Autor
URL do Artigo
DOI
Resumo
INTRODUÇÃO
O presente artigo Entre o poeta e o leitor: onde está a poesia na literatura brasileira, um olhar sobre a transição do século XIX ao XX traz como discussão o que será que é preciso ser poeta para entender a beleza da poesia? Onde está a poesia? O que ela produz? Dentro do âmago da literatura brasileira que permeou a transição do século XIX ao século XX, algumas correntes literárias obtiveram mais ênfase, tal como no modernismo, com fonte principal o romance que exaltava a mulher perfeita, retratadas pelas obras Iracema de José de Alencar, A moreninha de Joaquim Manoel de Macedo. Essa época era caracterizada pela exaltação da natureza e do índio, por achar que esse representava o herói brasileiro.
Nessa época, de início os romances conservavam as características de folhetim, apresentando histórias em ordem cronológica com início, meio e fim, como exemplo teve Memórias de um sargento de milícias de Manuel Antônio de Almeida, elementos esses que pertenciam às publicações europeias. Vale destacar que pelo fato da prosa ter surgido no romantismo, o nome romance logo é associado ao movimento.
Contudo, essas concepções estéticas que englobam o ideário romântico começaram a perder espaço a partir do século XX, uma vez que uma nova tendência baseada agora na trama psicológica e permeada por personagens inspirados na realidade toma conta da literatura ocidental, desse modo se instalava o realismo-naturalismo, com forte utilização ainda da prosa e dos contos, que apareceram em agitação.
DESENVOLVIMENTO
RESUMO DOS PROBLEMAS
Trazendo à tona um gênero literário, o romance indianista, e como afirma (Bosi, 2006) na primeira geração romântica, a imagem do índio era ligada com a glória do colono, esse que se fez brasileiro, a exemplo de Iracema já supracitada, a protagonista que ama um português (colonizador), deixando em evidência a cultura, crenças costumes indígenas, além da valorização da natureza (paisagem brasileira), nessa obra busca-se o índio como herói, pelo desejo de o tê-lo como tal, uma vez que essa própria imagem criada não perpassava pela realidade.
Bosi (2006) ainda enfatiza que se o romancista de ontem se apropriava de fatores da vida humana para sua inspiração tal como os estados agudos da alma e do coração, todavia, o romancista de hoje se apropria sobre esses mesmo fatores só que num estado normal, sem muita conexão surreal. Podemos associar essas transições com o romântico puro retratado na fase do século XIX e o realismo respaldado no segundo, que analisa de forma mais abrangente o homem, a partir da observação rigorosa do mundo físico.
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
A lírica e o poema são a tradução real dos sentimentos, das sensações, das vibrações. Esse é o sentimento real da vida através da lírica poética. O poema segundo (Bosi, 2006) é a estrutura de um gênero, o que definimos e pode-se classificar, ou seja, a nomenclatura dada a cada tipo de texto. A poesia é a possibilidade dessa tradução de sentimentos, de sensações. É da vida as palavras e sentir seus movimentos a nossa volta e de tudo que está a nos arrodear através do poema.
Cabe por ora trazer um conceito acerca da literatura, “é literário o texto que obedeça a algumas exigências: a uma artística (literária), a uma norma consensual de recepção, a uma relação contextual.” (Jobim, 1992, p.259). Explicitando, o primeiro diz respeito ao texto que atua como literário, que possui técnicas, uma história e seu objetivo, o segundo refere-se à recepção e/ou aceitação do leitor a considerar como sendo literário, por fim a terceira característica denota uma sequência do anterior, e sua associação com a realidade, além da relação com todos os demais textos, de qualquer espaço e tempo. Contudo, no que se refere ao ensino, mesmo que a literatura esteja no currículo escolar, a sua prática é deficiente, ou seja, a maneira que se aplica, na maioria das vezes, não consegue encantar o aluno, gerando com isso um desinteresse por esse gênero.
