. O objetivo é aplicar a prática pedagógica no contexto organizacional a fim de ocasionar mudanças no comportamento pessoal em direção à realização e definição dentro da empresa. Isso se dá através da aplicação de técnicas, ato de cidadania, sensibilidade humana com projetos mais comprometidos com o conhecimento e desenvolvimento da organização. O trabalho do pedagogo empresarial deve ser de estruturação e reestruturação em determinadas áreas problemáticas da empresa. Segundo Cagliari (2009)

[…] O pedagogo empresarial está inserido auxiliando no desenvolvimento das competências e habilidade de cada indivíduo. A intenção é que cada profissional saiba lidar com várias demandas, com incertezas, com várias culturas ao mesmo tempo, direcionando o resultado positivo em um mercado onde a competição gera mais competição (Cagliari, 2009, p. 25).

Devido a tantos avanços e diferenças na atual conjuntura, a formação das pessoas deve acompanhar o desenvolvimento e conhecimentos. A partir deles, novas competências e técnicas que impliquem as tecnologias dentro da organização serão geradas. A aquisição e o fortalecimento de atitudes éticas, humanas e solidárias também devem ser levadas em conta. A associação adequada entre pedagogo e empresa é de suma importância, tendo em vista que ambos têm o mesmo objetivo, a formação de cidadãos críticos e com competências para tal função. Conforme Franco, Libâneo e Pimenta:

O papel da Pedagogia é promover mudanças qualitativas no desenvolvimento e na aprendizagem das pessoas, visando ajudá-las a se constituírem como sujeitos, a melhorar sua capacidade de ação e as competências para viver e agir na sociedade e na comunidade. (Franco; Libâneo; Pimenta, 2007, p.89).

Nesse contexto, o papel da pedagogia torna-se uma ferramenta de instrução, ou seja, levar conhecimentos para serem inseridos na capacitação profissional e contribuir para uma sociedade mais justa e humana. Ribeiro, 2010, p, 9, acrescenta ainda que “A atuação do pedagogo empresarial está diretamente relacionada às atividades de planejamento, gestão, controle e avaliação da aprendizagem, de modo que promova a melhoria de qualidade dos diferentes processos organizacionais”.

No decorrer desse artigo o leitor irá compreender a real importância do pedagogo nas organizações empresariais. Essa nova função passa a ser fundamental para o desenvolvimento humano nas empresas, visando melhor benefício.

Conforme exposto acima, surge a seguinte pergunta: 

O pedagogo pode desenvolver projetos para atender as necessidades da empresa utilizando de técnicas pedagógicas?

DEFINIÇÃO DE PEDAGOGIA 

A Pedagogia é a ciência que por meio de pesquisa estuda, aplica a didática e busca as metodologias, estratégias e técnicas de ensino-aprendizagem relacionados às necessidades das pessoas em um determinado meio. Segundo Libâneo (2005, p. 29),

Pedagogia trata-se de um campo de conhecimento sobre a problemática educativa em sua totalidade e historicidade e, ao mesmo tempo, uma diretriz orientadora da ação educativa. […]. É, então, o campo do conhecimento que se ocupa do estudo sistemático da educação, isto é, do ato educativo, da prática educativa concreta que se realiza na sociedade como um dos ingredientes básicos da configuração da atividade humana (Libâneo, 2005, p. 29).

E ainda de acordo com Libâneo (2002): 

 A pedagogia ocupa-se, de fato, dos processos educativos, métodos, maneiras de ensinar, mas antes disso ela tem um significado bem mais amplo, bem mais globalizante. Ela é um campo de conhecimentos sobre a problemática educativa na sua totalidade e historicidade e, ao mesmo tempo, uma diretriz orientadora da ação educativa. Libâneo (2000,p.22).

Para Houssaye a pedagogia se define como:

uma reflexão sobre a prática educativa, articulando na ação pedagógica a teoria e a prática”: “o que deve haver em Pedagogia é certamente uma proposta prática, mas ao mesmo tempo uma teoria da situação educativa referida a essa prática, ou seja, uma teoria da situação pedagógica. Houssaye (2004, p. 12)

Partindo desse pressuposto, pode-se dizer que a pedagogia está sempre em uma busca incessante para melhoria da espécie humana. Ela preocupa-se com a qualidade de vida e ensino, perpassa a afetividade de ensinar esse indivíduo a ter um olhar mais humano e a fomentar suas relações interpessoais. Ao auxiliá-lo a planejar e resolver situações problema, que é um dos pontos essenciais em uma empresa, consequentemente vai ampliando o cognitivo do indivíduo e aguçando cada vez mais seus conhecimentos. 

