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Resumo
INTRODUÇÃO
Os contos de fadas ocupam, há séculos, um lugar privilegiado no imaginário coletivo, atravessando gerações e culturas com narrativas simbólicas que abordam temas universais. Embora marcados por elementos fantásticos, esses textos mantêm um forte vínculo com a realidade psíquica humana, permitindo múltiplas leituras e interpretações. Com o passar do tempo, essas histórias foram sendo ressignificadas, ganhando novos contornos e ampliando o espectro de sentidos, especialmente a partir do olhar de escritores contemporâneos como Marina Colasanti, que revitaliza os contos maravilhosos sob a ótica do feminino e da subjetividade.
Nesta pesquisa, propõe-se uma análise comparativa entre o conto tradicional “Branca de Neve”, na versão dos Irmãos Grimm, e sua releitura moderna “Bela, das brancas mãos”, de Colasanti. O foco recai sobre o arquétipo da mulher bela invejada, figura recorrente na tradição literária e riquíssima em implicações simbólicas e psicanalíticas. A abordagem teórica parte da psicanálise freudiana, com ênfase nos conceitos de narcisismo, ciúmes e instintos, e busca compreender como esses mecanismos se manifestam nas ações e reações das personagens femininas envolvidas nos contos.
A partir da intertextualidade entre os dois textos, pretende-se demonstrar como o arquétipo em questão é atualizado de acordo com as demandas e inquietações contemporâneas, sem perder sua essência mítica. A análise se estrutura em torno de três eixos principais: o dilema humano, a transcendência de limites e o autoconhecimento — aspectos que revelam a profundidade psicológica das protagonistas e a complexidade dos vínculos afetivos e sociais que as cercam. O estudo visa, assim, contribuir para a compreensão dos contos de fadas como veículos de elaboração simbólica das experiências humanas, com especial atenção às dinâmicas de rivalidade feminina, desejo e identidade.
CONFRONTANDO MEDOS: O DESENVOLVIMENTO HUMANO NOS CONTOS DE FADAS
O ser humano, em algum momento da vida, já sentiu medo, isso o impulsionou ou o desestimulou. Essa é questão norteadora desta pesquisa, que conduziu à investigação das atitudes das protagonistas Branca de Neve, na versão dos irmãos Grimm (Schneewittchen), e
Bela, no conto de Marina Colasanti “Bela, das brancas mãos”, o qual faz parte da maneira moderna de conceber os contos de encantamento ou maravilhosos.
Ainda hoje é possível encontrar significados subjetivos nos contos de fadas modernos que tratem de questões existenciais essencialmente humanas, como no caso do conto escrito por Colasanti, narrativa que possibilitou verificar o arquétipo da mulher bela invejada, segundo a perspectiva psicanalítica, a qual revela os segredos mais profundos de Bela, a protagonista do conto, e sua capacidade para a autorrealização e tornar-se dona de si.
Mas o que seria de fato arquétipo? E. M. Meletinski (2002, p. 20) destaca que as narrativas são “transformações originais de alguns elementos iniciais”, aos quais ele denomina “arquétipos temáticos” e é nessa perspectiva que se pretende verificar a mulher bela invejada nos textos em questão. O pesquisador defende ainda a ideia de que o homem sempre sentiu a
necessidade de criar histórias para atribuir sentido ao mundo, como prova disso identifica estruturas mentais da humanidade no texto literário, as quais ser identificadas nas unidades primeiras das narrativas mais remotas: “o caminho da vida humana se reflete nos mitos e nos contos maravilhosos” (Meletinski, 2002, p. 23).
O conto de fadas está há muito tempo presente em nossas vidas. Muitos leitores, inclusive, são estimulados através deles a usar a imaginação e a se reconhecer, se identificar, não apenas com as personagens, mas também com a situação vivenciada por elas. É a partir desse reconhecimento que se abordou o modelo de comportamento construído no corpus, diante da inveja e as respectivas atitudes e instintos gerados a partir desse comportamento, mesmo que não sejam colocados em ação, mas fiquem apenas no plano da imaginação.
Independente de qual seja o nome dado à “mocinha”, o conto moderno de Colasanti mantém uma relação intertextual com a versão tradicional, tanto pelas características físicas e comportamentais da protagonista quanto pelos dilemas existenciais em sua trajetória. Motivo pelo qual se pode considerar que, além de um conto moderno, seja também uma releitura, e tem como ponto de partida a versão “Branca de Neve” de uma das compilações organizadas pelos irmãos Jacob e Wilhelm Grimm, disponível no livro Contos de Grimm (2018), publicada pela Editora Oregan Publishing.
