A manifestação dos atributos divinos ativos na visão bíblica das religões cristãs no Brasil

THE MANIFESTATION OF THE DIVINE ATTRIBUTES ACTIVE IN THE BIBLICAL VIEW OF CHRISTIAN RELIGIONS IN BRAZIL

LA MANIFESTACIÓN DE LOS ATRIBUTOS DIVINOS ACTIVA EN LA VISIÓN BÍBLICA DE LAS RELIGIONES CRISTIANAS EN BRASIL

Autor

URL do Artigo

https://iiscientific.com/artigos/4A4EA6

DOI

doi.org/10.63391/4A4EA6

Dutra, Adailton Fernandes . A manifestação dos atributos divinos ativos na visão bíblica das religões cristãs no Brasil. International Integralize Scientific. v 5, n 49, Julho/2025 ISSN/3085-654X

Resumo

O prefixo “Oni” significa “todo”, sendo assim os três atributos Divinos (Onipresente, Onisciente, Onipotente) podem ser parafraseados ao se dizer que Deus é “Todo-poderoso, sabe todas as coisas e está presente em todos os lugares”. Os três Oni são inseparáveis, seus atributos não podem se separar. Também dizemos que ele é Soberano, sua Soberania é reconhecida pelos seus seguidores, aqueles a quem o teme e também dizemos que tem a Sabedoria suprema de todo o Universo, a Sabedoria que não se contradiz. Sua Sabedoria é tanta que pode orientar o Ser Humano da melhor forma possível levando-o ao melhor de si mesmo.
Palavras-chave
atributos; deus; bíblia sagrada; o ser de Deus; a manifestação do ser soberano.

Summary

The prefix “Oni” means “all”, thus the three Divine attributes (Omnipresent, Omniscient, Omnipotent) can be paraphrased as saying that God is “All-powerful, knows all things, and is present everywhere.” The three Onis are inseparable; their attributes cannot be separated. We also say that He is Sovereign, and His Sovereignty is recognized by His followers, those who fear Him, and we also say that He has the supreme Wisdom of the entire Universe, the Wisdom that does not contradict itself. His Wisdom is so great that it can guide Humanity in the best possible way, leading it to the best of itself.
Keywords
attributes; god; holy bible; the being of God; the manifestation of the sovereign being.

Resumen

El prefijo “Oni” significa “todo”, así que los tres atributos Divinos (Omnipresente, Omnisciente, Omnipotente) pueden parafrasearse diciendo que Dios es “Todopoderoso, sabe todas las cosas y está presente en todos los lugares”. Los tres Oni son inseparables, sus atributos no pueden separarse. También decimos que es Soberano, su Soberanía es reconocida por sus seguidores, aquellos a quienes les teme y también decimos que tiene la Sabiduría suprema de todo el Universo, la Sabiduría que no se contradice. Su Sabiduría es tanta que puede guiar al Ser Humano de la mejor manera posible, llevándolo a lo mejor de sí mismo.
Palavras-clave
atributos; dios; santa biblia; el ser de Dios; la manifestación del ser soberano.

INTRODUÇÃO

Onisciência, Onipresença, Onipotência, Sabedoria e Soberania são atributos Divinos alucinante, atraente e fascinantes são complexos e as vezes difícil de compreendê-los. Esses atributos revelados (com prefixo Oni), se manifestam no próprio Ser de Deus e revelam a profundidade do conhecimento de Deus, mas em contrapartida há uma reflexão sobre a intimidade de Sua relação através da manifestação com a criação humana. Deus é o único que é Onisciente, Onipresente e Onipotente, segundo a Bíblia que considera se a Palavra de Deus escrita; a onipotência significa que Deus é o mais poderoso e sábio e que tem controle total sobre si mesmo e sua criação; a onipresença significa que Deus consegue estar presente em todo lugar ao mesmo tempo, uma vez que o poder e o conhecimento de Deus se estendem a todas as áreas de sua criação, Ele mesmo está presente em todos os lugares; a onisciência significa que que Ele é o critério definitivo do que é verdadeiro e o que é falso, de modo que suas ideias são sempre verdadeiras, que é conhecedor de antemão de tudo e sobretudo, ou seja tem todo o conhecimento. Esses atributos são considerados essenciais para a natureza divina e são frequentemente mencionados nas escrituras sagradas e textos religiosos.

