Hortas urbanas: Promovendo saúde, sustentabilidade e inclusão social em ambientes urbanos

SCHOOL GARDENS AS A TOOL FOR SUSTAINABILITY

HUERTOS ESCOLARES COMO HERRAMIENTA DE SOSTENIBILIDAD

Autor

URL do Artigo

https://iiscientific.com/artigos/6D11C2

DOI

doi.org/10.63391/6D11C2

Dias, Luzimarcia Mosquini . Hortas urbanas: Promovendo saúde, sustentabilidade e inclusão social em ambientes urbanos. International Integralize Scientific. v 5, n 50, Agosto/2025 ISSN/3085-654X

Resumo

O crescimento acelerado das áreas urbanas tem provocado um distanciamento progressivo das populações em relação aos ambientes rurais e ao conhecimento tradicional relacionado à agroecologia, especialmente no que tange à produção de alimentos orgânicos. Essa separação física das zonas naturais e agrícolas resulta na perda de uma relação fundamental com a terra, que vai além do simples cultivo: envolve também aspectos culturais, sociais e de saúde. Estudos indicam que o contato direto com a natureza é crucial para o bem-estar físico e emocional das pessoas, promovendo benefícios que se refletem na qualidade de vida. Diante desse cenário, diversas instituições de ensino vêm adotando hortas escolares como uma estratégia educativa para resgatar saberes ancestrais e fortalecer o vínculo dos estudantes com o meio ambiente, estimulando práticas sustentáveis e uma compreensão mais profunda sobre a origem dos alimentos.
Palavras-chave
hortas escolares; sustentabilidade; educação ambiental.

Summary

The rapid growth of urban areas has led to a progressive disconnection between populations and rural environments, as well as traditional knowledge related to agroecology—especially concerning the production of organic food. This physical separation from natural and agricultural zones results in the loss of a fundamental relationship with the land, which goes beyond mere cultivation: it also involves cultural, social, and health-related aspects. Studies show that direct contact with nature is crucial for people’s physical and emotional well-being, bringing benefits that are reflected in quality of life. In response to this scenario, various educational institutions have adopted school gardens as an educational strategy to reclaim ancestral knowledge and strengthen students’ connection with the environment, encouraging sustainable practices and a deeper understanding of where food comes from.
Keywords
school gardens; sustainability; environmental education.

Resumen

El crecimiento acelerado de las áreas urbanas ha provocado un distanciamiento progresivo de las poblaciones respecto a los entornos rurales y al conocimiento tradicional relacionado con la agroecología, especialmente en lo que se refiere a la producción de alimentos orgánicos. Esta separación física de las zonas naturales y agrícolas resulta en la pérdida de una relación fundamental con la tierra, que va más allá del simple cultivo: también involucra aspectos culturales, sociales y de salud. Estudios indican que el contacto directo con la naturaleza es crucial para el bienestar físico y emocional de las personas, promoviendo beneficios que se reflejan en la calidad de vida. Ante este escenario, diversas instituciones educativas han adoptado huertos escolares como una estrategia pedagógica para rescatar saberes ancestrales y fortalecer el vínculo de los estudiantes con el medio ambiente, fomentando prácticas sostenibles y una comprensión más profunda sobre el origen de los alimentos.
Palavras-clave
huertos escolares; sostenibilidad; educación ambiental.

INTRODUÇÃO

Durante muito tempo, a humanidade explorou os recursos naturais de maneira indiscriminada, sem considerar as consequências a longo prazo dessa exploração excessiva. Com o avanço dos estudos sobre os problemas ambientais, foram propostas diversas soluções para reduzir os impactos negativos causados pelo ser humano à natureza. Entre essas alternativas, destaca-se a necessidade de a sociedade adotar uma postura sustentável, que consiste em utilizar os recursos naturais de forma equilibrada, respeitando sua capacidade de regeneração, e em reduzir os índices de degradação ambiental. Assim, o conceito de sustentabilidade passou a ser compreendido como um modelo de desenvolvimento que busca harmonizar o uso dos recursos naturais com a preservação do meio ambiente para as futuras gerações (Paixão, Silva, Rocha Filho, 2023).

