A língua brasileira de sinais no ensino superior, metodologias ativas na prática docente.

BRAZILIAN SIGN LANGUAGE IN HIGHER EDUCATION, ACTIVE METHODOLOGIES IN TEACHING PRACTICE

LENGUA DE SEÑAS BRASILEÑA EN LA EDUCACIÓN SUPERIOR, METODOLOGÍAS ACTIVAS EN LA PRÁCTICA DOCENTE

Autor

URL do Artigo

https://iiscientific.com/artigos/8941B7

DOI

doi.org/10.63391/8941B7

Ferreira, Káren Katherine Araújo . A língua brasileira de sinais no ensino superior, metodologias ativas na prática docente.. International Integralize Scientific. v 5, n 49, Julho/2025 ISSN/3085-654X

Resumo

Este trabalho ressalta a importância da inserção da Língua Brasileira de Sinais no Ensino Superior, de forma que possibilite o conhecimento e expansão da LIBRAS por meio do ensino-aprendizagem, em que o educando participe do processo de aquisição da língua. O papel do docente é essencial neste período, posto que possui a especialidade necessária para a formação do outro. É perceptivo que a evolução nas práticas pedagógicas tem contribuído para as melhorias no ensino, um dos recursos que surgiu são as metodologias ativas, estratégias que incentivam a participação ativa do discente. O objetivo de propagar a língua de sinais aqui no Brasil é realizar um trabalho proativo de inserção dos surdos no meio social, não somente integrar é visualizar melhorias nas instituições de ensino superior no que diz respeito a inclusão de uma língua que uma parcela populacional já utiliza há um determinado tempo, a comunidade surda. Comunicar é de extrema necessidade para todas pessoas, inclusive os surdos. A classe majoritária, no caso os ouvintes podem mitigar os percalços nas barreiras comunicativas buscando pedir à atenção dos núcleos de ensino superior para implementar nas grades curriculares o ensino Libras.
Palavras-chave
libras; práticas; metodologias ativas; surdos.

Summary

This work highlights the importance of incorporating Brazilian Sign Language into higher education, enabling the understanding and expansion of LIBRAS through teaching and learning, where students participate in the language acquisition process. The role of teachers is essential during this period, as they possess the expertise necessary to educate others. It is clear that the evolution of pedagogical practices has contributed to improvements in teaching; one of the resources that has emerged is active methodologies, strategies that encourage active student participation. The goal of promoting sign language here in Brazil is to proactively integrate deaf people into society. It is not only about integration, but also about improving higher education institutions regarding the inclusion of a language that a segment of the population has already used for some time: the deaf community. Communication is essential for everyone, including the deaf. The majority class, in this case hearing people, can mitigate the obstacles in communication barriers by seeking the attention of higher education centers to implement Libras teaching in the curriculum.
Keywords
libras; practice; active methodologies; deaf.

Resumen

Este trabajo destaca la importancia de incorporar la Lengua de Señas Brasileña (LBS) en la educación superior, facilitando la comprensión y expansión de LIBRAS a través de la enseñanza y el aprendizaje, donde los estudiantes participan en el proceso de adquisición del idioma. El rol del profesorado es esencial durante este período, ya que posee la experiencia necesaria para educar a otros. Es evidente que la evolución de las prácticas pedagógicas ha contribuido a mejoras en la enseñanza; uno de los recursos que han surgido son las metodologías activas, estrategias que fomentan la participación activa del estudiante. El objetivo de promover la LBS en Brasil es integrar proactivamente a las personas sordas a la sociedad. No se trata solo de integración, sino también de mejorar las instituciones de educación superior en cuanto a la inclusión de una lengua que un segmento de la población ya utiliza desde hace tiempo: la comunidad sorda. La comunicación es esencial para todos, incluidos los sordos. La clase mayoritaria, en este caso las personas oyentes, puede mitigar los obstáculos en las barreras de comunicación solicitando la atención de los centros de educación superior para implementar la enseñanza de LIBRAS en el currículo.
Palavras-clave
libras; prácticas; metodologías activas; sordo.

