O cotidiano dos alunos com TDAH nas escolas

THE DAILY LIFE OF STUDENTS WITH ADHD IN SCHOOLS

LA VIDA COTIDIANA DE LOS ESTUDIANTES CON TDAH EN LAS ESCUELAS

Autor

URL do Artigo

https://iiscientific.com/artigos/447EDB

DOI

doi.org/10.63391/447EDB

Malheiro, Vandirene Alves. O cotidiano dos alunos com TDAH nas escolas. International Integralize Scientific. v 5, n 51, Setembro/2025 ISSN/3085-654X

Resumo

Este artigo apresenta os resultados iniciais de uma pesquisa sobre o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) mais comum em crianças e adolescentes. TDAH é uma condição neuropsiquiátrica que compromete a capacidade de concentração, o controle de impulsos e a autorregulação do comportamento. Ela impacta significativamente a vida de muitas pessoas. O estudo tem como objetivo compreender o conceito, os sintomas, os métodos de diagnóstico, os tratamentos e as comorbidades associadas. Assim como as situações vivenciadas no cotidiano escolar, e os desafios enfrentados para auxiliar os alunos desde o processo de alfabetização — etapa em que o transtorno costuma se manifestar, podendo persistir até a vida adulta. Inicialmente, busca-se compreender o TDAH a fim de identificar atitudes e ações pedagógicas adequadas às necessidades desses alunos, com o propósito de reconhecer suas habilidades e propor estratégias que favoreçam seu desenvolvimento e facilitem o processo de ensino e aprendizagem.
Palavras-chave
TDAH; alfabetização; diagnóstico; desenvolvimento; ensino e aprendizagem.

Summary

This article presents the initial results of a study on Attention Deficit Hyperactivity Disorder (ADHD), the most common disorder in children and adolescents. ADHD is a neuropsychiatric condition that impairs concentration, impulse control, and self-regulation of behavior. It significantly impacts the lives of many people. The study aims to understand the concept, symptoms, diagnostic methods, treatments, and associated comorbidities. It also addresses the situations experienced in daily school life and the challenges faced in supporting students from the literacy process—the stage at which the disorder usually manifests and can persist into adulthood. Initially, the study seeks to understand ADHD in order to identify appropriate pedagogical attitudes and actions to meet the needs of these students, with the goal of recognizing their abilities and proposing strategies that foster their development and facilitate the teaching and learning process.
Keywords
ADHD; literacy; diagnosis; development; teaching and learning.

Resumen

Este artículo presenta los resultados iniciales de un estudio sobre el Trastorno por Déficit de Atención e Hiperactividad (TDAH), el trastorno más común en niños y adolescentes. El TDAH es un trastorno neuropsiquiátrico que afecta la concentración, el control de impulsos y la autorregulación del comportamiento. Impacta significativamente la vida de muchas personas. El estudio busca comprender el concepto, los síntomas, los métodos de diagnóstico, los tratamientos y las comorbilidades asociadas. También aborda las situaciones vividas en la vida escolar diaria y los desafíos que enfrentan para apoyar a los estudiantes desde el proceso de lectoescritura, la etapa en la que el trastorno generalmente se manifiesta y puede persistir hasta la edad adulta. Inicialmente, el objetivo es comprender el TDAH para identificar actitudes y acciones pedagógicas adecuadas para satisfacer las necesidades de estos estudiantes, con el fin de reconocer sus capacidades y proponer estrategias que fomenten su desarrollo y faciliten el proceso de enseñanza y aprendizaje.
Palavras-clave
TDAH; lectoescritura; diagnóstico; desarrollo; enseñanza y aprendizaje

INTRODUÇÃO

O presente estudo é um projeto que surgiu devido ao aumento da demanda de alunos com TDAH em escolas. Ele visa analisar o uso de tecnologias digitais na otimização e melhoria do processo ensino-aprendizagem de alunos com TDAH (Transtorno do déficit de atenção com hiperatividade) em escolas. Tem como objetivo também abordar a quebra de paradigmas em relação aos estudantes que possuem TDAH e a forma como o transtorno é visto e tratado em sala de aula.

