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Resumo
INTRODUÇÃO
A escrita é uma das maiores invenções da humanidade, pois permite registrar ideias, preservar culturas e comunicar pensamentos além do tempo. No Brasil, a história da escrita tem raízes que antecedem a chegada dos portugueses e segue em constante transformação. Este trabalho apresenta um panorama da evolução da escrita no território brasileiro, desde as formas de comunicação dos povos originários até as atuais expressões digitais.
Os povos indígenas não utilizavam a escrita como a conhecemos hoje, eles se comunicavam por meio de pinturas, grafismos, narrativas orais, entre outros.
Já os portugueses trouxeram a escrita a qual conhecemos hoje, tendo como primeiro registro a carta de Pero Vaz de Caminha, que descreveu a terra e os povos nativos ao rei de Portugal. A escrita, assim, era controlada por autoridades religiosas e políticas.
Durante a colonização, a escrita servia principalmente a propósitos oficiais e religiosos. Poucos tinham acesso à alfabetização, e era proibido ensinar a ler e escrever para indígenas e escravizados. A escrita era um privilégio de uma minoria.
No século XIX, o ensino funcionava de forma pouco estruturada, muitas vezes ocorrendo em domicílios ou em regiões rurais, o que comprometia a qualidade da aprendizagem. A educação apresentava-se desorganizada e segmentada, com separações bem definidas entre os níveis primário, secundário e superior. A estrutura social baseada no sistema feudal e na escravidão dificultava a difusão do ensino para as camadas populares, especialmente entre os povos negros e indígenas. As universidades, em sua maioria, mantinham-se alheias às demandas sociais, contribuindo pouco para a transformação da realidade do país.
No século XX, o Modernismo trouxe o reconhecimento da língua brasileira como um estilo nacional, que antes era visto como erro. A análise social do Brasil revela problemas políticos e sociais, destacando a falta de acesso a uma educação pública organizada, especialmente para negros, indígenas e descendentes de várias etnias. Essas questões refletem desafios persistentes que têm suas raízes na era colonial.
Hoje, com celulares e computadores, a escrita está presente nas redes sociais, nos blogs, nos aplicativos e até nas mensagens instantâneas. A comunicação escrita é mais rápida, acessível e democrática, com novas linguagens e formatos.
A trajetória da escrita no Brasil é permeada por processos de exclusão e resistência, mas igualmente por inventividade e mudanças significativas. Desde os grafismos dos povos originários até as publicações nas mídias digitais, a escrita expressa a pluralidade cultural e a busca do povo brasileiro por representatividade e liberdade de expressão. Reconhecer e valorizar todas as manifestações da escrita é fundamental para compreender nossa identidade e promover uma sociedade mais equitativa e letrada.
Esse artigo teve como objetivo analisar a trajetória da escrita no Brasil, focando em aspectos educacionais e sociais. A metodologia utilizada foi a qualitativa, a exemplo de autores como Souza (2021) e Silva (2025).
O artigo está estruturado da seguinte maneira: Introdução; Escrita nas culturas indígenas antes da colonização; A chegada da escrita com os portugueses; A escrita durante o período colonial; A escrita nos séculos XIX e XX; A escrita digital no século XXI; Considerações Finais; Referências Bibliográficas.
ESCRITA NAS CULTURAS INDÍGENAS ANTES DA COLONIZAÇÃO
A escrita e a leitura são a principal forma de comunicação, entretanto, ela nem sempre foi igual conhecemos hoje.
“Estima-se que no ano de 1500, quando os europeus começaram a ocupar as terras do que hoje chamamos Brasil, havia nesse território uma população de mais de 5 milhões de pessoas, com mais de 1200 línguas e dialetos”. (Os Povos Indígenas e o Português do Brasil, 2022, Seção Diversidade Linguística).
Segundo Souza (2021), as culturas indígenas brasileiras sempre expressaram a escrita através de grafismos, presentes em cerâmicas, roupas, utensílios e outros objetos, representando ideias, eventos e valores.
