O basquete como prática desportiva no contexto escolar em Volta Redonda (RJ) e cultura do esporte no Brasil

BASKETBALL AS A SPORTING PRACTICE AT SCHOOLS IN VOLTA REDONDA (RJ) AND SPORTS CULTURE IN BRAZIL

EL BALONCESTO COMO PRÁCTICA DEPORTIVA EN LA ESCUELA EN LA VOLTA REDONDA (RJ) Y LA CULTURA DEL DEPORTE EN BRASIL

Autor

URL do Artigo

https://iiscientific.com/artigos/8FA17A

DOI

doi.org/10.63391/8FA17A

Lima, Daniel Müller. O basquete como prática desportiva no contexto escolar em Volta Redonda (RJ) e cultura do esporte no Brasil. International Integralize Scientific. v 5, n 50, Agosto/2025 ISSN/3085-654X

Resumo

A presente pesquisa qualitativa teve como objetivo geral investigar o Basquete como prática desportiva no contexto escolar como prática nas escolas de Volta Redonda no estado do Rio de Janeiro e como objetivos específicos evidenciar a cultura do esporte nas práticas escolares no Brasil, comparando com as práticas nos EUA e mensurar a prática do Basquete em Volta Redonda, RJ. O Basquete é um esporte como uma das práticas mais conhecidas da contemporaneidade regido por um conjunto de regras formais, institucionalizadas por organizações (associações, federações e confederações esportivas), as quais definem as normas de disputa e promovem o desenvolvimento das modalidades em todos os níveis de competição. E a cultura do esporte no Brasil vem sendo apreciada nos espaços de formação, ou seja, a escola. Nesse sentido, a pesquisa tem a finalidade de relacionar por meio de pesquisa empírica com base de dados em Google Acadêmico, Scielo, que o Basquete e a cultura de esportes podem promover esportes no Brasil, pois a cultura e o esporte estão intrinsecamente ligados, moldando a identidade nacional e influenciando a vida social de cada ser em formação, que são ferramentas importantes para a formação social, pessoal e desenvolvimento da saúde com qualidade.
Palavras-chave
basquete; prática desportiva; cultura do esporte.

Summary

The general objective of this qualitative research was to investigate basketball as a sports practice in the school context as a practice in schools in Volta Redonda in the state of Rio de Janeiro and the specific objectives were to highlight the culture of sports in school practices in Brazil comparing to the practices in the USA and measure how much basket is practiced in Volta Redonda, RJ. Basketball is a sport as one of the best-known practices of contemporary times governed by a set of formal rules, institutionalized by organizations (associations, federations, and sports confederations), which define the rules of competition and promote the development of modalities at all levels of competition. And the culture of sports in Brazil has been appreciated in training spaces, that is, schools. In this sense, the empirial research based on Google Scholar, Scielo, that Basketball and sports culture aims to relate basketball and the culture of promoting sports in Brazil, since culture and sports are intrinsically linked, shaping the national identity and influencing the social life of each being in formation, which are important tools for social and personal formation and development of health with quality.
Keywords
basketball; sports practice; sports culture.

Resumen

El objetivo general de esta investigación cualitativa fue investigar el baloncesto como práctica deportiva en el contexto escolar como una práctica en las escuelas de Volta Redonda en el estado de Río de Janeiro y los objetivos específicos fueran resaltar la cultura del deporte en las prácticas escolares en Brasil comparando con las prácticas en las escuelas de los Estados Unidos y medir cuánto el baloncesto es practicado en Volta Redonda, RJ. El baloncesto es un deporte como una de las prácticas más conocidas de la época contemporánea regida por un conjunto de reglas formales, institucionalizadas por organizaciones (asociaciones, federaciones y confederaciones deportivas), que definen las reglas de competición y promueven el desarrollo de modalidades en todos los niveles de competición. Y la cultura del deporte en Brasil ha sido valorada en los espacios de formación, es decir, las escuelas. En este sentido, la investigación empírica basada en Google Scholar, Scielo, que el baloncesto y la cultura deportiva tiene como objetivo relacionar el baloncesto y la cultura de promoción del deporte en Brasil, ya que la cultura y el deporte están intrínsecamente vinculados, moldeando la identidad nacional e influyendo en la vida social de cada ser en formación, que son herramientas importantes para la formación social y personal y el desarrollo de la salud con calidad.
Palavras-clave
baloncesto; práctica deportiva; cultura deportiva.