As características de cada autor influenciam na hora de entender o poema escrito por eles. Segundo (Paz, 1982) A poesia é conhecimento, salvação, poder, abandono. Operação capaz de transformar o mundo, a atividade poética é revolucionária por natureza; exercício espiritual é um método de libertação interior. A poesia revela este mundo; cria outro. […] Inspiração, respiração, exercício muscular.
Na literatura, a lírica poética se apresenta em textos poéticos, na música, em versos, em um cordel. O que é lírica? Inquietação essa trazida pelo caso. Pode-se afirmar que a lírica está relacionada a algo sentimental ao que sentimos. Que tipo de sentimento o autor quer transmitir em seu poema? Outra característica importante da lírica é o excesso de sentimentalismo que o autor usa, buscando sempre o abstrato da subjetividade.
O gênero lírico está presente na poesia texto em versos, e tem quatro ferramentas principais, a subjetividade que é bastante reverenciada e explorada pelos autores, o eu-lírico, o lirismo e a música, poema ou versos. O eu-lírico assume uma importante função dentre desses textos líricos, que é o de expressar emoções, pensamentos e sentimentos mais profundos dos autores tendo ainda a subjetividade como aliada.
No poema Dormes de Olavo Bilac, ele exalta a mulher, a sua beleza, o que o tonar incrível e o diferencia de outros autores, vale ressaltar que ele foi um dos principais representantes e autor do movimento Parnasiano que valorizou o cuidado formal do poema, em busca de palavras raras, rimas ricas e rigidez das regras da composição poética. E justamente dessa forma, a mulher em seu poema dormes é venerada sem muita melancolia, sem aquelas paixões avassaladoras. No poema de Bilac, o eu-lírico é uma mulher, ele a idolatra de uma maneira sem tanto romantismo. É uma característica do parnasianismo e simbolismo que são movimentos antirromânticos, esse movimento trás o resgate da espiritualidade sem melancolia.
Segundo (Paz, 1990) em desdobrar um lugar, um aqui, que receba e sustente uma escritura: fragmentos que se reagrupam e procuram constituir uma figura, um núcleo de significados. Ao imaginar o poema como uma configuração de signos sobre um espaço animado não penso na página do livro: penso nas Ilhas Açores vistas como um arquipélago de chamas numa noite de 1938, nas tendas negras nômades nos vales do Afeganistão, nos cogumelos dos paraquedas suspensos sobre uma cidade adormecida, na pequena cratera de formigas vermelhas em algum pátio citadino, na lua que se multiplica e se anula e desaparece e reaparece sobre o seio gotejante da Índia após as monções
No poema de Alvares de Azevedo “Anjos do mar” é perceptível a complexidade de compreensão em seu poema. Ele faz parte da segunda geração do romantismo brasileiro, A morte sempre foi o seu principal tema, e talvez o de grande característica sua. Acabou sendo o poeta sombrios e cinzentos, e por incrível que pareça a riscou-se também no humorismo na sua poesia. (Paz, 1990) afirmar que o poeta não escapa à história, inclusive quando a nega ou a ignora. Suas experiências mais secretas ou pessoas se transformam em palavras sociais, históricas. Ao mesmo tempo, e com essas mesmas palavras, o poeta diz outra coisa: revela o homem.
Nesse poema em especial ele usa da subjetividade da mulher amada, levando-se a imaginar como é o mar a noite, o frio, ventos fortes, areia do mar, que associa-se a todos esses elementos presente no poema, a um movimento belo, porem solitário. O eu-lírico também faz uma relação dos anjos com o mar, a cada onda representa um anjo. A forma a grandiosidade, a finitude. Percebe-se, ao final do poema a relação disso tudo com o beijo da amada, Alvares de Azevedo nos seus poemas retrata a solidão, o mórbido, a desilusão. Segundo (Bosi, 2006) ele é um maçom romantizado.
É preciso entender que o poema atravessa o tempo e causa o mesmo efeito de emoção que perpassa de geração em geração, ou seja, o poema ele é atemporal, e vai contendo o mesmo efeito de antes. A poesia não muda, a arte nunca muda, sobrevivi a todo o tempo; ela sobreviveu às mudanças e às várias adaptações.
