Comparação entre enxertos ósseos autógenos, xenógenos e sintéticos na implantodontia: Uma revisão de literatura

COMPARISON BETWEEN AUTOGENOUS, XENOGENOUS, AND SYNTHETIC BONE GRAFTS IN IMPLANT DENTISTRY: A LITERATURE REVIEW

COMPARACIÓN ENTRE INJERTOS ÓSEOS AUTÓGENOS, XENÓGENOS Y SINTÉTICOS EN IMPLANTOLOGÍA DENTAL: UNA REVISIÓN DE LITERATURA

Autor

URL do Artigo

https://iiscientific.com/artigos/4E0700

DOI

doi.org/10.63391/4E0700

Faria, Leonardo Coviello de. Comparação entre enxertos ósseos autógenos, xenógenos e sintéticos na implantodontia: Uma revisão de literatura. International Integralize Scientific. v 5, n 49, Julho/2025 ISSN/3085-654X

Resumo

A reabilitação oral com implantes dentários consolidou-se como uma das abordagens mais previsíveis e bem-sucedidas na odontologia contemporânea, oferecendo altos índices de sucesso e satisfação para os pacientes. No entanto, a presença de defeitos ósseos extensos ou a reabsorção do osso alveolar representa um desafio frequente e pode comprometer a estabilidade, estética e longevidade dos implantes. A necessidade de promover condições ósseas ideais levou ao desenvolvimento e à aplicação de diferentes materiais e técnicas de enxertia óssea, cada um com vantagens e limitações próprias. Esta revisão tem como objetivo comparar enxertos ósseos autógenos, xenógenos e sintéticos, analisando suas propriedades biológicas, indicações clínicas, previsibilidade de resultados e contribuições para a regeneração óssea em implantodontia.
Palavras-chave
enxertos ósseos; autógeno; xenógeno; sintético; regeneração óssea.

Summary

Oral rehabilitation with dental implants has established itself as one of the most predictable and successful approaches in contemporary dentistry, providing high success rates and long-term patient satisfaction. Nevertheless, the occurrence of extensive bone defects or alveolar bone resorption often represents a significant challenge, as it can compromise implant stability, esthetics, and durability. The clinical demand for creating favorable bone conditions has stimulated the development and application of various grafting materials and techniques, each with specific biological characteristics, benefits, and limitations. This review aims to compare autogenous, xenogenous, and synthetic bone grafts, emphasizing their biological properties, clinical indications, predictability of results, and overall contribution to bone regeneration in implant dentistry.
Keywords
bone grafts; autogenous; xenogenous; synthetic; bone regeneration.

Resumen

La rehabilitación oral con implantes dentales se ha consolidado como uno de los enfoques más predecibles y exitosos en la odontología contemporánea, con altos índices de éxito y satisfacción a largo plazo. Sin embargo, la presencia de defectos óseos extensos o la reabsorción del hueso alveolar constituye un desafío clínico frecuente que puede afectar la estabilidad, la estética y la longevidad de los implantes. La necesidad de generar condiciones óseas adecuadas ha impulsado el desarrollo y la utilización de diversos materiales y técnicas de injerto óseo, cada uno con ventajas y limitaciones específicas. Esta revisión tiene como objetivo comparar injertos óseos autógenos, xenógenos y sintéticos, destacando sus propiedades biológicas, indicaciones clínicas, previsibilidad de los resultados y su papel en la regeneración ósea dentro de la implantología dental.
Palavras-clave
injertos óseos; autógeno; xenógeno; sintético; regeneración ósea.

