Atuação do supervisor pedagógico frente aos desafios da educação de jovens e adultos

ROLE OF THE PEDAGOGICAL SUPERVISOR IN THE FACE OF THE CHALLENGES OF YOUTH AND ADULT EDUCATION

ROL DEL SUPERVISOR PEDAGÓGICO ANTE LOS RETOS DE LA EDUCACIÓN DE JÓVENES Y ADULTOS

Autor

URL do Artigo

https://iiscientific.com/artigos/4FC8FA

DOI

doi.org/10.63391/4FC8FA

Queiroz, Renata Cristina Pereira. Atuação do supervisor pedagógico frente aos desafios da educação de jovens e adultos. International Integralize Scientific. v 5, n 50, Agosto/2025 ISSN/3085-654X

Resumo

O presente artigo propõe-se um estudo acerca da atuação do supervisor educacional frente às dificuldades da educação de jovens e adultos. Neste contexto, procura-se entender de que forma a atuação do supervisor existente no âmbito educacional contribui para realizar a alfabetização de jovens e adultos na modalidade (EJA). Nessa modalidade muitas vezes encontra-se obstáculos que interferem de forma negativa no avanço ou mesmo na conclusão dos estudos destas pessoas. Nessa lógica, entende-se que diante dessa situação precisa-se da atuação, do compromisso e da responsabilidade do supervisor educacional juntamente com o trabalho pedagógico dos professores para garantir que essas pessoas tenham o direito a aprendizagem e ao desenvolvimento pleno. Diante disso, surge à reflexão de como esse profissional pode contribuir para que estes jovens e adultos possam ter uma educação de qualidade que lhes favoreçam o pleno desenvolvimento da cidadania. Este estudo apresenta-se por meio de uma revisão bibliográfica, com um olhar voltado para o conceito de diferentes autores que contribuíram com estudos da modalidade da EJA e atuação do supervisor educacional. Com intuito de obter um aprofundamento bibliográfico sobre o referido tema, aguça-se em conhecer e analisar a atuação deste profissional, dentro dessa modalidade educacional que é voltada para um público com mais experiência de vida e que tem sonhos a ser realizados dos quais se destacam o ato de saber ler e escrever.
Palavras-chave
atuação; supervisor pedagógico; desafios; EJA.

Summary

This article proposes a study of the role of educational supervisors in addressing the challenges of youth and adult education. In this context, we seek to understand how supervisors’ work in the educational field contributes to the literacy of youth and adult learning (EJA). This modality often encounters obstacles that negatively impact the advancement or even completion of these individuals’ studies. In this context, we understand that, in this situation, the action, commitment, and responsibility of educational supervisors are necessary, along with the pedagogical work of teachers, to ensure that these individuals have the right to learning and full development.Therefore, the question arises as to how this professional can contribute to ensuring these young people and adults receive a quality education that fosters their full development as citizens. This study was developed through a literature review, focusing on the concepts of various authors who have contributed to studies of the EJA modality and the role of educational supervisors. To gain in-depth bibliographical knowledge on this topic, we focused on understanding and analyzing the role of this professional within this educational modality, which is geared toward a population with more life experience and dreams to be realized, among which the ability to read and write stands out.
Keywords
performance; pedagogical supervisor; challenges; EJA.

Resumen

Este artículo propone un estudio sobre el rol de los supervisores educativos para abordar los desafíos de la educación de jóvenes y adultos. En este contexto, buscamos comprender cómo la labor de los supervisores en el ámbito educativo contribuye a la alfabetización de jóvenes y adultos (EJA). Esta modalidad a menudo enfrenta obstáculos que afectan negativamente el avance o incluso la culminación de los estudios de estas personas. En este contexto, entendemos que, en esta situación, la acción, el compromiso y la responsabilidad de los supervisores educativos son necesarios, junto con la labor pedagógica del profesorado, para garantizar que estas personas tengan derecho al aprendizaje y al pleno desarrollo. Por lo tanto, surge la pregunta de cómo este profesional puede contribuir a garantizar que estos jóvenes y adultos reciban una educación de calidad que fomente su pleno desarrollo como ciudadanos. Este estudio se desarrolló mediante una revisión bibliográfica, centrándose en los conceptos de diversos autores que han contribuido a los estudios sobre la modalidad EJA y el rol de los supervisores educativos. Para profundizar en el conocimiento bibliográfico sobre este tema, nos centramos en comprender y analizar el rol de este profesional dentro de esta modalidad educativa, dirigida a una población con mayor experiencia de vida y aspiraciones por alcanzar, entre las que destaca la capacidad de leer y escribir.
Palavras-clave
desempeño; supervisor pedagógico; desafíos; EJA.

