Gestão de resíduos sólidos: Estação de tratamento de esgoto em Uberlândia: Uma análise crítica (2008-2019)

SOLID WASTE MANAGEMENT: WASTEWATER TREATMENT PLANT IN UBERLÂNDIA: A CRITICAL ANALYSIS (2008-2019)

GESTIÓN DE RESIDUOS SÓLIDOS: ESTACIÓN DE TRATAMIENTO DE AGUAS RESIDUALES EN UBERLÂNDIA: UN ANÁLISIS CRÍTICO (2008-2019)

Autor

URL do Artigo

https://iiscientific.com/artigos/7E45FD

DOI

doi.org/10.63391/7E45FD

Nascimento, Suéllen Andrade . Gestão de resíduos sólidos: Estação de tratamento de esgoto em Uberlândia: Uma análise crítica (2008-2019). International Integralize Scientific. v 5, n 48, Junho/2025 ISSN/3085-654X

Resumo

Este estudo analisa criticamente a geração e a gestão dos resíduos sólidos da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Uberabinha, em Uberlândia (MG), entre 2008 e 2019, à luz das normativas ambientais brasileiras e diretrizes internacionais. A pesquisa, baseada em dados do DMAE, quantificou os resíduos (lodo, areia, material gradeado, escuma), contextualizou as práticas locais no cenário nacional e internacional (predominância da destinação para aterro), analisou o potencial de valorização (especialmente do lodo para uso agrícola, conforme a Resolução CONAMA nº 375/2006 e a PNRS), verificou a conformidade legal e identificou desafios (escassez de dados comparativos específicos) e oportunidades (valorização do lodo). A conclusão aponta para a necessidade de avançar para modelos de gestão mais sustentáveis, explorando a valorização de resíduos como o lodo, em aconsonância com a legislação e as melhores práticas globais.
Palavras-chave
resíduos sólidos; estação de tratamento de esgoto; gestão de resíduos.

Summary

This study critically analyzes the generation and management of solid waste from the Uberabinha Wastewater Treatment Plant (WWTP) in Uberlândia (MG), Brazil, between 2008 and 2019, in light of Brazilian environmental regulations and international guidelines. Based on data from DMAE, the research quantified the waste (sludge, sand, screenings, scum), contextualized local practices within the national and international scenario (predominance of landfill disposal), analyzed the valorization potential (especially sludge for agricultural use, according to CONAMA Resolution nº 375/2006 and the NWPS), verified legal compliance, and identified challenges (scarcity of specific comparative data) and opportunities (sludge valorization). The conclusion points to the need to move towards more sustainable management models, exploring the valorization of waste such as sludge, in line with legislation and global best practices.
Keywords
solid waste; wastewater treatment plant; waste management.

Resumen

Este estudio analiza críticamente la generación y la gestión de los residuos sólidos de la Planta de Tratamiento de Aguas Residuales (PTAR) Uberabinha, en Uberlândia (MG), Brasil, entre 2008 y 2019, a la luz de las normativas ambientales brasileñas y las directrices internacionales. La investigación, basada en datos del DMAE, cuantificó los residuos (lodos, arena, cribados, espuma), contextualizó las prácticas locales en el escenario nacional e internacional (predominio de la disposición en vertedero), analizó el potencial de valorización (especialmente los lodos para uso agrícola, según la Resolución CONAMA nº 375/2006 y la PNRS), verificó el cumplimiento legal e identificó desafíos (escasez de datos comparativos específicos) y oportunidades (valorización de lodos). La conclusión señala la necesidad de avanzar hacia modelos de gestión más sostenibles, explorando la valorización de residuos como los lodos, en consonancia con la legislación y las mejores prácticas globales.
Palavras-clave
residuos sólidos; planta de tratamiento de aguas residuales; gestión de residuos.

