Vigilância genômica das variantes XFG e BA.2.86 do SARS-COV-2 no Piauí: Um estudo de caso com dados do laboratório central do piauí (Lacen-PI) e do laboratório de vigilância genômica e biologia molecular – Fiocruz-PI.

GENOMIC SURVEILLANCE OF SARS-COV-2 VARIANTS XFG AND BA.2.86 IN PIAUÍ: A CASE STUDY WITH DATA FROM THE CENTRAL LABORATORY OF PIAUÍ (LACEN-PI) AND THE GENOMIC SURVEILLANCE AND MOLECULAR BIOLOGY LABORATORY - FIOCRUZ-PI

VIGILANCIA GENÓMICA DE LAS VARIANTES XFG Y BA.2.86 DEL SARS-COV-2 EN PIAUÍ: UN ESTUDIO DE CASO CON DATOS DEL LABORATORIO CENTRAL DE PIAUÍ (LACEN-PI) Y DEL LABORATORIO DE VIGILANCIA GENÓMICA Y BIOLOGÍA MOLECULAR - FIOCRUZ-PI

Autor

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https://iiscientific.com/artigos/6F3CEA

DOI

doi.org/10.63391/6F3CEA

Júnior, Teodoro Cardeal dos Santos . Vigilância genômica das variantes XFG e BA.2.86 do SARS-COV-2 no Piauí: Um estudo de caso com dados do laboratório central do piauí (Lacen-PI) e do laboratório de vigilância genômica e biologia molecular - Fiocruz-PI.. International Integralize Scientific. v 5, n 51, Setembro/2025 ISSN/3085-654X

Resumo

Este estudo de caso analisa a circulação das variantes XFG e BA.2.86 do SARS-CoV-2 no estado do Piauí, Brasil, com base em dados do Laboratório Central do Piauí (LACEN-PI) em parceria com o Laboratório de Vigilância Genômica e Biologia Molecular (LVGBM-Fiocruz-PI), coletados entre janeiro e agosto de 2025. Foram analisados 43 genomas, sendo 21 da linhagem XFG.3.4.1 e 22 da variante BA.2.86 (predominantemente LP.8.1.4). A metodologia envolveu sequenciamento genômico utilizando o pipeline ViralFlow e classificação de linhagens pelo software PangoLineages. Os resultados indicam que a variante XFG, identificada em cinco municípios do Piauí e dois do Maranhão, apresenta alta transmissibilidade, com casos concentrados em Teresina (12 casos). A variante BA.2.86 foi detectada exclusivamente em Teresina, com 16 casos da sublinhagem LP.8.1.4. A análise revela a importância da vigilância genômica para monitoramento de variantes emergentes, reforçando a necessidade de medidas preventivas como vacinação e uso de máscaras.
Palavras-chave
sars-cov-2; variante xfg; variante ba.2.86; vigilância genômica; Piauí.

Summary

This case study analyzes the circulation of SARS-CoV-2 variants XFG and BA.2.86 in the state of Piauí, Brazil, based on data from the Central Laboratory of Piauí (LACEN-PI) in partnership with the Genomic Surveillance and Molecular Biology Laboratory (LVGBM-Fiocruz-PI), collected between January and August 2025. A total of 43 genomes were analyzed, with 21 belonging to the XFG.3.4.1 lineage and 22 to the BA.2.86 variant (predominantly LP.8.1.4). The methodology involved genomic sequencing using the ViralFlow pipeline and lineage classification with the PangoLineages software. The results indicate that the XFG variant, identified in five municipalities in Piauí and two in Maranhão, exhibits high transmissibility, with cases concentrated in Teresina (12 cases). The BA.2.86 variant was detected exclusively in Teresina, with 16 cases of the LP.8.1.4 sublineage. The analysis highlights the importance of genomic surveillance for monitoring emerging variants, reinforcing the need for preventive measures such as vaccination and mask use.
Keywords
sars-cov-2; xfg variant; ba.2.86 variant; genomic surveillance; Piauí.

