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Resumo
INTRODUÇÃO
O presente trabalho busca refletir acerca do assunto transtorno do déficit de atenção e hiperatividade, TDAH.
Estas reflexões estarão pautadas frente à literatura correspondente vigente.
Com o intuito de tratar o assunto de maneira clara e coesa, sendo o mais específico possível o tratamento da questão para que as angústias de professores, pais, alunos, familiares e a sociedade em geral possam ser diminuídas e para que os interessados no assunto possam esclarecer-se do mesmo.
É necessário ampliar e desenvolver discussões a respeito do assunto para a sociedade. Alunos, professores, escola e família precisam ser amparados e estimulados a desenvolver habilidades a serem utilizadas com os indivíduos portadores de TDAH a fim de que os mesmos possam ser melhor amparados e incluídos em sociedade.
A escola atual busca ser inclusiva no que tange à necessidade imposta pela sociedade e pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação brasileira 9.394/96. Sendo assim, atualmente muitos são os alunos com e sem laudos específicos que precisam de atendimento acolhedor, humanizado e especializado na escola regular de ensino, como pode ser percebido no texto da referida Lei.
No artigo 59 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, nº 9.394/96 é possível saber:
Art. 59. Os sistemas de ensino assegurarão aos educandos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação: (Redação dada pela Lei nº 12.796, de 2013)
I – currículos, métodos, técnicas, recursos educativos e organização específicos, para atender às suas necessidades;
II – terminalidade específica para aqueles que não puderem atingir o nível exigido para a conclusão do ensino fundamental, em virtude de suas deficiências, e aceleração para concluir em menor tempo o programa escolar para os superdotados;
III – professores com especialização adequada em nível médio ou superior, para atendimento especializado, bem como professores do ensino regular capacitados para a integração desses educandos nas classes comuns;
DESENVOLVIMENTO
O transtorno do Déficit de atenção e hiperatividade – TDAH, tem relevância sobre às preocupações da sociedade, da família e da escola.
Muitos são os indivíduos como crianças, adolescentes e até mesmo adultos que possuem o transtorno e não possuem sequer laudo ou acompanhamento médico, psicológico ou terapêutico.
O que é TDAH? Esta é a indagação atual.
Neste sentido, TDAH é considerado um distúrbio neurofisiológico que pode apresentar sinais de falta de atenção e impulsividade que não são adequadas ao nível de desenvolvimento e que podem ser prejudiciais a aprendizagem em crianças que estejam em idade escolar. (Polônio, 2009 apud Revista Científica do ITPAC, 2012).
Sabe-se hoje em dia que os indivíduos que possuem TDAH podem manifestar este transtorno ainda na 1ª infância com sintomas de baixa tolerância à espera, necessidade de recompensa imediata, falha em prever consequências de seus atos, déficit de autorregulação, respostas rápidas e imprecisas.
Na escola podem manifestar dificuldades de aprendizagem e de autorregulação do comportamento.
Infelizmente, ainda na primeira infância muitas crianças podem ser rotuladas como mal criadas ou preguiçosas e estes rótulos ofensivos podem piorar ou aprofundar o déficit delas e provocar comorbidades.
Sabe-se que crianças são apenas crianças e com o déficit não é possível promover sozinhas a autorregulação necessária para controlar o comportamento, atenção e agitação em cada ambiente ou situação social vivenciada.
Por outro lado, existem também crianças com TDAH com inteligência superior à média e isto faz com que estas tenham vantagens sobre as crianças regulares. Desta forma, o TDAH é manifestado de diferentes formas podendo colocar o aluno em vantagem ou desvantagem sobre os demais alunos regulares.
A hereditariedade pode ser considerada como um dado importante para a manifestação do déficit, pois parentes de portadores de TDAH têm maior probabilidade de apresentar este transtorno. Assim, atualmente considera-se que não existem marcadores biológicos para o Transtorno do Déficit de Atenção TDAH, por isso seu diagnóstico é clínico e observável baseado em entrevista com o paciente, pais, professores e outras pessoas que lidam diretamente com o portador. (EDDY IVES et al apud Revista Científica do ITPAC, 2012). Sendo assim, a família, professores e as pessoas que lidam com a criança ou adolescente portador devem favorecer o diagnóstico através de relatos de observação do comportamento do mesmo.
Os sintomas do TDAH podem ser classificados em três grupos: Desatenção, Hiperatividade e Impulsividade. Estes sintomas podem estar organizados em três subtipos: predominantemente desatente ( TDAH-D), predominantemente hiperativo/ impulsivo ( TDAH-H), e combinado (TDAH-C). O TDAH é uma desordem comportamental identificada na infância, que afetam negativamente a vida da pessoa.,
Segundo Phelan 20015 apud Revista Científica do ITPAC, 2012 os sintomas podem ser assim especificados, em síntese:
DESATENÇÃO
HIPERATIVIDADE
IMPULSIVIDADE
Sabe-se que o TDAH pode ser manifestado em diferentes graus como o leve ao grave e que nem todas as pessoas demonstram todos os sintomas ou não mostram todos os sintomas com o mesmo nível de gravidade. São claras as percepções de que muitas das crianças com TDAH possuem dificuldades de aprendizagem, mas ainda não é claro o motivo do fracasso escolar destas crianças.
Com base nos grupos de sintomas apresentado acima é possível relatar que existem tipos combinados em que o portador se encaixa em 6 ou mais itens de ambos grupos; tipo predominantemente desatento em que o portador se encaixa em 9 itens da lista de desatenção, mas não se encaixa em 6 dos 9 itens da hiperatividade e impulsividade e o tipo hiperativo-impulsivo que para muitos especialistas é o mesmo do tipo combinado, ainda segundo Phelan 20015 apud Revista Científica do ITPAC, 2012.