O prefixo “Oni”, significa “Todo” algo que é completo, sem falhas.

Deus é único, sem par, Ele é um e não há nenhum outro além dEle a Teologia chama isso de Unitas Singularitatis, que se refere a sua singularidade.

Muito se pode dizer de um ser tão grande como Deus, mas se torna mais fácil a tarefa se classificando os seus atributos. Compreender a Deus em sua plenitude seria tão difícil como encerrar o Oceano Atlântico numa xícara; mas Ele se tem revelado a si mesmo o suficiente para esgotar a nossa capacidade. A classificação seguinte talvez facilite a compreensão:

Atributos Naturais, ou seja, o que Deus é em si próprio, à parte da criação.

Atributos Morais, ou seja, o que Deus é em relação aos seres morais por ele criados.

Atributos Ativos, ou seja, o que Deus é em relação ao Universo.

Neste artigo vamos nos ater na última parte, ou seja: os Atributos Ativos.

DESENVOLVIMENTO

ATRIBUTOS ATIVOS (DEUS E O UNIVERSO)

ONIPOTÊNCIA

É mediante a remoção de todas as limitações do poder, como existe em nós (seres humanos), que se apossa da ideia da Onipotência de Deus. Não obstante, nem por isso se perde a ideia propriamente dita. O poder onipotente não deixa de ser poder. O ser humano pode fazer muito pouco, Deus pode fazer tudo quanto lhe apraz. O ser humano, além de limites muitíssimo estreitos, tem de empregar meios para a consecução dos próprios fins. Para Deus, os meios são desnecessários. Ele quer, e é feito. Disse ele “Haja luz”, e houve luz. Ele, mediante uma volição, criou os céus e a terra. Na volição de Cristo, os ventos cessaram e houve grande bonança. Mediante um ato da vontade, ele curou o enfermo, abriu os olhos ao cego e ressuscitou o morto. Essa simples idéia da onipotência de Deus, de que ele pode fazer sem esforço, mediante volição, tudo o que quer, é a idéia de poder mais elevada e mais claramente apresentada nas Escrituras. Em Gênesis 17.1, está expresso: “Eu sou do Deus Todo-poderoso”. O profeta Jeremias exclama: “Ah! Senhor Deus, eis que fizeste os céus e a terra com o teu grande poder e com o teu braço estendido; coisa alguma te é demasiadamente maravilhosa” (Jeremias 32.17). Leia-se (na Bíblia Sagrada), que Deus criou todas as coisas pelo sopro de sua boca, e sustentou o universo por meio de sua palavra. Na Bíblia Deus disse: “Isto é impossível aos homens, mas para Deus e tudo faz como lhe agrada” (Salmos 115.3). Outra vez: “Tudo quanto aprouve ao Senhor, ele o fez, nos céus e na terra, no mar e em todos os abismos” (Salmos 135.6). O Senhor Deus onipotente reina e age segundo seu beneplácito entre os exércitos do céu e os habitantes da terra; esse é o tributo de adoração que as Escrituras por toda a parte rendem a Deus (segundo versículos apresentados), e a verdade que por toda a parte apresentam como base da confiança de seu povo. Eis tudo o que se sabe e tudo o que precisa saber sobre este tema; e aqui poderia repousar satisfeitos, não fossem as vãs tentativas dos teólogos de conciliar essas verdades simples e sublimes da Bíblia com suas especulações filosóficas.

