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Resumo
INTRODUÇÃO
Nos dias atuais, a cultura pop está muito presente no cotidiano das pessoas, especialmente dos jovens. Séries, músicas, filmes, jogos, redes sociais e memes fazem parte do universo deles e influenciam a maneira como falam, se vestem, pensam e se relacionam com o mundo. Diante disso, é importante pensar em como esses elementos podem ser usados na sala de aula, especialmente no ensino de inglês. Ao aproximar o conteúdo escolar da realidade dos alunos, o professor pode tornar as aulas mais interessantes e ajudar na aprendizagem da língua de forma mais natural e envolvente.
Mesmo sendo tão presente no dia a dia dos estudantes, a cultura pop nem sempre é valorizada na escola. Muitas vezes, ela é vista apenas como lazer e não como algo que pode contribuir para a educação. Isso levanta um problema importante: como usar elementos da cultura pop como apoio para o ensino de inglês sem perder a seriedade e os objetivos do currículo escolar? A proposta de incluir a cultura pop no ensino de línguas precisa ser pensada com cuidado, para que esse recurso seja usado de forma crítica e educativa.
Este estudo se justifica na importância de propor uma maneira de deixar o ensino de inglês mais próximo da realidade dos estudantes, principalmente na escola pública. A cultura pop pode ajudar a motivar os alunos, fazer com que participem mais das aulas e aprendam o idioma com mais interesse. Segundo Kramsch (1993), a língua e a cultura estão sempre ligadas, e é papel do professor ajudar o aluno a compreender os significados culturais por trás da língua. Nesse sentido, trabalhar com a cultura pop pode ampliar o contato dos alunos com diferentes formas de ver o mundo.
Nessa perspectiva, o presente estudo visa investigar como a cultura pop pode ser usada como recurso didático no ensino de inglês. Para tanto se buscará identificar quais elementos da cultura pop estão mais presentes no dia a dia dos alunos, bem como sugerir maneiras práticas de aplicar esse conteúdo em sala de aula.
METODOLOGIA
Este estudo caracteriza-se como uma pesquisa de natureza qualitativa, com enfoque bibliográfico e exploratório. A pesquisa qualitativa foi escolhida por buscar compreender os fenômenos educacionais a partir de uma perspectiva interpretativa, considerando o contexto social, cultural e simbólico que envolve os sujeitos e práticas de ensino. Segundo Denzin e Lincoln (2006), a pesquisa qualitativa envolve um conjunto de práticas interpretativas que tornam o mundo visível e buscam compreender os significados construídos pelas pessoas em suas experiências cotidianas.
A pesquisa bibliográfica, conforme definida por Gil (2017), consiste no levantamento, análise e interpretação de obras já publicadas — livros, artigos científicos, dissertações, teses e documentos eletrônicos — que tratam diretamente do tema em questão. Neste caso, buscou-se investigar como a cultura pop pode ser utilizada como recurso didático no ensino de língua inglesa, com base nas contribuições de autores das áreas de Linguística Aplicada, Educação, Multiletramentos e Letramento Crítico.
Lakatos e Marconi (2003) destacam que a pesquisa bibliográfica é fundamental quando o objetivo é aprofundar o conhecimento teórico sobre determinado assunto, permitindo ao pesquisador organizar conceitos, confrontar ideias e propor interpretações fundamentadas.
Assim, esta investigação concentrou-se na análise de produções acadêmicas que abordam o uso pedagógico da cultura pop no ensino de inglês, bem como conceitos relacionados a letramento, multiletramentos, identidade, cultura e ensino crítico. A escolha por essa abordagem metodológica justifica-se pela intenção de construir um panorama teórico que possa fundamentar práticas educativas mais inovadoras e conectadas com a realidade dos estudantes da educação básica.