De acordo com Bettelheim (2002), através dos contos de fadas é possível aprender mais sobre os problemas internos do ser humano, e assim se constatou na análise comparativa entre as obras literárias aqui selecionadas. Complementarmente, Marie Louise Von Franz (1990, p.
05) pontua que os “contos de fada são a expressão mais pura e mais simples dos processos psíquicos do inconsciente coletivo”. É a partir desses aspectos que o presente trabalho problematizou e analisou ângulos referentes ao dilema humano, à transcendência de limites e à superação das protagonistas dessas histórias, processos psíquicos muitas vezes escondidos no inconsciente e, de alguma forma, internalizados no inconsciente do leitor.
UMA BRANCA: DUAS HISTÓRIAS
O conto “Bela, das brancas mãos”, encontrado no livro Um espinho de Marfim e outras histórias, da escritora Marina Colasanti, teve sua primeira publicação em 1999. Como escrito na apresentação deste livro, realizada pela doutora em Letras, Léa Masina, Colasanti não esconde seu fascínio ao registrar o feminino em suas obras, “Sensível às diferenças femininas, sua voz adere à linguagem do texto, do que resulta o carácter lírico de algumas narrativas” (Colasanti, 2009, p. 05). O caráter lírico se faz presente também no conto em questão, pois eleva as sensações e emoções de uma mulher que chama a atenção de todos pela sua beleza, passa por dificuldades, mas consegue se reerguer enfrentando suas próprias lutas.
A história traz uma bela jovem, que chama a atenção na aldeia onde mora, de jovens, casados, velhos ou mesmo crianças. Porém, atrai também atenção das mulheres que ali vivem, que a invejam. Até que, certa noite, se reúnem e expulsam-na da aldeia, mas aos homens dizem que ela fugira com um viajante.
Depois do ocorrido, os que entram na floresta para caçar desaparecem. Até que um dia dois deles ouvem um grito na floresta, o que está mais à frente corre para salvar o amigo. Assim que chega ao local, encontra uma enorme serpente com metade do amigo na boca. Enquanto tenta libertá-lo, percebe que duas mãos se prendem aos tornozelos do amigo, puxa-o e um terceiro sai de dentro da serpente. Dessa forma cinco homens vêm à luz, exatamente na mesma ordem em que haviam desaparecido da aldeia. Quando o último sai, ao redor de seus tornozelos aprecem duas mãos delicadas e brancas, puxadas pelos sete homens, aos poucos se revela o rosto da mulher da aldeia, nua, separada da pele de serpente.
Já “Branca de Neve”, registrada pelos irmãos Grimm, teve sua primeira publicação em 1812, mas a permanência no imaginário coletivo se tornou possível através de compilações. Na versão dos alemães, o ponto de partida é o desejo de uma rainha em ter um neném branco como a neve, vermelho como o sangue e negro como a madeira. Assim acontece e a criança passa a se chamar Branca de Neve. Mas sua mãe morre e o rei casa-se novamente, com uma mulher linda e orgulhosa, dona de um espelho mágico, que inveja a beleza da enteada, tanto que começa a planejar a morte da menina. Assim ordena a um caçador que a mate e lhe traga os pulmões e o fígado como prova da morte. Porém, com pena da menina, o caçador deixa-a fugir e, no lugar dos órgãos dela, entrega à rainha os de um javali.
Branca se refugia na casa dos sete anões, que a acolhem. Enquanto isso, a rainha, com ajuda do espelho, descobre que a enteada está viva, e, após várias tentativas consegue matá-la. Então os anões colocam a princesa em um caixão de vidro, onde permanece por anos, até a chegada do príncipe que os convence a doarem-lhe o caixão. Durante o transporte do caixão, Branca é sacudida e desengasga, voltando à vida, por fim casa-se com o príncipe e vinga-se da madrasta fazendo-a dançar até morrer com sapatos em brasa.