INTRODUÇÃO

O presente artigo científico intitulado: “Atuação do supervisor pedagógico frente aos desafios da educação de jovens e adultos”constitui-se em ser uma temática que vem causando inquietações e anseios nas práxis pedagógica e levantou-se o seguinte questionamento: de que forma a atuação do supervisor existente no âmbito educacional contribui para alfabetização de jovens e adultos na modalidade da Educação de Jovens e Adultos?

Essa problemática e a escolha do tema surgiram durante a inserção do curso de pós-doutorado onde se há um supremo proveito em conceber como o acionamento do supervisor pedagógico pode coadjuvar para alfabetização de jovens e adultos na modalidade da EJA.  Essas inquietações são importantes por tratar-se de uma forma de educação que torna notável uma discrepância no aprendizado voltada para pessoas que não frequentaram a escola no tempo certo ou que não conseguiram ser capaz de cessar os estudos na idade correspondente e contemplam nos estudos a salvaguarda de um futuro promitente.

Sendo assim, esta pesquisa tem como objetivo geral refletir sobre a atuação do supervisor educacional perante aos desafios da educação de jovens e adultos na modalidade EJA. Nesse sentido, os objetivos específicos são os seguintes: conhecer o surgimento histórico e político e a sua relevância da educação de jovens e adultos na conjuntura didático-pedagógico; analisar o funcionamento legal e pedagógico da educação de jovens e adultos; entender as finalidades e a propostas política e pedagógica, concomitantemente, reconhecer os aportes do supervisor pedagógico nessa modalidade de ensino.

É exequível a compreensão do trabalho científico disposto por meio de uma revisão de literatura, onde enfoca-se a fundamentação teórica do conhecimento abordado, buscando também conhecer os acervos bibliográficos referente ao tema fundamentada: Freire (1979), Gadotti (2008), Silva (1987), Di Pierro (2010), Silva (1987), Vieira Pinto (2003), D’antola (1983), dentre outros.

Partindo dessa asserção a presente pesquisa, inicia-se na forma de pesquisas bibliográficas com autores que darão embasamento teórico para subsidiar esta investigação. No que se tange, será feita uma pesquisa exploratória bibliográfica na abordagem qualitativa.

REVISÃO DE LITERATURA

BREVE HISTÓRICO SOBRE A EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS

A preocupação com os adultos não escolarizados vem desde muito tempo, trata-se de pessoas que vivem nas camadas mais pobres da sociedade que não participaram de uma educação formal que serve de base, tanto para a formação humana quanto para o convívio social. Neste sentido, pode-se dizer que os analfabetos sempre foram tratados de forma desigual perante a sociedade. Assim “a educação de jovens e adultos é toda educação destinada àqueles que não tiveram oportunidades educacionais em idade própria ou que tiveram de forma insuficiente, não conseguindo alfabetizar-se e obter os conhecimentos básicos necessários”. (Paiva, 1973, p.16).

Nesse viés, entende-se que há uma grande necessidade de erradicar o analfabetismo no Brasil, pois o número de pessoas inseridas nesse contexto ainda é alarmante ficando totalmente excluídas do mundo letrado.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2017), Brasil continua exibindo um número exorbitante de analfabetos, estando concentrados em maior escala na região nordestina e entre pessoas mais velhas. Diante disso, entende-se que são pessoas que não foram inseridas no processo de alfabetização por vários motivos, desde a falta de oportunidade/abandono ou mesmo a optar pelo trabalho como prioridade por ser um meio de sobrevivência, dentre outros.