Aqui o foco o professor, cujo papel é lidar intrinsecamente com o conhecimento no processo ensino-aprendizagem. A busca incessante pelo saber e capacitação contínua é o que se espera dele. Isso o capacitará para entender o pleno desenvolvimento do educando, lidar com o novo e com os desafios impostos por este contingente cada vez mais expressivo de crianças com TDAH. Qual deverá ser o papel da escola, especificamente, do professor no processo ensino aprendizagem do estudante hiperativo?

A criança hiperativa, em sala de aula, exige uma atenção especial do professor. É necessário que este esteja bem preparado para saber lidar com a questão. Uma alternativa é fazer uso dos recursos tecnológicos disponíveis para valorizar o processo de ensino.  Isto irá despertar o interesse do educando em relação ao que está sendo estudado e facilitará a aprendizagem, apesar das dificuldades apresentadas pelo mesmo. 

As crianças com TDAH possuem características que as diferenciam das demais. Na escola a criança comumente se tornará um entrave a mais em uma classe já tumultuada. Provavelmente, não só deixará de receber atenção adequada, como também será marginalizada por colegas, educadores e pais dos colegas. A solução para tal questão é fazer uso das TICs (Tecnologias da informação e comunicação), um importante instrumento para tornar as aulas mais dinâmicas e mais atrativas para os educandos.

Uma ação didático-pedagógica voltada para as necessidades especiais do hiperativo possivelmente contornará muitos problemas de aprendizagem que ele venha a apresentar. A proposição de atividades que se adaptem às necessidades dos alunos portadores de TDAH permite uma maior interação entre o educando e o docente. Facilitará a dinamização do processo ensino-aprendizagem e auxiliará no rendimento destes estudantes.

TRANSTORNO E DÉFICIT DE ATENÇÃO E HIPERATIVIDADE

De acordo com a ABDA (Associação Brasileira do Déficit de Atenção), o TDAH é o transtorno mais comum em crianças e adolescentes encaminhados para serviços especializados. Ele ocorre em 3 a 5% das crianças, em várias regiões diferentes do mundo em que já foi pesquisado. Em mais da metade dos casos o transtorno acompanha o indivíduo na vida adulta, embora os sintomas de inquietude sejam mais brandos. 

O TDAH na infância em geral se associa a dificuldades na escola e no relacionamento com as demais crianças, pais e professores. As crianças são tidas como “avoadas”, “vivendo no mundo da lua” ou “ligadas por um motor”. Elas não param quietas por muito tempo. Os meninos tendem a ter mais sintomas de hiperatividade e impulsividade que as meninas, mas todos são desatentos. Crianças e adolescentes com TDAH podem apresentar mais problemas de comportamento, como por exemplo, dificuldades com regras e limites.

Em adultos, ocorrem problemas de desatenção para coisas do cotidiano e do trabalho. São muito esquecidos, inquietos, indecisos e também impulsivos. Eles têm dificuldade em avaliar o próprio comportamento e o quanto isto afeta os demais à sua volta. São frequentemente considerados “egoístas”. Problemas como o uso de drogas e álcool, ansiedade e depressão são comumente associados a este distúrbio. 

Segundo Amorim (2012), as possíveis causas do TDAH ainda continuam desconhecidas e, embora existam hipóteses em abundância, nenhuma responde satisfatoriamente a todos os casos, apesar de todos os estudos realizados para tentar descobri-las. Há causas que foram apoiadas por evidências convincentes, focalizadas em alguma anormalidade de funcionamento cerebral, genética ou adquirida e até mesmo através da socialização. 

Por mais que não exista base neurofisiológica ou neuroquímica específica para o transtorno, o TDAH está associado a outros transtornos que afetam as funções cerebrais, como o transtorno de aprendizagem. Sintomas como desatenção, hiperatividade e impulsividade característicos deste distúrbio, assim como diferentes quadros clínicos e várias possibilidades de tratamento indicam que, pelo menos ao nível fenotípico, o TDAH é uma patologia bastante heterogênea.

