Uso de probióticos no tratamento da obesidade em adultos

USE OF PROBIOTICS IN THE TREATMENT OF OBESITY IN ADULTS

USO DE PROBIÓTICOS EN EL TRATAMIENTO DE LA OBESIDAD EN ADULTOS

Autor

URL do Artigo

https://iiscientific.com/artigos/781CB0

DOI

doi.org/10.63391/781CB0

Silva, Jeisa Monique Queiroz Viena . Uso de probióticos no tratamento da obesidade em adultos. International Integralize Scientific. v 5, n 51, Setembro/2025 ISSN/3085-654X

Resumo

O estado obeso é resultado de um efeito prolongado do desequilíbrio entre ingestão e gasto de energia, o que acarreta acúmulo excessivo de gordura corporal. O termo probiótico já é bem conhecido e usado desde a década de 50. Os probióticos são definidos pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como microrganismos vivos que, quando administrados em quantidades apropriadas, conferem benefício à saúde do hospedeiro. É importante assegurar que tais microrganismos permaneçam viáveis após atravessarem o estômago e cheguem em grande número ao intestino. O presente trabalho utiliza como metodologia a pesquisa qualitativa através de um estudo de levantamento bibliográfico. O estudo tem como objetivo geral analisar o uso de probióticos no tratamento da obesidade em adultos. Conclui-se que os microrganismos que apresentaram efeitos mais consistentes no tratamento de variáveis relacionadas à obesidade foram Lactobacillus gasser SBT2055, utilizado em leite fermentado (200g ao dia), com doses a partir de 10 6 UFC/g e Lactobacillus rhamnosus CGMCC1.3724, administrado na forma de cápsulas com 1,62 x 10 8 UFC, duas vezes ao dia.
Palavras-chave
adultos; obesidade; probióticos; tratamento.

Summary

Obesity is the result of a prolonged imbalance between energy intake and expenditure, which leads to excessive accumulation of body fat. The term “probiotic” has been well-known and used since the 1950s. Probiotics are defined by the World Health Organization (WHO) as live microorganisms that, when administered in appropriate amounts, confer health benefits on the host. It is important to ensure that these microorganisms remain viable after passing through the stomach and reaching the intestine in large numbers. This study uses qualitative research methodology through a literature review. The overall objective is to analyze the use of probiotics in the treatment of obesity in adults. It was concluded that the microorganisms that presented the most consistent effects in the treatment of variables related to obesity were Lactobacillus gasser SBT2055, used in fermented milk (200g per day), with doses starting from 10 6 CFU/g and Lactobacillus rhamnosus CGMCC1.3724, administered in the form of capsules with 1.62 x 10 8 CFU, twice a day.
Keywords
adults; obesity; probiotics; treatment.

Resumen

La obesidad es el resultado de un desequilibrio prolongado entre la ingesta y el gasto energético, lo que provoca una acumulación excesiva de grasa corporal. El término “probiótico” se conoce y utiliza desde la década de 1950. La Organización Mundial de la Salud (OMS) define los probióticos como microorganismos vivos que, administrados en cantidades adecuadas, aportan beneficios para la salud. Es importante asegurar que estos microorganismos se mantengan viables tras su paso por el estómago y alcanzar el intestino en grandes cantidades. Este estudio utiliza una metodología de investigación cualitativa mediante una revisión bibliográfica. El objetivo general es analizar el uso de probióticos en el tratamiento de la obesidad en adultos. Se concluyó que los microorganismos que presentaron efectos más consistentes en el tratamiento de las variables relacionadas con la obesidad fueron Lactobacillus gasser SBT2055, utilizado en leche fermentada (200g por día), con dosis a partir de 106 UFC/g y Lactobacillus rhamnosus CGMCC1.3724, administrado en forma de cápsulas con 1,62 x 108 UFC, dos veces al día.
Palavras-clave
adultos; obesidad; probióticos; tratamiento.

INTRODUÇÃO

O Guia Alimentar para a População Brasileira ressalta que indivíduos de todas as idades estão expostos diariamente a diversas estratégias de marketing utilizadas pelas indústrias alimentícias para promover seus produtos, mais de dois terços dos anúncios de alimentos exibidos na televisão referem-se a itens vendidos em redes de fast food, salgadinhos industrializados, biscoitos, bolos, cereais matinais, balas e outros doces, além de refrigerantes, sucos adoçados e refrescos em pó, todos classificados como ultraprocessados (Brasil, 2015)

A alimentação saudável e a nutrição adequada tornaram-se temas centrais em pesquisas que analisam os contextos alimentares e de saúde pública. Isso ocorre porque o aumento significativo dos índices de obesidade e de doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs) está associado às mudanças nos hábitos alimentares da sociedade contemporânea, refletindo um impacto direto no bem-estar da população (Bittar; Soares, 2020).

