Inclusão da criança com transtorno do espectro autista na rede municipal de SC

INCLUSION OF CHILDREN WITH AUTISM SPECTRUM DISORDER IN THE MUNICIPAL NETWORK OF SC

INCLUSIÓN DE NIÑOS CON TRASTORNO DEL ESPECTRO AUTISTA EN LA RED MUNICIPAL DE SC

Autor

URL do Artigo

https://iiscientific.com/artigos/66E808

DOI

doi.org/10.63391/66E808

Ribeiro, Joelci . Inclusão da criança com transtorno do espectro autista na rede municipal de SC. International Integralize Scientific. v 5, n 49, Julho/2025 ISSN/3085-654X

Resumo

O autismo é um transtorno recente, em termos científicos, sendo por muito tempo classificado como psicose ou doença de natureza emocional causada pela falta de afetividade paterna e materna. A pesquisa é bibliográfica, de natureza exploratória, qualitativa, buscando dados atuais que demonstrem o aumento ou a diminuição de casos de autismo, bem como, mudanças no conceito e no diagnóstico do autismo ao longo do tempo e os principais desafios relacionados a inclusão de autistas em escolas comuns. Tem-se como resultado a percepção do aumento no número de pessoas autistas, tanto numa perspectiva de estado – Santa Catarina, como no âmbito federal – Brasil e o diagnóstico atual sendo realizado a partir de uma equipe multidisciplinar. Com relação aos desafios relacionados a inclusão, tem-se a dificuldade em enxergar o estudante como capaz, levando a infantilização do mesmo, através de atividades repetitivas.
Palavras-chave
autismo; números; diagnóstico; multidisciplinar.

Summary

Autism is a recent disorder, in scientific terms, and has long been classified as a psychosis or an emotional illness caused by a lack of paternal and maternal affection. This is a bibliographic, exploratory, and qualitative research, seeking current data that demonstrates the increase or decrease in cases of autism, as well as changes in the concept and diagnosis of autism over time and the main challenges related to the inclusion of autistic people in regular schools. The result is the perception of an increase in the number of autistic people, both from a state perspective (Santa Catarina) and at the federal level (Brazil), and the current diagnosis is carried out by a multidisciplinary team. Regarding the challenges related to inclusion, there is the difficulty in seeing the student as capable, leading to their infantilization through repetitive activities.
Keywords
autism; numbers; diagnosis; multidisciplinary.

Resumen

El autismo es un trastorno reciente, en términos científicos, y se ha clasificado desde hace tiempo como una psicosis o una enfermedad emocional causada por la falta de afecto paterno y materno. Esta investigación bibliográfica, exploratoria y cualitativa busca datos actuales que demuestren el aumento o la disminución de los casos de autismo, así como los cambios en el concepto y el diagnóstico del autismo a lo largo del tiempo y los principales desafíos relacionados con la inclusión de personas con autismo en las escuelas regulares. El resultado es la percepción de un aumento en el número de personas con autismo, tanto desde una perspectiva estatal (Santa Catarina) como a nivel federal (Brasil), y el diagnóstico actual es realizado por un equipo multidisciplinario. En cuanto a los desafíos relacionados con la inclusión, existe la dificultad de percibir al estudiante como capaz, lo que lleva a su infantilización mediante actividades repetitivas.
Palavras-clave
autismo; cifras; diagnóstico; multidisciplinario.

INTRODUÇÃO

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um transtorno do desenvolvimento humano que vem sendo estudado de maneira mais profunda apenas nas últimas décadas. Por muito tempo, acreditou-se que era uma psicose infantil, depois, um transtorno emocional causado pela falta de afetividade dos pais na infância. Atualmente, o diagnóstico do autismo é feito a partir da combinação de diversos sintomas e geralmente a partir de diferentes relatórios de profissionais que compõem uma equipe multidisciplinar.

No mundo todo, nota-se um aumento nos casos de autismo, mas ainda não é possível afirmar se o número vem aumentando devido a algum fator específico ou se apenas os diagnósticos ficaram mais precisos, o que antes não ocorria, assim, é possível que no passado tivessem muitos autistas sem o diagnóstico correto e portanto, não faziam parte das estatísticas.

