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Resumo
INTRODUÇÃO
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição relacionada ao desenvolvimento neurológico que influencia diretamente a forma como a criança se comunica, se comporta e se relaciona com o mundo ao seu redor. Dados atuais indicam que, aproximadamente, uma em cada 54 crianças recebe esse diagnóstico, o que evidencia a necessidade de uma compreensão mais profunda sobre as especificidades de seu comportamento social. Isso porque a comunicação e a convivência com os outros são pilares essenciais para a construção da identidade e para o amadurecimento emocional na infância — dimensões que, no caso do TEA, podem ser marcadas por importantes desafios.
As manifestações sociais e comunicativas entre crianças com TEA são bastante variadas, o que torna cada trajetória única. Algumas crianças podem encontrar grandes obstáculos tanto na fala quanto na expressão corporal, enquanto outras demonstram facilidade verbal, mas ainda assim enfrentam barreiras para interpretar sutilezas sociais e manter vínculos com os colegas. Essas dificuldades, quando não compreendidas com sensibilidade, podem levar à solidão, à ansiedade e a frustrações que afetam profundamente sua qualidade de vida.
Mesmo assim, é essencial que o olhar lançado sobre essas crianças vá além das limitações. Muitas vezes, elas demonstram sentimentos, pensamentos e afetos por caminhos não usuais, que escapam das normas sociais mais comuns. Cada gesto, olhar ou silêncio pode carregar significados importantes que merecem atenção e respeito. A forma como interagem com o mundo pode ser diferente, mas não menos válida. Essa diversidade exige a revisão das práticas adotadas, abrindo espaço para propostas pedagógicas e terapêuticas, que sejam mais inclusivas, acolhedoras e capazes de reconhecer os potenciais que florescem em formas diversas de existir e se comunicar.
Figura 01 – TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA (TEA)

FONTE: Academia do Autismo (2025)
Este artigo se propõe a mergulhar na complexidade que envolve o comportamento social de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), buscando ampliar o olhar sobre suas vivências e trajetórias. O foco está não apenas nos desafios cotidianos enfrentados por essas crianças, mas também nas possibilidades concretas de ampliar suas oportunidades de interação social de forma mais significativa e humanizada. Elementos como empatia, uso de recursos comunicativos alternativos e práticas de intervenção baseadas em evidências serão explorados como caminhos possíveis para facilitar essas interações. A ideia central é contribuir para a construção de ambientes em que as crianças com TEA se sintam reconhecidas, acolhidas e compreendidas em suas formas únicas de ser e de se relacionar com o outro.
No decorrer da discussão, destaca-se que a compreensão do comportamento social dessas crianças precisa estar pautada precisa estar pautada por uma escuta sensível e pela valorização das suas singularidades. Promover a inclusão social, nesse contexto, ultrapassa o simples acesso a espaços comuns; trata-se de possibilitar o desenvolvimento de habilidades relacionais autênticas e significativas. De acordo com Shimizu (2014), muitas vezes, crianças com TEA necessitam de apoio direcionado para desenvolver competências que envolvem a percepção da realidade social, a comunicação e os vínculos interpessoais, o que exige uma atenção cuidadosa às suas necessidades individuais.
Essa abordagem, voltada para o acolhimento e a construção de pontes afetivas, ganha ainda mais força quando se entende que dificuldades comunicativas e de socialização não devem ser encaradas como barreiras intransponíveis. Como lembra Andrade (2017), esses desafios podem representar, na verdade, pontos de partida para a criação de estratégias que ampliem o diálogo e incentivem a inclusão. Ao reconhecer essas possibilidades, educadores, terapeutas e familiares são convidados a rever suas práticas e a desenvolver ambientes mais abertos à diversidade das formas de interação social.
