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Resumo
INTRODUÇÃO
A alfabetização representa uma das etapas mais fundamentais no desenvolvimento educacional, sendo essencial para a formação integral do sujeito e sua participação ativa na sociedade. O processo de ensino da leitura e da escrita deve considerar a diversidade de métodos e abordagens pedagógicas que favorecem a aprendizagem significativa, respeitando o ritmo e as especificidades de cada estudante (Araújo; Adão; Modesto, 2024). A discussão acerca dos métodos de alfabetização tem sido ampliada ao longo dos anos, abrangendo diferentes perspectivas teóricas e metodológicas, como o método fónico, o método global e as abordagens construtivistas (Cardoso; Lima, 2024).
No contexto contemporâneo, a alfabetização e o letramento são compreendidos como processos complementares, nos quais a aquisição da decodificação da escrita deve estar aliada à compreensão e ao uso funcional da linguagem em diferentes contextos sociais (Fernandes, 2024). Conforme argumenta Martins (2024), a aprendizagem da leitura e da escrita nos anos iniciais não deve se restringir apenas à mecanização das palavras, mas sim integrar práticas significativas que estimulem a compreensão textual e o desenvolvimento crítico dos alunos.
Os desafios na alfabetização também se intensificam diante das transformações tecnológicas e das novas dinâmicas educacionais. O uso de tecnologias digitais pode contribuir para a ampliação das estratégias pedagógicas, facilitando o engajamento e a participação dos estudantes, desde que utilizadas de maneira planejada e adaptada às necessidades da turma (Gomes et al., 2020; Moura, 2020). Nesse sentido, a integração entre metodologias ativas e recursos digitais na alfabetização tem se mostrado uma alternativa viável para potencializar o ensino e promover maior autonomia no processo de aprendizagem (Souza, 2024).
Diante desse panorama, este estudo tem como objetivo analisar os métodos eficientes para o processo de alfabetização, discutindo as abordagens teóricas que sustentam as práticas pedagógicas contemporâneas e suas contribuições para a formação do aluno leitor e escritor. Além disso, busca refletir sobre os desafios e possibilidades no cenário educacional atual, com base nas perspectivas apresentadas por diferentes autores da área.
PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
A metodologia adotada para a realização desta pesquisa consistiu em uma revisão da literatura, com enfoque qualitativo, buscando reunir e analisar produções acadêmicas relevantes sobre os métodos de alfabetização e suas contribuições para o desenvolvimento da leitura e escrita na educação infantil. A revisão foi conduzida por meio da seleção criteriosa de livros, artigos científicos, dissertações e teses disponíveis em bases de dados reconhecidas, como Scielo, Google Acadêmico, CAPES e outras plataformas digitais de acesso aberto.
O recorte temporal priorizou publicações dos últimos dez anos, a fim de garantir a atualidade dos dados e abordagens, embora também tenham sido considerados autores clássicos cujas contribuições são fundamentais para a compreensão histórica e teórica do processo de alfabetização.
Durante o processo de levantamento bibliográfico, buscou-se identificar diferentes métodos de ensino da leitura e da escrita, suas fundamentações teóricas, aplicações práticas e os resultados observados em contextos escolares diversos. A análise dos textos foi realizada com base em critérios de relevância temática, rigor metodológico e contribuição para o campo educacional, o que possibilitou a construção de um panorama crítico e abrangente sobre as práticas de alfabetização no contexto da educação infantil. Essa metodologia permitiu não apenas a sistematização do conhecimento existente, mas também a identificação de lacunas e desafios enfrentados pelos educadores no cotidiano escolar, reforçando a importância da escolha de métodos eficientes e contextualizados para o processo de ensino-aprendizagem.
IMPORTÂNCIA DA ALFABETIZAÇÃO NA EDUCAÇÃO INFANTIL
A alfabetização é um processo fundamental no percurso formativo do ser humano, pois representa a porta de entrada para o conhecimento sistematizado e para a participação ativa na sociedade. Aprender a ler e escrever vai além da mera decodificação de símbolos gráficos; trata-se de compreender e produzir sentidos, utilizando a linguagem escrita como instrumento de expressão, comunicação e transformação social.
