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Resumo
INTRODUÇÃO
A relação família-escola se mostra um fator relevante no processo de alfabetização e letramento das crianças, visto que ambos os espaços desempenham papéis complementares na promoção do desenvolvimento educacional. Por um lado, a escola é a instituição formalmente responsável pela introdução das crianças ao mundo da escrita e da leitura. Professores capacitados, materiais didáticos apropriados e um ambiente que estimula o aprendizado são elementos essenciais que a escola fornece para que a criança possa se apropriar do código escrito e fazer uso competente da língua em diversas situações comunicativas.
Por outro lado, a família contribui significativamente para o reforço dessas aprendizagens e para a valorização dos conhecimentos adquiridos. As interações cotidianas dentro do lar podem naturalmente envolver práticas de leitura e escrita, como ler histórias antes de dormir, escrever listas de compras ou trocar mensagens com familiares distantes. Além disso, a família pode oferecer um suporte emocional essencial, incentivando a criança a se engajar nas atividades escolares e transmitindo uma atitude positiva em relação ao ato de ler e escrever.
Quando pais e educadores estabelecem uma parceria efetiva, cria-se um círculo virtuoso de apoio ao desenvolvimento da criança. Os pais ficam mais informados sobre os métodos de ensino e as expectativas educacionais, e os professores têm uma visão mais ampla das capacidades, necessidades e do contexto de cada aluno. Dessa forma, é possível identificar precocemente eventuais dificuldades no processo de alfabetização e letramento, e juntos, família e escola podem desenvolver estratégias para superá-las.
Ademais, a presença ativa da família no ambiente escolar, através de reuniões, atividades conjuntas e diálogo constante com os professores, reforça na criança a percepção da importância da educação. Isso é especialmente relevante no processo de alfabetização e letramento, pois são fases em que a criança está construindo os alicerces de sua educação formal e sua relação com a aprendizagem, que acompanhará por toda a vida. Portanto, qual é a importância da relação entre a família e a escola no processo de alfabetização e letramento das crianças?
Sob esse viés, esse estudo teve como objetivo geral compreender de que forma a relação entre a família e a escola pode influenciar o processo de alfabetização e letramento das crianças, e como objetivos específicos pesquisar como as práticas de envolvimento da família na escola podem contribuir para o desenvolvimento da alfabetização e letramento das crianças, identificar os principais desafios e obstáculos enfrentados pelos pais ou responsáveis na participação ativa no processo de alfabetização e letramento dos filhos, por fim explorar as estratégias e recursos utilizados pelas escolas para promover a integração entre a família e a instituição educacional.
Para tanto, os dados foram analisados em prol a diferença entre os grupos e a eficácia da intervenção. Utilizou-se como bases de dados eletrônicas, a Literatura Latino Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS) e a biblioteca eletrônica Scientific Eletronic Library On-line (SciELO), ressaltando que os documentos selecionados para essa pesquisa foram publicados entre os anos de 1996 e 2025, e a busca foi filtrada por descritores, sendo eles: família, afeto, alfabetização, letramento.
A FAMÍLIA E A ESCOLA
Santos (2013) disserta que a escola e a família devam trabalhar em conjunto, visto que, a escola ao se preocupar com a participação da família, visa criar um ambiente saudável e acolhedor para os seus alunos. É imperativo pontuar, que a comunicação entre a escola e as famílias, auxilia no processo de aprendizagem, no sentido de que os alunos, possuem o suporte necessário para buscar meios de resolver suas possíveis dificuldades. Historicamente, a infância e a escola no Brasil, que remonta ao século XIX, quando surgiram as primeiras escolas e instituições de educação infantil no país, pois até então, a educação infantil era realizada de forma informal, dentro da família e da comunidade.
Com a Proclamação da República, em 1889, houve segundo Santos (2013) houve um maior investimento na área de educação, com a criação de escolas públicas em todo o país. No entanto, o acesso à educação ainda era restrito a uma parcela da população, especialmente a elite. No Brasil, a escola primária era obrigatória e gratuita desde a Constituição de 1934, mas a maioria das crianças pobres ainda não tinha acesso à educação. Até o fim da década de 1950, apenas 30% das crianças brasileiras estavam matriculadas nas escolas primárias. Nos anos 60 e 70, houve uma maior democratização do ensino, com a ampliação da rede pública de ensino, a criação de novas escolas e a implementação de políticas de inclusão social. Nesse período, surgiram também as primeiras creches e pré-escolas no país.