Nesse cenário, o papel das intervenções baseadas em evidências torna-se essencial, especialmente quando essas intervenções estão focadas na promoção de habilidades sociais em contextos estruturados e acolhedores. Souza (2016) destaca a importância de ambientes seguros e estimulantes, nos quais a criança com TEA se sinta motivada a interagir, sem o receio de ser julgada ou incompreendida. Essa segurança emocional é uma base sólida para o florescimento de suas capacidades relacionais.
A inclusão, no entanto, não se limita ao espaço escolar. Ela se estende à família, aos grupos sociais e à comunidade em geral. Lima (2018) ressalta que promover a inclusão de crianças com TEA é um compromisso que precisa ser compartilhado entre todos — educadores, famílias e sociedade. Somente com essa corresponsabilidade é possível criar ambientes que verdadeiramente favoreçam o vínculo social e permitam o desenvolvimento integral dessas crianças. Com base nesse entendimento, o artigo examinará diferentes perspectivas e práticas que favorecem uma convivência mais justa, sensível e respeitosa.
Outro ponto de destaque é o trabalho conjunto entre profissionais de diferentes áreas. A construção de estratégias eficazes exige uma ação articulada entre psicólogos, pedagogos, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos e demais especialistas. Conforme Lima (2020), a abordagem multidisciplinar é fundamental para respeitar as particularidades de cada criança e promover seu desenvolvimento de maneira completa. Essa cooperação amplia as possibilidades de atendimento e fortalece a rede de apoio em torno da criança com TEA.
Dentro da escola, essa rede deve ser alimentada por uma postura ativa de inclusão. Oliveira (2019) lembra que a presença do aluno com TEA nas salas de aula não pode ser meramente simbólica. É preciso assegurar que a interação aconteça de forma genuína, em um ambiente que cultive o respeito às diferenças e ofereça oportunidades reais de participação. Essa perspectiva exige que as escolas não apenas recebam, mas também se adaptem e se transformem para atender às demandas da diversidade.
Formar professores e sensibilizar colegas de turma são atitudes indispensáveis nesse processo. Silva (2015) afirma que a escola é um espaço potente para despertar a empatia, contribuindo para que todos aprendam a valorizar as diferenças e a conviver com elas de maneira respeitosa. A capacitação dos educadores é, portanto, uma das chaves para criar estratégias que estimulem a convivência, combatam o preconceito e promovam a aceitação das formas distintas de expressão social que as crianças com TEA podem apresentar.
Nesse sentido, é essencial reconhecer e valorizar a forma única como cada criança enxerga o mundo. Costa (2018) aponta que cada indivíduo traz consigo uma maneira própria de se comunicar e se relacionar, e que essa singularidade precisa ser acolhida, não reprimida. Quando essa diversidade é reconhecida e respeitada, fortalece-se a autoestima da criança e cria-se um espaço onde ela se sente segura para construir vínculos verdadeiros.
Ao longo deste artigo, relatos práticos, estudos de caso e experiências revelam o impacto positivo. A intenção é oferecer subsídios teóricos e práticos que ajudem a ampliar o entendimento sobre as possibilidades de inclusão e interação para essas crianças em contextos diversos.
Ao final da reflexão, busca-se oferecer subsídios que inspirem transformações. Um mundo mais acolhedor é possível quando se reconhece o potencial presente nas diversas formas de ser e interagir.
METODOLOGIA
Este artigo foi construído a partir de uma pesquisa de natureza bibliográfica, cujo propósito foi aprofundar a compreensão sobre o comportamento social de crianças diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). A escolha pela pesquisa bibliográfica permitiu explorar esse universo por meio da análise criteriosa de produções científicas, incluindo livros, dissertações, teses e artigos acadêmicos que tratam das múltiplas dimensões do autismo e suas repercussões sociais.
A investigação partiu de um recorte bem definido: compreender as manifestações do comportamento social em crianças com TEA. Entre os objetivos traçados, destacam-se o mapeamento dos desafios enfrentados por essas crianças em situações sociais, a análise de intervenções que favoreçam sua inclusão e a reflexão sobre o papel do suporte oferecido por familiares e educadores.