Historicamente, a alfabetização tem sido alvo de diferentes abordagens metodológicas, variando conforme as concepções de ensino e aprendizagem vigentes em cada contexto. Nas últimas décadas, no entanto, o conceito foi ampliado por meio da articulação com o letramento, que enfatiza a função social da leitura e da escrita. Segundo Araújo, Adão e Modesto (2024), “alfabetizar implica, necessariamente, considerar os usos reais da linguagem no cotidiano dos sujeitos, promovendo práticas que envolvam leitura, produção de textos e reflexão sobre o sistema de escrita de forma integrada e significativa.”
Dessa forma, alfabetizar com qualidade requer a adoção de estratégias pedagógicas que respeitem os saberes prévios dos alunos, seus contextos socioculturais e seus ritmos individuais de aprendizagem. Práticas lúdicas, uso de materiais diversificados, tecnologias educacionais e mediação sensível do educador são elementos que potencializam esse processo. Mais do que ensinar a ler e escrever, alfabetizar é formar leitores críticos, capazes de interpretar o mundo e agir sobre ele.
A alfabetização na educação infantil representa um dos pilares fundamentais para a formação integral da criança, não se limitando ao processo mecânico de decodificar letras e palavras, mas envolvendo o desenvolvimento de habilidades cognitivas, sociais e culturais que são essenciais para a construção do conhecimento. Nesta etapa inicial da trajetória escolar, a criança começa a estabelecer relações entre o mundo simbólico da linguagem e a realidade que a cerca, o que favorece sua autonomia, sua expressão e sua capacidade de compreender e interagir com o ambiente ao seu redor.
Segundo Lima (2024), a alfabetização na infância é uma etapa determinante para o sucesso escolar futuro, pois é nesse período que se consolidam as bases para a leitura, a escrita e o letramento, que, por sua vez, permite que a criança compreenda criticamente os múltiplos significados sociais da linguagem. Nessa perspectiva, o processo alfabetizador deve ser entendido como algo que ultrapassa a simples aprendizagem do código escrito, assumindo um papel formativo mais amplo, em que o sujeito se apropria da linguagem como ferramenta de inserção social, cidadania e participação.
Os métodos de ensino adotados na alfabetização influenciam diretamente os resultados alcançados. De acordo com Araújo, Adão e Modesto (2024), o conceito de letramento deve estar intrinsecamente ligado à alfabetização, pois ambos os processos são interdependentes. Alfabetizar letrando significa promover o aprendizado da leitura e escrita de forma contextualizada, significativa e funcional, considerando os usos sociais da linguagem. Essa compreensão exige do educador uma postura crítica e reflexiva sobre suas práticas, bem como a adoção de estratégias que valorizem o cotidiano e as vivências da criança.
As práticas pedagógicas voltadas à alfabetização também devem respeitar o ritmo de aprendizagem de cada aluno, levando em consideração sua bagagem cultural, seu ambiente familiar e as especificidades do seu desenvolvimento. Cardoso e Lima (2024) afirmam que a diversidade no processo de ensino exige do professor uma atuação sensível e planejada, que favoreça o protagonismo infantil e estimule o interesse pela linguagem escrita desde os primeiros anos. O lúdico, a escuta ativa e a mediação significativa são recursos indispensáveis nesse contexto.
Além disso, o cenário contemporâneo impõe novos desafios para a alfabetização na educação infantil, especialmente diante do avanço das tecnologias digitais e das mudanças sociais aceleradas. Gomes et al. (2020) destacam que as ferramentas tecnológicas, quando bem utilizadas, podem enriquecer o processo de aprendizagem, promovendo a alfabetização midiática e ampliando as formas de acesso à informação. Entretanto, seu uso demanda formação docente adequada, planejamento intencional e crítica pedagógica para que não se torne um recurso meramente expositivo.