A nutrição funcional considera essencial a integridade fisiológica e funcional do trato gastrointestinal. A alimentação exerce papel fundamental na manutenção do equilíbrio da microbiota, podendo gerar benefícios ao organismo ou, ao contrário, favorecer disfunções nesse sistema. O uso de alimentos Probióticos e Prebióticos tem se expandido como estratégia preventiva para doenças do aparelho digestivo, devido à interação positiva com a microbiota, representando uma forma de aprimorar a qualidade da dieta. 

O sobrepeso e a obesidade estão entre os principais desafios de saúde pública global, sendo denominados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como a “epidemia do século 21”. No Brasil, houve um aumento de 67,8% no número de pessoas obesas entre 2006 e 2018, segundo dados da Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) de 2018, realizada pelo Ministério da Saúde (OMS, 2018).

A obesidade resulta de um desequilíbrio crônico entre a ingestão calórica e o gasto energético, levando ao acúmulo excessivo de gordura corporal. O controle do apetite e do peso corporal envolve hormônios e peptídeos produzidos no trato gastrointestinal, em órgãos periféricos e no sistema nervoso central. Os probióticos são definidos como microrganismos vivos que definidos como microrganismos vivos que, em quantidades adequadas, oferecem benefícios à saúde, incluem principalmente os gêneros Lactobacillus e Bifidobacterium (Alonso, Guarner, 2019).

Um fator relevante é a dificuldade de manutenção do peso em adultos obesos, frequentemente associada ao desconforto psicológico. Mulheres que engravidam com sobrepeso ou obesidade apresentam maior propensão à ansiedade alimentar e ao ganho de peso pós-parto, sendo necessária uma abordagem multidisciplinar que considere aspectos nutricionais e psicológicos para o tratamento adequado (Kac, 2015).

O excesso de peso e a obesidade caracterizam-se pelo acúmulo anormal ou excessivo de gordura corporal, com potenciais efeitos prejudiciais à saúde. No tratamento da obesidade, o uso de alimentos funcionais, como Probióticos e Prebióticos, destaca-se como uma alternativa promissora, pois contribui para a manutenção da integridade intestinal e o restabelecimento da saúde (Butel, 2018).

Este trabalho adota a metodologia de revisão bibliográfica com uma abordagem qualitativa. Conforme Gunther (2016), a abordagem qualitativa permite utilizar dados que ocorrem naturalmente para identificar padrões em que os significados atribuídos pelos participantes se revelam, possibilitando a compreensão de determinados fenômenos. A pesquisa foi conduzida em artigos científicos, revistas especializadas e livros, com ênfase no SISVAN Web, plataforma online utilizada para o levantamento epidemiológico de sobrepeso e obesidade.

A crescente prevalência da obesidade e seus impactos na saúde global evidenciam a necessidade de implementar medidas de prevenção e controle complementares às estratégias já existentes. Embora recentes, estudos em humanos indicam que microrganismos probióticos podem desempenhar um papel relevante no tratamento terapêutico da obesidade, contribuindo para a redução dos seus efeitos.

O objetivo geral deste trabalho é analisar o papel dos probióticos no tratamento da obesidade em adultos. Os objetivos específicos incluem: descrever o conceito de probióticos; identificar as consequências do excesso de peso em adultos; e demonstrar os efeitos do uso de probióticos no controle da obesidade nessa população.

REFERENCIAL TEÓRICO 

O BENEFÍCIO DOS PROBIÓTICOS PARA O TRATAMENTO DA OBESIDADE

Para que um micro-organismo seja classificado como probiótico, é necessário que ele seja identificado até o nível de cepa por meio de métodos genotípicos e fenotípicos. Isso se deve ao fato de que as evidências científicas atuais indicam que os efeitos dos probióticos são específicos para cada cepa, tornando a identificação precisa essencial para determinar seus benefícios à saúde. Além disso, essa identificação facilita o desenvolvimento de estudos epidemiológicos e de vigilância. O micro-organismo também deve apresentar segurança e ser funcionalmente caracterizado por meio de estudos in vitro e em modelos animais, com sua eficácia comprovada em seres humanos através de pesquisas randomizadas, duplo-cego e controladas por placebo (Fao; Who; 2012).