Resumen

Este estudio de caso analiza la circulación de las variantes XFG y BA.2.86 del SARS-CoV-2 en el estado de Piauí, Brasil, con base en datos del Laboratorio Central de Piauí (LACEN-PI) en colaboración con el Laboratorio de Vigilancia Genómica y Biología Molecular (LVGBM-Fiocruz-PI), recolectados entre enero y agosto de 2025. Se analizaron 43 genomas, de los cuales 21 corresponden a la línea XFG.3.4.1 y 22 a la variante BA.2.86 (predominantemente LP.8.1.4). La metodología incluyó secuenciación genómica utilizando el pipeline ViralFlow y clasificación de linajes con el software PangoLineages. Los resultados indican que la variante XFG, identificada en cinco municipios de Piauí y dos de Maranhão, presenta alta transmisibilidad, con casos concentrados en Teresina (12 casos). La variante BA.2.86 se detectó exclusivamente en Teresina, con 16 casos de la sublinea LP.8.1.4. El análisis resalta la importancia de la vigilancia genómica para el monitoreo de variantes emergentes, reforzando la necesidad de medidas preventivas como la vacunación y el uso de mascarillas.
Palavras-clave
sars-cov-2; variante xfg; variante ba.2.86; vigilancia genómica; Piauí.

INTRODUÇÃO

A pandemia de COVID-19, causada pelo vírus SARS-CoV-2, continua a desafiar os sistemas de saúde globais devido à emergência de novas variantes com maior transmissibilidade ou capacidade de evasão imunológica (Rambaut et al., 2020). 

No Brasil, a vigilância genômica desempenha um papel crucial na identificação e monitoramento dessas variantes, especialmente em regiões como o Piauí, onde o Laboratório de Vigilância Genômica e Biologia Molecular (LVGBM-Fiocruz-PI) conduz análises em parceria com o Laboratório Central de Saúde Pública Dr. Costa Alvarenga (Lacen-PI) (Fiocruz, 2025).

Este estudo de caso tem como objetivo analisar a circulação das variantes XFG (linhagem XFG.3.4.1) e BA.2.86 (predominantemente sub-linhagem LP.8.1.4) no Piauí, com base em 43 genomas sequenciados entre janeiro e agosto de 2025. A variante XFG, identificada como uma subvariante da Omicron, e a BA.2.86, conhecida como Pirola, apresentam características que reforçam a importância da vigilância contínua (OMS, 2025). Este trabalho descreve as características genômicas, origem, perfil epidemiológico e distribuição geográfica dessas variantes no estado, contribuindo para a formulação de estratégias de saúde pública.

METODOLOGIA

COLETA DE DADOS

Os dados foram obtidos a partir de 43 genomas sequenciados pelo LVGBM-Fiocruz-PI, em parceria com o LACEN-PI, entre janeiro e agosto de 2025. As amostras foram coletadas de pacientes com diagnóstico confirmado de COVID-19, provenientes de sete municípios (cinco no Piauí e dois no Maranhão). Os dados incluem variante, linhagem, cobertura genômica, idade, sexo, município de residência, unidade federativa (UF) e data de coleta.

SEQUENCIAMENTO E ANÁLISE GENÔMICA

O sequenciamento genômico foi realizado utilizando o pipeline Viral Flow (versão 1.3.1), desenvolvido pela Rede Genômica Fiocruz (Konings et al., 2021). A classificação das linhagens foi feita com o software PangoLineages (versão 4.3.1), seguindo a nomenclatura dinâmica para SARS-CoV-2 (Rambaut et al., 2020). A cobertura genômica das amostras variou entre 76,0% e 100,0%, garantindo alta confiabilidade na identificação das variantes.

ANÁLISE EPIDEMIOLÓGICA

Os dados foram analisados para determinar a distribuição geográfica, faixa etária, sexo e período de coleta. Foram elaboradas tabelas para sintetizar a distribuição dos casos por município e sub-linhagem, com ênfase nas variantes XFG e BA.2.86. A análise foi conduzida utilizando ferramentas estatísticas básicas, com foco na descrição quantitativa dos casos.

RESULTADOS

VARIANTE XFG

O estudo identificou 21 casos da linhagem XFG.3.4.1 do SARS-CoV-2, distribuídos em sete municípios da região, com a maior concentração em Teresina, onde foram registrados 12 casos. Esses dados foram obtidos a partir do relatório da Fiocruz-PI e do LACEN-PI, que utilizam sequenciamento genômico para monitorar a circulação do vírus. A cobertura genômica, que indica a qualidade da leitura do genoma viral nas amostras, variou entre 76,0% e 99,7%, sendo na maioria dos casos acima de 90%, o que garante uma análise confiável. As idades dos afetados variaram de 3 a 96 anos, abrangendo crianças, adultos e idosos, com 16 casos em mulheres e 5 em homens. A Tabela 1, presente no relatório da Rede Genômica Fiocruz, detalha a distribuição geográfica desses casos, destacando a predominância em Teresina e a presença em outros municípios como Altos, Parnaíba, Campo Maior, São João do Piauí, Morro Cabeça no Tempo, Caxias e Timon. A Tabela 1 apresenta a distribuição geográfica dos casos.

