Liderança em contexto de emergência: Uma abordagem baseada nas teorias de McGregor e Simon

LEADERSHIP IN EMERGENCY CONTEXTS: AN APPROACH BASED ON McGREGOR AND SIMON’S THEORIES

LIDERAZGO EM CONTEXTO DE EMERGENCIA: UN ENFOQUE BASADO EN LAS TEORÍAS DE McGREGOR Y SIMON

Autor

URL do Artigo

https://iiscientific.com/artigos/824F95

DOI

doi.org/10.63391/824F95

Souza, Renata Tiago de. Liderança em contexto de emergência: Uma abordagem baseada nas teorias de McGregor e Simon. International Integralize Scientific. v 5, n 49, Julho/2025 ISSN/3085-654X

Resumo

O contexto da enfermagem de emergência caracteriza-se por alta complexidade, ritmo acelerado e pressão constante, exigindo dos profissionais não apenas competências técnicas, mas também habilidades comportamentais voltadas para uma liderança eficaz, flexível e centrada em decisões assertivas. Nesse cenário, torna-se essencial compreender como o comportamento organizacional influencia a liderança e a dinâmica das equipes, impactando diretamente a segurança do paciente, a qualidade do cuidado e a eficiências dos serviços. Este estudo tem como objetivo analisar a aplicação dos princípios da Teoria Comportamental da Administração, com ênfase nas contribuições de Herbert Simon e Douglas McGregor, à prática da enfermagem de emergência, especialmente em situações de crise. A metodologia adotada foi uma revisão integrativa, com coleta de dados realizada no período entre março e junho de 2025, a partir da leitura e análise de artigos publicados nos últimos cinco anos, encontrados em bases como SciELO, LILACS e Google Acadêmico, abordando temas como liderança, comportamento organizacional e enfermagem em ambientes de emergência hospitalar. Os resultados evidenciam que o conceito de racionalidade limitada, proposto por Simon, contribui para a compreensão das decisões rápidas e muitas vezes imperfeitas tomadas por enfermeiros em momentos críticos. Já com as Teorias X e Y, permite refletir sobre diferentes estilos de liderança e seus efeitos na motivação e coesão das equipes. Observou-se que a Teoria Y mostra-se mais compatível com o ambiente de emergência, por promover engajamento, confiança e cooperação. Conclui-se que as abordagens comportamentais fortalecem uma liderança mais segura, humanizada, resiliente e eficaz em contextos de crise.
Palavras-chave
liderança; enfermagem de emergência; comportamento organizacional; teoria comportamental; administração.

Summary

The context of emergency nursing is characterized by high complexity, fast pace, and constant pressure, requiring professionals not only technical skills, but also behavioral skills aimed at effective, flexible leadership focused on assertive decisions. In this scenario, it is essential to understand how organizational behavior influences leadership and team dynamics, directly impacting patient safety, quality of care, and service efficiency. This study aims to analyze the application of the principles of Behavioral Management Theory, with emphasis on the contributions of Herbert Simon and Douglas McGregor, to the practice of emergency nursing, especially in crisis situations. The methodology adopted was an integrative review, with data collection carried out between March and June 2025, based on the reading and analysis of articles published in the last five years, found in databases such as SciELO, LILACS, and Google Scholar, addressing topics such as leadership, organizational behavior, and nursing in hospital emergency settings. The results show that the concept of limited rationality, proposed by Simon, contributes to the understanding of the rapid and often imperfect decisions made by nurses in critical moments. With Theories X and Y, it allows us to reflect on different leadership styles and their effects on team motivation and cohesion. It was observed that Theory Y is more compatible with the emergency environment, as it promotes engagement, trust and cooperation. It is concluded that behavioral approaches strengthen safer, more humanized, resilient and effective leadership in crisis contexts.
Keywords
leadership; emergency nursing; organizational behavior; behavioral theory; administration.