APORTE TEÓRICO
A CULTURA POP E A FORMAÇÃO DE IDENTIDADES JUVENIS
A cultura pop, ou cultura popular, é formada por músicas, filmes, séries, jogos, memes e outros produtos culturais que fazem parte do dia a dia das pessoas, especialmente dos jovens. Ela se espalha com rapidez por meio da televisão, da internet, das redes sociais e de outras mídias. Diferente das chamadas “culturas eruditas”, a cultura pop é voltada para o consumo em massa e está em constante mudança. Mais do que uma forma de lazer, ela influencia como as pessoas pensam, agem e se identificam com o mundo ao redor. Como afirma Hall (2006, p. 12), “o sujeito, previamente vivido como tendo uma identidade unificada e estável, está se tornando fragmentado; composto não de uma única, mas de várias identidades, algumas vezes contraditórias ou não resolvidas”. Isso mostra que a cultura e a identidade não são fixas, mas sim construídas e transformadas pelas experiências sociais e culturais, entre elas, as da cultura pop.
Além disso, Jenkins (2009) explica que a cultura pop não serve apenas para entreter, mas também ajuda os jovens a construírem quem são e como se veem no mundo. Sobre a cultura da convergência, o autor afirma que ela representa um espaço “onde as velhas e as novas mídias colidem, onde mídia corporativa e mídia alternativa se cruzam, onde o poder do produtor de mídia e o poder do consumidor interagem de maneiras imprevisíveis.” (Jenkins, 2009, p. 27). Isso quer dizer que os jovens não só assistem, ouvem ou jogam, mas também participam, criam e transformam esses conteúdos de acordo com suas realidades. Assim, eles se reconhecem nas histórias, personagens e músicas que consomem, o que ajuda a formar suas opiniões, gostos e identidades. Esse contato constante com a cultura pop acaba influenciando o jeito como os estudantes aprendem, se expressam e se relacionam com a língua inglesa, pois, muitas vezes, esse idioma aparece nesses conteúdos – como em músicas internacionais, séries e vídeos – tornando-se parte da linguagem que os jovens usam no cotidiano, mesmo fora da escola.
A cultura pop também funciona como um espaço onde diferentes culturas se encontram. Isso significa que, ao assistir a uma série ou ouvir uma música em inglês, os estudantes entram em contato com modos de vida, valores e costumes de outros países. De acordo com Kramsch (1993), esse tipo de contato é muito importante no ensino de línguas, pois ajuda a desenvolver o que se chama de “competência intercultural” – a capacidade de entender e respeitar outras culturas. No entanto, é preciso lembrar que a cultura pop nem sempre mostra a realidade de forma justa: ela pode reforçar estereótipos e excluir certos grupos. Por isso, é essencial trabalhar esse conteúdo de forma crítica em sala de aula.
Stuart Hall (2003) afirma que a identidade das pessoas é construída por meio da linguagem e das relações com os produtos culturais.
A identidade plenamente unificada, completa, segura e coerente é uma fantasia. […] À medida em que os sistemas de significação e representação cultural se multiplicam, somos confrontados por uma multiplicidade desconcertante e cambiante de identidades possíveis, com cada uma das quais poderíamos nos identificar – ao menos temporariamente. (Hall 2006, P.13)
Isso significa que as séries, os clipes, os jogos e os influenciadores que os jovens acompanham nas redes sociais não apenas refletem a sociedade, mas também ajudam a moldá-la. Esses conteúdos influenciam a maneira como os jovens se veem e se posicionam no mundo.
Entender a importância da cultura pop na vida dos estudantes é fundamental para pensar no seu uso como recurso pedagógico. No ensino de inglês, isso pode tornar as aulas mais atrativas e próximas da realidade dos alunos, ao mesmo tempo em que valoriza seus conhecimentos e interesses. Quando o professor reconhece a cultura dos estudantes, promove um ambiente mais acolhedor e motivador, o que facilita o aprendizado da língua de forma mais significativa e conectada ao mundo em que eles vivem.
