Transtorno do déficit de atenção e hiperatividade: Desafios para a inclusão

ATTENTION DEFICIT HYPERACTIVITY DISORDER: CHALLENGES FOR INCLUSION

TRASTORNO POR DÉFICIT DE ATENCIÓN E HIPERACTIVIDAD: RETOS PARA LA INCLUSIÓN

Autor

URL do Artigo

https://iiscientific.com/artigos/7B1566

DOI

doi.org/10.63391/7B1566

Leite, Clarice de Sá. Transtorno do déficit de atenção e hiperatividade: Desafios para a inclusão. International Integralize Scientific. v 5, n 50, Agosto/2025 ISSN/3085-654X

Resumo

O assunto Transtorno de Déficit de Atenção – TDAH atualmente é um dos maiores temas na área da Pedagogia e de ensino devido à grande importância para a superação das dificuldades e limitações de alunos acometidos, pais, professores e familiares. O trabalho inclusivo de alunos com este transtorno deve ocorrer na escola por professores especializados e em classe regular. Proporcionar à comunidade escolar um trabalho inclusivo pode ultrapassar os muros da escola e atingir toda a sociedade em prol da inclusão social de alunos com transtornos de aprendizagem e déficit de atenção e hiperatividade. Esta ação proporciona o ganho e a evolução da sociedade como um todo.
Palavras-chave
educação inclusiva; ensino; sociedade.

Summary

The topic of Attention Deficit Disorder – ADHD is currently one of the biggest topics in the field of Pedagogy and teaching due to its great importance in overcoming the difficulties and limitations of affected students, parents, teachers and family members. Inclusive work with students with this disorder should take place at school by specialized teachers and in regular classes. Providing the school community with inclusive work can go beyond the school walls and reach the entire society in favor of the social inclusion of students with learning disorders and attention deficit and hyperactivity. This action provides gains and development for society as a whole.
Keywords
inclusive education; teaching; society.

Resumen

El Trastorno por Déficit de Atención (TDAH) es actualmente uno de los temas más relevantes en el ámbito de la Pedagogía y la Docencia debido a su gran importancia para superar las dificultades y limitaciones de los estudiantes, padres, docentes y familiares afectados. El trabajo inclusivo con el alumnado con este trastorno debe llevarse a cabo en la escuela, por parte de docentes especializados, y en las clases regulares. Brindar a la comunidad escolar un trabajo inclusivo puede trascender los límites de la escuela y llegar a toda la sociedad, favoreciendo la inclusión social del alumnado con trastornos del aprendizaje y déficit de atención e hiperactividad. Esta acción genera beneficios y desarrollo para la sociedad en su conjunto.
Palavras-clave
educación inclusiva; docencia; sociedad.

INTRODUÇÃO

O presente trabalho busca refletir acerca do assunto transtorno do déficit de atenção e hiperatividade, TDAH.

Estas reflexões estarão pautadas frente à literatura correspondente vigente.

Com o intuito de tratar o assunto de maneira clara e coesa,  sendo o mais específico possível o tratamento da questão para que as angústias de professores, pais, alunos, familiares e a sociedade em geral possam ser diminuídas e para que os interessados no assunto possam esclarecer-se do mesmo.

É necessário ampliar e desenvolver discussões a respeito do assunto  para a sociedade.  Alunos, professores, escola e família precisam ser amparados e estimulados a desenvolver habilidades a serem utilizadas com os indivíduos portadores de TDAH a fim de que os mesmos possam ser melhor amparados e incluídos em sociedade.

A escola atual busca  ser inclusiva no que tange à necessidade imposta pela sociedade e pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação brasileira 9.394/96. Sendo assim, atualmente muitos são os alunos com e sem laudos específicos que precisam de atendimento acolhedor, humanizado e especializado na escola regular de ensino, como pode ser percebido no texto da referida Lei.

