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Resumo
INTRODUÇÃO
No cenário atual, caracterizado pela crescente incorporação das tecnologias digitais na vida cotidiana, o letramento digital surge como um fator essencial para a plena participação dos sujeitos na sociedade informacional. A intensificação do uso de dispositivos tecnológicos no cotidiano educacional exige dos professores a aquisição de novas habilidades e saberes para atuar de maneira eficaz. O ensino da Língua Portuguesa, nesse contexto, enfrenta o desafio de integrar as ferramentas digitais de forma relevante e pedagógica, visando à promoção de um letramento digital reflexivo e crítico. A urgência de adaptação às tecnologias emergentes é cada vez mais evidente, considerando o impacto da internet e das redes sociais na comunicação e na construção da identidade dos estudantes (Assis et al., 2024).
Este estudo acadêmico é fundamentado pela necessidade de examinar os desafios e as perspectivas do letramento digital no ensino da língua portuguesa, colaborando para a criação de práticas pedagógicas inovadoras e eficazes. A pesquisa visa entender de que maneira as tecnologias digitais podem ser incorporadas ao processo de ensino e aprendizagem da língua portuguesa, promovendo o aprimoramento das competências de leitura, escrita, oralidade e interação em contextos digitais. Os resultados desta investigação podem apoiar a formação de educadores e a criação de políticas públicas direcionadas à inclusão digital e ao desenvolvimento do letramento digital na educação básica.
A pesquisa em questão tem como objetivo responder às seguintes questões orientadoras: De que maneira o letramento digital influencia o ensino e a aprendizagem da língua portuguesa? Quais são os principais obstáculos enfrentados pelos docentes na incorporação das tecnologias digitais ao ensino da língua portuguesa? Quais são as perspectivas para a aplicação das tecnologias digitais no avanço do letramento digital e das habilidades comunicativas em língua portuguesa? Que abordagens pedagógicas podem ser adotadas para fomentar o letramento digital crítico e reflexivo no ensino da língua portuguesa?
A pesquisa adota uma abordagem qualitativa, com base em uma revisão sistemática da literatura, contemplando publicações acadêmicas dos últimos cinco anos (2019-2024). A seleção dos trabalhos envolveu busca em bases científicas, a partir de termos-chave como “letramento digital”, “ensino da língua portuguesa” e “tecnologias digitais na educação”. Os critérios de inclusão e exclusão foram definidos de acordo com os parâmetros da pesquisa bibliográfica (Egido, 2024; Ferreira; Mendes, 2024).
O propósito principal deste estudo é examinar os desafios e as perspectivas do letramento digital no ensino da língua portuguesa, levando em consideração as repercussões para a formação de leitores e escritores críticos e habilidosos no ambiente digital. Para isso, estabelecem-se como objetivos específicos: (a) Identificar as principais características do letramento digital no contexto do ensino da língua portuguesa; (b) Investigar os obstáculos enfrentados pelos docentes no processo de integração das tecnologias digitais ao ensino da língua portuguesa; (c) Analisar as potencialidades das tecnologias digitais para o aprimoramento das competências de leitura, escrita e oralidade em língua portuguesa; (d) Propor sugestões de abordagens pedagógicas inovadoras para a promoção do letramento digital no ensino da língua portuguesa.
O trabalho segue uma organização estrutural composta por cinco seções, sendo elas: (1) Introdução; (2) Fundamentação Teórica; (3) Procedimentos Metodológicos; (4) Resultados e Discussão; (5) Considerações Finais. Esta seção inicial, denominada introdução, delineou as metas e a organização deste estudo, que visa colaborar para a compreensão dos desafios e perspectivas do letramento digital no ensino da língua portuguesa, orientando assim o que se pode esperar do aprofundamento da pesquisa nas seções subsequentes no que tange à análise do tema.
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
A sociedade atual é marcada por rápidas transformações tecnológicas que repercutem de maneira significativa na educação, em especial no ensino da Língua Portuguesa. Neste contexto, o conceito de letramento digital ganha relevância, por abranger não apenas o domínio técnico das ferramentas digitais, mas também a capacidade crítica de utilizá-las para criar, interpretar e compartilhar informações em ambientes virtuais. Essa competência é essencial para a formação de sujeitos críticos, aptos a atuar de forma ativa em uma sociedade fortemente conectada (Assis; Costa; Faleiro, 2021).