INTRODUÇÃO

A gestão dos resíduos sólidos gerados nas Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs) configura-se como um pilar fundamental do saneamento ambiental urbano. No contexto de Uberlândia (MG), um município com notável dinamismo demográfico e econômico, a análise detalhada da produção e destinação desses resíduos – intrinsecamente distintos dos Resíduos Sólidos Urbanos (RSU) – reveste-se de importância crucial para o planejamento ambiental estratégico e a promoção da sustentabilidade em escala local.

O presente estudo fundamenta-se nos dados primários fornecidos pelo Departamento Municipal de Água e Esgoto (DMAE) de Uberlândia, abrangendo o período de 2008 a 2019. O escopo da análise engloba resíduos específicos do tratamento de esgoto, tais como lodo desidratado, areia, material gradeado e escuma. Dada a natureza particular desses subprodutos, a comparação direta com estatísticas de RSU, amplamente divulgadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e pela Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (ABRELPE), apresenta limitações, dada a ausência de detalhamento equivalente para resíduos de ETEs nessas fontes.

A Pesquisa Nacional de Saneamento Básico (Pnsb/Ibge, 2022) oferece um panorama da cobertura e do tratamento de esgoto no Brasil, mas não discrimina a quantidade de resíduos sólidos gerados por habitante conectado. Em âmbito internacional, relatórios do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA, 2015) e do Banco Mundial (Banco Mundial, 2018), focam predominantemente na gestão de RSU, com menor atenção aos resíduos de saneamento, sinalizando uma lacuna significativa em dados comparativos globais para este setor específico.

A análise dos dados dos resíduos gerados pela ETE Uberabinha, a principal infraestrutura de tratamento de esgoto do município, possibilita a identificação de tendências locais na geração e nas práticas de destinação de seus resíduos. Fatores como a expansão da rede coletora de esgoto, a implementação de tecnologias avançadas de tratamento e otimizações operacionais podem exercer influência direta sobre a quantidade e a tipologia dos resíduos gerados. A destinação primária para aterros sanitários, conforme os dados levantados, contrasta com o reconhecido potencial de valorização, em particular do lodo de esgoto, conforme explicitado na Resolução CONAMA nº 375/2006 (Brasil, 2006), que disciplina seu uso agrícola, e na Política Nacional de Resíduos Sólidos, instituida pela Lei nº 12.305/2010 (Brasil, 2010).

Diante da carência de dados comparativos diretos por população atendida, a presente investigação adota como estratégia central a análise aprofundada dos dados internos da ETE Uberabinha, buscando, subsequentemente, sua contextualização frente às diretrizes e informações disponíveis nos âmbitos nacional e internacional para a gestão de resíduos de saneamento.

O objetivo geral deste estudo é, portanto, analisar criticamente a geração e a gestão dos resíduos sólidos provenientes da Estação de Tratamento de Esgoto Uberabinha, no município de Uberlândia, no período de 2008 a 2019, à luz das normativas ambientais brasileiras e das diretrizes internacionais, com vistas à identificação de oportunidades para a valorização e o aprimoramento da gestão sustentável desses resíduos.

Para alcançar este objetivo abrangente, o estudo se estrutura em cinco objetivos específicos:

  1. Quantificar a geração anual dos resíduos sólidos da ETE Uberabinha, detalhando os principais tipos (lodo desidratado, areia, escuma, material gradeado) entre 2008 e 2019, com base nos dados oficiais e internos do DMAE.
  2. Contextualizar as práticas de gestão da ETE de Uberlândia em relação às informações disponíveis sobre o manejo de resíduos de saneamento no Brasil, reconhecendo as limitações de dados específicos por população atendida e as diferenças metodológicas em relação aos RSU.
  3. Analisar as tendências na destinação final dos resíduos da ETE, com ênfase na predominância do envio para aterros sanitários, e discutir o potencial de valorização, especialmente do lodo, à luz da legislação ambiental vigente: Resolução CONAMA nº 375/2006 e Lei nº 12.305/2010.
  4. Verificar a conformidade das práticas de gestão da ETE Uberabinha com a Política Nacional de Resíduos Sólidos e outras normativas ambientais aplicáveis, avaliando o alinhamento com as diretrizes de sustentabilidade e reaproveitamento de resíduos.
  5. Identificar os principais desafios e as oportunidades existentes para o aprimoramento da gestão dos resíduos da ETE Uberabinha, considerando a complexidade da comparação com dados internacionais e a necessidade de desenvolvimento de indicadores mais específicos para resíduos de saneamento.