Matias (2009), em seu estudo, realiza uma análise das mudanças nos perfis demográfico e epidemiológico no Brasil. O autor observa uma redução da desnutrição e um aumento significativo do sobrepeso e da obesidade infantil, configurando a transição nutricional e tornando esses problemas uma preocupação global de saúde pública. Diante desse cenário, torna-se cada vez mais urgente promover a conscientização sobre saúde, bem-estar e meio ambiente desde a infância, especialmente no ambiente escolar, que é fundamental para a formação de hábitos e valores. 

As práticas de cuidado ambiental, aliadas a ações relacionadas à nutrição, precisam ser incentivadas desde os primeiros anos da Educação Escolar, a fim de promover a formação e o fortalecimento de hábitos saudáveis, conscientes e sustentáveis, que acompanharão os indivíduos ao longo de toda a vida (Ferreira, et al. 2025).

Nesse sentido, as hortas escolares surgem como espaços pedagógicos valiosos, funcionando como laboratórios vivos que estimulam a adoção de práticas saudáveis e o desenvolvimento da consciência ambiental, preparando crianças para se tornarem adultos mais conscientes e responsáveis no futuro (Matias, 2009).

A horta desempenha um papel fundamental na vida das pessoas, oferecendo diversos benefícios que vão além da simples produção de alimentos. No contexto escolar, Borges (2020), esclarece que ela se destaca como uma valiosa ferramenta pedagógica, capaz de enriquecer o processo de ensino-aprendizagem. Ao integrar a horta ao ambiente educacional, é possível promover o aprendizado de diferentes disciplinas por meio de atividades práticas e envolventes, que despertam o interesse e o prazer dos alunos. Além disso, essa prática contribui para a aproximação entre estudantes, professores, funcionários e famílias, fortalecendo os vínculos e criando um ambiente de cooperação e integração dentro da comunidade escolar.

Nesse sentido, a criação de uma horta escolar, enquanto estratégia de educação ambiental, oferece à comunidade escolar a oportunidade de compreender de forma mais profunda a importância do meio ambiente, a relevância de hábitos alimentares saudáveis e a necessidade de utilizar a terra de maneira responsável e sustentável (Santos, 2019).

Ao integrar a horta ao ambiente escolar, cria-se um verdadeiro laboratório vivo que possibilita a realização de diversas atividades pedagógicas voltadas à educação ambiental e alimentar. Essa prática permite a conexão entre teoria e prática de forma contextualizada, facilitando o processo de ensino-aprendizagem em diferentes disciplinas. Além disso, promove o fortalecimento das relações interpessoais ao incentivar o trabalho coletivo e cooperativo entre todos os envolvidos na comunidade escolar (Silva, et al. 2023).

Cribb (2018), concorda e contribui com o tema ao abordar sobre as atividades desenvolvidas na horta escolar. Segundo o referido autor, o ambiente de cultivo desempenha um papel importante ao ajudar os alunos a entenderem os riscos associados ao uso de agrotóxicos para a saúde humana e o meio ambiente. Além disso, promove a conscientização sobre a necessidade de preservar o ambiente escolar e fortalece habilidades como o trabalho em equipe e a cooperação. A horta também oferece um contato mais direto com a natureza, especialmente importante para crianças que vivem em áreas urbanas e têm pouco acesso ao meio natural.

A horta escolar pode ser utilizada como um recurso didático multidisciplinar, integrando disciplinas como Biologia, Ciências, Geografia, Matemática, Língua Portuguesa, Artes, entre outras. Silva, e seus colaboradores (2023), afirmam que ao conectar o conhecimento prático ao teórico, ela promove a educação alimentar e ambiental, além de fortalecer o convívio familiar e social. Dessa forma, a horta contribui para a formação de hábitos alimentares saudáveis, o desenvolvimento de cuidados com o meio ambiente e funciona como um laboratório vivo para o ensino de diversos conteúdos curriculares.

Ao combinar a prática do cultivo de alimentos com os conteúdos abordados em sala de aula, os alunos assimilam novos conceitos de maneira lúdica e prática, fortalecendo o conhecimento teórico por meio das conexões estabelecidas (Cancelier, Beling, Facco, 2020). Nesse sentido, a implantação de hortas escolares configura-se como uma iniciativa transdisciplinar que envolve toda a equipe educativa, visando tanto objetivos pedagógicos quanto a formação de hábitos ambientais e alimentares saudáveis. A horta, assim, torna-se um espaço para a discussão de diversos conteúdos e para a promoção da interdisciplinaridade no processo de ensino-aprendizagem (Matias, 2019).