No artigo 59 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, nº 9.394/96 é possível saber:

Art. 59. Os sistemas de ensino assegurarão aos educandos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação: (Redação dada pela Lei nº 12.796, de 2013)

I – currículos, métodos, técnicas, recursos educativos e organização específicos, para atender às suas necessidades;

II – terminalidade específica para aqueles que não puderem atingir o nível exigido para a conclusão do ensino fundamental, em virtude de suas deficiências, e aceleração para concluir em menor tempo o programa escolar para os superdotados;

III – professores com especialização adequada em nível médio ou superior, para atendimento especializado, bem como professores do ensino regular capacitados para a integração desses educandos nas classes comuns;

DESENVOLVIMENTO

O transtorno do Déficit de atenção e hiperatividade – TDAH, tem    relevância sobre às preocupações da sociedade, da família e da escola.

Muitos são os indivíduos como crianças, adolescentes e até mesmo adultos que possuem o transtorno e não possuem sequer laudo ou acompanhamento médico, psicológico ou terapêutico. 

O que é TDAH? Esta é a indagação atual. 

Neste sentido, TDAH é considerado um distúrbio neurofisiológico que pode apresentar sinais de falta de atenção e impulsividade que não são adequadas ao nível de desenvolvimento e que podem ser prejudiciais a aprendizagem em crianças que estejam em idade escolar. (Polônio, 2009 apud Revista Científica do ITPAC, 2012).

Sabe-se hoje em dia que os indivíduos que possuem TDAH podem manifestar este transtorno ainda na 1ª infância com sintomas de baixa tolerância à espera, necessidade de recompensa imediata, falha em prever consequências de seus atos, déficit de autorregulação, respostas rápidas e imprecisas. 

Na escola podem manifestar dificuldades de aprendizagem e de autorregulação do comportamento.

Infelizmente, ainda na primeira infância muitas crianças podem ser rotuladas como mal criadas ou preguiçosas e estes rótulos ofensivos podem piorar ou aprofundar o déficit delas e provocar comorbidades.

Sabe-se que crianças são apenas crianças e com o déficit não é possível promover sozinhas a autorregulação necessária para controlar o comportamento, atenção e agitação em cada ambiente ou situação social vivenciada.

Por outro lado, existem também crianças com TDAH com inteligência superior à média e isto faz com que estas tenham vantagens sobre as crianças regulares. Desta forma, o TDAH é manifestado de diferentes formas podendo colocar o aluno em vantagem ou desvantagem sobre os  demais alunos regulares.

A hereditariedade pode ser considerada como um dado  importante  para a manifestação do déficit, pois parentes de portadores de TDAH têm maior probabilidade de apresentar este transtorno. Assim, atualmente considera-se que não existem marcadores biológicos para o Transtorno do Déficit de Atenção TDAH, por isso seu diagnóstico é clínico e observável baseado em entrevista com o paciente, pais, professores e outras pessoas que lidam diretamente com o portador. (EDDY IVES et al apud Revista Científica do ITPAC, 2012). Sendo assim, a família, professores e as pessoas que lidam com a criança ou adolescente portador devem favorecer o diagnóstico através de relatos de observação do comportamento do mesmo.

Os sintomas do TDAH podem ser classificados em três grupos: Desatenção, Hiperatividade e Impulsividade. Estes sintomas podem estar organizados em três subtipos: predominantemente desatente ( TDAH-D), predominantemente hiperativo/ impulsivo ( TDAH-H), e combinado (TDAH-C). O TDAH é uma desordem comportamental identificada na infância, que afetam negativamente a vida da pessoa., 

Segundo Phelan 20015 apud Revista Científica do ITPAC, 2012 os sintomas podem ser assim especificados, em síntese:

DESATENÇÃO

  1. Não consegue prestar muita atenção em detalhes ou comete erros por descuido;
  2. Tem dificuldade em manter a atenção no trabalho ou no lazer;
  3. Não ouve quando abordado diretamente;
  4. Não consegue terminar as tarefas escolares, os afazeres domésticos ou os deveres do trabalho
  5. Tem dificuldade em organizar atividades;
  6. Evita tarefas que exijam um esforço mental prolongado;
  7. Perde coisas;
  8. Distrai-se facilmente;
  9. É esquecido. 

