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Resumo
INTRODUÇÃO
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) pertence ao grupo dos Transtornos do Neurodesenvolvimento relacionado a um grupo de condições com início no período do desenvolvimento. As características do TEA incluem déficits persistentes na comunicação social e na interação social em múltiplos contextos, aliado a padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades (DSM – 5) (Farias e Elias, 2020).
O avanço da Neuropsicologia e Psicologia Cognitiva ao propor modelos cognitivos dos TEA, indica a existência de alterações cognitivas relacionadas ao funcionamento executivo. De modo global, as funções executivas possuem uma diversidade de habilidade cognitivas que está implicada na organização comportamental, principalmente em acontecimentos novos e difíceis que tem a necessidade de se acostumar com rapidez às mudanças do meio. Essas funções auxiliam o sujeito a estimular suas atitudes a uma intenção, com a maneira de se agir adequada e a pensar em formas para resolução de problemas, entre outras, portanto, são fundamentais a aprendizagem acadêmica.
O principal objetivo desse trabalho é investigar a eficácia da Análise do Comportamento Aplicada (ABA) na melhoria das habilidades sociais e comportamentais em indivíduos no espectro autista. A metodologia adotada será uma análise bibliográfica descritiva, com base em livros e artigos mais atuais e relevantes sobre o tema abordado.
Neste artigo, pretende-se dissertar sobre o autismo bem como sobre o método ABA, que é usado para se fazer uma intervenção comportamental no tratamento dos sintomas do autismo. A análise do comportamento aplicada, ou ABA (Applied Behavior Analysis) é uma abordagem da psicologia que é usada para a compreensão do comportamento e vem sendo amplamente utilizada no atendimento a pessoas com desenvolvimento atípico, como os transtornos invasivos do desenvolvimento.
É preciso que os profissionais dessa área ultrapassem as técnicas e desenvolvam graus de afetividade para que suas intervenções exprimam naturalidade e imprimam nos autistas a ideia de que há verdadeiro interesse pessoal neles. Para mediar o processo de aprendizagem, independentemente da escolha do método, tanto os profissionais quanto os familiares devem dar demonstrações de afetividade às pessoas autistas. Toda criança desejaria que todos entendessem que ela não é somente autista e sua percepção sensorial é desordenada. Além disso, todos precisam compreender que o pensamento de todo autista é concreto; seu vocabulário é limitado e há muita dificuldade nas interações sociais.
MÉTODO ABA
Conforme Cunha (2023), ABA é a abreviação para Applied Behavior Analysis. É conhecida também como Análise do Comportamento Aplicada. Muitos definem a aplicação de ABA para crianças autistas como “aprendizagem sem erro”. A terapia ABA envolve o ensino intensivo e individualizado das habilidades necessárias para que a criança autista possa adquirir independência e a melhor qualidade de vida possível. Dentre as habilidades ensinadas incluem-se os comportamentos interferem no desenvolvimento e integração do indivíduo diagnosticado com autismo.
A Análise do Comportamento é a ciência que fornece conhecimentos cientificamente comprovados sobre como e porque o comportamento ocorre. A ABA também pode ser definida como uma tecnologia que é aplicada em situações de vida reais, onde comportamentos apropriados e inapropriados podem ser melhorados, aumentados ou diminuídos. O comportamento pode ser definido como um processo de interação entre o indivíduo e o ambiente, sendo que os indivíduos e os eventos ambientais interagem e assim, afetam um ao outro, produzindo alterações em ambos (Fernandes et al, 2020).
Para identificar se o método está sendo positivo para o aluno, é necessário observações e exames constantes. O profissional responsável deve elaborar registros rigorosos e detalhados, a partir disso coletar dados e identificar se está acontecendo há evolução das habilidades desejadas. Contudo, o método ABA deve ser aplicada por profissionais na área de análise comportamental com experiência supervisionada e prática no método para alunos com autismo (Oliveira et al, 2017).
As experimentações originais da terapia comportamental trouxeram algumas vantagens importantes ao clínico: ele foi treinado na observação de comportamentos verbais e não verbais, tanto em casa, como na escola ou no consultório, o que é fonte de dados relevantes. Ele estuda o papel que o ambiente desempenha – ambiente este onde é possível interferir e verificar as hipóteses levantadas (Paiva e Júnior, 2020).
Outra habilidade é o entendimento do que é observado como um processo comportamental, com contínuas interações e, portanto, sujeito a mudanças. Existe uma relação direta terapeuta e educador, pois, para o analista do comportamento ser terapeuta significa atuar como educador, uma vez que o tratamento envolve um processo abrangente e estruturado de ensino-aprendizagem ou reaprendizagem. Um dos princípios básicos da metodologia ABA é que um comportamento é determinado por qualquer ação que pode ser observada e contada, tendo sempre uma frequência e uma duração (Fernandes et al, 2020).