Tanto a narrativa dos irmãos Grimm quanto a de Colasanti trazem problemáticas não somente com relação às figuras femininas, mas também, às masculinas, que merecem ser consideradas, pois, em ambas há ajuda inesperada de um homem. Na versão alemã, a protagonista conta com ajuda em três momentos: primeiro com a benevolência do caçador, quando ele a deixa viva: “Ela era tão bonita que o caçador ficou com pena e disse: está bem, menina, pobre coitada. Fuja!” (Grimm, 2018, p. 358); segundo com os sete anões, que nessa versão não recebem nomes: “Se você tomar conta de nossa casa, cozinhar para nós, fizer as camas, lavar, costurar e cerzir as nossas roupas e deixar tudo bem limpinho e arrumado sempre, pode ficar morando conosco e nunca vai lhe faltar nada”. (Grimm, 2018, p. 361 — grifo no original); terceiro quando é salva pelo príncipe em uma cena nada romântica (como se costuma encontrar em versões cinematográficas), ao convencer os anões a doarem-lhe o caixão, no transporte, seu servo tropeça e a princesa desengasga:
Quando os criados do príncipe o levantaram e foram carregá-lo nos ombros, um deles tropeçou numa raiz. Com o tropeção, o pedaço envenenado da maçã que ela havia comido se soltou da garganta Branca de Neve desengasgou, abriu os olhos, levantou a tampa do caixão, sentou e voltou à vida. (Grimm, 2018, p. 368).
Com a falta do pai e a rejeição de sua madrasta, a menina encontra ajuda em quem menos espera, como é o caso do caçador. Afinal ela não contava com a ajuda de seu assassino, porém encontra nele uma segunda chance para viver, pois a atitude dele em deixar Branca fugir, permite que ela se livre da madrasta para sempre. Os anões estendem-lhe a mão como uma moeda de troca, mas ainda assim Branca se sente grata e segura com eles. Já o príncipe, seu salvador, aparece de forma inesperada, liberta-a quando convence os anões a lhe entregar o caixão, esse momento pode ser visto como um renascimento.
Já com relação à “Bela, das brancas mãos”, podemos considerar que os homens, além de serem objeto de vingança, também a salvam:
Foram sete a puxar. E surpresos perceberam que, à medida que os pálidos braços saíam da boca escura, encolhia-se, tragada para dentro dela mesma, a cauda da serpente. Os braços nem haviam surgido inteiros, e já despontava uma cabeça de longa cabeleira, revelava-se um doce rosto de mulher. (Colasanti, 2009, p 88).
No conto, são os geradores de conflitos, por causa deles as mulheres da aldeia expulsam Bela, mesmo que ela não lhes dê atenção. Mas, apesar de serem os culpados pela sua expulsão, é por conta dos homens que ela é salva de si própria, quando entram na mata e a encontram em forma de serpente. Não se pode afirmar se naquele momento ela se perdoa ou se perdoa os causadores de sua infeliz condição, mas há algo que transmuta seu destino, talvez o simples ato de puxar possa remeter à cura de suas próprias feridas.
Outro ponto destacado pela perspectiva psicanalítica é o de que Branca de Neve parece ser incapaz de se defrontar com a madrasta poderosa. O mesmo acontece com Bela, pois não enfrenta as mulheres da aldeia diretamente. Esse ponto de vista remete ao medo, à ansiedade diante do abandono daqueles que as rodeiam. Nesse sentido, segundo a perspectiva de Bettelheim (2002), o conto de fadas contribui para que o indivíduo atinja sua maturidade e obtenha controle maior sobre si mesmo, para ser feliz. Assim consegue decidir os rumos da própria vida, através de escolhas e aprendizados próprios, tal como acontece nos contos de fadas, em que sempre após as dificuldades e o crescimento pessoal, heróis e heroínas vivem felizes para sempre (happy end).
Com relação à Bela, notam-se duas ações. A primeira é quando opta por não enfrentar as mulheres da aldeia, aceitando o destino (o que remete a medo do abandono) proposto naquele momento. A segunda é quando Bela toma as rédeas da própria vida e se transforma em serpente. Essa ação pode ser considerada uma autoproteção, pois naquela forma ninguém poderia fazer-lhe mal, nem as mulheres, com sua inveja, nem os homens, com seus desejos.
Ao mesmo tempo, a serpente é arma de vingança, pois, a partir da metamorfose, Bela seduz os homens (os engole), e obtém sua vingança contra as mulheres da aldeia, pois são o desejados pelas mulheres. De modo que, quando os engole, destrói os desejos mais íntimos de suas oponentes.
A serpente possui simbologia que varia de acordo com a cultura, desse modo pode adquirir diversos significados, como renascimento, sexualidade, sensualidade, sabedoria, dentre outros. Freud (1900-1901) relaciona a cobra com o órgão reprodutor masculino, assim a escolha da serpente oferece a possibilidade de correlação com os desejos sexuais das mulheres no conto.