Deus é onipotente. (Gn 1.1; 17.1; 18.14; Ex 15.7; Dt 3.24; 32.39; I Cr 16.25; Jó 40.2; Is 40.12-15; Jr 32.17; Ez 10.5; Dn 3.17; 4.35; Am 4.13; 5.8; Zc 12.1; Mt 19.26; Ap 15.3; 19.6.) A onipotência de Deus de acordo com a Bíblia significa duas coisas: (1) Sua liberdade e poder para fazer tudo que esteja em harmonia com sua natureza (versículos acima citados comprovam essa verdade). Isto naturalmente não significa que ele possa ou queira fazer alguma coisa contrária à sua própria natureza – por exemplo, mentir ou roubar; ou que faria alguma coisa absurda ou contraditória em si mesma, tal como fazer um círculo triangular, ou fazer água seca. (2) Seu controle e sabedoria sobre tudo que existe ou que pode existir. Mas sendo assim, por que se pratica o mal neste mundo? É porque Deus dotou o homem de livre arbítrio, cujo arbítrio Deus não violará; portanto, ele permite os atos maus, mas com um sábio propósito de, finalmente, dominar todo o mal. Somente Deus é Todo poderoso e até mesmo satanás nada pode fazer sem a sua permissão. Toda a vida é sustentada por Deus. (Hebreus 1.3; Atos 17.25, 28; Daniel 5.23.) A existência do homem é qual som de nota de harmônio que soa enquanto os dedos comprimem as teclas. Assim, sempre que a pessoa peca está usando o poder do próprio criador para ultrajá-lo.  Pois todo pecado é um insulto contra Deus (Romanos 3.23).

ONIPRESENÇA

Deus é onipresente, (segundo a Bíblia), isto é: o espaço material não o limita em ponto algum. (Gn 28.15-16; Dt 4.39; Js 2.11; Sal 139.7-10; Pv 15.3, 11; Is 66.1; Jr 23.23-24; Am 9.2-4, 6; At 7.48-49; Ef 1.23.) Qual a diferença entre imensidade e onipresença? Imensidade é a presença de Deus em relação ao espaço, enquanto onipresença é a sua presença considerada em relação às criaturas. Para suas criaturas Ele está presente nas seguintes maneiras: (1) Em glória, para as hostes adoradoras do céu. (Isaías 6.1-3.) (2) Eficazmente, na ordem natural. (Naum 1.3.) (3) Providencialmente, nos assuntos relacionados com os homens. (Salmos 68.7-8). Atentamente, àqueles que o buscam. Mateus 18.19-20; Atos 17.27. (5) judicialmente, às consciências dos ímpios. Gênesis 3.8; Salmos 68.1-2. O homem não deve iludir-se com pensamento de que existe um cantinho no universo onde possa escapar à lei do seu Criador. (6) Corporalmente em seu Filho. “Deus conosco” Colossenses 2.9. (7) Misticamente na Igreja. Efésios 2.12-22. (8) Oficialmente, com seus obreiros. Mateus 28.19-20. Embora Deus esteja em todo lugar, Ele não habita em todo lugar. Somente ao entrar em relação pessoal com um grupo ou com um indivíduo se diz que ele habita com eles. 

Por onipresença não se deve entender que Deus enche o espaço como faz o universo. A relação de Deus com o espaço não é a mesma que existe entre este a matéria. E, por conseguinte, não é prudente afirmar que Deus está presente em toda parte como o universo está em alguma parte. Sendo Deus Espírito, não ocupa espaço. Só a matéria ocupa espaço. Se a idéia da onipresença de Deus se baseasse na relação da matéria com o espaço, certamente por essa conclusão haveria algo errado, porque Deus não enche o espaço, como a matéria. A idéia de que Deus está distribuído por todo o espaço, como a atmosfera, é errônea. Tal idéia pertence ao materialismo, e não ao cristianismo. O espaço não existe para Deus. 