O ambiente escolar, normalmente, é o primeiro local de convívio social da criança, depois do núcleo familiar. Para crianças autistas, o ambiente escolar pode ser difícil devido a grande quantidade de estímulos (visuais, sonoros) e de pessoas. Para facilitar a inclusão, muitas escolas contam com profissionais de nível médio para apoio a inclusão ou mesmo professores de educação especial, com formação em nível superior ou de especialização. É o caso do município de Concórdia/SC, que proíbe a utilização de estagiários para o acompanhamento de pessoas autistas.

Este artigo tem como objetivo geral abordar as mudanças ocorridas ao longo da história no que tange o a conceituação do autismo e seu diagnóstico, além disso, visa mostrar dados atuais que demonstrem o aumento ou a diminuição de casos de autismo em Santa Catarina e no Brasil e os principais desafios relacionados a inclusão de autistas em escolas comuns.

AUTISMO

O autismo, ou Transtorno do Espectro Autista (TEA), é uma condição do neurodesenvolvimento que afeta a comunicação, a interação social e o comportamento. O termo tem origem no grego autós, que significa “de si mesmo”, e foi utilizado pela primeira vez em 1911 pelo psiquiatra Eugen Bleuler. 

Durante décadas, o autismo foi erroneamente associado a falhas emocionais na criação dos filhos, mas estudos posteriores comprovaram sua base neurobiológica. A partir das pesquisas de Leo Kanner, em 1943, o autismo passou a ser reconhecido como um transtorno com características específicas que se manifestam desde a infância. 

Com o avanço das investigações científicas, especialmente a partir da década de 1980, o autismo deixou de ser visto como uma psicose infantil e passou a ser compreendido como um transtorno do desenvolvimento, exigindo abordagens específicas de acolhimento, diagnóstico e intervenção.

HISTÓRIA DO AUTISMO

Conforme Cunha (2017), o termo autismo que vem do Grego “autós” e significa “de si mesmo”. Esse termo foi utilizado pela primeira vez pelo psiquiatra suíço E. Bleuler, no ano de 1911, ele “[…] buscava descrever a fuga e o retraimento inferior dos pacientes acometidos de esquizofrenia.” (Belisário filho e Cunha, 2010 P. 08).

“Até a década de 60, o autismo foi considerado um transtorno emocional, causado pela incapacidade de mães e/ou pais de oferecer o afeto necessário durante a criação dos filhos.” (Belisário filho e Cunha, 2010, p.11) Essa hipótese era baseada somente na descrição de casos, sem nenhuma comprovação. Com o passar do tempo, comprovou-se que essa correlação era falsa, por meio de estudos que mostraram que não havia diferença significativa entre os laços afetivos de pais de crianças típicas e de crianças autistas. Outros estudos demonstraram também a presença de distúrbios neurobiológicos (Belisário filho e Cunha, 2010).

As duas décadas que se seguiram foram marcadas por muitas pesquisas relacionadas ao tema, essas pesquisas “levaram à hipótese da existência de alteração cognitiva que explicaria as características de comunicação, linguagem, interação social e pensamento presentes no autismo.” (Belisário filho e Cunha, 2010, p.11) Foi também nesse período que surgiram escolas específicas para pessoas autistas e cientificamente o autismo passa a ser compreendido e também estudado como um transtorno do desenvolvimento, deixando de ser caracterizado como psicose infantil para ser tratado como um Transtorno Global do Desenvolvimento (Belisário filho e Cunha, 2010).

Em 1943, Leo Kanner, psiquiatra austríaco, naturalizado americano, fez a publicação das primeiras pesquisas relacionadas ao autismo. Kanner observou que essas crianças apresentavam inabilidade no relacionamento interpessoal, atrasos na aquisição da fala e das dificuldades motoras, características que, até então, não haviam sido observadas em nenhuma outra patologia infantil, ele identificou como traço principal do autismo a incapacidade para relacionar-se normalmente com as pessoas e as situações (Cunha, 2017). “Ele definiu o autismo como um transtorno do contato afetivo que se estruturava nos dois primeiros anos de vida.” (Cunha, 2017, p.20).

Na década de 80 o conceito de Autismo infantil passou a fazer parte de uma nova classe de distúrbios na infância, caracterizando os distúrbios invasivos de desenvolvimento, com isso foi excluído da classificação de esquizofrenia infantil e psicoses para se tornar um transtorno do desenvolvimento (Salvador, 2013, p.16).