HIPERATIVIDADE

  1. Tamborila com os dedos ou se contorce na cadeira;
  2. Sai do lugar quando se espera que permaneça sentado;
  3. Corre de um lado para o outro ou escala coisas em situações em que tais atividades são inadequadas;
  4. Tem dificuldade de brincar em silêncio;
  5. Age como se fosse “movido a pilha”;
  6. Fala em excesso; 

IMPULSIVIDADE

  1. Responde antes que a pergunta seja completada;
  2. Tem dificuldade de esperar sua vez;
  3. Interrompe os outros ou se intromete.

Sabe-se que o TDAH pode ser manifestado em diferentes graus como o leve ao grave e que nem todas as pessoas demonstram todos os sintomas ou não mostram todos os sintomas com o mesmo nível de gravidade. São claras as percepções de que muitas das crianças com TDAH possuem dificuldades de aprendizagem, mas ainda não é claro o motivo do fracasso escolar destas crianças. 

Com base nos grupos de sintomas apresentado acima é possível relatar que existem tipos combinados em que o portador se encaixa em 6 ou mais itens de ambos grupos; tipo predominantemente desatento em que o portador se encaixa em 9 itens da lista de desatenção, mas não se encaixa em 6 dos 9 itens da hiperatividade e impulsividade e o tipo hiperativo-impulsivo que para muitos especialistas é o mesmo do tipo combinado, ainda segundo Phelan 20015 apud Revista Científica do ITPAC, 2012.

Atualmente mais professores buscam treinar-se e aprender mais sobre o TDAH para entender melhor e administrar os problemas que enfrentam em sala de aula, o que pode ser considerado como um avanço para a educação brasileira atual.

A escola tem um papel muito importante para a inserção do indivíduo com o transtorno na sociedade como um todo, por isso a sua importância na vida e na família do educando.

Neste cenário, a escola deve buscar inovar-se, lançar-se a novas metodologias, interessar-se por inovar no sentido de acolher de fato o aluno com necessidades especiais que mais do que nunca precisam ser inclusos  como seres capazes de aprender e exercer funções ainda que precisem de um tempo diferenciado para alcançar seus objetivos em seu próprio ritmo de aprendizado.

Somente na escola, o indivíduo com TDAH tem a chance de absorver, desenvolver e aprimorar conhecimentos de forma sistemática, assim como aprender a respeitar regras e convenções sociais. O aluno portador deste transtorno deve ser visto pela escola como um indivíduo desafiante e portador de inúmeras potencialidades.

A escola tem a função de oferecer aos alunos e principalmente ao aluno portador de TDAH, metodologias que propiciem a aprendizagem, com o respeito a sua subjetividade, estímulo às limitações organizando através de seus professores e agentes de educação mediações com mudanças de posturas nos discentes para um ensino com mais participação, solidariedade, dinamismo, democracia e reflexividade.

Família e escola podem e devem ser grandes parceiros no processo de escolarização de um aluno.  É na família que a criança tem o seu primeiro grupo social para relacionar-se, aprender a conviver, sentir-se amado e amar, dar e receber carinho e proteção. Neste sentido, a família é como uma grande base na vida de uma criança, seja nuclear, extensiva ou adotiva.

É necessário também que família e escola tenham bem claro que o aluno com TDAH tem necessidades, direitos e como todos os outros alunos também tem suas obrigações. O esclarecimento deste fato pode auxiliar no desenvolvimento global do educando.

É preciso educar o aluno com TDAH através da bondade e da firmeza. Existe um provérbio chinês que diz: “Procure me amar quando eu menos mereço, porque é quando eu mais preciso”.  A parceria família e escola tem muito a favorecer a educação do aluno, então, responsáveis, agentes de educação e professores devem caminhar de mão dadas a fim de apoiar o aluno com TDAH.