INTRODUÇÃO

O basquetebol, uma das modalidades esportivas, que é considerado em consenso temporal e espacial, tem por definição ser um esporte que envolve participação simultânea de todos os participantes e ao mesmo tempo envolve dinamismo, no qual se desenvolve com duas equipes adversárias, divide o mesmo espaço, em que ataques e defesas estão presentes com a  bola, objeto do jogo, e buscando o objeto final, a cesta. (Hirata, Starepravo, 2016).

O Basquete é uma prática esportiva que foi conquistando seu espaço ao longo dos anos nos EUA, saindo das ruas e periferias e adentrando aos espaços escolares e universitários, de forma diferente no Brasil em que a princípio foi introduzido por clubes que custeavam os jogos até adentrar ao espaço escolar.

Nos EUA, o Basquete é um dos esportes mais praticados e atua diretamente na educação de jovens, promovendo auxílio no desempenho escolar e bolsas universitárias, diferentemente no Brasil, que com a cultura do esporte, outras vertentes são introduzidas nas práticas escolares e acaba sendo mais fomentado em grupos de clubes.

O objetivo geral da pesquisa é investigar o Basquete como prática desportiva no contexto escolar nas escolas de Volta Redonda no estado do Rio de Janeiro e como objetivo específico evidenciar a cultura do esporte nas práticas escolares no Brasil comparando com as práticas nos EUA.

O problema da pesquisa se baseia na pergunta norteadora em: Qual é a participação efetiva da prática do Basquete nas escolas de Volta Redonda, RJ?

E como perguntas de investigação para a pesquisa baseadas em: O que é o Basquete e como é praticado no  Brasil? Como foi introduzido no Brasil? Como adentrou aos espaços escolares? O que é a cultura do esporte no Brasil e qual a relação entre o Basquete? Qual a diferença entre o Basquete nos EUA e no Brasil?

Assim, a pesquisa justifica-se pela necessidade de apresentar conhecimento sobre a trajetória do Basquete, como prática desportiva e entender sobre a prática em Volta Redonda, RJ.

A pesquisa de caráter qualitativo tem grande importância em relação a reflexão sobre o problema levantado e tende a beneficiar estudiosos sobre o tema, assim como a população envolvida, além de apresentar o embasamento teórico de caráter descritivo e exploratório, com análises concentradas na avaliação dos resultados obtidos relacionados aos objetivos propostos apresentados na pesquisa.

BASQUETE COMO PRÁTICA DESPORTIVA: EUA x BRASIL

Em algumas literaturas existentes (Daiuto, 1991; Hirata, 2005; Benelli, 2014; Ferreira Júnior, 2011, apud Hirata, Starepravo, 2016) apontam que o esporte foi inventado por um professor canadense chamado James Naismith em 1891, da escola da Associação Cristã de Moços, em que tinha o objetivo de ser um esporte que pudesse ser praticado por grupos rivais em ambientes fechados durante o inverno, menos agressivo que o futebol americano (Hirata, Starepravo, 2016) e com inspiração na mania dos alunos e dos funcionários da escola de sempre atirar objetos à distância nos cestos de lixo (Comitê Olímpico do Brasil, 2025). Com a criação do esporte, as regras originais, desenvolvidas por Naismith surgiram e, foram posteriormente alteradas, adaptadas e expandidas, incluindo outras como o drible e a padronização do número de jogadores para cinco por equipe como se mantém até hoje (Comitê Olímpico do Brasil, 2025).