Resumen

El contexto de la enfermería de emergencia se caracteriza por su alta complejidad, ritmo acelerado y presión constante, requiriendo de los profesionales no solo habilidades técnicas, sino también habilidades conductuales orientadas a un liderazgo efectivo, flexible y centrado en decisiones asertivas. En este escenario, es esencial comprender cómo el comportamiento organizacional influye en el liderazgo y la dinámica de equipo, impactando directamente en la seguridad del paciente, la calidad de la atención y la eficiencia del servicio. Este estudio tiene como objetivo analizar la aplicación de los principios de la Teoría de la Gestión del Comportamiento, con énfasis en las contribuciones de Herbert Simon y Douglas McGregor, a la práctica de la enfermería de emergencia, especialmente en situaciones de crisis. La metodología adoptada fue una revisión integradora, con recolección de datos realizada entre marzo y junio de 2025, basada en la lectura y análisis de artículos publicados en los últimos cinco años, encontrados en bases de datos como SciELO, LILACS y Google Scholar, abordando temas como liderazgo, comportamiento organizacional y enfermería en entornos de emergencia hospitalaria. Los resultados muestran que el concepto de racionalidad limitada, propuesto por Simon, contribuye a la comprensión de las decisiones rápidas y a menudo imperfectas que toman las enfermeras en momentos críticos. Con las Teorías X e Y, nos permite reflexionar sobre los diferentes estilos de liderazgo y sus efectos en la motivación y la cohesión del equipo. Se observó que la Teoría Y es más compatible con el entorno de emergencia, ya que promueve el compromiso, la confianza y la cooperación. Se concluye que los enfoques conductuales fortalecen un liderazgo más seguro, humanizado, resiliente y eficaz en contextos de crisis.
Palavras-clave
liderazgo; enfermería de emergencia; comportamiento organizacional; teoría del comportamiento; administración.

INTRODUÇÃO

Os serviços de urgência e emergência hospitalar são caracterizados por sua alta complexidade e dinamismo. Essas condições exigem dos profissionais de enfermagem habilidades técnicas e comportamentais que favoreçam a tomada de decisões rápidas, eficazes e seguras. Nessas situações, a liderança assume papel central não apenas na coordenação das ações assistenciais, mas também na gestão de equipes e no enfrentamento de crises que comprometem a qualidade do cuidado e a segurança do paciente (Silva; Souza, 2020).

Em vista disso, torna-se essencial compreender os fatores que influenciam o comportamento dos profissionais e o modo como as lideranças são exercidas. A Teoria Comportamental da Administração, conforme as contribuições de Herbert Simon e Douglas McGregor, oferece importante contribuições para essa análise ao priorizar os aspectos humanos e psicológico da gestão, a racionalidade limitada nas decisões e os diferentes estilos de lideranças baseados na motivação e no comportamento organizacional (Simon, 1977; McGregor, 1982).

A relevância deste estudo reside na necessidade de aprimorar a prática da liderança em enfermagem em cenários de resposta rápida e acompanhamento clínico, onde as decisões eficazes são cruciais para a segurança do paciente e eficiência dos serviços. A liderança do enfermeiro contribui significamente para a qualidade do cuidado, especialmente por meio de uma comunicação assertiva, relações interpessoais saudáveis e uma gestão eficaz das equipes.  (Campanha et al., 2020; Morcelli et al., 2021; Bernardes; Gabriel; Spiri, 2021).

Este estudo busca analisar a aplicação da Teoria Comportamental na liderança em enfermagem de emergência, focando especialmente em contextos de crise, visando uma atuação mais eficaz e humana. A teoria ajuda a compreender os fatores que influenciam o comportamento dos profissionais e a dinâmica das equipes em ambientes de alta complexidade, contribuindo para o desenvolvimento de estratégias de liderança mais humanizadas e adaptadas. (Wehbe; Galvão, 2023).

Este estudo propõe-se a suprir lacunas identificadas na literatura científica acerca da aplicação dessa teoria específica no âmbito da enfermagem em locais que exigem   atendimento de alta prioridade, oferecendo subsídios relevantes para o aprimoramento da prática profissional na área.