É preciso que a família compreenda que a criança com TDAH tem um cérebro que funciona de maneira diferenciada, que a faz remexer – se o tempo todo, ser impulsiva em alguns casos, ser desatenta em outros e possivelmente ter dificuldades em algumas áreas do conhecimento que são privilegiadas pela escola e que também esta criança pode ter facilidades em outras áreas da inteligência que muitas vezes a escola regular não valoriza de maneira tão sistemática.

Sendo assim, a família e a escola devem ser parceiros mútuos e dialogar com frequência e muita franqueza sobre a real situação do aluno, a fim de propiciar sempre a melhora no desenvolvimento deste, que é possível ser concretizada.

A parceria é fundamental para a aprendizagem, socialização, sentimento de pertencimento ao aluno, à família e à escola na sociedade a fim de que todos possam harmoniosamente conviver e produzir o melhor resultado possível sempre em prol do educando. Pois, a maior necessidade e interesse é o aprendizado e o bem-estar educativo e social de todos os atores envolvidos na educação de uma criança.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Na presente pesquisa que teve por objetivo trazer à reflexão o tema Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade TDAH, foi possível perceber que através da revisão bibliográfica existem implicações do transtorno sobre o comportamento e também na aprendizagem de indivíduos portadores e que as mesmas podem ser minimizadas com tratamento médico necessário e também com ajustes, mudanças e reflexões sobre o processo pedagógico na escola, além do acompanhamento familiar e de orientações a professores, família e ao próprio portador.

O TDAH  é caracterizado pela desatenção, hiperatividade e impulsividade. O portador deste transtorno pode apresentar dificuldade em tomar iniciativas, planejar, monitorar o tempo, manter-se motivado, concluir tarefas e ter autocontrole. Desta forma, a falta destas habilidades pode influenciar nos resultados produzidos pela criança.

O indivíduo com este transtorno precisa de tratamento eficaz para minimizar e superar as dificuldades e limitações impostas pelo transtorno e somente um profissional habilitado pode realizar. 

Frequentemente são os professores os primeiros a identificar que um indivíduo pode ser portador de TDAH, pois é na escola que as demandas individuais de comportamento, afeto, controle e aprendizado são apresentadas e percebidas mediante o grupo social da mesma.

Neste sentido, faz-se necessário que o professor tenha interesse e seja amparado a construir mais conhecimento, buscar informações e ter empatia em relação à diversidade que surge todos os dias no cotidiano de sala de aula.

Em sala de aula, muitos são os desafios encontrados e é fundamental que o professor faça o trabalho com dedicação, atenção e empatia para que o processo de ensino-aprendizagem possa ser mais inclusivo para todos.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BENZICK, ROHDE, 1999  apud TDAH no espaço escolar: Atendimento de alunos por meio da mediação de professores.

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2018.

BRASIL, Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, lei nº 9.394/96 de 20 de Dezembro de 1996.

EDDY, Yves et al apud Revista Científica do ITPAC, 2012

KNECHT, Luiza. Neurociência do TDAH: Revisão sobre o tratamento e implicações clínicas apud Brazilian journal of implantology and healthy sciences, 2024.

PHELAN, 20015 apud Revista Científica do ITPAC, 2012.

POLÔNIO, 2009 apud Revista Científica do ITPAC, 2012.

Leite, Clarice de Sá. Transtorno do déficit de atenção e hiperatividade: Desafios para a inclusão.International Integralize Scientific. v 5, n 50, Agosto/2025 ISSN/3085-654X

Referencias

Vivian Caroline Coraucci.
BAILEY, C. J.; LEE, J. H.
Management of chlamydial infections: A comprehensive review.
Clinical infectious diseases.
v. 67
n. 7
p. 1208-1216,
2021.
Disponível em: https://academic.oup.com/cid/article/67/7/1208/6141108.
Acesso em: 2024-09-03.

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Edição

v. 5
n. 50
Transtorno do déficit de atenção e hiperatividade: Desafios para a inclusão

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