Atualmente mais professores buscam treinar-se e aprender mais sobre o TDAH para entender melhor e administrar os problemas que enfrentam em sala de aula, o que pode ser considerado como um avanço para a educação brasileira atual.
A escola tem um papel muito importante para a inserção do indivíduo com o transtorno na sociedade como um todo, por isso a sua importância na vida e na família do educando.
Neste cenário, a escola deve buscar inovar-se, lançar-se a novas metodologias, interessar-se por inovar no sentido de acolher de fato o aluno com necessidades especiais que mais do que nunca precisam ser inclusos como seres capazes de aprender e exercer funções ainda que precisem de um tempo diferenciado para alcançar seus objetivos em seu próprio ritmo de aprendizado.
Somente na escola, o indivíduo com TDAH tem a chance de absorver, desenvolver e aprimorar conhecimentos de forma sistemática, assim como aprender a respeitar regras e convenções sociais. O aluno portador deste transtorno deve ser visto pela escola como um indivíduo desafiante e portador de inúmeras potencialidades.
A escola tem a função de oferecer aos alunos e principalmente ao aluno portador de TDAH, metodologias que propiciem a aprendizagem, com o respeito a sua subjetividade, estímulo às limitações organizando através de seus professores e agentes de educação mediações com mudanças de posturas nos discentes para um ensino com mais participação, solidariedade, dinamismo, democracia e reflexividade.
Família e escola podem e devem ser grandes parceiros no processo de escolarização de um aluno. É na família que a criança tem o seu primeiro grupo social para relacionar-se, aprender a conviver, sentir-se amado e amar, dar e receber carinho e proteção. Neste sentido, a família é como uma grande base na vida de uma criança, seja nuclear, extensiva ou adotiva.
É necessário também que família e escola tenham bem claro que o aluno com TDAH tem necessidades, direitos e como todos os outros alunos também tem suas obrigações. O esclarecimento deste fato pode auxiliar no desenvolvimento global do educando.
É preciso educar o aluno com TDAH através da bondade e da firmeza. Existe um provérbio chinês que diz: “Procure me amar quando eu menos mereço, porque é quando eu mais preciso”. A parceria família e escola tem muito a favorecer a educação do aluno, então, responsáveis, agentes de educação e professores devem caminhar de mão dadas a fim de apoiar o aluno com TDAH.
É preciso que a família compreenda que a criança com TDAH tem um cérebro que funciona de maneira diferenciada, que a faz remexer – se o tempo todo, ser impulsiva em alguns casos, ser desatenta em outros e possivelmente ter dificuldades em algumas áreas do conhecimento que são privilegiadas pela escola e que também esta criança pode ter facilidades em outras áreas da inteligência que muitas vezes a escola regular não valoriza de maneira tão sistemática.
Sendo assim, a família e a escola devem ser parceiros mútuos e dialogar com frequência e muita franqueza sobre a real situação do aluno, a fim de propiciar sempre a melhora no desenvolvimento deste, que é possível ser concretizada.
A parceria é fundamental para a aprendizagem, socialização, sentimento de pertencimento ao aluno, à família e à escola na sociedade a fim de que todos possam harmoniosamente conviver e produzir o melhor resultado possível sempre em prol do educando. Pois, a maior necessidade e interesse é o aprendizado e o bem-estar educativo e social de todos os atores envolvidos na educação de uma criança.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Na presente pesquisa que teve por objetivo trazer à reflexão o tema Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade TDAH, foi possível perceber que através da revisão bibliográfica existem implicações do transtorno sobre o comportamento e também na aprendizagem de indivíduos portadores e que as mesmas podem ser minimizadas com tratamento médico necessário e também com ajustes, mudanças e reflexões sobre o processo pedagógico na escola, além do acompanhamento familiar e de orientações a professores, família e ao próprio portador.
O TDAH é caracterizado pela desatenção, hiperatividade e impulsividade. O portador deste transtorno pode apresentar dificuldade em tomar iniciativas, planejar, monitorar o tempo, manter-se motivado, concluir tarefas e ter autocontrole. Desta forma, a falta destas habilidades pode influenciar nos resultados produzidos pela criança.
O indivíduo com este transtorno precisa de tratamento eficaz para minimizar e superar as dificuldades e limitações impostas pelo transtorno e somente um profissional habilitado pode realizar.
Frequentemente são os professores os primeiros a identificar que um indivíduo pode ser portador de TDAH, pois é na escola que as demandas individuais de comportamento, afeto, controle e aprendizado são apresentadas e percebidas mediante o grupo social da mesma.
Neste sentido, faz-se necessário que o professor tenha interesse e seja amparado a construir mais conhecimento, buscar informações e ter empatia em relação à diversidade que surge todos os dias no cotidiano de sala de aula.
Em sala de aula, muitos são os desafios encontrados e é fundamental que o professor faça o trabalho com dedicação, atenção e empatia para que o processo de ensino-aprendizagem possa ser mais inclusivo para todos.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BENZICK, ROHDE, 1999 apud TDAH no espaço escolar: Atendimento de alunos por meio da mediação de professores.
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2018.
BRASIL, Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, lei nº 9.394/96 de 20 de Dezembro de 1996.
EDDY, Yves et al apud Revista Científica do ITPAC, 2012
KNECHT, Luiza. Neurociência do TDAH: Revisão sobre o tratamento e implicações clínicas apud Brazilian journal of implantology and healthy sciences, 2024.
PHELAN, 20015 apud Revista Científica do ITPAC, 2012.
POLÔNIO, 2009 apud Revista Científica do ITPAC, 2012.
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