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Resumo
INTRODUÇÃO
Este trabalho tem como foco estudar, entender e analisar o conceito de cultura de aprender línguas, além de traçar um perfil do profissional que atua nessa área e explorar algumas teorias que possam oferecer vantagens ao conhecimento nesse campo.
O inglês sempre foi um diferencial importante no mercado de trabalho. Hoje, para desenvolver as habilidades e acompanhar as novas tecnologias, falar inglês se tornou algo fundamental. Vive-se em um mundo cada vez mais globalizado, onde o idioma inglês é a principal ferramenta de comunicação internacional, sendo utilizado em diversas áreas como cultura, comércio, diplomacia, tecnologia e ciência. Conhecer essa língua permite acesso a uma quantidade maior de informações nesse cenário tão competitivo. Atualmente, ao se candidatar a uma vaga em grandes empresas, é comum que seja exigido o domínio do inglês, assim como o conhecimento da Língua Portuguesa.
No Brasil, há um reconhecimento do valor de aprender línguas estrangeiras na escola. No entanto, ainda enfrentam-se dificuldades na formação de professores de línguas, especialmente nos métodos tradicionais de ensino, tanto na rede pública quanto na privada (Almeida Filho, 1991; Cabral dos Santos, 1993). Pesquisas sobre a formação de professores de inglês (Moita Lopes, 1996; Cilene, 1984; Célia, 1989) mostram que o modelo mais comum nos cursos de Letras no Brasil é baseado em uma abordagem técnica (Schön, 1998). Esse modelo, com raízes no Positivismo, tem uma abordagem prática, focada na resolução de problemas por meio da aplicação de teorias e técnicas que se baseiam em pesquisas observadas e quantificadas. Assim, o professor costuma ser visto como um técnico especializado, que aplica regras derivadas de conhecimentos científicos, sistemáticos e padronizados (Pérez Gómez, 1992).
Existem diferentes propostas para a formação de professores de segunda língua. Algumas defendem ações que combinam treinamento e desenvolvimento para promover mudanças no comportamento (Freeman, 199; Woodward, 1991); outras sugerem a união de atividades práticas de ensino com uma compreensão consciente dos princípios que sustentam essas práticas (Ellis, 1990); há também a ideia de formar professores reflexivos e críticos (Barlett, 1990; Numan, 1990; Cavalcanti e Moita Lopes, 1991; Wallace, 1991; Almeida Filho, 1993); e, por fim, o desenvolvimento de três competências claras no professor: linguística-comunicativa, aplicada e profissional (Almeida Filho, 1994).
De acordo com Cavalcanti, o crescimento na proficiência e na competência pedagógica deve acontecer junto com o desenvolvimento da competência reflexiva e social. É importante que esse olhar crítico sobre a própria prática comece já na formação de professores, para que eles possam continuar se aprimorando ao longo da carreira.
O capítulo I abordará a fundamentação teórica, discutindo temas como a importância do inglês no cenário internacional, a integração segundo Vygotsky e o desenvolvimento intelectual.
O capítulo II explorará a cultura de aprender línguas e, por fim, o capítulo III discorrerá sobre a atuação e a formação do professor de inglês.
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
A RELEVÂNCIA DO IDIOMA INGLÊS NO CONTEXTO GLOBAL
O Inglês é considerado a língua universal, sendo usado como referência em todos os países do mundo. Diversos fatores motivam as pessoas a aprenderem o idioma atualmente. O Inglês é oficialmente falado nos Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, Austrália, Nova Zelândia e Irlanda como língua materna, atuando como uma ponte para superar barreiras linguísticas e culturais, apoiando o entendimento em ciência e tecnologia, além de facilitar a conexão entre as pessoas. Uma vantagem de aprender inglês é o acesso a uma vasta quantidade de referências: notícias na televisão por assinatura apresentam diferentes perspectivas em relação às brasileiras. Quem gosta de Literatura percebe que, com o conhecimento do idioma, é possível conhecer melhor as características de muitos autores que muitas vezes se perdem na tradução para o português. Para ingressar em universidades públicas de destaque, é fundamental ter um bom domínio do idioma. Isso vale para quem deseja fazer uma pós-graduação, onde o conhecimento de um segundo idioma é uma exigência básica. No ambiente online, o Inglês é a língua mais utilizada.
A Língua Inglesa faz parte do currículo escolar e, no cenário atual, possui propósitos profissionais, acadêmicos e oferece oportunidades de crescimento na carreira.
Hoje em dia, é difícil precisar exatamente quantas pessoas falam inglês no mundo todo. Os países mencionados têm o Inglês como primeira língua (L1), mas também deve-se considerar aqueles que têm o domínio do idioma como segunda língua (L2). Praticamente em todos os cantos do planeta, há falantes de Inglês.
Pensando nesses pontos, é interessante refletir sobre quando e por que o Inglês se tornou uma língua tão importante:
A história mostra que, na Idade Média, o analfabetismo era comum, até mesmo entre as classes mais altas, como a realeza. A escrita era uma habilidade complexa, uma arte especializada, acessível a poucos. Somente a partir da segunda metade do século XIX, a escrita passou a ser uma habilidade básica para todos. No século XX, o analfabetismo passou a ser visto como uma deficiência grave em qualquer contexto social ou profissional. Hoje, em países desenvolvidos, uma pessoa que não sabe ler e escrever pode ser considerada marginalizada. Ao se olhar para o passado, percebe-se que a habilidade de ler e escrever evoluiu bastante, e o mesmo está acontecendo agora com a capacidade de dominar uma segunda língua. Há cerca de 50 anos, falar uma língua estrangeira tinha pouca importância, mas atualmente, ser bilíngue é uma necessidade cada vez maior.
