Funções executivas a importância da avaliação e intervenção em adolescentes

EXECUTIVE FUNCTIONS AND THE IMPORTANCE OF ASSESSMENT AND INTERVENTION IN ADOLESCENTS

FUNCIONES EJECUTIVAS LA IMPORTANCIA DE LA EVALUACIÓN E INTERVENCIÓN EN ADOLESCENTES

Autor

URL do Artigo

https://iiscientific.com/artigos/40401D

DOI

doi.org/10.63391/40401D

Péres, Sônia Martins de Oliveira . Funções executivas a importância da avaliação e intervenção em adolescentes. International Integralize Scientific. v 5, n 50, Agosto/2025 ISSN/3085-654X

Resumo

O presente artigo visa dialogar sobre a importância do conhecimento das funções executivas para o desenvolvimento de habilidades cognitivas e a plasticidade cerebral na fase da adolescência. A Neurociências vem sendo estudada no processo ensino aprendizagem, no que se torna importante tema na atuação profissional. O processo de avaliação e intervenção das funções executivas por profissionais da educação tem auxiliado no desenvolvimento cognitivo de Adolescentes. Fase da vida, onde alguns fatores externos são elementos pontuais que dificultam o processo de aprendizagem, os conhecimentos de alguns fatores são primordiais para a intervenção e desenvolvimento holístico desse sujeito. O artigo aborda os conceitos fundamentais sobre a plasticidade neural, cognição, funções executivas, principais funções executivas, importância da avaliação para intervenção. Esse estudo foi fundamentado em cursos sobre funções executivas, leitura de livros e artigos, bem como pesquisa na Internet. Portanto, o principal objetivo é demonstrar a necessidade do conhecimento básico por profissionais que atuam com adolescentes e verificam dificuldades pontuais de aprendizagem.
Palavras-chave
funções executivas; plasticidade cerebral; cognição e avaliação em adolescentes.

Summary

This article aims to discuss the importance of understanding executive functions for the development of cognitive skills and brain plasticity during adolescence. Neuroscience has been studied in the teaching-learning process, becoming an important topic in professional practice. The process of assessing and intervening in executive functions by education professionals has aided the cognitive development of adolescents. At this stage of life, where some external factors are specific elements that hinder the learning process, knowledge of certain factors is essential for intervention and holistic development of these individuals. The article addresses the fundamental concepts of neural plasticity, cognition, executive functions, key executive functions, and the importance of assessment for intervention. This study was based on courses on executive functions, reading books and articles, and online research. Therefore, the main objective is to demonstrate the need for basic knowledge for professionals who work with adolescents and identify specific learning difficulties.
Keywords
executive functions; brain plasticity; cognition and assessment in adolescents.

Resumen

Este artículo busca discutir la importancia de comprender las funciones ejecutivas para el desarrollo de las habilidades cognitivas y la plasticidad cerebral durante la adolescencia. La neurociencia se ha estudiado en el proceso de enseñanza-aprendizaje, convirtiéndose en un tema relevante en la práctica profesional. El proceso de evaluación e intervención en las funciones ejecutivas por parte de los profesionales de la educación ha contribuido al desarrollo cognitivo de los adolescentes. En esta etapa de la vida, en la que algunos factores externos dificultan el aprendizaje, el conocimiento de dichos factores resulta esencial para la intervención y el desarrollo integral de estas personas. El artículo aborda los conceptos fundamentales de plasticidad neuronal, cognición, funciones ejecutivas, las principales funciones ejecutivas y la importancia de la evaluación para la intervención. Este estudio se basó en cursos sobre funciones ejecutivas, en la lectura de libros y artículos, así como en la investigación en línea. Por lo tanto, el objetivo principal es demostrar la necesidad de conocimientos básicos para los profesionales que trabajan con adolescentes y que identifican dificultades específicas de aprendizaje.
Palavras-clave
funciones ejecutivas; plasticidad cerebral; cognición; evaluación en adolescentes.

INTRODUÇÃO

Definir o que são as funções executivas e quais as implicações acerca desse componente cerebral é algo a ser discutido, avaliado e aprofundado. Não há um consenso único que defina as funções executivas, no entanto, alguns estudiosos definem as funções executivas fundamentais para o processo de ensino aprendizagem.

No Brasil, em torno de 40% das crianças apresentam dificuldades no processo ensino aprendizagem, segundo estudos de avaliação educacional de larga escala. (SAEB)

As dificuldades de aprendizagem são pontuais relacionada a causas comportamentais e do ambiente (problema familiar; prática pedagógica; mudança de escola), quando feita uma intervenção adequada as dificuldades são sanadas.