No início, a bola era arremessada em cestas de pêssego. Adaptados para o jogo, os cestos ficavam presos com pregos a pilastras, já numa altura de 3,05m, mantida até hoje. Só depois de algum tempo, tirou-se o fundo do cesto, evitando que a partida fosse paralisada a cada arremesso convertido. Das 13 regras formuladas por Nashville na criação do basquete, a maioria ainda se aplica hoje (Comitê Olímpico do Brasil, 2025).

De acordo com o Comitê Olímpico do Brasil (2025), o basquete chegou ao Brasil em 1892, logo em seguida da sua criação pelo americano Augusto Shaw, que em 1892 graduou-se como bacharel em Artes pela Universidade de Yale e residiu no Brasil para dar aulas no Colégio Mackenzie, em São Paulo. Desde então, o esporte vem crescendo como prática em todo o lugar. Para Daiuto (1991), o Brasil foi o primeiro país da América do Sul e o quinto do mundo a conhecer o basquetebol. (Daiuto, 1991, p, 151). E a aceitação do Basquete por fim se deu através do professor Oscar Thompson na Escola Nacional de São Paulo e Henry Sims, então diretor de educação física da Associação Cristã de Moços (ACM) (Daiuto, 1991). O nome originário “Basketball” foi dado por um aluno chamado Frank Mahan, que em português quer dizer bola no sexto, e o primeiro jogo masculino foi realizado em março de 1892 e em 1893 o primeiro jogo feminino (Guarizi, 2007, apud Batista, 2014).

De acordo com a CBB, Confederação Brasileira de Basketball (2025), o Basquete é um esporte em que o objetivo principal é marcar mais pontos que o adversário, arremessando a bola através do cesto e suas regras incluem fundamentos como drible, passe e arremesso, além de regras sobre faltas e violações, praticado por duas equipes rivais com 5 jogadores cada e utiliza-se de uma quadra retangular com linhas demarcando áreas como a linha dos três pontos e o garrafão. 

De acordo com Batista (2014), as primeiras partidas do Basquete aconteceram nessa respectiva ordem: em 1912 ocorreu a primeira partida oficial, no Rio de Janeiro, e em 1925, o primeiro campeonato Brasileiro, seguido em 1933 a fundação da Federação Brasileira de Basquetebol, e em 1941 passou a ser chamada de Confederação Brasileira de Basquetebol (CBB), com primeira demonstração do esporte, nas olimpíadas de St. Louis em 1904, porém só foi jogado oficialmente em 1936, nas olimpíadas de Berlin.

Batista (2014) aponta as primeiras regras do Basquete logo quando surgiu:

As primeiras regras do jogo eram bem simples, nos quais os jogadores não poderiam correr com a bola na mão, não poderia utilizar os pés, realizavam os lançamentos com as mãos, não haveria muito contado com o adversário. O basquetebol, inicialmente, era jogado variando de 3 a 40 jogadores, e esse número foi fixado em cinco somente, no ano de 1897, devido à falta de espaço (Ferreira; Júnior, 1987, apud Batista, 2014)

Nos EUA, o Basquete segue uma cultura diferente do Brasil. O Basquete é uma modalidade que foi inventada nos Estados Unidos distante e diferentemente das práticas europeias, consequentemente imposta nos moldes brasileiros (Benelli, 2004). O Basquete foi introduzido nos EUA, nos programas de inclusão nos programas de Educação Física de forma a fomentar a classe menos favorecida americana, em detrimento das camadas elitizadas inglesas que praticavam o futebol por exemplo, e que muitas vezes eram praticadas nas ruas, consequentemente nas escolas. E após a prática constante, acabou adentrando as universidades americanas em que trabalham com notas, avaliações e programa de incentivo a estudos/bolsa escolar (Benelli, 2004). Daiuto (1991, p. 95, apud Benelli, 2004) relata sobre a prática do Basquete nos programas escolares e nas universidades americanas:

Nos Estados Unidos a prática do basquetebol passou a fazer parte dos programas regulares de Educação Física das escolas e universidades logo após a sua invenção. O Sr. C. O. Remis introduziu a prática do basquetebol no Genove College- Beaver Falls em 1892. O Dr. Alexandre Howe, da ACM da 86th Street introduziu-o em Manhattan e o próprio Dr. Naismith teria sido o introdutor do jogo na Universidade de Kansas. O Elmira College. de Nova Iorque, a Universidade de Stanford e a Yale University, também estiveram entre os primeiros estabelecimentos de ensino a incluir o basquetebol na programação das atividades físicas regulares de seus alunos (Daiuto, 1991 apud Benelli, 2004).