Além disso, o réptil pode ser relacionado também com a morte, a qual, segundo Bettelheim (2002), corresponde ao desejo de sumir-se com alguém. No conto de Colasanti, Bela mata os homens ao engoli-los, e os deixa renascer ao cuspi-los. Dessa forma há a possibilidade de um renascimento, não apenas para os homens, mas principalmente para a protagonista, indicando o perdão aos que lhe fizeram mal e a si própria.
Kühlewein (2020, p. 164) alerta também sobre a “associação da serpente ao mal ou à figura feminina comum não só na religião, como também na literatura popular. A crença judaico-cristã atribui a esse animal o motivo da expulsão de Adão e Eva do paraíso”. A mesma alusão aparece no texto de Colasanti, com a expulsão de Bela e sua escolha em sofrer a metamorfose, o que transmite a ideia da moça se tornar má devido aos acontecimentos anteriores.
Os contos mostram a transcendência de limites e as dificuldades, sejam dificuldades enfrentadas com ajuda, como em “Branca de Neve”, seja nas enfrentadas individualmente, como no caso de “Bela, das brancas mãos”, além de trazer questionamentos sobre o dilema de existir, esses dois conjuntos de fatores foram observados de forma mais detalhada a seguir.
O DILEMA HUMANO DAS ESCOLHAS
O ser humano é livre para realizar suas escolhas e ultrapassar limites, sejam emocionais, físicos ou morais. O contato com dilemas, ao longo da vida, pode gerar uma série de acontecimentos que favorecem o desenvolvimento humano. Esse é o princípio formativo que a perspectiva psicanalítica sustenta acerca dos contos de fadas. Bettelheim (2002) indica que esses textos apresentam um dilema existencial de forma breve e categórica, com o emprego de uma linguagem simbólica que permite trazer à tona os conflitos psíquicos.
No conto de Colasanti, os conflitos aparecem a partir da atração dos homens da aldeia por Bela, manifesto platonicamente:
E os homens da aldeia todos suspiravam por ela. Os solteiros a olhavam de frente, tentando apoderar-se de seu olhar. Os casados a olhavam de viés, escondendo o brilho dos olhos sob as pálpebras abaixadas. Os velhos e os meninos a olhavam a noite em seus sonhos. (Colasanti, 2009, p. 85).
Em nenhum momento os homens da aldeia se relacionam com Bela em um sentido mais amoroso, pelo contrário, eles somente a olham, de longe, o que não passa de uma imaginação, ou simples desejo de possuí-la. O conto revela que os solteiros a encaravam porque eram livres, já os casados também olhavam, porém disfarçavam, pois eram comprometidos. Para os velhos e as crianças restava a imaginação devido às idades, àqueles sobrava o peso dos anos, a estes, a imaturidade.
As mulheres, de algum modo, se sentem rejeitadas pelos homens a partir da forma com que olham para Bela. Segundo Freud (1914), as mulheres não possuem a necessidade de amar o homem, e sim a de serem amadas por ele, e somente o que lhes agrada preenche tal condição. É o que ocorre com mulheres da aldeia, que não se sentem amadas como gostariam, por isso veem em Bela um empecilho: “Essas também a olhavam. Mas com olhares escuros. Viam seus homens cada vez mais atraídos.” (Colasanti, 2009, p. 85).
Elas enxergam em Bela a beleza que acreditam que lhes faltava, comparam-se a ela e consideram-se mais feias. Talvez até analisassem os olhares masculinos e chegassem à conclusão de que não eram os mesmos voltados a elas. Enfim, a inveja da beleza implica a não aceitação de si, a comparação acaba sendo inevitável e gera sentimentos de inferioridade: “E viam-se mais feias, porque o espelho era ela.” (Colasanti, 2009, p. 85).
Segundo Bettelheim (2002), na versão dos irmãos Grimm, é negada à Branca uma existência independente da madrasta malvada que, por ciúmes, tenta destruir a moça, e é graças à essa vilã que o conflito do conto é gerado. No texto de Colasanti (2009, p.85), esse ponto de vista pode ser evidenciado com a expulsão de Bela da aldeia, pelas mulheres que ali vivem: “À noite, as mulheres reuniram-se enquanto ela dormia. E decidiram seu destino. No escuro ainda, a arrancaram da cama e a expulsaram da aldeia, que nunca mais voltasse.” (Colasanti, 2009, p. 85). A independência é negada quando Bela precisa fugir para a floresta, como um animal encurralado e com medo. A expulsão de Bela de sua casa é a marca de intensificação dos ciúmes das mulheres e o aumento do agir narcisista, mesmo que esteja subentendido.