A primeira ligação entre a hiperatividade e a hereditariedade foi estabelecida pelo estudo dos familiares da criança hiperativa. O comportamento de pais aflitos e agitados pode fazer com que uma criança venha a desenvolver a hiperatividade, mesmo não havendo a ocorrência de outros membros na família com TDAH.  Os estudos com famílias não excluem a possibilidade de que a transmissão familiar do TDAH tenha origem ambiental. Os estudos com gêmeos e adotados são importantes para determinar se uma característica é de fato influenciada por fatores genéticos. Com os gêmeos pode-se observar quanto do fenótipo em questão é herdável, bem como qual a contribuição de fatores ambientais. Evidências mais fortes da herdabilidade do TDAH, no entanto, são fornecidas pelos estudos com adotados, uma vez que há mais precisão ao distinguir os efeitos genéticos dos ambientais.

Amorim (2012), descreve que algumas pesquisas realizadas no início do século XX convenceram os cientistas de que lesões cerebrais provenientes de infecções, trauma por queda ou no crânio e complicações da gravidez ou parto, eram as principais causas dos sintomas apresentados no TDAH. Porém, há mais de 20 anos os cientistas perceberam que a maioria das crianças com TDAH não apresentam histórico de lesões cerebrais. Embora possa haver algo destrutivo no desenvolvimento dessa porção do cérebro, apenas 5 a 10% das crianças desenvolveram o TDAH devido a algum tipo de lesão cerebral.

Ximenes (2008), afirma que o histórico clínico deve ser obtido com os pais, professores e cuidadores. É válida a utilização de escalas de classificação como o Conners, porém o mesmo não deverá ser usado como base para conclusão diagnóstica.

As queixas dos pais, professores e cuidadores ocorrem antes dos 7 anos. O TDAH interfere em pelo menos duas áreas de atuação da criança (lar, escola, colégio, grupo de amigos).

No subtipo desatento, o intervalo de atenção é curto e consequentemente ocorrem falhas em terminar tarefas. Há dificuldades em escutar e realizar as instruções, esquecimento e negligência. É importante lembrar que a atenção deve ser julgada em relação ao que é normalmente esperado para a idade da criança.

As características do hiperativo são a inquietação, dificuldade em ficar sentado e corridas excessivas. A impulsividade é caracterizada pela impaciência e conclusões precipitadas e a falha em seguir regras estabelecidas. Os bebês e pré-escolares, com este transtorno, diferem das crianças ativas. São irrequietos e envolvidos com tudo à sua volta. Andam para lá e para cá, movem-se “mais rápido que a sombra”, sobem ou escalam móveis, correm pela casa e têm dificuldades em participar de atividades em grupo durante a pré-escola. 

De acordo com Ximenez (2008), o Centro de Controle de Doenças e Prevenção dos Estados Unidos alerta que o diagnóstico do TDAH deve ser feito somente por profissionais treinados e qualificados na área da saúde mental. Há vários sintomas presentes no TDAH que também são observados em outras patologias sistêmicas e neuropsiquiátricas.

Na atualidade, a emissão de diagnósticos de TDAH realizados por profissionais não médicos tem sido fonte de preocupação. Isso ocorre devido à falsa crença que o diagnóstico pode ser realizado apenas com o uso de escalas respondidas por pais e professores. No entanto, a presença dos sintomas não é o único pré-requisito. É de fundamental importância que eles causem um prejuízo significativo na vida acadêmica e social dos portadores. Não sejam associados a outras doenças sistêmicas e/ou neuropsiquiátricas, cuja diferenciação, muitas vezes, só é possível através de uma anamnese ampla e detalhada e, em algumas situações específicas, complementada com exames laboratoriais.

O fato de não haver um marcador laboratorial, um teste de imagem (MRI ou PET scan) ou um teste neuropsicológico, específico para o diagnóstico, e o TDAH causar um comprometimento generalizado do processamento de informações pelo Sistema Nervoso Central, faz com que seja necessário que as crianças sejam submetidas a uma análise minuciosa do comportamento. Isto é, quando e por quanto tempo vêm demonstrando os sintomas, se estão presentes em casa, na escola e na comunidade e se causam prejuízos significativos. Também é essencial realizar testes das funções corticais superiores, como atenção, percepção, linguagem, coordenação e memória.  

