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Resumo
INTRODUÇÃO
De acordo com a evolução da espécie humana, o ritmo do tempo se acelerou devido as mudanças contínuas e a influência da revolução tecnológica, atrelada a um potencial de comunicação e informação que cresce a cada dia. O período entre uma geração e outra tornou-se menor, na contemporaneidade apresenta-se a geração Alpha, que aprende e interage com os conteúdos escolares de uma forma diferenciada das gerações anteriores.
Acompanhando a trajetória geracional, a primeira a ser destacada é a geração tradicionalista que foram pessoas que nascidas entre 1920/1939 e que passaram por consequências de crises econômicas, guerras, ditaduras, repressões políticas, violações de direitos humanos, de cidadania e poucas oportunidades de frequentar uma escola. Seguindo o curso da história do desenvolvimento humano e social, entre 1940/1960, surgiu a geração baby boomers, a qual recebeu uma educação rígida e disciplinar em uma sociedade pós II guerra mundial, foram pessoas que tiveram um maior acesso à educação e que cultivaram o desejo de transformar o mundo, deixando suas marcas nas artes, na política, na economia e nas ciências (Oliveira, 2019).
Entre 1960/1980 foi a vez da geração X, ou a geração coca-cola, marcada por adventos históricos e econômicos (guerra fria, anistia brasileira, AIDS, queda do muro de Berlim), pessoas que começavam a se interessar pelo poder da comunicação digital, apesar de serem fiéis a livros e materiais impressos, (Oliveira, 2019).
Já a geração Y, pessoas nascidas entre 1981/1997 enfrentou a transição para o mundo digital e a globalização, esta geração pontuou os avanços e deu início a uma imersão tecnológica sem volta atrás. A geração Z, pessoas nascidas entre 1998/2009, tem passe livre para as novas tecnologias da comunicação e informação e o universo digital. São alunos que em segundos obtém informações sobre diferentes temas de estudo e entretenimento (Musso, et. al., 2019).
A geração Alpha, pessoas nascidas a partir de 2010, se caracteriza pela conexão em rede e o uso das telas (celulares, iphone, smartphone, televisão, computadores e tabletes), são alunos que se encontram em uma bolha tecnológica e são expertos em conhecimentos digitais. São pessoas que já nasceram em um mundo digital, com todas as facilidades de aceder as informações e ao direito de estudar, comparado as gerações anteriores. É uma geração que inaugura uma nova era, marcada pelo impacto digital e pelas transformações tecnológicas presentes em uma sociedade que criou uma cultura para poder conviver com outras pessoas, da mesma geração e de outras, assim como, com tudo o que acontece no mundo (Musso, et. al., 2019).
Por outro lado, observa-se pessoas inseguras e frágeis emocionalmente, também conhecidas como integrantes da geração floco de neve, que vem aumentando o índice de problemas relacionados à saúde física e mental (Suarez, 2017).
Diante de tais aspectos surge o desafio de ensinar na atualidade, situações que coloca o professorado como aprendiz no que tange compreender o teor das bolhas sociais marcadas pelo individualismo e isolamento dos grupos tecnológicos devido ao uso dos aparelhos eletrônicos, das ferramentas e da forma de pensar da nova geração. Como já dizia Freire (2011, p 25) “quem ensina aprende ao ensinar. E quem aprende ensina ao aprender”. O professor, na atualidade, passa a ser refém de um conteúdo prático digital, aprendendo mais com os seus alunos do que ensinando.
Se tratando dos professores de Matemática a situação complica, já que o aluno já vem se adaptando, desde os primeiros anos de vida, a pensar de forma acelerada e prática, diferente de como os seus professores aprenderam e foram formados.
A geração Alpha vem mostrando, no cotidiano, um momento de plena reconstrução e readaptação de conhecimentos, que acontece de forma dinâmica e ativa.
Visando abordar o seguinte problema: como ensinar Matemática para a geração Alpha do Ensino Fundamental II no Brasil? Justifica-se esta pesquisa pela complexidade de questões que necessitam ser revistas na prática, para que haja um processo de ensino e aprendizagem condizente com os anseios dos alunos.
Neste sentido, o objetivo deste estudo foi analisar as características da geração Alpha e como acontece o ensino da Matemática no Ensino Fundamental II no Brasil.
Através de uma pesquisa bibliográfica de caráter qualitativo, na qual “feita a partir do levantamento de referências teóricas já analisadas, e publicadas por meios escritos e eletrônicos…Qualquer trabalho científico inicia-se com uma pesquisa bibliográfica” (Fonseca, 2002, p. 32).