Para Freud, (1922, p. 3922), há um aumento do sofrimento causado pelo pensamento de perder o objeto amado e pela ferida narcísica. Isso se estabelece quando, no conto de Colassanti, as mulheres veem que Bela, além da beleza, as desprezava: “Pouco conversava com as outras mulheres da aldeia” (Colasanti, 2009, p. 85). Tal postura as induz a enxergá-la equivocadamente, fazendo parecer que a protagonista as desdenhava e desse atenção somente aos homens, o que de fato não acontece, como mostra o seguinte trecho: “Ela, porém, não olhava para ninguém. Cuidava do seu fazer com alegria, cantava, caminhava leve com pés descalços” (Colasanti, 2009, p. 85). Na verdade, Bela não queria ser notada, desejava apenas viver tranquilamente sem se importar como seria vista ou falada pelas outras pessoas.
Os ciúmes das mulheres da aldeia é o grande gerador de conflito nesse conto. Segundo Freud (1911, p. 2615), “o ciúme por parte das mulheres está ligado à projeção de quem ela própria se vê atraída”. Assim, as mulheres da aldeia se sentem atraídas por Bela, não no sentido amoroso, mas pela beleza da moça, algo que para elas é impossível alcançar, por isso projetam os ciúmes na moça. Ou seja, Bela pode até ser atraente, aos olhos dos homens, mas é ainda mais para as mulheres, o que gera todo um conflito interno.
O mesmo gerado na rainha narcisicamente, quando a rainha cogita existir alguém mais bonita que ela: “Senhora Rainha, tu és a mais linda que está aqui, mas Branca de Neve é mil vezes mais linda que todas as lindas que há por aí.” (Grimm, 2018, p. 357). Logo o sentimento da inveja é associado aos atos maléficos da vilã: “A nova rainha era linda, mas muito orgulhosa e prepotente; tão vaidosa que não podia suportar a ideia de que alguém pudesse ser mais bonita do que ela” (Grimm, 2018, p.357), o sentimento é tamanho que estimula o desejo de eliminar a oponente, sem nenhum medo ou remorso: “A inveja e o orgulho cresceram como ervas daninhas dentro do coração da rainha”. (Grimm, 2018, p. 358), causando-lhe tanto incômodo que a maneira encontrada para se livrar do sofrimento é a morte da enteada.
Diferentemente do conto “Bela, das brancas mãos”, em que as mulheres não só têm ciúmes, mas, de algum modo, também atração pela beleza de Bela, além do medo da perca de seu objeto de desejo (Homens), em Schneewittchen, a rainha se sente ameaçada, porque o objeto de amor é ela própria, e a rainha não aceita ser substituída, pois para ela não poderia haver alguém que pudesse ser mais amada do que ela própria, como postula Freud (1915, p. 3104):
Essa situação é a de amar-se a si próprio, que consideramos como sendo o traço característico do narcisismo. Então, conforme o objeto ou o sujeito seja substituído por um estranho, o que resulta é a finalidade ativa de amar ou a passiva de ser amado – ficando a segunda perto do narcisismo (Freud, 1915, p. 3104) .
Quando se estuda sobre o narcisismo, não se pode esquecer da grandeza do Eu e do Ego. Para Freud (1914 – 1916, p. 31), “o amor-próprio nos aparece de imediato como expressão da grandeza do Eu”. Em “Branca de Neve”, a madrasta passa a se sentir mais bela quando acredita ter eliminado Branca, “tinha certeza de que era a mais bonita do lugar” (Grimm, 2018, p. 361). Na perspectiva freudiana, quando o indivíduo tem retorno do ser amado, seu amor-próprio prevalece, mas se esse retorno não é positivo, rebaixa-o e o objeto de desejo passa a ser a busca pelo ideal. Assim as pessoas narcisistas, que se confrontam com obstáculos, tentam eliminá-lo. Em “Bela, das brancas mãos”, as mulheres diminuem seu amor-próprio devido ao espelho da mulher mais bonita ser Bela: “e viam-se mais feias porque o espelho era ela” (Colasanti, 2009, p. 85), mesmo assim a existência do Ego permanece. A partir do desejo das mulheres da aldeia e da busca da rainha pela beleza suprema, é possível compreender a transcendência de limites e os propósitos dos personagens.
A TRANSCENDÊNCIA DE LIMITES
É do ser humano a busca de encontrar um sentido para sua existência, um propósito no mundo, seja ele o mais complexo ou o mais simples. Essa busca, do ser e estar no mundo, é sempre um fator relevante que faz com que o indivíduo transcenda limites até que encontre o seu propósito de vida, surgindo a partir de desejos.