Além das representações gráficas, a oralidade também desempenhava um papel essencial como meio de comunicação amplamente difundido na época. A cultura oral era central para a preservação do conhecimento, e histórias, mitos e ensinamentos eram repassados entre as gerações por meio de relatos e canções. As pinturas rupestres, por sua vez, também podem ser interpretadas como formas iniciais de escrita, destinadas a expressar ideias, emoções ou experiências espirituais. Algumas comunidades indígenas faziam uso de símbolos e pictogramas, que podem ser considerados etapas preliminares do desenvolvimento da escrita. Esses sinais possuíam significados próprios e eram empregados em rituais ou na transmissão de acontecimentos relevantes. Com a chegada dos colonizadores, muitas dessas expressões culturais e modos de comunicação foram marginalizados ou suprimidos (Souza, 2021).
Podemos perceber que as culturas indígenas brasileiras expressavam a escrita por meio de grafismos em cerâmicas e objetos, refletindo suas idéias e valores. A oralidade também era fundamental, com histórias e mitos sendo transmitidos de geração em geração. Além disso, as pinturas rupestres funcionavam como formas primárias de escrita, comunicando sentimentos e eventos espirituais. Alguns grupos utilizavam símbolos e pictogramas, indicando significados específicos usados em rituais. Com a chegada dos colonizadores, essas práticas foram desvalorizadas ou destruídas.
A CHEGADA DA ESCRITA COM OS PORTUGUESES
A chegada da escrita com os portugueses ao Brasil teve um impacto profundo nas culturas indígenas e na formação da sociedade brasileira.
Santos (s.d) afirma que no século XVI, a Língua Portuguesa foi introduzida no Brasil durante o processo de colonização. Inicialmente, o idioma foi imposto sobre os idiomas originários que já eram falados na região, tanto como língua oficial quanto por meio de adaptações que resultaram em novos dialetos. No entanto, levou bastante tempo até que o português fosse oficialmente reconhecido pela Coroa portuguesa e se consolidasse como o idioma predominante no território brasileiro.
Como citado em Silva (2025), a Carta de Pero Vaz de Caminha é um registro que relata a chegada dos portugueses ao território brasileiro. Reconhecida como o primeiro documento literário sobre a história do Brasil, foi escrita por Pero Vaz de Caminha, que exercia a função de escrivão da expedição. No texto, ele descreve em detalhes o desembarque dos europeus, os primeiros encontros com os povos indígenas e as características naturais e culturais da nova terra. A carta foi encaminhada ao rei de Portugal, Dom Manuel I, por intermédio de Gaspar Lemos.
Com a chegada dos colonizadores, a escrita tornou-se um instrumento fundamental para a gestão da colônia, bem como para a comunicação e o ensino, frequentemente substituindo as práticas orais tradicionais dos povos indígenas. A educação promovida pelos jesuítas, voltada à catequese dos indígenas, utilizavam a escrita como ferramenta de imposição religiosa. Esse modelo educativo visava inculcar valores europeus e cristãos, ignorando os saberes e práticas culturais originários. Os registros escritos passaram a ser considerados superiores às tradições orais, o que contribuiu para a desvalorização das culturas indígenas. Relatos, cartas e documentos produzidos pelos colonizadores passaram a ser tomados como verdades oficiais, silenciando e excluindo as vozes e perspectivas dos povos originários. (Buessa, 2022).
A imposição da escrita também trouxe a integração forçada de elementos da cultura europeia, moldando a identidade brasileira que surgiria posteriormente. Isso resultou em uma fusão entre as tradições indígenas e europeias, mas sob a hegemonia da cultura colonizadora. Assim muitas práticas e formas de comunicação indígenas foram silenciadas ou destruídas. As consequências foram profundas, afetando a identidade e a cultura dos povos nativos (Buessa, 2022).