Estas investigações devem integrar as avaliações de profissionais das áreas multidisciplinares. Ao longo do processo devem ser analisadas informações provenientes de entrevistas semiestruturadas colhidas do próprio portador, familiares e dos professores, assim como devem ser aplicados os critérios operacionais estabelecidos pelo DSM-IV-TR. Somente o acompanhamento do desenvolvimento da criança com monitoração de atividades que envolvem a atenção e comportamento oferecerá ao médico a possibilidade de um diagnóstico inequívoco. 

É frequente a associação do TDAH a outros distúrbios mentais como Transtorno Opositor-Desafiador, Transtorno de Conduta, Transtornos do Humor, Transtorno de Ansiedade ou com distúrbios do desenvolvimento como Deficiência Mental, Transtorno de Aprendizagem Escolar e Distúrbio do Desenvolvimento da Coordenação. Nessas situações, o uso de entrevistas semiestruturadas de comportamento com itens do DSM-IV-TR e a aplicação de testes psicométricos, como o teste de Inteligência Weschsler – WISC III (Weschsler 2002) são de grande utilidade para concretizar o diagnóstico. 

E como os pais podem ajudar? Os pais geralmente se sentem responsáveis pelas condições emocionais, educacionais, e comportamentais de seus filhos. Ao procurar adquirir o máximo de conhecimento sobre o transtorno através de leitura, palestras e grupos de apoio, eles se inteiram de que a doença decorre de disfunções de áreas cerebrais específicas. Isso ajuda a amenizar a sensação de culpa. E eles se tornam parceiros na execução de estratégias que possam colaborar para a melhoria do desempenho acadêmico e dos relacionamentos familiares e sociais da criança. 

PREVALÊNCIA E COMORBIDADE

Cardoso et.al (2012), relata que em relação à prevalência do TDAH há uma discordância entre os autores 1-6. Barkley 1 defende que a estimativa seja por volta de 3 a 7 % de crianças em idade escolar com TDAH. Já Holmes (2013), acredita que esteja na faixa de 10% das crianças da escola primária. Por outro lado, outros relatos 1, 2, 3, 5, acreditam que a prevalência esteja na faixa de 3 a 5 % na infância. 

Em relação ao sexo, o transtorno é mais comum em meninos. As meninas seriam sub-diagnosticadas porque têm poucos sintomas de agressividade/impulsividade e baixas taxas de transtorno de conduta. Isso se deve ao fato de que elas têm menos comorbidade com transtornos disruptivos, chamam menos atenção em casa e na escola e, portanto, dificilmente são encaminhadas para tratamento. 

Os meninos externam mais seus problemas que as meninas, o que faz com que fiquem mais em evidência. Apesar de ser menor o número de meninas com TDAH, há que se tomar um cuidado especial em relação a elas. Estudos comprovam que os sintomas em meninas podem ter implicações mais severas para o desenvolvimento psicológico. Dificuldades de aprendizagem, problemas escolares e um maior risco de comorbidades, como transtorno bipolar, transtorno de conduta e transtorno desafiador opositivo mais comuns em meninos, não se deveria somente ao transtorno. Um fator surpreendente em relação ao sexo é o maior risco para uso de substâncias como álcool e drogas, tanto abuso quanto dependência entre as meninas com TDAH.

Segundo Vargas (2013), a medicação, apesar de ser um tema controverso, tem sido eficaz em muitas crianças diagnosticas com TDAH. Normalmente o tipo de medicamento mais prescrito são os estimulantes como Ritalina, Vevance, Concerta e Strattera. Estas drogas estimulam os neurotransmissores do cérebro, fazendo com que estes regulem mais eficazmente a atenção, a impulsividade e o comportamento motor. Nos casos em que não é possível prescrever estimulantes, a opção recai sobre os antidepressivos como Tofranil, Pamelor, Wellbutrin e Atensina. Outros medicamentos, por exemplo, para distúrbio do sono também são usados (Stavigile).