Para Bettelheim (2002), o ser humano é capaz de transcender limites próximos de uma existência autocentrada, para isso há a necessidade de se acreditar que cada indivíduo contribui com algum significado para a vida, mesmo que no futuro. Esse sentimento faz com que as pessoas consigam ficar satisfeitas consigo mesmas e com o modo que conduzem a vida, assim:
acrescenta que “o estado de desejo resulta numa atração positiva para o objeto desejado” (Freud, 1950[1895] p. 289).
Em “Branca de Neve”, o propósito de vida da rainha é ser sempre a mais bela, ou seja, é seu maior desejo, assim desenvolve um ego exacerbado, acreditando que somente ela pode ser a mais bonita: “Espelho, espelho meu vem já e me diz, quem é a mais linda de todo o país? ” (Grimm, 2018, p. 358). Não satisfeita em ser a mais bonita do reino, sua busca é tornar-se a mais bela do país, isso desencadeia uma série de atos, que fazem com que a madrasta transcenda o limite da vida e da morte, ou seja, inconscientemente provoca sua própria morte, no final da narrativa: “foi obrigada a calçar os sapatinhos em brasa e dançar até cair morta” (Grimm, 2018, p. 369).
Esse desencadeamento de atos, que Freud define como “catexia”, impulsiona o desejo das personagens (rainha e mulheres da aldeia) e gera uma série de ações nos dois contos, pois em ambos elas pretendem alcançar sua meta de vida: em “Bela, das brancas mãos”, livrarem se de Bela; em “Branca de Neve”, matar Branca. Além disso, as mulheres no conto de Colassanti, têm como propósito de vida a transcendência de limites que se manifesta na expulsão de Bela da aldeia: “À noite, as mulheres reuniram-se enquanto ela dormia. E decidiram seu destino.” (Colasanti, 2009, p. 85). Bela, longe da aldeia, possibilita que os homens voltem seus olhos somente para as outras mulheres e paz volta a reinar no local: “E não houve mais bois abandonados no meio do campo, os maridos todos regressaram para suas casas à noite, as brigas passaram a ser por causa da terra. E um dia um homem perdeu a razão e a aldeia voltou a ter o seu louco.” (Colasanti, 2009, p. 86).
Em ambos os contos, as heroínas também transcendem seus limites, Branca, mesmo apavorada, opta por correr no meio da grande floresta, sem saber aonde ir, pois, com medo e sozinha, não pode voltar para o castelo. Naquele momento não pode ao menos contar com a ajuda daqueles que deviam lhe proteger:
Não sabia para onde ir. Começou a correr. Correu, correu, por cima de pedras afiadas e pelo meio de moitas de espinhos e os animais ferozes passavam por ela sem fazer mal nenhum. Correu enquanto as pernas aguentaram até que, finalmente, pouco antes de anoitecer, avistou uma casinha e entrou nela para descansar. (Grimm, 2018, p.359).
A fuga de Branca a leva a vivenciar um mundo que não conhecia, mesmo com medo,
sua escolha foi de a de se jogar para o novo, o que lhe permitiu encontrar pessoas comuns, os anões, por exemplo, que precisavam trabalhar fora para manter seu sustento, tinham uma casa simples e onde moravam várias pessoas e hábitos rotineiros fora dos cultivados pela realeza. A transcendência dos limites dessa personagem se observa em sua adaptação social e cultural, preservando, contudo, sua essência de princesa, a qual os próprios anões fazem questão de conservar ao identificarem-na dessa forma no caixão em que supostamente jazia morta.
Já Bela transcende seu limite passando por uma metamorfose, como forma de proteção e vingança: “reconheceram a moça da aldeia, que acreditavam ter partido com o viajante. E, estando ela nua, procuraram no chão algo com que cobri-la. Mas no chão não havia nada. Nem mesmo a longa pele da serpente.” (Colasanti, 2009, p. 88). Bela poderia ter se transformado em qualquer outro animal, por que a serpente? Isso demonstra a simbologia por trás do conto e ainda o seu poder próprio interno, pois somente um grande animal poderia engolir um homem sem precisar devorá-lo, além da serpente ser um animal sorrateiro e com ataque certeiro, mas que só ataca quando se sente ameaçado, como Bela se sentiu.
