O impacto da saúde na qualidade de vida e no bem-estar geral dos professores do ensino fundamental das escolas das redes privada e pública municipal da cidade de Pedro II, Piauí, região nordeste do Brasil-Análise de uma pesquisa de campo quantitativa

THE IMPACT OF HEALTH ON THE QUALITY OF LIFE AND OVERALL WELL-BEING OF ELEMENTARY SCHOOL TEACHERS IN PRIVATE AND PUBLIC MUNICIPAL SCHOOLS IN PEDRO II, PIAUI, NORTHEAST BRAZIL - ANALYSIS OF A QUANTITATIVE FIELD RESEARCH

EL IMPACTO DE LA SALUD EN LA CALIDAD DE VIDA Y EL BIENESTAR GENERAL DE LOS DOCENTES DE ESCUELAS PRIMARIAS EN ESCUELAS MUNICIPALES, PÚBLICAS Y PRIVADAS DE PEDRO II, PIAUI, NORDESTE DE BRASIL - ANÁLISIS DE UNA INVESTIGACIÓN DE CAMPO CUANTITATIVA

Autor

URL do Artigo

https://iiscientific.com/artigos/6EDF75

DOI

doi.org/10.63391/6EDF75

SILVA, Francisca Maria da. O impacto da saúde na qualidade de vida e no bem-estar geral dos professores do ensino fundamental das escolas das redes privada e pública municipal da cidade de Pedro II, Piauí, região nordeste do Brasil-Análise de uma pesquisa de campo quantitativa. International Integralize Scientific. v 5, n 49, Julho/2025 ISSN/3085-654X

Resumo

Este artigo apresenta resultados relevantes de uma investigação sobre as condições de saúde integral, qualidade de vida e bem-estar de professores, com foco na ampliação da compreensão e aplicação desses conceitos. O objetivo foi analisar o impacto da saúde na qualidade de vida e no bem-estar dos docentes do Ensino Fundamental das redes pública e privada do município de Pedro II, no estado do Piauí, região Nordeste do Brasil. Nesta análise, também foi realizada: a investigação da relação entre saúde, qualidade de vida e bem-estar; a avaliação do nível de satisfação desses profissionais; a identificação dos fatores influenciadores; e a proposição de estratégias de melhoria. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Integralize. A amostra foi composta por 115 professores voluntários que assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). A metodologia consistiu em uma pesquisa de campo descritiva e quantitativa, com o uso de questionários validados no Brasil, incluindo o WHOQOL, empregado para avaliar dimensões de qualidade de vida. Os dados foram analisados por meio de estatística descritiva. Os resultados contribuíram para a compreensão dos fatores que afetam a saúde, a qualidade de vida e o bem-estar docente, oferecendo subsídios importantes para a formulação de políticas públicas e o desenvolvimento de ações institucionais voltadas ao cuidado integral da categoria.
Palavras-chave
saúde do professor; qualidade de vida; bem-estar; ensino fundamental; Pedro II-PI.

Summary

This article presents relevant findings from a study on the conditions of comprehensive health, quality of life, and well-being of teachers, with a focus on expanding the understanding and application of these concepts. The objective was to analyze the impact of health on the quality of life and well-being of elementary school teachers from both public and private school systems in the municipality of Pedro II, in the state of Piauí, located in the Northeast region of Brazil. This analysis also included: investigating the relationship between health, quality of life, and well-being; assessing the level of satisfaction among these professionals; identifying influencing factors; and proposing improvement strategies. The project was approved by the Research Ethics Committee of Integralize. The sample consisted of 115 volunteer teachers who signed the Informed Consent Form (ICF). The methodology involved a descriptive and quantitative field study, using validated questionnaires in Brazil, including the WHOQOL instrument, employed to assess quality of life dimensions. Data were analyzed using descriptive statistics. The results contributed to a better understanding of the factors affecting teachers’ health, quality of life, and well-being, providing important input for the development of public policies and institutional actions aimed at the comprehensive care of this professional group.
Keywords
teacher health; quality of life; well-being; elementary education; Pedro II-PI.