Assim é possível perceber que a chegada da escrita com os portugueses ao Brasil provocou um impacto significativo nas culturas indígenas e na construção da sociedade brasileira. A Carta de Pero Vaz de Caminha, considerada a primeira fonte literária sobre o Brasil, detalha essa chegada, descrevendo os contatos iniciais entre os colonizadores e os nativos, bem como as características da terra.
Com a colonização, a escrita se tornou uma ferramenta vital para a administração, comunicação e educação, muitas vezes substituindo as tradições orais indígenas. A educação imposta pelos jesuítas focava na catequese dos indígenas, utilizando a escrita para transmitir valores europeus e cristãos, o que desconsiderava e marginalizava práticas e saberes nativos. Os registros escritos eram frequentemente vistos como mais legítimos do que as narrativas orais, criando um ciclo de desvalorização cultural.
A imposição da escrita resultou em uma fusão de elementos culturais europeus e indígenas, mas sempre sob a dominação da cultura colonizadora. Isso levou ao silenciamento de muitas práticas comunicativas indígenas e teve consequências duradouras na identidade e cultura desses povos, afetando sua capacidade de resistir e preservar suas tradições.
A ESCRITA DURANTE O PERÍODO COLONIAL
A escrita durante o período colonial no Brasil foi influenciada por diversos fatores, especialmente pela presença dos jesuítas, que introduziram uma forma de educação sistemática.
Olinda (2022), ressalta-se que a educação promovida pelos jesuítas não apenas marcou o início do processo educacional no Brasil, como também constituiu uma das contribuições mais relevantes para a formação cultural do país. Durante mais de dois séculos — especificamente por 210 anos — os jesuítas desempenharam o papel de principais agentes educadores.
Desde sua chegada, organizaram uma estrutura de ensino, estabelecendo residências e centros missionários voltados à catequese das chamadas almas “perdidas”, funcionando como mecanismos de controle espiritual e disseminação dos valores europeus. Aos poucos, foram se inserindo nas comunidades indígenas, implantando um modelo educativo de base religiosa que se expandiu por diversas regiões litorâneas. Os métodos pedagógicos e os conteúdos variavam conforme a importância das instituições e o perfil dos alunos, que podiam se preparar tanto para a vida religiosa quanto para funções civis. A formação inicial concentrava-se no ensino do catecismo e na aprendizagem da língua indígena, utilizando recursos como encenações teatrais, músicas e danças com o intuito de sensibilizar e converter os nativos. Dessa forma, as escolas — fossem fixas ou itinerantes — estabeleceram os alicerces de uma política educacional voltada à propagação da fé e à submissão espiritual.
Os jesuítas exerciam uma função que ultrapassava a simples evangelização; eles difundiam a mesma fé, a língua e os hábitos europeus entre as novas gerações. A cultura indígena, incluindo seus idiomas, foi sendo gradualmente substituída por uma cultura moldada segundo os padrões jesuíticos. No Brasil, os jesuítas implantaram dois tipos principais de ensino: a instrução elementar, destinada a crianças indígenas e filhos de colonos, e o ensino intermediário, ministrado em colégios voltados para meninos brancos que se preparavam para seguir carreiras como mestres em artes ou bacharéis em Letras. Essa organização educacional estabelecia hierarquias no acesso ao saber, favorecendo certos grupos sociais em detrimento de outros. Vale destacar que, em todas essas instituições, era vetada a presença de crianças negras — inclusive as libertas — até meados do século XVIII. (Olinda, 2022).
Com a intenção de enfraquecer a influência da Igreja e limitar o poder dos missionários jesuítas, em 1757 o Marquês de Pombal, então ministro do rei de Portugal, promoveu reformas profundas. Ele determinou a expulsão dos jesuítas do território colonial, confiscou seus bens e baniu o uso das línguas gerais, instituindo o português como idioma oficial e obrigatório no sistema de ensino no Brasil. Essas ações representaram o fim do domínio jesuítico na educação e deram início ao chamado período pombalino, marcado por uma tentativa de reorganizar a estrutura educacional e administrativa da colônia a partir de uma nova abordagem, inspirada pelos ideais do Iluminismo. (Os Povos Indígenas e o Português do Brasil, 2022).