De acordo com pediatras da Universidade da Califórnia, crianças com TDAH são alvo de excessiva medicação. A decisão de recorrer à medicação apenas deve ser tomada após avaliação exaustiva e cuidadosa e depois dos pais serem consultados. O diagnóstico preciso é complicado. Requer que a avaliação seja feita por profissionais bem treinados, entre os quais um pediatra, um psicólogo especializado no trabalho com crianças e um neurologista pediátrico.

É importante também avaliar, por exemplo, o efeito da televisão ou o estilo de vida da criança. Muitas vezes é exigido que uma criança permaneça entre 4 a 6 horas quieta e num mesmo espaço, o que é naturalmente contra o normal desenvolvimento da criança.

O TDAH E A ESCOLA: HISTÓRICO DO TDAH

De acordo com Amorim (2012), o TDAH é o transtorno mais comum em crianças e adolescentes encaminhados para serviços especializados de neuropediatria e psiquiatria infantil. Os dados permanecem imprecisos e são altamente influenciados pelos critérios utilizados para diagnóstico. 

Em adolescentes e adultos ainda existem poucos dados a respeito de qual é a porcentagem da população afetada.  Sabe-se que ambos os grupos podem desenvolver o transtorno. O sexo masculino é mais afetado do que o feminino, numa proporção que varia de 4:1 até 10:1, dependendo dos critérios utilizados. No sexo feminino há maior incidência da forma desatenta 

A primeira descrição deste transtorno data do início do século 20. Ao longo do tempo esta condição clínica recebeu diversas denominações como lesão cerebral mínima, distúrbio primário da atenção e distúrbio do déficit de atenção com ou sem hiperatividade. A nomenclatura atual passou a ser utilizada desde a publicação da terceira edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais pela Academia Americana de Psiquiatria (1980).

Desde o início de sua observação até hoje, os estudos sobre o transtorno de déficit de atenção se refere às crianças em sua expressiva maioria. Isso ocorre porque os critérios usados para o diagnóstico de TDAH, de acordo com o DSM-IV, referem-se às características mais comumente observáveis em crianças. Por esta razão, muitos adultos com o diagnóstico de distúrbio de déficit de atenção acabam não preenchendo tais critérios.

Acreditava-se que os sintomas de distúrbio de déficit de atenção desapareciam espontaneamente na adolescência ou, no máximo, no início da idade adulta. Entretanto, alguns autores afirmam que o transtorno persiste em aproximadamente 50% a 70% dos casos na idade adulta, embora o quadro clínico sofra algumas modificações com o passar do tempo.

Teixeira (2010), afirma que as crianças com TDAH têm grandes dificuldades de ajustamento diante das demandas da escola. Um terço ou mais delas ficam para trás na escola, em no mínimo, uma série durante sua carreira escolar. Frequentemente as notas e os pontos acadêmicos conseguidos estarão abaixo das notas e pontos de seus colegas. Como agravante há ainda o fato de que mais da metade das crianças com TDAH também apresentam problemas de comportamento opositivo. Isto ajuda a explicar o porquê de algumas destas crianças serem suspensas ou até expulsas da escola devido a problemas de conduta.

O ponto de partida está relacionado à estrutura das salas de aula. Há várias características na sala de aula que podem necessitar de ajustes. Um ponto importante é o fato da distribuição das cadeiras em sala de aula. A disposição tradicional das escrivaninhas em filas voltadas para frente da sala é muito melhor do que um arranjo modular onde várias crianças dividem uma mesa grande, especialmente voltadas umas para as outras enquanto trabalham. Esse arranjo proporciona estímulos interacionais excessivos que distraem a criança com TDAH e fazem com que ela não preste atenção nem no professor nem no trabalho escolar.

A criança deve ser colocada mais perto da mesa do professor ou próxima de onde o professor fica a maior parte do tempo. Isso não apenas desencoraja os colegas de classe a darem atenção à criança como também desestimula o comportamento disruptivo. Sendo assim, fica mais fácil para o professor monitorar o aluno e aplicar-lhe multas, quando necessário, e recompensas de forma mais rápida e eficaz.