Resumen

Este artículo presenta resultados relevantes de una investigación sobre las condiciones de salud integral, calidad de vida y bienestar de los docentes, con el objetivo de ampliar la comprensión y aplicación de estos conceptos. El propósito fue analizar el impacto de la salud en la calidad de vida y el bienestar de los profesores de la Enseñanza Fundamental de las redes pública y privada del municipio de Pedro II, en el estado de Piauí, región Nordeste de Brasil. En este análisis también se abordaron: la investigación de la relación entre salud, calidad de vida y bienestar; la evaluación del nivel de satisfacción de estos profesionales; la identificación de los factores influyentes; y la proposición de estrategias de mejora. El proyecto fue aprobado por el Comité de Ética en Investigación de Integralize. La muestra estuvo compuesta por 115 profesores voluntarios que firmaron el Término de Consentimiento Libre e Informado (TCLE). La metodología consistió en una investigación de campo de carácter descriptivo y cuantitativo, utilizando cuestionarios validados en Brasil, incluido el WHOQOL, empleado para evaluar dimensiones de la calidad de vida. Los datos fueron analizados mediante estadística descriptiva. Los resultados contribuyeron a la comprensión de los factores que afectan la salud, la calidad de vida y el bienestar docente, ofreciendo aportes importantes para la formulación de políticas públicas y el desarrollo de acciones institucionales orientadas al cuidado integral de esta categoría profesional.
Palavras-clave
salud del docente; calidad de vida; bienestar; enseñanza fundamental; Pedro II-PI.

INTRODUÇÃO 

A qualidade de vida (QV) constitui um constructo multidimensional que busca mensurar o bem-estar de indivíduos ou populações, considerando a interação entre fatores positivos e negativos que permeiam a existência humana em determinado momento. Entre os domínios tradicionalmente associados à QV, destacam-se a saúde integral (física, mental e espiritual), as relações interpessoais, o nível de escolaridade, as condições de trabalho, o status socioeconômico, os recursos financeiros, a percepção de segurança, a liberdade individual, a autonomia decisória, o sentimento de pertencimento social e as características do ambiente físico Morabi e Neto, 2024; (Teoli; Bhardwaj, 2025; Antoniadou, Mangoulia, Myrianthefs, 2023)

De acordo com Faustino et al. (2020), a saúde dos docentes está intrinsecamente relacionada a fatores sociais, econômicos e ambientais. Um trabalho digno, com remunerações justas e condições laborais adequadas, é fundamental para preservar o equilíbrio físico, mental e emocional do professor. Jornadas estressantes, sobrecarga de funções e a desvalorização profissional não só prejudicam seu bem-estar, mas também afetam sua produtividade e relações interpessoais (Neto et al., 2024).  Essas condições precárias criam um ciclo de desgaste que impacta diretamente a qualidade do ensino, evidenciando a necessidade de políticas que garantam direitos básicos e reconhecimento à categoria.

Para os mesmos autores as condições de trabalho, aspectos como moradia, segurança, saneamento básico eficiente, transporte adequado e alimentação balanceada são fundamentais para a qualidade de vida do docente. A educação continuada também se destaca, pois amplia oportunidades de desenvolvimento profissional, permitindo que o professor adote práticas mais saudáveis ​​e conscientes em seu cotidiano. Quando esses elementos são negligenciados, aumentam os riscos de adoecimento físico e mental, comprometendo a capacidade do educador de exercer suas funções com engajamento e efetividade (Tostes, et al., 2018).

Nesse sentido, é possível observar que a ausência de condições adequadas repercute em múltiplas dimensões: desde a piora da saúde física, marcada pelo aumento de doenças crônicas e pelo sedentarismo, até impactos emocionais, como ansiedade, estresse e síndrome de burnout. Além disso, a precariedade estrutural e a falta de apoio institucional reduzem a motivação e a autoestima docente, favorecendo sentimentos de desvalorização e exaustão. Assim, garantir esses direitos básicos não se limita a atender necessidades individuais, mas representa um investimento na qualidade do ensino e na formação integral dos estudantes, uma vez que professores saudáveis e satisfeitos desempenham melhor seu papel pedagógico e social.