INTRODUÇÃO 

Este trabalho se trata da relevância da inserção da disciplina de Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) nas instituições de ensino superior e das formas que o docente tem fortalecido sua prática docente na perspectiva de práticas docentes inovadoras, em que o discente é participante ativo do ensino-aprendizagem. A língua constitui identidades, e o surdo é levado a fazer parte tanto da cultura da comunidade surda, quanto da cultura ouvintista. E porque não olhar para a necessidade deles, de expandir sua língua de sinais. É importante primar por essa herança linguística a ser transmitida de pai para filho e outros que queiram contribuir de maneira proativa nesse cenário atual. 

A Libras assim como as demais línguas de sinais são dinâmicas e passam por variações linguísticas, por isso é importante enfatizar a aprendizagem do alfabeto manual do país, que é um recurso associado a língua e padrão.  Para haver inclusão é necessário que a visão das pessoas não esteja voltada para a surdez, mas sim à uma análise abrangente da sociedade, em que o sujeito está inserido. Os âmbitos sociais devem estar aptos a receber as pessoas que possuem uma necessidade especial, é importante que os núcleos de ensino estejam atentos e busquem fazer reflexões acerca das diferenças. 

O ponto principal aqui é dissertar acerca da disciplina/eletiva de Libras na modalidade de ensino superior para proporcionar acessibilidade linguística na formação de diversos profissionais. É trazer o conhecimento da língua de sinais e do usuário desta para a sociedade, numa proposta de educação especial. O fato de o curso ser ofertado com uma carga horária pequena, pode-se afirmar que é insuficiente para tornar-se uma pessoa fluente na Libras. No entanto, a questão do tempo de aprendizagem não é fator predominante na aquisição da língua de sinais, e sim, o contato e prática juntamente com o surdo o fará desenvolver essa fluência.  

FUNCIONALIDADE DAS POLÍTICAS DE ACESSIBILIDADE NO CURRÍCULO ACADÊMICO

As políticas públicas que se destinam à educação inclusiva são vigentes. Nos dias de hoje é perceptivo as conquistas que a comunidade surda tem com suas lutas e perseverança, mas ainda não é suficiente para que a sociedade brasileira seja inclusiva, falta verbas em prol desse investimento. Com isso se torna relevante produzir pesquisas que reafirmem o reconhecimento da pessoa surda enquanto cidadão de direito, digna de comunicação em qualquer que seja a esfera social. 

De acordo com a Lei nº 12.319 de 01 de setembro de 2010, que regulamenta a Libras como a primeira língua dos surdos e segunda língua dos ouvintes, além de oficializar a profissão de intérprete de Libras, visando melhorar a sistematização da comunicação para o surdo, e garantir a sua acessibilidade. O objetivo maior é promover a língua dos surdos e saber que nesse percurso haverá desafios e possibilidades.

A obra ‘’Referenciais para o ensino de Língua Brasileira de Sinais…’’ organizada por Stumph e Linhares (2021), é um material que serve para orientar instituições na articulação de seus currículos para o ensino da Libras no ensino superior. Segundo os autores ‘’Em primeiro lugar, foi necessário justificar essa inclusão e, em seguida, discutir a relação entre a Libras e o conhecimento científico neste nível educacional. Após essa introdução, são apresentados os objetivos do ensino de Libras no Ensino Superior’’. Quando a Libras chegou ao conhecimento público enquanto lei percebe-se que a aceitação ocorreu de forma gradativa, ainda há essa vivência na fase de recepção acerca de informações, por isso é válido trazer literaturas que apresentem como inseri-la no currículo. 

INCENTIVO DOS MEIOS ACADÊMICOS ACERCA DA FORMAÇÃO DOCENTE NA ÁREA INCLUSIVA

A inclusão é considerada um fenômeno mundial que foi analisado desde muito tempo e é discutido em diversas linhas do ponto de vista, sejam estas políticas, pedagógicas, sociais ou culturais. Quando é relatado o caso das pessoas com necessidades especiais, ou seja, de acessibilidade linguística, faz-se necessário refletir não somente no estudo de uma língua, mas também na universalidade dos surdos, que não são individualidades, e sim uma comunidade bem ampla da sociedade brasileira. 