O propósito desta investigação é explorar o cultivo de hortas escolares, promover a educação ambiental e alimentar, e sensibilizar a comunidade escolar para a importância da preservação dos recursos naturais e da adoção de hábitos saudáveis. Os objetivos secundários da pesquisa incluem: 1) Analisar os benefícios do cultivo de hortas em ambiente escolar; 2) Impactos das hortas escolares na comunidade por meio de estudos de caso; 3) Enfatizar a importância da sustentabilidade, ciclos naturais e preservação do meio ambiente.

O método de desenvolvimento do estudo é qualitativo e exploratório que caracterizam as pesquisas bibliográficas. A consulta para seleção dos artigos foi realizada nas plataformas de bancos de dados como Scielo e Google Acadêmico, por meio de descritores: Hortas escolares, sustentabilidade, educação ambiental, nutrientes, alimentação saudável, agrotóxicos, alimentação orgânica.

OS BENEFÍCIOS DO CULTIVO DE HORTAS NO AMBIENTE ESCOLAR: APRENDIZADO, SUSTENTABILIDADE E BEM-ESTAR

O crescimento acelerado das áreas urbanas tem provocado um distanciamento progressivo das populações em relação aos ambientes rurais e ao conhecimento tradicional relacionado à agroecologia, especialmente no que tange à produção de alimentos orgânicos. Estudos indicam que o contato direto com a natureza é crucial para o bem-estar físico e emocional das pessoas, promovendo benefícios que se refletem na qualidade de vida. Diante desse cenário, diversas instituições de ensino vêm adotando hortas escolares como uma estratégia educativa para resgatar saberes ancestrais e fortalecer o vínculo dos estudantes com o meio ambiente, estimulando práticas sustentáveis e uma compreensão mais profunda sobre a origem dos alimentos (Macanha, Moreira, Moreira Chedier, 2024).

Desdobrando a discussão previamente apresentada, os autores D’elia e Teixeira Júnior (2024), definem Educação Ambiental como um elemento fundamental e contínuo no processo educativo, devendo ser integrada tanto em ambientes formais quanto não formais de ensino. Nesse contexto, a criação de hortas em escolas surge como uma prática alinhada a essa diretriz legal, promovendo a articulação entre conceitos científicos, habilidades práticas e atividades do cotidiano. Ao unir teoria e prática de maneira contextualizada, as hortas escolares contribuem para o processo de ensino-aprendizagem, incentivando o trabalho em equipe e a cooperação entre alunos e funcionários. A inserção de hortas nas instituições de ensino proporciona aos estudantes uma interação mais profunda com o mundo natural, onde a participação ativa estimula a experimentação, análise e reflexão sobre os dados observados na natureza.

A importância da educação ambiental no contexto escolar está legalmente fundamentada, sendo compreendida como um processo formativo essencial para o desenvolvimento de atitudes sustentáveis e conscientes. De acordo com a Lei nº 9.795/99:

Entende-se por educação ambiental os processos por meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade. (Brasil, 1999, Art. 1º).

Nesse sentido, a horta escolar configura-se como um ambiente de aprendizagem prática que favorece a interação entre professores e alunos, além de envolver as famílias e a comunidade local no desenvolvimento de atividades educativas. Essas ações possibilitam a abordagem de temas transversais importantes, como educação para a saúde, cultura, meio ambiente, qualidade de vida e práticas agroecológicas, entre outros. Essa dinâmica colaborativa fortalece o ensino contextualizado e promove a interdisciplinaridade no ambiente escolar, especialmente nos primeiros anos do ensino fundamental, contribuindo para uma formação mais integrada e significativa dos estudantes (Silva, et al. 2023).

Estudiosos afirmam que implementação do método de ensino por meio de hortas no ambiente escolar contribui significativamente para a formação integral dos estudantes. Isso ocorre porque essa prática permite abordar uma ampla variedade de temas em diferentes áreas do conhecimento, utilizando diversas estratégias pedagógicas. Dessa forma, promove-se o desenvolvimento de uma postura crítica e reflexiva nos educandos, fortalecendo a consciência sobre as questões ambientais e ressaltando a importância de adotar estilos de vida que minimizem os impactos negativos ao meio ambiente (Ferreira, et al. 2025).