O uso de tarefas com maior estimulação (cor, forma, textura) parece reduzir o comportamento disruptivo, aumentar a atenção e melhorar o desempenho total. O professor deve mudar os estilos de apresentação das aulas, tarefas e materiais para ajudar a manter o interesse da criança. Tarefas que requerem uma resposta ativa como oposição à passividade permitem também que as crianças com TDAH canalizem melhor o comportamento disruptivo em respostas construtivas. Forneça à criança com TDAH algo a fazer como parte da aula, determine trabalhos ou atividades, e o comportamento da criança passará a ser um problema menor.

Combinar aulas com momentos breves de exercício físico na sala de aula também pode ser útil. Isso reduz a fadiga e monotonia que crianças com TDAH podem experimentar durante períodos muito extensos de trabalho acadêmico.

O PAPEL DO PROFESSOR E DA FAMÍLIA

Matos (2008), afirma que o Professor é um dos grandes observadores de nossas crianças. É ele quem passa mais tempo com as nossas crianças, às vezes muito mais do que suas próprias famílias. É quem as conhece como poucos, pois consegue manter o olhar individual, mesmo em meio a uma “multidão”. Diferentemente de outros profissionais, ele é um dos poucos que enxerga a criança e o adolescente em sua rotina, na realidade em que ele está inserido. 

Todos são capazes de aprender, cada um à sua maneira, e é o professor aquele que mais deseja que isso aconteça, é aquele que mesmo frente a dificuldades, busca incessantemente meios que possibilitem o sucesso de seus alunos.

Ainda que as salas de aulas sejam lotadas, haja falta de incentivo público e privado, remuneração insuficiente para capacitar-se, a ausência de políticas públicas voltadas para uma melhor formação, o professor continua a ser o nosso grande aliado. Caminhar em parceria e buscar o diálogo com o professor faz-se necessário. A comunhão com a Escola é o melhor caminho para proporcionar às crianças, que possuem necessidades diferenciadas de aprendizagem, uma educação de qualidade para que elas possam crescer em sabedoria e autonomia.

De acordo com Santos (2008), a família da criança com TDAH é o primeiro núcleo responsável pela preparação deste indivíduo para a vida social, para o mundo e para o futuro. Um estudo constatou que o relacionamento entre os membros dessas famílias é muito difícil. Um dos motivos é o alto nível de estresse a que eles se submetem diariamente. Isso influencia suas vidas de forma marcante.

Pessoas com TDAH podem ser talentosas, criativas e bem-sucedidas, mas sem a ajuda adequada podem não conseguir superar suas limitações. O que acarretará um acúmulo de frustrações que, ao longo da vida, poderá gerar quadros mais graves como a depressão e os transtornos de ansiedade.

A análise de dados mostra que as dificuldades impostas pelo TDAH para a condução da educação dos filhos, quando somadas às dificuldades sociais e escolares podem resultar em condutas inadequadas na educação das crianças.

Um diagnóstico correto terá um impacto positivo no relacionamento familiar. Amenizará o sentimento de culpa, tanto dos pais quanto dos filhos pelos comportamentos inadequados, diminuindo assim a hostilidade entre eles.

É possível reconhecer os sintomas da hiperatividade na criança pelo comportamento inquieto e constante que a impele a não ficar quieta. Escalar móveis, correr pela casa, quebrar objetos, falar sem parar, não se fixar em lugar algum nem se ater em nenhuma atividade, estão entre os comportamentos mais observáveis em crianças com TDAH. Estes sintomas são comuns em crianças e em vários adultos modernos. A diferença é que em hiperativos, eles se apresentam de forma mais exacerbada. Criam muitas dificuldades para o portador e para quem convive com ele, gera conflitos, rompimento de vínculos, instabilidade profissional e afetiva em suas vidas.

Segundo Teixeira (2010), algumas condições pré-existentes podem desencadear problemas para crianças com TDAH em sala de aula. Estas condições podem ser físicas, ambientais, causadas por fatores internos, meio, atividade ou evento específico, demonstração de habilidade ou necessidade de atuação e tempo específico. Interação negativa com alguém, ser alvo de brincadeiras ou provocações também podem vir a causar problemas.