O ENSINO DE INGLÊS SOB UMA PERSPECTIVA SOCIOCULTURAL
O ensino de línguas vai muito além da memorização de palavras e regras gramaticais. Aprender uma língua é também aprender uma nova forma de ver o mundo, já que toda língua está ligada a valores, comportamentos, símbolos e maneiras de se comunicar que fazem parte de uma cultura. Por isso, ensinar inglês exige mais do que ensinar vocabulário ou estrutura: exige também mostrar aos alunos diferentes contextos de uso da língua e ajudar a desenvolver o que se chama de competência intercultural. Segundo Kramsch (1993), aprender uma língua estrangeira é também entrar em contato com outros modos de vida e, assim, repensar a própria identidade cultural.
A visão sociocultural da aprendizagem entende que o processo de aprender acontece por meio da interação com o outro e com o meio. Vygotsky (1991) já destacava que o desenvolvimento das funções mentais superiores ocorre com base nas trocas sociais e no uso da linguagem como ferramenta de mediação, ou seja, os conhecimentos não se formam de maneira isolada dentro do indivíduo, mas surgem primeiro nas relações com outras pessoas e só depois são internalizados. Quando o ensino de inglês considera os contextos culturais, sociais e afetivos do aluno, ele se torna mais significativo. Isso é especialmente importante na educação básica, onde muitos alunos veem o inglês como algo distante ou sem aplicação prática em suas vidas.
Nesse sentido, incluir elementos da cultura pop nas aulas de inglês pode aumentar o interesse e a motivação dos estudantes. Segundo Gardner e Lambert (1972), a motivação tem papel central no aprendizado de línguas e pode ser dividida em dois tipos: integrativa, quando o aluno quer se aproximar da cultura da língua-alvo, e instrumental, quando busca objetivos práticos, como conseguir um emprego. A cultura pop pode atender aos dois tipos de motivação: por um lado, aproxima os alunos das culturas onde o inglês é falado; por outro, mostra como o inglês está presente em situações reais, como músicas, filmes e redes sociais.
Outra questão relevante ao se trabalhar com cultura pop em sala de aula é a representação cultural nos materiais utilizados. Muitas vezes, o ensino de inglês ainda prioriza apenas conteúdos ligados a países nativos, como Estados Unidos e Reino Unido, ignorando outras manifestações culturais onde o inglês é falado ou consumido. Isso pode limitar a visão dos alunos sobre o idioma e seu uso no mundo real. Risager (2006) critica essa abordagem nacionalista ao afirmar que “O ensino de línguas estrangeiras […] tem incentivado uma concepção simplificada de uma conexão estreita entre língua e cultura.”(p.169. – Tradução Livre.) e argumenta que há uma tendência crescente de utilizar referências culturais externas ao país de origem da língua como forma de ampliar os horizontes do ensino. A presença da cultura pop no cotidiano dos jovens, como filmes, músicas, jogos e influenciadores de diferentes países, pode ser um caminho para tornar o ensino mais próximo da realidade e mais significativo.
Por fim, vale destacar que o ensino de inglês baseado em práticas socioculturais valoriza o conhecimento prévio dos alunos e reconhece que cada estudante já carrega saberes, referências e vivências que podem ser ponto de partida para o aprendizado. A cultura pop, por fazer parte da rotina de muitos jovens, pode ser um desses pontos de partida. Cabe ao professor mediar esse conteúdo de forma crítica, buscando sempre promover a reflexão e o diálogo entre diferentes culturas
EXPERIÊNCIAS PEDAGÓGICAS COM CULTURA POP NO ENSINO DE INGLÊS
O uso da cultura pop no ensino de inglês já vem sendo explorado por diversos professores e pesquisadores que reconhecem o valor pedagógico de elementos culturais próximos à realidade dos estudantes. Músicas, filmes, séries, quadrinhos, memes e jogos são frequentemente utilizados para despertar o interesse dos alunos, estimular a participação em sala de aula e tornar a aprendizagem mais significativa. Essas práticas têm como base a ideia de que, ao conectar o conteúdo escolar com os gostos e vivências dos estudantes, o professor amplia as possibilidades de ensino e promove um ambiente mais motivador e envolvente.