Matias (2019), destaca que diversos estudos ressaltam a importância de incentivar a implantação de hortas nas escolas, pois essa prática promove desde a infância o respeito pelo meio ambiente. Quando as crianças participam ativamente do cultivo dos seus próprios alimentos, vivenciam uma experiência que desperta nelas um senso de responsabilidade e orgulho ao acompanharem todas as etapas do processo produtivo. Além disso, essa vivência contribui para a transmissão de valores essenciais, como educação, cooperação e compromisso social, fortalecendo os vínculos com a comunidade em que estão inseridas.

Diversos estudiosos destacam os benefícios das hortas no contexto escolar. Cribb (2018), por exemplo, cita o cultivo nas escolas como um importante estímulo proporcionado pelas hortas escolares e a oportunidade de sair da sala de aula tradicional para realizar atividades práticas em um ambiente ao ar livre, em contato direto com a terra e a água. Nesse espaço, os estudantes aprendem a preparar o solo, compreendem os ciclos de semeadura, plantio e cultivo, além de desenvolverem cuidados com as plantas, colhendo e consumindo os alimentos que cultivaram. Essas experiências não apenas tornam o aprendizado mais prazeroso, mas também promovem o respeito pela terra. Além disso, esse contato prático contribui para que os alunos entendam que o solo fértil é habitado por bilhões de organismos vivos, especialmente microrganismos que desempenham papéis essenciais nas transformações químicas necessárias para a manutenção da vida no planeta.

Matias (2019), corrobora com o autor citado anteriormente ao afirmar, em seu artigo, que nas atividades escolares orientadas pela educação ambiental, o espaço agrícola escolar se destaca como um recurso pedagógico valioso que possibilita a integração entre teoria e prática. Por meio da horta, é viável abordar conteúdos de maneira transdisciplinar, conectando conhecimentos relacionados às dimensões ambientais, econômicas, sociais, culturais e políticas, além de refletir sobre os hábitos alimentares predominantes nas diferentes sociedades. A construção e o cuidado com a horta permitem que os estudantes desenvolvam variadas habilidades, ampliem suas concepções e adotem práticas colaborativas, ao mesmo tempo em que passam a valorizar os alimentos consumidos e sua qualidade (Matias, 2019).

Em encerramento à discussão apresentada, Ferreira e seus colaboradores (2025), apontam sobre o cultivo de alimentos com as próprias mãos e as experiências vivenciadas em contato direto com a natureza ou em ambientes ao ar livre tendem a promover atitudes ambientais mais positivas em comparação com aquelas pessoas que têm menos contato prático. É fundamental que os estudantes percebam o meio ambiente não como algo distante, mas como parte integrante do seu cotidiano. Para isso, o ensino da educação ambiental deve ser multidisciplinar, ampliando as possibilidades de sucesso no processo de ensino-aprendizagem e incentivando o consumo consciente e o uso responsável dos recursos naturais.

IMPACTOS DAS HORTAS ESCOLARES NA COMUNIDADE: UMA ANÁLISE BASEADA EM ESTUDOS DE CASO

A fim de demonstrar de forma mais concreta as contribuições das hortas escolares, Silva, et al. 2023 selecionaram pesquisas que documentam suas aplicações e impactos. Um estudo realizado na comunidade rural do assentamento Boa Fé, em Mossoró, Rio Grande do Norte teve como propósito expandir o entendimento teórico e prático sobre a relevância da implementação de hortas agroecológicas em escolas, envolvendo a comunidade local e promovendo a capacitação de professores e alunos do ensino fundamental. 

Os referidos autores observaram grande interesse dos alunos pelas atividades de cultivo, e a horta escolar mostrou-se eficaz no fortalecimento do ensino interdisciplinar e contextualizado, integrando conhecimentos de diversas áreas. Além disso, as hortaliças cultivadas foram utilizadas para enriquecer a alimentação escolar e estimular nos alunos o hábito de consumir alimentos mais saudáveis.