CARACTERÍSTICAS DO TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA (TEA)

Os sintomas do autismo tornam-se aparentes por volta da idade de três anos. Caracterizam-se pelo uso insatisfatório de sinais sociais, emocionais e de comunicação e também a falta de reciprocidade afetiva. Há uma limitação da comunicação não verbal, com expressões gestuais praticamente inexistentes, visto que a criança não atribui valor simbólico a eles (Cunha, 2017).

Os sintomas se apresentam quando se observa um desenvolvimento diferente do que seria esperado para a faixa etária, podendo variar na maneira e intensidade. Alguns dos sintomas são: atraso na iniciação da fala, fuga do contato visual, não atendimento ao chamado do nome, não apontar, não brincar com crianças da mesma idade, não brincar de faz de conta, não entender linguagem figurada, brincar com brinquedos de maneira incomum, demonstrar maior interesse por objetos do que por pessoas, realizar movimentos repetitivos, choros inapropriados por motivos inexplicáveis, sensibilidade a sons e toques, entre outros (Setúbal, 2023).

Dentre os sintomas do autismo, tem-se ainda: retração e isolamento social; dificuldade de fazer ou manter contato visual; resistência ao contato físico e ao aprendizado; não demonstração de medo diante de situações perigosas; birras; não aceitação de mudança de rotina; usar as pessoas apenas como meio para pegar objetos; hiperatividade física com movimentos repetitivos; agitação desordenada; calma excessiva; manuseio não apropriados de objetos e apego aos mesmos; movimentos circulares; sensibilidades a barulho; estereotipias; ecolalias; ausência de interesse por brincadeiras; compulsão (Cunha, 2017).

Ainda não há total clareza a respeito do surgimento do autismo. Por se tratar de um transtorno que em muitos casos apresenta associação a prejuízos orgânicos, convulsões, déficit cognitivo e doenças genéticas comuns, há muitas incertezas ao seu respeito (Cunha, 2017).

“A respeito das causas do autismo, ainda que não sejam satisfatoriamente conhecidas, alguns estudiosos acreditam que os fatores metabólicos decorrentes de alterações bioquímicas são, de certa forma, submetido aos efeitos do ambiente e modificados por ele.” (Cunha, 2017, p. 25) “Muitos estudos sustentam a hipótese de que complicações obstétricas e neonatais podem aumentar o risco do autismo.” (Castro, 2016, p.23)

Além de haver um acentuado comprometimento do uso de múltiplos comportamentos não verbais (contato visual),direto, expressão facial, posturas e linguagem corporal que regulam a interação social e a comunicação, pode ocorrer também atraso ou ausência total do desenvolvimento da linguagem falada. Nos indivíduos que chegam a falar, existe a chance de haver um acentuado comprometimento na capacidade de iniciar ou manter uma conversação e a ecolalia, que é a repetição de palavras ou frases (Cunha, 2017, p.27).

O padrão de comportamento do autista caracteriza-se também por uma rigidez e rotina a uma série de aspectos do funcionamento diário, essa rigidez e dificuldade a mudanças ou flexibilizações/adaptações manifesta-se tanto em atividades novas como em hábitos familiares e brincadeiras (Cunha, 2017). 

É de fundamental importância que os sintomas do autismo sejam conhecidos, para que não seja confundido com criança birrenta, teimosa e sem interesse. Quando há compreensão das limitações dela e sabendo como a criança com autismo aprende e como deve ser o manejo, tudo ficará mais fácil para ambos.

O nome Transtorno do Espectro Autista surgiu a partir da 5ª edição do Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), tornando-se um diagnóstico único que inclui alguns transtornos do desenvolvimento infantil que envolvem prejuízos sociais, assim, atualmente o TEA inclui o autismo, bem como, outros distúrbios como a Síndrome de Asperger, o Transtorno Desintegrativo da Infância e o Transtorno Global do Desenvolvimento sem outra especificação (Setúbal, 2023).

Em Santa Catarina a Fundação Catarinense de Educação Especial é a instituição de referência para fazer diagnósticos de autismo, como de atendimento educacional (Ferreira, 2008).