A pedagogia foi sendo inserida aos poucos nas organizações, ajustando-se às atividades de impacto e às boas práticas voltadas para a formação e ao desenvolvimento de profissionais no cenário empresarial. Por seu papel fundamental dentro das organizações na realidade atual, a pedagogia tem se tornado uma prática de suma importância.

HISTÓRIA DA PEDAGOGIA EMPRESARIAL

A atuação do pedagogo na empresa ainda é recente. Percebe-se que por não ter muito conhecimento da importância desse profissional, muitas empresas não disponibilizam o cargo. O fato de as empresas não se preocuparem com o desenvolvimento pessoal dos seus colaboradores é outro fator que deve ser levado em conta. Tal atitude explica o fato de não haver a contratação de profissionais da área para melhor prepará-los. A Pedagogia empresarial é um tema atual, e vem sendo difundida desde os anos 80, segundo a (Revista UBM, 2007, p.62).

O termo Pedagogia Empresarial foi empregado, pela primeira vez, no início da década de 80, quando surgiram alguns poucos cursos universitários sobre a matéria. O enfoque da Pedagogia Empresarial foi, a princípio, o Treinamento e Desenvolvimento (T&D) de pessoal nas organizações empresariais. Estudos e pesquisas realizados na época demonstraram que o treinamento, na fase do planejamento e programação, tinha um caráter didático no que tange à estruturação dos cursos, à formulação dos objetivos, à seleção de conteúdo e recursos instrucionais e métodos de avaliação. Incluía, também, a seleção de treinandos e instrutores. Esse é o campo de Pedagogia e, a partir deste momento, fica cunhado o termo Pedagogia Empresarial para designar todas as atividades que envolviam cursos, projetos e programas de T&D (Revista UBM, 2007,p.62).

A pedagogia após os anos 80, em combinação com as empresas, formula um novo modelo de treinamento e desenvolvimento de pessoas com o objetivo de formar cidadãos críticos com competências e habilidades globais para trabalharem em equipe. 

De acordo com Ribeiro:

Em termos das “Tendências em treinamento e desenvolvimento: visão global e a realidade brasileira”, alguns aspectos precisam ser destacados, tendo como referência à conferência da American Society For Training and Development (ASTD), ocorrido em junho de 2002, em Orlando, Estados Unidos. Aspectos como tecnologia de performance, gerenciamento com vistas ao desenvolvimento sustentável, impacto das novas mídias utilizadas para treinamento e desenvolvimento provocam no local de trabalho a gestão horizontalizada de RH (empowerment) e a transformação do conceito de trabalho físico para o intelectual (Ribeiro,2010p,17).

Ainda sobre esse assunto Ribeiro, 2010, p.18, destaca que: “A Revista RH em síntese publicou um caderno especial sobre a ASTD e sobre o atual estágio de T&D no Brasil. Chama a atenção para a percepção da área de treinamento e desenvolvimento de recursos humanos como área crítica no contexto das demandas da sociedade”. Portanto o pedagogo empresarial passa a ser uma nova função para as empresas, contribuindo de forma que sua atuação beneficiará as empresas em suas diversas áreas.

E desde então o tema passou a ser alvo de interesse para algumas empresas, estudiosos da área da educação e outras instituições. O interesse foi motivado pela percepção do desenvolvimento de recursos humanos nessa área do conhecimento. Com o decorrer do tempo, algumas empresas acrescentaram essa função ao seu quadro de funcionários, visando a melhoria no desenvolvimento pessoal de cada funcionário. Uma das empresas que aderiram a essa função foi a agencia dos correios:

A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos deu origem ao cargo 19: Analista de Correios-Especialidade: Pedagogo, com uma carga horária de 44 horas semanais. Foi pensando nessas mudanças e inovações que as empresas passaram a acreditar e investir na educação dos seus funcionários. Dessa forma, elas contaram com as ações de desenvolvimento a partir de um trabalho de articulação e organização de assistentes sociais, administradores, psicólogos, pedagogos e psicopedagogos. 

Ao pedagogo cabe o papel de promover ações diretas que favoreçam o desenvolvimento cognitivo, afetivo e comportamental dos colaboradores. Isso facilitará o relacionamento de pessoas inseridas no ambiente de trabalho. O pedagogo atuará diretamente através de cursos e treinamentos que atendam as necessidades de cada membro da equipe trabalhadora dentro da empresa. 