Pode-se concluir que os jesuítas desempenharam um papel essencial na trajetória da educação no Brasil, iniciada há mais de dois séculos. Eles fundaram escolas e centros missionários, utilizando métodos que integravam ensinamentos religiosos, teatro, música e dança com o objetivo de evangelizar e influenciar culturalmente tanto os indígenas quanto os colonos. Além de difundir a fé cristã e o idioma português, os jesuítas também impuseram hábitos e valores europeus, substituindo gradualmente as tradições indígenas. O ensino era estruturado em dois níveis: o elementar, destinado a crianças indígenas e filhos de colonizadores, e o secundário, voltado para jovens brancos que se preparavam para carreiras acadêmicas.
Contudo, até o século XVIII, crianças negras — mesmo as libertas — eram excluídas dessas instituições. Em 1757, o Marquês de Pombal decretou a expulsão dos jesuítas, tomou posse de seus bens e estabeleceu o português como língua oficial do ensino, encerrando a era jesuítica na educação brasileira e dando início a um novo ciclo de reformas orientadas pelos ideais iluministas.
A ESCRITA NOS SÉCULOS XIX E XX
No decorrer do século XIX, as escolas funcionavam de forma informal, frequentemente instaladas nas casas dos professores ou em áreas rurais, ambientes pouco propícios ao aprendizado. A educação apresentava-se desorganizada e fragmentada, com uma separação evidente entre os níveis de ensino primário, secundário e, principalmente, superior. Nesse cenário social, sustentado pelo sistema feudal e pela escravidão, havia pouca disposição para fomentar a educação popular. As instituições de ensino superior, em sua maioria, contribuíam minimamente para as demandas sociais, atuando de maneira desvinculada da realidade da população (Olinda, 2022).
Olinda (2022), ressalta que, no século XIX, os escritores brasileiros seguiam rigidamente o padrão literário de Portugal, enquanto a elite buscava modernizar sua linguagem, refletindo o uso europeu por meio das universidades do Velho Continente. Nesse período, emergiu uma nova classe social — a burguesia — que defendia o liberalismo econômico e político português e lutava pela independência e consolidação da identidade nacional. No plano estilístico, reivindicavam total liberdade criativa. Contudo, de forma paradoxal, mesmo rompendo politicamente com a Europa, essa elite se formava sob forte influência europeia, especialmente pelo Parnasianismo, que valorizava a perfeição formal, a riqueza das rimas e a exatidão gramatical. Conforme Castilho (1992, citado por Olinda, 2022), o uso do português brasileiro era considerado, naquela época, um sinal de desprestígio, já que o projeto político da elite buscava a construção de uma nação “branca” e europeizada.
De modo geral no século XIX, as escolas no Brasil eram bastante informais e desorganizadas, muitas funcionando nas casas dos professores ou em fazendas, o que dificultava o aprendizado. Havia uma grande separação entre os níveis de ensino — primário, secundário e superior — e, devido ao sistema feudal e à escravidão, a educação popular não era uma prioridade. As universidades, em sua maioria, pouco contribuíam para a realidade social, operando de forma isolada. Além disso, os escritores brasileiros seguiam o modelo literário de Portugal, enquanto a elite buscava modernizar sua linguagem, influenciada pela Europa. Uma nova classe, a burguesia, defendia o liberalismo e lutava pela independência e identidade nacional. Apesar de romper politicamente com a Europa, essa elite ainda tinha forte influência europeia, especialmente pelo estilo do Parnasianismo, que valorizava a perfeição na expressão. Nesse período, falar o português brasileiro era visto como algo inferior, pois a elite desejava construir uma nação mais europeizada e “branca”.