Paiva e Júnior (2020) aborda que, este comportamento pode ser explicado pela identificação do que antecedeu e das possíveis consequências deste. Ou seja, é a identificação das relações entre os eventos ambientais e as ações do organismo. Nesse contexto, estes comportamentos são motivados, de forma prazerosa. Tendo uma função exclusiva, ou seja, a de servir para conseguir algo que se deseja. Dentro dessa perspectiva, entende-se que o método ABA pode intencionalmente ensinar a criança a exibir comportamentos mais adequados no lugar dos comportamentos ruins, ou ditos, problemas. Comportamentos estão relacionados a eventos ou estímulos que os precedem, que são os antecedentes e a sua probabilidade de ocorrência futura está relacionada às consequências que os seguem.
Por esta razão, e frente a essa quebra de paradigmas na mudança de comportamentos, na metodologia ABA, os objetivos da intervenção são representados em ordem abaixo (Cunha, 2023):
Essa intervenção, é baseada em uma análise funcional, ou seja, analisa a função do comportamento determinante, visando eliminar os comportamentos socialmente indesejáveis.
Este por sua vez, é um ponto central para entender qual é o propósito do comportamento “problema” que a criança está apresentando e, através disso, montar a intervenção para modificá-lo. Se o comportamento é influenciado por suas consequências, pode-se manipulá-las para entender melhor como essa consequência se dá e também modificar os comportamentos das pessoas, programando consequências especiais para tal (Oliveira et al, 2017).
A avaliação comportamental é a fase da descoberta, e visa à identificação e o entendimento de alguns aspectos relativos à criança com autismo e seu ambiente. Alguns dos objetivos da avaliação são: a baixa pontua-se quais representa os objetivos da avaliação do método ABA uma vez identificada as possibilidades de intervenção, pontuados as fragilidades e pontos de atenção da avaliação, consegue-se, com base nesses dados, partir para o planejamento associado a metodologia ABA, que seria traçar pequenos objetivos a curto prazo, alguns exemplos (Fernandes et al, 2020):
Modificando os antecedentes pode-se prevenir que o comportamento problema aconteça. Isto é realizado de diferentes maneiras (Cunha, 2023):
Esta aprendizagem deve ser prazerosa e divertida para a criança, podendo-se usar reforçadores para manter a criança motivada. Um reforço é uma consequência que aumenta a probabilidade de esta resposta acontecer novamente. Quando um comportamento é fortalecido, é mais provável que ele ocorra no futuro. A Neuroplasticidade refere-se à capacidade do cérebro de mudar, se adaptar e desenvolver novas conexões sinápticas entre os neurônios. Entretanto, apesar de ser possível a criação de novas conexões neuronais em indivíduos adultos, o cérebro é mais plástico até a idade de cinco anos (Oliveira et al, 2017).
Além de a plasticidade ser maior nos primeiros anos de vida, acontece também nessa época um fenômeno importante chamado “poda neuronal”. Tal fenômeno pode ser brevemente descrito como um momento em que o cérebro “descarta” os neurônios que até então não se desenvolveram ou não estavam sendo utilizados de maneira adequada. Uma das primeiras podas neuronais ocorre na primeira infância, coincidindo, muitas vezes, com a época em que os pais relatam regressão e perda de habilidades por parte de seus filhos. Ou seja, os pais podem relacionar a regressão a causas ambientais e ela ter causas neurológicas. De qualquer forma, perdas de habilidades, em qualquer tempo, não podem ser desconsideradas.
As sete dimensões da ABA, fornecendo orientações práticas para incorporá-las de forma efetiva em sua prática, são (Paiva e Júnior, 2020, p.188):
A ABA não é um protocolo rígido, mas sim uma abordagem flexível e dinâmica, fundamentada na compreensão profunda do comportamento humano e na aplicação meticulosa de intervenções baseadas em evidências. Continuar a se aprofundar nestes princípios e aplicá-los de forma criativa e sensível às necessidades de cada indivíduo é o cerne de uma prática educacional e terapêutica verdadeiramente transformadora (Fernandes et al, 2020).
CONTRIBUIÇÕES DO MÉTODO ABA PARA CRIANÇAS AUTISTA
De acordo com Cunha (2023), um dos pressupostos do ABA é o reforçamento positivo, sendo assim é possível motivar e ampliar o repertório de comportamentos desejáveis, para que ocorra melhoras duradouras e significativas na vida do indivíduo em diferentes contextos (familiar, escolar, atividades sociais, eventos, etc.). Com fundamentação científica a intervenção pelo ABA deve ser adaptada às necessidades da criança. A aplicação do método pode ser realizada por professores, terapeutas e, até mesmo, por familiares que desejem contribuir para otimizar os resultados.
Diante da complexidade do ensino escolar para as crianças com TEA e da necessidade de favorecer este processo, diversos métodos de intervenção terapêutica têm sido desenvolvidos, dentre os quais, destaca-se o ABA, cujo objetivo é desenvolver habilidades e comportamentos que uma pessoa com TEA não possui (Marques e Bosa, 2023). O método é uma decorrência do Behaviorismo de Burrhus Frederic Skinner (1904-1990).