Segundo (Almeida, 2006, p.07) “eles prestarão consultoria interna relacionada ao treinamento e ao desenvolvimento das pessoas na organização”. Essas ações educacionais darão suporte para a estruturação de mudanças relacionadas à ampliação e à aquisição do conhecimento no espaço organizacional. Além disso, para (Lopes, 2006, p.74) o pedagogo “promove a reconstrução de conceitos básicos, que são o espírito de equipe e autonomia emocional e cognitiva”. Seu trabalho é voltado a formar trabalhadores com comportamentos flexíveis, que se adaptem com eficiência e rapidez a novas e diversas situações e que saibam trabalhar com imprevistos.

Anos após a inserção do tema ele ainda é pouco conhecido, pois não foi amplamente divulgado. Muitos ainda são leigos nesse assunto por estar ligado à área técnica da pedagogia. O pedagogo na empresa necessita de ter um perfil inovador, que vai além de sua formação específica. Precisa de ser um profissional flexível com comunicação e comprometimento, saber administrar conflitos, ser eficiente e criativo, ter habilidade de planejamento e avaliação.

Almeida, afirma que:

Ao educador sempre coube a missão de colaborar para o desenvolvimento humano. Em todo o mundo, em todos os períodos, o educador que viu na sua profissão uma forma de influenciar e ser influenciado pelo desenvolvimento é aquele que efetivamente entendeu a sua importância para a evolução do ser humano. O educador que não estiver imerso neste pensamento não galgará sucesso em sua jornada. O mesmo vale para o Pedagogo Empresarial, que é o educador que atua com vistas ao crescimento profissional e ao desenvolvimento dentro das corporações (Almeida, 2006, p. 93).

Portanto, cabe ao pedagogo empresarial usar técnicas pedagógicas em sua atuação dentro do contexto empresarial, utilizar métodos de treinamento com os funcionários que contribuirão para o crescimento profissional de todos os envolvidos nesse ambiente.

 O PAPEL DO PEDAGOGO NA EMPRESA

Devido às transformações do mundo globalizado, a balança comercial e a economia passaram a influenciar o comportamento dos consumidores.  A concorrência acirrada entre as mercadorias importadas e internas forçavam as empresas a encontrar mecanismos para se manterem no mercado. Com isso, tornou-se necessário fazer o acompanhamento do comportamento dos consumidores. 

Desta forma, as empresas começavam a investir em políticas agressivas de treinamento e novas tecnologias. O objetivo era reduzir os custos de produções e se tornar mais competitivas. O consumidor, mais exigente, fez com que as empresas tentassem se adaptar a essa nova realidade, ou seja, produzir com qualidade e baixo custo. O mercado de trabalho era bem competitivo. As empresas que não acompanhavam as mudanças e que não estivessem atentas para essa nova realidade, corriam o risco de perder espaço no mercado. 

Nesse ínterim, é possível observar as mudanças. Ouve-se falar muito de qualificação profissional, de educação continuada, de estratégias de ensino, pessoas sem estudo e que precisaram recorrer a uma qualificação profissional para não ficarem fora do mercado de trabalho. Observa-se que as pessoas saem da escola regular com uma defasagem de aprendizagem significativa, o que faz com que não atendam as expectativas do mercado de trabalho. 

Devido a essa realidade, uma formação no ambiente de trabalho para assim suprir as necessidades da empresa faz-se necessária. Nesse momento, a importância do trabalho assistido do pedagogo torna-se mais significativo, pois a empresa não visa somente a melhoria do serviço de seus colaboradores, mas a qualidade de vida desses indivíduos. O objetivo do pedagogo é treinar, capacitar, atualizar todo corpo empresarial usando como estratégia a formação continuada. 

É de cunho do pedagogo buscar novas informações, conhecimentos relevantes para serem trabalhados com seus funcionários. Nas dependências de uma empresa também existem as relações interpessoais que devem ser muito bem trabalhadas. Para Cadinha (2011, p. 44), “todo ser humano precisa de amor, atenção, respeito, pois são seres afetivos”. Na sociedade atual, o distanciamento que leva ao individualismo está se fazendo cada dia mais presente. 

Este fator desfavorece as relações interpessoais no ambiente de trabalho, lugar onde as pessoas passam boa parte do seu tempo. É função do pedagogo empresarial desenvolver um trabalho de adaptação junto a funcionários que demostram dificuldade de relacionamento para favorecer o convívio social no ambiente de trabalho.O pedagogo desempenha um papel muito importante em uma organização. Ele procura ferramentas que auxiliam de forma didática o planejamento de um programa que atenda às necessidades da entidade. 