A partir dos anos 80, a infância começou a ser vista de forma mais valorizada e a educação infantil passou a ser considerada uma etapa importante da formação do indivíduo. Foram criados diversos programas governamentais para a expansão da educação infantil, como o Programa Nacional de Educação Infantil (PNEI) e o Projeto de Lei da Política Nacional de Educação Infantil. Com tempo a educação infantil passou a ser vista como uma fase importante do desenvolvimento humano, que deve ser valorizada e garantida a todas as crianças. As escolas e instituições de educação infantil têm um papel fundamental na formação dos indivíduos, contribuindo para a construção de uma sociedade mais igualitária e justa.
A gestão que se volta para o rendimento de seus alunos impacta diretamente na compreensão que possui acerca da realidade em que estão inseridos. Ajudando a identificar problemas que possam interferir na sua aprendizagem, dentre eles, problemas familiares, financeiros ou emocionais. Ao se envolver no processo de escolarização dos filhos os pais ou responsáveis podem estabelecer uma relação de parceria juntamente com a escola e seus professores, galgando assim, um caminho para o sucesso acadêmico e pessoal desse aluno (Saviani, 2008).
Segundo Santos (2013) a educação da infância, vai se dar via escolarização em um tempo nomeado modernidade, momento em que os Estados Nação tomam para si a responsabilidade da formação do cidadão via instituição escolar e sob a supervisão do estado. A escola quando criada como lugar separado da casa e, portanto, da família, toma para si, em nome do estado educador, o papel de educar a todos os sujeitos.
Deve-se lembrar que a estrutura familiar não é algo estático, mas sim um reflexo das transformações e evoluções da sociedade como um todo. A compreensão dessas mudanças é essencial para lidar adequadamente com os desafios e demandas dessa nova realidade familiar. Brandão (2007 p.7) disserta que;
Ninguém escapa à educação. Em casa, na rua, na igreja ou na escola, de um modo ou de muitos, todos nos envolvemos pedaços da vida com ela; para aprender, para ensinar, para aprender- e –ensinar. Para saber, para fazer, para ser ou para conviver, todos os dias misturamos a vida com a educação. Com uma ou várias educações? […]. Da família a comunidade, a educação existe difusa em todos os mundos sociais, entre as incontáveis práticas dos mistérios de aprender; primeiro, sem classes de alunos, sem livros e sem professores especialistas; mais adiante, com escolas, salas, professores e métodos pedagógicos. Ela ajuda a criar tipos de homens. Mais do que isso, ela ajuda a criá-lós, fazendo passar de uns para os outros o saber que os constitui e legitima. Mais, ainda, a educação participa do processo de produção de crenças ideias, de qualificações e especialidades que envolvem as trocas de símbolos, bens e poderes que em conjunto, constroem tipos de sociedades. E esta é a sua força.
Conforme Brandão (2007) compreende-se que a relação da família na escola pode ajudar a criar um ambiente mais inclusivo, considerando-se principalmente as diferentes culturas, tradições e formas de pensar de cada família. Essa diversidade, tem o papel de enriquecer as experiências educacionais dos alunos, e cabe a escola e aos familiares estreitarem essa relação de forma colaborativa.
Como se pode compreender a escola? E qual o papel de cada um (professor, gestão e família) dentro desse universo? Quando se reflete em todo o ritual escolar com suas normas e festas, provas, avaliações, notas. Pode-se dizer que a escola pode ser vista como afeto, desafeto, processo, parte de um todo, caminho, muitas são as definições do que a escola representa, e isso é muito particular, o que não se pode negar é que a escola é um caminho marcado para a liberdade, o crescimento e a confiança (Saviani, 2008 p.18).
Sob a hipótese de que, em algum momento da história, houvesse um abismo na relação família – escola Silva e Cavalcante (2012), compreenderam que os educadores apontam que os pais deixam de se envolver no ambiente escolar e nas atividades e estratégias pedagógicas que envolvem a sua participação devido suas rotinas atribuladas, por outro lado, a família não sente que as suas demandas e necessidades são acolhidas, nem compreendidas pelas instituições de ensino, quando se deparam com a quantidade de atividades propostas pelas instituições. Segundo Wieczorkievicz e Baade (2020 p.02);
A estrutura familiar sofreu diversas modificações ao longo do tempo; seu tamanho, seus valores e os papéis sociais desempenhados pelas pessoas que a compõem nos remetem a outros aspectos da sociedade, como os novos hábitos e estilos de vida, a acelerada urbanização, as adequações ao mercado de trabalho, a melhoria dos níveis de escolarização, novos valores e culturas, a massificação dos meios de comunicação e classe social.