OS NÚMEROS DO TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA NO BRASIL E EM SANTA CATARINA

Antes de 2017, a taxa média de prevalência do transtorno autista em estudos epidemiológicos era de cerca 15 casos por 10.000 indivíduos, com relatos de taxas variando de 2 a 20 casos por 10.000 indivíduos. E 2017, a taxa de prevalência cresceu bastante. apontando um caso em cada 150 ou 100 nascimentos, sendo de quatro a cinco vezes mais comum entre os meninos (Cunha, 2017).

De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) o Censo Demográfico 2022 identificou 2,4 milhões de pessoas com diagnóstico de transtorno do espectro autista (TEA), o que corresponde a 1,2% da população brasileira. A prevalência foi maior entre os homens (1,5%) do que entre as mulheres (0,9%): 1,4 milhões de homens e 1,0 milhão de mulheres foram diagnosticados com autismo por algum profissional de saúde. Analisando os grupos etários, o de maior prevalência foi o de 5 a 9 anos (2,6%) (IBGE,2025).

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 2 milhões de pessoas se enquadrem no transtorno do espectro autista no Brasil.  Segundo o Censo do IBGE, divulgado em maio de 2025, Santa Catarina soma 91.588 pessoas diagnosticadas com TEA, o que representa 1,2% da população do estado. Esse percentual coloca o estado na nona colocação entre as unidades da federação com maior proporção de pessoas com autismo. Os municípios com os maiores números absolutos de casos são Joinville, Florianópolis e Blumenau. Em Concórdia, foram registradas 796 pessoas com autismo, o que coloca o município na 24ª posição entre os 295 de Santa Catarina (Aliança News, 2025).

Em Santa Catarina, uma das bases de dados que oferece um panorama do autismo é a Carteira de Identificação do Autista, expedida pela FCEE. De fevereiro de 2020, quando foi lançada, até março de 2025, 31 mil pessoas com TEA já foram beneficiadas com o documento (FCEE, 2022).

Um termo de cooperação aprovado na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) em 17 de dezembro de 2024 vai dar origem ao censo para levantar o número de pessoas diagnosticadas com autismo no estado e qual o nível de suporte que elas precisam. A ideia é que os dados ajudem a orientar políticas públicas mais eficazes e inclusivas (Caldas; Radtke, 2024, on-line).

Outra referência catarinense é o sistema Educação na Palma da Mão da Secretaria de Estado da Educação, que revela o painel do total de matrículas, turmas e escolas da Educação Básica da rede estadual de ensino. Em 2025, do total de 535 mil estudantes matriculados nas escolas estaduais de Santa Catarina, 13.785 são de estudantes com diagnóstico de TEA (FCEE, 2022).

Nas 242 instituições especializadas credenciadas à FCEE, no ano de 2025, são atendidas 22.243 pessoas com TEA, sendo 11.635 educandos até 5 anos de idade; 7.338 entre 6 e 17 anos; e 3.270 acima de 18 anos (FCEE, 2022).

INCLUSÃO DO ESTUDANTE AUTISTA: DESAFIOS E POSSIBILIDADES

Toda a pessoa com Transtorno do Espectro Autista (TEA), conforme prevê o Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, tem direito à vida digna, à integridade física e moral, ao livre desenvolvimento da personalidade, à segurança e ao lazer; à proteção contra qualquer forma de abuso e exploração; ao acesso a ações e serviços de saúde, com vistas à atenção integral às suas necessidades de saúde, incluindo o diagnóstico precoce, ainda que não definitivo; ao atendimento multiprofissional; à nutrição adequada e à terapia nutricional; aos medicamentos; e às informações que auxiliem no diagnóstico e no tratamento; e ao acesso à educação e ao ensino profissionalizante; à moradia, inclusive à residência protegida; ao mercado de trabalho; à previdência social e à assistência social. (Brasil, 2015) (Santa Catarina, 2025).

Quando se fala da inclusão de um estudante autista, não se pode esquecer que somente o fato dessa criança estar inserida no ambiente escolar não garante que o processo inclusivo esteja acontecendo. A educação da criança com autismo precisa de um olhar diferenciado, visto que o autista possui necessidades específicas advindas do transtorno, tais necessidades, podem contribuir positivamente ou negativamente no processo do ensino, por isso “é necessário olhar o homem como um ser integral na sua estrutura biológica, afetiva e social.” (Cunha, 2017, p.102) Com efeito, não se pode educar sem atentar-se para o aluno na sua individualidade, no seu papel social na conquista da sua autonomia (Cunha, 2017). 

