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Resumo
INTRODUÇÃO
A população de pessoas idosas no mundo tem crescido de forma contínua e significativa nas últimas décadas. As Nações Unidas (ONU, 2023) indicam que o número de indivíduos com mais de 60 anos está previsto para atingir aproximadamente 2,1 bilhões em 2050 e 3,1 bilhões até o final do século. No Brasil, dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2021) mostram que no ano de 2100, os idosos representarão aproximadamente 30% da população total, os jovens serão em torno de 13% (IPEA, 2021). Este contexto demográfico evidencia a necessidade crescente de estudos relacionados ao envelhecimento saudável, concentrando-se na construção de estratégias que promovam a qualidade de vida na terceira idade. Envelhecer é um fenômeno natural comum e universal a todos os organismos vivos. No entanto, os idosos com boa saúde tendem a manter uma participação ativa em atividades familiares e sociais, mas os idosos com limitações físicas ou cognitivas têm necessidades maiores de apoio social da família, comunidade e dos serviços de saúde (Botton et al., 2023).
A atividade física regular é um método bem estabelecido, acessível e eficaz para promover um envelhecimento saudável, sendo valorizada por seus efeitos positivos sobre a qualidade de vida e a saúde integral dos idosos. Além de melhorar o desempenho físico, o equilíbrio postural, a massa muscular e a densidade óssea, aspectos fundamentais para a prevenção de quedas e fraturas, que são frequentes nessa faixa etária. Apesar de o declínio fisiológico ser inerente ao processo natural de envelhecimento, a atividade física ao longo da vida atenua fortemente essas mudanças, contribuindo para a preservação da funcionalidade, da autonomia e da independência ao longo dos anos (Matsudo et al., 2019). Ela também exerce efeito positivo sobre a saúde mental, como controle da ansiedade e depressão, além de favorecer a socialização e participação em atividades em grupo, o que contribuem para o bem-estar emocional e social dos idosos.
Este estudo é relevante, pois revela os efeitos positivos da atividade física no processo de envelhecimento, bem como na promoção da saúde e prevenção de situações que contribuem para a perda gradual da autonomia e qualidade de vida dos indivíduos em envelhecimento. Além disso, contribui para melhoria do cuidado a esse público, promovendo uma abordagem integral e estimulando a ação multiprofissional. Também destaca a importância de melhores políticas públicas e novas pesquisas que avancem estratégias concretas para diferentes perfis de envelhecimento. Assim, foi realizada uma revisão integrativa da literatura com o intuito de responder à seguinte questão: como a prática regular de exercícios físicos pode contribuir para um processo de envelhecimento saudável e funcional? O trabalho está organizado em estrutura composta por introdução, que apresenta a importância do tema; metodologia que detalha os critérios e procedimentos utilizados na revisão; resultados onde é feita a análise textual; além das considerações finais e referências que fundamentam a discussão.
METODOLOGIA
O método de pesquisa do presente estudo é uma revisão integrativa da literatura que foi realizada para identificar, analisar e reunir evidências sobre os efeitos positivos dos exercícios físicos durante o envelhecimento. Essa abordagem é conhecida como integrativa, pois estudos de várias metodologias podem ser considerados para se alcançar uma perspectiva mais inclusiva sobre o tema analisado. Esta opção metodológica, segundo (Mendes; Silveira; Galvão, 2016), é direcionada ao processo de reunião e síntese das evidências científicas existentes sobre um determinado tema, permitindo acessar rápido e sinteticamente os principais resultados científicos na área de interesse.