O estudo se propôs a reunir estratégias eficazes que promovam a comunicação e o convívio social. Para garantir a qualidade do material analisado, foram adotados critérios rigorosos de seleção, priorizando-se obras de autores consolidados nas áreas da psicologia, pedagogia, terapia ocupacional e campos afins. A preferência por publicações recentes contribuiu para a obtenção de dados atualizados, complementados por referências clássicas que fundamentam teoricamente o tema.
A busca por fontes ocorreu em plataformas acadêmicas e bibliotecas digitais reconhecidas, como Google Scholar, Scielo, PubMed e acervos universitários. Foram utilizadas expressões-chave específicas, tais como: “comportamento social em crianças com TEA”, “intervenções sociais para autismo”, “inclusão escolar de crianças com TEA” e “suporte familiar no TEA”. As referências foram organizadas em planilhas para facilitar o cruzamento dos dados e a identificação dos temas e autores mais relevantes.
Com os dados reunidos, iniciou-se uma análise de cunho qualitativo, centrada na identificação de padrões e na recorrência de temas nas produções examinadas. Esse processo incluiu a observação de como diferentes estudiosos abordam as particularidades sociais das crianças com TEA, as propostas de intervenção e suas implicações no contexto educacional e terapêutico. O resultado foi uma síntese interpretativa, que destacou as principais contribuições para o entendimento das interações sociais nesse público específico.
Ainda que ofereça uma leitura ampla e estruturada sobre o tema, é necessário reconhecer as limitações inerentes à pesquisa bibliográfica. O foco em fontes escritas pode restringir o acesso à vivência direta das famílias e das próprias crianças com TEA, além de as interpretações dos dados estarem condicionadas ao referencial teórico adotado por cada autor. Dessa forma, os resultados aqui apresentados devem ser considerados como parte de um diálogo em constante construção.
A metodologia adotada proporcionou uma visão detalhada do comportamento social de crianças com TEA, destacando práticas que favorecem sua inclusão e o fortalecimento de suas habilidades sociais. Os achados poderão servir de base para pesquisas futuras e fomentar novas ações voltadas ao avanço do conhecimento.
ESTADO DA ARTE
A temática do comportamento social em crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) tem sido amplamente estudada nas últimas décadas, mobilizando diversas áreas do saber. Nesta seção, serão apresentados os principais avanços na compreensão desse comportamento, desde suas manifestações características até as estratégias de intervenção voltadas à socialização.
CARACTERÍSTICAS DO COMPORTAMENTO SOCIAL EM CRIANÇAS COM TEA
Estudos têm mostrado que o comportamento social em crianças com TEA envolve uma série de desafios complexos. Conforme observado por Baron-Cohen et al. (2001), essas crianças podem enfrentar dificuldades para reconhecer e interpretar sinais sociais, como expressões faciais e gestos, o que compromete a fluidez das interações com os outros. Essas limitações podem se refletir na evasão do contato visual, na dificuldade de manter uma conversa e na restrição quanto à partilha de emoções e experiências com os pares.
Complementando esse panorama, Schmidt et al. (2018) apontam que interesses restritos e comportamentos repetitivos, comuns em crianças com TEA, interferem negativamente em sua participação em atividades sociais. Esses fatores geram um padrão de interação que, muitas vezes, não se alinha às expectativas sociais convencionais, favorecendo o isolamento e dificultando a formação de vínculos afetivos com outras crianças.
INTERVENÇÕES E ESTRATÉGIAS DE INCLUSÃO
Para enfrentar tais barreiras, diversas intervenções têm sido desenvolvidas com o intuito de potencializar as habilidades sociais em crianças com TEA. Landa (2007) enfatiza a relevância de iniciar essas intervenções ainda na infância, focando na comunicação e na convivência social. Um exemplo de abordagem eficaz é o uso da Análise Comportamental Aplicada (ABA), que, ao reforçar comportamentos desejáveis em ambientes estruturados, favorece o desenvolvimento social.