É pertinente afirmar que conforme Stumpf e Linhares (2021) ‘’Para além de uma necessidade formativa do futuro professor de Libras, o ensino de Libras no Ensino Superior é respaldado por conjuntos de normas legais, como as que seguem: 

Constituição Federal (1988);

Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LBD-1996);

Lei de Libras nº 10.436/2002;

Decreto nº 5.626/2005;

Plano Nacional de Educação Lei nº13.005/2014;

Convenção dos Direitos das Pessoas com Deficiência (2009);

    1. a)  Acessibilidade
    2. b) Liberdade de expressão de opinião, e acesso a informação   
    3. c) Educação 
    4. d) Participação na vida cultural e em recreação, lazer e esporte 

Lei Brasileira de Inclusão (LBI);(Stumpf e Linhares (2021)

Desde 2008, o MEC traz a temática de Política de Educação Especial na perspectiva da Educação Inclusiva, e ainda a Lei Brasileira de Inclusão em (2015). As instituições educacionais são cientes que a cultura dessa comunidade já foi construída ao longo do tempo, há uma identidade a ser respeitada e valorizada, tudo isso engloba suas demandas por esse quarteto que vai da política à aspectos culturais, que envolve as discussões universais. A inclusão logo remete a questão da acessibilidade que é a abertura para as pessoas consideradas PCD’s. Segundo a Lei Brasileira de Inclusão citada anteriormente incita que a acessibilidade é a:

Possibilidade e condição de alcance para utilização, com segurança e autonomia, de espaços, mobiliários, equipamentos urbanos, edificações, transportes, informação e comunicação, inclusive seus sistemas e tecnologias, bem como de outros serviços e instalações abertos ao público, de uso público ou privados de uso coletivo, tanto na zona urbana como na rural, por pessoa com deficiência ou com mobilidade reduzida. (Brasil, 2015, p. 2)

As políticas de educação inclusiva visam executar ações que articulem a implementação da real regularização das necessidades de acessibilidade. Segundo Bazon (2020) et al, ‘’o termo ‘’inclusão’’ no Brasil passa a ser usado amplamente a partir da segunda tradução da Declaração de Salamanca (UNESCO) feita pela Coordenadoria Nacional para Integração da Pessoa Portadora de Deficiência (CORDE) em 1997’’. A seguir a citação desta mesma autora ressalta sobre como acontece o processo de inclusão na formação acadêmica. 

A efetivação do processo inclusivo necessita em grande parte de uma formação de professores que esteja atenta para as condições de escolarização de alunos com NEE. É preciso que os cursos superiores, em especial os de licenciatura tragam discussões sobre a aprendizagem destes alunos, de forma a favorecer o processo inclusivo pela atuação dos futuros professores. (Bazon, et al, 2020, p.421) 

Essa pesquisa sobre disciplina de educação inclusiva no ensino superior, a LIBRAS, versa primeiramente trazer a consciência do corpo docente a recepção social da pessoa que será beneficiada com tal ação, além da implementação do curso de LIBRAS, é importante valorizar os recursos didático-pedagógicos que serão utilizados, pensando ainda sobre a realidade de alunos com Necessidades Educacionais Especiais. Quando se idealiza uma educação para todos é sabido que haverá muitos desafios a serem enfrentados.  

Um dos primeiros desafios de educadores é a tomada de decisão da própria instituição, em investimentos e desempenho no que diz respeito formações pedagógicas para os docentes voltadas à educação inclusiva. Um dos critérios relevantes nessa área se refere as práticas educativas que serão desenvolvidas. Isso é feito a partir do momento que a universidade ou faculdade aceitou que seu papel social é fundamental para esta contribuição, primeiro pensar na educação para todos e após visualizar quais serão as estratégias e propostas de educação inclusiva a ser efetivada no contexto acadêmico. 

A vista disso também é necessário olhar aos agentes desse processo, quantos tem possibilidades e/ou habilidades de estar inserido nessa tarefa, ou de que forma obterão formações para este público a fim de que possam se preparar, e o que é bem mais viável no que tange a LIBRAS, área específica é abrir processos seletivos ou concursos nestes campos de atuação.                     