O psicólogo Ivar Lovaas (1927 – 2010) foi o primeiro profissional a testar, com crianças atípicas, um método semelhante ao ABA: o DTT (ensino por tentativas discretas, em inglês, Discrete Trial Teaching – DTT). O método utilizado por Lovaas consistia em dividir processos de aprendizagem complexos em etapas menores (discretas). Tais etapas eram apresentadas às crianças em diversas tentativas, com ajuda e reforços positivos, para alcançar o objetivo desejado: a aquisição da etapa e, passo a passo, o desenvolvimento do comportamento esperado. Segundo Cunha (2023, p.205):
Em 1987, Lovaas publicou os resultados de um estudo de longo prazo sobre o tratamento de modificação comportamental em crianças pequenas com autismo. Os resultados do seguimento destas crianças mostraram que, em um grupo de 19 crianças, 47% dos que receberam tratamento atingiram níveis normais de funcionamento intelectual e educacional, com QIs na faixa do normal e uma performance bem sucedida na 1ª série de escolas públicas. 40% do grupo tratado foram depois diagnosticados como portadores de retardo leve e frequentaram classes especiais de linguagem, e os 10% remanescentes do grupo tratado foram diagnosticados como portadores de retardo severo.
O método DTT traz uma das metodologias utilizadas pela ABA: fracionar a situação de aprendizagem de modo a garantir, etapa a etapa, mediante reforços positivos, a apropriação, pelo educando, do que é ensinado. Embora Lovaas tenha sido o primeiro a utilizar a análise aplicada do comportamento, outros profissionais, à mesma época, contribuíram para aprimorar a metodologia. Atualmente, compreende-se a DTT como um recorte do ABA. Marques e Bosa (2023, p.541) apresenta a operacionalização do ABA:
Um programa com o Método ABA frequentemente começa em casa, quando a criança é muito pequena. A intervenção precoce é importante, mas esse tipo de técnica também pode beneficiar crianças maiores e também adultos. A metodologia, técnicas e currículo do programa também podem ser aplicados na escola. A sessão de ABA normalmente é individual, em situação de um-para-um, e a maioria das intervenções precoces seguem uma agenda de ensino em período integral – algo entre 30 a 40 horas semanais. O programa é não-aversivo – rejeita punições, concentrando-se na premiação do comportamento desejado.
A estrutura da intervenção na ABA com crianças autistas deve ser dividida em fases. A primeira fase é a avaliação comportamental, buscando apontar as variantes que a controlam; a segunda fase é a seleção de metas e objetivos, em médio prazo refere-se ao desenvolvimento da comunicação, adequando os comportamentos sociais e generalizando os comportamentos aprendidos; a terceira fase é a do desenvolvimento dos programas de tratamento, no qual se determinam com clareza quais comportamentos devem ser ensinados, sendo necessário que se faça um diagnóstico prévio do que a criança já sabe para que, no decorrer do programa, perceba sua evolução; a quarta fase refere-se à efetivação da intervenção (Oliveira et al, 2017).
A aplicação do ABA é realizada pelo Acompanhante Terapêutico (AT) é um profissional das áreas da saúde ou educação, vinculado a um terapeuta responsável pelo paciente. A função do AT é estar junto aos seus pacientes, para ajudá-los na execução de suas atividades, registrando o desenvolvimento, reportando ao terapeuta e elaborando as etapas seguintes da intervenção (Ribeiro e Blanco, 2016).
Quando ocorre a aplicação eficaz do ABA, é feito um trabalho com equilíbrio entre as atividades com ajuda de professores ou terapeutas, tornando a generalização das habilidades mais fáceis. Durante a terapia, podem surgir situações que nem sempre estão no planejamento, sendo assim o terapeuta deve usar o bom senso e resolver o problema, sendo necessário incluir ou modificar o programa de aplicação já elaborado. A esse respeito, afirma Paiva e Júnior (2020), ser terapeuta comportamental envolve vários papéis: o de analista; das relações funcionais entre as ações de cada pessoa e seu ambiente, seus pupilos, dos passos em que devem ser divididas para se obter um resultado eficaz. Ao mesmo tempo, o terapeuta atua como educador, uma vez que para ele o tratamento envolve um procedimento abrangente e estruturado de ensino-aprendizagem ou reaprendizagem. Inclui também o papel de pesquisador, quando realiza manipulações experimentais, para verificar as hipóteses levantadas.
Todo indivíduo aprende associando o comportamento que pode ser modificado, tendo como consequência: ao realizar algo e obter resultado positivo, a tendência é repetir o feito. Entretanto, se há resultado negativo, provavelmente o comportamento não se repetirá, demonstrando a modificação de um comportamento diante de um resultado ou uma consequência. O repertório utilizado pelo ABA é composto por uma série de programas como habilidades de cuidados pessoais, sociais, linguagem, acadêmica e entre outras, sempre organizadas por níveis de dificuldades básicas até as mais complexas. O programa é estabelecido de forma em que todos saibam como dar as instruções, apresentar materiais e saber qual resposta é aceitável (Farias e Elias, 2020).