Tabela 1 – Distribuição de casos da variante XFG (linhagem XFG.3.4.1) por município.

Município UF Número de Casos
Teresina PI 12
Altos PI 2
Parnaíba PI 2
Morro Cabeça do Tempo PI 1
Campo Maior PI 1
São João do Piauí PI 1
Caxias MA 1
Timon MA 1

Fonte: LVGBM-Fiocruz-PI, 2025.

Os casos foram registrados entre 15 de julho e 6 de agosto de 2025, com maior concentração no final de julho. A alta transmissibilidade da variante XFG foi confirmada pela rápida disseminação em múltiplos municípios em um curto período.

VARIANTE BA.2.86

A variante BA.2.86 foi detectada em 22 casos, todos em Teresina, com idades variando de 10 meses a 97 anos, afetando 15 mulheres e 7 homens. A cobertura genômica variou de 90,1% a 100,0%. A sub-linhagem predominante foi a LP.8.1.4, com 16 casos, seguida por PD.2 (3 casos), PD.1.2 (1 caso), LP.8.1.1 (1 caso) e LF.7.5 (1 caso). A Tabela 2 detalha a distribuição por sub-linhagem.

Tabela 2 – Distribuição das sub-linhagens da variante BA.2.86 em Teresina, PI.

Sub-linhagem Número de Casos
LP.8.1.4 16
PD.2 3
PD.1.2 1
LP.8.1.1 1
LF.7.5 1

Fonte: LVGBM-Fiocruz-PI, 2025.

Os casos ocorreram entre 20 de janeiro e 21 de julho de 2025, com maior frequência em janeiro e fevereiro, indicando uma circulação significativa no início do ano.

DISCUSSÃO

A variante XFG, identificada como uma subvariante da Omicron é classificada como variante sob monitoramento (VUM) pela Organização Mundial da Saúde em junho de 2025, apresenta mutações específicas na proteína spike que conferem maior capacidade de evasão imunológica. Essa variante surge de uma recombinação entre as subvariantes LF.7 e LP.8.1.2, incorporando mutações chave como His445Arg, Asn487Asp, Gln493Glu, S31P, K182R, R190S, A475V, N487D e Q493E, que facilitam a adesão ao receptor ACE2 e a resistência a anticorpos neutralizantes gerados por vacinas ou infecções anteriores. Comparada à variante dominante NB.1.8.1 (Nimbus), a XFG exibe sobreposições em algumas mutações, mas diferenças distintas que podem conferir vantagens evolutivas, potencializando sua dominância em cenários de imunidade populacional heterogênea (OMS, 2025; Konings et al., 2021).

Sua detecção em sete municípios, incluindo dois no Maranhão (Caxias e Timon), sugere uma disseminação regional facilitada pela alta transmissibilidade, possivelmente exacerbada por fluxos migratórios e proximidade geográfica entre os estados. A concentração de casos em Teresina reflete não apenas a maior densidade populacional e mobilidade urbana, mas também o papel da capital como hub de transporte e comércio, fatores que favorecem a propagação do vírus (Fiocruz, 2025). 

Essa distribuição geográfica limitada, com apenas 21 casos identificados, pode indicar uma fase inicial de introdução da variante no Nordeste brasileiro, destacando a necessidade de intensificar a vigilância em áreas fronteiriças para prevenir uma expansão mais ampla. Além disso, a faixa etária ampla dos casos (de 3 a 96 anos) sugere que a XFG não apresenta seletividade por idade, afetando tanto crianças quanto idosos, o que reforça a importância de campanhas de vacinação bivalente adaptadas a novas variantes.

Por outro lado, a variante BA.2.86, conhecida como Pirola e identificada inicialmente em 2023, destaca-se por sua divergência genética, com mais de 30 mutações na proteína spike em relação à linhagem ancestral BA.2 (Konings et al., 2021). 