Pode-se imaginar facilmente que, no futuro, o monolinguismo — ou seja, falar apenas uma língua — será uma limitação. No mundo globalizado de hoje, aprender uma língua estrangeira deixou de ser uma opção e passou a ser uma necessidade.
A Língua Inglesa passa a se solidificar como padrão das comunicações internacionais a partir da Segunda Guerra Mundial, devido ao poderio político-militar dos Estados Unidos da América, tornando-se influência econômica e cultural, deslocando o Francês dos meios diplomáticos.
Ao assumir o papel de idioma global, o Inglês se torna uma das ferramentas mais valiosas, tanto no âmbito acadêmico quanto no profissional. Atualmente, é considerado a língua mais importante a ser aprendida na comunidade internacional, e esse fato é inquestionável, parecendo ser algo sem volta. O Inglês se consolidou como o principal meio de comunicação, tanto no mundo científico quanto no mundo dos negócios. Segundo Crystal (1997:32), à medida que o Inglês se torna o principal idioma de interação entre países, é fundamental garantir que seu ensino seja feito com precisão e eficiência.
Enquanto professores e especialistas acreditam que, no futuro, dinheiro e bens materiais serão substituídos por informação e conhecimento como principais fatores de valor na sociedade, a habilidade de falar uma língua estrangeira, especialmente o Inglês, será essencial para alcançar o sucesso.
AS RAÍZES DO RACIOCÍNIO E DA LINGUAGEM SEGUNDO VYGOTSKY
Para os seres humanos, pensamento e linguagem têm origens distintas. No início, o pensamento não está ligado à linguagem, e esta, por sua vez, não possui um caráter intelectual. No entanto, seus caminhos evolutivos acabam se encontrando em determinado momento. Por volta dos dois anos de idade, essas duas funções — que até então se desenvolviam separadamente — se integram, dando origem a um novo tipo de comportamento. A partir desse marco, o pensamento começa a se expressar por meio da linguagem, e esta passa a se organizar de forma lógica e racional. No começo, a criança utiliza a linguagem mais como um recurso de comunicação simples em suas interações cotidianas, mas, com o tempo, essa linguagem se interioriza e passa a estruturar o pensamento da criança.
Ao perceber que tudo ao seu redor possui um nome, cada novo objeto representa um desafio que a criança resolve ao nomeá-lo. Quando não conhece a palavra adequada, ela busca auxílio de um adulto. Esses primeiros significados atribuídos às palavras servirão como base para a construção de conceitos mais elaborados e complexos.
Segundo o construtivismo social proposto por Vygotsky (1978), todas as funções cognitivas fundamentais de um indivíduo se formam a partir de sua vivência social, tornando-se, assim, um reflexo do desenvolvimento histórico e cultural da sociedade em que ele vive.
Para Luria (1976:35), as capacidades cognitivas e a forma como o indivíduo organiza seu pensamento não são determinadas por herança genética. Elas são construídas a partir das práticas e hábitos sociais característicos da cultura na qual ele está inserido.
Portanto, tanto o contexto histórico e social em que a criança cresce quanto sua própria trajetória de vida são elementos essenciais para a formação de seu modo de pensar. De acordo com Murray Thomas (1993:73), as formas mais sofisticadas de pensamento são transmitidas à criança por meio das palavras.
RACIOCÍNIO, COMUNICAÇÃO VERBAL E CRESCIMENTO COGNITIVO
Segundo Vygotsky (1978), compreender de maneira clara a conexão entre pensamento e linguagem é essencial para entender o processo de desenvolvimento intelectual.
A linguagem não se limita a ser uma simples manifestação do conhecimento adquirido pela criança. Há uma relação profunda e recíproca entre pensamento e linguagem, em que um oferece suporte ao outro. Assim, a linguagem exerce um papel central na formação tanto do raciocínio quanto da personalidade do indivíduo.
Um dos fundamentos principais da teoria de Vygotsky (1978) é o conceito de “zona de desenvolvimento proximal”. Essa zona representa a distância entre o que a criança consegue resolver sozinha e o que é capaz de realizar com o auxílio de outra pessoa.
Em outras palavras, pode-se falar em uma “zona de desenvolvimento independente”, que compreende todas as ações e competências que a criança consegue desempenhar sem apoio externo. Já a zona de desenvolvimento proximal abrange as atividades que ela somente consegue realizar com a mediação de alguém mais experiente. Esse mediador pode ser um adulto (como pais, professores, tutores ou instrutores de língua estrangeira) ou mesmo um colega que já tenha adquirido determinada competência.
A noção de Zona de Desenvolvimento Proximal é de extrema importância em todos os contextos educacionais. Um de seus desdobramentos mais relevantes é a ideia de que o aprendizado humano é intrinsecamente social, ocorrendo no contexto das interações em que a criança participa e se desenvolve cognitivamente junto ao meio em que está inserida (Vygotsky, 1978).
Para Vygotsky (1985), uma característica central da aprendizagem é o fato de ela ativar processos internos de desenvolvimento que só se manifestam plenamente quando a criança interage com o ambiente ao seu redor.