O método também pode ser aplicado na escola, com sessões individuais e em situações coletivas, para que a criança adquira independência e resultados positivos na aprendizagem. Por se tratar de um programa não-aversivo, que rejeita punições, concentrado na premiação do comportamento desejado, a participação incentivadora da família é muito importante para um resultado positivo (Ribeiro e Blanco, 2016).
No contexto escolar, o educando autista apresenta alguns desafios específicos que devem ser considerados pelo docente e por toda a equipe pedagógica, no intento de viabilizar a aprendizagem, o desenvolvimento e a progressão do educando. Dentre estes desafios, Marques e Bosa (2023, p.542) destaca:
Comunicação – Apresenta pequena ou nenhuma linguagem (fala e compreensão); Habilidades sociais – Evita totalmente o contato social; Habilidades para brincar – Falta exploração e manuseio dos brinquedos, tornando-se obcecada somente por um brinquedo; Processamento visual e auditivo – Sensibilidade com sons e estímulos visuais, que podem ser bem perturbadores; Autoestimulação – Movimentos repetitivos que são reconfortantes, como por exemplo abanar as mãos; Reforçadores Incomuns – Elogios e aprovação podem não ser eficaz para crianças atípicas; Dificuldade em aprender pela observação do outro – Dificuldade com o aprendizado incidental ou ambiental; Aprendizado mais lento – O seu ritmo de aprender é mais lento do que o de outras crianças típicas. Foco e atenção é um grande desafio.
A criança autista pode ou não ter algum comprometimento intelectual, o que deve ser considerado no planejamento das atividades pela escola. É possível, ainda, que haja dificuldades de aprendizagem específicas, o que reforça a necessidade de atenção pela equipe escolar. Considerando-se a faixa etária em questão (6-9 anos), ressalta-se a necessidade de atenção por parte da família e da equipe escolar para verificar essas situações. No contexto escolar, o ABA permite planejar intervenções para a melhoria dos prejuízos do TEA não somente na escola, mas também, na vida social do indivíduo. O método pode contribuir para o desenvolvimento de habilidades sociais, como o contato visual, a comunicação funcional, além de comportamentos acadêmicos que são pré-requisitos para leitura, escrita e matemática (Paiva e Júnior, 2020).
Marques e Bosa (2023) afirma que, cada paciente da terapia ABA possui uma pasta curricular que contém relatórios, diários e programas que serão aplicados, além das sondagens, utilizadas para garantir que os comportamentos foram retidos. Nesse sentido, é muito importante que a família exponha o diagnóstico sem restringir informações, para que a intervenção escolar seja potencializada e proveitosa Conforme a criança evolui, ela tem uma capacidade maior de aprender incidentalmente, que é assimilar a linguagem, conceitos ou habilidades que não foram aplicadas individualmente, o que indica o desenvolvimento progressivo.
A Análise do Comportamento Aplicada – ABA é um método que pode ser utilizado em vários contextos de vida da criança, inclusive o escolar, no qual a terapia favorece o educando autista, pois desenvolve um repertório comportamental necessário para socialização com os pares e para o melhor aproveitamento das atividades escolares, dentro das condições da criança (Ribeiro e Blanco, 2016).
O Transtorno do Espectro Autismo – TEA é um diagnóstico observacional onde há diferentes graus de comprometimento em relação a determinados comportamentos, que ao longo do tempo podem ficar mais próximos de sua idade cronológica. A criança com TEA possui algumas dificuldades a serem enfrentadas no processo de ensino, como: comunicação; habilidades sociais; habilidades para brincar; processamento visual e auditivo; autoestimulação; dificuldade em aprender pela observação do outro; aprendizado mais lento e os reforçadores incomuns (Farias e Elias, 2020).
O método ABA (Análise Aplicada do Comportamento), tem como objetivo desenvolver habilidades e comportamentos que uma pessoa com TEA ainda não possui. Quando ocorre a aplicação eficaz do ABA, é feito um trabalho com ajuda de professores ou terapeutas, facilitando a generalização das habilidades. Trata-se de um método que pode ser aplicado em vários contextos da vida do indivíduo, do autocuidado à vida acadêmica. No ambiente escolar, o desenvolvimento da criança é bastante ampliado caso ela já tenha passado ou esteja passando pelo método (Ribeiro e Blanco, 2016).
É importante destacar que o conteúdo deste texto não reflete as condições de todas as pessoas autistas, dada a diversidade do espectro. É fundamental destacar, também, que todos os métodos disponíveis para intervenção no TEA são válidos, pois refletem a busca científica por melhores condições de saúde e qualidade de vida para a população autista. Como já foi dito, a opção por uma intervenção é feita a partir de avaliação multiprofissional, com ênfase na avaliação neuropsicológica, considerando-se as necessidades e as habilidades individuais do paciente (Farias e Elias, 2020).