DESENVOLVIMENTO

QUANTIFICAÇÃO DA GERAÇÃO ANUAL DOS RESÍDUOS SÓLIDOS DA ETE UBERABINHA (2008-2019, DMAE, 2024)

A análise da geração anual de resíduos sólidos na ETE Uberabinha entre 2008 e 2019, conforme os dados internos do DMAE de Uberlândia (DMAE, 2024), revela distintas tendências para os diferentes tipos de resíduos.

No que concerne aos resíduos de lodo, observa-se uma evolução em sua categorização. Nos anos de 2013 e 2014, os dados foram apresentados como “Lodo (Cent-reator)” e “Lodo (Cent-flot)”. Em 2013, a geração total de “Lodo (Cent-reator)” foi de aproximadamente 138.7 toneladas, enquanto o “Lodo (Cent-flot)” atingiu cerca de 4152.9 toneladas. Em 2014, esses valores foram de aproximadamente 4994.4 toneladas e 3734.7 toneladas, respectivamente. A partir de 2015, a nomenclatura mudou para “Lodo Biológico” e “Lodo Físico-Químico”, sendo este último o componente de maior volume nos anos finais da série. 

Em 2019, por exemplo, a geração de “Lodo Físico-Químico” alcançou aproximadamente 16879.7 toneladas. A análise individual dessas categorias ao longo do tempo pode indicar mudanças nos processos de tratamento ou na qualidade do efluente tratado. De forma similar, a análise das “Tortas” nos anos iniciais (2008-2012) mostra a contribuição da “Torta da Centrífuga” e da “Torta da Geomembrana”. Em 2008, a “Torta da Centrífuga” totalizou cerca de 4583.85 toneladas, enquanto a “Torta da Geomembrana” atingiu 387.08 toneladas. Em 2012, esses valores foram de aproximadamente 5284.60 toneladas e 310.10 toneladas, respectivamente. A descontinuidade da apresentação dos dados como “Tortas” após 2012 e a subsequente categorização como “Lodo” (com as especificações de origem) sugere uma possível alteração na forma de registro ou nos processos de desaguamento do lodo. Os demais resíduos, como “Areia”, “Material Gradeado” e “Escuma”, apresentaram volumes geralmente menores em comparação com as diferentes formas de lodo e tortas, com variações anuais que podem estar relacionadas a fatores operacionais da ETE. 

Em 2019, a geração de “Areia” foi de aproximadamente 1384.7 toneladas, “Material Gradeado” de 18.4 toneladas, e não houve registro de “Escuma”.

Portanto, uma análise mais detalhada requer considerar a evolução individual de cada tipo de resíduo ao longo do tempo, incluindo as distintas categorias de lodo e as tortas em seus respectivos períodos de registro, para compreender as mudanças na geração de resíduos na ETE Uberabinha.

CONTEXTUALIZAÇÃO DAS PRÁTICAS DE GESTÃO EM RELAÇÃO ÀS INFORMAÇÕES NACIONAIS

A contextualização das práticas de gestão adotadas pela ETE de Uberlândia em relação ao cenário nacional e internacional de manejo de resíduos de saneamento revela um panorama complexo devido à escassez de dados detalhados sobre a geração de resíduos sólidos específicos de ETE por população atendida.

No Brasil, a Pesquisa Nacional de Saneamento Básico (PNSB) de 2022 do IBGE indica a cobertura de coleta e tratamento de esgoto, mas não quantifica diretamente os resíduos sólidos gerados pelas ETEs. O “Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil 2022” da ABRELPE, embora focado em RSU, pode oferecer insights sobre a destinação de lodo de esgoto. A prática da ETE Uberabinha de destinar resíduos como “Material Gradeado”, “Areia” e “Lodo” para “ATERRO SANITÁRIO” alinha-se com uma das rotas comuns de disposição final de resíduos no país (IBGE, 2022; ABRELPE, 2022).