A superação de Branca traz uma nova possibilidade de viver rodeada por pessoas que lhe fazem e lhe querem bem, dando a sensação de bem-estar e satisfação. Nos dois textos foram observados outros pontos para os sentimentos positivos, estimuladores para a manutenção de adversidades. Na madrasta isso acontece ao acreditar na morte de Branca, o que contribuiu também para o aumento de seu ego, pois tem certeza de que pode voltar a ser a mais bonita do lugar: “Pois bem, a rainha que pensava ter comido os pulmões e o fígado de Branca de Neve, agora tinha certeza de que era a mais bonita do lugar.” (Grimm, 2018, p. 361 – grifo no original). Por vezes o sentimento de prazer e satisfação se repete na Rainha, como é observado em vários momentos da narrativa, como quando a rainha diz: “agora você não é a mais linda do mundo” (Grimm, 2018, p. 363); ou em outro, quando revela: “Aí está, minha beleza, agora vai ser seu fim” (Grimm, 2018, p. 365); ou ainda: “A rainha deu um olhar cruel, uma gargalhada terrível e disse: Branca como a neve, vermelha como o sangue, negra como o ébano… Desta vez os anões não vão conseguir reviver você…” (Grimm, 2018, p. 366 – grifo no original).
Dessa forma observa-se que, mesmo em caso de personagens diferentes, os limites não são apenas vivenciados, mas também ultrapassados e superados, ora atingindo um final feliz
(happy end), como no caso de “Branca de Neve” e os homens libertados por Branca/serpente em “Bela das Brancas mãos”, ora um doloroso, como no caso da madrasta, tudo promove o autoconhecimento, aspecto analisado a seguir.
O AUTOCONHECIMENTO
Quem nunca se perguntou o porquê a heroína não agiu de outra maneira ou mesmo o porquê de o vilão ser tão malvado? De onde vêm as dores dos personagens e de onde retiram forças para ultrapassar tantos obstáculos? O fato é que superar limites implica conhecer-se bem, desafios que se colocam ao herói de toda história clássica.
Conforme apontado por Bettelheim (2002. p.5), “é através dos contos de fadas que o indivíduo pode aprender mais sobre as problemáticas interiores e elaborar soluções adequadas para os seus grupos numa sociedade.” Nesse sentido, com o passar dos séculos, foram recontados, se refinaram, e, ao mesmo tempo, transmitiram não só significados manifestos como os encobertos, e atingiram simultaneamente todos os níveis da personalidade humana, tanto a mente ingênua da criança quanto a do adulto sofisticado.
Ao se pensar no modelo psicanalítico da personalidade humana, Bettelheim (2002, p. 6) pontua que: “Os contos de fadas transmitem importantes mensagens à mente consciente, à pré-consciente, e à inconsciente, em qualquer nível que esteja funcionando no momento. Lidando com problemas humanos universais”. Nessa perspectiva, os contos de fadas atingem o psicológico e o emocional do indivíduo, mais que qualquer outra literatura, pois falam de suas pressões internas graves de um modo que ela inconscientemente compreende e não menospreza as lutas interiores mais sérias que o crescimento prevê, oferecendo exemplos tanto de soluções temporárias quanto permanentes para dificuldades imediatas.
Com relação aos adultos, avisa o pesquisador, os contos de fadas se tornam pontes para que seus temores mais obscuros sejam reconhecidos e trabalhados, pois facilita a identificação com os personagens. Contudo, não é possível que o ser humano se conheça em seu todo, somos seres em constante aprendizado, buscando viver da melhor forma que acreditamos ser para nós. Assim os contos de fadas mostram que a luta contra as dificuldades da vida é inevitável, pois fazem parte do ser humano. Porém, se o herói não se intimidar e enfrentar os problemas, que muitas vezes são injustos, é capaz de alcançar a vitória.
A expulsão de Branca de Neve de sua própria casa pode ser considerado um ato injusto, promovido pela própria madrasta: “Suma com essa menina da minha frente. Quero que você a leve para o fundo da floresta e a mate” (Grimm, 2018, p. 358). A moça poderia ter aceitado seu destino e ter morrido, mas supera o obstáculo da morte e consegue ser solta pelo caçador
“Por favor, querido caçador, deixe-me viver. Eu fujo para o fundo do mato e nunca mais volto para casa” (Grimm, 2018, p. 358). A beleza é ao mesmo tempo obstáculo e salvação, pois Branca de Neve se utiliza dela para conseguir sua liberdade: “Ela era tão bonita que o caçador ficou com pena e disse”, “Está bem, menina, pobre coitada fuja!” (Grimm, 2018, p. 358).