Reconhecer as mudanças na estrutura familiar ao longo do tempo, levando em consideração aspectos como o tamanho da família, seus valores e os papéis sociais desempenhados pelas pessoas que a compõem estão intimamente ligados a outros aspectos da sociedade, tais como novos hábitos e estilos de vida, urbanização, trabalho, educação, valores culturais, difusão dos meios de comunicação e classe social. Nesse contexto segundo Castro e Regattieri (2010) percebe-se que a escola exercerá múltiplas funções, sendo elas, a educação em si; a aprendizagem; a socialização; a cidadania; o desenvolvimento pessoal; a preparação para carreiras; o desenvolvimento físico e o desenvolvimento emocional e intelectual das crianças.
Refletir sobre como fatores externos influenciam e moldam a estrutura familiar. Por exemplo, a urbanização e a adequação ao mercado de trabalho podem resultar em famílias nucleares menores, já que pessoas se deslocam para as cidades em busca de emprego. Além disso, a melhoria dos níveis de escolarização pode influenciar na mudança de papéis dentro da família, com ambos os pais trabalhando e compartilhando as responsabilidades domésticas. Szymanski (2001, p. 53) explica que: Uma instituição (a escola) não substitui uma família, mas com atendimento adequado, pode dar condições para a criança e o adolescente desenvolverem uma vida saudável no futuro.
Silva e Cavalcante (2012 p. 41) de outro modo, contribui nessa questão, afirmando que;
O trabalho da escola tem uma repercussão muito maior também: não se trata simplesmente de transmitir determinados conteúdos socialmente acumulados pela humanidade: trata-se, além disso, de inserir o sujeito no processo civilizatório, bem como na sua necessária transformação tendo em vista o bem comum.
Conforme, Szymanski (2001) existem uma importante parceria entre a escola e a família quando se aborda o sucesso da educação, acreditando, assim, que a escola deve ser um espaço de diálogo e construção de conhecimento contando com a participação ativa dos pais e responsáveis, visto que a família deve ser vista como um aliado da escola, compartilhando responsabilidades e fortalecendo o processo de aprendizagem dos alunos.
Ao compartilhar responsabilidades, a escola e a família fortalecem as bases da educação, permitindo que o aluno se desenvolva de forma integral. A parceria entre essas duas esferas é fundamental para superar desafios e garantir que o educando receba um ensino de qualidade. Segundo Gadotti (1996 p.71),
A relação entre a família e a escola deve ser uma parceria em que ambos trabalham juntos para o desenvolvimento e aprendizagem dos alunos. É importante que haja uma comunicação aberta e transparente entre ambas as partes para que possam compreender as necessidades e dificuldades dos estudantes. Além disso, a escola deve reconhecer e valorizar a contribuição da família e de sua cultura no processo educativo, e a família deve ser incentivada a participar ativamente na vida escolar de seus filhos. A falta de integração entre a escola e a família pode gerar conflitos e dificuldades para a aprendizagem dos alunos.
A ideia de que a escola deve ser um espaço de diálogo e construção de conhecimento vai de encontro à concepção tradicional de ensino, em que o professor é o detentor do conhecimento e o aluno passivo receptor. A visão freiriana propõe uma educação mais participativa, em que os alunos são protagonistas de sua aprendizagem e os pais são aliados nesse processo. Freire (1996 p.16) aponta que;
A escola deve ser também um centro irradiador da cultura popular, à disposição da comunidade […] um centro de debate de ideias, soluções, reflexões, onde a organização popular vai sistematizando sua própria experiência. A escola não é só um espaço físico. É um clima de trabalho, uma postura, um modo de ser.
A importância da parceria entre a escola e a família na educação dos alunos. Ao mencionar Paulo Freire, é destacada a influência do pensamento freiriano, que valoriza a participação ativa dos sujeitos envolvidos no processo educativo. Para Rotella (2020) as famílias afetam os comportamentos de aprendizagem e o desempenho acadêmico das crianças de maneiras importantes, pois são os ambientes primários e mais significativos aos quais as crianças estão expostas. As famílias podem desempenhar papéis ainda mais importantes no desempenho acadêmico do aluno do que escolas e comunidades.
O AFETO E A CONTRIBUIÇÃO NO PROCESSO DE ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO
De forma precisa o significado do afeto e sua importância nas relações humanas. O afeto é um conjunto de emoções e sentimentos que uma pessoa tem em relação a algo ou alguém. Pode ser positivo ou negativo e é expresso de diferentes maneiras, como palavras, gestos, toques e olhares. O afeto influencia diretamente o comportamento e as escolhas de um indivíduo, afetando sua convivência com outras pessoas e seu desempenho em diversas áreas da vida, inclusive no âmbito acadêmico. Isso mostra a relevância de cultivar relacionamentos afetivos saudáveis e positivos para promover um bem-estar geral e um bom desenvolvimento pessoal (Saviani, 2008).