Historicamente, micro-organismos probióticos têm sido parte integrante da alimentação humana, presentes em alimentos fermentados consumidos em diversas culturas ao redor do mundo. O impacto desse consumo em funções fisiológicas tem sido cada vez mais documentado, com um crescente interesse nos possíveis efeitos antiobesidade dos probióticos. Esse interesse se deve ao aumento das evidências científicas que demonstram o papel da microbiota intestinal na regulação da homeostase energética e no acúmulo de gordura corporal.

Além disso, os probióticos têm mostrado eficácia na redução da diarreia e na diminuição do uso de antibióticos, como demonstrado em um estudo de Basu et al., (2019), no qual a administração de Lactobacillus rhamnosus GG reduziu tanto a incidência quanto a duração média de episódios diarreicos. Para prevenir o surgimento de doenças e melhorar a digestão, é possível incluir determinados alimentos na dieta, conhecidos como alimentos funcionais. Dentre esses, destacam-se os probióticos, que podem ser utilizados isoladamente ou em combinação com prebióticos, formando os chamados simbióticos. 

Os alimentos probióticos estão sendo amplamente estudados por seus potenciais efeitos benéficos na prevenção de doenças intestinais, promovendo uma interação positiva com a microbiota intestinal e oferecendo uma oportunidade concreta de aprimorar a qualidade da alimentação. Ressalta-se a importância do consumo diário desses alimentos para alcançar resultados satisfatórios, aliado a uma dieta equilibrada (Stefe; Alves; Ribeiro, 2018).

As bactérias probióticas desempenham diversas funções importantes no organismo. Destacam-se suas funções nutricionais, como a participação na síntese de vitaminas do complexo B e vitamina K; funções digestivas, promovendo a produção de enzimas digestivas, especialmente a lactase, regulando o trânsito intestinal e a absorção de nutrientes; funções cardiovasculares, através da produção de substâncias que, após absorção, contribuem para a redução dos níveis de colesterol e triglicerídeos no sangue; e funções metabólicas, com a produção de ácidos graxos de cadeia curta (AGCCs), que servem como substratos para os colonócitos, fornecendo cerca de 40-50% da energia necessária. 

Além disso, favorecem a destoxificação hepática, auxiliando na metabolização de medicamentos, hormônios, carcinógenos, metais tóxicos e outros xenobióticos, por meio da produção de enzimas semelhantes ao citocromo P450 no fígado (Santos; Barbosa; 2016).

DISCUSSÃO E RESULTADOS

O EFEITO DO USO DE PROBIÓTICOS NO TRATAMENTO DA OBESIDADE EM ADULTOS

Os probióticos são definidos pela Organização Mundial da Saúde como microrganismos vivos que proporcionam benefícios à saúde quando consumidos de forma adequada. Para que um microrganismo seja classificado como probiótico, é necessário que ele seja identificado até o nível de cepa por métodos genotípicos e fenotípicos, considerando que diferentes cepas exercem funções específicas no organismo. Além disso, é fundamental a realização de estudos in vitro com resultados comprovados em modelos animais e humanos (Thursby; Juge, 2017).

Os alimentos funcionais têm ganhado destaque devido aos seus efeitos positivos na saúde. De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), esses alimentos contêm componentes que auxiliam na manutenção da saúde, como a regulação dos níveis de triglicerídeos, o bom funcionamento do intestino, a redução da absorção de colesterol e o equilíbrio da microbiota intestinal, entre outros (Brasil, 2017).

A ação dos probióticos está associada à redução da população de bactérias patogênicas, promovendo a resposta imunológica pela mucosa intestinal e aumentando a presença de bactérias benéficas. Esses efeitos incluem a diminuição da diarreia e a redução da incidência de câncer de cólon em estudos realizados com animais, embora mais pesquisas em humanos ainda sejam necessárias para confirmar esses resultados (Alonso, 2016).

Segundo Collado et al., (2017), ser considerado um probiótico é uma característica específica da cepa, e suas propriedades não podem ser generalizadas para outras espécies. A eficácia de uma cepa deve ser cientificamente comprovada ao demonstrar benefícios para a saúde do hospedeiro, mesmo que esses efeitos não estejam diretamente vinculados a mecanismos de ação específicos.

Apesar das definições focarem nos efeitos sobre a microbiota intestinal, estudos recentes apontam para outros benefícios dos probióticos, como a modulação do sistema imunológico. Isso tem levado à formulação de novas definições que consideram a contribuição dos probióticos para a saúde de forma mais ampla, além do trato gastrointestinal.