No poema de Gonçalves Dias “A Concha e a virgem”, segundo Bosi (2006) Gonçalves Dias entrelaça a poesia sobre a natureza e a poesia saudosista, ou seja, no naturalismo ele ver o sexo como o lado selvagem do ser humano, outra característica que Bosi traz é que Gonçalves Dias é lembrado como o grande poeta indianista da geração romântica. Deu romantismo ao tema índio e uma feição nacional à sua literatura. Nesse poema, é claro que há um clima de paz, que entoa nas entrelinhas, a trata a concha do mar a uma virgem, pode-se até ter um duplo sentido nesse poema.
A prática da literatura, seja pela leitura, seja pela escritura, consiste exatamente em uma exploração das potencialidades da linguagem, da palavra e da escrita, que não tem paralelo em outra atividade humana. (Cosson, 2007, p.16). Assim, fica claro a importância da literatura, pois além de trabalhar a escrita, ela explora também a linguagem humana, facilitando e ajudando a compreender a própria, pois é sabido que a palavra pode reconstruir o mundo, além do que esse gênero é pleno de conhecimentos sobre o homem e o mundo. Logo, necessita-se da linguagem para que gere uma escrita, na qual ambas requerem de uma escrita, as três se fazem necessárias na prática da literatura.
Dessa forma, ela torna o indivíduo mais analítico, fazendo com que ele olhe o mundo ao seu redor com outros olhos, ou seja, analisando-o e sabendo comparar com a realidade que a obra foi lida e/ou escrita, além de levar tudo que foi significativo para seu cotidiano. É como afirma Cosson (2007, p.17). É possuir essa função maior de tornar o mundo compreensível, transformando sua materialidade em palavras de cores, odores, sabores e formas intensamente humanas que a literatura tem e precisa manter um lugar especial nas escolas.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Portanto, a principal fonte do gênero lírico é a subjetividade. Compreende-se que é por meio da poesia, que o autor, mostra suas particularidades, o seu verdadeiro eu, o mais profundo de seu interior, extravasando assim seus medos, inquietações, emoções, frustações, anseios e sentimentos pela pura expressão lírica. Logo, a literatura deve ter seu devido valor nas escolas, não só de provocar a leitura, mas principalmente de contribuir para a intepretação interna e externa, que traga um peso positivo na construção do indivíduo enquanto atuante de um meio social, esse ser letrado capaz de discernir o que significativo e o que não é. vê-se o quão necessário é o percurso de transição histórica como influenciador direto na construção de obras pertencentes a suas respectivas escolas literárias que por sua vez representam determinada época. Dessa forma, cada contexto evidenciado nas narrativas foi substancial com seu valor ideológico e perpassado para os leitores, o que deixa em evidência a forte recorrência representativa das criações literárias, e desde a própria colonização brasileira os autores sabiam como utilizá-las como inspiração.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ARAÚJO, Miguel Leocádio. Literatura e formação de leitores. Campina Grande: Bagagem. 2008.
BOSI, Alfredo. História concisa da literatura brasileira. 4 ed. – São Paulo: Cultrix, 2006.
COSSON, Rildo. Letramento literário: teoria e prática. 1ª edição, São Paulo. Contexto 2007.
FISHER, Luiz Augusto. Literatura Brasileira. L&Pm. Pochet, Porto Alegre, 2007.
JOBIM, José Luís. Palavras da crítica. Rio de Janeiro; imago Ed, 1992.Paulo: Perspectiva, 1990.
PAZ, Octávio. O arco e a lira. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1982.
PAZ, Octávio. Os filhos do barro. Rio de Janeiro: Nova Fronteira,1984.
PAZ, Octavio. Signos em rotação. 2.ed. Trad. de Sebastião Uchoa Leite. São
PAZ, Octávio. Signos em rotação. Rio de Janeiro: Perspectiva, 2003.
PINHEIRO, Hélder; ARISTIDES, Jaquelânia; SILVA, Maria Valdênia da;
Área do Conhecimento