A introdução do Basquete no Brasil, apesar de muitas igualdades nos EUA, ocorreu de forma diferente, sendo mais propriamente reconhecida como clubista, diferentemente divulgado nos EUA, via escolar. O basquete foi introduzido nas escolas e periferias americanas, enquanto no Brasil foi introduzido em clubes primeiro até chegar nas escolas como prática esportiva. As instituições de ensino americanas eram mais estabilizadas, estruturadas comparadas ao Brasil, sendo nos EUA muito mais abrangente que no Brasil como prática esportiva e que atualmente continua como percursor e país anfitrião na modalidade (Benelli, 2004).

O Basquete como esporte pode ser compreendido como produto da modernidade, fruto do processo de esportivização de jogos e passatempos ingleses (Elias; Dunning, 1992, apud Brasil, et al., 2022). O acesso às práticas esportivas, como o Basquete, pela classe trabalhadora foi iniciado na segunda metade do século XIX e decorreu da conquista do tempo de não trabalho (redução da jornada laboral) (Brasil, et al., 2022). Daiuto (1991, apud Benelli, 2004) afirma que o Basquete passou a fazer parte dos programas de atividades físicas da Associação Cristã de Moços de São Paulo, sendo praticado pelos sócios após as aulas de ginástica. E consequentemente após conquistas e avanços na sociedade foi levado ao espaço de formação: a escola. Sobre a fundamentação do esporte no Brasil, Trevisani (1997, p. 26, apud Benelli, 2004) afirma em entrevista que ao contrário de muitos países com tradição esportiva, como os EUA, o Basquete no Brasil não se fundamentou na escola ou com o forte apoio Estatal ou de empresas que patrocinavam o esporte, jogos, equipes,  mas principalmente pelos clubes com o fomento à prática esportiva.

Ao adentrar no âmbito escolar, o esporte como prática esportiva, passou a ser visto como base da pirâmide esportiva e formação de atletas, com o objetivo de aprimoramento nas escolas, visando aptidão física e rendimento esportivo em meados de 1970 (Elias; Dunning, 1992, apud Brasil, et al., 2022). Em 1980, o foco da prática de esportes foi revisto e valores e intervenções pedagógicas começaram a ser colocadas em prática e essas intervenções se estenderam até o ano de 1990, em que as competições eram marcadas assiduamente.

Porém com a chegada dos PCNs (Parâmetros Curriculares Nacionais) em 1997,  o que nos anos de 2000 em diante continuaram com as alterações dos documentos oficiais e hoje, conhecido por BNCC (Base Nacional Comum Curricular) (Brasil, 2018), promulgou que o Esporte é uma unidade temática do Ensino Fundamental e posteriormente do Ensino Médio, como um componente da área de linguagens e suas tecnologias (Brasil, 2018). Assim, o objetivo da prática de esportes como competição extrema, rendimento esportivo foram diminuídos, e consequentemente voltados para a cultura do esporte e outras vertentes, dando origem a diferentes manifestações culturais (Lutas, Ginástica, Jogos e Brincadeiras, Dança e o Esporte), evitando tratar tão somente das práticas esportivas hegemônicas.

Para Henrique et al. (2025), o Basquete é apresentado como uma  prática corporal  esportiva  que  atinge  milhões  de  pessoas  em  todos  os  continentes  do  mundo, possibilitando praticar e estudar o esporte sobre diferentes óticas e maneiras.