Com base nas ideias de Faria (2009), a Constituição do Período Imperial de 1824 reservava a todos os cidadãos a instrução primária gratuita. Como o país naquela época era pouco povoado, a educação escolar não tinha muito valor, nem era prioridade política. As pessoas que se serviam desta educação era aqueles vindas da elite que posteriormente em decorrência da estrutura social poderiam ocupar cargos na burocracia imperial. Para aqueles considerados desfavorecidos em todos os sentidos, como escravos, índios e caboclos, além de um trabalho árduo e diário, não tinham direito de saber, ler e escrever e sim apenas executar os trabalhos propostos. Tanto a leitura quanto a escrita era algo desnecessário e considerados inúteis, pois nada acrescentaria no trabalho daqueles que  não tinham nem mesmo o direito de se expressar, bastaria se contentar com a doutrina aprendida na oralidade do dia a dia.

O movimento de ensino de adultos começa-se em meados do século 17, pelas escolas dominicais e escolas noturnas, que eram vinculadas às igrejas e com programas que eram ligados diretamente na área educacional. Sendo esses programas destinados em maior parte às classes operárias que consequentemente evoluiriam para os cursos de instrução profissional e de prática em ofícios em indústrias em diversos países.

O autor acima citado também acrescenta que o decreto número (n.) 7.247 de 1879 de reforma do ensino apresentado por Leôncio de Carvalho (2012), previa a criação de cursos para adultos analfabetos, sendo livres ou mesmo libertos, do sexo masculino, com duas horas diárias de duração no verão e três horas no inverno, com as mesmas matérias aplicadas no período diurno. Já a primeira Constituição republicana proclamada de 1891, nega à gratuidade da instrução a qual se fazia presente no texto da Constituição Imperial, além de condicionar o exercício do voto à alfabetização, procurou dar continuidade ao que já estava posto na Lei nº 3.029/1881.

Sabe-se que educação é um direito de todos e dever do estado (Brasil, 1988), mas nem sempre foi tratada desta maneira, principalmente com o propósito de favorecer aqueles que necessitavam ser escolarizados para que se sentissem inteiramente incluídos na sociedade. Ainda não havia surgido uma lei que garantisse uma educação voltada para essas pessoas que viviam simplesmente do trabalho e para o trabalho. Denota-se um engajamento de promover um ensino voltado a esse público adulto quando lhe  foi atribuído a eles o direito de eleger um representante da sociedade através do voto, porque para votarem necessitariam pelo menos saber ler/escrever e conhecer os numerais, em decorrência desse ato tinha primeiramente de serem alfabetizados. 

Reforçando e completando essa ideia, Vieira Pinto (2003, p.27) afirma que “a educação de adultos visa atuar sobre as massas populares para estas, pela elevação de seu padrão de cultura, produzam representantes mais capacitados para influir socialmente”.

Nesse período aconteceram muitas discussões a respeito da educação como dever do Estado e os debates ficaram cada vez mais intensivos nas décadas de 1920 a 1930. Mediante a tantas discussões na área educacional cria-se em 1930, assim que Getúlio Vargas chegou ao poder, o Ministério da Educação que teve como primeiro ministro Francisco Campos que assumiu o direcionamento do ministério por apenas dois anos. Em 1937, o Ministério passa a ser chamado de Ministério da Educação e Saúde Pública que determina desenvolver atividades pertinentes a vários ministérios como esporte, saúde, educação e meio ambiente. 

Em 1932, surgi-se o Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, formado por um grupo de intelectuais, que preocupados com o sistema educacional de ensino da época, tem como proposta que o estado um plano geral da educação, cria-se melhorias no ensino, amplia-se também o número de escolas que fossem única, laica, gratuita, pública e obrigatória, de forma a garantir que todas as pessoas fossem incluídas e beneficiadas, sem distinção de cor, gênero e classe social. Em consequência a esse manifesto as reformas no ensino foram acontecendo e já se falava numa educação popular como direito de todos. 