Para prevenir problemas em sala de aula, o professor deve procurar alterar essas condições pré-existentes. Criar um ambiente “seguro” com regras, limites e procedimentos claros a serem seguidos, estabelecer uma rotina previsível são algumas sugestões. Ensinar estratégias de autocontrole também é válido.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Atualmente, a utilização de novos recursos e metodologias tem ganhado cada vez mais destaque no cenário educacional. O uso de inúmeros recursos em sala de aula faz com que as aulas se tornem mais atrativas e motivadoras para os alunos com TDAH. 

O trabalho com as tecnologias da informação possibilita que os alunos com TDAH desenvolvam suas potencialidades e habilidades. Permite ao professor rever as concepções tradicionais de ensino e perceber a necessidade de que haja mudança na prática docente. Ressignificar conteúdos a fim de obter resultados positivos com os alunos que possuem TDAH.

Durante o desenvolvimento dessa pesquisa foi possível perceber que já existem escolas e profissionais que se dispõem a preparar aulas diferenciadas para os alunos que possuem TDAH. O objetivo é a melhoria da qualidade da aprendizagem. No entanto, há ainda um caminho longo a ser percorrido na busca por novos meios e recursos que sejam utilizados de forma ampla e satisfatória para garantir melhorias significativas no processo de ensino. Isso fará que com que a aprendizagem se torne mais significativa para o sujeito aprendente.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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AMORIM. Cacilda. Algumas causas ainda desconhecidas do TDAH. 2012. Disponível em: http://www.portaleducacao.com.br/medicina/artigos/29521/algumas-causas-ainda-desconhecidas-do-tdah. Acesso em: 12 de janeiro 2025

CARDOSO. Fernando Luiz. Et.al. Prevalência de transtorno de Déficit de atenção: hiperatividade em relação ao gênero de escolares. 2012. Disponível: www.rbcdh.ufsc.br/Download Artigo.do?artigo=330. Acesso em: 05 de fevereiro de 2025

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DRAGO. Rogério. Síndromes: conhecer, planejar e incluir. 2 ed. Wak editora. Rio de Janeiro 2013

MATOS. Yoko Rosana. Relação professor, escola, aluno e família: a educação unida para o sucesso. 2008. Disponível em: http://www.tdah.org.br/br/textos/textos/item/959-rela%C3%A7%C3%A3o-professor-escola-aluno-e-fam%C3%ADlia-a-educa%C3%A7%C3%A3o-unida-para-o-sucesso.html. Acesso em: 28 de março de 2025

OLIVER. Lou. Distúrbios de aprendizagem e de comportamento. 6 ed. Wak editora. Rio de Janeiro 2011. Transtornos de comportamento e distúrbios de aprendizagem. Wak editora. Rio de Janeiro. 2013.

SCHEMBERGER. Eder et.al. O uso dos recursos computacionais para auxiliar alunos do Ensino Fundamental I com dificuldades de aprendizagem: um estudo de caso. 2010. Disponível em: http://www.inf.unioeste.br/enined/anais/artigos_enined/A14.pdf. Acesso em 14 de abril de 2025

SILVA. Eduardo Jorge Custódio. Transtornos do Déficit de atenção com hiperatividade em adolescentes. 2005. Disponível em: http://www.adolescenciaesaude.com/detalhe_artigo.asp?id=171. Acesso em: 13 de fevereiro de 2025

Malheiro, Vandirene Alves. O cotidiano dos alunos com TDAH nas escolas.International Integralize Scientific. v 5, n 51, Setembro/2025 ISSN/3085-654X

Referencias

Vivian Caroline Coraucci.
BAILEY, C. J.; LEE, J. H.
Management of chlamydial infections: A comprehensive review.
Clinical infectious diseases.
v. 67
n. 7
p. 1208-1216,
2021.
Disponível em: https://academic.oup.com/cid/article/67/7/1208/6141108.
Acesso em: 2024-09-03.

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O cotidiano dos alunos com TDAH nas escolas

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