Foi somente com o Modernismo, no século XX, que a língua brasileira começou a ser reconhecida como um estilo nacional, ao contrário do que era antes, que era considerado erro ou ignorância.
Dentro desse entendimento, a literatura modernista concebe a língua nacional a partir da variedade linguística falada no Brasil, da mesma maneira que a cultura brasileira é concebida a partir da noção de povo brasileiro ou, no dizer de Portella (1971, p. 73), “cultura nacional, ou popular, é aquela que vamos encontrar na maioria dos participantes de uma determinada comunidade” (Santos e Costa, 2019, p. 547).
Essa passagem explica que, dentro do entendimento do modernismo, a literatura brasileira valoriza a língua falada pelo povo, ou seja, a variedade linguística que é comum no Brasil. Da mesma forma, a cultura brasileira é vista a partir da ideia de que ela pertence à maioria das pessoas de uma comunidade. Para ilustrar, o autor Portella (1971, p. 73 como citado em Santos e Costa, 2019, p. 547) define cultura nacional ou popular como aquela que é encontrada na maioria dos participantes de uma comunidade, reforçando a ideia de que a cultura e a língua do povo são centrais na concepção de identidade nacional.
A análise da formação social brasileira evidencia os conflitos políticos e sociais daquele período, contribuindo para a compreensão dos desafios contemporâneos. Problemas originados na época colonial, como a ausência de um sistema educacional público estruturado e acessível a toda a população — incluindo negros, indígenas e descendentes de portugueses de diferentes etnias — ainda persistem nos dias atuais. As desigualdades raciais, linguísticas e sociais tiveram papel fundamental na construção de uma nova identidade cultural e linguística. Dessa forma, o português falado no Brasil é resultado da influência combinada dessas diversas raízes étnicas, incluindo aportes africanos, indígenas e da própria língua portuguesa (Olinda, 2022).
Podemos entender que no século XX, o Modernismo trouxe um reconhecimento da língua brasileira como um estilo nacional, anteriormente visto como erro ou ignorância. A análise social do Brasil, revela problemas políticos e sociais que continuam a influenciar a educação, como a falta de acesso a uma educação pública organizada para todos, especialmente para negros, indígenas e descendentes de diversas etnias. Os desafios contemporâneos são reflexos de raízes coloniais, onde barreiras raciais, linguísticas e sociais moldaram a identidade cultural e linguística do português brasileiro, um resultado da influência conjunta de diferentes etnias, incluindo africanas, indígenas e portuguesas.
A ESCRITA DIGITAL NO SÉCULO XXI
A escrita no século XXI passou por várias transformações importantes devido ao avanço da tecnologia e às mudanças nos hábitos de comunicação.
A comunicação escrita tornou-se dinâmica, rápida e multifacetada, refletindo as características da chamada Geração ScreenAider. Essa geração, que cresceu em meio a dispositivos eletrônicos, prioriza a velocidade e a quantidade de informações em vez da qualidade da escrita, levando a uma diminuição da ênfase em aspectos como ortografia e gramática (Costa, 2022).
O termo screenagers é um neologismo que combina as palavras screen – tela em inglês – e “teenagers” – adolescentes, fazendo referência à geração de jovens que cresceu imersa na cultura digital e no uso intensivo de dispositivos eletrônicos. Essa geração, composta por crianças e adolescentes, está constantemente conectada a telas e faz da tecnologia uma parte essencial de suas vidas cotidianas. (Barcelos et al, 2023, n.p)
Isso significa que a maior parte das crianças do século XXI priorizam mais informações vindas da tecnologia do que as transmitidas em sala de aula.
A leitura e a escrita no ambiente digital foram profundamente modificadas pela facilidade de acesso proporcionada pela internet e pelas redes sociais. Ferramentas online, como blogs e plataformas sociais, criaram novos formatos para a comunicação escrita. Isso transformou não só a maneira como recebemos informações, mas também a forma como as elaboramos, incentivando uma cultura marcada pela interatividade e rapidez (Costa, 2022).