A verdadeira idéia da onipresença de Deus é que Ele age com a mesma facilidade com que pensa e quer, porque para Deus não há espaço nem tempo. Para agir, Deus não tem necessidade de ir de um para outro lugar, assim como não tem o ser humano a necessidade de ir a certo lugar para pensarmos nele: pode-se pensar nele estando muito longe. Para o pensamento não existe espaço nem tempo. Deus está tão relacionado com tudo que, havendo necessidade de agir, Ele o faz sem qualquer trabalho. Não há lugar distante para Ele; Ele é qual um centro dum círculo: tem a mesma relação para com todos os lugares. Devido à sua relação com tudo, Deus acha-se em condições de agir instantaneamente em qualquer parte, comunica-se imediatamente com todo o universo. Para o seu poder de ação não há considerações de tempo nem de espaço, como não há, igualmente, para o seu poder de pensar e querer. 

A sua onipresença não exige tamanho sacrifício. Como o homem está em qualquer parte do seu corpo, Deus está presente em qualquer lugar onde haja necessidade dEle (Salmos 139.7). Jesus acentuou o lado prático desta doutrina quando disse: “Onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles” (Mateus 18.20). Em toda a criação, onde quer que exista alguma coisa que dependa de Deus, lá está ele presente em toda a sua personalidade. Não há como fugir a esta presença de Deus. “Para onde me irei do teu Espírito, ou para onde fugirei da tua face? Se subir ao céu, tu aí estás; se fizer no inferno aminha cama, eis que tu ali estás também. Se tomar as asas da alva, se habitar nas extremidades do mar, até ali a tua mão me guiará e a tua destra me susterá” (Salmos 139.7-10). “Esconder-se-ia alguém em esconderijos, de modo que eu não o veja? Diz o Senhor: porventura não acho eu os céus e a terra? Diz o Senhor” (Jeremias 23.24).

Citando John M. Frame em coalizão pelo evangelho (site):

A Escritura responde dizendo que Deus está presente em todo lugar, porque, como vimos, seu poder e seu conhecimento estão em todo lugar. Se tudo, em todos os lugares, acontece por meio do poder de Deus, e se ele conhece exaustivamente tudo que seu poder ocasiona, então certamente ele não está ausente, mas presente em cada evento, ainda que sua presença não seja a mesma que a dos seres físicos. Portanto, a onipotência e onisciência de Deus implicam sua onipresença. (John Frame, 2025), A Doutrina de Deus (Editora Cultura Cristã, 2019)

ONISCIÊNCIA

Deus é onisciente, porque conhece todas as coisas. (Gn 18.18-19; II Rs 8.10,13: I Cr 28.9; Sl 94.9; 139.1-16; 147.4-5; Pv 15.3; Is 29.15-16; 40.28; Jr 1.4-5; Ez 11.5; Dn 2.22, 28; Am 4.13; Lc 16.15; At 15.8, 18; Rm 8.27, 29; I Co 3.20; II Tm 2.19; Hb 4.13; I Pe 1.2; I Jo 3.20). O Conhecimento de Deus é perfeito, Ele não precisa arrazoar, ou pesquisar as coisas, nem aprender gradualmente – seu conhecimento do passado, do presente e do futuro é instantâneo. Há grande consideração deste atributo. Em todas as provas da vida do crente (não somente aquele que crê, mas aquele que aceitou a Deus e tem a Bíblia como regra de fé e prática do dia a dia), tem a certeza de que “Vosso Pai celestial sabe” (Mateus 6.8).

A seguinte dificuldade se apresenta: sendo Deus conhecedor de todas as coisas, Ele sabe quem perderá; portanto, como pode essa pessoa evitar o perder-se?

Mas a presciência de Deus sobre o tudo que a pessoa fará do livre arbítrio não obriga a escolher este ou aquele destino. Deus prevê sem intervir (Mateus 24.22).