A revisão integrativa consiste nas seguintes etapas: identificação do problema (elaboração da questão norteadora, escolha dos descritores e dos critérios para inclusão/exclusão dos estudos); busca dos artigos na literatura; categorização dos estudos analisados; avaliação da amostra; síntese dos estudos selecionados e interpretação dos resultados. Para a organização dessa revisão foi necessário realizar um levantamento bibliográfico em busca avançada na Biblioteca Virtual de Saúde (BVS), registrados nos seguintes Descritores em Ciências da Saúde (DeCS): “atividade física”, “envelhecimento”, “qualidade de vida do idoso” e “saúde do idoso”. O operador booleano E foi usado para combiná-los. Um exemplo da estratégia de busca utilizada foi: (“atividade física”) E (“idoso”) E (“envelhecimento”) E (“saúde do idoso”). Os artigos foram escolhidos de acordo com os critérios de inclusão, que incluíram artigos completos na versão em português, publicados online e disponíveis gratuitamente dos anos 2015 a 2024. Artigos incompletos, duplicados, que não abordavam a questão norteadora ou não atendessem ao status de artigo científico foram removidos. Para colocar a discussão em um contexto mais amplo dados de órgãos governamentais e outras literaturas científicas pertinentes foram incluídas. Inicialmente, identificaram-se 119 artigos, dos quais 32 estavam disponíveis na íntegra. Após a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, foram selecionados 18 artigos para análise, assegurando a qualidade e a pertinência das informações contidas no estudo.
DISCUSSÃO
Com o objetivo de facilitar a compreensão dos achados e proporcionar uma visão geral dos principais resultados, foram elaborados dois quadros resumo que sintetizam os dados os dados mais relevantes relacionados ao estudo.
Quadro 1 – Efeitos Benéficos da Atividade Física no Envelhecimento

Fonte: Elaboração da autora (2025)
Quadro 2 – Recomendações Quanto à Participação em Atividades Física

Fonte: Adaptado de, Souza (2015); Almeida (2016); Botton et al., (2023).
O envelhecimento é um processo biológico contínuo, universal e irreversível, caracterizado pela perda gradual das funções corporais, cognitivas, emocionais, sociais e culturais, bem como pela redução da capacidade do organismo de se adaptar a mudanças internas e externas. Nas primeiras e segundas décadas de vida, suas manifestações são geralmente discretas, mas tendem a se tornar mais evidentes a partir da terceira década, comprometendo progressivamente diferentes sistemas orgânicos (Souza e Almeida, 2020). Esse processo fisiológico é influenciado por múltiplos fatores, incluindo predisposições genéticas, condições ambientais e aspectos psicossociais. Estilos de vida não saudáveis, como sedentarismo, alimentação inadequada, tabagismo e consumo excessivo de álcool, podem acelerar essas alterações, afetando negativamente a funcionalidade e o bem-estar na velhice. Nesse contexto, destaca-se a proposta de Envelhecimento Ativo, formulada pela Organização Mundial da Saúde, que reconhece a pessoa idosa como um agente participativo na sociedade. Essa abordagem valoriza a autonomia e promove estratégias que assegurem saúde, participação social e segurança ao longo de todo o ciclo da vida (Brasil, 2006).
Com o aumento expressivo da população idosa, intensificam-se os esforços científicos para compreender os fatores que contribuem para um envelhecimento com qualidade. Um dos principais desafios enfrentados por esse grupo é o declínio das capacidades funcionais, agravado frequentemente pela presença de doenças crônicas não transmissíveis, como hipertensão, diabetes tipo 2 e osteoporose, que comprometem a autonomia e a independência nas atividades diárias (Silva et al., 2022). Compreender o envelhecimento como uma questão social de natureza multidimensional requer o reconhecimento dos direitos dos idosos, bem como sua participação ativa nas decisões que afetam sua qualidade de vida. Nesse sentido, destaca-se a relevância de estratégias preventivas iniciadas precocemente, as quais têm se mostrado eficazes na redução dos impactos negativos do envelhecimento, promovendo uma velhice ativa, autônoma e saudável (Gonçalves et al., 2023).