Segundo Ribeiro, (2003, p. 20) o pedagogo que:

(…) atua na empresa precisa ter sensibilidade suficiente para perceber quais estratégias podem ser usadas e em quais circunstâncias. Isso evitará desperdício de tempo com a aplicação de numerosos métodos e, com isso, que se perca de vista os propósitos tanto da formação quanto da empresa. Ao planejar um programa de formação/treinamento, a seleção de métodos obedece ao princípio do desenvolvimento concomitante de competências técnicas e de relacionamento social (Ribeiro, 2003, p. 20).  

O Planejamento estratégico de uma entidade depende da visão proativa de um profissional da pedagogia. Planejar um programa de treinamento em uma empresa vai além da boa vontade do profissional. Toda a equipe precisa estar envolvida no processo e com apoio da alta direção. Sem o comprometimento da direção da empresa, torna-se difícil iniciar ou manter um plano de mudança. O envolvimento da alta direção e de toda a sua equipe trava um duelo na busca constante de inovar.  O trabalho em equipe faz com que o ambiente de trabalho se torne agradável fazendo com que a mudança ocorra normalmente e sem transtornos. Neste sentido, os incentivos educacionais têm como objetivo buscar o melhor resultado para a empresa, torna-las cada vez mais competitivas em um mercado globalizado e muito concorrido.

De acordo com o Chiavenato, (1999, p.290):

Desenvolver pessoas não é apenas dar-lhes informação para que elas aprendam novos conhecimentos, habilidades e destrezas e se tornem mais eficientes naquilo que fazem. É, sobretudo, dar-lhes a formação básica para que elas aprendam novas atitudes, soluções, ideias e conceitos. O intuito é que modifiquem seus hábitos e comportamentos e se tornem mais eficazes naquilo que fazem. Formar é muito mais do que simplesmente informar, pois representa um enriquecimento da personalidade humana (Chiavenato, 1999, p.290).

O trabalho de desenvolver pessoas não é apenas um aprendizado para ser estocado em seu próprio ser. O aprendizado é um desafio para enfrentar o mercado de trabalho e seu crescimento profissional. Nesta linha de pensamento Chiavenato (1994, p. 36), descreve que “transformar a força em trabalho passou a ser o maior desafio estratégico enfrentado pelas empresas que esperam ter sucesso…” e cumprir suas metas.

Em relação ao campo da ação extra-escolar, os pedagogos se distinguem como formadores, organizadores, consultores, técnicos e instrutores. Eles desenvolvem atividades não-escolares em órgãos públicos, privados e públicos não-estatais, ligadas às empresas, etc. (Libâneo, 2005, p. 59) e Ribeiro (2007, p. 11) salientam que “a pedagogia empresarial existe, portanto, para dar suporte tanto em relação à estruturação das mudanças quanto em relação à ampliação e à aquisição de conhecimento no espaço organizacional”.            

COMPETÊNCIA E OS PRINCIPAIS CONCEITOS 

O avanço da tecnologia e a globalização fizeram com que as empresas ficassem mais cautelosas ao contratar um funcionário. O mercado mudou, ficou mais exigente e os preços mais compatíveis. A preocupação em trazer pessoas capacitadas ficou por conta do departamento de recursos que tenta se renovar sempre para atender este mercado tão competitivo. Segue abaixo vários conceitos de diversos autores sobre competência. Entre eles, destacam-se os apresentados por Gdikian e Silva (2002):

McClelland-1972: Competência é o conjunto de qualificações que permite a uma pessoa ter uma performance superior no trabalho ou em uma dada situação.

Schein- 1990: Associa a competência à atuação da pessoa em áreas de conforto profissional, usando seus pontos fortes e tendo maiores possibilidades de realização e felicidade. 

Mclagan-1995: Competência não se resume apenas ao conhecimento técnico, mas também à capacidade de aplicar esse conhecimento e à disposição para fazê-lo.

Le Bortef -1995: Competência não é um estado ou um conhecimento que se tem e nem é resultado de treinamento. Competência é colocar em prática o que se sabe em um determinado contexto. É um saber agir responsável que é reconhecido pelos outros.

Scotty B. Parry 1996: Um agrupamento de conhecimentos, habilidades e atitudes correlacionadas, que afetam parte considerável da atividade de alguém, relacionando-se com o desempenho, que pode ser medido segundo um padrão preestabelecido, e que pode ser melhorado por meio de treinamento e desenvolvimento.