Ainda de acordo com Faustino et al. (2020), os espaços de cultura, lazer e convívio social, somados a um sistema de saúde de qualidade com serviços preventivos e terapêuticos, são determinantes para mitigar o estresse e prevenir patologias como ansiedade, depressão e burnout. A saúde do professor não pode ser dissociada de seu contexto estrutural: cuidar desse profissional é investir na educação e no desenvolvimento coletivo. Assim, garantir condições dignas de vida e trabalho aos docentes transcende o indivíduo, refletindo-se na transformação positiva de toda a sociedade.

Como afirmam Cunha, Peixoto e Folha (2024), docência “se configura como sendo uma atividade complexa, interativa e multidimensional, envolvendo uma diversidade de tarefas e atuações”. Essa complexidade, aliada à extensa carga de trabalho, pode ter implicações significativas na saúde mental dos professores, potencialmente comprometendo sua qualidade de vida. A docência é reconhecida por sua complexidade, sendo multifacetada e exigente tanto cognitiva quanto emocionalmente.

À medida que a valorização do magistério declina, intensificam-se as exigências para que a escola assuma responsabilidades anteriormente atribuídas a outras esferas sociais, como a família. O docente tem acumulado múltiplas atribuições que extrapolam suas funções pedagógicas tradicionais, sendo, simultaneamente, deslegitimado e sobrecarregado. Entre suas atuais incumbências, destacam-se: potencializar o processo de aprendizagem dos estudantes, promover habilidades de convivência social, suprir deficiências estruturais da própria instituição escolar, estabelecer vínculos entre escola e comunidade, além de investir, de forma autônoma, na própria formação continuada (Monteiro, Alice Nantala Pereira, Vaz, Bárbara Regina Gonçalves Mota, Rafael Silveira da. 2020).

Nesse contexto, é imprescindível investigar como a saúde impacta na qualidade de vida e no bem-estar geral dos docentes. Segundo Cancian et al. (2023), o trabalho é reconhecido mundialmente como um fator de grande influência sobre a qualidade de vida, a saúde e o bem-estar das pessoas. No caso dos professores, essa influência tende a ser ainda mais pronunciada, considerando as demandas específicas da profissão.

Diante disso, este artigo apresenta os resultados da pesquisa intitulada “O impacto da saúde na qualidade de vida e no bem-estar geral dos professores do Ensino Fundamental das escolas das redes privada e pública municipal da cidade de Pedro II, Piauí, região Nordeste do Brasil – Análise de uma pesquisa de campo quantitativa”. O objetivo geral foi analisar tais impactos e identificar fatores associados, percepções e condições de trabalho.

A investigação partiu da necessidade de compreender como esses três aspectos fundamentais — saúde, qualidade de vida e bem-estar — se inter-relacionam e afetam o desempenho e a satisfação dos docentes em seu ambiente de trabalho.

Este estudo propõe-se a fornecer informações científicas atualizadas sobre a interação entre saúde, qualidade de vida e bem-estar no contexto da docência. Espera-se que os resultados contribuam para a conscientização dos professores quanto à importância desses aspectos em suas vidas e trajetórias profissionais, bem como para a formulação de políticas e práticas que promovam um ambiente de trabalho mais saudável e satisfatório.

A relevância deste estudo transcende a esfera individual dos professores, alcançando o processo de ensino-aprendizagem como um todo. Como afirma Paulo Freire (2001), “quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender”. Na mesma linha de pensamento, Teixeira (2007) reforça ao afirmar que “professores e estudantes se constroem, se reinventam e se influenciam mutuamente, em um processo de auto invenção que também envolve a criação do outro”. Assim, o equilíbrio e o bem-estar dos educadores impactam diretamente na qualidade da educação oferecida.