Adicionalmente, um estudo relevante sobre a efetividade das hortas escolares foi conduzido na Escola Municipal de Ensino Infantil Rufina Maria da Conceição, visando dinamizar os conteúdos do currículo escolar e avaliar a percepção da equipe escolar e dos alunos sobre sua implementação, bem como seu desempenho como estratégia de educação ambiental e alimentar. Os alunos demonstraram grande interesse e comprometimento nas atividades, especialmente no plantio, que foi apontado como sua atividade favorita, o que também favoreceu sua aproximação com a cultura local. A implantação de hortas escolares mostrou-se eficaz para o desenvolvimento intelectual e pedagógico, facilitando a assimilação dos conteúdos escolares, além de promover responsabilidade social, consciência ambiental, hábitos alimentares saudáveis e o espírito de cooperação (Matias, 2019).

Resultado de um projeto de extensão universitária, este estudo teve como objetivo compreender de que maneira a Educação Ambiental (EA) pode contribuir para a conscientização e a participação em questões ambientais, com foco na promoção da sustentabilidade. Para isso, foi concebida uma horta em uma escola pública de ensino fundamental no município de Soledade, Rio Grande do Sul, acompanhando todas as etapas do seu desenvolvimento (Paixão, Silva, Rocha Filho, 2023). 

A horta escolar, enquanto ferramenta de EA, funcionou como um meio de engajamento da comunidade escolar, buscando promover a conscientização, a preservação e a sensibilização ambiental, além de fomentar um diálogo contínuo entre as relações sociais, o meio ambiente e a comunidade. Como expressão da interdisciplinaridade, o projeto possibilitou novas reflexões e o repensar das práticas docentes, evidenciando a necessidade de formação dos estudantes por meio de oportunidades de aprendizagem em cada etapa do projeto, potencializando sua autonomia, competências e habilidades (Paixão, Silva, Rocha Filho, 2023). 

Como fechamento da discussão, Macanha, Moreira e Moreira Chedier (2024), realizaram um estudo que teve como objetivo implementar uma sequência didática em uma escola estadual de Juiz de Fora, Minas Gerais, com o intuito de promover a educação ambiental por meio da utilização de uma horta escolar. Essa iniciativa buscou sensibilizar a comunidade escolar em relação ao meio natural e fortalecer os conhecimentos agroecológicos. 

A sequência didática do estudo citado, foi realizada ao longo de quatro dias, combinando aulas teóricas, atividades práticas na horta, jogos educativos e momentos de culinária. Observou-se que os alunos apresentaram maior interesse e participação nas atividades práticas, absorvendo conteúdos e desenvolvendo uma percepção mais aguçada sobre questões ambientais. Dessa forma, conclui-se que a sequência didática, integrada ao uso da horta como recurso pedagógico, contribuiu significativamente para o ensino da educação ambiental, o aprendizado botânico e a promoção de uma maior conscientização e adoção de hábitos saudáveis entre os estudantes.

Com base nas pesquisas analisadas, fica evidente que a implantação de hortas escolares representa uma estratégia pedagógica eficaz para promover a educação ambiental e alimentar, estimulando o envolvimento ativo dos alunos e da comunidade escolar. As hortas não apenas fortalecem o ensino interdisciplinar e contextualizado, como também contribuem para o desenvolvimento de competências cognitivas, sociais e emocionais, além de incentivar hábitos alimentares mais saudáveis e a consciência ambiental. A integração de atividades práticas, teóricas e lúdicas, como demonstrado nos diferentes estudos, potencializa a aprendizagem e a autonomia dos estudantes, consolidando a horta escolar como um importante espaço de formação crítica e cidadã, alinhado aos princípios da sustentabilidade e da preservação ambiental (Borges, 2020).

A IMPORTÂNCIA DA SUSTENTABILIDADE E DA PRESERVAÇÃO DOS CICLOS NATURAIS

A responsabilidade social no ambiente escolar é um componente essencial para a promoção da sustentabilidade, pois vai além da simples transmissão de conhecimentos, envolvendo a formação integral dos estudantes enquanto cidadãos conscientes e atuantes. Ao incentivar a responsabilidade social, a escola contribui para a construção de uma consciência coletiva que valoriza a preservação ambiental, o respeito às diversidades culturais e o compromisso com o desenvolvimento sustentável. Esse processo promove o engajamento dos alunos em ações que dialogam diretamente com as necessidades e desafios da comunidade onde estão inseridos, fortalecendo vínculos e criando um senso de pertencimento e cooperação (Borges, 2023).