A família é fundamental sobre o qual se baseiam todas as sociedades. É mais do que apenas um arranjo de vida; é uma força poderosa que molda nossas identidades e dá os primeiros passos para aprendermos a ter um papel ativo em nossas vidas e na sociedade. Dessa forma, a educação da criança começa em casa, pois ela aprende a compartilhar, cooperar e se expressar livremente por meio da interação com irmãos, pais e outras pessoas (Brandão, 2007).
Assumir a responsabilidade pelos próprios atos e respeitar os sentimentos e as perspectivas dos outros. Além disso, a família oferece várias influências importantes para as crianças à medida que crescem e se envolvem cada vez mais em suas comunidades. Em relação à educação, a relação família e escola são de suma importância. Para Rotella (2020 p.26) à medida que as crianças fazem a transição para a escola formal, suas famílias continuam a ser influentes no fornecimento de um ambiente de aprendizado seguro, transmitindo valores que promovem o desempenho acadêmico e oferecendo orientação durante todo o processo educacional.
O professor torna-se então parte integrante desta relação: deve trabalhar em estreita colaboração com a família para garantir que a comunicação permaneça aberta e eficaz (o que inclui ser respeitoso, bondoso e tolerante). Além de fornecer suporte para o progresso do aluno na escola, os professores também devem se esforçar para ajudar os pais a entender o que seu filho está passando ao atravessar os vários estágios de aprendizagem. Isso permite que todas as partes – incluindo os alunos – entendam melhor as perspectivas uns dos outros e trabalhem juntos para criar um ambiente de aprendizado ideal. Pode-se garantir que as crianças recebam educação da mais alta qualidade, promovendo um senso de comunidade entre a família, a escola e o aluno. Para Gadotti (1996) o diálogo aberto e a compreensão mútua apenas aumentarão a capacidade dos alunos de obter sucesso em suas atividades acadêmicas. É por isso que é vital que os professores considerem a dinâmica única da vida familiar de cada aluno ao preparar as aulas ou se comunicar com os pais – trabalhar em conjunto é exatamente o que permite que todos os envolvidos na educação de uma criança aproveitem ao máximo seu relacionamento uns com os outros.
Em suma, para Silva e Cavalcante (2012) a alta qualidade cria uma oportunidade inestimável para os jovens crescerem, florescerem e se desenvolverem academicamente e pessoalmente durante sua jornada educacional. Quando famílias e escolas se unem, todos os participantes se beneficiam. Uma forte relação família-escola é o primeiro passo para proporcionar às crianças uma experiência educacional completa que as prepare para os diversos desafios do futuro.
A escola precisa utilizar todas as oportunidades de contato com os pais, para passar informações relevantes sobre seus objetivos, recursos, problemas e sobre as questões pedagógicas. Só assim, a família irá se sentir comprometido com a melhoria da qualidade escolar e com o desenvolvimento de seu filho como ser humano. Diante de tais comentários podemos supor que quanto mais a família participa, mais eficaz é o trabalho da escola, pois dessa forma, cada um se dedicará às suas atribuições. (Paro, 2000).
Até o século XII, não se representava a infância no sentido de não ter características infantis. Isso não se devia à falta de habilidade do artista, mas sim à inexistência do conceito de infância. As crianças eram simplesmente reproduzidas em uma escala menor que os adultos, sem nenhuma diferenciação em sua expressão ou traços. Em raros casos, quando eram mostradas nuas, seus corpos eram musculares como os de um adulto. Somente a partir do século XIII, começaram a aparecer características infantis nas representações, mas ainda eram pouco frequentes (Ariés, 2021).
O papel da escola na escolarização é oferecer um ensino de qualidade, que permita o desenvolvimento das habilidades e competências necessárias para a formação de cidadãos críticos e participativos na sociedade. Nesse sentido, a escola deve proporcionar um ambiente propício ao aprendizado, com professores qualificados e recursos pedagógicos adequados frequentes. Já o papel da família na educação da criança era promover um ambiente afetivo e seguro para o seu desenvolvimento emocional e cognitivo, além de ser responsável por transmitir valores, normas e costumes que ajudem a formar o caráter da criança. Por isso, é importante que a família esteja presente na vida escolar de seus filhos, acompanhando o desempenho, dialogando com os professores e incentivando o interesse pelo aprendizado frequentes (Ariés, 2021).