Para Batista (2014), o Basquete é um esporte emocionante e aponta um crescimento de participantes ao longo dos anos em todo o mundo. Além da constante atualização de suas regras prática de competição, mas também de lazer nas horas de folga.

A CULTURA DO ESPORTE NO BRASIL

O esporte no geral e a educação constituem elementos inseridos na cultura humana e fazem parte dos bens produzidos pelo homem ao longo de sua existência, sendo materiais ou imateriais como apresenta Benelli (2004). Sendo a educação um dos frutos da cultura humana, Bourdieu e Passeron (1975, apud Secretaria Municipal de Educação do Estado do Rio de Janeiro, 2010) propõe que a Educação deve atuar como elemento mitigador das desigualdades humanas e deve acontecer no espaço social de formação como as escolas, como pode ser visto:

Numa formação social determinada, o sistema de ensino dominante pode constituir o trabalho pedagógico dominante como trabalho escolar sem que os que exercem como os que a ele se submetem cessem de desconhecer sua dependência relativa às relações de forças constitutivas da formação social em que ele se exerce, porque ele produz e reproduz, pelos meios próprios da instituição, as condições necessárias ao exercício de sua função interna de inculcação, que são ao mesmo tempo suficientes da realização de sua função externa de reprodução da cultura legítima e de sua contribuição correlativa a reprodução das relações de força; e porque, só pelo fato de que existe e subsiste como instituição, ele implica as condições institucionais do desconhecimento da violência simbólica que exerce, isto é, porque os meios institucionais dos quais dispõe enquanto instituição relativamente autônomo, detentora do monopólio do exercício legítimo da violência simbólica, estão predispostos a servir também, sob a aparência da neutralidade, os grupos ou classes dos quais ele reproduz o arbitrário cultural (dependência pela independência)” (Bourdieu & Passeron, 1975, p. 75, apud Secretaria Municipal de Educação do Estado do Rio de Janeiro, 2010).

A escola como espaço de formação deve oferecer práticas que equalizem as desigualdades sociais, como apresentado anteriormente, o Basquete no Brasil é advindo de clubes elitistas e ao adentrar no âmbito escolar passar a fomentar como prática esportiva aberta a todos em formação como afirma Saviani (1999) ao comparar a marginalização das escolas. Quando o Basquete passa a ser oferecido nas escolas, abre-se um leque de oportunidades que não era oferecido a classe não pertencente. O esporte e a educação até a metade do século eram aspectos na qual somente a elite possuía acesso (Benelli, 2004).

Para Batista (2014), em meados de 1930 a disciplina de Educação Física tinha perspectivas higienista, preocupando-se com a saúde e o desenvolvimento físico e moral a partir do exercício, com o objetivo de preparar indivíduos para a guerra, excluindo os demais. Após a Escola Nova, pós-guerra, pensando em todos, o objetivo era a equidade.

A BNCC (2018), abrange a cultura do esporte pela disciplina da Educação Física, em que tematiza as práticas corporais em suas diversas formas entendidas como manifestações das possibilidades expressivas dos sujeitos. De acordo com a Secretaria Municipal de Educação do Estado do Rio de Janeiro (2010), A Educação Física tem o objetivo de intervenção na área da educação, na fomentação do lazer humanizado, na prevenção à saúde, na valorização do conhecimento do movimento contextualizado, manifestado através dos jogos, dos esportes, da dança e de outras vertentes. E seguindo a vertente do esporte como prática corporal, propicia ao sujeito o acesso a uma dimensão de conhecimentos e de experiências aos quais ele não teria de outro modo.

Para a BNCC (2018), o esporte é visto como uma das práticas mais conhecidas da contemporaneidade:

Caracteriza-se por ser orientado pela comparação de um determinado desempenho entre indivíduos ou grupos (adversários), regido por um conjunto de regras formais, institucionalizadas por organizações (associações, federações e confederações esportivas), as quais definem as normas de disputa e promovem o desenvolvimento das modalidades em todos os níveis de competição. No entanto, essas características não possuem um único sentido ou somente um significado entre aqueles que o praticam, especialmente quando o esporte é realizado no contexto do lazer, da educação e da saúde. Como toda prática social, o esporte é passível de recriação por quem se envolve com ele (Brasil, 2018).