Outras estratégias inovadoras também vêm sendo valorizadas, como o uso de jogos e terapias assistidas por animais. Nesse sentido, Klein et al. (2018) defendem que atividades lúdicas contribuem para o surgimento de interações espontâneas entre crianças com e sem TEA, criando um espaço mais inclusivo, no qual o aprendizado ocorre de forma colaborativa e prazerosa.
O PAPEL DA FAMÍLIA E DA COMUNIDADE
O envolvimento da família e da comunidade é apontado por muitos estudos como elemento essencial para a socialização das crianças com TEA. Hastings e Johnson (2001) ressaltam que pais e cuidadores, ao adotarem estratégias voltadas ao estímulo de interações sociais dentro do ambiente doméstico, podem impulsionar significativamente o desenvolvimento dessas habilidades. Programas de capacitação familiar têm mostrado resultados positivos nesse sentido, ajudando a melhorar tanto a qualidade de vida quanto o processo de inclusão.
Além disso, a formação continuada de profissionais da educação e a conscientização da comunidade escolar são fatores determinantes. De acordo com Cruz e Lins (2019), a inclusão de crianças com TEA na escola precisa ser encarada como uma responsabilidade coletiva. Criar um ambiente acolhedor passa por ações educativas que valorizem a diversidade e incentivem a empatia, promovendo relações respeitosas entre todos os membros da comunidade escolar.
DESAFIOS E PERSPECTIVAS FUTURAS
Apesar dos avanços no entendimento do comportamento social em crianças com TEA, ainda há muitos desafios a superar. A diversidade de manifestações dentro do espectro torna necessário adotar abordagens personalizadas, como destacam Rogers (2010), uma vez que intervenções padronizadas podem não atender às necessidades específicas de cada criança.
Outro ponto a ser explorado pelas pesquisas futuras é o potencial das tecnologias assistivas como ferramentas para promover a interação social. Aplicativos e plataformas digitais estão surgindo como alternativas promissoras para ampliar a comunicação e a participação social das crianças com TEA, abrindo novas perspectivas para o campo da intervenção.
O cenário atual revela que o estudo do comportamento social em crianças com TEA está em constante evolução, sendo enriquecido pela colaboração interdisciplinar. Com o avanço das pesquisas e das práticas, cresce também a possibilidade de oferecer respostas mais eficazes e humanizadas, que favoreçam o desenvolvimento pleno dessas crianças e a construção de uma sociedade mais inclusiva.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
A investigação bibliográfica acerca do comportamento social de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) permitiu identificar aspectos relevantes sobre os obstáculos vivenciados por essas crianças em suas interações cotidianas, além de evidenciar caminhos possíveis para favorecer sua inclusão e desenvolvimento social. A seguir, são discutidos os principais resultados encontrados, com foco nas implicações das evidências levantadas e nas estratégias que podem ser incorporadas ao contexto educacional e familiar.
Os estudos analisados mostram, de forma consistente, que as crianças com TEA enfrentam desafios profundos na construção de vínculos sociais. Conforme apontado por Baron-Cohen et al. (2001), tais dificuldades decorrem, em grande parte, de limitações na teoria da mente, o que compromete a habilidade de compreender pensamentos, emoções e intenções alheias, dificultando a interação social de forma mais espontânea.
No cenário brasileiro, Mazzone e Cia (2018) acrescentam que essas barreiras são agravadas pela carência de preparo por parte de educadores, profissionais da saúde e da própria sociedade em reconhecer e lidar com as especificidades do transtorno. Esses autores ressaltam que muitas crianças acabam se sentindo socialmente isoladas, não apenas por suas limitações cognitivas, mas também pela ausência de um olhar mais acolhedor e empático nos espaços que frequentam.