(…) Muitas discussões a respeito da educação inclusiva estão associadas ao antagonismo inclusão/exclusão. Por um lado, a inclusão escolar é vista como possibilidade essencial para a transformação da sociedade, na medida em que a inclusão pressupõe o respeito às diferenças e compreende as condições favoráveis e necessárias para receber, manter e promover com plenas competências as pessoas com necessidades educacionais especiais. Mas, por outro lado se observa que a prática pedagógica escolar apresenta dificuldades acerca de entendimentos, aceitação e organização pedagógica para a finalidade da inclusão. (Bazon, et al, 2020)

Explicitando acerca do que à autora faz menção na assertiva colocação acima. A problemática de ensino-aprendizagem neste antagonismo inclusão/exclusão ocorre, pois a exclusão pode ser manifestada de diversas formas e em vários momentos históricos isso aconteceu. Se as pessoas que possuem algum tipo de deficiência não serem vista, a educação inclusiva não acontecerá na educação básica, pois quem forma os profissionais para a escola são os centros educacionais de ensino superior. Há de se convir que as licenciaturas recebem uma carga bem mais cheia de cobranças com respeito a formação dos educadores, e educandos. No entanto, todas as áreas são interdependentes do meio, a educação depende da saúde, as engenharias dependem das licenciaturas, etc. e são responsáveis pela inclusão. 

De acordo com (Sá, 2020) ‘’[adota-se] a acessibilidade como um valor para além da mera obrigação’’. Esse propósito fez com que à autora juntamente com outros estudiosos organizassem um livro que trata de Acessibilidade e Inclusão no Ensino Superior. Ressalta ainda que de Norte a Sul do país, especialistas discorrem sobre políticas e práticas voltadas à inclusão nas unidades estudantis brasileira.  Essas reflexões foram mexendo com os núcleos acadêmicos, inicialmente provocando angústias e expondo o por quê do incômodo. Era a falta da abertura na organização para receber o público de PCDs. 

É válido afirmar que essa situação foi sendo exposta e ao mesmo tempo acontecendo uma reviravolta. Atualmente há grupos de estudos, núcleos de acessibilidade acadêmica, e até envolvimento de discentes em ligas estudantis no tripé ensino, pesquisa e extensão que desempenham nobres ações como discentes das instituições de ensino, essa motivação pode ser de cunho próprio sim, mas os docentes têm grande parte de contribuição nas atividades desenvolvidas pelos educandos. O trabalho de inclusão vem de uma pirâmide, é um conjunto de intervenções.

Inicialmente a Lei e decretos trouxeram como obrigatoriedade a implantação do curso de Libras nas licenciaturas e curso de fonoaudiologia. Mas com o tempo outras instituições públicas e privadas observaram que o ensino da Libras era essencial na formação de todos os profissionais. Os cursos de licenciaturas não são menos importantes, posto que abrange todas as áreas de conhecimento, mas cabe destacar aqui o curso de medicina, profissão que trata diretamente com a vida do paciente, qualquer erro pode ser fatal.  

Imagine um especialista da saúde no Brasil recebendo em seu consultório uma pessoa que fala outro idioma, como acontecerá essa consulta!? Será uma consulta improdutiva, sem rendimento algum. As barreiras comunicativas comprometem o envio e recepção da mensagem. Nem todos os surdos possuem ao seu lado um intérprete de Libras para atuar todo tempo, e o surdo vai precisar ir ao hospital, UBS, clínicas, etc. Os surdos também passam por momentos de angústias e depressão, precisam de atendimento psicológico, e então esse profissional estará apto para ajudar? São reflexões reais da sociedade. 

Após muitas cobranças da comunidade surda aos órgãos competentes as Leis foram relembradas, os núcleos de ensino se despertaram para essa questão. A Lei 5.626 desde (22 de dezembro de 2005) traz no Capítulo VII – Da garantia do Direito à Saúde das pessoas surdas ou com Deficiência Auditiva, a responsabilidade de assistir os surdos de forma adequada, primando pela saúde e educação, que são prioridades sociais do cidadão. E podem ser parceiros nesse suporte. 

