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Resumo
INTRODUÇÃO
É frequente e incessante a argumentação sobre as oportunidades de aperfeiçoamento relacionadas à qualidade do ensino de nível superior brasileiro. Esta discussão se fundamenta na necessidade de alterações no sistema educacional devido às necessidades presentes do mercado e da sociedade, impostas pelo capitalismo, além das demandas dos movimentos populares de professores, alunos e outros. Embora a expressão Gestão escolar esteja associada à educação, quando mencionada neste estudo, será destinada a esclarecer especificamente sobre os termos Educação superior e o tripé Extensão, Ensino e Pesquisa. Este texto aborda a Administração escolar e seus dois segmentos, pedagógico e administrativo. Além disso, elementos do ensino superior, o tripé Extensão, Ensino e Pesquisa, e a relevância dos personagens envolvidos na execução das ações relacionadas aos temas citados.
Nota-se que a compreensão mais apropriada sobre Gestão vai além dos aspectos técnicos, burocráticos e impessoais da gestão educacional. A administração de escolas já foi vista e considerada fria, por utilizar as funções fundamentais da administração, como direção, controle, organização e planejamento. E a Administração de escolas, que se origina do termo Administração, introduz o conceito de humanização.
É inegável que os conceitos, a mentalidade e as práticas associadas a eles se transformaram. Atualmente, o juízo feito de administração fria não é bem aceito, visto que a ênfase está na valorização do capital humano. A administração em escolas e a administração empresarial nas instituições educacionais valorizam a participação ativa dos funcionários no planejamento, na execução e no alcance dos objetivos definidos. Administrar de maneira abrangente, global e não somente garantir a execução adequada da programação planejada, mas também, de maneira conjunta, se preocupar de acordo com as expectativas e necessidades do seu pessoal. Funcionários contentes costumam produzir com mais qualidade.
Sob essa ótica, podemos afirmar que tanto a administração do nível superior quanto o tripé Extensão, Ensino e Pesquisa terão boas possibilidades de êxito, se o planejamento incluir não só a execução global do mesmo, mas também a atenção aos encarregados de executar as tarefas planejadas, ou seja, as pessoas.
CONFRONTOS DA ADMINISTRAÇÃO ESCOLAR NA EDUCAÇÃO SUPERIOR
Inicialmente, é importante destacar que os objetos Gestão escolar ou Gestão educacional são equivalentes. E que são frutos do progresso do conceito de Gestão e Administração. Em outras palavras, a Administração escolar aplica os princípios impessoais da Administração, aliados ao caráter humanizado que caracteriza o teor de Gestão. Esta gestão engloba as administrações Administrativa e Pedagógica.
Rumble define Gestão como:
um procedimento que possibilita a realização de tarefas com eficiência e eficácia, a tomada de decisões sobre as ações necessárias, a seleção e análise da maneira mais eficaz de realizá-las (Rumble, 2003).
Conforme Vieira (2005), a gestão de escola lida com as demandas direcionadas às instituições de ensino, e opera conforme as diretrizes dos sistemas educacionais. Cada instituição educacional desenvolve e implementa sua proposta pedagógica; gerencia seu pessoal e recursos materiais e financeiros; cuida da atividade de ensino-aprendizagem dos alunos, oferecendo meios para sua recuperação; e estabelece conexões com a comunidade e suas famílias, promovendo um processo de integração.
Conforme ilustrado no gráfico a seguir, Monteiro (2015) sustenta que, em sua totalidade (100%), os diretores e gestores pedagógicos de uma instituição de ensino de nível superior compreendem a conexão benéfica e imprescindível entre os aspectos pedagógicos e administrativos.
Gráfico 01 – Quantidade de gestores pedagógicos / diretores

Fonte: Monteiro (2015, p.118)
Observa-se que a Administração de escola serve como um suporte para a educação, permitindo que ela atinja seu propósito principal. Por intermédio da criação e implementação de normas e procedimentos requeridos pelo mercado de trabalho, pelos hábitos locais, pela comunidade externa, pela sociedade e pelos governos, haverá uma ampla oportunidade para a preparação de cidadãos e de profissionais para a atuação e coexistência em sociedade.
A gestão da escola é o elo unificador do conjunto de medidas e de estratégias político-educativas, ao passo que no caso anterior é a concepção político-educacional que dá unidade ao conjunto de medidas e estratégias governamentais (Krawczyk,1999).
É evidente que a Administração de Escola busca conduzir uma organização educacional, utilizando uma combinação de recursos pedagógicos e administrativos para atender à sociedade e ao mercado globalizado. É importante destacar que a Gestão do ensino de nível superior inclui a gestão do tripé Extensão, Ensino e Pesquisa, tema que será abordado posteriormente.