Através da constituição federal que é a lei maior de 1934, no artigo (art.) .149, (1988) a educação passa a ser vista como um direito de todos, devendo ser ministrada pela família e pelos poderes públicos. Por sua vez, o art. 214 também é bastante expressivo. 

A lei estabeleceu o plano nacional de educação, de duração plurianual, visando à articulação e ao desenvolvimento do ensino em seus diversos níveis e  modalidades de ensino, bem como, a integração das ações do poder público em conduzir: “I – Erradicação do analfabetismo, II – universalização do atendimento escolar”. 

Nesse sentido, tanto erradicar o analfabetismo quanto universalizar o atendimento, são questões bastante significativas para a área educacional, significa o acesso de todos os cidadãos brasileiros a escolas públicas com propostas de intensificar os estudos e se desenvolver intelectualmente, lutando pelos seus ideais e se comprometendo à participar das causas políticas, sociais, econômicas e educacionais.

Apesar de tantas lutas por igualdade na área educacional, somente a partir da 2ª Guerra Mundial, a educação destinada a jovens e adultos tem estado a cargo do estado.

Como o processo de expansão da industrialização estava em alta no Brasil, ocorre-se mudanças tanto políticas quanto econômicas no país. Desta forma, essa referida educação começa a garantir e marcar de forma idealizadora o seu espaço na educação brasileira. Na metade dos anos 40, lança-se a 1ª campanha de educação de adultos com o intuito de aumentar o número de pessoas votantes, tendo um prazo determinado para alfabetizar um indivíduo (apenas três meses), assim as bases eleitorais cresceriam rapidamente e isso de certa forma daria sustentabilidade ao governo, beneficiando-o diretamente nas conquistas políticas.

A 1ª conferência internacional de educação de adultos foi realizada em 1949, na Dinamarca. Sendo que nesse encontro a apresentação ficou caracterizada como uma espécie de educação moral.

De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a  Cultura (2014), a II conferência mundial de educação de adultos surgiu em Montreal, no ano de 1960, Fidel Castro anunciou na assembleia geral das nações unidas que Cuba eliminaria o analfabetismo, proposta na campanha nacional de alfabetização que se realizaria no ano seguinte. Sendo um governo revolucionário, sua meta de erradicar era uma das mais ambiciosas que até então já fizera. A partir desta conferência a educação de adultos passou a ser vista sob dois enfoques distintos: como uma continuação da educação formal, permanente e como uma educação de base ou comunitária. Há outras duas conferências das quais os encontros foram em Tóquio, em 1972 e a outra em Paris, em 1985, embora caracteriza-se a referida educação em diferentes formas.

BREVE HISTÓRICO SOBRE A FUNÇÃO DO SUPERVISOR EDUCACIONAL

Em 1974, com o período industrialização há muitas mudanças sociais e transformações no campo educacional, nesse período surge-se o supervisor que se iniciou nesse processo sendo chamado de inspetor de ensino, sendo sua função fiscalizar o professor para desempenhar um bom rendimento no trabalho executado, com isso tornou-se um profissional com uma visão de controlador da prática docente.

Quando se analisa a legislação verifica-se que, antes de antes de 1974, o que como equivalente os Supervisores de Ensino eram os inspetores de ensino. Esses estavam no sistema como resposta a uma exigência clara: deviam fiscalizar as escolas. E ao nome de inspetor de ensino correspondia ao servidor de quem poder-se-ia questionar as funções mas não a existência. Suas colocações acompanha um fazer que, às vezes até as ultrapassa-se em benefício do ensino. Consequência disso, o inspetor escolar tinha uma prática e foi uma figura institucional e socialmente aceita como existente. Assim. suas funções até podiam ser discutidas porque, não só de direito, mas de fato, estavam explícitas. (Albuquerque, 1983).