O não conseguir aprender adequadamente no tempo certo e com destreza, são devido a diferentes fatores internos e/ou externos: fatores biológicos, emocionais (pois a aprendizagem se dá com a emoção), ambientais, práticas pedagógicas. A qual esses fatores devem ser cuidadosamente investigados por uma equipe multidisciplinar: Psicólogos, Neuropsicopedagogos/ Psicopedagogos, Pedagogos, Neurologista/ Neuropediatra, Fonodióloga, Psiquiatras.

É fundamental que educadores conheçam as estruturas cerebrais como interfaces da aprendizagem e que sejam sempre um campo a ser explorado. Diferentes partes do cérebro podem estar prontas para aprender em tempos diferentes; cada etapa do desenvolvimento corresponde a seu estímulo.

Um adolescente com rebaixamento em suas funções executivas, como atenção, memória, organização, coordenação motora, planejamento e inibição terá mais dificuldade em desenvolver suas habilidades cognitivas e o aprendizado esperado. Existe a necessidade de resignificar o processo de aprender.

Pessoas com lesões na região pré-frontal do córtex cerebral, pode acontecer o que chamamos de disfunção executiva, por ser a região do sistema nervoso central, responsáveis pelo desempenho dessas funções.

Weis, Relva, Zimmerman, Bossa e Seabra em suas obras, colocam a necessidade de estarmos atentos, conhecer, avaliar e intervir adequadamente em habilidades rebaixadas nos adolescentes que apresentam queixas de dificuldades, inclusive adultos e idosos. O foco não deve ser apenas as crianças, pois tais fatores podem surgir através de fatores ambientais e sociais nas outras fases do desenvolvimento humano.

DESENVOLVIMENTO

Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento. (Clarice Lispector)

Segundo Weiss (2012, p.25), a não aprendizagem na escola é uma das causas do fracasso escolar, sendo analisada de diferentes perspectivas: sociedade, escola e aluno. É causado por uma conjunção de fatores interligados que impedem o bom desemprenho do aluno em sala de aula.

Diferente do transtorno de aprendizagem, que está relacionado a um padrão de dificuldades (leitura; escrita e/ou matemática), de origem neurobiológica. A criança e/ou adolescente, quando diagnosticado precocemente terá o devido acompanhamento e intervenções para que possa desenvolver um aprendizado coerente.

 

O sistema nervoso central forma seu acervo de experiências conscientes e inconscientes ao longo da vida. Essas experiências constituem nossa memória individual. Assimilamos sempre muito mais do que percebemos. (Barros, 2018, p.13)

Estudos trazem que o cérebro aprende: 10% lendo; 20% ouvindo; 30% observando; 50% vendo e ouvindo; 70% discutindo; 80% praticando; 95% ensinando outras pessoas.

 

Ensinar o uso de estratégias que eliciam o funcionamento executivo, tem impacto importante sobre o desenvolvimento escolar e sobre a auto percepção de competência dos estudantes. (Meltzer)

PLASTICIDADE CEREBRAL

A plasticidade é importante na aprendizagem.

Nos últimos anos, o estudo da Neurociências ligado ao aprender, descobriu que o cérebro humano muda durante a vida, a qual esse desenvolvimento depende dos estímulos motores e sensoriais.

 

Relva apud Relva (2010, p.32) define a Plasticidade Cerebral como a denominação das capacidades adaptativas do Sistema Nervoso Central (SNC) e sua habilidade para modificar sua organização estrutural própria e funcionando. Ela é a propriedade do sistema nervoso que permite o desenvolvimento de alteração estruturais em resposta à experiência, e como adaptação a condições mutantes e a estímulos repetidos.

Este fato é melhor compreendido através do conhecimento do neurônio, da natureza das suas conexões sinápticas e da organização das áreas cerebrais. São cerca de 100 bilhões de neurônios, por isso a capacidade de aprender é ampla, sendo a aprendizagem uma modificação biológica na comunicação dos neurônios. A cada nova experiência do indivíduo, portanto, redes de neurônios são rearranjadas, outras tantas sinapses são reforçadas e múltiplas possibilidades de respostas ao ambiente tornam-se possíveis.

A aprendizagem muda/ transforma, é um ato de aprender ou adquirir conhecimento através estímulos sensoriais, neurobiológicos, psicológicos e psicomotores.