Portanto, no caso da aprendizagem de idiomas, a naturalidade do ambiente e o grau de conexão entre os participantes são fatores essenciais para que o aprendiz se sinta parte daquele espaço — condições essas que raramente se verificam em ambientes tradicionais de sala de aula.
A teoria sociointeracionista de Vygotsky (1978), ao abordar tanto o desenvolvimento da linguagem quanto o crescimento intelectual do ser humano, fornece uma base teórica sólida para as novas tendências da linguística aplicada, que caminham para métodos de ensino de línguas estrangeiras mais dinâmicos, humanizados e voltados para a experiência prática e para contextos multiculturais de interação.
Diversas abordagens linguísticas vêm sendo elaboradas com o objetivo de promover a fluência oral — aspecto considerado central na competência comunicativa. Essa fluência se refere à capacidade de manter uma produção verbal e cognitiva contínua, refletindo a eficiência funcional do indivíduo ao interagir em contextos onde a língua e a cultura alvo estão presentes. Ela se opõe à presença frequente de pausas, interrupções, ideias incompletas, ambiguidades ou barreiras decorrentes de choques culturais.
Embora esteja relacionada a habilidades específicas como pronúncia, domínio de estruturas gramaticais e vocabulário, a fluência pode ser afetada também por fatores como interferência da língua materna, desconhecimento de aspectos culturais da nova língua e questões psicológicas, como timidez, preocupação exagerada com a forma em detrimento do conteúdo, ou até mesmo preconceitos linguísticos.
O CONCEITO DA CULTURA DE APRENDER LÍNGUAS
A importância dos estudos sobre a cultura de aprendizagem de línguas reside no fato de que eles podem revelar possíveis divergências entre as expectativas dos alunos em relação ao ensino e aquilo que os professores esperam dos seus aprendizes.
Compreender as crenças dos estudantes pode contribuir para uma melhor interpretação de suas dificuldades e frustrações, permitindo que os docentes elaborem estratégias mais eficazes para promover o aprendizado da língua (Kern, 1995).
Diferenças nas expectativas culturais entre professores e alunos podem gerar obstáculos na comunicação entre ambos. Professores, por exemplo, podem se sentir desapontados, confusos ou até intimidados ao perceber que os alunos não correspondem aos comportamentos que consideram culturalmente adequados. Isso pode dificultar a disposição do professor para aprender com seus alunos e comprometer uma avaliação justa de seus conhecimentos (Erickson, 1986). Cada sociedade possui uma compreensão particular sobre o que se deve aprender, de que maneira e com qual finalidade (Carmagnani, 1993).
Tanto professores quanto alunos trazem consigo hábitos, valores e expectativas sobre o ensino e aprendizagem de línguas estrangeiras, que são legitimados e compartilhados dentro do contexto social em que vivem. Quanto maior for o conhecimento sobre as crenças dos aprendizes, maiores serão as chances de sucesso em qualquer proposta de intervenção pedagógica. Isso porque, como integrantes de uma sociedade, desenvolvemos percepções específicas sobre o que é a linguagem, além de ideias próprias sobre como deve ocorrer o aprendizado e qual deve ser o nosso papel em sala de aula. Essas percepções podem, inclusive, interferir na aceitação, por parte dos alunos, dos métodos de ensino adotados pelos professores. O termo “cultura de aprendizagem de línguas” foi proposto por Almeida Filho (1993) para se referir às formas que os estudantes consideram “naturais” ou apropriadas para estudar e se preparar para o uso de uma língua estrangeira. Essas formas de aprendizado, moldadas por sua origem étnica, classe social ou contexto familiar, são transmitidas ao longo do tempo como tradições, de maneira implícita, automática e inconsciente. Para Almeida Filho, a cultura de aprendizagem de línguas é um elemento-chave que influencia o processo de ensino-aprendizagem e atua como uma força que se articula com a abordagem pedagógica adotada. Segundo o autor, abordagem de ensino refere-se a um conjunto de disposições, saberes, crenças, pressupostos e, por vezes, princípios sobre o que é linguagem, o que é uma língua estrangeira, e o que significa aprender e ensinar uma língua-alvo. Essa abordagem inclui ainda concepções sobre o ser humano, o espaço da sala de aula e os papéis sociais atribuídos a professores e alunos no processo de ensino de um novo idioma. É fundamental criar oportunidades para que futuros professores de línguas possam refletir sobre suas próprias crenças em relação à aprendizagem linguística, proporcionando-lhes meios para desenvolver uma postura mais crítica e consciente diante da tarefa de auxiliar outras pessoas no aprendizado de uma língua estrangeira – no nosso caso, a língua inglesa. Como afirma Erickson (1984), “as explicações dos alunos sobre a melhor forma de aprender ou sobre como o aprendizado deve acontecer fazem parte de sua cultura”. Dessa forma, o conceito de cultura de aprendizagem de línguas mostra-se apropriado para a análise das crenças dos aprendizes sobre o processo de aquisição de uma língua estrangeira.
A IDADE E O APRENDIZADO DE LÍNGUAS
É amplamente reconhecido que o desenvolvimento cognitivo humano ocorre de forma acelerada durante os primeiros 16 anos de vida, desacelerando na fase adulta. De acordo com Piaget (1932), é na adolescência que o indivíduo adquire a capacidade de pensamento abstrato e formal, ou seja, passa a ir além das experiências concretas e da percepção imediata. No entanto, os adultos tendem a recorrer a explicações gramaticais e à sua dedicação para alcançar o aprendizado.