METODOLOGIA

Este estudo caracteriza-se como uma pesquisa qualitativa, de natureza exploratória, fundamentada em uma revisão integrativa da literatura. Essa abordagem foi escolhida por permitir a análise abrangente de estudos publicados anteriormente, integrando achados com diferentes metodologias e promovendo uma compreensão mais aprofundada sobre a aplicação das teorias de Herbert Simon e Douglas McGregor na liderança em contextos de emergência na enfermagem. 

A revisão foi conduzida entre os meses de março e junho de 2025, utilizando-se como fontes as bases de dados SciELO (Scientific Electronic Library Online), LILACS (Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde) e Google Acadêmico. Foram empregados como descritores os seguintes termos: Liderança, Enfermagem de emergência, Comportamento organizacional, Teoria comportamental e Administração. Para ampliar os resultados e garantir a abrangência da busca, os descritores foram combinados entre si por meio dos operadores booleanos “AND” e “OR”. 

Os critérios de inclusão adotados foram: artigos publicados entre os anos de 2020 e 2025, disponíveis na íntegra e gratuitamente, nos idiomas português, inglês ou espanhol, que abordassem de forma direta temas relacionados à liderança na enfermagem, comportamento organizacional e teorias administrativas aplicadas ao ambiente hospitalar, em especial em unidades de emergência. Foram excluídos da análise artigos de reflexão, trabalhos acadêmicos como monografias, dissertações e teses, bem como estudos que não apresentavam relação direta com o tema central da pesquisa. Após a triagem inicial e a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, 09 artigos científicos foram selecionados para compor a análise final. 

Realizou-se, então, a leitura crítica e analítica dos textos, com o objetivo de identificar contribuições teóricas e práticas relacionadas à aplicação dos conceitos de racionalidade limitada (Simon), aos estilos de liderança das Teorias X e Y (McGregor) e aos fundamentos da liderança situacional no contexto da enfermagem de emergência. 

Os dados extraídos foram organizados em categorias temáticas, permitindo a síntese dos principais achados e a construção de uma discussão alinhada aos objetivos da pesquisa. Essa metodologia possibilitou uma análise aprofundada e comparativa sobre como essas abordagens teóricas podem contribuir para o fortalecimento da atuação dos enfermeiros em cenários marcados por alta complexidade, pressão e necessidade de respostas rápidas, promovendo lideranças mais eficazes, humanas e adaptáveis.

REFERENCIAL TEÓRICO

TEORIA COMPORTAMENTAL E  RACIONALIDADE LIMITADA (Herbert Simon)

A Teoria Comportamental, desenvolvida por Herbert Simon (1977), enfatiza a racionalidade limitada nas decisões tomadas pelos indivíduos dentro das organizações. Em ambientes de emergências, essa teoria se aplica perfeitamente, uma vez que os profissionais de enfermagem frequentemente se deparam com informações incompletas e prazos apertados para tomar decisões cruciais. Simon argumenta que a racionalidade humana é limitada pelas capacidades cognitivas e pelo tempo disponível, o que implica na necessidade de simplificação e adaptação das decisões frente a contexto dinâmicos e complexos.

Em unidades de atenção imediata e continuada, onde decisões rápidas e precisas são exigidas, a racionalidade limitada é um conceito central, pois os enfermeiros precisam ser capazes de tomar decisões com base em dados incompletos e frequentemente imprecisos, considerando os recursos limitados e o tempo restrito para ação  (Simon, 1977).

TEORIA X E TEORIA Y DE McGregor E SEU IMPACTO NA LIDERANÇA EM CRISES 

Douglas McGregor (1982), em sua teoria das Teorias X e Y, fornece uma fundamentação teórica relevante para compreender os estilos de liderança em serviços de emergência hospitalar. A Teoria X assume que os funcionários são preguiçosos, precisam de supervisão constante e serão motivados apenas por recompensas e punições. Por outro lado, a Teoria de Y pressupões que os indivíduos são motivados por fatores internos, como autor realização e o desejo de contribuir para os objetivos organizacionais, e que, com a liderança adequada, podem ser mais autônomos e responsáveis.