Porém, ao falar de tratamento, avanços significativos e evolução no quadro de neurodesenvolvimento de crianças com TEA, é necessário ser debatido a importância do diagnóstico precoce. Quanto mais cedo a intervenção, as possibilidades de agravo no quadro dessas crianças são reduzidas, consequentemente auxilia na tomada de decisão mais rápida dos cuidadores, diminuição da ansiedade dos mesmos e melhoria na obtenção de mais repertórios e novas habilidades para lidar com as subjetividades da criança (Paiva e Júnior, 2020).
É compreendido que os traços do espectro autista são variáveis de acordo com a subjetividade de cada criança, mas essas variabilidades e sinais mais comuns devem ser observados por pais e cuidadores, assim, a partir dessa variedade, as intervenções podem ser realizadas de modo mais personalizado de acordo com as necessidades de cada indivíduo (Marques e Bosa, 2023). A intervenção comportamental intensiva precoce baseada na análise comportamental aplicada é uma intervenção psicoeducacional abrangente e bem pesquisada para crianças em idade pré-escolar com transtorno do espectro autista, assim, a intervenção comportamental intensiva precoce, em comparação com o tratamento eclético ou tratamento usual, resulta em mais crianças fazendo melhorias confiáveis.
Isso destaca a importância de utilizar a linguagem expressiva como um importante alvo inicial de tratamento e apoia a necessidade de melhorar os esforços de identificação precoce do TEA para permitir a inscrição precoce e rápida nos programas de intervenção comportamental intensiva precoce (Farias e Elias, 2020).
DESAFIOS ENFRENTADOS POR PAIS E PROFESSORES NA ADAPTAÇÃO ESCOLAR
A adaptação escolar é um processo complexo que envolve não apenas a criança, mas também os adultos que a cercam. Pais e professores desempenham papéis complementares nesse momento, mediando o impacto emocional e social que a entrada ou mudança de ambiente escolar provoca. A transição entre contextos, como o ingresso na educação infantil ou a passagem para o ensino fundamental, exige preparo, paciência e empatia. Muitas vezes, as expectativas dos adultos entram em conflito com o tempo subjetivo da criança, gerando tensões que repercutem no comportamento e na aprendizagem (De Moraes et al, 2022).
Para os pais, a adaptação escolar pode representar um momento de desprendimento e insegurança. Entregar o cuidado da criança a outra instituição, com rotinas e pessoas novas, desperta sentimentos de ansiedade e culpa. É comum que alguns responsáveis superprotejam o filho, interferindo no processo de autonomia que a escola busca promover. Esse comportamento, embora compreensível, pode dificultar o desenvolvimento da confiança da criança e atrasar a sua integração ao ambiente escolar (Freitas, 2023).
Por outro lado, os professores enfrentam o desafio de acolher alunos com diferentes histórias, personalidades e contextos familiares. Cada criança chega à escola com um repertório emocional e cognitivo próprio, e o educador precisa compreender essas singularidades para planejar práticas pedagógicas inclusivas. Essa diversidade exige uma escuta atenta e um olhar sensível, capazes de identificar sinais de desconforto, regressão ou resistência, comuns no período de adaptação (Bastiteli, 2024).
Freitas (2023) afirma que, a comunicação entre família e escola é um dos pilares fundamentais para o sucesso da adaptação. Quando pais e professores mantêm um diálogo transparente e respeitoso, é possível construir um ambiente de confiança que favorece o bem-estar da criança. Entretanto, muitos conflitos surgem da falta de alinhamento nas expectativas: enquanto alguns pais exigem resultados imediatos, os educadores compreendem o processo como gradual e individualizado. Essa diferença de percepção pode gerar frustrações e desgastes na relação entre ambos.
Outro obstáculo recorrente é o tempo de adaptação das crianças, que varia de acordo com fatores emocionais, sociais e até biológicos. Há alunos que se adaptam rapidamente ao novo ambiente, enquanto outros demandam semanas ou meses para se sentir seguros. Pressionar a criança para se ajustar rapidamente pode intensificar sentimentos de rejeição e medo, comprometendo o vínculo com a escola. Nesse contexto, a paciência e a compreensão dos adultos são essenciais (Cunha, 2023).
A instituição escolar também precisa estar preparada para esse momento. É responsabilidade da equipe pedagógica oferecer um ambiente acolhedor, com profissionais capacitados para lidar com o choro, a recusa e a insegurança típicos dos primeiros dias. Estratégias como períodos de adaptação progressiva, atividades lúdicas e acompanhamento individual podem facilitar o processo. A ausência de uma política institucional clara sobre adaptação pode resultar em experiências traumáticas para todos os envolvidos (Bastiteli, 2024).