Art.25. A partir de um ano da publicação deste Decreto, o Sistema Único de Saúde – SUS e as empresas que detêm concessão ou permissão de serviços públicos de assistência a saúde, na perspectiva da inclusão plena das pessoas surdas ou com deficiência auditiva em todas as esferas da vida social, devem garantir, prioritariamente aos alunos matriculados nas redes de ensino da educação básica, a atenção integral à sua saúde, nos diversos níveis de complexidade e especialidades médicas efetivando. (…)

II – tratamento clínico e atendimento especializado, respeitando as especificidades de cada caso; (Brasil, 2005)

Se a Lei já garantia esse direito de atendimento na língua dos surdos, era de se esperar que o campo educacional começara preparar os profissionais nessa missão de quebrar as barreiras linguísticas. O grupo Afya que significa ‘’ saúde e bem-estar ‘’ no dialeto africano, trabalha com faculdades visando a tríade (Educação, Tecnologia e Saúde). Conforme meio digital o grupo surgiu em 1999, da união da NRE educacional e o grupo das faculdades de medicina do Brasil. A afya atua internacionalmente, e tem conquistado amplo espaço nas regiões brasileiras, já é destaque nacional. Praticamente todas as faculdades deste grupo preza pela questão de inclusão e atendimento humanizado, incluindo nas suas políticas educacionais metas de acessibilidade e ações que viabilizem o ensino aprofundado acerca disso. 

As instituições de ensino superior associadas ao grupo afya incluíram a eletiva de Libras na maior parte das graduações, principalmente aos acadêmicos de medicina.  Libras na saúde entra como eletiva/optativa na graduação de medicina, é um componente curricular de grande valia para o crescimento pessoal e profissional do discente. A partir de estudos acerca das práticas docentes nos ambientes da Afya, constata-se um evento a qual todos os professores têm a oportunidade de produzir um resumo acadêmico da sua prática anual. Este evento é chamado Naped Day, uma das grandes atrações é o Fórum Inter-Regional de Práticas Extraordinárias no Ensino (FIPEX). Um recorte oportuno para ser exposto aqui é um fragmento do resumo de Ferreira (2023), submetido no template do Naped de 2023 – por meio da Faculdade de Ciências Médicas do Pará (FACIMPA). 

No processo de ensino-aprendizagem criamos diversas formas de fazer com que o educando assimile e discuta de forma rápida o assunto trabalhado, com a proposta de metodologias ativas é de extrema importância obter um feedback desse aluno. No que diz respeito ao ensino de uma outra língua é bom enfatizarmos que o Brasil é um país bilíngue, onde há duas universalidades, os ouvintes e os surdos, cada um possui sua forma de comunicar e expressar. Após muitas lutas o surdo conquistou o direito de fazer uso da língua espaço visual. (Ferreira, 2023, p.11)  

O papel de um professor é notável nesse processo de aprendizagem, muitos alunos passam a ter o conhecimento de algo até distante da realidade dele, passa a ter consciência da importância do atendimento desse público, quando aprendem sobre suas lutas, contexto de vivência e peculiaridades da Libras começam a pensar diferente. As metodologias ativas são aliadas na assimilação do conteúdo, esse envolvimento prático dos alunos os torna proativos. 

 O ENSINO DA LIBRAS A PARTIR DAS METODOLOGIAS ATIVAS        

Apesar de acontecer num espaço silencioso a Língua Brasileira de Sinais tem feito ‘’barulho’’ tem sido ‘’ ouvida’’ e surtido efeito. Sinalizar fatos e emoções fica ainda mais interessante composta por seus parâmetros e recursos a ela associada.  A língua Brasileira de Sinais conquistou o status de língua por possuir os níveis de análise linguística que vão de unidades mínimas, fonemas, à usos de ordem sociolinguística. Abaixo a autora Quadros (2019) expressa todo seu apreço pela LIBRAS, colocando em palavras como sente-se ao sinalizar.