A estrutura deste trabalho contempla uma revisão da literatura sobre os conceitos de saúde, qualidade de vida e bem-estar, seguida da metodologia, que envolveu um estudo de campo com abordagem quantitativa. Os resultados foram analisados e discutidos, com o intuito de fornecer subsídios valiosos à comunidade acadêmica e aos profissionais da educação. De acordo com Chaves, Souza e Miranda (2022), os diversos fatores que contribuíram para o elevado índice observado configuram um sério alerta sobre as condições de saúde dos profissionais da educação, evidenciando a necessidade urgente de políticas públicas eficazes que atendam às demandas específicas desse segmento.

METODOLOGIA 

Este estudo caracteriza-se como uma pesquisa de campo, de natureza descritiva, com abordagem quantitativa. A investigação teve como universo professores do Ensino Fundamental das redes pública municipal e privada da cidade de Pedro II, estado do Piauí, Brasil.

A amostra foi composta por 115 docentes, selecionados de forma não probabilística por conveniência, que consentiram livremente em participar do estudo mediante a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), conforme as diretrizes éticas estabelecidas pela Resolução nº 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde.

A coleta de dados foi realizada entre os meses de janeiro e março de 2025, utilizando-se um questionário estruturado, fundamentado no instrumento World Health Organization Quality of Life (WHOQOL), previamente validado para o contexto brasileiro. O instrumento contemplou domínios relacionados à saúde física, psicológica, relações sociais e meio ambiente.

RESULTADOS E DISCUSSÃO 

De acordo com Cancian et al. (2023) e Gomes, et al. (2017), a maneira como os professores avaliam sua qualidade de vida e satisfação profissional está diretamente relacionada ao seu estado de saúde, o que pode, consequentemente, influenciar o processo de ensino-aprendizagem. Nesse sentido, compreender o perfil sociodemográfico dos docentes é fundamental para contextualizar suas condições de trabalho e bem-estar.

RELATÓRIO – INFORMAÇÕES SOCIODEMOGRÁFICAS (QUESTÕES 1 A 10)

O gráfico 1 apresenta os percentuais mais representativos de cada item analisado, facilitando a visualização geral do perfil dos professores participantes da pesquisa. 

Figura 1 – Informações sociodemográficas.

Fonte: Elaborado pela Autora (2025)

Consentimento (100%): Todos os participantes aceitaram voluntariamente participar da pesquisa, garantindo sua validade ética.

Sexo – Feminino (64,3%) / Masculino (35,7%): A maioria dos docentes participantes é do sexo feminino, refletindo a predominância feminina na profissão docente.

Estado civil – Casado(a) (53,9%): Mais da metade dos professores são casados, indicando possível estabilidade familiar.

Cor – Parda (48,7%) / Branca (44,3%): Os dados revelam predominância de professores que se autodeclaram pardos ou brancos, representando a diversidade racial local.

Escolaridade – Pós-graduado(a) (73%): A maioria dos docentes possui formação em nível de pós-graduação, evidenciando alta qualificação profissional.

Religião – Católico (80,9%): A grande maioria se identifica como católica, revelando um forte traço cultural e religioso da região.

Renda familiar – R$2.001 a R$5.000 (42,6%): A maior parte dos professores pertence à faixa de renda intermediária, entre dois e cinco salários-mínimos.

Rede de ensino – Pública municipal (53%): Mais da metade dos participantes trabalham na rede pública municipal, demonstrando o papel central da esfera pública no ensino fundamental.

Zona de atuação – Urbana (70,4%): A maior parte dos docentes atua em escolas da zona urbana, o que pode indicar maior concentração de escolas ou maior procura por trabalho nessas áreas.

Esses dados traçam um perfil sociodemográfico dos professores do município de Pedro II – PI, essencial para compreender os contextos em que exercem sua profissão e como isso pode impactar sua qualidade de vida e bem-estar.

Lima e Carvalho (2024), destacam que, desde os primórdios, a humanidade sempre procurou uma existência prolongada, entendendo que viver mais não se resume apenas à duração, mas à qualidade, diversidade e estímulos positivos. É essencial manter a mente atenta para perceber as mudanças positivas nos nossos hábitos, as quais favorecem transformações duradouras, promovendo uma harmonia perfeita entre mente e corpo (Kaiut; Kaiut e Rodrigues, 2024). Isso contribui para integrar Saúde, Qualidade de Vida e Bem-Estar em seu conceito mais completo, pois a manutenção dessa tríade deve ser um valor mais frequentemente incorporado na rotina das pessoas.