Para se refletir sobre qualquer teoria relacionada à aquisição de conhecimento, é fundamental levar em conta os diferentes fatores que influenciam o desenvolvimento humano. Entre os mais relevantes estão os aspectos biológicos, cognitivos e psicológicos.
ASPECTOS BIOLÓGICOS
Os órgãos diretamente relacionados à capacidade linguística do ser humano incluem o cérebro, o sistema auditivo e os órgãos de articulação da fala (cordas vocais, cavidades oral e nasal, língua, lábios e dentes). Dentre todos, o cérebro é, sem dúvida, o órgão central nesse processo.
A hipótese da lateralização cerebral baseia-se em estudos neurológicos que apontam funções distintas entre os dois hemisférios do cérebro. O hemisfério esquerdo está associado ao raciocínio lógico e analítico, enquanto o direito está ligado à criatividade, à sensibilidade musical, às emoções e à percepção de padrões e estruturas. Pode-se dizer que o hemisfério direito funciona como a porta de entrada das experiências, sendo responsável por processá-las e convertê-las em conhecimento.
Também se sabe que esse processo de lateralização cerebral ocorre a partir da puberdade. Ou seja, no cérebro infantil, há maior integração entre os dois hemisférios, o que caracteriza um período ideal para o aprendizado. A aquisição da linguagem se daria inicialmente por meio do hemisfério direito, sendo posteriormente consolidada no hemisfério esquerdo como uma competência permanente. Isso explicaria o desempenho superior das crianças, resultado de uma comunicação mais eficiente entre os dois lados do cérebro.
A teoria de Harpaz (1990:75) sugere que a aquisição da linguagem e a exploração do mundo são processos que acontecem de forma simultânea na infância. A participação da criança em interações linguísticas fornece a maior parte das informações que alimentam esse desenvolvimento. Como consequência, as estruturas neurais que representam conceitos no cérebro tornam-se fortemente conectadas às estruturas responsáveis pelas formas linguísticas.
No caso dos adultos que aprendem uma nova língua, os conceitos mentais já estão firmemente estabelecidos em estruturas neurais consolidadas. Assim, as novas estruturas ligadas à língua estrangeira não se conectam naturalmente às já existentes, o que dificulta a associação entre forma e significado.
Outros estudiosos, como O’Connor (1967) e Gimson (1962), propõem que a melhor audição e a maior flexibilidade dos órgãos articulatórios das crianças também podem explicar, ao menos em parte, sua notável facilidade na aprendizagem de línguas — especialmente em relação à pronúncia. No entanto, parece que essa vantagem está mais relacionada a aspectos cognitivos do que puramente biológicos.
FATORES COGNITIVOS
O adulto monolíngue, por já possuir uma base fonológica consolidada, tende a apresentar uma sensibilidade auditiva reduzida, habituada a reconhecer e produzir apenas os sons pertencentes ao sistema fonológico de sua língua nativa. A criança, por outro lado, ainda em fase inicial de desenvolvimento cognitivo e com hábitos menos fixos, preserva a capacidade de ampliar sua base fonológica, sendo capaz de incorporar sons de línguas estrangeiras com as quais venha a ter contato.
Uma diferença significativa entre adultos e crianças no que se refere às suas capacidades cognitivas é que o adulto já percorreu grande parte de seu desenvolvimento mental. Com mais experiências acumuladas e uma maior maturidade cognitiva, ele consegue trabalhar com ideias abstratas e hipotéticas, enquanto a cognição infantil, ainda em formação, está fortemente ligada a vivências concretas e à percepção direta. Esse fator justifica a maior facilidade dos adultos em compreender estruturas gramaticais de uma língua estrangeira e compará-las com as da sua língua materna. Também explica por que adultos tendem a se adaptar melhor a situações artificiais de aprendizagem, como exercícios formais em sala de aula, e por que demonstram preferência por estratégias como a tradução direta e o uso de dicionários para aquisição de vocabulário.
Krashen e Seliger (1975:173), por meio de sua hipótese da aprendizagem e aquisição (learning/acquisition), propõem uma distinção entre learning — entendido como o estudo formal que envolve recepção, processamento e sistematização consciente de informações, com base no raciocínio lógico — e acquisition, que corresponde ao desenvolvimento espontâneo de competências funcionais por meio de assimilação intuitiva e inconsciente, em contextos reais de interação social.
Os autores argumentam, ainda, que acquisition desempenha um papel mais relevante do que learning na conquista da proficiência em línguas, inclusive no caso de adolescentes e adultos (Krashen & Seliger, 1975:175). Sendo esse processo mais característico da infância, torna-se lógico concluir que ele assume um peso ainda maior no processo de aquisição de línguas por crianças.
Assim, considerando que a fluência linguística não está diretamente relacionada ao acúmulo de conhecimento teórico, mas sim à internalização prática das habilidades, construídas em situações reais de uso, torna-se mais compreensível a superioridade das crianças na aprendizagem de idiomas.