INTRODUÇÃO

A reabilitação oral com implantes dentários tornou-se uma das abordagens mais previsíveis e bem-sucedidas na odontologia moderna. Contudo, a presença de defeitos ósseos ou a perda de volume ósseo alveolar é um fator limitante frequente para a instalação adequada dos implantes. A necessidade de aumentar a quantidade e qualidade do tecido ósseo impulsionou o desenvolvimento e a utilização de diferentes materiais de enxertia óssea.
Os enxertos ósseos são classificados, de maneira geral, em três categorias principais: autógenos, xenógenos e sintéticos. Cada um desses materiais apresenta características biológicas distintas quanto à osteogênese, osteoindutividade e osteocondutividade, além de vantagens e limitações clínicas que devem ser criteriosamente avaliadas durante o planejamento cirúrgico.
O enxerto ósseo autógeno é considerado o “padrão ouro” por possuir todas as propriedades biológicas desejáveis. No entanto, a morbidade do sítio doador e o tempo operatório adicional motivaram a busca por alternativas viáveis. Os enxertos xenógenos, derivados principalmente de origem bovina, e os materiais sintéticos, como hidroxiapatita e óxidos biocompatíveis, surgiram como opções com menor invasividade, mas com eficácia variável.
Diante da variedade de opções disponíveis, torna-se essencial compreender as diferenças entre esses materiais para garantir uma escolha embasada, segura e eficaz para cada caso clínico. Esta revisão tem como objetivo comparar os enxertos ósseos autógenos, xenógenos e sintéticos sob a luz da literatura científica atual, destacando suas propriedades, indicações, vantagens, limitações e resultados clínicos no contexto da implantodontia moderna.

METODOLOGIA

Esta revisão de literatura foi realizada a partir de buscas sistemáticas nas bases de dados PubMed, Scopus e Web of Science, com foco em artigos publicados nos últimos 10 anos, escritos em português, inglês e espanhol. Foram utilizados os descritores: “enxertos ósseos autógenos”, “enxertos ósseos xenógenos”, “enxertos ósseos sintéticos”, “implantodontia”, “reconstrução óssea” e “regeneração óssea”.
Foram incluídos estudos clínicos, revisões sistemáticas, meta-análises e ensaios clínicos randomizados que abordassem as propriedades biológicas, indicações clínicas e resultados dos diferentes tipos de enxertos ósseos.

ENXERTOS ÓSSEOS AUTÓGENOS

O enxerto ósseo autógeno é considerado o padrão ouro para procedimentos de reconstrução óssea devido à sua capacidade de osteogênese, osteoindutividade e osteocondutividade. Esse tipo de enxerto é retirado do próprio paciente, geralmente de áreas como a crista ilíaca, calvária, mandíbula ou região mentoniana. A vantagem principal é a ausência de reação imunológica e maior potencial regenerativo, já que contém células osteogênicas vivas e fatores de crescimento que estimulam a formação óssea.
Por outro lado, apresenta desvantagens como a necessidade de um segundo procedimento cirúrgico, aumento da morbidade, maior tempo operatório e quantidade limitada de material disponível, especialmente em casos extensos.

ENXERTOS ÓSSEOS XENÓGENOS

Os enxertos ósseos xenógenos são materiais derivados de espécies animais distintas, predominantemente bovinos, que passam por rigorosos processos de tratamento para a remoção completa de antígenos e componentes orgânicos, garantindo a biocompatibilidade e segurança do material para uso clínico. O objetivo desses tratamentos é eliminar riscos imunológicos e de transmissão de doenças, preservando a estrutura mineral que servirá como matriz para a regeneração óssea. Entre os materiais mais reconhecidos no mercado, destacam-se o Bio-Oss® e o Geistlich Bio-Oss®, que são amplamente utilizados e considerados referência no segmento de enxertos xenógenos (Donos et al., 2012; Schlegel & Donath, 1998).

Esses biomateriais atuam principalmente como osteocondutores, ou seja, servem de arcabouço para a migração, adesão e proliferação de células osteogênicas e vasos sanguíneos, facilitando a deposição de novo tecido ósseo sobre sua superfície. A estrutura porosa e a composição química, semelhante ao osso natural, favorecem a integração gradual ao tecido receptor, embora a ausência de células vivas e fatores osteoindutores limite a capacidade de induzir a formação óssea de forma autônoma (Schenk et al., 1994).

A principal vantagem dos enxertos xenógenos reside na sua ampla disponibilidade em grandes volumes, eliminando a necessidade de procedimentos adicionais para a coleta óssea do próprio paciente, o que reduz consideravelmente a morbidade cirúrgica, o tempo operatório e o desconforto pós-operatório (Urban et al., 2019). Isso representa um benefício substancial em pacientes com contraindicações para cirurgias mais invasivas ou em casos que demandam grandes reconstruções ósseas.