Apesar do potencial da tecnologia para aumentar o engajamento dos estudantes, seu uso também apresenta desafios significativos, como: distrações, sobrecarga cognitiva, desigualdade de motivação, entre outros. (Tecnologia Educacional, 2024).
Além disso, as formas de interação com dispositivos eletrônicos também passaram por mudanças significativas. A popularização de assistentes de voz e da escrita por meio de comandos orais vem ganhando destaque na comunicação, alterando tanto a maneira como nos relacionamos quanto o formato dos textos gerados. Esses avanços evidenciam a necessidade de que a educação se atualize, incorporando métodos pedagógicos modernos que estejam alinhados às realidades digitais e que promovam o desenvolvimento das competências essenciais para a nova geração de alunos (Costa, 2022).
Segundo Silva et al, 2024, a tecnologia na educação configura-se como uma poderosa aliada, capaz de individualizar o ensino e estimular o interesse dos estudantes. Contudo, seu uso exige cuidado para prevenir problemas como distrações e excesso de informações, principalmente no que diz respeito ao desenvolvimento infantil. Para garantir um equilíbrio entre vantagens e desafios, é essencial que a tecnologia seja utilizada de maneira consciente, planejada e em parceria com educadores e famílias. Dessa forma, os recursos digitais podem complementar — e não substituir — as interações sociais e as atividades práticas indispensáveis para o desenvolvimento pleno das crianças.
Dessa forma, a tecnologia alterou significativamente a maneira como as crianças do século XXI assimilam informações, dando prioridade ao digital em detrimento dos métodos tradicionais, e provocou uma transformação profunda na leitura e na escrita por meio de novos formatos em plataformas digitais, incentivando a interatividade e a rapidez. Apesar do seu potencial para personalizar o ensino e envolver os alunos, a tecnologia também traz desafios, como distrações, sobrecarga mental e variações na motivação. As formas de interação com dispositivos eletrônicos, como os assistentes de voz, também revolucionaram a comunicação. Para equilibrar essas vantagens e riscos, é fundamental que a tecnologia seja empregada de modo consciente e planejado, com a cooperação entre educadores e famílias, de modo que complemente — e não substitua — as interações sociais e as atividades práticas imprescindíveis ao desenvolvimento das crianças.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A história da escrita no Brasil revela uma trajetória rica e complexa, marcada por transformações que refletem a evolução cultural e social do país. Desde os métodos de comunicação dos povos indígenas, com suas narrativas orais e grafismos, até a introdução da escrita alfabética com documentos como a Carta de Pero Vaz de Caminha, percebemos como a escrita tornou-se uma ferramenta vital para a comunicação e a preservação cultural.
Durante o período colonial, a escrita foi um privilégio de poucos, controlada por autoridades religiosas e políticas, excluindo muitas populações do acesso à educação. A proibição do ensino da leitura e escrita aos indígenas e escravizados evidencia as desigualdades sociais estruturadas que persistiram. No entanto, o século XIX trouxe uma certa democratização do ensino, mesmo que de forma informal, e o Modernismo no século XX promoveu a valorização da língua e da cultura brasileira, enfatizando a diversidade linguística do país.
Na contemporaneidade, a ascensão da escrita digital e sua manifesta presença nas redes sociais, blogs e aplicativos indica uma nova era para a comunicação. As barreiras e as desigualdades de acesso à leitura e à escrita ainda persistem, mas a tecnologia abre novas oportunidades de interação e expressão.
Portanto, a história da escrita no Brasil não é apenas uma crônica de evolução tecnológica, mas uma reflexão sobre a transformação social, cultural e política, que continua a impactar o acesso ao conhecimento e à informação em nosso contexto atual.
Este percurso destaca a importância de políticas públicas que favoreçam uma melhor distribuição de renda e o acesso à educação, para que a leitura se torne um hábito acessível a todos. Assim, a escrita reafirma seu papel essencial como um vetor de inclusão, educação e cultura.
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