A pandemia de COVID-19 evidenciou ainda mais as fragilidades e as desigualdades no acesso à alfabetização, especialmente entre as crianças das camadas sociais mais vulneráveis. Coutinho e Côco (2021) apontam que as escolas precisaram se reinventar, encontrando novas formas de manter vínculos com os alunos e suas famílias, ao mesmo tempo em que enfrentavam limitações técnicas e estruturais. Esse período demonstrou a importância de uma abordagem mais inclusiva e colaborativa na educação, reafirmando a necessidade do envolvimento de toda a comunidade escolar no processo de alfabetização.
Nesse sentido, a atuação do professor como mediador da aprendizagem é imprescindível. Para Fernandes (2024), os desafios enfrentados pelo docente no contexto da alfabetização exigem constante atualização, formação continuada e apoio institucional, para que ele possa desenvolver práticas efetivas que considerem a realidade de seus alunos. O professor não deve ser apenas um transmissor de conhecimento, mas um facilitador que cria situações de aprendizagem capazes de despertar o interesse, a curiosidade e a criatividade das crianças.
Portanto, a alfabetização na educação infantil é um processo complexo, dinâmico e profundamente engajador, que deve ser conduzido com responsabilidade, sensibilidade e embasamento teórico. Como destaca Souza (2024), a integração entre alfabetização e letramento desde os primeiros anos de escolarização é fundamental para formar indivíduos críticos, autônomos e preparados para os desafios da vida em sociedade. Investir em metodologias diversificadas, práticas pedagógicas inovadoras e na valorização do papel do educador é um passo essencial para garantir o direito à educação de qualidade e à construção de uma sociedade mais justa e democrática.
MÉTODOS TRADICIONAIS DE ALFABETIZAÇÃO
Os métodos tradicionais de alfabetização constituem as bases históricas do ensino da leitura e da escrita nas escolas, tendo sido amplamente utilizados ao longo do tempo por diferentes sistemas educacionais. Embora muitas dessas abordagens tenham passado por reformulações ou críticas, elas continuam influenciando práticas pedagógicas atuais, sendo importantes para a compreensão da evolução dos processos de ensino e aprendizagem da linguagem escrita.
Um dos métodos mais antigos e amplamente difundidos é o método alfabético, também conhecido como soletração. Nesse modelo, a aprendizagem da leitura inicia-se pela memorização das letras do alfabeto e dos seus nomes, passando à combinação de letras para formar sílabas e, posteriormente, palavras. Apesar de sua estrutura lógica e sequencial, esse método é frequentemente criticado por desconsiderar o significado e o uso social da linguagem, tornando o processo mecânico e pouco contextualizado (Martins, 2024).
Outro método tradicional é o método silábico, no qual a ênfase recai sobre a combinação de sílabas para formar palavras. A criança aprende a identificar e combinar sílabas, muitas vezes por meio da repetição e da memorização de listas silábicas. Embora apresente certa vantagem sobre o método alfabético ao introduzir unidades linguísticas maiores e mais significativas, o silabismo ainda tende a negligenciar a compreensão textual e o uso funcional da linguagem, o que pode limitar a capacidade de interpretação do aluno (Cardoso; Lima, 2024).
O método fônico também compõe o grupo dos métodos tradicionais e vem ganhando destaque nos últimos anos. Baseado na associação entre fonemas (sons da fala) e grafemas (representações escritas), esse método prioriza a consciência fonológica como base para a aprendizagem da leitura e escrita. Pesquisas apontam que, quando bem aplicado, o método fônico pode contribuir significativamente para o desenvolvimento da decodificação e da fluência leitora, especialmente nos primeiros anos do ensino fundamental (Araújo; Adão; Modesto, 2024). No entanto, seu uso exclusivo pode resultar em práticas pouco significativas se desconsiderar o contexto e a função social da leitura.