Contudo, apesar dessas vantagens, os enxertos xenógenos apresentam limitações relevantes. Embora os processos de desproteinização e esterilização minimizem o risco, existe a possibilidade residual de reação imunológica ao material estranho, o que pode influenciar negativamente a integração e a remodelação óssea (Gulati et al., 2019). Além disso, há um debate acerca da potencial transmissão de agentes patogênicos, ainda que casos comprovados sejam raros graças aos protocolos rigorosos de processamento (Scarano et al., 2015).

Outro ponto crítico é a reabsorção lenta desses materiais. Enquanto os enxertos autógenos sofrem remodelação rápida, os xenógenos tendem a manter sua estrutura por longos períodos, o que pode ser vantajoso para manutenção volumétrica inicial, mas pode limitar a completa substituição por osso novo a longo prazo. Essa característica pode comprometer a qualidade do tecido ósseo final, especialmente em situações que demandam remodelação dinâmica para suporte funcional e estético (Buser et al., 1998).

Portanto, a escolha do enxerto xenógeno deve considerar cuidadosamente o equilíbrio entre estabilidade volumétrica e integração biológica, além das necessidades específicas do paciente. A combinação dos xenógenos com enxertos autógenos ou agentes bioativos, como fatores de crescimento, tem sido uma estratégia eficiente para potencializar os resultados, aliando volume e bioatividade em uma única abordagem (Moreno et al., 2019).

Em resumo, os enxertos ósseos xenógenos representam uma importante ferramenta na implantodontia moderna, especialmente quando utilizados com conhecimento crítico de suas limitações e potencialidades, contribuindo para procedimentos regenerativos menos invasivos e com previsibilidade satisfatória.

ENXERTOS ÓSSEOS SINTÉTICOS

Os enxertos ósseos sintéticos constituem uma classe de biomateriais desenvolvidos em laboratório com o intuito de mimetizar as propriedades físico-químicas do tecido ósseo natural. Entre os materiais mais utilizados destacam-se a hidroxiapatita (HA), o fosfato tricálcico (β-TCP) e os bio-vidros, cada um com características específicas quanto à porosidade, reabsorção e compatibilidade biológica. Esses materiais são comercializados sob diversas marcas, tais como Cerabone® (hidroxiapatita), OsteoBiol® Gen-Os (fosfato tricálcico) e PerioGlas® (bio-vidro), que possuem formulações e estruturas otimizadas para uso clínico em regeneração óssea guiada e enxertia alveolar (Huang et al., 2019; Hench, 2006).

De modo geral, os enxertos sintéticos atuam como osteocondutores, fornecendo uma matriz tridimensional que suporta a adesão e migração de células osteoprogenitoras, facilitando a neoformação óssea. A vantagem mais significativa desses materiais é a biocompatibilidade elevada, aliada à ausência total de risco imunológico ou transmissão de agentes infecciosos, dado seu processo de fabricação controlado e estéril. Além disso, apresentam facilidade de manipulação e armazenamento, e não requerem sítio doador, eliminando a morbidade associada (Kumar et al., 2020).

Entretanto, apesar dessas qualidades, a capacidade osteoindutiva dos enxertos sintéticos permanece limitada, uma vez que esses materiais não possuem fatores biológicos intrínsecos que induzam diretamente a diferenciação celular em osteoblastos. Consequentemente, a remodelação óssea nesses casos pode ser mais lenta e menos previsível em comparação com os enxertos autógenos, que são ricos em células vivas e fatores de crescimento naturais (Buser et al., 2017).

Outra limitação importante refere-se à taxa de reabsorção, que varia conforme a composição química e estrutura do material. Por exemplo, o fosfato tricálcico apresenta maior taxa de reabsorção que a hidroxiapatita, o que pode ser vantajoso para casos que requerem rápida substituição pelo tecido ósseo novo, mas também pode comprometer a estabilidade volumétrica se não acompanhado de formação óssea adequada (Epple, 2018).

Em termos clínicos, os enxertos sintéticos são frequentemente indicados para defeitos ósseos pequenos a moderados, em pacientes com contraindicações para cirurgias mais invasivas ou em procedimentos combinados, onde atuam como complemento aos enxertos autógenos ou xenógenos, potencializando a resposta regenerativa (Daculsi et al., 2019).