Ressalta-se aqui que nos estudos das neurociências a fase da adolescência passa por transformação e rearranjo do cérebro favorecendo a diminuição do funcionamento das áreas de recompensa e a variação de comportamentos, incluindo o interesse pelos estudos.

COGNIÇÃO

Um processo pelo qual os indivíduos adquirem conhecimento sobre o mundo ao longo da vida. (Irene Maluf)

Cognição dorme na cama da emoção.

É a habilidade que temos para assimilar e processar as informações que recebemos de diferentes fontes a fim de que sejam convertidas em conhecimento, se desenvolvem a partir de 4 anos, diferentes partes do cérebro podem estar prontas

Os processos cognitivos podem ocorrer de forma natural ou artificial, consciente ou inconsciente, mas geralmente são rápidos e funcionam constantemente sem a gente perceber.

É uma função psicológica atuante na aquisição do conhecimento e se dá através de alguns processos, como a percepção, a atenção, associação, memória, raciocínio, juízo, imaginação, pensamento e linguagem. É mais do que simplesmente a aquisição de conhecimento e consequentemente, a nossa melhor adaptação ao meio, é também um mecanismo de conversão do que é captado para o nosso modo de ser interno.

Se a neurociência e o estudo da plasticidade cerebral mostraram alguma coisa, é porque quanto mais usamos um circuito neural, mais forte ele se torna.

O tripé, a base da cognição: motor, sensorial e perceptual.

FUNÇÕES EXECUTIVAS

As funções executivas são habilidades relacionadas à capacidade das pessoas de se empenharem em comportamentos orientados a objetivos, ou seja, à realização de ações voluntárias, independentes, autônomas, auto-organizadas e direcionadas para metas específicas (Gazzaniga, et. al.,2006; APUD Menezes, et al., 2012, p.34).

São processos mentais mediante os quais resolvemos problemas internos (representação mental de conflitos afetivos e motivacionais) e externos (resultado da relação

entre o indivíduo e o seu ambiente) de forma deliberada. Permitem ao indivíduo perceber os estímulos ambientais, responder de maneira adaptativa a esses estímulos, mudar a direção de pensamentos e comportamentos quando a situação assim exigir, antecipar metas futuras, antecipar consequências de atos e comportamentos.

 

Série de habilidades cognitivas e princípios de organização necessárias para lidar com as situações flutuantes efetivamente. Capacidade de engajar com sucesso num comportamento com um propósito, independente, autônomo. (Lezak – 1995)

Funções executivas (FEs) processo do córtex pré-frontal, região do cérebro mais desenvolvido na espécie humana, responsável por processar a informação do cérebro.

 

Em termos de desenvolvimento é a última área do cérebro que o complete. Mas não que ela somente comece a se desenvolver tardiamente; pelo contrário, já está em desenvolvimento desde que nascemos. Porém, é a que demora mais tempo para ser mielinizada e terminar sua arquitetura funcional. (Metring apud Rodrigues, 2018, P.20)

O córtex pré-frontal do lobo frontal é a base, em última estância, da cognição, do comportamento e da resposta emocional, mediadora entre muitas outras estruturas que se distribuem ao longo do encéfalo, na tomada de decisões.

O cérebro está a todo momento desempenhando funções executivas. Desde o momento que acordamos até a hora de dormir, o nosso cérebro permanece atento e ligado no planejamento de ações e na elaboração de objetivos a serem alcançados durante todo o nosso cotidiano.

As FEs tem denominações parecidas da parte de cada pesquisador, dependendo do método chegamos a trabalhar com 11 (onze): quentes (regular e inibir) e frias (objetivar, planejar, organizar, iniciar, perseverar, monitorar, flexibilizar e operacionalizar)

De forma bem simples, as funções executivas frias são aquelas que mexem mais com a lógica e o planejamento. Já as quentes são aquelas que envolvem emoções e sentimentos. Um exemplo engraçado de função executiva quente dado pelo professor Philip Zelazo é a ideia da alternativa envolvendo algo que se deseja.

 

É interessante observar que as funções quentes normalmente afetam as funções frias, “atrapalhando” a nossa capacidade de planejar, organizar, controlar impulsos, etc. Sob esse ponto de vista é possível dizer que as funções executivas quentes são superiores às frias. (Zelazo, Grupo Can, 2019)

As FEs não nascem com a gente elas vão se desenvolvendo no decorrer da nossa vida, sendo mais desenvolvidas entre três a nove anos de vida, até por volta dos vinte e cinco anos.