Em situações de cuidado agudo e contínuo, as lideranças que adotam uma abordagem mais participativa e motivacional, conforme sugerido pela Teoria Y, tendem a ser mais eficazes, pois ajudam a fortalecer a autonomia dos enfermeiros, motivando-os a colaborar em equipe e tomar decisões assertivas durante crises. Essa abordagem é particularmente importante em situações de alta tensão, onde a moral e a comunicação eficaz da equipe são essenciais para a qualidade do atendimento (McGregor, 1982).

LIDERANÇA  SITUACIONAL NA ENFERMAGEM DE EMERGÊNCIA

A aplicação dos princípios da liderança situacional, que se baseiam em diferentes estilos de liderança ajustados conforme o comportamento e a maturidade da equipe, mostra-se especialmente relevante em locais de alta e média complexidade. Essa abordagem, proposta por Hersey e Blanchard (1977), sugere que o líder avalie o nível de maturidade dos membros da equipe. A partir dessa avaliação, o estilo de liderança pode ser adaptado conforme as exigências do contexto e as capacidades dos profissionais.

Nos serviços de atendimento em situações críticas hospitalares, onde há alta variabilidade e pressão constante, essa flexibilidade é essencial. Permite que o enfermeiro adote uma postura mais diretiva ou mais participativa, conforme a situação exigir. Isso favorece a eficácia na coordenação das ações, melhora a comunicação entre os membros da equipe (Hershey; Blanchard, 1977).

Além disso, contribui para a tomada de decisões rápidas e seguras diante de situações críticos. A liderança situacional também promove um ambiente mais colaborativo e responsivo às urgências. Dessa forma, o cuidado prestado ao paciente tende a ser mais eficiente e seguro. Assim, a aplicação prática desses princípios fortalece a atuação da liderança em contextos complexos  (Hershey; Blanchard, 1977).

ANÁLISE E DISCUSSÕES

O estudo apresentado analisa a aplicação da Teoria Comportamental da Administração, com ênfase nos conceitos de racionalidade limitada de Herbert Simon e os estilos de liderança proposto por Douglas McGregor, no contexto da enfermagem de emergência. A partir da análise, foram encontrados diversos estudos que confirmam a relevância desses modelos teórico na melhoria da gestão e da qualidade do cuidado em situações de alta complexidade, como os atendimentos hospitalares de urgência.

A análise dos achados se baseia na forma como os enfermeiros, ao lidarem com os desafios próprios das situações críticas de atendimento, utilizam estilos de lideranças adaptativas e tomam decisões baseadas em informações muitas vezes incompletas e imprecisas, o que reforça a importância da flexibilidade e a capacidade de julgamento no exercício da liderança em contexto crítico.

APLICAÇÃO RACIONALIDADE LIMITADA DE SIMON

A aplicação da racionalidade limitada, conforme proposta por Herbert Simon (1977), mostra-se extremamente pertinente ao contexto da enfermagem de atendimento emergencial. Simon destaca que as decisões são limitadas pelas capacidades cognitivas dos indivíduos e pelas restrições de tempo, o que é ainda mais evidente em unidades de atendimento clinico emergencial. Nesse cenário, os enfermeiros, frequentemente, precisam tomar decisões rápidas com dados incompletos, o que exige uma abordagem simplificada e uma adaptada contínua às novas informações.

Apesar das limitações, a racionalidade limitada pode ser um mecanismo eficaz com a incerteza e a pressão do setor hospitalar. Os profissionais de enfermagem, ao lidarem com situações críticas, tomam decisões baseadas não apenas em informações objetivas, mas também nas experiências e intuições acumuladas, o que, de acordo com Simon, é uma forma de otimizar o processo decisional em contextos dinâmicos (Silva et al., 2021).

Além disso, a decisão rápida, baseada na racionalidade limitada, é alinhada com a necessidade de eficiência em ambientes onde o tempo de resposta é crucial para a segurança do paciente. Simon (1977) reforça que a simplificação do processo decisional, sem perder a qualidade da escolha, é fundamental para garantir que as equipes de enfermagem possam atuar com eficácia em momentos de crise.