RELATÓRIO: QUALIDADE DE VIDA DOS RESPONDENTES – 26 QUESTÕES 

Qualidade de vida: 73% avaliam como boa; percepção positiva predominante.

Saúde: 60% boa, 25% muito boa; avaliação positiva geral.

Sono: 60% boa; maioria satisfeita com o sono.

Relações familiares: 65% boa; boa convivência familiar.

Vida profissional: 50% boa; percepção satisfatória.

Saúde mental: 55% boa; estado mental bem avaliado.

Alimentação: 60% boa; hábitos alimentares bem-vistos.

Acesso à saúde: 50% boa; acesso considerado suficiente.

Relações sociais: 60% boas; relações interpessoais positivas.

Energia diária: 50% boa; níveis de energia satisfatórios.

Aparência física: 70% boa; alta satisfação pessoal.

Vida sexual: 60% boa; percepção positiva.

Informações disponíveis: 55% boa; maioria se sente bem-informada.

Situação financeira: 55% boa; finanças pessoais razoáveis.

Apoio emocional: 70% boa; suporte emocional bem avaliado.

Condições de moradia: 60% boa; moradias consideradas adequadas.

Tempo para lazer: 50% boa parte sente falta de lazer.

Segurança no bairro: 80% boa; sentimento de segurança.

Satisfação pessoal: 70% boa; bem-estar pessoal elevado.

Oportunidades de aprendizado: 50% boa; avaliação favorável.

Condições de trabalho: 55% boa; maioria satisfeita.

Infraestrutura urbana: 60% boa; percepção positiva com ressalvas.

Atendimento em saúde: 65% boa; serviços bem avaliados.

Qualidade ambiental: 60% boa; ambiente bem considerado.

Transporte público: 50% boa, mas 30% insatisfeitos.

Tempo de preenchimento: 65% concluíram em menos de 15 minutos; tempo rápido.

O gráfico 2 apresenta os percentuais mais representativos de cada item analisado, facilitando a visualização geral acerca da qualidade de vida dos respondentes

Figura 2 – Qualidade de vida dos respondentes.

Fonte: Elaborado pela Autora (2025).

A qualidade de vida exerce influência substancial sobre os processos cognitivos, comportamentais e emocionais do indivíduo, afetando diretamente sua forma de perceber, reagir e lidar com as adversidades do cotidiano Cancian, et al., (2024), (Antoniadou, Mangoulia, Myrianthefs, 2023).

São propostas orientações voltadas à modificação do estilo de vida com foco na promoção da saúde mental e do bem-estar. Esse conjunto de intervenções contempla 20 componentes fundamentais que caracterizam um estilo de vida saudável, incluindo: estabelecimento de rotinas, gerenciamento do tempo, práticas de espiritualidade (como a oração), realização de atividades básicas, leitura de jornais, envolvimento em estudos ou atividades laborais, prática regular de exercícios físicos, momentos de lazer, relaxamento e desenvolvimento de talentos, participação em ações educativas, estímulo às atividades cognitivas, fortalecimento das redes de apoio social, adesão a normas de conduta, integração a grupos de pares e grupos sociais, vínculos familiares e conjugais, desenvolvimento de habilidades para a vida, cuidados com a saúde física, educação em saúde e uso consciente de dispositivos móveis e mídias digitais. Trata-se, portanto, de um protocolo abrangente e integrado, com foco na melhoria da qualidade de vida por meio da promoção da saúde psíquica e emocional (Amiri, S. et al., 2024; Sharma I, et al., 2024)

Para Silva et al. (2024), cerca de 70% dos professores avaliados neste estudo relataram apresentar níveis elevados de estresse. Verificou-se que o estresse mais intenso esteve significativamente associado a sete dos oito domínios da qualidade de vida analisados. No entanto, a prática regular de atividade física mostrou-se capaz de atenuar essa associação, sobretudo no domínio relacionado à capacidade funcional. Tais resultados foram observados em docentes da rede pública de ensino médio em uma cidade brasileira. Assim, estimular a prática de exercícios físicos entre professores pode representar uma estratégia eficaz para reduzir o estresse e melhorar a qualidade de vida. Nesse sentido, a implementação de programas institucionais que favoreçam o aumento da atividade física no ambiente escolar desponta como uma medida potencialmente benéfica. 