A relação entre o ser humano e a microbiota é simbiótica: enquanto o hospedeiro fornece nutrientes e um ambiente propício à sobrevivência dos microrganismos, a microbiota contribui para funções essenciais, como o desenvolvimento do sistema imunológico, regulação do acúmulo de gordura, processamento de alimentos e proteção contra infecções, competindo por espaço com microrganismos patogênicos (Delucchi; Fraga; Zunino, 2017)

Os mecanismos de ação dos probióticos são diversos. Destaca-se a competição por sítios de adesão na mucosa intestinal, onde as bactérias benéficas formam uma barreira física que impede a fixação de patógenos, contribuindo para a proteção do organismo contra infecções (Cardoso, 2016).

Para serem eficazes em produtos alimentícios, os microrganismos probióticos devem sobreviver à passagem pelo trato gastrointestinal e proliferar no intestino. Isso requer resistência ao suco gástrico e à bile, ou o consumo por meio de veículos alimentares que garantam essas propriedades. Os gêneros mais utilizados incluem bifidobactérias e lactobacilos, com menor frequência para cocos Gram-positivos e leveduras (Fao; Who, 2015). 

A Fao/Who (2015) define probióticos como microrganismos vivos que, quando administrados em doses adequadas, conferem benefícios à saúde do hospedeiro. Esses benefícios incluem o alívio da intolerância à lactose, (o) tratamento de diarreias, (a) redução dos níveis de colesterol, (o) aumento da resposta imunológica e (os) efeitos anticarcinogênicos.

Em um estudo, ratos alimentados com dieta rica em gordura e suplementação de 10⁷ e 10⁹ UFC de Lactobacillus plantarum (LG42) apresentaram menor peso corporal e redução significativa da gordura epididimal e visceral em comparação aos que não receberam probióticos (Arrieta, 2018).

Resultados semelhantes foram observados em ratos com obesidade induzida por dieta lipídica, tratados com Lactobacillus curvatus HY7601 e Lactobacillus plantarum KY1032. Após 10 semanas, houve redução no ganho de peso, acúmulo de gordura, níveis de insulina, leptina, colesterol total e biomarcadores de toxicidade hepática (Arrieta et al., 2018).

Estudos de Dellucchi et al., (2017) sugerem que os probióticos podem modificar o metabolismo por meio da regulação da atividade enzimática. Isso inclui o aumento da tolerância à lactose em indivíduos com deficiência de lactase e a redução da atividade de enzimas responsáveis pela produção de substâncias tóxicas.

Por outro lado, um estudo com Lactobacillus acidophilus NCDC 13, suplementado em um produto lácteo fermentado por oito semanas em ratos com dieta rica em gordura, não mostrou mudanças significativas no ganho de peso ou na composição de gordura corporal, observando-se apenas um aumento na quantidade de bifidobactérias nas fezes (Alonso; Guarner, 2019).

De acordo com Butel (2018), os probióticos têm se destacado como uma alternativa terapêutica para o reequilíbrio da microbiota intestinal, promovendo benefícios não apenas no trato gastrointestinal, mas também em outros órgãos. Eles são geralmente bactérias não patogênicas, isoladas da microbiota humana, animal ou de alimentos fermentados. Graças a processos de fabricação diversificados, há uma ampla gama de produtos probióticos disponíveis, especialmente em alimentos lácteos como iogurtes e queijos. Embora algumas bactérias de outros gêneros possam ser utilizadas, o uso é mais restrito devido ao risco de efeitos adversos, como observado com o gênero Enterococcus. A maioria dos estudos sobre mecanismos de ação baseia-se em modelos in vitro ou animais, limitando a confirmação dos efeitos em humanos.

O consumo de fibras também desempenha um papel importante na saúde digestiva e metabólica, promovendo saciedade, regulando o trânsito intestinal e reduzindo a absorção de lipídios. A Figura 1 ilustra os mecanismos de ação dos probióticos na obesidade.

Figura 1 – Mecanismo de ação dos probióticos.

Fonte: (Arrieta et al., 2018)

A relação entre o excesso de peso e os desequilíbrios na microbiota intestinal ganhou destaque, evidenciando o potencial uso de probióticos no tratamento da obesidade. Esta revisão sistemática da literatura permitiu identificar os principais microrganismos que vêm sendo treinados para o manejo do excesso de peso em humanos. Os resultados mais relevantes indicam que algumas cepas possuem a capacidade de reduzir o peso corporal, além de impactar medidas antropométricas, como as especificações da cintura e do quadril, e parâmetros de composição corporal, incluindo massa magra, gordura visceral abdominal e gordura subcutânea abdominal.