Segundo Albuquerque (1983), de acordo com a necessidade de melhoria na educação, a função desse profissional foi-se modificando, retira-se seu papel de autoritário para um trabalho auxiliador, que deu apoio ao corpo docente com ações voltadas à prática pedagógica. Em 1979, com a Lei n.º 201, muda-se novamente o nome, de supervisores pedagógicos para supervisores de ensino. Não muda a qualidade do ensino, a situação continua nublada como antes. Pode-se dizer de certa forma, denota-se a existência de um cargo instituído só por decreto, sendo-se o supervisor de ensino. Nessa lógica, Albuquerque (1983, p. 56) afirma que: “está posta formalmente a situação. O inspetor não existe na legislação, o que existe é o Supervisor de Ensino. Suas funções são largamente propaladas como necessárias. A supervisão educacional visa à melhoria das condições técnicas, organizacionais e humanas, aperfeiçoamento do currículo, eficiência e eficácia do ensino. É certo que todas estas finalidades são essenciais para reanimar uma escola na qual alunos entram carentes e saem mais carentes ainda porque somam suas carências a da própria escola que quase nada lhes proporcionou”.

Podemos entender a importância desse profissional, pois, cabe ao mesmo direcionar a construção do projeto político pedagógico (PPP) da escola com a contribuição dos pais, docentes e toda comunidade envolvida, na construção de atividades pedagógicas que esteja voltada ao contexto social do aluno, estabelecer um trabalho voltado à realidade, com o objetivo que os alunos construam autonomia para viver em sociedade.

Para Silva (1987), quando o supervisor se apresenta com roupagem da técnica está cumprindo basicamente uma função política, porque sua ação implica um exercício de tomada de decisões, embora essas sejam apenas ao nível da execução na realidade brasileira, sem se preocupar se o seu trabalho está contribuindo para o desenvolvimento da educação. 

O supervisor educacional decide sobre atividades de ensino, formas estratégicas de implantação de conteúdos e diretrizes curriculares. Porém, sua função se reduz apenas a decisões estratégicas de implantação de planos curriculares ou relativas ao processo ensino-aprendizagem. Neste viés, o supervisor escolar deverá se transformar em supervisor educacional com condições de perceber a realidade contextual e a partir dela participar reflexiva e criticamente em todas as direções, assessorado por órgãos de decisão a nível de planejamento central da política educacional do país, quer assessorado por órgãos de legislação em educação, redirecionando e redefinindo valores.  (Silva, 1987, p.68).

Diante disso, percebe-se que o trabalho do supervisor escolar é muito amplo, envolve todo processo educacional, com ações flexivas voltadas ao processo de ensino aprendizagem, tornando-se orientador e mediador do professor na prática. Esse profissional tem que ter uma visão crítica e construtiva no fazer pedagógico, trabalhando de forma coesa e articulada com os diretores escolares e coordenadores pedagógicos. Esse profissional  deve ser e ter espírito de pesquisa, ser curioso e está sempre em busca do conhecimento.

Pode-se inferir que o supervisor é democrático e procurar meios que integre a comunidade à escola, deve desenvolver atividades que envolvam os pais dos alunos para que eles se sintam responsáveis também pelo processo pedagógico. Também o mesmo deve contribuir para que a educação do aluno seja de fato efetivada e para isso, precisa ter um olhar sempre voltado para melhoria da educação, motivar e orientar os docentes em suas práticas e não impor suas decisões.

Consequentemente, precisa estabelecer claramente os objetivos e os fins que tem como finalidade a qualidade da educação,  de modo que possa criar processos adequados e coerentes ao ato de ensinar a ler e escrever

A priori, é necessário supervisionar e equiparar aos alunos que não atingiram a média e aos alunos que apresentaram comportamentos inapropriados no bojo educacional para  planejar ações que possam solucionar as dificuldades de aprendizagem dos estudantes. 