Entre as estratégias mais eficazes nesse contexto, a prática regular de atividade física tem papel central. Seus efeitos positivos abrangem diversas funções orgânicas, particularmente as mais vulneráveis ao processo de envelhecimento, como os sistemas cardiovascular e respiratório. A atividade física contribui para a regulação da pressão arterial, prevenção de doenças crônicas e manutenção da funcionalidade física e cognitiva, favorecendo uma vida autônoma e com melhor qualidade (Leite et al., 2023). Além disso, essa prática auxilia na preservação da massa óssea, na coordenação motora, no equilíbrio postural e na manutenção da força muscular. Modalidades como caminhada, ciclismo, hidroginástica, ioga e dança adaptada, quando supervisionadas por profissionais e ajustadas aos limites individuais, geram benefícios mensuráveis à saúde dos idosos (Souza, 2015). Exercícios de resistência muscular são especialmente relevantes para a prevenção de quedas e manutenção da independência funcional, além de estarem associados à redução do risco de doenças crônicas não transmissíveis, como diabetes, obesidade, hipertensão, doenças osteoarticulares e síndromes geriátricas, incluindo a sarcopenia (Almeida, 2016). Tais atividades também contribuem significativamente para o metabolismo da glicose, a função intestinal, a qualidade do sono, o sistema imunológico, a saúde cardiovascular e os aspectos psicológicos, promovendo a redução de sintomas como ansiedade, estresse e depressão (Brandão et al., 2023).
A participação em atividades físicas em grupo potencializa esses benefícios, promovendo socialização, vínculos emocionais e maior motivação para a continuidade das práticas. Dinâmicas coletivas fortalecem redes de apoio, senso de pertencimento e autoestima, aspectos fundamentais para a promoção da saúde e do bem-estar na velhice (Fernandes et al., 2020). Além disso, o convívio em grupo favorece o compartilhamento de experiências e a superação de barreiras emocionais, como a timidez e o medo de se exercitar sozinho. Apesar das evidências consistentes sobre os benefícios da atividade física, observa-se uma elevada prevalência de comportamento sedentário entre os idosos, em grande parte influenciada pelo estilo de vida urbano e por padrões sociais e culturais contemporâneos. Esse cenário evidencia a necessidade de políticas públicas mais eficazes e integradas, voltadas à promoção do envelhecimento ativo e saudável. A qualidade de vida na velhice, embora influenciada por fatores individuais, está diretamente relacionada à preservação da autonomia, independência, bem-estar emocional e integração social (Santos et al., 2018). Esses elementos, por sua vez, são determinados por uma variedade de condições, como acesso aos serviços de saúde, status socioeconômico, apoio familiar, nível de escolaridade e engajamento em atividades físicas e cognitivas.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A presente revisão enfatiza que a atividade física regular é um importante fator de proteção significativo para a saúde durante o processo de envelhecimento e desempenha um papel na prevenção de doenças crônicas associadas ao envelhecimento, incluindo osteoporose, diabetes, obesidade, hipertensão, doenças cardiovasculares e respiratórias. Além dos benefícios físicos, como fortalecimento muscular, melhora do apetite e manutenção da autonomia funcional, os exercícios favorecem o bem-estar emocional e estimula a reintegração social dos idosos. Esses efeitos benéficos têm impacto direto na qualidade dos cuidados prestados pelas equipes de saúde e ressaltam a necessidade de integrar a atividade física em estratégias multidisciplinares para a promoção de um envelhecimento saudável, ativo e independente.
Conclui-se que os benefícios da prática de exercícios físicos regulares no envelhecimento são amplamente reconhecidos tanto pelos idosos quanto pelos profissionais de saúde, gerando um consenso que apoia comportamentos e políticas públicas voltadas para o envelhecimento saudável. Portanto é importante que os profissionais de saúde, gestores e pesquisadores promovam e estabeleçam estratégias precisas para promover a atividade física nesse grupo. Essas ações devem levar em conta as particularidades biológicas, sociais e emocionais dos idosos, resultando em medidas mais humanas e eficazes. Além disso, destaca-se a necessidade de mais pesquisas para desenvolver intervenções individualizadas de acordo com os perfis dos idosos, além de explorar os benefícios a longo prazo da continuidade da prática sobre saúde e longevidade.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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