As transformações sociais e tecnológicas dos últimos anos também influenciam esse processo. As famílias estão mais conectadas, porém muitas vezes mais distantes emocionalmente. O ritmo acelerado da vida cotidiana e a falta de tempo para acompanhar o cotidiano escolar dificultam a participação ativa dos pais. Para os professores, lidar com essa ausência representa um desafio adicional, pois a escola sozinha não é capaz de suprir as necessidades afetivas e educacionais da criança (De Moraes et al, 2022).).
O ingresso tardio na escola ou mudanças frequentes de instituição ampliam as dificuldades de adaptação. Crianças que vivenciam rupturas constantes podem desenvolver resistência às novas experiências, comprometendo o desenvolvimento emocional e social. Professores precisam, nesses casos, reconstruir laços de confiança, respeitando o ritmo do aluno e evitando comparações com seus pares. A empatia e o acolhimento tornam-se, portanto, estratégias indispensáveis (Pinho, 2023).
Além disso, o perfil das turmas está cada vez mais heterogêneo. A presença de alunos com necessidades educacionais específicas demanda preparo técnico e emocional por parte dos docentes. A ausência de formações continuadas e de apoio psicopedagógico pode gerar sobrecarga nos professores, que se sentem incapazes de responder a todas as demandas. Essa realidade afeta diretamente a qualidade do acolhimento e da adaptação escolar (Freitas, 2023).
Bastiteli (2024) explica que, o papel do professor na mediação dos vínculos é determinante. Ele é o primeiro adulto com quem a criança estabelece uma relação fora do núcleo familiar, e essa relação precisa ser construída com cuidado. O olhar afetuoso, a escuta ativa e a coerência nas ações comunicam à criança que o ambiente escolar é seguro. Quando o educador demonstra sensibilidade, o processo de separação dos pais ocorre de maneira mais tranquila e natural.
Para os pais, compreender o papel da escola é um aprendizado contínuo. Muitos ainda enxergam a instituição como substituta da família, transferindo responsabilidades que deveriam ser compartilhadas. A educação escolar não substitui o afeto e os valores familiares, mas complementa o processo formativo da criança. Essa consciência ajuda a reduzir conflitos e a promover um trabalho colaborativo mais harmonioso entre escola e lar (Pinho, 2023).
No entanto, a falta de preparo emocional dos pais é uma das principais barreiras. Quando o adulto não está pronto para a separação, a criança percebe sua insegurança e tende a reproduzi-la. Por isso, o trabalho de orientação familiar é tão relevante. Reuniões, rodas de conversa e acompanhamento psicológico podem fortalecer o vínculo entre família e escola, oferecendo suporte emocional durante o processo de adaptação (Cunha, 2023).
As crianças, especialmente na primeira infância, vivenciam a adaptação como uma ruptura simbólica. Deixar o ambiente familiar e se inserir em um espaço coletivo implica aprender a dividir, esperar e negociar. Essas habilidades socioemocionais são desenvolvidas progressivamente, e o papel do professor é fundamental na mediação desses aprendizados. A escola, portanto, é um espaço de socialização que exige tempo e mediação constante (De Moraes et al, 2022).).
Segundo Cunha (2023), o choro e a recusa em permanecer na escola são reações esperadas no início da adaptação. Muitos pais interpretam esses sinais como fracasso ou desajuste, mas eles fazem parte de um processo natural. Cabe aos professores orientar as famílias sobre a importância de respeitar o tempo da criança e não desistir diante das primeiras dificuldades. Com o apoio e a constância, a tendência é que a criança se sinta mais segura e confiante.
A pandemia da COVID-19 intensificou os desafios da adaptação escolar. Após longos períodos de isolamento, muitas crianças retornaram às aulas presenciais com dificuldades de socialização e concentração. Professores e pais precisaram reinventar suas formas de acolher e ensinar, lidando com lacunas emocionais e cognitivas. Essa experiência revelou a importância da empatia e da colaboração entre escola e família em tempos de crise (Pinho, 2023).
Outro fator relevante é a influência das diferenças culturais e socioeconômicas. Famílias com menos acesso à informação ou com rotinas de trabalho intensas enfrentam obstáculos adicionais para acompanhar a adaptação escolar. A escola precisa reconhecer essas desigualdades e criar estratégias inclusivas, garantindo que todos tenham oportunidades de participação e acompanhamento adequados (Freitas, 2023).
A formação continuada dos professores é um elemento-chave para aprimorar o processo de adaptação. O domínio de técnicas de escuta, manejo de comportamento e comunicação não violenta permite um trabalho mais humanizado. Quando o educador é valorizado e capacitado, tende a agir com mais segurança e paciência, transmitindo à criança uma sensação de estabilidade emocional (Cunha, 2023).
A gestão escolar também tem papel fundamental. Cabe à direção e à coordenação pedagógica promover ações de integração, monitorar o bem-estar das famílias e garantir que os professores recebam apoio. A ausência desse suporte institucional pode levar ao esgotamento emocional dos docentes, dificultando a construção de vínculos saudáveis no ambiente escolar (De Moraes et al, 2022).).