Sua a função principal é auxiliar, esclarecer, orientar e guiar, os professores e alunos, sempre visando o alcance dos fins que é a qualidade da educação. Precisa ter uma “super visão” no sentido de pesquisar, compreender e articular sua ação. Seu trabalho é feito em equipe, com o coletivo com mediação e a troca de experiências entre os professores, respeitar cada profissional em suas individualidades, buscar soluções para os problemas educacionais. Também é função do supervisor assessorar individualmente e coletivamente o corpo docente no trabalho pedagógico interdisciplinar. 

OS EDUCANDOS DA EJA E SUAS CARACTERÍSTICAS NA ÓTICA DO SUPERVISOR EDUCACIONAL

Tradicionalmente o público alvo da EJA é de pessoas com baixo poder aquisitivo que trabalham durante o dia e frequentam a escola durante o período noturno que por motivos diversos não frequentaram uma instituição de ensino. As turmas são formadas por pessoas de diferentes idades que trazem consigo uma bagagem cultural que foi construída ao longo da sua trajetória dentro ou fora da escola, além de possuírem conhecimentos adquiridos mediante interação com o contexto em que vivem, e é na escola o lugar oportuno de se ampliar esses conhecimentos e obter outros novos, sendo um espaço propício para a educação da cidadania. Reforçando essa ideia (Freire, 1989, p.24) afirma que: “(  ) quanto mais conscientemente faça a sua História, tanto mais o povo perceberá, com lucidez, as dificuldades que tem a enfrentar, no domínio econômico, social e cultural, no processo permanente da sua libertação”.

É notável que a população não seja analfabeta por opção, mas por lhe faltar condições favoráveis para o acesso à escola, deixando de participar das causas sociais por falta de esclarecimentos, por ser totalmente excluídos do meio social, sem mesmo de ter o direito de votar ou serem votados vivendo à exclusão. Por não dominar a leitura e a escrita, a população encontrava-se nas trevas da ignorância e do atraso, submissos a viver da falta de consciência em relação aos seus direitos e deveres sem voz e nem vez, largados à própria sorte. Neste sentido, Freire (1987, p. 54) relata que: “(   ) não é no silêncio que os homens se fazem, mas na palavra, no trabalho, na ação-reflexão. Mas, se dizer a palavra verdadeira, que é trabalho, que é práxis, é transformar o mundo, dizer a palavra não é privilégio de alguns homens, mas direito de todos os homens”.

Neste contexto pode-se afirmar que quanto maior o número de analfabetos num país, maior será o seu atraso em todos os aspectos. Os alfabetizandos da EJA são cidadãos de direitos iguais, que vão muito além de ler, escrever e fazer contas, direitos de se sentir incluído numa sociedade que por muito tempo os marginalizou, enquanto viviam impedidos de conhecer a sua própria história e de conquistar uma condição menos opressiva em sua trajetória de exclusão. Levando em consideração é importante ressaltar que os alunos têm muitas dificuldades do domínio tanto da leitura quanto da escrita, advindo do histórico escolar perpassado. Nesse sentido, o supervisor educacional sendo responsável pela qualidade do ensino que é ofertado nas escolas, tem a função de viabilizar ações que favoreçam a melhoria do trabalho pedagógico executando o seu trabalho de maneira estruturada, pensando nas práticas pedagógicas que envolva como ensinar, o que ensinar e de que maneira o seu trabalho juntamente com o do professor pode favoreça uma aprendizagem significativa para os alunos. 

Nos dias atuais, “sabe-se que o supervisor educacional é um profissional especialista em educação, habilitado, capaz de exercer a função educativa na realidade brasileira em todos os níveis” (Silva, 1982, p. 16). Também necessita ser bem informado, responsável, comprometido, conhecer as leis que rege a educação bem como as políticas públicas educacionais, ter o seu trabalho pautado no coletivo contribuindo para a qualidade do ensino e da aprendizagem, promover a gestão democrática, ser capaz de gerir e administrar todo pedagógico sem exercer o autoritarismo, ser dotado de consciência crítica e assumindo suas verdadeiras funções administrativas.                                                                                

Pensar na escola sem um profissional habilitado para executar as tarefas de planejamento e organização do trabalho docente é não levar em consideração a importância do trabalho exercido desse profissional na área educacional, por isso que além de um bom quadro de professores a escola em si necessita de especialistas voltados para a área pedagógica que atenda as especificidades dessa unidade de ensino mesma de forma a garantir melhorias, tanto no ensino quanto na aprendizagem dos alunos. Assim, faz-se necessário que esse referido profissional seja criativo, dinâmico, que favoreça a coletividade e que esteja sempre aberto a novas ideias.