A EXTENSÃO, O ENSINO E A PESQUISA
Historicamente, a Escola Superior foi estabelecida com o propósito de estabelecer um espaço onde o conhecimento é compartilhado, pudesse ser gerado e, consequentemente, potencializasse a responsabilidade de capacitação e de formação de profissionais. Esses são os alicerces da Universidade, isto é, os alicerces do Ensino Superior: a extensão, o Ensino e a Pesquisa.
O Ensino, sendo o primeiro componente da tríade, espelha as atividades direcionadas ao aprendizado. Atividades como: aulas presenciais e à distância, laboratórios, supervisão, seminários, conferências e similares.
a questão do ensino superior brasileiro deve ser situada dentro do processo em que foi feita a escolarização do país. Tal escolarização foi constituída com uma dupla finalidade: a exploração comercial e a realização da cruzada Católico-cristã, no espírito da Contra-Reforma. Em seu início, o ensino superior brasileiro teve um caráter colonialista, dependente, tardio, classista e desvinculado da realidade nacional. A sociedade colonial era arcaica, de cultura oral, fundada na escravidão, no patriarcado rural e na burocracia colonial. Nessa sociedade a educação era predominantemente eclesiástica e destinada à manutenção dos privilégios da ordem social rígida e fechada (Rossato, 2006).
Observa-se que a educação universitária no Brasil começou recentemente uma nova fase. Acompanhado desse acontecimento, houve uma maior atenção dada a ela pelas forças soberanas e por uma grande fração da federação.
Agora abordaremos aspectos significativos do segundo elemento do tripé do ensino de nível superior, isto é, a Pesquisa científica. Ela abrange práticas e ações de planejamento para promover tarefas de Pesquisa no contexto universitário. Atividades e práticas que podem ser realizadas por meio da elaboração de monografias, trabalhos de fechamento de curso ou através de iniciação científica.
Entende-se que a Pesquisa consiste na implementação de diversos procedimentos e técnicas empregadas por estudiosos para a execução de pesquisas específicas.
Lakatos e Marconi mencionam:
averiguar algo de forma minuciosa, é investigar”, bem como o entendimento do termo investigação “não é unívoco, pois há várias definições sobre o termo nos diferentes campos de conhecimento. Não é unívoco, pois há várias definições sobre o termo nos diferentes campos de conhecimento. Contudo, o ponto de partida da Pesquisa reside no problema que deverá se definir, avaliar, analisar uma solução para depois ser tentada uma solução (Lakatos e Marconi, 1990).
Segundo os autores citados, a Pesquisa é um campo de infinitas possibilidades, possibilitando a visualização de diversas conclusões em um mesmo campo de verificação. A conclusão é direcionada ao objetivo do autor, por isso é crucial estabelecer com exatidão o começo da problemática.
Finalmente, o componente final do tripé, a Extensão. A Extensão do ensino de nível superior permite a interação entre a comunidade circundante e a instituição de ensino.
A Extensão teve oficialmente seu reconhecimento como componente do tripé Extensão, Ensino e Pesquisa pela Constituição Federal de 1988. O artigo 207 menciona que:
As Universidades possuem autonomia didático-científica, administrativa, financeira e patrimonial, e se comprometem a respeitar o princípio da indissociabilidade entre Ensino, Pesquisa e Extensão (Brasil, 1988).
É consenso que a Extensão do ensino de nível superior se estabelece por meio da aproximação, do diálogo e compreensão entre a sociedade e a Universidade. A Extensão desempenha um papel significativo ao ir além das fronteiras da Universidade.
Como mencionado anteriormente, o tripé Extensão, Ensino e Pesquisa é apropriado discorrer, ainda que sucintamente, sobre a indissociabilidade que a envolve, conforme a concepção de alguns autores.
Nota-se que a palavra indissociabilidade é empregada para outros contextos e tópicos. Portanto, não se destina exclusivamente a tópicos relacionados ao tripé Extensão, Ensino e Pesquisa. Indissociabilidade implica inseparabilidade, o que significa que tripé Extensão, Ensino e Pesquisa se movem em conjunto e se complementam.
O conceito de indissociabilidade remete a algo que não existe sem a presença do outro, ou seja, o todo deixa de ser todo quando se dissocia. Alteram-se, portanto, os fundamentos do ensino, da pesquisa e da extensão, por isso trata-se de um princípio paradigmático e epistemologicamente complexo (Tauchen, 2009).
É confirmado que o princípio da indissociabilidade do tripé Extensão, Ensino e Pesquisa pode ser interpretado como uma chave para atender às demandas sociais. A Universidade tem a responsabilidade de estabelecer um diálogo mais eficaz e robusto com diversos setores da sociedade, a fim de promover formação e produção de conhecimento em sintonia com as necessidades sociais.
RELEVÂNCIA DOS PERSONAGENS INCLUÍDOS NA GESTÃO ESCOLAR DO ENSINO DE NÍVEL SUPERIOR
A Administração de escola, não só do Ensino de nível Superior, é dividida em duas áreas: Administrativa e Pedagógica. A função principal da parte Pedagógica é orientar o estabelecimento de ensino, enquanto a parte Administrativa atua como suporte para a parte Pedagógica alcançar o objetivo final educacional e social.