A Resolução CONAMA nº 375/2006, que regulamenta o uso agrícola de lodo de esgoto, estabelece critérios e limites para essa prática, representando uma alternativa à disposição em aterros. A predominância do envio para aterro em Uberlândia, conforme os dados, sugere uma menor adoção dessa alternativa no período analisado (Brasil, 2006).

Em termos de normas técnicas, a ABNT possui normas como a NBR 16122:2012, que trata de projetos de sistemas de tratamento de esgoto sanitário, e outras relacionadas ao manejo de lodo, mas estas geralmente focam nos aspectos de projeto e qualidade do lodo para diferentes usos, e não na quantificação comparativa da geração de resíduos sólidos.

No contexto internacional, relatórios como o “Global Waste Management Outlook” do PNUMA (2015) e o “What a Waste 2.0” do Banco Mundial (2018), abordam a gestão de resíduos de saneamento de forma mais geral, frequentemente integrada à gestão de resíduos sólidos urbanos. Dados quantitativos comparativos diretos sobre a geração de resíduos de ETE por habitante atendido entre países são raros. No entanto, esses relatórios enfatizam a crescente preocupação global com a necessidade de transicionar de aterros para opções mais sustentáveis, como a valorização de resíduos (PNUMA, 2015; Banco Mundial, 2018).

A gestão dos resíduos da ETE Uberabinha, com a destinação primária para aterro sanitário, reflete um desafio comum tanto no Brasil quanto em muitos países, onde a implementação de alternativas de valorização de resíduos de ETE ainda está em desenvolvimento. A ausência de dados normativos quantitativos diretos dificulta uma comparação precisa, mas a tendência global aponta para a necessidade de explorar rotas mais sustentáveis alinhadas com a hierarquia de gestão de resíduos.

ANÁLISE DA DESTINAÇÃO FINAL E POTENCIAL DE VALORIZAÇÃO (DMAE, 2024)

A análise da destinação final dos resíduos da ETE Uberabinha, com ênfase na predominância do envio para aterros sanitários, revela uma prática comum no cenário brasileiro para diversos tipos de resíduos, incluindo aqueles gerados no tratamento de esgoto. Os dados fornecidos (imagens anexadas) consistentemente indicam o “ATERRO SANITÁRIO” como a destinação final para “Material Gradeado”, “Areia”, “Lodo” e “Escuma” ao longo dos anos em que essa informação é detalhada.

No entanto, a legislação ambiental brasileira, notadamente a Lei nº 12.305/2010 (Política Nacional de Resíduos Sólidos – PNRS), estabelece uma hierarquia na gestão de resíduos, priorizando a não geração, redução, reutilização, reciclagem, tratamento e, por fim, a disposição final ambientalmente adequada. O envio contínuo para aterro, embora considerado uma disposição final adequada sob certas condições, pode não representar a opção mais sustentável a longo prazo, especialmente para resíduos com potencial de valorização (Brasil, 2010). Um dos principais resíduos com potencial de valorização na ETE é o lodo de esgoto. A Resolução CONAMA nº 375/2006 dispõe sobre o uso agrícola de lodos de esgoto, estabelecendo critérios e limites para garantir a segurança ambiental e à saúde pública. Essa resolução representa uma alternativa importante à destinação para aterros, permitindo o reaproveitamento de nutrientes presentes no lodo para a agricultura, desde que atendidos os requisitos de qualidade (Brasil, 2006).

A ausência de informações nos dados primários sobre o uso agrícola do lodo gerado na ETE Uberabinha sugere que essa via de valorização pode não ter sido implementada em larga escala durante o período analisado (2008-2019). Outras formas de valorização do lodo, como a produção de biogás através da digestão anaeróbia, também são mencionadas na literatura como alternativas sustentáveis, alinhadas com os princípios da economia circular.