Segundo Asun e Nasri (2024), o uso de músicas no ensino de inglês como segunda língua tem mostrado resultados positivos tanto no aspecto linguístico quanto no emocional. Através de uma revisão sistemática de estudos realizados em diferentes países, os autores destacam que a música contribui para o aumento da motivação, do engajamento e da participação dos alunos, além de melhorar o ambiente de aprendizagem. Como afirmam: “A música melhora o ambiente de aprendizagem e reduz o estresse, tornando-se excelente para o ensino e a aprendizagem. O prazer em ouvir música favorece o aprendizado. O estudo mostra que a música motiva e engaja os alunos” (Asun; Nasri, 2024, p. 3779 – Tradução Livre). A partir dessa perspectiva, fica evidente que o trabalho com músicas pode ser uma estratégia eficaz para tornar o ensino mais agradável, participativo e significativo, principalmente para estudantes da educação básica. Ela também pode contribuir tanto para o desenvolvimento de habilidades linguísticas quanto para discussões culturais e sociais.
O uso de filmes e séries no ensino de inglês também tem se mostrado uma prática eficiente para aumentar o interesse dos alunos e enriquecer o processo de aprendizagem. Como destaca o projeto Movie Time, descrito por Sól (2022), essas mídias funcionam como um forte elemento de motivação, ao mesmo tempo em que oferecem oportunidades para discutir valores culturais, atitudes e comportamentos nas aulas de língua inglesa.
O uso de memes também tem ganhado destaque como ferramenta didática no ensino de inglês, especialmente por seu caráter humorístico e sua proximidade com o universo digital dos alunos. Além de despertarem o interesse dos estudantes, os memes podem servir como ponto de partida para trabalhar estruturas gramaticais, vocabulário informal, variações linguísticas e situações comunicativas reais. Segundo Kalyuzhna, Lavrinenko e Radchenko (2023, p. 69 e 72), “os memes são excelentes ferramentas para criar um bom clima e manter a atenção dos alunos durante a aula […]. Além de seu aspecto humorístico, os memes reduzem a ansiedade e podem tornar os aprendizes mais atentos” (Tradução Livre). Isso mostra que, quando utilizados de forma planejada, os memes podem facilitar a aprendizagem ao promoverem engajamento, descontração e reflexão sobre o uso da linguagem em diferentes contextos sociais.
Importa ressaltar que o uso da cultura pop na sala de aula não deve ser feito de forma superficial ou apenas como forma de entreter. É necessário que essas práticas sejam planejadas com objetivos pedagógicos claros e que incentivem a reflexão crítica. Para Buckingham (2003), a educação voltada para a mídia deve ajudar os alunos a compreenderem como os textos midiáticos são produzidos, quem os controla, e quais ideologias estão presentes em sua construção. Dessa forma, o ensino de inglês pode se tornar também um espaço para a formação de leitores críticos e cidadãos conscientes do papel da linguagem na sociedade.
As experiências analisadas mostram que, quando integrada de forma crítica e planejada, a cultura pop pode ser uma aliada importante no ensino de inglês. Ela aproxima o conteúdo da realidade dos estudantes, amplia os horizontes culturais e contribui para a construção de uma aprendizagem mais ativa, contextualizada e significativa.
PROPOSTAS PEDAGÓGICAS PARA O USO DA CULTURA POP DO ENSINO DE INGLÊS
Para que o uso da cultura pop em sala de aula vá além do entretenimento e contribua efetivamente para o aprendizado da língua inglesa, é necessário que o professor planeje atividades com intencionalidade pedagógica, alinhadas aos objetivos de ensino e aos contextos dos estudantes. Trabalhar com músicas, memes, filmes, vídeos curtos, jogos e redes sociais pode ser altamente produtivo, desde que esses recursos sejam integrados a práticas que envolvam leitura crítica, produção de sentidos e uso real da linguagem.