As mãos e os olhos são como ‘’gramas resistentes e tocadas pelo vento’’ que quando tocadas e olhadas, permanecem em diálogo sem parar (…) As mãos e os olhos, não importando sua origem, Nordeste, Norte, Sudeste, Sul, Oeste, suas cores e feições, estão sempre em sintonia independentemente da variação linguística(que beleza a diferença!), das identidades, do modo de agir, de ‘‘metaforiar’’, de produzir poesia, de adquirir diferentes linguagens, de librar, de ser ‘’resistentes’’, de ser políticos (sem precisar ler livros), de ser oprimidos, de ser opressores e das construções de todas as constituições deles. O que não pode deixar de ser e de saber é que ‘’mãos’’ e ‘’olhos’’ são indissociáveis da integridade humana dos surdos. (Quadros, 2019, p.18) 

O ensino da LIBRAS no nível superior também é um tipo de alfabetização, terá alunos com dificuldades de articulação gestual ou de expressão associadas ao sinal, e isso é normal, mas a partir das metodologias ativas é possível tornar esse ensino plausível e acessível. A LIBRAS como disciplina veio a prática docente, primeiramente no contexto das licenciaturas e do curso de fonoaudiologia, atualmente também ofertada como eletiva/optativa nos cursos da área da saúde. É importante parar para retomar o início desse processo que resultou no ensino dessa língua, como foi o princípio formador desses profissionais da educação linguística inclusiva!?  

A autora (Quevedo, 2021), atual coordenadora do Núcleo de Acessibilidade da Universidade Federal do ABC (UFABC). Cita que além de colaborar com a recepção e fazer com que o aluno PCD permaneça no curso até sua conclusão, este núcleo tem os seguintes papéis:

Acompanhamento sistemático dos estudantes com deficiência ou com alguma necessidade educacional específica;
Orientação e suporte ao corpo docente;
Mapeamento das dificuldades dos estudantes atendidos;
Pesquisas sobre Tecnologias Assistivas disponíveis para utilização;
Coordenação das ações da equipe de profissionais de Tradução e Interpretação de Língua de Sinais. (Quevedo, 2021)

No Brasil, a primeira universidade a articular o curso de Letras-Libras foi a UFSC – Universidade Federal de Santa Catarina no ano de 2006, idealizado e concretizado pela autora e professora Ronice Muller de Quadros, que é CODA (filha de pais surdos) e é especialista na área. Pensando em como atender as exigências legais do processo de ensino-aprendizagem dessa área inclusiva deram início do micro para o macro, visaram formar e capacitar pessoas para esse ramo. Essa graduação receberia pessoas surdas e ouvintes, mas a prioridade na demanda de vagas se dava em favor dos surdos, pois a proposta era também abrir portas para o campo de trabalho aos futuros professores donos da língua. Seria a possibilidade abranger o caminho profissional e social do surdo.  

O curso de Letras-Libras deu muito certo, no entanto, a inserção dos surdos não acontecera como previsto, e os que conseguiam entrar e concluir tinham dificuldade de conseguir emprego no mercado de trabalho, se houve uma outra posição de exclusão, ainda que implicitamente, sim. Contudo é importante ter como ponto positivo a vinda de apoiadores da causa, posto que, cada turma que saía para o meio trouxe a visibilidade da comunidade surda, e a relevância de aprender a língua de sinais para receber os surdos.  

Segundo à autora (Quadros, 2019, p.8) ‘’ A disciplina de Libras entrou nos currículos de formação de professores em todas as universidades brasileiras em decorrência do planejamento linguístico estabelecido pelo Decreto 5.626/2005’’. E os demais desdobramentos foram chegando à educação posteriormente. A aproximação da Língua Brasileira de Sinais veio através da conscientização trazida pela educação especial, foi inserida como alternativa de inclusão da pessoa surda no meio social, este precisava ter voz para manifestar seu papel cidadão. 

Ensinar uma segunda língua num país de maioria ouvinte e falante da Língua Portuguesa é um desafio, pois por muito tempo essa modalidade gesto-visual foi estigmatizada, zombada e afastada do surdo. Dependendo da mediação que ser realizada no ensino de LIBRAS as pessoas se maravilham. Há vários artifícios didáticos para dinamizar as aulas como; o lúdico e a musicalização. É relevante utilizar audiovisuais em que grupos de pessoas interpretam músicas em Libras, um recurso muito produtivo.  