A doutrina da onisciência é essencial a religião Cristã, porque, se Deus não soubesse dirigir o universo, se não soubesse ensinar o plano da salvação e responder às súplicas do povo de Deus, toda a humanidade seria a mais infeliz de todas as criaturas. Deus, porém, nunca se achou e jamais se achará em condições embaraçosas que lhe dificultem a ação. “Porque o vosso pai sabe o que vos é necessário, antes de vós lho pedirdes” (Mateus 6.8). Não há parte alguma em que a criatura não esteja na sua presença, e não há nada necessário ao bem-estar de todas as coisas que Ele não possa prover, não saiba providenciar. Deus sabe e pode fazer o necessário para levar toda a criação ao alvo destinado por Ele mesmo.

Quase sempre o ser humano tem diante de si problemas difíceis, para os quais não surge solução; mas para Deus não há problema: Ele não só tem o poder de agir, mas também sabe agir de maneira que todos os problemas desapareçam. O conselho de Deus, devido à sua onisciência, é um conselho perfeito.

SABEDORIA

Deus é sábio. (Sl 104,24; Pv 3.19; Jr 10.12; Dn 2.20-21; Rm 11.33; I Co 1.24-25, 30; 2.6-7; Ef 3.10; Cl 2.2-3). A sabedoria de Deus reúne a sua Onisciência e sua Onipotência. Ele tem poder para levar a efeito seu conhecimento de tal maneira que se realizem os melhores propósitos possíveis pelos melhores meios possíveis. Deus sempre faz o bem de maneira certa e no tempo certo.

Esta ação da parte de Deus, de organizar todas as coisas e executar a sua vontade no curso dos eventos com a finalidade de realizar o seu bom propósito, dá-se o nome de: providência. A divina providência geral relaciona-se com o universo como um todo; sua providência particular relaciona-se com os detalhes da vida do homem (criação).

Dizer que Deus tem sabedoria significa dizer que ele sempre escolhe as melhores metas e os melhores meios para alcançar essas metas. Essa definição vai além da idéia de que Deus conhece todas as coisas, e especifica que as decisões divinas quanto ao que fará são sempre sábias, ou seja, sempre trazem os melhores resultados (do ponto de vista absoluto de Deus), e trazem esses resultados pelos melhores meios possíveis.

A sabedoria de Deus também se revela no seu grande plano redentor. Cristo é “Sabedoria de Deus” para os que são chamados (I Coríntios 1.24, 30), ainda que a palavra da cruz seja “loucura” para aqueles que a rejeitam e se julgam sábios neste mundo (I Coríntios 1.18-20). Porém, até isso é um reflexo do sábio plano divino: “Visto como, na sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por sua própria sabedoria, aprouve a Deus salvar os que crêem pela loucura da pregação […] Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios […] a fim de que ninguém se vanglorie na presença de Deus” (I Coríntios 1.21, 27, 29).

Paulo (antes Saulo de Tarso – Atos 9.1-20) sabe que aquilo que se considera como “simples” mensagem evangélica, compreensível até aos bem novos, reflete um espantoso plano divino, que nas suas profundezas de sabedoria ultrapassa qualquer coisa que o homem jamais poderia imaginar. Ao final de onze capítulos (na carta aos Romanos), de reflexão sobre a sabedoria do plano redentor de Deus, Paulo irrompe em espontâneo louvor: “Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos!” (Romanos 11.33).

Pregando Paulo o evangelho tanto a judeus quanto a gentios, e estando tanto uns como outros unificados no corpo único de Cristo (Efésios 3.6), o incrível “mistério” que esteve “desde os séculos, oculto em Deus, que criou todas as coisas” (Efésios 3.9) torna-se nítido aos olhos de todos: em Cristo se unem essas pessoas totalmente distintas. Quando grupos tão diversos, tanto radical como culturalmente, tornam-se membros do corpo único de Cristo, então cumpre-se o propósito de Deus: “… que, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus se torne conhecida, agora, dos principados e potestades nos lugares celestiais” (Efésios 3.10). Hoje isso significa que a sabedoria de Deus se revela até aos anjos e demônios (“principados e potestades”), enquanto povos de diferentes contextos raciais e culturais se unem em Cristo na igreja. Se a igreja cristã é fiel ao sábio plano divino, será sempre a primeira a romper barreiras raciais e sociais nas comunidades de todo o mundo, e assim se revelará manifestação visível do espantosamente sábio plano divino de gerar grande unidade a partir de uma ampla diversidade, fazendo, portanto, que toda a criação lhe renda honras.