Nos últimos anos, a incorporação de biomoléculas, como fatores de crescimento e peptídeos bioativos, aos materiais sintéticos tem mostrado resultados promissores ao conferir características osteoindutivas adicionais, o que pode superar limitações históricas desses enxertos e ampliar suas indicações clínicas (Rao et al., 2020).

Portanto, os enxertos ósseos sintéticos representam uma alternativa versátil e segura no arsenal regenerativo da implantodontia, cuja escolha deve ser pautada em uma avaliação criteriosa das características do defeito ósseo, necessidades do paciente e objetivos terapêuticos, maximizando assim os resultados funcionais e estéticos.

COMPARAÇÕES CLÍNICAS

A comparação clínica entre os diferentes tipos de enxertos ósseos evidencia que não existe um material universalmente ideal para todas as situações clínicas, o que reforça a necessidade de uma avaliação criteriosa e personalizada para cada caso. Os enxertos autógenos são amplamente reconhecidos como o padrão ouro devido à sua capacidade de promover rápida integração e remodelação óssea eficaz, graças à presença de células osteogênicas vivas, fatores de crescimento naturais e matriz óssea nativa. Essa combinação confere alta previsibilidade e sucesso em procedimentos complexos que exigem regeneração robusta e rápida. No entanto, a utilização desses enxertos está limitada pela morbidade associada à obtenção do material no sítio doador, o que pode acarretar dor, infecção e aumento do tempo cirúrgico, além da quantidade restrita de osso disponível, especialmente em pacientes com múltiplas necessidades.

Por outro lado, os enxertos xenógenos surgem como alternativa atraente, principalmente pela sua ampla disponibilidade e excelente estabilidade volumétrica, fatores fundamentais em reconstruções que demandam manutenção prolongada do contorno ósseo, como nas áreas estéticas anteriores. Esses materiais, geralmente derivados de origem bovina, passam por rigoroso processo de desproteinização, o que minimiza o risco imunológico, mas também pode reduzir a osteoindutividade natural. A reabsorção lenta dos enxertos xenógenos pode ser vantajosa ao preservar o volume ósseo a longo prazo, mas torna-os menos indicados em situações que requerem remodelação óssea ativa e rápida, como em pacientes jovens ou em áreas de alta demanda funcional.

Já os enxertos sintéticos apresentam um perfil promissor devido à sua biocompatibilidade, ausência de risco imunológico e facilidade de produção em larga escala, com propriedades osteocondutivas que facilitam a integração com o tecido ósseo do receptor. Entretanto, apesar do avanço tecnológico, esses materiais ainda exibem resultados clínicos variáveis e uma capacidade osteoindutiva inferior quando comparados aos enxertos autógenos. Por essa razão, os enxertos sintéticos são recomendados, principalmente, para pequenas reconstruções ósseas, ou como complemento em associações com outros materiais e técnicas regenerativas, como o uso concomitante de fatores de crescimento ou membranas de barreira, para potencializar a regeneração óssea.

Além disso, vale destacar que a escolha do enxerto não deve se basear apenas nas características biológicas intrínsecas do material, mas também levar em consideração aspectos clínicos como a extensão e localização do defeito ósseo, a condição sistêmica do paciente, a presença de comorbidades e o planejamento protético. Dessa forma, a combinação de diferentes tipos de enxertos, quando bem planejada, pode otimizar os resultados clínicos, conciliando as vantagens de cada material e minimizando suas limitações.

Por fim, a evolução das técnicas cirúrgicas e a incorporação de avanços em bioengenharia têm ampliado as possibilidades terapêuticas, abrindo espaço para o desenvolvimento de biomateriais híbridos e estratégias combinadas que prometem superar as restrições atuais, tornando a escolha do enxerto cada vez mais precisa e individualizada, e garantindo maior sucesso a longo prazo na implantodontia.