SUPERVISOR EDUCACIONAL: UM DIÁLOGO ÉTICO E POLÍTICO

Nos dias atuais, sabe-se que o Brasil passa-se por longos anos frente ao autoritarismo que ficou marcado na sua história e que ao mesmo tempo desafia a educação a desenvolver atitudes e valores democráticos. O supervisor vivencia diversas situações diariamente no local onde atua. Diante disso, Silva (1982, p. 68) afirma que: “(   )  é urgente uma reaproximação do supervisor educacional da ação educativa”. Nessa lógica, cogita-se que a função da supervisão na EJA, na maioria das vezes é exercida por um pedagogo, quando deveria ser por um especialista habilitado, desta forma, o tradicional prevalece tendo ações voltadas para realizar o controle burocrático, ao invés de intervir pedagogicamente no processo de ensino. Nesse sentido, “a prática da supervisão exige, de parte do supervisor uma constante avaliação crítica de seu próprio desempenho e um esforço continuado de aperfeiçoamento como técnico, mas, especialmente como pessoa. Para isso, deverá cultivar um maior grau de efeito interativo, condição de mobilização das energias dos professores no sentido dos objetivos educacionais perseguidos”. (Alves, 2000, p. 64).

A falta de profissionais habilitados dificulta o trabalho pedagógico, quanto às orientações voltadas para o campo pedagógico, as atividades de ensino, as estratégias de implantação de planos curriculares com base no processo ensino-aprendizagem. Desta forma há uma desqualificação desse profissional, tendo o seu trabalho exercido por outro profissional sem a devida formação. A prática da supervisão não é pautada no autoritarismo, no controle, na fiscalização e, sim, na condição de perceber a realidade, refletir e intervir sobre ela. 

O trabalho do supervisor é de grande valia no campo educacional, tendo esse profissional uma relação direta com a área pedagógica, tendo como uma das suas funções, articular o  Projeto Político Pedagógico (PPP).

Esse profissional é compromissado com esta prática,  à medida que estimula o professor a planejar suas aulas, de acordo com a necessidade dos alunos. Rangel (1979) ressalta que: “o supervisor dar auxílio técnico-pedagógico, de forma direta, ao corpo docente, para que os objetivos proposto sejam alcançados, com a atenção central na qualidade da educação dos discentes. É função do supervisor é assessorar o corpo docente em sua prática, verificar os resultados, buscar sempre a melhoria do ensino isso inclui o aperfeiçoamento dos professores”. Para Rangel (1979, p. 18) é dever do supervisor, orientar, no sentido de esclarecer; assistir, no sentido de ajudar, apoiar, buscar soluções, minimizar problemas; acompanhar, no sentido de participar, estar presente. Esta melhoria do processo de ensino-aprendizagem, colocada, normalmente, como meta maior, traz um significado inicial de atenção a todas as etapas deste processo e àqueles que o desenvolvem: – professor e aluno. 

Diante disso pode-se inferir que o supervisor compromete com sua função para que realmente haja uma educação de qualidade. Por isso,  é necessário colocar o aluno como centro desse processo, com o objetivo de obter um ensino no qual é tão desejado, que ofereça ao educando uma formação que lhe possibilite viver com autonomia para exercer sua cidadania no seu contexto social.