É importante destacar que o acompanhamento de autistas deve ser baseado em intervenções   multidisciplinares com médicos, psicólogos, fonoaudiólogos, psicopedagogos, educadores, terapeutas ocupacionais, nutricionistas e fisioterapeutas, envolvendo tratamentos medicamentosos ou não (Rocha, 2019).

Não há como falar em inclusão sem mencionar o papel fundamental do professor, ele precisa de condições para trabalhar com a inclusão e na inclusão. “O trabalho que é feito com a criança não consiste apenas em propiciar novas maneiras de aprender, mas, essencialmente, em buscar alternativas de ensinar.” (Cunha, 2017, p.104)

As condições da inclusão alicerçam-se também, na forma de construir o currículo escolar, na forma de olhar a escola, o aluno e o professor. Cunha (2017) destaca que as metodologias de ensino baseadas na tendência tradicional que são transmitidas de geração a geração não estão mais dando conta da diversidade que há na sala de aula (Cunha, 2017).

Infelizmente, há lacunas no que se refere a inclusão de pessoas com deficiência em ambientes escolares comuns e as pessoas com Transtorno do Espectro Autista encontram-se, também, nessas lacunas. Cruz (2009), em um estudo realizado na rede pública de ensino de São Paulo, demonstrou que os professores revelam que as atividades que eles propunham para seus alunos acabavam resumindo-se a cópias de materiais, em que eles realizavam tarefas infantilizadas e muitas vezes repetitivas. Esse estudo demonstra que, muitas vezes, a inclusão acaba sendo resumida a “facilitar” o conteúdo e ou infantilizá-lo ao invés de torná-lo efetivamente acessível para o estudante.

Kubaski (2014) realizou um estudo com quatro turmas de séries iniciais que têm alunos com TEA revelou problemáticas no atendimento realizado pelas educadoras especiais, mostrando que a função destas não se referia ao auxílio à professora da turma ou um trabalho coletivo para a inclusão, mas sim ao fato de retirar os alunos deste ambiente, nos momentos em que estes se encontravam em crise. 

No município de Concórdia, a Lei 5.816/2023 autoriza que os Centros Municipais de Educação Infantil – CMEIs e Escolas Municipais, no âmbito do Município de Concórdia, disponham de profissionais com certificação ou capacitação ou formação técnica para atendimento aos portadores de Transtorno Espectro Autista (TEA) e aos portadores de Deficiência Intelectual. (Concórdia, 2023) e proíbe a contratação e utilização de estagiários para tal finalidade, salvo quando acompanhado de um profissional comprovadamente certificado ou capacitado ou com formação técnica no atendimento aos autistas e aos portadores de Deficiência Intelectual (Concórdia, 2023).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Com a exclusão do autismo da classificação de esquizofrenia infantil e psicoses para se tornar um transtorno do desenvolvimento, a forma de diagnóstico também mudou: ele deixou de ser feito apenas por um médico e, atualmente, é feito após uma avaliação multidisciplinar, considerando a presença de diversos sintomas.

O número de pessoas com diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) vem aumentando e é preciso que todos os ambientes estejam preparados para atendê-las. Menciona-se que o ambiente escolar, que é geralmente o primeiro local de socialização dessas pessoas, deve ser pensado para corroborar com o desenvolvimento do autista em seus aspectos sociais, físicos, psicológicos, emocionais e pedagógicos.

A inclusão de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) no ambiente escolar exige um olhar sensível, planejamento adequado e ações concretas que envolvam toda a comunidade escolar. O acompanhamento multidisciplinar é essencial para garantir o desenvolvimento integral do indivíduo autista, mas, para que a inclusão seja efetiva, é indispensável o papel ativo e qualificado do professor, que precisa de formação contínua e condições reais de trabalho. Superar práticas excludentes, como o uso de atividades infantilizadas ou a retirada do aluno da sala de aula, requer a construção de um currículo flexível, metodologias acessíveis e uma postura pedagógica comprometida com a diversidade. A inclusão verdadeira não está em facilitar, mas em garantir o direito de aprender com dignidade, respeito e equidade.