A administração da escola emprega os princípios administrativos para coordenar as ações administrativas e pedagógicas que possibilitam a obtenção de resultados educacionais e sociais. Não importa se o termo é Administração ou Gestão, ele ocupa uma posição proeminente no panorama educacional do Brasil, como mencionado por Bonamino et al. (2009).
É evidente que é essencial articular, comunicar e trabalhar em conjunto e complementar, não apenas de maneira geral entre os elementos que compõem a Gestão de escolas. Também é crucial que as figuras das comunidades internas e externas sejam vistas como elementos cruciais para alcançar o objetivo principal da instituição educacional, que é proporcionar educação de alta qualidade e formar profissionais e comunidades de alto valor.
A qualidade da educação:
[…] está vinculada à satisfação e à motivação, é indicada por uma infraestrutura adequada, por procedimentos administrativos, pela capacitação docente, pela avaliação e atualização constantes, formação profissional e crítica, produção e avanço do conhecimento, transformação social, valorização da pesquisa e da extensão (Rodrigues, 2011).
Observa-se que, as instituições educacionais não são independentes simplesmente por possuírem uma “boa” estrutura pedagógica. O suporte administrativo é essencial para a execução do planejamento educacional. Sob essa ótica, é apropriado destacar a relevância do papel do administrador escolar, diretores e docentes. No entanto, é crucial destacar o papel crucial que as personagens desempenham nas tarefas administrativas e até mesmo nos serviços técnicos executados, como por exemplo, os serviços de manutenção e limpeza.
A direção da escola tem atribuições pedagógicas e administrativas próprias, e entre as mais importantes está à organização, administração e gestão do processo de tomadas de decisões por meio de práticas participativas e a execução das decisões tomadas. Em geral, ela atua mais diretamente nos aspectos administrativos, delegando os aspectos pedagógico-curriculares à coordenação pedagógica (ou outra designação equivalente ao trabalho de pedagogo escolar) (Libâneo, 2008).
A Gestão de escola tem como desafio:
articular o processo de decisão na coordenação de trabalhos e na organização das atividades; superar desafios oriundos da administração escolar, buscando olhares significativos à gestão pedagógica de recursos humanos e administrativos (Buss, 2012).
É conhecido que a Administração de escola deve operar como um sistema, isto é, onde todos os personagens, seus encargos, atividades e ações têm um impacto direto ou indireto no resultado final ambicionado pela instituição educacional.
Em última análise, o conceito literal não se limita a destacar o crédito da comunicação e atuação entre os setores Administrativo e Pedagógico que compõem a Administração da escola. Também é importante destacar que todos os participantes da Gestão da escola, desde o Diretor da escola, passando pelos docentes, pais dos estudantes até o funcionário que recolhe o lixo da instituição, estão envolvidos. Todos têm uma verdadeira relevância dentro da organização como um todo.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Após a abordagem sucinta dos temas acima, conclui-se que eles necessitam de mais pesquisas, já que as informações fornecidas neste artigo não cobrem completamente as questões relacionadas à Gestão da escola, ao tripé Extensão, Ensino e Pesquisa, além do Ensino de nível superior e dos personagens envolvidos. Embora seja evidente a impossibilidade de descrevê-los de maneira literal em um número limitado de páginas.
O propósito deste artigo foi apresentar de forma concisa e abrangente, aspectos dos temas mencionados, a fim de permitir questionamentos que conduzissem a novos estudos.
Embora este estudo tenha um propósito informativo, é pertinente destacar as particularidades da Gestão de escola na elaboração de um planejamento abrangente, moderno, democrático, participativo e sensível às necessidades e aspirações do grupo humano encarregado da implementação prática das ações educativas.
Não há garantia de êxito apenas ao desenhar e traçar no papel, um bom projeto, metas claras e objetivos bem definidos. Portanto, para que tudo se desenrole conforme o planejado, e até mesmo possa ser ajustado e aprimorado, é crucial que pessoas, indivíduos, colaboradores atuem em sintonia com o objetivo proposto.
A eficácia da Administração de escola, não só no âmbito do Ensino de nível superior que engloba o tripé Extensão, Ensino e Pesquisa, também depende do empenho de sua equipe humana para sua execução eficaz e eficiente. Frequentemente, gestores e docentes são considerados os “únicos” personagens relevantes dentro das instituições educacionais. No entanto, o trabalho deles é realizado com o valioso apoio das outras personagens que os rodeiam.
De forma mais pormenorizada, o foco deste estudo está na atenção global e essencial para um planejamento eficaz da gestão da escola do Ensino de nível superior, bem como no esforço conjunto necessário dos participantes para o êxito do tripé Extensão, Ensino e Pesquisa.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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