Bastiteli (2024) relata que, o envolvimento da comunidade escolar é outro aspecto importante. Projetos de acolhimento, atividades interativas e celebrações coletivas fortalecem o sentimento de pertencimento. Quando pais, professores e alunos participam juntos, a adaptação deixa de ser um momento de tensão e se transforma em uma oportunidade de crescimento coletivo.
É preciso compreender que a adaptação não termina nos primeiros dias de aula. Trata-se de um processo contínuo, que se renova a cada mudança de turma, professor ou rotina. O acompanhamento permanente das famílias e da escola assegura que possíveis dificuldades sejam identificadas precocemente e resolvidas de forma colaborativa (Pinho, 2023).
A afetividade é o eixo central desse processo. Uma criança que se sente acolhida emocionalmente tem mais disposição para aprender e se envolver nas atividades escolares. O afeto não se restringe ao carinho físico, mas à atenção genuína e à valorização das conquistas diárias. Tanto pais quanto professores precisam cultivar esse olhar sensível para garantir uma adaptação saudável (Cunha, 2023).
A construção da autonomia é outro desafio. Enquanto a escola estimula a independência, alguns pais resistem a permitir que a criança realize atividades sozinha. Esse conflito pode gerar contradições nas mensagens recebidas pela criança, dificultando sua confiança e iniciativa. O equilíbrio entre cuidado e liberdade é fundamental para o desenvolvimento emocional (De Moraes et al, 2022).).
Também é necessário refletir sobre o papel do brincar na adaptação. O jogo e a ludicidade são instrumentos que facilitam o vínculo, promovendo a expressão emocional e o aprendizado de forma natural. Professores que utilizam atividades lúdicas como estratégia de integração contribuem para que a criança associe a escola a experiências positivas e prazerosas (Freitas, 2023).
A partir da observação e do diálogo constante, pais e professores conseguem compreender melhor as necessidades da criança. O processo de adaptação é, portanto, um exercício de empatia e escuta mútua. A cooperação entre os adultos garante que a escola cumpra seu papel formativo sem desconsiderar o universo afetivo que sustenta o desenvolvimento infantil (Pinho, 2023).
Os desafios enfrentados por pais e professores na adaptação escolar refletem a complexidade das relações humanas. Não se trata apenas de inserir a criança em um novo ambiente, mas de promover uma transição segura, acolhedora e significativa. O sucesso dessa jornada depende da parceria entre escola e família, do reconhecimento das diferenças individuais e da valorização do afeto como ferramenta educativa essencial (Bastiteli, 2024).
METODOLOGIA
O presente artigo adota uma metodologia de pesquisa bibliográfica descritiva, fundamentada na análise de obras, artigos científicos e publicações recentes que abordam o tema da Análise do Comportamento Aplicada (ABA) e sua eficácia nas intervenções voltadas a indivíduos com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Essa abordagem metodológica visa reunir, sistematizar e interpretar contribuições teóricas relevantes, permitindo uma compreensão abrangente sobre o papel da ABA no desenvolvimento de habilidades sociais, cognitivas e comportamentais. O caráter descritivo da pesquisa se justifica pela necessidade de identificar e organizar as informações disponíveis na literatura científica, apresentando um panorama atualizado e crítico sobre os avanços e limitações do método ABA.
A coleta de dados foi realizada por meio de consultas em bases acadêmicas, periódicos científicos e livros publicados entre 2017 e 2024, priorizando produções em língua portuguesa, de autores nacionais e internacionais reconhecidos no campo da Psicologia, Neuropsicologia e Educação Inclusiva. Foram utilizados critérios de seleção baseados na relevância, atualidade e rigor metodológico dos estudos, com especial atenção às obras que tratam da aplicação do ABA em contextos escolares e clínicos. A análise das fontes permitiu identificar padrões de resultados, estratégias de intervenção e desafios enfrentados por profissionais e famílias no processo terapêutico e educacional de pessoas com TEA.
A metodologia adotada permitiu realizar uma reflexão crítica sobre a aplicabilidade da ABA enquanto instrumento de promoção do desenvolvimento global do indivíduo autista. Ao priorizar uma análise qualitativa, o estudo não se limita à mensuração de resultados, mas busca compreender as implicações éticas, sociais e educacionais das práticas analisadas. Dessa forma, a metodologia deste artigo contribui para a consolidação de um referencial teórico que subsidie novas pesquisas e práticas profissionais comprometidas com a inclusão, o respeito à diversidade e a efetividade das intervenções baseadas em evidências científicas.
RESULTADOS
A partir da análise bibliográfica realizada, observa-se que a Análise do Comportamento Aplicada (ABA) se destaca como uma abordagem terapêutica eficaz e cientificamente validada no tratamento de indivíduos com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Os estudos revisados indicam que, quando aplicada de forma sistemática, individualizada e contínua, a ABA contribui significativamente para o desenvolvimento de habilidades sociais, cognitivas e comunicativas, resultando em maior autonomia e integração social. Além disso, foi constatado que a intervenção precoce aumenta substancialmente os índices de progresso, reforçando a importância do diagnóstico antecipado e da atuação interdisciplinar entre terapeutas, educadores e familiares.