Por fim, o método global propõe uma abordagem mais ampla e integrada, centrada na leitura de palavras, frases e textos completos desde o início. O aluno é exposto a unidades de sentido maiores, em contextos reais de uso da linguagem, favorecendo a compreensão e a funcionalidade do processo. Apesar de ser frequentemente associado às teorias construtivistas, o método global surgiu como resposta às limitações dos métodos mais analíticos, propondo uma alfabetização mais centrada na experiência e na vivência do aluno com o texto (Marchesoni; Shimazaki, 2021).
Em síntese, os métodos tradicionais de alfabetização apresentam contribuições relevantes para o processo de ensino da leitura e da escrita, mas também enfrentam críticas quando aplicados de forma isolada e descontextualizada. A complexidade da alfabetização exige, hoje, uma abordagem que saiba articular diferentes estratégias e considerar as necessidades individuais dos alunos, aliando elementos dos métodos clássicos a propostas mais interativas, significativas e críticas.
MÉTODOS EFICIENTES PARA O PROCESSO DE LEITURA E ESCRITA
A alfabetização é um dos pilares fundamentais da educação, sendo essencial para o desenvolvimento cognitivo e social das crianças. Diversos estudos apontam para a importância de um ensino que integre alfabetização e letramento, garantindo não apenas a decodificação dos signos linguísticos, mas também a compreensão e utilização da leitura e escrita em contextos reais (Araújo; Adão; Modesto, 2024). Nesse sentido, a adoção de métodos eficientes no processo de alfabetização e letramento torna-se imprescindível.
As práticas pedagógicas que articulam a alfabetização ao letramento são fundamentais para que os estudantes possam desenvolver habilidades linguísticas significativas. Cardoso e Lima (2024) destacam que os professores precisam recorrer a estratégias dinâmicas, como a utilização de textos autênticos e atividades interativas, para estimular a aprendizagem. Além disso, a inserção de tecnologias educacionais pode favorecer o processo de ensino-aprendizagem, uma vez que amplia as possibilidades de interação e engajamento dos alunos (Gomes et al., 2020).
Um dos desafios encontrados na alfabetização é a heterogeneidade das turmas, que exige dos docentes um olhar atento para as diferentes necessidades dos alunos. Segundo Martins (2024), a análise das dificuldades individuais permite a aplicação de abordagens personalizadas, promovendo a inclusão e potencializando o aprendizado. Nascimento (2024) acrescenta que a perspectiva diferenciada da alfabetização, alinhada à realidade escolar, possibilita uma intervenção pedagógica mais eficaz.
O uso das metodologias ativas também tem se mostrado uma estratégia eficiente no processo de alfabetização. Segundo Marchesoni e Shimazaki (2021), a interação constante entre aluno e professor, aliada a práticas que envolvam experiências concretas de leitura e escrita, facilita a construção do conhecimento. A ludicidade, por exemplo, tem se mostrado uma ferramenta poderosa na alfabetização, pois permite que as crianças aprendam de forma mais natural e significativa (Silva, 2024).
No contexto da inclusão, é essencial considerar as necessidades específicas dos alunos, especialmente aqueles com dificuldades de aprendizagem, como a dislexia. Estudos indicam que estratégias diferenciadas, como o uso de recursos multisensoriais e adaptação dos materiais didáticos, são fundamentais para garantir o aprendizado dessas crianças (Oliveira, 2021; Silva, 2021). A formação docente também desempenha um papel crucial nesse processo, pois um professor bem-preparado pode aplicar metodologias mais inclusivas e eficientes (Fernandes et al., 2021).
Diante dos desafios impostos pelo período pandêmico, novas abordagens foram necessárias para garantir a continuidade da alfabetização. Coutinho e Côco (2021) ressaltam que a pandemia trouxe mudanças significativas no ensino, tornando essencial a adequação das práticas pedagógicas ao ensino remoto e híbrido. A adoção de plataformas digitais e a formação docente para lidar com essas tecnologias tornaram-se elementos fundamentais nesse período (Moura, 2020).