De acordo com o Currículo Oficial do Estado do Rio de Janeiro (2010), o esporte é a institucionalização do jogo, também sendo considerado como um jogo esportivizado. E o esporte ou desporto é uma prática cujas regras são altamente rigorosas e o cumprimento delas de maneira integral e irrevogável garante a identidade de uma determinada modalidade. Nesse caso, por exemplo, o Basquete, os jogadores devem aprender as regras, técnicas e táticas do esporte para poderem realizá-lo de maneira otimizada e coerente dentro do contexto da modalidade que são aprendizes (Secretaria Municipal de Educação do Estado do Rio de Janeiro, 2010).

Para Batista (2014), apesar de ser um esporte de competição e cooperação, o Basquete num âmbito escolar, deve ser encarado de forma lúdica pelos professores, de modo que os alunos possam participar e desenvolver suas habilidades de forma natural, dentro de suas limitações, experimentando, vivenciando outras oportunidades. Praticando nas escolas, os alunos possuem oportunidades motoras, lúdicas, sociais e outras com a experiência de um novo esporte.

BASQUETE EM VOLTA REDONDA, RJ.

Há um estudo recente em que aponta sobre o ensino do Basquete nas escolas públicas de Volta Redonda, RJ, oferecido por Brito (2014), em que os sujeitos incluídos na pesquisa foram atletas com experiências, na referida modalidade esportiva, em competições estaduais, nacionais e, no caso de alguns, internacionais, que representaram Volta Redonda em grandes eventos desta modalidade e que adentraram ao âmbito escolar com o propósito de expandir a prática.

O Basquete passou a ser considerado em Volta Redonda após pesquisas fornecidas por Brito (2014) considerando a influência de ex-atletas, técnico, árbitro e professor do Ensino Fundamental e Médio, de várias escolas públicas e particulares que com a cultura do esporte como currículo na disciplina de Educação Física, foi possível esse investimento e inferência de pessoas comuns. Esse estudo foi direcionado com perguntas de investigação que fizeram parte da pesquisa como mencionado pelo próprio autor em seus estudos:

Sendo assim, ou ensina-se o básico disponibilizado em literaturas específicas e na internet, ou busca-se enriquecer os ensinamentos de maneira singular. Mas, como encontrar essa possibilidade? Qual o aspecto que poderia construir essa história local? Algum fato dentro do Basquetebol pode servir de fonte do saber para os alunos? Seria possível encontrar jogadores que possuam memórias a serem narradas, na tentativa de construir parte da história local? Existem jogadores, em Volta Redonda, que foram destaque no Basquetebol? Seria a narrativa na perspectiva de Benjamin (1994) uma possibilidade de diálogo no campo da Educação Física? (Brito, 2014).

A criação do centro esportivo da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), mais conhecido como Recreio do Trabalhador Getúlio Vargas (RTGV) em Volta Redonda fez com que os operários ocupassem o tempo ocioso com práticas esportivas, sendo uma delas o Basquete (Brito, 2014).

O desenvolvimento do Basquetebol, na cidade não se procedeu desvinculado da história local, pelo contrário a Companhia Siderúrgica Nacional teve uma importância significativa no processo de construção do esporte no município de Volta Redonda (Brito, 2014).

Para Brito (2014), a abordagem Crítico Superadora ou a vertente da Cultura Corporal, é a concepção adotada e faz parte do processo histórico da cidade contribuindo o resgate de aspectos históricos do Basquetebol de Volta Redonda por esses operários, em que muitos casos se tornaram jogadores oficiais e experientes, e que posteriormente se fez presente no ensino dessa modalidade na Educação Básica.

A pesquisa foi desenvolvida na rede municipal de ensino de Volta Redonda, no período compreendido entre 2012 e 2013, e até esse momento cinquenta professores de Educação Física, entretanto, somente trinta e dois professores participaram da produção dos dados empíricos apresentados nos estudos de Brito (2014) em que investigou a maneira como os professores de Educação Física desenvolvem os processos de ensino e aprendizagem com o Basquetebol nas escolas.