Em 2025, suas sub-linhagens, como a LP.8.1.4, continuam a evoluir, com atualizações indicando dominância temporária em certas regiões antes da ascensão de variantes como XFG e NB.1.8.1. Sua exclusividade em Teresina pode estar associada a fatores como maior acesso a serviços de saúde e testagem na capital, o que pode resultar em uma detecção mais eficiente em comparação com áreas rurais. A predominância da sub-linhagem LP.8.1.4 (16 casos) indica uma adaptação local da variante, possivelmente influenciada por condições imunológicas da população, como níveis de vacinação ou exposição prévia a outras linhagens Omicron. Essa sub-linhagem, parte da família BA.2.86, mantém mutações que conferem resistência a anticorpos, mas estudos recentes sugerem que vacinas atualizadas ainda oferecem proteção contra formas graves da doença (OMS, 2025; Fiocruz, 2025).

Comparando as duas variantes, a XFG demonstra uma maior capacidade de disseminação geográfica em curto prazo, enquanto a BA.2.86 exibe uma persistência urbana, possivelmente devido a diferenças em sua estabilidade ambiental ou afinidade por receptores celulares. A vigilância genômica realizada pelo LVGBM-Fiocruz-PI em parceria com o LACEN-PI, utilizando ferramentas como o pipeline Viral Flow e o software PangoLineages, foi essencial para a identificação precisa das linhagens. A alta cobertura genômica (média de 97,8% para XFG e 98,6% para BA.2.86) reforça a confiabilidade dos dados, minimizando erros de sequenciamento e permitindo análises filogenéticas robustas. No entanto, limitações do estudo incluem o número reduzido de amostras (43 genomas), que pode não capturar a diversidade total da circulação viral no Piauí, e a ausência de dados sobre vacinação ou comorbidades dos pacientes, o que poderia enriquecer a análise de fatores de risco (Rambaut et al., 2020).

Esses resultados destacam a importância de manter programas de monitoramento contínuo para antecipar surtos e orientar políticas públicas, como a alocação de recursos para testagem em áreas periféricas e a atualização de vacinas para cobrir mutações emergentes. Em um contexto global onde variantes como XFG representam 22,7% dos casos em maio de 2025, o Piauí serve como modelo para regiões de baixa densidade populacional, enfatizando a integração entre laboratórios regionais e redes nacionais como a Rede Genômica Fiocruz (Fiocruz, 2025). 

Futuras pesquisas poderiam explorar a correlação entre essas variantes e taxas de hospitalização, bem como o impacto de intervenções não farmacológicas na contenção da disseminação.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A análise dos 43 genomas sequenciados pelo LVGBM-Fiocruz-PI revelou a circulação das variantes XFG e BA.2.86 no Piauí, com perfis epidemiológicos distintos. A variante XFG demonstrou maior dispersão geográfica, enquanto a BA.2.86 foi restrita a Teresina, com predominância da sub-linhagem LP.8.1.4. A vigilância genômica é uma ferramenta indispensável para o monitoramento de variantes emergentes, permitindo a adoção de medidas preventivas como vacinação atualizada, uso de máscaras e higiene das mãos. Este estudo reforça a necessidade de fortalecer a capacidade de testagem e sequenciamento em regiões menos populosas para uma resposta mais eficaz à pandemia.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

FIOCRUZ. Relatório de circulação de linhagens de SARS-CoV-2. Teresina: LVGBM-Fiocruz-PI, 2025.

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REDE GENÔMICA FIOCRUZ. Dashboard de vigilância epidemiológica do SARS-CoV-2 no Brasil. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2025. Disponível em: https://www.genomahcov.fiocruz.br/dashboard-pt/. Acesso em: 3 set. 2025.

Júnior, Teodoro Cardeal dos Santos . Vigilância genômica das variantes XFG e BA.2.86 do SARS-COV-2 no Piauí: Um estudo de caso com dados do laboratório central do piauí (Lacen-PI) e do laboratório de vigilância genômica e biologia molecular - Fiocruz-PI..International Integralize Scientific. v 5, n 51, Setembro/2025 ISSN/3085-654X

Referencias

Vivian Caroline Coraucci.
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v. 67
n. 7
p. 1208-1216,
2021.
Disponível em: https://academic.oup.com/cid/article/67/7/1208/6141108.
Acesso em: 2024-09-03.

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