Ainda com Rangel (1979) a composição do currículo de uma escola é feita por todos que participam do espaço escolar, além duma ampla pesquisa, reflexão e a colaboração de todos que participam, inclusive do aluno, o qual não é dado a oportunidade de escolher o que vai estudar ou de expressar o que realmente precisa. Nesse contexto, deve-se considerar as características próprias da comunidade para que não seja oferecido algo desvinculado à sua realidade, em que para o aluno não servirá para sua vida. Diante dessa afirmação pode-se inferir que o currículo da educação de jovens e adultos deve ser feito com a colaboração desses alunos, de acordo com a sua necessidade. Assim, esse currículo contemplam as matérias específicas, mas que também seja real, dentro do contexto social em que vive o aluno.

O perfil do aluno dessa modalidade é de alguém que espera da escola uma preparação para o que é exigido pela sociedade.  Diante disso Freire (1996, s.p) afirma que: “mulheres e homens se tornaram educáveis na medida em que se reconheceram inacabados”. Estes educandos são pessoas que tem a capacidade de ser alfabetizados, nessa modalidade, consequentemente, esse aluno tem um interesse maior pela aprendizagem, e se não encontram o que necessitam, desistem antes mesmo de finalizar o ensino fundamental. Nesse sentido, entende-se que é preciso estimular o aluno em sua aprendizagem, despertar a sua curiosidade e o prazer de estudar. Ainda de acordo com Freire (1996, p. 85), “como professor devo saber que sem a curiosidade que me move, que me inquieta, que me insere na busca, não aprendo nem ensino”. Nessa lógica de raciocínio, pode-se inferir que todo aluno necessita de algo que alimente a sua curiosidade, que lhe possibilita a buscar, a compreensão, entendimento e interpretação dos fatos, consequentemente, aguça a curiosidade, o desejo de aprender para permanecer na escola. Diante disso, cabe aos professores junto com o supervisor despertar no aluno esse desejo de aprender de forma significativa e atentar tanto para o acesso quanto para a permanência desse aluno que por muito tempo se viu excluído do sistema de ensino. 

CONSIDERAÇÕES FINAIS 

A educação de jovens e adultos (EJA) passou por várias transformações no decorrer do seu processo histórico tendo a desigualdade social o fator marcante na sua trajetória, teve seus avanços e retrocessos que foram registrados na história da educação brasileira. A proposta primordial dessa modalidade de ensino era alfabetizar os jovens e adultos para contribuir para efetivar a sua formação social. Consequentemente, abarcaria  o convívio com o outro e para sua inserção no trabalho com consciência crítica diante dos seus direitos e deveres.

Embora tenham acontecido mudanças significativas na área educacional, percebe-se que há muito o que melhorar para que a EJA se estruture e ganhe destaque qualitativamente, pois ainda é tratada de forma secundária pelo o poder público. No entanto, para que haja melhorias devem ser adotadas medidas governamentais que sejam atuantes e atenda as demandas sociais. Nesse sentido, completa-se que a figura do supervisor educacional é de extrema importância para que esse referido público seja atendido na íntegra, tendo um currículo que atenda as reais necessidades desse educando, respeitando o seu perfil, sua cultura bem como o seu modo de aprender.

A EJA necessita de um profissional que seja habilitado na área da supervisão, pois ainda existem escolas que não contam com o apoio desse profissional, consequentemente,  fica a cargo de um pedagogo que, em geral, não desempenha com afinco o trabalho desse  profissional com devida qualidade profissional. 

A importância do supervisor é muito ampla, reflete diretamente na forma como a educação está acontecendo dentro da escola. Então, entende-se a educação de jovens e adultos só alcançará o sucesso se for tratada com respeito e com a devida importância.

Esta pesquisa deu a oportunidade de fazer um aprofundamento com estudos de revisão bibliográfica, voltado para o trabalho do supervisor na modalidade da educação de jovens e adultos. Como resultado desta pesquisa, ficou claro que o supervisor existente no âmbito educacional contribui para a construção do projeto político pedagógico da escola, bem como para construção de  ações que visão a qualidade da educação. Com este estudo podemos concluir que é muito importante a presença desse profissional na modalidade da EJA. 

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Referencias

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Disponível em: https://academic.oup.com/cid/article/67/7/1208/6141108.
Acesso em: 2024-09-03.

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