A sabedoria de Deus também se revela na vida de cada pessoa. “sabemos que Deus orquestra todas as coisas para o bem daqueles que o amam, que são chamados segundo os propósitos divinos” (Romanos 8.28). Aqui Paulo afirma que Deus de fato opera sabiamente em todas as coisas que entram na vida do cristão e que, por meio de todas essas coisas, Ele os faz avançar rumo à meta da conformidade à imagem de Cristo (Romanos 8.29). Sim, deve se tê-lo como grande fonte de confiança e paz, diariamente, saber que Deus faz todas as coisas exerce confiança rumo à meta derradeira que ele tem para o ser humano, a saber, que todo ser humano seja semelhante a Cristo (no seu modo de agir e pensar), e assim dar-lhe glória. Tal confiança possibilitou que Paulo aceitasse o “espinho na carne” (II Coríntios 12.7) como algo que, mesmo dolorosamente, Deus na sua sabedoria decidira não remover (II Coríntios 12.8-10).

A sabedoria de Deus, é logicamente, em parte comunicável. Pedir com confiança a sabedoria de Deus quando dela se precisa, pois Ele promete na sua Palavra (Bíblia): “Se, porém, algum de vós necessita de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente e nada lhes impropera; e ser-lhe-á concedida” (Tiago 1.5). Essa sabedoria, ou capacidade de levar uma vida agradável a Deus, vem primeiramente pela leitura da sua Palavra (Biblia) e pela obediência a Ela: “O testemunho do Senhor é fiel e dá sabedoria aos símplices” (Salmos 19.7; cf. Deuteronômio 4.6-8). Porém, lembrar também que a sabedoria de Deus não é comunicável na sua totalidade: jamais um ser finito – o ser humano, criado pode participar plenamente da sabedoria Divina (Romanos 11.33). Em termos práticos, isso significa que frequentemente haverá situações em que não há compreensão por que Deus permite que determinada coisa aconteça. Nesse caso deve-se simplesmente confiar nEle e continuar obedecendo aos seus sábios mandamentos para a vida: “Por isso, também os que sofrem segundo a vontade de Deus encomendem a sua alma ao fiel Criador, na prática do bem” (I Pedro 4.19; cf. Deuteronômio 29.29; Provérbios 3.5-6). Deus é infinitamente sábio, mas a criatura lhe agrada quando há uma demonstração de fé, uma fé “confiante” em sua sabedoria, mesmo sem compreender o que Ele faz ou como Ele faz.

SOBERANIA

Deus é soberano, isto é, ele tem o direito absoluto de governar suas criaturas e delas dispor como lhe apraz. (Dn 4.35; Mt 20.15; Rm 9.21; Is 46.10b; Ef 1.11). Ele possui esse direito em virtude de sua infinita superioridade, de sua posse absoluta de todas as coisas, e da absoluta dependência delas perante Ele para que continuem a existir. Desta maneira, tanto é insensatez, como transgressão, censurar os seus caminhos.