Nos estudos de Collado et al., (2017), foi realizada uma intervenção com adultos hipertensos e portadores de obesidade grau II, durante um período de três semanas. Os participantes foram divididos em dois grupos: um recebeu queijo probiótico (50 g/dia) associado a uma dieta hipocalórica, enquanto o outro consumiu queijo sem probiótico (50 g/dia), mantendo a mesma dieta. Ao final do estudo, observamos que a redução do peso corporal (-5,7 kg versus -4,4 kg; p = 0,083) e do índice de massa corporal (IMC) (-2 kg/m² versus -1,6 kg/m²; p = 0,031) foi mais significativa no grupo que consumiu o queijo probiótico. Quanto à composição corporal, obteve-se uma adição significativa do teor total de água (p = 0,001) apenas no grupo probiótico. No entanto, as variações em água, gordura, massa muscular e na relação cintura-quadril não foram avaliadas diferenças estatísticas entre os grupos probióticos e controle.

Em outro estudo, a perda de peso média entre mulheres do grupo que receberam Lactobacillus plantarum (LPR) foi significativamente maior em comparação ao grupo placebo após as primeiras 12 semanas de intervenção. Enquanto isso, entre os homens, a perda de peso foi semelhante em ambos os grupos. As mulheres do grupo LPR continuaram a apresentar redução no peso corporal e na massa de gordura durante o período de manutenção do peso, ao passo que, no grupo placebo, foram observadas alterações opostas. Já nos homens, as mudanças no peso corporal e na massa gorda durante a fase de manutenção do peso foram encontradas semelhantes entre os dois grupos (Oliveira; Almeida; Bomgim, 2017).

Os microrganismos probióticos estão presentes na alimentação humana por meio de alimentos fermentados, consumidos em diversas culturas ao redor do mundo. O impacto desse consumo em funções fisiológicas tem sido cada vez mais documentado, despertando o interesse pelo possível efeito antiobesidade dos probióticos. Esse interesse deve ser um número crescente de evidências científicas que demonstrem o papel fundamental da microbiota intestinal na regulação da homeostase energética e no acúmulo de gordura corporal.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Evidências atuais em estudos com humanos demonstram claramente a existência de uma relação entre o manejo da microbiota intestinal e a obesidade. Os probióticos são indicados na redução do peso corporal, diminuição da alimentação abdominal e do quadril, além de promover melhorias nos níveis de glicose, triglicerídeos e insulina, bem como no fortalecimento do sistema imunológico. Além disso, eles podem contribuir para a redução da gordura visceral abdominal e da gordura subcutânea, de acordo com os resultados apresentados em diversas pesquisas. O uso de probióticos na promoção do bem-estar, prevenção e tratamento de doenças em adultos revelou-se relevante, embora a quantidade de estudos sobre o tema ainda seja limitada em comparação com outras áreas relacionadas ao uso desses microrganismos.

No contexto da obesidade, estudos apontam uma associação direta entre essa condição e a composição da microbiota do hospedeiro, o que reforça a necessidade de pesquisas adicionais para esclarecer, de forma mais precisa, os mecanismos envolvidos no ganho de peso. Com a crescente disponibilidade de probióticos e prebióticos no mercado, sua inclusão no tratamento da disbiose relacionada à obesidade tornou-se mais acessível, podendo ser utilizada em conjunto com outras abordagens terapêuticas, dada a importância desses recursos no equilíbrio da microbiota.

Conclui-se que os microrganismos que tiveram efeitos mais consistentes no tratamento de variáveis ​​relacionadas à obesidade foram o Lactobacillus gasseri SBT2055, utilizado em leite fermentado (200 g por dia), com doses a partir de 10⁶ UFC/g, e o Lactobacillus rhamnosus CGMCC1.3724, administrado em cápsulas contendo 1,62 x 10⁸ UFC, duas vezes ao dia. Esses resultados destacam o potencial dos probióticos como aliados no manejo da obesidade e de suas comorbidades associadas.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Referencias

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Disponível em: https://academic.oup.com/cid/article/67/7/1208/6141108.
Acesso em: 2024-09-03.

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Uso de probióticos no tratamento da obesidade em adultos

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