A intensão, aqui registrada, é incrementar o conhecimento de questões que necessitam ser discutidas e realizadas nas práticas.
DESENVOLVIMENTO
Em meio dos inúmeros avanços tecnológicos que a humanidade vem experimentando ao longo deste século, a geração Alpha foi gerada sob a condição de ser nativa digital, sendo a principal consumidora das telas de celulares, computadores, televisões e outros aparelhos eletrônicos.
Pode-se afirmar que o uso das ferramentas digitais transformou o ritmo de vida do ser humano, influenciando na formação de caráter e da personalidade dos alunos que atualmente representam a geração Alpha nas escolas brasileiras e nas demais instituições de ensino do mundo.
É uma geração muito conectada e influenciada por tudo o que diz respeito às novas tecnologias, porém são crianças e adolescentes frágeis e vulneráveis emocionalmente, susceptíveis a desenvolverem transtornos psicológicos que se refletem no processo de aprendizagem. É a geração floco de neve, afetada pela pandemia da COVID-19, composta por pessoas em desenvolvimento que apresentam muita sensibilidade e intolerância às frustrações, são frágeis e inseguras, com tendência a desenvolverem ansiedade e depressão prejudicando o seu desempenho escolar (Suarez 2017; Simpioni et al 2020).
A evolução do homo sapiens (Harari, 2021) nos mostra que com o passar do tempo o ser humano foi adquirindo diferentes perfis desde a postura corporal, passando por gostos, personalidades e atitudes. Foi uma adaptação realizada ao longo da história referente ao contexto que foi se apresentando, de acordo com o evoluir da história humana.
Atualmente a classificação de geração significa a interface homem/máquina, tal definição, também, foi modificada pela interferência das novas tecnologias. De acordo com estudos sociológicos, geração significava as relações estabelecidas dentro dos grupos familiares que identificavam a trajetória consanguínea das pessoas que faziam parte da mesma árvore genealógica, mas agora as gerações são representadas pelas influências do digital no modo de viver do ser humano (Oliveira, 2019).
Ou seja, o homem sofreu mudanças com o avançar dos tempos, Indalécio e Ribeiro (2017, p 138) destacam que “cada geração no decorrer da história carrega consigo uma cultura própria, particularidades, modelos e a crença de que é única, original, mais avançada e mais competente que todas as anteriores.”
Desta forma, a geração que ocupa atualmente as salas de aula do Ensino Fundamental II é a geração Alpha, pessoas que recebem, constantemente, informações e estímulos mentais desenvolvendo, de forma mais acelerada, as suas estruturas cognitivas em relação as pessoas das gerações passadas (Viegas 2015).
E o que se tem na escola brasileira são conteúdos curriculares planejados por pessoas de gerações anteriores, aplicados por professores de outras gerações para crianças e adolescentes da geração Alpha.
Os alunos possuem uma interatividade aguçada em relação aos conteúdos disponibilizados nas redes sociais, porém não apresentam entusiasmo e interesse para temáticas pedagógicas, tratadas nas salas de aula. Tais assuntos não são atrativos para o contexto em que os alunos se encontram imersos.
Sem dúvida, esta é uma realidade complexa onde a escola perde espaço para o digital e tudo o que ele oferece de entretenimento em geral, ambientes virtuais mais objetivos e prazerosos proporcionados por jogos ou imagens de pessoas famosas, de ambientes deslumbrantes ou de objetos de consumo.
Tratando-se das redes sociais, estas possuem mecanismos que direcionam as pessoas para entretenimentos diversos gerando distrações no processo de ensino e aprendizagem escolar. Nesta situação, o estudante apresenta falta de foco e concentração na produção de temas tratados nas salas de aula. Os alunos ficam presos a um jogo cibernético e, muitas vezes, confundem o imaginário com o real, tornando complexa a realidade vivenciada na escola.
Neste caso, os temas tratados pedagogicamente se tornam enfadonhos e cansativos, distantes da vida prática dos alunos da geração Alpha.
A escola vem disputando a atenção do alunado com o mundo virtual que controla os seres humanos para que gerem conteúdos lucrativos através de propagandas, alimentando o universo capitalistas da indústria da moda e do entretenimento.
Enquanto ao sistema de ensino brasileiro, este ainda apresenta a característica de fragmentação do conhecimento, refletindo nas salas de aula uma disciplinaridade curricular (Lopes 2008).