TEORIA X E Y DE McGregor E OS ESTILOS DE LIDERANÇA EM SITUAÇÕES DE CRISE 

A análise dos estilos de liderança propostos por Douglas McGregor (1982), por meio das teorias X e Y, trouxe à tona a importância da motivação e da abordagem psicológica na gestão das equipes de enfermagem em áreas de urgência.

A Teoria X, que pressupõe que os trabalhadores são preguiçosos e necessitam de supervisão constante, não se alinha com o modelo ideal para locais de atendimento emergenciais, onde a eficácia e a autonomia são essenciais. Por outro lado, a Teoria Y, que considera os indivíduos motivados por fatores internos e que podem ser autônomos e responsáveis, se adapta de forma mais eficaz ao contexto assistencial emergencial (McGregor, 1982).

A abordagem indicou que a liderança baseada na Teoria Y, caracterizada por maior motivação intrínseca e participação, tem um impacto significativo na qualidade do atendimento, pois fortalece a colaboração entre os membros da equipe, reduzindo o estresse e melhorando a comunicação durante as   crises (Sjølie; Hartviksen; Bondas, 2020).

A liderança participativa e motivacional contribui para um ambiente mais harmonioso, no qual as equipes se sentem valorizadas e confiantes para tomar decisões assertivas. Esse tipo de liderança favorece a atuação coordenada dos profissionais, aspecto essencial em contextos de alta pressão (Silva et al., 2021).

A LIDERANÇA SITUACIONAL DE HERSEY E BLANCHARD 

A aplicação da Liderança Situacional, conforme descrita por Hersey e Blanchard (1977), se mostrou um modelo de liderança particularmente eficaz na enfermagem. De acordo com esse modelo, a capacidade do líder de adaptar seu estilo de liderança de acordo com o nível de maturidade e competência é fundamental para garantir uma liderança eficaz em situações complexas. 

Em espaço de atendimento emergenciais, onde as condições e as necessidades da equipe de enfermagem podem mudar rapidamente, a flexibilidade do líder enfermeiro para enfermagem é crucial. A liderança situacional, permite que o enfermeiro ajuste seu comportamento a abordagem conforme a situação, é uma ferramenta valiosa para melhorar a eficácia da equipe de enfermagem em seu contexto de crise (Wang et al., 2024).

Em momentos de alta pressão, a habilidade do líder em avaliar o nível de competência e confiança da equipe e, a partir de então, adotar uma postura mais diretiva ou mais delegadora, pode ser a chave para otimizar a resposta da equipe e garantir a qualidade do cuidado (Jiang, 2024).

A flexibilidade do líder de enfermagem, conforme a liderança situacional, assegura que as decisões sejam tomadas de forma mais assertivas e adequada ao contexto, reduzindo o impacto de crises e melhorando a eficácia operacional. Essa abordagem permite adaptar o estilo de liderança às necessidades da equipe e à gravidade da situação. Como resultado, promove-se um ambiente de trabalho mais coeso, resiliente e eficiente (Sjølie; Hartviksen; Bondas, 2020).

IMPLICAÇÕES PRÁTICAS PARA A ENFERMAGEM DE EMERGÊNCIA 

As implicações práticas são relevantes para a formação e a atuação dos enfermeiros. A aplicação dos princípios da Teoria Comportamental mostrou-se em favorecer o desenvolvimento de estratégias de liderança mais eficazes humanas e ajustadas às demandas específicas desses locais. E esse enfoque permite uma gestão mais sensível às necessidades da equipe e dos pacientes, promovendo uma atuação mais resolutiva (Sjølie; Hartviksen; Bondas, 2020).

Dessa forma, contribui-se para a melhoria dos atendimentos prestados. A liderança torna-se, assim, uma ferramenta essencial no enfrentamento dos desafios diários enfrentados por esses profissionais, possibilitando uma resposta mais ágil e coordenada frente às situações críticas comuns nessas unidades (Wang et al., 2024).