CONSIDERAÇÕES CLÍNICAS E ESCOLHA DO MATERIAL

A escolha do tipo de enxerto ósseo mais apropriado deve ser baseada em uma avaliação clínica abrangente, considerando a extensão do defeito, a qualidade do leito receptor, o tempo de regeneração desejado, além das condições sistêmicas e expectativas do paciente. A decisão deve ser fundamentada na combinação de evidências científicas atualizadas, experiência clínica do profissional e particularidades de cada caso.
Além dos aspectos biológicos e da origem do material, a porosidade e o tamanho dos grânulos do enxerto ósseo têm papel fundamental no sucesso do procedimento regenerativo. A porosidade influencia diretamente a vascularização, a migração celular e a deposição de matriz óssea no interior do enxerto. Materiais com elevada porosidade favorecem maior integração e remodelação óssea, especialmente quando os poros interconectados permitem comunicação eficiente entre o enxerto e o tecido hospedeiro.
O tamanho dos grânulos também afeta o desempenho clínico: grânulos menores apresentam maior área de superfície, o que pode intensificar a resposta celular e a reabsorção, sendo mais indicados para defeitos pequenos e bem delimitados. Já os grânulos maiores oferecem maior estabilidade volumétrica e são preferíveis em reconstruções maiores ou quando se busca manter o contorno ósseo por períodos mais prolongados.
Em termos clínicos, o enxerto autógeno ainda representa a melhor opção quando se exige rápida neoformação óssea e alta previsibilidade. Por outro lado, os enxertos xenógenos têm excelente estabilidade dimensional e desempenho estético a longo prazo, sendo frequentemente utilizados em áreas anteriores. Já os sintéticos, pela versatilidade e ausência de risco imunológico, são úteis em pequenas reconstruções ou em combinação com outras terapias regenerativas.
Portanto, compreender a interação entre as propriedades físico-químicas dos biomateriais e o ambiente biológico receptor é essencial para maximizar os resultados clínicos. A escolha individualizada do material de enxerto, associada a técnicas cirúrgicas adequadas e a um rigoroso protocolo de controle pós-operatório, constitui a base para o sucesso das terapias regenerativas na implantodontia contemporânea.

DISCUSSÃO

A análise comparativa dos diferentes tipos de enxertos ósseos evidencia que não existe um material único ideal para todas as situações clínicas. Cada tipo de enxerto apresenta características biológicas e físicas específicas que o tornam mais ou menos adequado dependendo do contexto clínico, extensão do defeito, e necessidades do paciente.

Os enxertos autógenos continuam sendo considerados o “padrão ouro” devido à sua capacidade superior de osteogênese, integração rápida e remodelação eficiente, pois possuem células viáveis, matriz óssea e fatores de crescimento naturais. Contudo, a sua aplicação pode ser limitada pela morbidade do sítio doador, volume ósseo restrito e aumento do tempo cirúrgico, além do desconforto para o paciente.

Por outro lado, os enxertos xenógenos apresentam excelente estabilidade volumétrica e são amplamente utilizados para manter o contorno ósseo em áreas estéticas e regiões de carga reduzida. Sua lenta reabsorção pode ser vantajosa para preservar o volume ósseo a longo prazo, porém, em situações que demandam remodelação óssea dinâmica, essa característica pode se tornar um limitador. Além disso, existe a preocupação com eventuais respostas imunológicas residuais e a necessidade de rigorosos processos de descontaminação para garantir a segurança do material.

Quanto aos enxertos sintéticos, embora sejam biocompatíveis e isentos de riscos imunológicos, sua capacidade osteoindutiva é limitada. Eles atuam principalmente como osteocondutores e, por isso, podem apresentar resultados variáveis e remodelação menos previsível em longo prazo. Entretanto, sua versatilidade, disponibilidade e ausência de riscos infecciosos os tornam valiosos em pequenas reconstruções ou em protocolos combinados.

Nos últimos anos, a incorporação de tecnologias adjuntas tem revolucionado a abordagem regenerativa, sobretudo com o uso do Plasma Rico em Fibrina (PRF). O PRF, um concentrado autólogo de plaquetas e fatores de crescimento, tem demonstrado potencial para acelerar a cicatrização, promover angiogênese e melhorar a integração óssea. A combinação de enxertos, especialmente os sintéticos e xenógenos, com PRF tem mostrado resultados promissores, potencializando a osteoindutividade e reduzindo o tempo de recuperação, além de minimizar complicações pós-operatórias.