Santos (2019), menciona que o papel da educação no contexto da sustentabilidade é fundamental para conscientizar sobre a importância da autossustentabilidade como uma forma de minimizar os impactos negativos gerados pelo modelo capitalista vigente, que muitas vezes é insustentável e predatório. Esse sistema econômico, caracterizado por um consumo excessivo e exploração desenfreada dos recursos naturais, afeta de maneira mais direta e severa as populações das classes média e baixa, ampliando desigualdades sociais e ambientais. 

A educação, portanto, segundo Santos (2019), deve promover uma reflexão crítica sobre esses processos, incentivando práticas que valorizem a preservação ambiental, o uso responsável dos recursos e a construção de estilos de vida mais equilibrados e sustentáveis. Dessa forma, torna-se possível formar cidadãos capazes de agir de maneira consciente e transformadora, contribuindo para a construção de uma sociedade que respeite os limites do planeta e promova justiça social.

A principal missão da escola é criar um ambiente saudável e alinhado aos valores e conhecimentos que deseja transmitir aos seus alunos. Esse espaço deve ser coerente com os objetivos educacionais, de modo que possa efetivamente contribuir para a formação da identidade dos estudantes como cidadãos conscientes de suas responsabilidades ambientais. Ao proporcionar experiências e aprendizagens que valorizem o cuidado com o meio ambiente, a escola estimula atitudes proativas de proteção, conservação e melhoria do entorno natural. Dessa forma, os alunos não apenas assimilam conteúdos acadêmicos, mas também desenvolvem uma postura ética e comprometida, tornando-se agentes ativos na promoção da sustentabilidade e na construção de um futuro mais equilibrado para a sociedade (Cancelier, Beling, Facco, 2020).

Paixão, Silva e Rocha Filho (2023), defendem que a educação desempenha um papel fundamental para o desenvolvimento sustentável, pois é um instrumento essencial para estimular a criação e a adoção de alternativas e práticas que promovam a sustentabilidade: 

A sustentabilidade e a educação ambiental (EA) têm relação com o desenvolvimento sustentável, uma vez que as tarefas do cotidiano podem ser realizadas com menor impacto ao meio ambiente, podendo promover uma mudança de hábitos na sociedade […] a  construção  de  ações  sociais  e  culturais  no  ambiente  escolar pode  estimular  o desenvolvimento  sustentável,  visando  ao  papel  mediador  da educação nos processos de criação da cidadania, consciência coletiva, valores sociais e ambientais, voltados para sensibilização, compreensão e a essência de obter uma qualidade de vida sustentável (Paixão; Silva; Rocha Filho, 2023, p. 3).

Em síntese, Borges (2024), afirma que evidenciar os benefícios da sustentabilidade no ambiente escolar é fundamental, considerando o impacto positivo que essas práticas exercem no desenvolvimento dos alunos, tanto em nível individual quanto coletivo. Ao oferecer experiências concretas que demonstram como a sustentabilidade contribui para a melhoria da qualidade de vida, a preservação dos recursos naturais e o fortalecimento de uma consciência crítica, a escola se configura como um espaço ideal para a formação de cidadãos responsáveis e engajados. Esses indivíduos estarão mais bem preparados para enfrentar os desafios ambientais atuais e futuros, atuando de maneira consciente e proativa na promoção de um desenvolvimento sustentável e equilibrado para a sociedade.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Com base na análise dos estudos apresentados, fica evidente que a adoção de práticas sustentáveis e a implementação de hortas escolares desempenham um papel fundamental no fortalecimento da educação ambiental e alimentar. Conforme discutido por Paixão, Silva e Rocha Filho (2023), a sustentabilidade deve ser compreendida como um modelo de desenvolvimento que busca equilibrar o uso dos recursos naturais com a preservação ambiental, garantindo qualidade de vida para as futuras gerações. A escola, nesse contexto, se destaca como espaço privilegiado para a formação de cidadãos mais conscientes e responsáveis, capazes de adotar atitudes que minimizem os impactos negativos ao meio ambiente.

A literatura aponta que a integração de hortas ao ambiente escolar contribui para a promoção de hábitos alimentares saudáveis, o desenvolvimento de competências socioemocionais e a valorização do trabalho coletivo (Matias, 2019; Ferreira et al., 2025). Além disso, a horta escolar se consolida como um laboratório vivo, onde teoria e prática se encontram, permitindo a abordagem de conteúdos de forma transdisciplinar e contextualizada (Silva et al., 2023; Cancelier, Beling, Facco, 2020). Essa vivência prática, segundo Cribb (2018), também favorece a compreensão dos ciclos naturais, do papel dos microrganismos no solo e da importância de preservar o meio ambiente.