Portanto, apesar da garantia de profissionais qualificados, ainda há muitos desafios no que tange a inclusão, desde a falta de materiais diferenciados como estrutura inadequada e até mesmo resistência de outros profissionais na questão de flexibilização e adaptabilidade do ensino para pessoas autistas. A infantilização ou facilitação de atividades está bem distante do que se espera de um processo inclusivo.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALIANÇA NEWS. Concórdia tem quase 800 pessoas com autismo, revela Censo do IBGE. Disponível em <https://alianca.news/amp/concordia-tem-quase-800-pessoas-com-autismo-revela-censo-do-ibge> acesso em 29 mai. 2025.

CASTRO, Caroline Borges de et al. Aspectos sociodemográficos, clínicos e familiares de pacientes com o transtorno do espectro autista no sul de Santa Catarina. Rev. bras. neurol, p. 20-28, 2016.

CONCÓRDIA. Lei nº 5.816, de 20 de dezembro de 2023, Município de Concórdia, SC. 

CRUZ, T. S. U. R. (2009). Acompanhamento da experiência escolar de adolescentes autistas no ensino regular. Dissertação de Mestrado, Faculdade de Ciências Humanas. Universidade Metodista de Piracicaba. Piracicaba, SP, Brasil.

CUNHA, Eugênio. Autismo e Inclusão : psicopedagogia práticas educativas na escola e na família. 7ª ed. Rio de Janeiro: Wak editora, 2017

FERREIRA, Evelise Cristina Vieira et al. Prevalência de autismo em Santa Catarina: uma visão epidemiológica contribuindo para a inclusão social. 2008.

FILHO, José Ferreira Belisário. CUNHA Patricia, A EDUCAÇÃO ESPECIAL NA PERSPECTIVA DA INCLUSÃO ESCOLAR – Transtornos Globais do Desenvolvimento.  MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO SECRETARIA DE EDUCAÇÃO ESPECIAL UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ. Brasilia, 2010.

IBGE. Censo 2022 identifica 2,4 milhões de pessoas diagnosticadas com autismo no Brasil. Disponível em <https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/43464-censo-2022-identifica-2-4-milhoes-de-pessoas-diagnosticadas-com-autismo-no-brasil> acesso em 29 mai. 2025

KUBASKI, C. (2014). A inclusão de Alunos com Transtorno do Espectro do Autismo na perspectiva de seus professores: estudo de caso de quatro escolas do município de Santa Maria/RS. Dissertação de Mestrado, Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, RS, Brasil.

ROCHA, C. C., Souza, S. M. V. D., Costa, A. F., & Portes, J. R. M.(2019). O perfil da população infantil com suspeita de diagnóstico de transtorno do espectro autista  atendida  por  um  Centro  Especializado em  Reabilitação  de  uma  cidade  do  Sul  do  Brasil. Physis:  Revista  De  Saúde  Coletiva,  29(4),  e290412.

SALVADOR, Nilton. Vida de Autista… E, eles cresceram – Rio de Janeiro: editora Wak , 2013

SANTA CATARINA. Fundação Catarinense de Educação Especial. Carteira de Identificação do Autista de Santa Catarina. Disponível em: https://www.fcee.sc.gov.br/informacoes/servicos-fcee/carteira-de-identificacao-do-autista-de-santa-catarina. Acesso em: 21 mai. 2025.

Ribeiro, Joelci . Inclusão da criança com transtorno do espectro autista na rede municipal de SC.International Integralize Scientific. v 5, n 49, Julho/2025 ISSN/3085-654X

Referencias

Vivian Caroline Coraucci.
BAILEY, C. J.; LEE, J. H.
Management of chlamydial infections: A comprehensive review.
Clinical infectious diseases.
v. 67
n. 7
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2021.
Disponível em: https://academic.oup.com/cid/article/67/7/1208/6141108.
Acesso em: 2024-09-03.

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v. 5
n. 49
Inclusão da criança com transtorno do espectro autista na rede municipal de SC

Área do Conhecimento

EDUCAÇÃO INCLUSIVA NO ENSINO BÁSICO: DESAFIOS E POSSIBILIDADES
Educação inclusiva; ensino básico; diversidade; políticas públicas; metodologias pedagógicas
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