CONCLUSÃO E RECOMENDAÇÕES

A análise dos dados revela que, apesar dos desafios enfrentados no contexto profissional, os professores mantêm uma percepção predominantemente positiva de aspectos pessoais e sociais de suas vidas, como as relações familiares, o apoio emocional e a satisfação pessoal. Esses resultados demonstram resiliência, dedicação e senso de propósito desses profissionais frente às adversidades. Entretanto, a ocorrência significativa de queixas relacionadas à qualidade do sono, dores físicas frequentes, dificuldades no acesso à saúde e limitações de tempo para o lazer indicam que o bem-estar integral dos docentes ainda não está plenamente assegurado. Tais fragilidades podem impactar diretamente a saúde física e mental desses profissionais, comprometendo a qualidade do ensino.

RECOMENDAÇÕES

Valorização profissional: Implementação de políticas salariais justas, progressão na carreira e reconhecimento profissional, como forma de incentivo e valorização do trabalho docente.

Condições de trabalho: Melhoria da infraestrutura escolar e adequações ergonômicas dos espaços de trabalho para prevenir problemas físicos e promover um ambiente saudável.

Saúde e bem-estar: Ampliação do acesso a serviços de saúde física e mental, com criação de programas específicos de prevenção, acompanhamento psicológico e promoção da saúde para os professores.

Tempo e qualidade de vida: Promoção de políticas que assegurem o equilíbrio entre vida profissional e pessoal, garantindo tempo adequado para lazer, descanso e atividades culturais.

Formação continuada: Oferta de oportunidades de aprendizado contínuo que sejam acessíveis, contextualizadas e que promovam o crescimento pessoal e profissional.

Apoio institucional: Criação de núcleos de apoio psicossocial nas escolas, com equipes multidisciplinares que atuem no acolhimento e na escuta dos docentes.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Esta tese buscou compreender o impacto da saúde na qualidade de vida e no bem-estar dos professores do Ensino Fundamental das redes pública e privada do município de Pedro II – Piauí. A partir do referencial teórico adotado e da produção científica desenvolvida, observou-se que a docência é atravessada por múltiplas exigências que afetam significativamente a saúde do profissional.

Refletir sobre o bem-estar docente é também repensar a qualidade do processo de ensino-aprendizagem, uma vez que professores saudáveis física e emocionalmente tendem a ser mais eficazes, realizados e motivados. A valorização da saúde do professor deve ser pauta central em qualquer proposta de melhoria da educação brasileira.

Este estudo deixa como legado a urgência de medidas institucionais, pedagógicas e políticas que assegurem aos docentes condições dignas de trabalho, formação e reconhecimento. A educação de qualidade exige professores saudáveis, respeitados e apoiados. A melhoria das condições de vida e trabalho dos professores é um investimento estratégico e essencial para o fortalecimento do processo educacional. Um docente saudável e valorizado é o alicerce de uma educação de qualidade.

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Área do Conhecimento

Análise do comportamento aplicada – ABA
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Abordagem da leishmaniose tegumentar americana em Laranjal do Jari/Amapá: Uma análise por faixa etária de 2009 a 2015
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Levantamento de metabólitos secundários com alguma aplicabilidade produzidos por fungos
metabólitos bioativos; bioprospecção fúngica; aplicações farmacológicas; diversidade química; produção sustentável.
Acessibilidade à saúde bucal em comunidades ribeirinhas: Obstáculos e soluções
comunidades ribeirinhas; saúde bucal; pesquisa-ação; acessibilidade; políticas públicas.
Edentulismo no Brasil: Determinantes socioculturais, informacionais e perspectivas futuras
edentulismo; saúde bucal; políticas públicas; prevenção; cultura e saúde.

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