FATORES AFETIVOS E PSICOLÓGICOS
A hipótese do filtro afetivo, proposta por Krashen (1988), é outro elemento crucial que interfere no processo de aprendizagem de línguas. Aspectos de ordem emocional e psicológica podem exercer influência direta na capacidade de adquirir um novo idioma. Entre os principais fatores, destacam-se:
Desmotivação: refere-se à ausência de um impulso interno para aprender, geralmente causada por programas didáticos pouco envolventes, desconectados da cultura da língua-alvo e que não oferecem desafios significativos. A frustração gerada por não atingir a fluência por meio de métodos tradicionais ou pelo fracasso em avaliações (como provas e notas) também pode contribuir. Experiências anteriores negativas tendem a inibir novas tentativas. Alunos que não se sentem conectados à cultura estrangeira — ou até mesmo desenvolvem rejeição a ela, muitas vezes por falta de conhecimento — costumam apresentar menor interesse pelo aprendizado da língua. Em contraste, as crianças são naturalmente curiosas e demonstram grande abertura para o novo e para tudo o que está ao seu redor.
Perfeccionismo: caracteriza-se pela preocupação exagerada com a forma e pela rigidez diante do certo e do errado no uso da língua. Indivíduos com essa postura evitam se expor por medo de cometer erros.
Baixa autoestima ou falta de autoconfiança: pode ter origem em experiências traumáticas vividas durante a infância ou no ambiente escolar, especialmente em contextos muito rigorosos quanto ao acerto e erro. Pessoas com boa autoestima tendem a ser mais abertas à experimentação e à descoberta.
Apego à fluência na língua materna: a habilidade de se expressar com clareza e sofisticação na língua nativa é resultado de anos de prática e, muitas vezes, de formação acadêmica. Essa fluência transmite segurança e prestígio, e renunciar a isso para começar quase do zero em uma nova língua pode ser frustrante, pois o aprendiz se vê em uma posição inicial que pode parecer intelectualmente inferior.
Autoconsciência elevada: diz respeito à preocupação com a própria imagem e à tendência de imaginar e se importar excessivamente com o julgamento dos outros.
Ansiedade: surge a partir de expectativas exageradas em relação ao desempenho e à rapidez com que se esperam resultados.
Isolamento cultural (provincianismo): trata-se da atitude de se manter fechado dentro de um universo cultural próprio, sentindo-se desconfortável ou ameaçado fora dele. Essa característica é bastante comum em adolescentes, que buscam identidade e pertencimento.
Todos esses bloqueios têm origem nas experiências passadas do indivíduo e, portanto, tendem a surgir especialmente na adolescência e na vida adulta. Isso reforça a ideia de que as crianças, ainda livres desses entraves emocionais e sociais, apresentam maior facilidade na assimilação de uma nova língua.
DESEMPENHO E CAPACITAÇÃO DO DOCENTE DE INGLÊS
A FORMAÇÃO DO PROFESSOR DE LÍNGUA INGLESA
Uma transformação significativa na formação e na identidade profissional dos que exercem à docência se faz urgente, acompanhada do aprimoramento e ampliação de suas competências.
As transformações do mundo globalizado mostram que a atuação docente exige não apenas domínio de conteúdo, mas também um conjunto diversificado de competências — desde habilidades interpessoais até estratégias de ensino dinâmicas, capacidade de tomada de decisão, criatividade e autonomia, evitando modelos pedagógicos engessados e receitas prontas.
Cavalcanti e Moita Lopes (1991) destacam que os cursos superiores destinados à formação de professores de Língua Estrangeira, idealmente, deveriam focar no desenvolvimento da proficiência dos licenciandos, com a expectativa de que isso se reflita positivamente na qualidade do ensino. No entanto, na prática, apenas um dos quatro anos do curso costuma ser dedicado à prática docente, e mesmo assim de maneira limitada, sem incentivo à reflexão sobre a prática, centrando-se muitas vezes em listas de atividades a serem replicadas em sala de aula.
Ao analisar o cenário das licenciaturas em instituições privadas, percebe-se uma realidade distinta. A maioria das universidades e faculdades particulares oferece cursos de Letras com habilitação em Português e Inglês — e, ocasionalmente, Espanhol — estruturados de forma condensada, com duração de apenas três anos, em resposta à elevada demanda. Esses cursos, por exigência do MEC, incluem disciplinas voltadas para práticas pedagógicas e estágios supervisionados. No entanto, grande parte dos alunos chega ao curso com lacunas deixadas pelo ensino médio, o que impõe aos professores a difícil tarefa de transmitir e consolidar uma vasta gama de conteúdo em um tempo reduzido.
Filgueira dos Reis (1992), em pesquisa com docentes de Prática de Ensino de Inglês no Norte do Paraná, afirma que, em muitos casos, os futuros professores não estão sendo plenamente formados, mas apenas treinados tecnicamente. Isso pode comprometer o desempenho desses profissionais, lançando ao mercado indivíduos ainda não preparados para os desafios da sala de aula.
Além disso, é comum que o estudante ingresse no curso de Letras acreditando que adquirirá fluência oral em inglês durante a graduação — uma expectativa equivocada. O perfil desses alunos, especialmente os que estudam à noite em instituições privadas, é bastante particular: muitos trabalham durante o dia, vêm de escolas públicas e enfrentam inúmeras dificuldades já conhecidas.
Nesse contexto, tornar-se um bom professor de Língua Inglesa é uma tarefa desafiadora, mas perfeitamente possível. A formação inicial precisa ser complementada com ações contínuas de atualização, uso de materiais didáticos de qualidade e, quando necessário, com cursos de idiomas que ajudem a alcançar a proficiência linguística.