Figura 02 – Níveis de gravidade no TEA – DSM5

FONTE: Autismo Perspectivas no Dia a Dia (2025)
A evitação do olhar direto e as dificuldades em demonstrar emoções de maneira espontânea são traços frequentemente observados em crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), interferindo negativamente em suas interações sociais. De acordo com Souza et al. (2020), a limitação na leitura de expressões faciais e na compreensão de contextos sociais contribui para situações de frustração, tanto para a criança quanto para aqueles ao seu redor. Essa dinâmica pode gerar um ciclo de afastamento, no qual a criança tende a se isolar ainda mais, o que compromete significativamente seu desenvolvimento emocional e social.
Nesse cenário, as intervenções surgem como instrumentos essenciais para fortalecer as competências sociais dessas crianças. A Análise Comportamental Aplicada (ABA) tem ganhado destaque por sua eficácia, conforme relatado por Goulart e Almeida (2017), que ressaltam o valor do reforço positivo e da modelagem como estratégias centrais nesse processo.
Com intervenções cuidadosamente planejadas e adaptadas às necessidades individuais, é possível observar avanços consideráveis na qualidade das interações sociais. Além disso, abordagens baseadas em atividades lúdicas também têm mostrado bons resultados. Segundo Silva e Santos (2019), jogos educativos e brincadeiras orientadas despertam maior interesse nas crianças com TEA, ao mesmo tempo em que criam um espaço acolhedor e estruturado para o exercício das habilidades sociais. Tais práticas favorecem um aprendizado mais leve e eficiente, permitindo que a criança se relacione de forma mais espontânea.
Contudo, a efetividade dessas estratégias depende, em grande medida, da preparação dos profissionais envolvidos no processo educativo. Conforme destacam Cruz e Lins (2019), é fundamental que os educadores estejam devidamente capacitados para compreender as especificidades do TEA e aplicar, de forma sensível e consciente, as metodologias de inclusão.
Nesse contexto, o papel da família também é de extrema relevância. Hastings e Johnson (2001), assim como Pereira e Lima (2021), apontam que o engajamento familiar exerce grande influência sobre o bem-estar e a adaptação social da criança. Quando os responsáveis estão bem informados e amparados, criam um ambiente mais seguro e receptivo, onde é possível desenvolver habilidades de convivência sem medo de rejeição.
Paralelamente, é imprescindível investir na construção de uma rede de apoio comunitária que favoreça a aceitação e a empatia. Mota e Almeida (2022) reforçam que ações de sensibilização e campanhas educativas são caminhos eficazes para estimular a inclusão das crianças com TEA nos espaços coletivos.
A conscientização da sociedade contribui para quebrar estigmas e ampliar a participação desses sujeitos em atividades escolares e sociais. Além disso, a implementação de programas que incentivem a convivência entre crianças com e sem TEA pode ser um recurso valioso, conforme sugerem Borges e Sousa (2019), que destacam o potencial das dinâmicas em grupo para promover relações mais empáticas e acolhedoras entre os pares.
Apesar dos avanços obtidos na compreensão das interações sociais em crianças com TEA, ainda existem pontos que carecem de maior aprofundamento na literatura. Devido à natureza diversa do transtorno, nem todas as intervenções se mostram eficazes para todas as crianças. Silva e Santos (2019) alertam para a necessidade de ampliar os estudos a fim de identificar estratégias mais adaptadas a diferentes realidades culturais e sociais. Além disso, o impacto de ferramentas digitais, como aplicativos e jogos virtuais voltados à socialização, ainda é um campo pouco explorado, mas promissor e repleto de possibilidades.
A atuação colaborativa entre diferentes áreas do conhecimento tem se mostrado cada vez mais relevante nesse processo. A integração entre profissionais da saúde, da educação e da terapia ocupacional pode garantir um suporte mais abrangente e efetivo às crianças com TEA e suas famílias. Para Freitas e Silva (2020), essa articulação é indispensável para construir ambientes mais integrados e responsivos, capazes de promover não apenas o desenvolvimento social, mas também o fortalecimento emocional desses indivíduos.