Jeanne Meister -1999: Qualquer conhecimento, habilidade, conjunto de ações ou padrões de raciocínio que diferenciem de modo inequívoco os profissionais de nível superior dos médios.

Thomas Wood Jr-1999: Competência significa conhecimento aplicado e orientado para melhorar o desempenho do indivíduo, do grupo e da organização.

Zarifian-1999: Competência não é apenas um conjunto de conhecimentos, mas uma ação efetiva e reconhecida, que envolve iniciativa e responsabilidade.

Fleury & Fleury- 2000: Competência não é apenas um conjunto de conhecimentos, mas a capacidade de aplicá-los de forma eficaz em diferentes contextos.

Segundo Gdikian e Silva (2002, p. 27), “a competência está relacionada à capacidade de aplicar conhecimentos em contextos. Um fator que chama a atenção é a linha de abordagem. Um traz o desempenho superior das pessoas e o outro refere-se à entrega dos resultados.

Para Prahalad e Hamel apud Gdikian e Silva (2002, p.29) acrescenta que competência é um “conjunto de habilidades e tecnologias que habilitam uma companhia a proporcionar um benefício particular para os clientes”. A competência e a habilidade se unem para dar suporte para a melhoria contínua de um determinado processo favorecendo um relacionamento de benefício para o próximo, ou seja, o cliente.

A EDUCAÇÃO NA CORPORAÇÃO: CONCEITOS, OBJETIVOS E PRINCÍPIOS.     

Segundo Gdikian e Silva (p.35:2002) “as instituições de ensino vêm tentando se adaptar para atender às necessidades da educação continuada. Diante deste fator, o número de institutos, universidades, academias, centros ou escolas de diversos tipos de estrutura está aumentando. ” Nota-se que a procura constante pelas instituições de ensino desperta ainda mais o interesse das pessoas para uma boa formação e o preparo para o mercado de trabalho. 

Segundo Gdikian e Silva (p.35:2002) diz que as:

(…) Universidades Corporativas têm por finalidade a educação e o desenvolvimento da cadeia de valor (empregados, fornecedores, clientes, acionistas e franqueados). O objetivo é atender as estratégicas empresarias de uma organização, alavancar novas oportunidades, entrar em novos mercados, criar relacionamentos mais estreitos com os clientes e impulsionar a organização para um novo futuro (Gdikian e Silva, 2002, p.35).

 A educação envolve toda uma cadeia de valor. Empregados, fornecedores, clientes, acionistas e franqueados agem de maneira a um dar suporte ao outro. O envolvimento desta cadeia alavanca a economia mundial, impulsionando e preparando o mercado para o futuro. Cabe ao pedagogo compreender e analisar as diversas dificuldades encontradas nessa determinada empresa. A análise dessas dificuldades permitirá a elaboração de um trabalho voltado para o aprimoramento e ao bem-estar de todos. Essa ação fará com que os funcionários se comprometam profissionalmente, melhorem o desempenho individual e do grupo.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A pedagogia empresarial desempenha um papel fundamental no desenvolvimento humano e na qualificação profissional dentro das organizações. A atuação do pedagogo, ao articular conhecimentos pedagógicos com as necessidades do ambiente corporativo, contribui para a construção de uma cultura organizacional mais participativa, ética e voltada para a aprendizagem contínua. A pedagogia ultrapassa os limites das instituições formais de ensino. Consolida-se como uma estratégia essencial para o fortalecimento das competências profissionais. Auxilia na resolução de problemas organizacionais e na adaptação às constantes transformações do mercado.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA  

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FURTER, Pierre. Educação e reflexão. 17. ed. Petrópolis: Vozes, 1966.

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GOHN, Maria da Glória. Educação não-formal e cultura política: impactos sobre o associativismo do terceiro setor. São Paulo: Cortez, 1999.

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RIBEIRO, Amélia Escotto do Amaral. Pedagogia empresarial: atuação do pedagogo na empresa. 6. ed. Rio de Janeiro: Wak Editora, 2010.

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ROBBINS, Stephen P. Administração: mudanças e perspectivas. 3. tiragem. São Paulo: Saraiva, 2002.

Malheiro, Vandirene Alves. Pedagogia empresarial: Entre a educação e a gestão de pessoas.International Integralize Scientific. v 5, n 50, Agosto/2025 ISSN/3085-654X

Referencias

Vivian Caroline Coraucci.
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p. 1208-1216,
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Disponível em: https://academic.oup.com/cid/article/67/7/1208/6141108.
Acesso em: 2024-09-03.

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