Adicionalmente, avanços na engenharia de tecidos, bioativação e modificação de superfícies de biomateriais, como revestimentos com fatores de crescimento ou nanopartículas, apresentam um futuro promissor para superar as limitações dos materiais tradicionais e ampliar suas indicações clínicas.

Portanto, o conhecimento aprofundado das propriedades biológicas, físicas e clínicas dos diferentes tipos de enxertos, aliado à incorporação de novas tecnologias como o PRF, é crucial para a personalização do tratamento e para maximizar os resultados em reconstruções ósseas. A constante atualização científica do cirurgião-dentista e a realização de pesquisas clínicas rigorosas são indispensáveis para a evolução das terapias regenerativas e para a consolidação de protocolos seguros e eficazes na implantodontia moderna.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A escolha adequada entre enxertos ósseos autógenos, xenógenos e sintéticos deve ser embasada em uma análise criteriosa das propriedades biológicas de cada material, das demandas clínicas específicas do paciente e do contexto cirúrgico. Não existe um material universalmente ideal; o sucesso depende da seleção do enxerto que melhor se adapta às particularidades do caso.

Os enxertos autógenos mantêm-se como o padrão ouro para reconstruções ósseas, graças à sua alta capacidade osteogênica, osteoindutiva e osteocondutiva, proporcionando rápida integração e remodelação óssea. Entretanto, as limitações inerentes à morbidade do sítio doador e à disponibilidade restrita de osso requerem avaliação cuidadosa.

Por sua vez, os enxertos xenógenos e sintéticos constituem alternativas valiosas, sobretudo em procedimentos que demandam menor invasividade ou apresentam restrições quanto à obtenção de osso autógeno. A estabilidade volumétrica dos xenógenos e a biocompatibilidade dos sintéticos, aliados às inovações tecnológicas e ao uso de adjuvantes biológicos como o Plasma Rico em Fibrina, ampliam suas indicações clínicas e melhoram os resultados regenerativos.

Portanto, a integração sólida entre o conhecimento científico atualizado, a expertise clínica e o desenvolvimento tecnológico contínuo é fundamental para otimizar os desfechos terapêuticos e garantir a longevidade e funcionalidade dos implantes dentários, promovendo um tratamento regenerativo eficaz e personalizado na implantodontia contemporânea.

A escolha adequada entre enxertos ósseos autógenos, xenógenos e sintéticos deve ser embasada em uma análise criteriosa das propriedades biológicas de cada material, das demandas clínicas específicas do paciente e do contexto cirúrgico. Não existe um material universalmente ideal; o sucesso depende da seleção do enxerto que melhor se adapta às particularidades do caso.

Os enxertos autógenos mantêm-se como o padrão ouro para reconstruções ósseas, graças à sua alta capacidade osteogênica, osteoindutiva e osteocondutiva, proporcionando rápida integração e remodelação óssea. Entretanto, as limitações inerentes à morbidade do sítio doador e à disponibilidade restrita de osso requerem avaliação cuidadosa.

Por sua vez, os enxertos xenógenos e sintéticos constituem alternativas valiosas, sobretudo em procedimentos que demandam menor invasividade ou apresentam restrições quanto à obtenção de osso autógeno. A estabilidade volumétrica dos xenógenos e a biocompatibilidade dos sintéticos, aliados às inovações tecnológicas e ao uso de adjuvantes biológicos como o Plasma Rico em Fibrina, ampliam suas indicações clínicas e melhoram os resultados regenerativos.

Portanto, a integração sólida entre o conhecimento científico atualizado, a expertise clínica e o desenvolvimento tecnológico contínuo é fundamental para otimizar os desfechos terapêuticos e garantir a longevidade e funcionalidade dos implantes dentários, promovendo um tratamento regenerativo eficaz e personalizado na implantodontia contemporânea.

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Faria, Leonardo Coviello de. Comparação entre enxertos ósseos autógenos, xenógenos e sintéticos na implantodontia: Uma revisão de literatura.International Integralize Scientific. v 5, n 49, Julho/2025 ISSN/3085-654X

Referencias

Vivian Caroline Coraucci.
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Disponível em: https://academic.oup.com/cid/article/67/7/1208/6141108.
Acesso em: 2024-09-03.

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