Um estudo aprofundado foi criado no ano de 2024 até o momento dessa pesquisa em que apresenta as escolas que atuam com o Basquete na disciplina de Educação Física e foi fornecido ao JEVRE – Jogos Estudantis de Volta Redonda, uma competição esportiva anual realizada na cidade de Volta Redonda, no estado do Rio de Janeiro e conta com a participação de Anos iniciais ensino fundamental – 1° a 5° ano com 50 professores e nos Anos finais Ensino Fundamental ‘ 6° a 9° ano – 96 professores, sendo no total 146 professores. O evento envolve diversas escolas da região, com alunos de diferentes modalidades esportivas participando das competições. 

O Jevre é organizado pela Secretaria Municipal de Esporte e Lazer (Smel) e visa promover o esporte entre os estudantes, incentivando a participação e o desenvolvimento esportivo e social. A competição inclui diversas modalidades esportivas, dentre elas, o basquete. Atualmente são 56 escolas, sem especificação de quantos professores inscritos, que atuam e representam a prática juntamente com a participação efetiva do Basquete masculino e feminino conforme tabela abaixo:

Tabela 1- Escolas que participaram do Jevre em 2024.

 

Fonte: Jevre (2024).

CONSIDERAÇÕES FINAIS 

O basquetebol, como visto anteriormente, é uma das modalidades esportivas, que envolve participação simultânea de todos os participantes, não somente dentro de quadra, ou até mesmo rua, mas todos os envolvidos e envolve dinamismo. E que ao longo dos anos foi ganhando e conquistando seu espaço como esporte e prática corporal até adentrar ao espaço escolar.

Nos EUA, o Basquete é um dos esportes mais praticados tanto nas ruas quanto nas escolas e universidades, com programas de bolsas universitárias, diferentemente no Brasil, que com a cultura do esporte, outras vertentes são introduzidas nas práticas escolares e acaba sendo mais fomentado em grupos de clubes, por vezes em escolas.

O objetivo geral da pesquisa foi investigar o Basquete como prática desportiva no contexto escolar nas escolas de Volta Redonda no estado do Rio de Janeiro, e diante dos resultados obtidos sugere-se que 56 escolas atuam com o esporte e até participam do JEVRE como mencionado anteriormente, mas que ainda precisa de muito investimento e formação docente continuada sobre o esporte. E como objetivo específico foi evidenciar a cultura do esporte nas práticas escolares no Brasil comparando com as práticas nos EUA, o que sugere-se que embora sejam as mesmas práticas, nos EUA há programas de incentivos com bolsas universitárias por ser um país mais estruturado e com a cultura de esporte diferente do Brasil, em que apresenta ainda um caminho longo a ser percorrido devido a naturalização de outras práticas esportivas como o Futebol, cultuado historicamente pela classe dominante burguesa e que se estende até os dias atuais, além de outras práticas como a disciplina de Educação Física preconiza com a cultura do corpo e outras.

O problema da pesquisa se baseou na pergunta norteadora em: Qual é a participação efetiva da prática do Basquete nas escolas de Volta Redonda, RJ? 

E como perguntas de investigação para a pesquisa baseadas em: O que é o Basquete e como é praticado no  Brasil? Como foi introduzido no Brasil? Como adentrou aos espaços escolares? O que é a cultura do esporte no Brasil e qual a relação entre o Basquete? Qual a diferença entre o Basquete nos EUA e no Brasil?

Respondendo as perguntas de investigação e pergunta norteadora, juntamente com o objetivo geral e específicos da pesquisa é possível perceber que há participação de todas as unidades escolares, uma vez que o campeonato JEVRE acontece todo ano e tem a duração de 41 dias com todas as práticas esportivas existentes, sendo uma delas o Basquete. E como visto, o Basquete foi introduzido no Brasil por um imigrante e que gradativamente adentrou aos espaços escolares conforme alterações foram feitas nas concepções e formação social e pedagógica. 