Portanto, embora a prática de destinação para aterro sanitário garanta uma disposição final controlada, a análise à luz da legislação ambiental e das melhores práticas aponta para o potencial de valorização dos resíduos da ETE Uberabinha, especialmente o lodo. A implementação de alternativas como o uso agrícola, conforme a Resolução CONAMA nº 375/2006, ou outras tecnologias de recuperação de recursos, poderia contribuir para uma gestão mais sustentável, em consonância com a PNRS (Brasil, 2010).

ANÁLISE DA DESTINAÇÃO FINAL E POTENCIAL DE VALORIZAÇÃO

A análise da destinação final dos resíduos da ETE Uberabinha revela uma predominância do envio para aterros sanitários. Conforme os dados fornecidos, a destinação final para resíduos como “Material Gradeado”, “Areia”, “Lodo” e “Escuma” é consistentemente reportada como “ATERRO SANITÁRIO” ao longo do período analisado (2008-2019). Essa prática, embora garanta uma disposição controlada, contrasta com a hierarquia de gestão de resíduos estabelecida pela Lei nº 12.305/2010 (Política Nacional de Resíduos Sólidos – PNRS), que prioriza alternativas como a valorização (Brasil, 2010).

Um dos resíduos com maior potencial de valorização, dada a sua quantidade significativa na ETE Uberabinha (conforme o Objetivo 1), é o lodo de esgoto. A Resolução CONAMA nº 375/2006 normatiza o uso agrícola desse material, estabelecendo critérios para sua aplicação segura como fertilizante e condicionador de solo (Brasil, 2006). No entanto, os dados primários da ETE Uberabinha não indicam o uso agrícola como destino principal do lodo gerado, que atingiu volumes expressivos, como as aproximadamente 16.879,7 toneladas de “Lodo Físico-Químico” em 2019.

A PNRS (Lei nº 12.305/2010) também incentiva a recuperação energética e outras formas de valorização de resíduos (Brasil, 2010). No contexto do lodo de esgoto, tecnologias como a digestão anaeróbia para produção de biogás representam uma alternativa à disposição em aterros. A ausência de informações sobre a implementação dessas tecnologias na ETE Uberabinha sugere uma oportunidade para aprimorar a sustentabilidade da gestão dos resíduos.

Embora a destinação para aterro sanitário seja uma prática estabelecida, a quantidade considerável de lodo gerada anualmente na ETE Uberabinha, juntamente com o arcabouço legal que suporta a sua valorização (Resolução CONAMA nº 375/2006), aponta para um potencial não totalmente explorado de transição para modelos de gestão mais sustentáveis, alinhados com os princípios da PNRS (Lei nº 12.305, 2010).

VERIFICAÇÃO DA CONFORMIDADE COM A POLÍTICA NACIONAL DE RESÍDUOS SÓLIDOS E OUTRAS NORMATIVAS

A verificação da conformidade das práticas de gestão da ETE Uberabinha com a Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei nº 12.305/2010) e outras normativas ambientais aplicáveis requer a análise das ações da ETE à luz dos princípios e diretrizes da PNRS. Esta lei estabelece a prioridade da não geração, redução, reutilização, reciclagem, tratamento e disposição final ambientalmente adequada dos resíduos (Brasil, 2010).

A prática predominante de destinação dos resíduos (lodo, areia, material gradeado, escuma) para aterro sanitário, conforme os dados apresentados, configura-se como uma disposição final ambientalmente adequada, desde que o aterro opere de acordo com as normas técnicas e ambientais. No entanto, a PNRS incentiva a adoção de práticas que vão além da simples disposição final, como a valorização dos resíduos.

No que tange ao lodo de esgoto, a Resolução CONAMA nº 375/2006 estabelece critérios para o uso agrícola, representando uma via de valorização que se alinha com os princípios da PNRS de reaproveitamento de materiais (Brasil, 2006). A ausência de dados que evidenciem essa prática como predominante na ETE Uberabinha sugere uma possível área para maior conformidade com a PNRS, explorando alternativas à destinação final.