A atitude das mulheres em expulsar Bela da aldeia é a solução encontrada por elas para livrarem-se do problema. Tendo o propósito de que Branca nunca mais retornasse, assim suas vidas voltariam ao que acreditavam ser o normal: “No escuro ainda, a arrancaram da cama e a expulsaram da aldeia, que nunca mais voltasse” (Colasanti, 2009, p. 85). Por outro ângulo, a transformação de Bela em serpente também indica uma superação, mesmo que empregada em forma de vingança ou autoproteção. O conto não deixa claro se Branca toma a atitude de virar serpente conscientemente, apenas revela que magicamente ela assim se transformou e o fato atingiu aos que estava ao seu redor: “Tudo era tranquilidade. Até o dia em que um dos homens saiu para caçar e não voltou.” (Colasanti, 2009, p. 86).
Bettelheim (2002) pontua que os contos de fada trazem problemáticas existenciais, para haver superação, decepções, dilemas, rivalidades, tornando o indivíduo capaz de abandonar dependências infantis, obtendo um sentimento de individualidade e de autovalorização. Nessa perspectiva tal atitude terá influência na vida adulta do indivíduo, quando aprende a lidar com tais questões, aprende a enfrentar qualquer problema existencial de maneira mais leve.
No que se refere à madrasta, tal entendimento não ocorre, pois, não aprende a lidar com as decepções narcisas e sua rivalidade fraterna, o que a leva à morte. Quanto à Branca de Neve, sua superação ocorre quando vence as rivalidades fraternas referentes à madrasta e encontra seu verdadeiro amor. Já a autovalorização de Bela faz com que se supere, de modo a se libertar de uma prisão que ela mesma cria, para os homens e para ela própria. Para haver o autoconhecimento e sua superação, existe a necessidade de tempo e a luta contra anseios e medos. Enfim, quem se (re)conhece sabe de suas fraquezas e força para tomar o controle da própria vida, o que acontece nos contos analisados.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os contos de fadas sempre mexeram com o imaginário humano, motivo que levou esta pesquisa a se debruçar, de forma mais aprofundada, na compreensão de como o arquétipo da mulher bela invejada se ajusta no conto de fadas “Branca de Neve” (Schneeewittchen), dos irmãos Grimm, e em sua releitura, “Bela, das brancas mãos”, de Marina Colasanti, de acordo com a perspectiva psicanalítica.
A análise desses textos permitiu detectar uma aproximação das protagonistas Branca e
Bela. A primeira, expulsa de casa, recorre a ela mesma para sobreviver na floresta, sozinha e sem ajuda; já a segunda, também expulsa de seu lar, consegue ajuda e o amor do príncipe, garantindo-lhe a sobrevivência. Como pontos principais de conexão entre as personagens, observou-se a beleza invejada por figuras femininas (mulheres e rainha, respectivamente).
Os contos mostram uma variedade de sentimentos e conflitos, peças-chaves o desenrolar da análise, pois, a partir deles, foi possível observar quais dilemas são gerados internamente em Branca e Bela e de que forma transcendem os próprios limites. Ao aceitar o desafio de superar as dificuldades, mesmo com medo do futuro, as heroínas demonstram potencial para alcançar a vitória tão esperada no conto de fadas, mesmo quando expostas à rejeição e inveja de quem esperavam apoio (mulheres). Mas o que na verdade conquistam é o amadurecimento, propiciado pelo autoconhecimento profundo e consistente.
De modo geral, quando analisado com mais cuidado, os contos de fada (antigo ou moderno) pode ser considerado um verdadeiro “espelho da alma humana”, à medida que possibilita o encontro do sujeito consigo mesmo, a partir de conexões que estabelece com as personagens, não somente com as heroínas (como nos contos em questão), mas por vezes com os vilões ou mesmo com mediadores e coadjuvantes. Enfim, Branca e Bela demonstram que é possível sobreviver, ultrapassar os próprios medos e anseios, assim como perdoar aos outros e a si próprio.
Nesse sentido, a revitalização do arquétipo da mulher bela invejada está ligada à necessidade inata ao ser humano de criar histórias para atribuir sentido ao mundo. Seja para crianças ou adultos, os contos de fadas oferecem a oportunidade da autodescoberta e da resolução de sentimentos internalizados, através da identificação com a protagonista, heroína da história. Nos contos em questão, isso fica evidente a partir da revelação dos segredos mais profundos das heroínas e suas atitudes ao longo da trama. Assim, leitor e protagonista caminham juntos na superação dos mais temidos obstáculos e podem, enfim, se conhecer melhor.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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(Coleção Completa)
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