Cavalcanti e Moita Lopes (1991) também criticam a crença de que a graduação encerra a formação docente. Na verdade, essa formação deve ser contínua — quanto mais limitada ela for, maior a probabilidade de o professor basear sua prática em intuições, experiências pessoais ou crenças, reproduzindo modelos pouco eficazes com os quais foi exposto ao longo da vida.
Para aqueles que ainda não dominam o inglês, procurar uma escola de idiomas é uma decisão sensata e necessária. A sociedade brasileira reconhece o valor formativo do estudo de línguas estrangeiras, mas o ensino ainda é deficiente nas escolas públicas e, muitas vezes, nas particulares também (Almeida Filho, 1991; Cabral dos Santos, 1993).
Ao ingressar em um curso de idiomas, os estudantes esperam desenvolver tanto estruturas gramaticais quanto funções comunicativas. Cabe à instituição oferecer um ambiente propício à interação com outras áreas do saber e ao desenvolvimento de habilidades de comunicação eficazes.
Segundo Almeida Filho (1993), o desenvolvimento profissional está diretamente relacionado à participação do professor em atividades de formação continuada e de atualização constante. Para alcançar um desempenho pedagógico eficaz, o educador deve manter-se atento às transformações sociais e educacionais, sendo capaz de se adaptar, inovar e evoluir continuamente — o que só é possível com uma postura reflexiva.
Alarcão (1996), fundamentando-se nas ideias de Donald Schön, defende uma abordagem formativa que valorize a reflexão crítica sobre a prática docente. Ao investigar a formação de professores sob essa perspectiva, Alarcão sugere que muitos cursos não preparam efetivamente para a prática profissional e propõe a análise da atuação do professor como uma possível resposta para esses desafios.
Dominar o conteúdo, saber como apresentá-lo de forma clara, estabelecer uma boa relação com os alunos e tornar as aulas envolventes e produtivas são formas de buscar excelência na docência. No entanto, o verdadeiro desafio não é apenas alcançar um padrão de qualidade, mas superá-lo constantemente. Por isso, a análise da prática profissional proposta por Schön — e adotada por diversos outros estudiosos — se mostra fundamental.
O professor reflexivo é aquele que transforma a reflexão em uma competência central de sua trajetória formativa. Todo educador de Língua Estrangeira atua com base em pelo menos quatro dimensões: planejar o curso, selecionar ou elaborar materiais, promover experiências significativas com o novo idioma e avaliar o progresso dos alunos. Todas essas dimensões são moldadas por uma abordagem de ensino que o próprio professor constrói ao longo do tempo. Nesse sentido, o foco principal está no processo de ensino e aprendizagem da nova língua (Almeida Filho, 1993).
Schön e outros autores defendem a superação de modelos tradicionais que separam teoria e prática, propondo uma integração efetiva entre ambas. Estudar os contextos reais de aprendizagem pode trazer respostas relevantes para os problemas enfrentados na formação docente. A solução deve ser personalizada, considerando a realidade de cada situação, com base tanto na técnica quanto na ciência — e, acima de tudo, centrada nas pessoas envolvidas.
Sem a presença de um professor reflexivo e atuante nesse processo, a construção de conhecimento torna-se inviável. Nesse campo, vale mencionar o filósofo americano John Dewey (1859–1952), cujas ideias dialogam com essa perspectiva. Para ele, pensar de forma crítica significa estabelecer uma conexão concreta entre teoria e prática. Para evitar que as atividades se tornem mecânicas e repetitivas, é essencial que o pensamento esteja atrelado à ação.
Na visão da linguística aplicada, é desejável que os professores saibam explicar e fundamentar sua abordagem de ensino. Para isso, é necessário detalhar as concepções subjacentes de língua, linguagem, ensino e aprendizagem presentes em sua prática.
O objetivo central dessa reflexão é promover a revisão e a transformação das práticas em sala de aula, estimulando o desenvolvimento contínuo da docência em línguas estrangeiras. Por isso, os cursos de formação e de formação continuada têm sido cada vez mais valorizados como espaços de investigação, onde o professor é protagonista de sua própria evolução.