A pesquisa de caráter qualitativo tem grande importância em relação a reflexão sobre o problema levantado e tende a beneficiar estudiosos sobre o tema, assim como a população envolvida, além de apresentar o embasamento teórico de caráter descritivo e exploratório, com análises concentradas na avaliação dos resultados obtidos relacionados aos objetivos propostos apresentados na pesquisa. 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 

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BRITO, M. D. História do basquetebol em volta redonda: o vídeo como metodologia nas aulas de Educação Física. 2014. Disponível em: https://sites.unifoa.edu.br/portal_ensino/mestrado/mecsma/arquivos/2014/marcelo-dantas.pdf. Acesso em: 05 jul. 2025.

BENELLI, l. M. Pedagogia do esporte: estudo introdutório sobre o acesso nas categorias de formação do basquetebol masculino brasileiro. 2004. Disponível em: file:///C:/Users/MARIACAROLINATONONDA/Desktop/daniel%20tese/beneli_leandrodemelo_tcc.pdf. Acesso em: 05 jul. 2025.

BRASIL. Base Nacional Comum Curricular. 2018. Disponível em: https://basenacionalcomum.mec.gov.br/. Acesso em: 05. Jul. 2025.

BRASIL, D. V. C.; RODRIGUES, G. S.; PAES, R. R. Referências e referenciais para o ensino do basquete 3×3 da educação física escolar. Movimento, v. 28, p. e28042, 2022.

DAIUTO, M. Basquetebol: origem e evolução. São Paulo: Iglu, 1991.

HENRIQUE, P; SANTOS, R. S. S.; MEZZAROBA, C. Basquete e aspectos socioculturais: possibilidades para educação física escolar conforme produção em revistas brasileiras de educação física. Journal of Research and Knowledge Spreading, v. 5, n. 1, p. e19678-e19678, 2024. Disponível em: https://www.seer.ufal.br/index.php/jrks/article/view/19787. Acesso em: 04 jul. 2025.

HIRATA, E. STAREPRAVO, F. E. A história do Basquetebol vista sob outra ótica. 2020. Disponível em: file:///C:/Users/MARIACAROLINATONONDA/Downloads/8287-28216-2-PB%20(1).pdf. Acesso em: 05 jul. 2025.

SAVIANI, D. Risco e aventura no jogo. Universidade Federal de Santa Catarina, 1993. p. 197-211.

RIO DE JANEIRO. Secretaria Municipal de Educação. Orientações Curriculares: Áreas Específicas. Rio de Janeiro, 2010.

_________. Comitê Olímpico do Brasil. A história do Basquete. 2025. Disponível em: https://www.cob.org.br/time-brasil/esportes/1-basquete. Acesso em: 03 jul, 2025.

_______. CBB. Confederação Brasileira de Basketball. As primeiras regras. 2025. Disponível em: https://www.cbb.com.br/noticia/1560/as-primeiras-regras.

_______. Ministério da Educação e do Desporto. Parâmetros Curriculares Nacionais: Educação Física Primeiro e Segundo Ciclo. Brasília, 1998.

Lima, Daniel Müller. O basquete como prática desportiva no contexto escolar em Volta Redonda (RJ) e cultura do esporte no Brasil.International Integralize Scientific. v 5, n 50, Agosto/2025 ISSN/3085-654X

Referencias

Vivian Caroline Coraucci.
BAILEY, C. J.; LEE, J. H.
Management of chlamydial infections: A comprehensive review.
Clinical infectious diseases.
v. 67
n. 7
p. 1208-1216,
2021.
Disponível em: https://academic.oup.com/cid/article/67/7/1208/6141108.
Acesso em: 2024-09-03.

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v. 5
n. 50
O basquete como prática desportiva no contexto escolar em Volta Redonda (RJ) e cultura do esporte no Brasil

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Julho

Vol.

5

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Julho/2025
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Vol.

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Junho/2025