Barkley, afirma que as FEs se desenvolvem uma de cada vez, cada uma adicionada a anterior, criando uma estrutura mental que facilite o autocontrole.

A criança precisa ser provocada para que o processamento seja um processo dela, autorregulado e consciente.

Estimular o desenvolvimento precoce das funções executivas ou da autorregulação pode promover benefícios de curto a longo prazo, nos âmbitos escolar e social.

Há evidências de que crianças e adolescentes expostos a atividades complementares que visam ao desenvolvimento das funções executivas possuem ganhos em diferentes áreas de desempenho escolar, se tornam mais hábeis em focalizar a atenção, inibir impulsos, em fazer planos e em regular seu comportamento habilidades necessárias na aprendizagem.

Meltzer, em 2010, cita que ensinar o uso de estratégias que eliciam o funcionamento executivo tem impacto importante sobre o desempenho escolar e sobre a auto percepção de competência dos estudantes, com destaque para os adolescentes.

IDENTIFICANDO AS FUNÇÕES EXECUTIVAS

Fluxograma com algumas Funções executivas.

 

Fonte: organização de Géssica Muller Rhoden (2020) com base em Russo (2015)

Podemos destacar também:

Memória Operacional, sistema de armazenamento e manipulação de informações por um curto período. Tem como principal função manter as informações on-line mesmo em situações adversas, como um estímulo distrator (são estímulos externos que atrapalham na atenção).

Com base nesses conceitos, pode-se dizer então que a atenção: é um processo cognitivo que abrange mecanismos responsáveis pela sustentação, alternância e seleção de estímulos; se configura como um pré-requisito para a manifestação de outras funções cognitivas como a memória e as funções executivas.

Segundo Lezak (2014) a descrição conceituação dos tipos de atenção podem ser: Atenção   Focal – É a capacidade de selecionar um objeto do ambiente e responder a ele.

Por exemplo: A concentração de um atleta no tiro de largada, enquanto se “desliga” do barulho da multidão.

Atenção Sustentada – A atenção naturalmente tende a vaguear sem rumo, quando sustentada, é capaz de concentrar-se em um objeto ou determinada atividade, como operar máquinas pesadas por um longo período.

Atenção Seletiva – Assemelha-se a atenção sustentada, acrescida da capacidade de não distrair-se do alvo selecionado. Por exemplo, quando se concentra no professor, apesar dos outros estímulos concorrentes.

Atenção Alternada – É a passagem rápida de um estímulo a outro, o que requer um tipo diferente de resposta cognitiva. Por exemplo, quando a atenção é transferida do caderno para o quadro.

Atenção Dividida – Em geral conhecida como “multitarefa”, divide a atenção entre duas ou mais tarefas concorrentes. Pesquisas recentes indicam que o foco, aparentemente dividido, de fato se alterna muito rápido, comprometimento de atenção e concentração estão entre os problemas mentais mais comuns associados à lesão cerebral. (Lezak, 2004).

A resposta inibitória é uma habilidade de resistir a uma forte tendência a realizar algo (Diamond et al, 2007) Fala internalizada: Comportamento encoberto, envolvendo autoinstrução, definição de regras, orientação a partir das regras definidas, raciocínio moral e reflexão.

Persistência é a capacidade de seguir e executar um plano até completar a meta, sem

desistir. Sendo a meta diretamente ligada ao “planejamento”, refere-se aos nossos objetivos.

Na educação é importante que estas funções sejam estimuladas paralelamente ao conteúdo curricular, percebe-se que as FEs estão ligadas, não isoladas, portanto, presentes em um só comportamento.

A AVALIAÇÃO DAS FUNÇÕES EXECUTIVAS EM ADOLESCENTES

Entender como procede o processo de aprendizagem de cada adolescente, torna-se importante para a intervenção e o desenvolvimento de habilidades cognitivas e sensoriais.

Indicada em casos onde há suspeita de dificuldade cognitiva e/ou comportamental.

Envolve estudo do comportamento através de entrevista e testes padronizados. O mais importante é o que avaliar e como avaliar.