O alfabeto manual sendo trabalhado ludicamente, ainda que seja no ensino superior, proporciona uma interação mais efetiva do educando. Nas metodologias ativas esse envolvimento do discente com o componente curricular, onde ele é coparticipante do ensino-aprendizagem, estes podem visualizar o alfabeto manual e articular o seu nome, esse é o primeiro passo para a iniciação na língua de sinais, assim aprenderão a se apresentar a alguém. 

Posteriormente, deve-se trazer a informação acerca de uma peculiaridade da cultura surda. O batismo com um sinal, cada surdo tem um sinal que corresponde a sua identidade, sua característica. O sinal só pode ser entregue por um surdo, não pode ser trocado ou esquecer-se do sinal que recebeu, em respeito à comunidade. As instituições também podem receber um sinal, de acordo com seu conteúdo histórico ou razão social. Os demais sinais podem ser ensinados através de dinâmicas, em dupla ou grupais.  

Um dos recursos metodológicos que os educadores utilizam no ensino é a relação imagem, palavra e Sinal, usada em ambos os casos, seja com ouvintes ou surdos. Uma das características da língua de sinais são os aspectos icônicos e arbitrários. Os sinais icônicos são aqueles realizados de forma parecida com a configuração do seu significado, a exemplo, mostra-se o sinal de casa, que apresenta um formato semelhante ao referente. Já os sinais arbitrários não possuem relação com o referente que está sendo sinalizado. O sinal de desculpa, não há uma associação similar, o que demonstra o seu significado é apenas o parâmetro de expressão facial. Os visuais sempre servirão de apoio nas intervenções das línguas de sinais. Essas características peculiares da língua são notáveis durante o ensino-aprendizagem, estas já são estudadas na gramática da Libras.  

Um instrutor ou mediador que ensina a Língua Brasileira de Sinais deve fazer de tudo para familiarizar o discente com o real significado da LIBRAS, seu conceito, quem são as pessoas usuárias desta, por onde circula, de que forma é constituída, porque é relevante conhecê-la. Ou seja, realizar um processo de conscientização no ouvinte, mostrando que os outros precisam da nossa empatia. Os agentes educacionais podem marcar vidas com sua didática-pedagógica de forma positiva ou negativamente. Conforme (Gil, 2023) afirma:

Cabe ao professor, nesse contexto, definir os objetivos da disciplina, selecionar estratégias e táticas de ensino, planejar as atividades didáticas e elaborar instrumentos de avaliação da aprendizagem. Mas sempre em interação com os alunos, mediante trabalhos em equipe e adoção de métodos ativos capazes de proporcionar um ambiente estimulador da aprendizagem. Cabe ao aluno, consequentemente, a adoção de posturas ativas, que impliquem o interesse em aprender, participar, perguntar, trocar ideias, questionar e debater. (Gil, 2023, p.29)

Há uma preocupação em relação a existência da LIBRAS, posto que em meio a dinamicidade das línguas de sinais já aconteceu de algumas serem extintas, e o que preocupa os educadores é o fato de algumas famílias não instigarem seus filhos no uso da língua de sinais, pois os surdos devem ter contato com outros falantes da LIBRAS, e com amor transmitir aos seus descendentes, não deixando a cultura desfalecer. Os que os surdos involuntariamente são biculturais, eles participam de duas culturas num mesmo país. Como já exposto, a Língua Brasileira de Sinais não substitui a língua escrita do país em questão.  

Os surdos possuem muita dificuldade quando se trata da L2 – Língua Portuguesa, isso ocorre porque a maioria não pôde participar de uma educação bilíngue e como foi discorrido durante o texto a LIBRAS não substitui a modalidade escrita da língua de seu país vigente. No entanto, o Ministério da Educação (ME) tem colocado suporte de intérpretes durante as provas, para auxiliar nas informações pertinentes.  