Os resultados também evidenciam que a eficácia da ABA depende da fidelidade na aplicação do método e da capacitação dos profissionais envolvidos. Intervenções conduzidas por analistas do comportamento com formação adequada apresentam melhor desempenho na redução de comportamentos inadequados e no reforço de comportamentos desejáveis. A literatura destaca ainda que o uso de reforçadores positivos, a aprendizagem sem erro e o acompanhamento contínuo permitem que as mudanças comportamentais sejam mantidas a longo prazo, favorecendo a generalização das habilidades aprendidas para diferentes contextos, familiar, escolar e social.
Outra constatação importante foi a relevância da participação ativa da família no processo terapêutico. A presença de pais e cuidadores como cointervenientes potencializa os resultados da ABA, uma vez que possibilita a continuidade das práticas em casa e o fortalecimento dos vínculos afetivos. Essa colaboração promove uma melhor adaptação da criança às demandas cotidianas e reduz a resistência às mudanças. Nos contextos escolares, observou-se que a utilização do método contribui para o aumento da atenção, da comunicação funcional e da socialização entre os pares, aspectos essenciais para o processo de inclusão educacional.
As pesquisas analisadas apontam que, embora a ABA apresente resultados positivos consistentes, ainda existem desafios quanto à sua implementação em larga escala, especialmente nas redes públicas de ensino e saúde. A carência de profissionais capacitados, a limitação de recursos e o desconhecimento sobre o método por parte de educadores e gestores dificultam a disseminação dessa prática. Assim, reforça-se a necessidade de políticas públicas voltadas à formação continuada, à ampliação do acesso e ao incentivo à pesquisa aplicada, garantindo que os benefícios da ABA sejam efetivamente democratizados e contribuam para uma sociedade mais inclusiva e acolhedora às pessoas com TEA.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O autismo é visto tradicionalmente como um recolhimento da criança para um mundo próprio, ao qual somente ela tem acesso. Ausência de afeto e de busca espontânea de contato físico, decorrentes de um afastamento voluntário do mundo real, e a incapacidade de aprender devido a algum prejuízo biológico, são tópicos recorrentes quando se fala sobre o tema. O desenvolvimento do presente trabalho partiu do pressuposto de que muitas das características autistas podem ser analisadas e trabalhadas em termos de repertório comportamental, exclusivamente. Muito embora existam, provavelmente, repertórios típicos do autismo decorrentes de prejuízos neurológicos, dificuldades durante a gestação e no parto, entre outras causas atribuídas ao distúrbio, esta relação de causalidade organicista não parece ser a regra, principalmente se levarmos em conta os resultados bem-sucedidos de intervenções comportamentais bem planejadas e executadas.
Além disso, deve-se levar em conta que os estudos atribuindo causações orgânicas ao autismo são, em sua maioria, estudos correlacionais. Com base em uma análise retrospectiva, características orgânicas que coexistem com as caraterísticas autistas, em uma parcela significativa da amostra considerada, não havendo, dessa maneira, uma relação causa-efeito direta comprovada entre aquelas características e as últimas. O que se identifica são, na verdade, possibilidades de relação, além do fato, inegável, de que uma boa porcentagem de pessoas diagnosticadas como autistas apresenta problemas biológicos. Mas, se esses problemas causam ou apenas acompanham o quadro autista, é uma questão que ainda deve ser investigada mais a fundo.
Apesar dos avanços provenientes da pesquisa comportamental, informações imprecisas e a falta de conhecimento acerca do autismo ainda se mantêm, trazendo prejuízos aos próprios autistas e a seus familiares, aumentando o despreparo de professores e outros profissionais que lidam com crianças autistas, mantendo e gerando preconceitos. Por essa razão, torna-se patente a necessidade de os analistas do comportamento se preocuparem não somente com a investigação científica e o desenvolvimento de técnicas e tecnologias de intervenção, mas também em disponibilizarem o saber decorrente de suas pesquisas para o público em geral, principalmente no Brasil, onde os estudos sobre o tema, além de escassos, não encontram meios de veiculação para a comunidade.
Outra tarefa dos analistas do comportamento seria o desenvolvimento de instrumentos que possibilitassem a identificação, o mais precocemente possível (antes dos tradicionais três anos de idade), de traços comportamentais incipientes característicos de um repertório autista, dado que a intervenção precoce parece trazer benefícios mais significativos do que uma intervenção mais tardia no desenvolvimento infantil. Além disso, os profissionais, não apenas da Análise do Comportamento, mas da Psicologia como um todo, deveriam estar mais atentos à elaboração de programas de prevenção que pudessem minimizar a gravidade dos efeitos comportamentais e educacionais da condição autista.
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