ABORDAGENS CONTEMPORÂNEAS E INOVADORAS
Nas últimas décadas, o campo da alfabetização tem sido profundamente influenciado por transformações sociais, culturais e tecnológicas, o que impulsionou o surgimento de abordagens contemporâneas e inovadoras no ensino da leitura e da escrita. Essas novas perspectivas procuram superar os limites dos métodos tradicionais, priorizando práticas mais contextualizadas, interativas e inclusivas, que respeitem a diversidade dos sujeitos e promovam uma aprendizagem significativa.
Entre as abordagens contemporâneas, destaca-se o construtivismo, fundamentado nas teorias de Piaget e Vygotsky, que considera a criança como sujeito ativo no processo de construção do conhecimento. Segundo essa perspectiva, a alfabetização deve ocorrer em situações reais de uso da linguagem, estimulando a reflexão, a experimentação e a mediação social. Para Marchesoni e Shimazaki (2021), alfabetizar letrando sob a ótica construtivista implica considerar os conhecimentos prévios do aluno, sua vivência cultural e o contexto comunicativo em que está inserido.
Outra inovação significativa no campo da alfabetização é a incorporação das tecnologias digitais como recursos pedagógicos. Ferramentas como jogos educativos, aplicativos de leitura, vídeos interativos e plataformas virtuais de aprendizagem têm sido utilizadas para potencializar o engajamento das crianças e diversificar as formas de acesso ao conhecimento. Fernandes et al. (2021) apontam que o letramento digital é uma competência essencial no século XXI e deve ser integrado ao processo de alfabetização desde a educação infantil, de forma crítica e planejada. No entanto, como alerta Moura (2020), o uso das tecnologias também exige formação adequada dos docentes e atenção às desigualdades de acesso.
As práticas lúdicas também ganham destaque entre as abordagens inovadoras, valorizando o brincar como linguagem fundamental da infância. Jogos, contação de histórias, dramatizações e atividades de exploração sensorial são recursos que promovem o prazer pela leitura e escrita, ao mesmo tempo em que desenvolvem habilidades cognitivas e socioemocionais. Lima (2024) enfatiza que a ludicidade não deve ser vista como um complemento, mas como parte integrante do planejamento pedagógico, pois contribui para tornar o processo de alfabetização mais motivador, significativo e respeitoso ao ritmo da criança.
Além disso, as práticas inclusivas têm sido fortalecidas nas propostas contemporâneas, considerando as diferentes necessidades de aprendizagem dos alunos. Estratégias como o ensino colaborativo, a personalização do ensino e o uso de materiais adaptados são fundamentais para garantir que todas as crianças, inclusive aquelas com dificuldades de aprendizagem, sejam efetivamente alfabetizadas. Nascimento (2024) ressalta que alfabetizar de forma inclusiva é um compromisso ético e político, que exige sensibilidade, flexibilidade e formação contínua por parte dos educadores.
Portanto, as abordagens contemporâneas e inovadoras no processo de alfabetização vão além da escolha de métodos. Elas representam uma mudança de paradigma na forma de compreender a aprendizagem da leitura e da escrita, considerando a criança em sua totalidade, valorizando sua experiência, cultura e subjetividade, e promovendo uma prática pedagógica mais criativa, reflexiva e transformadora.
O PAPEL DO EDUCADOR COMO MEDIADOR DA LEITURA E ESCRITA
O processo de alfabetização vai muito além do simples ensino técnico da leitura e da escrita; trata-se de um ato pedagógico, cultural e social que requer a presença ativa de um educador comprometido com o desenvolvimento integral do aluno. Nesse contexto, o professor assume o papel de mediador da aprendizagem, atuando como ponte entre o conhecimento e o sujeito que aprende. Sua função não é apenas transmitir conteúdos, mas criar condições para que os estudantes construam sentido, desenvolvam autonomia e se apropriem da linguagem de forma crítica e funcional.
A mediação docente implica conhecer profundamente os processos de aquisição da linguagem escrita, respeitar as diferentes fases da aprendizagem e considerar as singularidades de cada aluno. Como destacam Cardoso e Lima (2024), o educador precisa articular práticas pedagógicas que valorizem o contexto sociocultural da criança, promovam o diálogo, incentivem a curiosidade e respeitem os diferentes ritmos de aprendizagem. Isso exige sensibilidade, planejamento e uma postura investigativa que permita ao professor adaptar suas estratégias conforme as necessidades do grupo.