Soberania não é uma propriedade da natureza divina, mas uma prerrogativa oriunda das perfeições do Ser Supremo. Sendo Deus Espírito (João 4.24), e, portanto, uma pessoa infinita, eterna e imutável em suas perfeições, o Criador e Preservador do universo, a soberania absoluta é um direito seu. A infinita sabedoria, bondade e poder, com o direito de posse que pertence a Deus no tocante às suas criaturas, são o fundamento imutável de seu domínio. “No céu está o nosso Deus e tudo faz como lhe agrada” (Salmos 115.3). “Todos os moradores da terra são por Ele reputados em nada; e, segundo a sua vontade, ele opera com o exército do céu e os moradores da terra; não há quem lhe possa deter a mão, nem lhe dizer: Que fazes?” (Daniel 4.35). “Tua, Senhor, é o poder, a grandeza, a honra, a vitória e a majestade; porque teu é tudo quanto há nos céus e na terra” (I Crônicas 29.11). “Ao Senhor pertence a terra e tudo o que nela se contém, o mundo e os que nele a habitam” (Salmos 24.1). “Teu, Senhor, o reino, e tu te exaltaste por chefe sobre todos” (I Crônicas 29.11). “Eis que todas as almas são minhas; como a alma do pai, também a alma do filho é minha” (Ezequiel 18.4). “Ai daquele que contende como o seu Criador! E não passa de um caco de barro entre outros cacos. Acaso, dirá o barro ao que lhe dá forma: Que fazes? Ou: A tua obra não tem alça” (Isaías 45.9). “Porventura, não me é lícito fazer o que quero do que é meu?” (Mateus 20.15). “Segundo o propósito daquele que faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade” (Efésios 1.11). “Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, glória eternamente. Amém” (Romanos 11.36).

À luz destas e de passagens similares da Escrituras, é evidente: (1) Que a soberania de Deus é universal. Ela se estende sobre todas as suas criaturas, das mais elevadas às mais inferiores. (2) Ela é absoluta. Não se podem pôr limites à sua autoridade, e faz seu beneplácito nos exércitos do céu e entre os habitantes da terra. (3) Ela é imutável. Não pode ser ignorada nem rejeitada. Ela obriga todas as criaturas, tão inexoravelmente quanto as leis físicas obrigam o universo material.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

De acordo com a Bíblia Sagrada, chega-se a um ponto chave sobre os atributos ativos de Deus, Ele (Deus), é: Onipotente – “no princípio Criou Deus os céus e a terra” Gênesis 1.1, que significa que Deus tem liberdade e controle pra fazer tudo que lhe apraz; que Ele é Onipresente – “E eis que estou contigo, e te guardarei por onde quer que fores, e te farei tornar a esta terra; porque não te deixarei, até que haja cumprido o que te tenho falado. Acordando, pois, Jacó do seu sono, disse: na verdade o Senhor está neste lugar; e eu não sabia” Gênesis 28 15-16, que está em todo lugar; que Ele é Onisciente “Os olhos do Senhor estão em todo lugar, contemplando os maus e os bons” Provérbios 15:3, que Ele conhece todas as coisas; que Ele é Sábio – “Ó Senhor, quão variadas são as tuas obras! Todas as coisas fizeste com sabedoria; cheia está a terra das tuas riquezas” Salmos 104:24 – Ele age com total sabedoria acerca de todas as coisas e pessoas; e por fim que Ele é Soberano: “E todos os moradores da terra são reputados em nada, e segundo a sua vontade ele opera com o exército do céu e os moradores da terra; não há quem possa estorvar a sua mão, e lhe diga: Que fazes?” Daniel 4:35 – que age com toda autoridade e poder.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BERGSTEN, Eurico. Teologia Sistemática – Reedição do livro Introdução à Teologia Sistemática. 2ª Edição. Rio de Janeiro – RJ. CPAD, 2004.

BERKHOF, Louis. Teologia Sistemática. 2ª Edição. São Paulo-SP. Editora Cultura Cristã, 2004.

BÍBLIA DE ESTUDO INDUTIVO. Vida. ACF. São Paulo-SP-1994, 1995. STB.

BÍBLIA DE ESTUDO PENTECOSTAL. CPAD. Revista e Corrigida, Ed. 1995.

BÍBLIA DE ESTUDO DE REFERÊNCIA THOMPSON. VIDA. Ed. Contemporânea. 10ª 1999.

BOYER, Orlando. Pequena Enciclopédia Bíblica. Vida. São Paulo-SP, 1978, 1999.

CAMPOS, Heber Carlos de. O Ser de Deus e os Seus atributos. Editora Cultura Cristã, 2ª Edição, 2002.