Embora tenham papéis distintos, a escola e a família devem trabalhar em conjunto para garantir o sucesso acadêmico e socioemocional das crianças. A união desses dois mundos é fundamental para que haja uma educação mais integral e efetiva, que considere as peculiaridades de cada aluno e promova a formação de indivíduos críticos, éticos e comprometidos com a construção de uma sociedade justa e solidária. Assim, conforme Silva e Cavalcante (2012), pensar que o papel da escola e da família é compartilhar mutuamente contribuindo juntas e separadamente, com experiências com a criança, visto que a criança precisa ser nutrida para que ela possa construir novos caminhos de forma saudável, ou rica de experiência, porque afinal o que é a vida se as experiências que se vive. A escola é para as crianças e professores um ambiente de experiência. Aprender é uma experiência, não aprender também é, essas ações impactam de alguma forma e ficam gravadas no profundo das memórias.
Nós somos responsáveis pelo outro, estando atentos a isto ou não, desejando ou não, torcendo positivamente ou indo contra, pela simples razão de que, em nosso mundo globalizado, tudo o que fazemos (ou deixamos de fazer) tem impacto na vida de todo mundo e tudo o que as pessoas fazem (ou se privam de fazer) acaba afetando nossas vidas (Bauman, 2022 p.02).
Ao refletir sobre a escola, Ariès (2021) aborda que ela é uma instituição hierárquica, não operando como um rizoma, mas suas interações se assemelham a um organismo vivo. Tanto a escola quanto a família desempenham papéis distintos na sociedade, sendo ambas essenciais na formação e desenvolvimento dos indivíduos. O principal objetivo da escola é proporcionar um ambiente de ensino e aprendizado, onde os alunos possam adquirir conhecimentos, habilidades e valores que contribuam para seu crescimento como pessoas e cidadãos. Além disso, a escola tem a responsabilidade de preparar os alunos para o mercado de trabalho, oferecendo cursos e disciplinas que os qualifiquem para uma profissão. Por outro lado, a família é encarregada de cuidar da criança desde a sua concepção, transmitir valores e tradições familiares, e é o principal espaço de socialização. Ela também é responsável por inculcar princípios éticos e morais, servindo como um apoio emocional e referência para seus membros.
Historicamente, segundo Bauman (2022) a percepção sobre a utilidade das crianças mudou. Em certos períodos, as crianças não eram vistas como úteis, e seu nascimento e morte eram considerados irrelevantes. Contudo, houve uma fase em que a importância da criança começou a ser reconhecida. Assim, tanto a escola quanto a família passaram a ser vistas como instituições fundamentais para a formação e o desenvolvimento dos indivíduos. A escola tornou-se focada em oferecer um ambiente educativo que prepara os alunos para o mercado de trabalho, enquanto a família se estabeleceu como responsável por cuidar da criança, transmitir valores e tradições, e ser o principal espaço de socialização. Com o tempo, essas dinâmicas evoluíram, consolidando a parceria entre escola e família, ainda que sem um fator essencial.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Esse estudo buscou compreender a relação entre a família e a escola e como essa interação pode afetar o processo de alfabetização e letramento das crianças. Nesse contexto, foi possível observar que a participação ativa da família no processo de alfabetização das crianças é fundamental para o seu desenvolvimento acadêmico. A parceria entre pais e escola proporciona um ambiente propício para o aprendizado, estimulando a criança a se envolver e a se interessar pela leitura e escrita desde cedo.
Identificou-se que as famílias que valorizam a educação e estabelecem uma rotina de estudos em casa tendem a ter resultados mais satisfatórios no processo de alfabetização. O apoio familiar, seja por meio da leitura conjunta, auxílio nas tarefas escolares ou estímulo contínuo ao estudo, demonstra estar intimamente ligado ao desempenho das crianças na aquisição das habilidades de leitura e escrita.
Devendo pontuar que o diálogo constante, por meio de reuniões, troca de informações, feedbacks e orientações, permite uma maior compreensão das necessidades da criança e das estratégias adotadas pela escola no processo de alfabetização. Essa comunicação fortalece a parceria entre ambas as partes e contribui para o sucesso do desenvolvimento da criança.
É importante ressaltar que a relação entre a família e a escola não pode ser vista isoladamente, mas sim como um sistema integrado. Ambos os ambientes devem trabalhar em conjunto, compartilhando responsabilidades e promovendo um ambiente de aprendizado saudável e estimulante para as crianças.
Concluindo que, este estudo apresentou evidências de que a relação entre a família e a escola exerce uma influência significativa no processo de alfabetização e letramento das crianças. A participação ativa da família, a valorização da educação, a comunicação entre as partes e o trabalho conjunto são elementos fundamentais para que as crianças desenvolvam habilidades de leitura e escrita de forma eficaz.
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