A PNRS também preconiza a responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos e a necessidade de planos de gerenciamento de resíduos sólidos. A análise dos dados da ETE Uberabinha não detalha explicitamente um plano de gerenciamento de resíduos da estação, mas a segregação e a identificação da destinação dos diferentes tipos de resíduos indicam um certo nível de organização na gestão.

Em suma, enquanto a destinação para aterro sanitário pode atender ao critério de disposição final ambientalmente adequada da PNRS, a exploração de alternativas de valorização, como o uso agrícola do lodo conforme a Resolução CONAMA nº 375/2006, poderia aumentar a conformidade da gestão dos resíduos da ETE Uberabinha com os princípios mais amplos de sustentabilidade e reaproveitamento preconizados pela legislação nacional (Brasil, 2010).

IDENTIFICAÇÃO DE DESAFIOS E OPORTUNIDADES PARA APRIMORAMENTO

A identificação dos principais desafios e oportunidades para o aprimoramento da gestão dos resíduos da ETE Uberabinha considera a complexidade da comparação com dados internacionais e a necessidade de desenvolvimento de indicadores mais específicos para resíduos de saneamento. Um dos desafios reside na relativa escassez de dados internacionais e nacionais detalhados sobre a geração e gestão de resíduos sólidos específicos de ETE por população atendida. Relatórios como o “Global Waste Management Outlook” do PNUMA (2015) e o “What a Waste 2.0” do Banco Mundial (2018) oferecem um panorama geral da gestão de resíduos, mas dados comparativos diretos são limitados (PNUMA, 2015; Banco Mundial, 2018). Isso dificulta o estabelecimento de benchmarks precisos para a ETE Uberabinha.

No entanto, esses relatórios globais e a própria Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei nº 12.305/2010) apontam consistentemente para a necessidade de transicionar de modelos de gestão focados na disposição final para abordagens que priorizem a valorização de resíduos (Brasil, 2010; PNUMA, 2015; Banco Mundial, 2018). Nesse contexto, uma oportunidade significativa para a ETE Uberabinha reside na maior exploração do potencial de valorização do lodo de esgoto, conforme preconiza a Resolução CONAMA nº 375/2006 (Brasil, 2006). A implementação em larga escala do uso agrícola do lodo, ou a adoção de tecnologias para produção de biogás, poderiam reduzir a dependência do aterro sanitário e gerar benefícios ambientais e econômicos.

Outro desafio pode estar relacionado à otimização dos processos internos da ETE para reduzir a geração de resíduos na fonte. A análise da evolução da quantidade dos diferentes tipos de resíduos ao longo do tempo (Objetivo 1) pode fornecer insights sobre áreas onde intervenções poderiam ser mais eficazes.

A oportunidade de desenvolver indicadores mais específicos para a gestão de resíduos de saneamento no Brasil também se apresenta como relevante. A coleta e divulgação de dados mais detalhados sobre a geração e as rotas de destinação de resíduos de ETE em nível nacional facilitariam comparações mais precisas e o desenvolvimento de políticas públicas mais eficazes. Em suma, os principais desafios incluem a limitação de dados comparativos específicos e a predominância da destinação para aterro. As oportunidades centram-se na valorização do lodo, na otimização da geração de resíduos e na contribuição para o desenvolvimento de indicadores mais específicos para o setor de saneamento.

CONSIDERAÇÕES FINAIS: RUMO A UMA GESTÃO INTEGRADA E RESPONSÁVEL DOS RESÍDUOS SÓLIDOS

A análise crítica da geração e da gestão dos resíduos sólidos provenientes da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Uberabinha, no município de Uberlândia, no período de 2008 a 2019, à luz das normativas ambientais brasileiras e das diretrizes internacionais, com vistas à identificação de oportunidades para a valorização e o aprimoramento da gestão sustentável desses resíduos, foi alcançada por meio do atendimento aos objetivos específicos estabelecidos.