O ensino da Língua Portuguesa, ao se deparar com os avanços tecnológicos, precisa adotar práticas pedagógicas que contemplem a inserção significativa do digital no cotidiano escolar. Contudo, essa incorporação encontra entraves que vão desde a preparação dos docentes até a estrutura oferecida pelas instituições de ensino. Araújo (2025), salienta que parte dos professores ainda enfrenta dificuldades para adequar suas estratégias de ensino ao uso das tecnologias, o que acaba restringindo sua aplicação em sala de aula. O autor defende que o letramento digital precisa fazer parte da prática pedagógica de forma constante e reflexiva.
De modo semelhante, Lacerda e Dos Santos (2017), analisam a atuação de professores no ensino fundamental e observam que há uma distância entre o potencial educacional das tecnologias e sua aplicação efetiva na prática docente. Essa lacuna está, frequentemente, relacionada à insuficiência de formação específica para o uso das tecnologias digitais no ensino da Língua Portuguesa. A superação desse cenário exige políticas públicas que valorizem a capacitação digital nos cursos de licenciatura, contribuindo para a atuação docente transformadora.
Além disso, o letramento digital implica uma compreensão ampliada das práticas de leitura e escrita em ambientes digitais. Monteiro et al. (2021), destacam que o uso da tecnologia influencia profundamente as formas de ler e escrever, exigindo dos alunos habilidades que superam o simples consumo de informações. Tais habilidades envolvem avaliar fontes, interpretar hipertextos e produzir conteúdos multimodais, exigindo novas propostas pedagógicas que dialoguem com essas realidades.
Nessa direção, é preciso revisar os objetivos do ensino da Língua Portuguesa, reconhecendo as competências digitais como parte fundamental da formação discente. Giovanelli e Coutinho (2024), afirmam que articular os conhecimentos digitais ao ensino da língua é essencial para preparar os estudantes para as interações comunicativas contemporâneas. Para os autores, as linguagens digitais precisam ser incorporadas ao processo de ensino-aprendizagem como um componente legítimo da formação linguística escolar.
A integração entre o ensino da Língua Portuguesa e o letramento digital deve fomentar a autonomia e o pensamento crítico dos estudantes diante das práticas comunicativas digitais.
Galante (2015), ressalta a importância de conectar o ensino da língua às múltiplas realidades culturais e tecnológicas presentes nas escolas, defendendo que o letramento digital valoriza a diversidade de linguagens e expressões. Para a autora, o reconhecimento dessas práticas favorece um processo educativo mais inclusivo e conectado ao cotidiano dos alunos.
Todavia, ainda persistem inúmeros desafios à efetivação do letramento digital nas escolas. Assis et al. (2024), por meio de revisão de literatura, identificaram fragilidades nas abordagens pedagógicas voltadas ao tema, especialmente no que se refere à formação continuada dos professores e à infraestrutura disponível. Embora o tema ganhe cada vez mais relevância, ainda há limitações quanto à implementação de ações concretas e consistentes.
Entre os principais desafios contemporâneos do letramento digital, destaca-se o combate à desinformação. Júnior et al. (2025), analisam como a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) aborda essa competência e apontam que as aulas de Língua Portuguesa devem favorecer o desenvolvimento da capacidade de análise crítica das informações, especialmente diante das chamadas fake news. Nesse processo, o papel do professor é decisivo para formar alunos conscientes e preparados para o uso responsável das tecnologias.
A atuação docente no contexto do letramento digital também é explorada por Assis, Costa e Faleiro (2021), que identificam entraves enfrentados pelos professores universitários. Segundo os autores, muitos educadores ainda se apoiam em modelos tradicionais de ensino, o que dificulta a adoção de práticas inovadoras com apoio das tecnologias. Isso evidencia a necessidade de uma mudança de paradigma, com o professor assumindo uma postura mais ativa na mediação do conhecimento digital.
Outro ponto relevante refere-se à necessidade de alinhamento entre as práticas pedagógicas e as habilidades digitais exigidas pelo mundo contemporâneo. Corrêa et al. (2021), argumentam que a alfabetização digital deve estar inserida de maneira transversal no currículo, promovendo a interdisciplinaridade e o trabalho colaborativo entre diferentes áreas do saber. No ensino da Língua Portuguesa, isso demanda uma renovação das abordagens tradicionais de leitura, produção de texto e oralidade, com ênfase nos suportes e formatos digitais.
Nesse cenário, é essencial compreender que a competência digital não se limita ao uso técnico das ferramentas, mas envolve sobretudo a capacidade de refletir criticamente sobre os conteúdos acessados. Araújo (2025), defende que o planejamento pedagógico das aulas de Língua Portuguesa deve estimular os alunos a interpretarem e analisarem os significados das mensagens digitais, promovendo uma aprendizagem mais crítica e transformadora.