Figura 03 – Como conversar com uma criança autista

FONTE: Academia do Autismo (2025)
A reflexão sobre o comportamento social de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) evidencia a multiplicidade dos desafios vivenciados por esse público e indica a urgência de estratégias integradas que articulem ações pedagógicas, apoio familiar e iniciativas de sensibilização social.
Os achados desta investigação sublinham o valor de iniciativas que favoreçam a inclusão e estimulem o desenvolvimento das habilidades sociais, ampliando as possibilidades de convivência, respeito e empatia nos diferentes espaços coletivos. Avançar nas pesquisas sobre o tema é fundamental para aperfeiçoar as práticas existentes e construir caminhos mais acolhedores e eficazes, garantindo não apenas o bem-estar das crianças com TEA, mas também o fortalecimento de vínculos que promovam uma sociedade mais justa, informada e solidária.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Compreender o comportamento social de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) representa um desafio complexo e multifacetado, que exige uma análise cuidadosa das particularidades presentes nas interações sociais desses indivíduos. O presente artigo realizou uma revisão da literatura disponível, evidenciando não apenas as dificuldades enfrentadas por essas crianças em suas relações sociais, mas também as intervenções que se mostram eficazes para promover seu desenvolvimento.
Entre os desafios mais frequentes estão as dificuldades para interpretar sinais não verbais, limitações na utilização da linguagem e o isolamento social, aspectos que dificultam a construção de vínculos significativos. Essas questões frequentemente geram experiências de exclusão tanto em ambientes escolares quanto em contextos sociais mais amplos, com impactos que ultrapassam a esfera da criança e reverberam na autoestima, no bem-estar emocional e na dinâmica familiar, afetando também a qualidade de vida dos pais e cuidadores. Diante dessa complexidade, torna-se evidente a necessidade de um suporte adequado, oferecido de forma integrada no âmbito familiar e educacional.
As intervenções precoces têm demonstrado resultados promissores, sobretudo quando baseadas em abordagens personalizadas que respeitam as necessidades singulares de cada criança. Métodos como a Análise Comportamental Aplicada (ABA) e a incorporação de atividades lúdicas figuram entre as estratégias que apresentam maior eficácia para o desenvolvimento de habilidades sociais. Destaca-se ainda a relevância da participação ativa dos familiares e do preparo dos educadores, elementos fundamentais para o sucesso das intervenções. Indica-se a urgência de estratégias integradas que articulem ações pedagógicas, apoio familiar e iniciativas de sensibilização social.
Além das intervenções diretas, o papel da comunidade mostra-se indispensável. A sensibilização e a educação acerca do TEA são essenciais para a construção de uma sociedade mais inclusiva. A promoção de ambientes acolhedores e empáticos pode favorecer interações mais positivas entre crianças com TEA e seus pares, estendendo-se para além do ambiente escolar, alcançando espaços sociais, recreativos e culturais onde a empatia e a compreensão precisam ser constantemente cultivadas.
Por outro lado, é necessário reconhecer que a pesquisa sobre TEA ainda apresenta lacunas significativas. A heterogeneidade do transtorno implica que nem todas as estratégias são igualmente eficazes para todas as crianças, o que indica a necessidade de investigações futuras que explorem novas abordagens, incluindo o uso de tecnologias digitais e a integração de práticas interdisciplinares envolvendo áreas como saúde, educação e terapia ocupacional. Essa colaboração multidisciplinar é crucial para o desenvolvimento de intervenções mais abrangentes e eficazes.
Em síntese, o artigo destaca a importância de uma abordagem holística que articule intervenções individualizadas, suporte familiar e a construção de redes comunitárias solidárias. Ao aprofundar nossa compreensão sobre as complexidades do comportamento social das crianças com TEA, Com isso, amplia-se a possibilidade de promover transformações significativas nas trajetórias dessas crianças e na percepção social sobre o transtorno.
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