O educador mediador também é aquele que favorece a interação entre os diversos saberes, ampliando o repertório linguístico dos alunos e despertando o prazer pela leitura. Segundo Araújo, Adão e Modesto (2024), a mediação eficiente na alfabetização deve ocorrer em ambientes alfabetizadores ricos, nos quais a leitura e a escrita tenham função social clara, e onde as crianças possam experimentar, errar, refletir e reconstruir seus conhecimentos por meio da participação ativa em práticas reais de linguagem.
Nesse sentido, o papel do professor não se limita à aplicação de métodos, mas envolve a seleção cuidadosa de materiais, a escuta atenta, a valorização das hipóteses infantis e a criação de situações significativas de aprendizagem. Como afirma Souza (2024), o professor é o agente que integra a alfabetização ao letramento, promovendo experiências que vão além da decodificação mecânica e permitindo que a criança compreenda o texto como instrumento de comunicação, expressão e transformação do mundo.
Além disso, o mediador da leitura e da escrita deve estar em constante formação, buscando atualizar seus conhecimentos sobre práticas pedagógicas, metodologias inovadoras e tecnologias educacionais. Fernandes (2024) ressalta que a formação continuada é essencial para que o professor consiga enfrentar os desafios contemporâneos da alfabetização, como a inclusão, a diversidade cultural e o uso das mídias digitais. Um educador bem preparado é capaz de transformar a sala de aula em um espaço democrático, acolhedor e propício à construção coletiva do saber.
Portanto, o papel do educador como mediador da leitura e da escrita é essencial para o sucesso do processo alfabetizador. Seu olhar atento, sua escuta sensível e sua ação intencional são fundamentais para garantir que cada criança desenvolva plenamente sua capacidade de ler, escrever e compreender o mundo. Ao reconhecer a alfabetização como um direito e um instrumento de cidadania, o professor contribui ativamente para a formação de sujeitos críticos, autônomos e participativos na sociedade.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A alfabetização é um processo fundamental no desenvolvimento educacional e social dos indivíduos, sendo essencial para sua integração na sociedade e no mercado de trabalho. A adoção de métodos eficientes para o ensino da leitura e da escrita possibilita uma aprendizagem mais significativa, respeitando as particularidades e o ritmo de cada aluno. Estratégias que envolvem práticas lúdicas, o uso de tecnologias educacionais e abordagens interativas têm demonstrado grande eficácia na motivação e no engajamento dos estudantes, favorecendo o aprendizado de forma dinâmica e acessível.
Além disso, a formação contínua dos professores desempenha um papel crucial na implementação de metodologias inovadoras e adaptadas às necessidades dos alunos. O uso de diferentes abordagens pedagógicas, como o método fônico, o construtivismo e a consciência fonológica, contribui para uma alfabetização mais eficaz, permitindo que cada estudante desenvolva suas habilidades de forma progressiva e estruturada.
Outro fator essencial é a participação ativa da família no processo de alfabetização, uma vez que o ambiente doméstico exerce influência significativa no desenvolvimento da leitura e da escrita. O estímulo ao contato com os livros, o incentivo à leitura compartilhada e a valorização da comunicação oral são aspectos que potencializam o aprendizado e fortalecem a autonomia dos alunos.
Dessa forma, a alfabetização eficaz vai além da simples decodificação de palavras, envolvendo compreensão, interpretação e produção de textos. Para que esse processo seja bem-sucedido, é imprescindível um trabalho conjunto entre educadores, familiares e a escola, garantindo um ensino inclusivo e de qualidade. Ao investir em métodos eficientes e adaptados às realidades dos alunos, cria-se uma base sólida para a formação de leitores e escritores críticos, capazes de interagir com o mundo de maneira consciente e reflexiva.
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