É viável que os recursos para atividades didáticas de fixação do alfabeto manual ou datilológico através de dinâmicas com a datilologia auxiliam o educando, iniciando com a prática do alfabeto rotativo. Neste os alunos ficarão em círculo, o instrutor fala as letras sucessivamente, e no sentido horário cada um faz a configuração da letra correspondente, de A – Z, feito isso, quando todos estiverem familiarizados com as letras manuais, parte-se para outra fase. Numa caixa serão postas palavras no contexto da saúde, no caso do curso de medicina. Cada aprendiz pega a palavra e faz a datilologia para que os colegas façam a leitura visual, assim estarão praticando a ação de realizar as palavras e também visual. A partir disso qualquer dúvida de sinal o aprendiz poderá recorrer a esse recurso didático e linguístico.  

À aquisição da Língua Brasileira de Sinais para ouvintes, assim como as demais línguas, não acontece repentinamente, isso ocorre processualmente, passa pela fase dos níveis linguísticos de básico à avançado. Há pessoas que adquirem as habilidades de sinalizar com mais facilidade, já outras não conseguem ser tão hábeis. Embora não se tratar de algo tão aprofundado como a fluência na língua, mas é bom ressaltar como acontece essa aprendizagem na (L2) do ouvinte.  

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A luta por visibilidade e acessibilidade dos surdos continuará, já que o papel social é promover meios de qualificação para os profissionais, iniciando na educação. Igualmente, reconhecimento e inclusão social sempre será a busca das pessoas que necessitam de atenção especializada. Conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE (2022) o quantitativo de pessoas surdas no Brasil já ultrapassa o número de 10 milhões, o que reforça a necessidade de propiciar o ensino e uso da língua de Sinais. Atualmente há pesquisas que discorrem sobre um número ainda maior de surdos no Brasil. 

Reconhecer que o ensino de Língua Brasileira de Sinais é peça fundamental no atendimento a pessoa surda, já é um grande avanço social. Os discentes doutrinados numa educação inclusiva será um profissional competente em todos os sentidos. A inserção da Libras aos acadêmicos das graduações permite uma preparação da sociedade para receber a pessoa surda. É necessário que haja um alicerce nos serviços de atendimento ao público, haja vista haver atendimentos inadequados as condições do surdo. Por isso as universidades e faculdades devem continuar empreendendo nesse processo de inclusão. Refletindo nessas dimensões, enfatiza-se novamente que a língua é o meio pelo qual possibilita a convivência em sociedade, ela é um elemento relevante nas redes de informação e compartilhamento.   

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Ferreira, Káren Katherine Araújo . A língua brasileira de sinais no ensino superior, metodologias ativas na prática docente..International Integralize Scientific. v 5, n 49, Julho/2025 ISSN/3085-654X

Referencias

Vivian Caroline Coraucci.
BAILEY, C. J.; LEE, J. H.
Management of chlamydial infections: A comprehensive review.
Clinical infectious diseases.
v. 67
n. 7
p. 1208-1216,
2021.
Disponível em: https://academic.oup.com/cid/article/67/7/1208/6141108.
Acesso em: 2024-09-03.

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Edição

v. 5
n. 49
A língua brasileira de sinais no ensino superior, metodologias ativas na prática docente.

Área do Conhecimento

EDUCAÇÃO INCLUSIVA NO ENSINO BÁSICO: DESAFIOS E POSSIBILIDADES
Educação inclusiva; ensino básico; diversidade; políticas públicas; metodologias pedagógicas
IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA NO CONTEXTO DA ALFABETIZAÇÃO
Escola; Ensino Regular; Necessidades Educacionais Especiais.
EDUCAÇÃO INCLUSIVA E INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL: PERSPECTIVAS E DESAFIOS
Educação Inclusiva, Inteligência Artificial, Tecnologia Assistiva, Aprendizado Personalizado, Políticas Educacionais.
Formação docente para a diversidade: Práticas pedagógicas inclusivas na atualidade
formação docente; diversidade; práticas pedagógicas; inclusão; educação contemporânea.
Plataforma digital de recursos adaptativos: Facilitando o planejamento pedagógico inclusivo para professores da educação básica
educação inclusiva; tecnologia assistiva; recursos digitais; práticas pedagógicas; planejamento.
O piano como ferramenta pedagógica inclusiva: Estratégias de ensino para crianças com necessidades especiais

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