CHAFER, Lewis Sperry. Teologia Sistemática. (tradução Heber Carlos de Campos). Vol. 1 e 2. São Paulo-SP. Ed. Hagnos, 2003.

FERREIRA, A. B. de H. Novo Dicionário básico da língua portuguesa. Folha de São Paulo. J. E. M. M. Editores, 1988.

FINNEY, Charles. Teologia Sistemática. 1ª Edição, Rio de Janeiro-RJ, 2001.

GINGRICH, F. Wilbur. Léxico do novo Testamento, Grego/Português. Revisado por Frederick W. Danker, Trad. Júlio P. T. Zabateiro. Vida Nova, São Paulo-SP, 2004.

GRENZ, A. J.; GURETZKI, D.; NORDLING, C. F. dicionário de Teologia. Edição de bolso. Traduzido por Josué Ribeiro. São Paulo-SP. Vida, 2002.

GRUDEM, Wayne A. Teologia Sistemática. 1ª Edição. São Paulo-SP: Vida Nova, 1999.

HODGE, Charles. Teologia Sistemática. (Tradução: Valter Martins).1ª Edição. São Paulo-SP. Hagnos, 2001.

HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática, uma perspectiva pentecostal. 7ª Edição. Rio de Janeiro-RJ. CPAD, 2002.

LANGSTON, A. B. Teologia Sistemática. 10ª edição. Rio de Janeiro-RJ. JUERP, 1991

PEARLMAN, Myer. Conhecendo as Doutrinas da Bíblia. Editora Vida, 27 ª impressão, 1999. São Paulo – SP.

PINK, Arthur W. Los Atributos de Dios. Romanyá. Capellades (Barcelona)1964, 1997.

TOZER, A. W, O Conhecimento do Santo (Editora Impacto, 2018).

Dutra, Adailton Fernandes . A manifestação dos atributos divinos ativos na visão bíblica das religões cristãs no Brasil.International Integralize Scientific. v 5, n 49, Julho/2025 ISSN/3085-654X

Referencias

Vivian Caroline Coraucci.
BAILEY, C. J.; LEE, J. H.
Management of chlamydial infections: A comprehensive review.
Clinical infectious diseases.
v. 67
n. 7
p. 1208-1216,
2021.
Disponível em: https://academic.oup.com/cid/article/67/7/1208/6141108.
Acesso em: 2024-09-03.

Share this :

Edição

v. 5
n. 49
A manifestação dos atributos divinos ativos na visão bíblica das religões cristãs no Brasil

Área do Conhecimento

O cuidado pastoral na teologia contemporânea: Uma análise do amor ao próximo e suas implicações
cuidado pastoral; teologia contemporânea; amor ao próximo; justiça social; comunidade.
Apocalipse: A consumação da revelação divina e o desvelar de Cristo na história escatológica
igreja; perseverança; arrebatamento.
Missão pastoral: Amor, chamado e legado
missão; vocação; discipulado.
A fé e sua influência no tratamento de doenças graves
fé; espiritualidade; doenças graves; saúde mental; medicina integrativa.
Desigualdade étinico-racial na umbanda: Um estudo sobre representatividade e branqueamento religioso na zona norte do Rio de Janeiro
identidade religiosa; branqueamento cultural; intolerância religiosa; representatividade étnica; religiões afro-brasileiras.
Expressões concretas da integração entre devoção mariana e compromisso social na igreja contemporânea
devoção mariana; doutrina social da igreja; magnificat; inculturação; teologia contemporânea.

Últimas Edições

Confira as últimas edições da International Integralize Scientific

feat-jan

Vol.

6

55

Janeiro/2026
feat-dez

Vol.

5

54

Dezembro/2025
feat-nov

Vol.

5

53

Novembro/2025
feat-out

Vol.

5

52

Outubro/2025
Setembro-F

Vol.

5

51

Setembro/2025
Agosto

Vol.

5

50

Agosto/2025
Julho

Vol.

5

49

Julho/2025
junho

Vol.

5

48

Junho/2025