Apesar dos avanços educacionais registrados na Base Comum Curricular/BNCC (Brasil 2018) do Ensino Fundamental II, no que tange aos conteúdos curriculares de matemática, a realidade das salas de aula ainda se encontram compartimentalizadas, não sendo compatível com a realidade do aluno. É sabido que há uma busca por uma visão global e interdisciplinar para que crianças e adolescentes sejam preparados como cidadãos, capazes de resolverem problemas práticos. Porém, tal perspectiva ainda não é uma realidade concreta nas escolas brasileiras.
De acordo com a BNCC (Brasil 2018) o ensino da Matemática na educação básica brasileira, deve seguir o princípio:
No Ensino Fundamental, essa área, por meio da articulação de seus diversos campos– Aritmética, Álgebra, Geometria, Estatística e Probabilidade–, precisa garantir que os alunos relacionem observações empíricas do mundo real a representações (tabelas, figuras e esquemas) e associam essas representações a uma atividade matemática (conceitos e propriedades), fazendo induções e conjecturas. Assim, espera-se que eles desenvolvam a capacidade de identificar oportunidades de utilização da matemática para resolver problemas, aplicando conceitos, procedimentos e resultados para obter soluções e interpretá-las segundo os contextos das situações. A dedução de algumas propriedades e a verificação de conjecturas, a partir de outras, podem ser estimuladas, sobretudo ao final do Ensino Fundamental.
O Ensino Fundamental deve ter compromisso com o desenvolvimento do letramento matemático 45, definido como as competências e habilidades de raciocinar, representar, comunicar e argumentar matematicamente, de modo a favorecer o estabelecimento de conjecturas, a formulação e a resolução de problemas em uma variedade de contextos, utilizando conceitos, procedimentos, fatos e ferramentas matemáticas. É também o letramento matemático que assegura aos alunos reconhecer que os conhecimentos matemáticos são fundamentais para a compreensão e a atuação no mundo e perceber o caráter de jogo intelectual da matemática, como aspecto que favorece o desenvolvimento do raciocínio lógico e crítico, estimula a investigação e pode ser prazeroso (fruição) (Brasil 2018 p 265-266).
Na prática o aspecto fruição ainda se encontra imperceptível dentro das salas de aula, o que se observa é que, por um lado, são os alunos aterrorizados e perdidos em relação ao conteúdo matemático que, na maioria das vezes, apresentam questões distanciadas da realidade. E por outro lado, o que se constata são professores despreparados e equipes de profissionais atuantes nas escolas que insistem em exigir a forma tradicional de ensinar Matemática, os quais mostram não confiar em ações práticas registradas no texto da BNCC (Brasil 2018). Müller (2000, p 141), analisando historicamente o ensino da Matemática no Brasil, conclui que:
Somente as propostas teoricamente fundamentadas devem permanecer. O professor precisa ter este entendimento, para otimizar o uso do computador em sala de aula…Devidamente utilizado, o computador impõe um repensar à prática educativa e, instiga a redefinição dos papéis dos envolvidos no processo educativo. Diante deste ferramental, o aluno pode embrenhar-se na vegetação exuberante que é o conhecimento produzido pela humanidade, em busca das informações que lhe são necessárias… Longe de ser mais um modismo educacional passageiro, o computador veio para ficar e está influenciando a formação de uma nova geração. Em vez de competir, o professor precisa aliar-se a ele. Para que isso ocorra, é necessário que o professor saia, urgentemente, desta nova e cruel forma de analfabetismo frente à tecnologia (Müller 2000, p 141).
O que é vivenciado no cotidiano escolar é uma visão fragmentada do conhecimento que não contribui para a compreensão de uma visão de mundo global. Os conteúdos matemáticos tornam-se descontextualizados e sem significados para os alunos, pois o mundo em que eles vivem, repleto se estímulos virtuais e de ferramentas digitais, não é fragmentado.
Os estudantes brasileiros frequentam escolas que ainda são calcadas e obedecem a uma tradição educacional disciplinar.
Diante desta complexidade, destaca-se os aspectos interdisciplinares nos quais une o conhecimento de diferentes áreas para a análise de uma só questão e os aspectos transdisciplinares nos quais exaltam as qualidades analíticas de cada aluno, na sua individualidade, indo além das fronteiras da disciplinaridade e construindo novos conhecimentos.