Diante disso, observa-se que a alfabetização digital se consolida como uma dimensão central nas práticas de ensino da Língua Portuguesa, exigindo mudanças nos conteúdos, metodologias e diretrizes escolares. Sua implementação efetiva está condicionada à formação adequada dos professores, à disponibilização de tecnologias e ao compromisso das escolas com uma proposta educacional voltada à cidadania digital. Embora os obstáculos sejam numerosos, as possibilidades de inovação e avanço pedagógico são promissoras.
Para além da formação docente e da adaptação curricular, é essencial valorizar o papel ativo do estudante no processo de aprendizagem digital. A alfabetização digital deve estimular o desenvolvimento de competências como autonomia, colaboração e pensamento crítico — fundamentais para a atuação no mundo virtual. Galante (2015), aponta que o protagonismo estudantil se constrói por meio de práticas educacionais que respeitam os saberes prévios dos alunos e os engajam ativamente na construção do conhecimento.
Nesse sentido, é crucial que as instituições de ensino se configurem como espaços abertos à experimentação pedagógica e à utilização consciente da tecnologia. Giovanelli e Coutinho (2024), explicam que a inserção das ferramentas digitais no ensino da Língua Portuguesa não exclui as metodologias tradicionais, mas as complementa, favorecendo uma aprendizagem mais interativa e colaborativa. A prática educativa, assim, transforma-se em um processo dialógico de construção conjunta do saber.
Finalmente, o letramento digital deve ser compreendido como um direito educacional, uma vez que seu domínio é condição para a participação plena e crítica na sociedade. Conforme argumentam Assis et al. (2024), promover essa competência na escola é investir na formação de sujeitos éticos e conscientes de seu papel no mundo digital.
PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
A presente investigação configura-se como um estudo de abordagem qualitativa, com ênfase na consulta e interpretação de produções acadêmicas que abordam o letramento digital no contexto do ensino de Língua Portuguesa, considerando seus entraves e possibilidades. Conforme apontam Santos e Oliveira (2021), a pesquisa bibliográfica corresponde a uma análise sistemática elaborada a partir de publicações existentes, possibilitando o desenvolvimento de um referencial teórico consistente para a elucidação de um determinado fenômeno. Tal metodologia é apropriada em razão do propósito do trabalho, que é examinar e realizar uma análise crítica acerca das contribuições e obstáculos associados à integração do letramento digital nas práticas pedagógicas de Língua Portuguesa, tomando como base uma seleção criteriosa de livros e artigos científicos.
O contexto da investigação refere-se ao ambiente digital destinado à elaboração e compartilhamento de saberes acadêmicos, tendo em vista que o levantamento teórico foi efetuado através das plataformas Google Acadêmico e Periódicos CAPES. Essas fontes foram selecionadas devido à sua ampla cobertura e reconhecida credibilidade na disponibilização de materiais científicos de qualidade. O intervalo cronológico estabelecido contempla publicações entre os anos de 2015 e 2025, visando garantir a relevância dos dados e das abordagens teóricas, diante das mudanças recentes no âmbito da tecnologia educacional e do exercício da docência.
Para a escolha das referências utilizadas, adotaram-se parâmetros de inclusão e exclusão previamente estabelecidos. Entre os critérios de seleção, foram considerados trabalhos que tratassem especificamente do assunto do letramento digital em ambientes escolares, com ênfase particular na área de Língua Portuguesa, e que estivessem redigidos em português, publicados em periódicos de reconhecida excelência acadêmica. Por outro lado, os parâmetros de descarte englobam duplicações, textos opinativos sem embasamento teórico consistente e produções que, embora versassem sobre o uso de recursos tecnológicos na educação, não abordam diretamente o conceito de letramento digital ou a área da Língua Portuguesa. Esse processo de triagem garantiu maior consistência e pertinência ao conjunto de obras analisadas, conforme apontam Ferreira e Mendes (2024).
A definição dos autores utilizados teve início com a análise de materiais que estabelecessem conexões com a proposta central da pesquisa, priorizando aqueles que trouxessem contribuições críticas, evidências empíricas significativas ou sínteses teóricas relevantes sobre o tema abordado. Dessa forma, selecionaram-se estudiosos como Araújo (2025), Assis et al. (2024) e Giovanelli e Coutinho (2024), cujas produções tratam do letramento digital em consonância com os obstáculos concretos vivenciados por docentes de Língua Portuguesa na contemporaneidade. A escolha por excluir determinados autores fundamentou-se, principalmente, na inexistência de alinhamento direto com os propósitos do estudo ou no caráter desatualizado de suas perspectivas.