PERFIL DO EDUCADOR DE ENSINO DE LÍNGUAS
O mundo passou por transformações profundas e se encontra em constante movimento, afetando diretamente diversos setores, inclusive o educacional. Se antes o papel do professor se resumia ao domínio do conteúdo, à habilidade de transmissão e à capacidade de gerenciar uma turma, hoje essa função se expandiu consideravelmente. A competitividade no setor de ensino está em ascensão, e a rápida evolução tecnológica desafia os métodos tradicionais de educação. O modelo presencial vem sendo substituído, ou ao menos complementado, por novas formas de ensino: aulas por chat, chamadas de voz e vídeo, plataformas virtuais, aplicativos móveis, softwares educacionais e uma variedade de materiais comercializados amplamente, como coleções com DVDs e conteúdos digitais. O perfil dos alunos também mudou: eles estão mais bem informados, valorizam o tempo e buscam soluções personalizadas, com qualidade e flexibilidade. A durabilidade dos materiais didáticos e sua relevância prática ganham destaque, assim como os conteúdos discutidos em sala, que agora são influenciados por esse novo panorama. O professor, nesse contexto, é quem mais interage com os alunos, podendo perceber suas reais demandas e compartilhar com a instituição oportunidades de inovação ou alertar sobre riscos. Diante do cenário globalizado, o domínio da Língua Inglesa deixou de ser um diferencial e passou a ser uma exigência. Ao procurar uma escola de idiomas, o aluno espera aprender de forma estruturada, com resultados percebidos em curto prazo. Na maioria dos casos, o interesse está na comunicação funcional em inglês, e não em decorar frases prontas ou estudar estruturas gramaticais isoladamente. Como resposta, surgiram novas abordagens pedagógicas que priorizam contextos reais de uso do idioma. Muitas escolas, hoje, evitam métodos baseados em memorização e adotam estratégias que expõem o aluno à língua de forma mais natural e contextualizada, com o professor atuando como mediador da gramática, e não seu explicador direto. O professor de inglês, nesse cenário, precisa ser mais do que um transmissor de conteúdo: deve ser um agente da língua e da cultura inglesa, transmitindo aos estudantes não apenas conhecimento, mas também a importância prática desse aprendizado. Para isso, algumas competências são essenciais:
FORMAÇÃO ACADÊMICA SÓLIDA
É fundamental que o docente compreenda os conceitos de language learning e language acquisition, possua conhecimento em psicologia da aprendizagem, linguística comparada, métodos diversos de ensino de línguas e fonologia. Essas competências podem ser adquiridas em cursos de Letras com habilitação em Língua Inglesa ou por meio de capacitações complementares, como cursos de extensão e especialização.
PROFICIÊNCIA LINGUÍSTICA E DOMÍNIO CULTURAL
O professor não precisa ser nativo, mas é indispensável que tenha fluência no idioma, com naturalidade na fala e domínio dos aspectos culturais da língua. Boa pronúncia, entonação, ritmo e familiaridade com expressões idiomáticas são qualidades indispensáveis. Para isso, é recomendável possuir certificações reconhecidas de proficiência em inglês.
PERFIL PESSOAL E HABILIDADES INTERPESSOAIS
Além das competências técnicas, certas características pessoais são determinantes para o sucesso na docência. Um bom professor deve ter autoestima, empatia e habilidade para motivar seus alunos. Também deve saber lidar com diferentes perfis, respeitando os níveis variados de autoconfiança. É preciso ser crítico, saber identificar problemas e propor soluções. O educador eficaz atua como facilitador da aprendizagem, criando um ambiente de parceria com os estudantes, baseado na colaboração, e não na hierarquia. Valorizar o aspecto afetivo e promover a empatia são atitudes centrais. Além da formação técnica, é essencial que o professor esteja sempre em processo de atualização. Isso inclui acompanhar publicações da área, participar de cursos, workshops e eventos voltados à formação docente. Para se destacar, o profissional precisa dominar recursos tecnológicos, utilizar a internet como fonte de pesquisa e estar por dentro das inovações no campo da educação. O ensino de inglês já não é restrito a contextos elitizados. Hoje, escolas de idiomas estão presentes em diversas localidades, atendendo públicos variados. Cabe ao professor saber interagir com alunos de diferentes realidades sociais, idades e estilos de aprendizagem.
MERCADO DE TRABALHO PARA PROFESSORES
O conhecimento da língua inglesa sempre representou um diferencial no mercado de trabalho. Hoje em dia, para acompanhar o avanço tecnológico e aprimorar as competências, torna-se indispensável o domínio do inglês. Em uma sociedade globalizada, onde o idioma é amplamente utilizado como meio de comunicação internacional, sendo aceito em diversos contextos — cultural, comercial, diplomático, científico e tecnológico. Falar inglês proporciona acesso a uma variedade maior de informações em um cenário cada vez mais competitivo.
Atualmente, ao se candidatar a vagas nas grandes corporações, é esperado que o candidato possua conhecimentos em inglês, sendo esse requisito tão essencial quanto o domínio da língua portuguesa. O aprendizado do inglês tornou-se uma exigência evidente. A busca por fluência oral é crescente e faz parte do cotidiano social. As instituições de ensino especializadas no ensino de idiomas devem contar com profissionais capacitados, com domínio linguístico e discursivo, e com formação adequada na área ou equivalente.
Para quem deseja lecionar nas séries finais do Ensino Fundamental ou no Ensino Médio, a fluência oral não é um pré-requisito obrigatório, mas é necessário possuir licenciatura plena, conforme estabelece a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), em vigor desde 1996. A partir da implementação da LDB, houve um aumento na oferta desses cursos. No entanto, muitas das vagas disponibilizadas por instituições públicas e privadas seguem ociosas, segundo dados divulgados em agosto de 2004 pela consultoria Catho, de São Paulo.
A demanda por professores de inglês vai além do ambiente escolar. Instituições que necessitam capacitar seus colaboradores em outro idioma ou que precisam traduzir documentos também contratam esses profissionais. Além disso, há oportunidades nos polos de educação a distância, onde o professor precisa atuar como facilitador, dominando o uso de ambientes virtuais e fomentando a pesquisa e a autonomia dos estudantes.
Diversas são as possibilidades de atuação para quem domina a língua inglesa — muitas delas fora do ambiente educacional tradicional. O setor operacional, por exemplo, apresenta alta demanda. Existem boas oportunidades em companhias aéreas, marítimas, de transporte terrestre e fluvial, em cruzeiros, agências de eventos e até mesmo para aqueles que desejam empreender ou oferecer consultoria especializada.