A BNCC aponta os Temas Contemporâneos Transversais (Brasil 2019) que necessitam ser trabalhados através de projetos interdisciplinares, porém tais ações são secundárias nas escolas brasileiras e o que se valoriza na realidade são os conhecimentos plasmados nas tradicionais avaliações, que averiguam os conteúdos disciplinares exigidos nas salas de aula.
Em um documento complementar ao da BNCC (Brasil, 2018), que trata sobre os TCTs (Brasil 2019), está registrado:
Educar e aprender são fenômenos que envolvem todas as dimensões do ser humano e, quando isso deixa de acontecer, produz alienação e perda do sentido social e individual no viver. É preciso superar as formas de fragmentação do processo pedagógico em que os conteúdos não se relacionam, não se integram e não se interagem. Nesse sentido, os Temas Contemporâneos Transversais (TCTs) têm a condição de explicitar a ligação entre os diferentes componentes curriculares de forma integrada, bem como de fazer sua conexão com situações vivenciadas pelos estudantes em suas realidades, contribuindo para trazer contexto e contemporaneidade aos objetos do conhecimento descritos na Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Dentre os vários pesquisadores que investigam e discorrem sobre a relevância e responsabilidade da educação, parece ser consenso que, para atingir seus objetivos e finalidades há que se adotar uma postura que considere o contexto escolar, o contexto social, a diversidade e o diálogo. Os TCTs na BNCC também visam cumprir a legislação que versa sobre a Educação Básica, garantindo aos estudantes os direitos de aprendizagem, pelo acesso a conhecimentos que possibilitem a formação para o trabalho, para a cidadania e para a democracia e que sejam respeitadas as características regionais e locais, da cultura, da economia e da população que frequentam a escola (Brasil 2019 p 6).
Estes temas englobam diferentes áreas de conhecimentos, pautados na realidade vigente, podendo trabalhar e valorizar, as dimensões disciplinares (conteúdos específicos da disciplina), interdisciplinares (conteúdos que são tratadas por outras disciplinas) ou transdisciplinares (conteúdos abordados pela vivência do aluno)
Figura 1: Temas Contemporâneos Transversais da BNCC

Fonte: Temas Contemporâneos Transversais (Brasil 2019, p8)
Através dos TCTs, diferentes conteúdos de Matemática podem ser trabalhados mediante a questões referentes a diversas áreas: meio ambiente, ciências e tecnologia, economia, saúde, multiculturalismo, cidadania e civismo. Tais temas apresentam características que perpassam por aspectos sociais, os quais estimulam a participação do alunado que se identifica com problemas vividos no cotidiano. Com isso, crianças e adolescentes experimentam analisar e sintetizar uma realidade que eles já possuem um conhecimento prévio, construído por meio de suas experiências de vida.
Quando conteúdos matemáticos se apresentam imbuídos em problemas que abarcam aspectos relacionados com Artes, História, Geografia, Sociologia, Ciências Naturais, Lógica, Meio Ambiente e até mesmo com o Empreendedorismo, a aprendizagem do aluno é potencializada.
Sobre a gamificação na educação destaca-se a utilização de elementos de jogos em contextos da vida real, contendo estética, estrutura, raciocínio lógico, narrativa, enredo, história, feedback, cooperação, pontuações e outros aspectos que aumentam e estimulam o interesse dos alunos entorno de conteúdos matemáticos. A gamificação não é apenas um jogo, é uma ação estratégica que envolve, sobretudo, a participação do discente na resolução de problemas de situações reais. Desta forma o processo de ensino e aprendizagem se torna mais prazeroso e interessante (Murr 2020).
…a gamificação cria uma simulação dentro de uma situação real, e o que se “pensa” estar fazendo é diferente do que está ocorrendo de fato. Você tem a impressão de que está jogando, mas, na verdade, está estudando um conceito, fazendo um trabalho, comprando produtos, lembrando-se de uma marca etc. Não se trata de ser ludibriado, mas de deixar-se levar pela motivação do jogo para, de forma lúdica, resolver questões da vida real (Murr 2020, p 8).
Porém o professorado de matemática do Ensino Fundamental II, desconhecem como planejar, organizar, aplicar e orientar o desenvolvimento de tal estratégia sob a perspectiva pedagógica.
Observa-se que quando a aula é gamificadas estas exaltam valores mercadológicos, estimulando no alunado o consumismo de aparelhos eletrônicos caros que disponibilizam jogos (tablets, celulares e vídeo games), sendo que muitos destes se encontram facilmente ao alcance da população juvenil. São, muitas vezes, jogos de aposta que geram dependências e prejuízos financeiros.