Uma das abordagens que apoia esse tipo de prática é a pedagogia dos multiletramentos, comentada no trabalho de Cope e Kalantzis (2009), que destaca a importância de trabalhar com diferentes modos de linguagem no processo de ensino-aprendizagem. Os autores defendem que, diante da diversidade cultural e da presença constante das mídias no cotidiano dos estudantes, o ensino precisa ir além da linguagem escrita tradicional. Ao incorporar elementos da cultura pop às aulas de inglês, o professor reconhece e valoriza os repertórios socioculturais dos alunos, promovendo um aprendizado mais próximo da realidade deles e mais significativo em termos linguísticos e culturais.
Além disso, o uso da cultura pop pode ser uma oportunidade para trabalhar o ensino de inglês de forma crítica e reflexiva. Segundo Fonseca e Sól (2022), o letramento crítico possibilita que os alunos questionem os sentidos dos textos que consomem, entendendo que linguagem e poder estão interligados. Assim, ao analisar, por exemplo, uma letra de música ou um meme viral, os estudantes podem refletir sobre representações sociais, estereótipos, discursos e ideologias presentes nesses textos. Isso contribui não só para o aprendizado da língua, mas também para a formação de leitores críticos e cidadãos conscientes.
Outra proposta interessante para o ensino de inglês é a utilização de projetos temáticos que envolvam pesquisa, produção colaborativa e apresentações criativas. Os alunos podem, por exemplo, criar playlists com músicas em inglês sobre um determinado tema, produzir vídeos com legendas ou desenvolver perfis de personagens inspirados em séries ou jogos, utilizando estruturas gramaticais e vocabulário previamente estudados. De acordo com Yin (2022), o ensino de línguas baseado em temas, aliado ao uso de recursos multimídia, promove um aprendizado mais eficaz, pois estimula o engajamento dos estudantes e contribui para o desenvolvimento das habilidades linguísticas de forma mais significativa e contextualizada.
Portanto, as práticas pedagógicas com cultura pop devem ir além do uso pontual de um clipe ou trecho de filme. Elas devem fazer parte de uma abordagem planejada, integrada ao currículo, que valorize os saberes dos alunos, promova o uso comunicativo da língua e desenvolva competências linguísticas e interculturais. Cabe ao professor o papel de mediador, que orienta, desafia e propõe caminhos para que o inglês ensinado em sala de aula dialogue com o mundo real dos estudantes.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A presente investigação teve como objetivo refletir sobre o uso da cultura pop como recurso didático no ensino de inglês, especialmente no contexto da educação básica. Ao longo do trabalho, foi possível perceber que a cultura pop, por estar fortemente presente na vida dos jovens, pode ser uma aliada valiosa no processo de ensino-aprendizagem, desde que utilizada de maneira crítica, planejada e com objetivos pedagógicos bem definidos.
Os autores analisados mostraram que elementos como músicas, séries, memes e jogos contribuem não apenas para o desenvolvimento linguístico, mas também para a formação cultural e crítica dos alunos. A integração desses recursos à prática pedagógica aproxima o conteúdo escolar da realidade dos estudantes, despertando interesse, motivação e engajamento. Além disso, a cultura pop favorece a construção de identidades, a compreensão de diferentes contextos socioculturais e o desenvolvimento da competência intercultural, aspecto essencial no ensino de línguas.
A pesquisa demonstrou ainda que a cultura pop pode ser uma porta de entrada para o trabalho com multiletramentos e letramento crítico, contribuindo para a formação de sujeitos reflexivos e conscientes do papel da linguagem na construção de sentidos, relações de poder e discursos sociais. Com base nisso, é fundamental que o professor de inglês atue como mediador, capaz de articular os saberes dos alunos com práticas pedagógicas significativas, que valorizem tanto o conhecimento linguístico quanto os aspectos culturais e sociais da língua.
Por fim, conclui-se que o uso da cultura pop no ensino de inglês não deve ser visto como uma simples tendência ou estratégia pontual, mas como parte de uma abordagem mais ampla, que reconhece a escola como espaço de diálogo com o mundo contemporâneo. Cabe aos educadores explorar esse potencial com intencionalidade e criticidade, promovendo aprendizagens mais contextualizadas, relevantes e transformadoras.
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