Os estudos de caso analisados demonstram que a horta escolar é capaz de impactar positivamente toda a comunidade, promovendo o engajamento de alunos, professores e famílias (Santos, 2019; Macanha, Moreira, Moreira Chedier, 2024). A participação ativa dos estudantes nas atividades de cultivo desperta o senso de responsabilidade, orgulho e pertencimento, além de estimular a cooperação e o respeito à diversidade cultural e ambiental (Matias, 2019; Paixão, Silva, Rocha Filho, 2023). Tais experiências reforçam a importância de uma educação ambiental multidisciplinar, que valorize o consumo consciente e o uso responsável dos recursos naturais (Ferreira et al., 2025).

Diante disso, conclui-se que as hortas escolares são ferramentas pedagógicas eficazes para a promoção da sustentabilidade, da saúde e da cidadania. Elas proporcionam benefícios que vão além do ambiente escolar, contribuindo para a formação de indivíduos mais críticos, autônomos e comprometidos com a construção de uma sociedade sustentável. Portanto, investir em práticas educativas que integrem o cultivo de hortas ao currículo escolar é fundamental para enfrentar os desafios ambientais contemporâneos e para garantir um futuro mais equilibrado e saudável para todos.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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BORGES, Fernanda Almeida. Análise da viabilidade econômica de investimentos em ações de educação ambiental como ferramenta para aumentar a participação popular no município de Venda Nova do Imigrante. Especialização em Educação Ambiental e Sustentabilidade. Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Espírito Santo, Campus Ibatiba, 2020.

CANCELIER, Janete Webler; BELING, Helena Maria; FACCO, Janete. A educação ambiental e o papel da horta escolar na educação básica. Revista de Geografia (Recife), v. 37, n. 2, 2020.

CRIBB, Sandra Lucia de Souza Pinto. Educação ambiental através da horta escolar: algumas possibilidades. Educação Ambiental em Ação, , v. 62, n. 1, p. 1–11, jan. Novo Hamburgo 2018.

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FERREIRA, Kesley Gadelha et al. Hortas escolares: práticas de educação ambiental nos reassentamentos urbanos coletivos (RUCs) de Altamira, Pará. Revista Foco, v. 18, n. 4, e8222, p. 1–14, 2025.

MACANHA, Flávio Lucas; MOREIRA, Breno; MOREIRA CHEDIER, Luciana. Hortas escolares como ferramenta de Educação Ambiental. Lynx, v. 4, p. 1–14, set. 2024. Juiz de Fora-MG

MATIAS, Rayane Santos de Lucena. Hortas escolares como estratégia de educação ambiental e alimentar para estudantes da educação infantil. Especialização em Gestão dos Recursos Ambientais do Semiárido. Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Paraíba, Diretoria de Desenvolvimento de Ensino, Picuí, PB, 2019.

PAIXÃO, Rozenir Veise da; SILVA, Luciano Racts Claudio da; ROCHA FILHO, João Bernardes da. Horta escolar como preceito à educação ambiental: estudo de caso em uma escola pública de ensino fundamental em Soledade-RS. Revista Extensão em Foco, v. 11, n. 2, 2023.

SANTOS, Ronielson Alves dos. Sustentabilidade: a horta escolar como estratégia de educação ambiental. 2019. Licenciatura em Ciências Biológicas. Universidade Federal de Sergipe, Centro de Educação Superior à Distância, Programa Universidade Aberta do Brasil, São Cristóvão, SE, 2019.

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Dias, Luzimarcia Mosquini . Hortas urbanas: Promovendo saúde, sustentabilidade e inclusão social em ambientes urbanos.International Integralize Scientific. v 5, n 50, Agosto/2025 ISSN/3085-654X

Referencias

Vivian Caroline Coraucci.
BAILEY, C. J.; LEE, J. H.
Management of chlamydial infections: A comprehensive review.
Clinical infectious diseases.
v. 67
n. 7
p. 1208-1216,
2021.
Disponível em: https://academic.oup.com/cid/article/67/7/1208/6141108.
Acesso em: 2024-09-03.

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