 

A atenção e as funções executivas são fundamentais para a interação humana com seu ambiente, sejam comportamentos, cognições ou emoções. Enquanto a atenção possibilita a filtragem e seleção da informação, as funções executivas são responsáveis pelo comportamento autorregulado. Ambas são fundamentais para inúmeras tarefas do dia a dia, incluindo a aprendizagem formal, por exemplo. Quando estão comprometidas, diversas dificuldades podem se manifestar, entre as quais desatenção, desinibição e desorganização são apenas poucos exemplos. Em determinados quadros, alterações nessas habilidades podem ser mais comuns, e a avaliação é sempre relevante com o propósito de traçar o perfil do paciente/ cliente, compreender a manifestação de seus sintomas e dificuldades e, sobretudo, para delinear um plano de intervenção. (Seabra & Dias, 2012, p.xiii)

Avaliação não é apenas a aplicação de testes e sim a interpretação cuidadosa dos resultados somada a análise da situação atual do sujeito no contexto em que vive. Somente com base nesta compreensão global é possível sugerir uma intervenção adequada.

Os resultados obtidos podem sugerir interferências de alterações hormonais, medicamentosas, psicológicas e sociais para além de sequelas de insultos encefálicos. Muitas vezes queixas subjetivas de atividades de vida diária (AVDs), quando investigadas revelam que outros fatores sistêmicos ou pessoais são o motivo destas disfuncionalidades.

Avaliações ecológicas, são as avaliações que pesquisam o ambiente – Anamnese; Perfil Sensorial, SDQ (Questionário de capacidades e dificuldades) – leva-se em consideração alguns pontos: quais fatores estimulam e influenciam sua aprendizagem e por quanto tempo ele consegue se fixar em tarefas e se manter concentrado; em que situações demonstram mais interesse e se sente mais estimulado para escolha de atividades (mais calmas ou mais aceleradas); como ele obtém informações do meio, qual o sentido mais utilizado para isso, quais estímulos que levam a respostas mais adaptativas e como processa toda a informação recebida; como interage e socializa com outras pessoas.

Para tal avaliação, existem alguns testes que devem ser executados e analisados com certo cuidado e conhecimento por profissionais da área de educação, psicopedagogos e neuropsicopedagogos. Não existe receita pronta para avaliação e interpretação, cada indivíduo apresenta um tipo de rebaixamento, onde deve ser feito um treino e uma intervenção específica. São exemplos de protocolos/ instrumentos abertos para avaliação das funções executivas em adolescentes: Teste Trilhas (Seabra e Dias – atenção e flexibilidade cognitiva); TAC Teste de Atenção por Cancelamento (Seabra e Dias – atenção seletiva, atenção alternada, atenção sustentada); Torre de Londres (Seabra e Dias – planejamento); Stroop Test Victória (Spreen e Straus – atenção, flexibilidade cognitiva, controle inibitório, velocidade de processamento); Figuras de Taylor (Allen e Pages – planejamento, análise do processamento visuespacial, evocação da praxia motora, memória visual imediata e memória visual tardia); Winsconsin versão Nelson (Fonseca, Prando e Zimmermann – Capacidade de raciocínio abstrato e flexibilidade cognitiva em respostas as demandas ambientais e imprevisíveis).

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Todo o desenvolvimento cognitivo acontece de forma inerente e independente aos contextos em que o adolescente vive. Seja uma situação favorável ou não, irá passar por um processo maturacional, o que está proposto nesse artigo são construtos importantes para a constituição da intervenção nas funções executivas.

Através de uma observação e utilização de protocolos de avaliação adequados, testes abertos a profissionais da Educação, poderemos verificar os rebaixamentos executivos e intervir, proporcionando o desenvolvimento das habilidades cognitivas essenciais para o aprendizado e suas atividades do cotidiano.

Propõe-se que os profissionais da educação tenham acesso ao conhecimento do desenvolvimento cerebral do indivíduo, tornando-se mais fácil para pontuar as necessidades a serem motivadas, como memória; atenção, controle inibitório e flexibilidade cognitiva em sala de aula.

Ao analisar dados e levantar hipóteses devemos verificar quantitativamente conforme os protocolos, porém o mais importante são as observações qualitativas, pois é onde podemos analisar o comportamento e verificar novos passos e encaminhamentos.

Testes/ protocolos são poucos direcionados para os adolescentes, encontramos com mais facilidade voltados para o desenvolvimento infantil, até 12 anos, normalmente. Portanto, percebe-se a necessidade de mais estudos para essa faixa etária.

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Péres, Sônia Martins de Oliveira . Funções executivas a importância da avaliação e intervenção em adolescentes.International Integralize Scientific. v 5, n 50, Agosto/2025 ISSN/3085-654X

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Disponível em: https://academic.oup.com/cid/article/67/7/1208/6141108.
Acesso em: 2024-09-03.

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Funções executivas a importância da avaliação e intervenção em adolescentes

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