Diante dessa realidade global, o diálogo e o uso estratégico da linguagem ganham espaço sobre a confrontação. Quanto mais cedo comunicar as ideias de maneira clara e eficaz no idioma mais falado internacionalmente, maiores serão as chances de atenção, defender os direitos e ir contra práticas discriminatórias e conservadoras. O domínio de línguas e culturas estrangeiras torna-se, assim, uma ferramenta fundamental para a mediação de conflitos e participação ativa em questões internacionais.
COMO ESCOLHER UM PROGRAMA DE INGLÊS
Adquirir fluência em uma segunda língua é uma ferramenta valiosa, tanto na vida pessoal quanto na trajetória profissional. Diante das diversas opções disponíveis no mercado, é essencial analisar cuidadosamente certos critérios antes de escolher um curso. A globalização e o avanço da Internet eliminaram fronteiras geográficas e culturais, facilitando o intercâmbio de informações.
Para tirar proveito desse novo cenário, é imprescindível dominar outros idiomas. Antes de se inscrever em um curso de inglês, é importante definir se o foco é pessoal ou profissional. No âmbito pessoal, o aprendizado contribui para a formação cultural, auxiliando em pesquisas acadêmicas. Já para objetivos profissionais, que demandam domínio na comunicação oral e escrita, a melhor opção pode ser cursos intensivos ou aulas individuais. Na hora da escolha, é fundamental considerar a qualificação dos docentes, certificações reconhecidas internacionalmente, atividades culturais oferecidas pela instituição, mecanismos de controle de qualidade como avaliações de satisfação e aprovação em exames, estrutura física da escola, estabilidade da equipe e sistema de avaliação do aluno. Além da qualidade do ensino e dos objetivos pessoais, o curso deve se adaptar a rotina. É importante avaliar se os horários são compatíveis, a localização é acessível e se a infraestrutura atende às necessidades. A opinião de ex-alunos pode fornecer uma boa noção sobre a experiência de aprendizado. Verificar se a instituição adota metodologias modernas, investe em formação docente e pesquisa pedagógica também faz parte de uma escolha responsável.
Em um cenário onde a fluência em inglês se tornou uma qualificação básica, tanto cultural quanto profissional, avaliar a qualidade do ensino se tornou indispensável. Como aprender exige investimento de tempo e dinheiro, é preciso cuidado na hora da escolha, especialmente num mercado saturado de cursos de idiomas que usam propaganda exagerada e figuras públicas para atrair estudantes. Seja nas grandes cidades ou nos interiores, a quantidade de escolas de inglês disponíveis pode confundir quem ainda não domina o idioma.
Infelizmente, é comum que, após anos de estudo, o aluno perceba que o método adotado foi ineficaz. Segundo o Ministério da Educação, cursos de línguas são considerados “livres”, ou seja, não são regulamentados nem supervisionados por órgãos oficiais. Assim, ao concluir o curso, o que realmente importa é o que foi aprendido, não o número de certificados obtidos.
O apego ao documento como prova de conhecimento é um traço cultural brasileiro, herdado de uma tradição colonialista. No entanto, quando se trata de demonstrar fluência em uma língua estrangeira, esse hábito se torna ultrapassado. Caso seja necessário comprovar proficiência, o ideal é recorrer a exames internacionais reconhecidos, como o TOEFL ou IELTS, por exemplo. De acordo com Vygotsky (1985), cada indivíduo possui motivações e necessidades diferentes. O ensino é mais eficaz quando as atividades são planejadas conforme os interesses e os objetivos de cada grupo ou aluno. Antes de escolher a escola, é válido analisar se o curso segue um material fixo e inflexível, ou se os professores têm autonomia e competência para adaptar o conteúdo, promovendo o desenvolvimento das quatro habilidades principais — leitura, escrita, compreensão auditiva e conversação. Participar de uma aula experimental pode ser uma ótima forma de entender como a escola funciona. É importante observar se há troca efetiva entre professor e alunos e se o conteúdo apresentado tem relação com a realidade dos participantes. Durante o processo de aprendizagem do inglês, o ideal é adquirir o idioma de forma equilibrada, abrangendo aspectos como expressões idiomáticas, vocabulário, construção de frases, pronúncia e diferenças culturais. À medida que o estudante avança, ele tende a adaptar o conhecimento àquilo que faz mais sentido para seu contexto.
A linguagem é uma forma de comportamento humano. Desenvolver a competência linguística exige prática constante e contato com falantes fluentes. Embora gramáticas, livros didáticos, vídeos e outros materiais possam auxiliar, o verdadeiro progresso acontece quando há, por trás de tudo isso, um professor engajado e motivado, capaz de guiar o aluno rumo ao uso funcional da língua.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Ter conhecimento dos principais conteúdos das demais áreas do conhecimento, estar atento às particularidades e dificuldades de cada aluno, e manter uma postura confiante são qualidades fundamentais para o professor de Inglês que deseja se destacar no contexto globalizado. Nesse cenário, a formação contínua, a busca por atualização e a paixão pela profissão são elementos que fazem toda a diferença na prática docente.
Como agente central no processo educativo, o professor precisa entender seu papel e os aspectos que influenciam sua relação com os alunos. O ensino e a aprendizagem de idiomas se tornam indispensáveis em um mundo onde a comunicação é instantânea, além de contribuírem significativamente para o crescimento pessoal, acadêmico e cultural dos envolvidos.
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