A quantificação da geração anual dos resíduos (Objetivo 1) demonstrou a evolução das quantidades dos diferentes tipos de resíduos, com destaque para o lodo como componente principal, e suas variações ao longo do tempo. A contextualização das práticas de gestão (Objetivo 2) revelou um alinhamento parcial com as práticas nacionais de destinação, majoritariamente para aterros sanitários, em um cenário de limitada disponibilidade de dados comparativos específicos para o setor de saneamento.

A análise da destinação final e do potencial de valorização (Objetivo 3) evidenciou a predominância do envio para aterro, contrastando com o potencial de valorização do lodo, especialmente para uso agrícola, conforme a legislação vigente. A verificação da conformidade com a PNRS e outras normativas (Objetivo 4) indicou que, embora a disposição em aterro atenda a um critério legal, a maior adoção de práticas de valorização poderia aumentar a aderência aos princípios de sustentabilidade da legislação.

Finalmente, a identificação de desafios e oportunidades (Objetivo 5) apontou para a escassez de dados comparativos específicos como um desafio, enquanto a valorização do lodo e a otimização dos processos se apresentaram como oportunidades para aprimorar a gestão.

Em suma, a análise integrada dos dados da ETE Uberabinha, contextualizada com as normativas brasileiras (Lei nº 12.305/2010, Resolução CONAMA nº 375/2006) e as diretrizes internacionais (PNUMA, Banco Mundial), permitiu identificar tanto os aspectos da gestão que estão em linha com as práticas comuns quanto as oportunidades de avançar em direção a uma gestão mais sustentável dos resíduos da ETE Uberabinha, com foco na valorização do lodo e na busca por alternativas à disposição final em aterros.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE EMPRESAS DE LIMPEZA PÚBLICA E RESÍDUOS ESPECIAIS – ABRELPE. Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil 2022. São Paulo, 2022. Disponível em: https://www.abrelpe.org.br. Acesso em: 10 de maio de 2025.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE EMPRESAS DE LIMPEZA PÚBLICA E RESÍDUOS ESPECIAIS.ABRELPE. Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil 2023. São Paulo: ABRELPE, 2023. Disponível em: https://www.abrelpe.org.br. Acesso em: 10 de maio de 2025.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 16122:2012. Projetos de sistemas de tratamento de esgoto sanitário. Rio de Janeiro, 2012.

BANCO MUNDIAL. What a Waste 2.0: A Global Snapshot of Solid Waste Management to 2050. Washington, DC: World Bank, 2018.

BRASIL. Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010. Institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos. Brasília, DF, 2010.

BRASIL. Resolução CONAMA nº 375, de 29 de agosto de 2006. Dispõe sobre o uso de lodos de esgoto na agricultura. Brasília, DF, 2006.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA – IBGE. Pesquisa Nacional de Saneamento Básico 2022. Rio de Janeiro, 2022.

MINAS GERAIS (Estado). DEPARTAMENTO MUNICIPAL DE ÁGUA E ESGOTO – DMAE (Uberlândia). Relatório. Quantitativo de Resíduos ETE Uberabinha (2008-2019). Uberlândia, 2024.

PROGRAMA DAS NAÇÕES UNIDAS PARA O MEIO AMBIENTE – PNUMA. Global Waste Management Outlook. Nairobi, 2015.

Nascimento, Suéllen Andrade . Gestão de resíduos sólidos: Estação de tratamento de esgoto em Uberlândia: Uma análise crítica (2008-2019).International Integralize Scientific. v 5, n 48, Junho/2025 ISSN/3085-654X

Referencias

Vivian Caroline Coraucci.
BAILEY, C. J.; LEE, J. H.
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Clinical infectious diseases.
v. 67
n. 7
p. 1208-1216,
2021.
Disponível em: https://academic.oup.com/cid/article/67/7/1208/6141108.
Acesso em: 2024-09-03.

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Gestão de resíduos sólidos: Estação de tratamento de esgoto em Uberlândia: Uma análise crítica (2008-2019)

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