Os enfermeiros podem se beneficiar da capacitação situacional, que favorece a compreensão das dinâmicas da equipe e a tomada de decisões mais assertivas. Essa abordagem permite ao líder adaptar seu estilo conforme o nível de maturidade profissional dos colaboradores e a  complexidade da situação (Wang et al., 2024).

Além disso, a aplicação da Teoria Y de McGregor pode aumentar o engajamento e a motivação da equipe, criando um espaço de trabalho mais colaborativo. O resultado é uma resposta mais eficaz diante de crises, com profissionais mais comprometidos e preparados . Tais estratégias contribuem diretamente para eficiência e segurança no cuidado ao paciente (Jiang, 2024).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A liderança do enfermeiro desempenha um papel crucial na gestão eficaz de equipes em ambientes emergenciais. Ao integrar as contribuições de Herbert Simon e Douglas McGregor, é possível aprimorar  a compressão das dinâmicas de decisão, motivação e comportamento organizacional nesse contexto. 

A Teoria Comportamental, proposta  por Simon, enfatiza a importância do comportamento humano nas organizações, considerando as decisões como escolhas racionais baseadas em informações disponíveis. Por outro lado, McGregor introduziu as Teorias X e Y, que refletem diferentes visões sobre a natureza humana e influenciam diretamente os estilos de liderança adotado pelos enfermeiros.

A aplicação desses conceitos para enfermagem permite o desenvolvimento de práticas mais eficazes e humanas na gestão das equipes. A Teoria Comportamental sugere que as organizações devem ser vistas como sistema de decisões, onde cada membro participa racional e considerado na escolha de alternativas de comportamento. Isso implica que os enfermeiros devem estar preparados para tomar decisões rápidas e informadas , considerando as limitações de tempo e recursos típicos da unidade.

Além disso, as Teorias de McGregor  oferecem insights valiosos sobre a motivação dos membros da equipe. A Teoria X assume que os indivíduos são preguiçosos e necessitam de supervisão contante, enquanto a Teoria Y acredita que as pessoas são motivados e buscam responsabilidades. Na enfermagem de emergência, adotar uma abordagem baseada na Teoria Y pode promover ambiente de trabalho mais produtivo e motivador.

A liderança situacional, conforme proposta por Hersey e Blanchard, também se mostra relevante nesse cenário. Essa abordagem sugere que os líderes devem adaptar seu estilo de liderança de acordo com nível de maturidade dos liderados , que é determinado pela capacidade a disposição para realizar tarefas. Em unidades emergência, onde as condições podem variar rapidamente, a flexibilidade na liderança é fundamental para atender às necessidades da equipe e garantir a qualidade do atendimento ao paciente.

A implementação desses modelos teóricos na prática da enfermagem não apenas aprimora as habilidades de liderança, mas também contribui à melhoria da qualidade do cuidado e da segurança do paciente. O estudo indica que o estilo de liderança participativa, são eficazes nesse contexto, pois encorajam a equipe na tomada de decisões e promovem uma comunicação eficiente. Essa abordagem fortalece o trabalho em equipe e a confiança mútua — elementos essenciais em situações emergenciais.

Por fim, a integração das contribuições de Simon e McGregor na formação de líderes para enfermagem oferece uma base sólida para prática de gestão mais eficazes e humanas. Ao considerar o comportamento humano, a motivação e a adaptação situacional, os enfermeiros podem liderar suas equipes de maneira mais eficiente, resultando melhor atendimento  ao paciente a maior satisfação da equipe. Portanto, é imperativo que os profissionais de enfermagem incorporem esses conceitos em sua prática, visando à excelência na assistência,

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Souza, Renata Tiago de. Liderança em contexto de emergência: Uma abordagem baseada nas teorias de McGregor e Simon.International Integralize Scientific. v 5, n 49, Julho/2025 ISSN/3085-654X

Referencias

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BAILEY, C. J.; LEE, J. H.
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Disponível em: https://academic.oup.com/cid/article/67/7/1208/6141108.
Acesso em: 2024-09-03.

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Liderança em contexto de emergência: Uma abordagem baseada nas teorias de McGregor e Simon

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