Se tratando de Matemática é uma área de conhecimento que pede um planejamento específico para que uma situação problema seja resolvida a ponto de alcançar os objetivos propostos, sendo que as aulas necessitam ser transformadas na prática para um formato gamificado. Tal fato requer horas de trabalho a mais da carga horária do professor, o qual já tem outras responsabilidades curriculares a cumprir.
No Brasil poucas escolas conseguem estabelecer processos gamificados devido ao alto custo do processo e a escassez de profissionais qualificados para desenvolver tal estratégia de ensino. O SENAI, os Institutos Federais e algumas escolas filantrópicas e privadas que apresentam recursos financeiros, humanos e digitais para promover um processo de gamificação adequado, realizam trabalhos inovadores.
Enquanto isso, na maioria das escolas públicas do país, os alunos da geração Alpha, do Ensino Fundamental II, são destinados a participarem de aulas de Matemática pautadas no modelo tradicional de ensino.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Para integrar a geração Alpha em um processo de ensino e aprendizagem estimulante e participativo, se faz necessário metodologias práticas que sejam inovadoras e que utilizem ferramentas digitais para incentivar as transformações educacionais em uma sociedade que ainda está baseada na fragmentação do ensino.
Para que esta mudança ocorra os currículos precisam ser modificados de fato e não apenas na teoria, contribuindo para a implantação de uma concepção integrada de ensino e que considerem as características do perfil e do ritmo acelerado das crianças e adolescentes da atualidade (Moran 2014).
As escolas e suas metodologias de ensino se encontram sem muitas opções para obterem êxitos nos processos estabelecidos, ou abraçam as mudanças curriculares ou continuam fomentando o desinteresse do aluno, em especial no que diz respeito aos conteúdos matemáticos.
A escola, e sobretudo a Matemática, necessita estimular o alunado a desenvolver-se e que aprendam a conhecer o contexto em que vivem, construindo projetos de vidas em uma sociedade que não para de oferecer transformações em diferentes aspectos, as quais exigem adaptações na convivência entre os seres humanos e a tecnologia existente, cujo a tendência é continuar avançando.
Acredita-se que o currículo necessita mudar de acordo com um novo planejamento e uma nova organização, considerando a interdisciplinaridade e a transdisciplinaridade como metodologias práticas desenvolvidas nas salas de aula.
A geração Alpha necessita de um ensino que seja condizente com suas necessidades, considerando os fatores individuais e o ritmo acelerado de pensar e aprender, impulsionados pelas habilidades em utilizar as ferramentas digitais. A saúde mental e física desta geração é um ponto frágil e este tema é, sem dúvida, é preocupante. Os jovens da atualidade possuem acesso a diferentes e diversas informações simultaneamente, ativando e acelerando o seu modo de pensar, contribuindo para a impaciência, a ansiedade e a depressão.
Destaca-se que existem probabilidades de melhoras neste quadro diante de um aluno estimulado a estar na sala de aula, aprendendo conteúdos significativos para a sua vida, se autorregulando como pessoa na sua integralidade (Oliveira 2019).
Provavelmente este incentivo contribuirá para uma melhoria no bem-estar dos jovens, ajudando-lhe a refinar as suas habilidades cognitivas, para criar suas próprias estratégias de estar presente no tempo e no espaço ocupado pela geração Alpha.
A escola apresenta uma forte influência social por ter um espaço capaz de unir teoria e prática, através da criação de vivências na sala de aula pautadas no cotidiano, formando futuros cidadãos e agentes de transformadores.
Torna-se evidente que, também, cabe aos profissionais de educação avaliar os pontos positivos e negativos de toda carga digital e tecnológica para criar no aluno o sentido crítico e analítico do uso da internet e das redes sociais, levando-o a selecionar, com discernimento, informações, fontes e estratégias de aprendizagem que lhe favoreça na construção de novos conhecimentos.
Prensky (2010), chama a atenção que não é apenas formar usuários das novas tecnologias, eles devem ser pesquisadores, produtores e construtores de novos saberes.
Neste sentido, o aluno da geração Alpha necessita pensar e utilizar conhecimentos matemáticos que ajudem a resolver problemas contextuais, mediante a grande quantidade de estímulos mentais absorvidos, constantemente, para que ele seja capaz de escolher eticamente e racionalmente o que lhe irá servir para o seu desenvolvimento escolar, social e, sobretudo, individual.
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