A etapa de levantamento das informações consistiu na leitura minuciosa, criteriosa e analítica dos materiais selecionados, enfatizando-se os principais conceitos, estratégias metodológicas adotadas e conclusões centrais. Esse momento foi orientado pelas diretrizes propostas por Egido (2024), que ressalta a relevância da organização e classificação dos conteúdos em pesquisas de cunho bibliográfico. Foram confeccionadas fichas temáticas com sínteses críticas, observações analíticas e articulações com os propósitos do trabalho.
O exame das informações coletadas foi realizado utilizando uma metodologia de caráter descritivo, interpretativo e reflexivo, com o intuito de reconhecer as áreas de concordância e discordância entre os estudiosos e suas colaborações para a compreensão do letramento digital vinculado ao trabalho com a Língua Portuguesa. Conforme apontam Silva, Cuty e Limberger (2023), tal modalidade de análise possibilita um aprofundamento na interpretação dos processos educacionais, favorecendo uma avaliação crítica das produções acadêmicas. Dessa forma, foram estabelecidas categorias temáticas que auxiliaram na abordagem dos obstáculos formativos, repercussões curriculares, dimensões socioculturais e propostas pedagógicas associadas ao objeto de estudo.
Quanto aos aspectos éticos envolvidos, por tratar-se exclusivamente de um levantamento teórico, sem interação direta com participantes humanos, não houve a obrigatoriedade de submissão aos comitês de ética. Ainda assim, foi mantido o compromisso com a seriedade acadêmica na referência às fontes utilizadas e na aplicação do conteúdo analisado, assegurando o respeito aos direitos autorais, conforme orientações de Pereira e Lima (2022) e as diretrizes da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).
Dessa forma, o método utilizado neste trabalho oferece um embasamento teórico sólido e analítico acerca do tema abordado, possibilitando não apenas a identificação dos principais entraves relacionados ao letramento digital vinculado à prática de Língua Portuguesa, como também a análise das alternativas para a superação desses desafios no cenário educacional atual.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
A presente investigação configura-se como um estudo de abordagem qualitativa, com ênfase na consulta e interpretação de produções acadêmicas que abordam o letramento digital no contexto do ensino de Língua Portuguesa, considerando seus entraves e possibilidades. Conforme apontam Santos e Oliveira (2021), a pesquisa bibliográfica corresponde a uma análise sistemática construída a partir de fontes já publicadas, permitindo a elaboração de um arcabouço teórico sólido para a compreensão de determinado fenômeno. Essa metodologia mostra-se adequada ao propósito da pesquisa, que consiste em realizar uma análise crítica sobre os desafios e as contribuições associados à inserção do letramento digital nas práticas pedagógicas de Língua Portuguesa, a partir da análise criteriosa de livros e artigos científicos.
O contexto da investigação diz respeito ao ambiente digital voltado à difusão de conhecimentos acadêmicos, considerando que a revisão teórica foi conduzida por meio das plataformas Google Acadêmico e Periódicos CAPES. Tais fontes foram escolhidas por sua abrangência e credibilidade no fornecimento de produções científicas relevantes. O recorte temporal adotado contempla publicações datadas entre os anos de 2015 e 2025, a fim de assegurar atualidade aos dados analisados, especialmente diante das transformações recentes no campo da educação digital e do trabalho docente.
Para a seleção do material analisado, foram definidos previamente critérios de inclusão e exclusão. Foram considerados, entre os critérios de inclusão, estudos que abordassem o letramento digital no ambiente escolar, com foco específico na área de Língua Portuguesa, publicados em língua portuguesa e em periódicos com reconhecimento acadêmico. Já os critérios de exclusão envolveram a eliminação de duplicações, textos com caráter opinativo sem fundamentação teórica e produções que, embora tratassem do uso de tecnologias na educação, não apresentassem relação direta com o letramento digital nem com o ensino da Língua Portuguesa. Esse processo de triagem contribuiu para a consistência e relevância das obras selecionadas, conforme orientações metodológicas de Ferreira e Mendes (2024).
A definição dos autores considerados relevantes partiu da análise de materiais que dialogassem diretamente com os objetivos da pesquisa, priorizando contribuições teóricas e empíricas que enriquecem a discussão sobre o letramento digital. Nesse sentido, foram selecionados autores como Araújo (2025), Assis et al. (2024) e Giovanelli e Coutinho (2024), cujas publicações abordam de maneira crítica os desafios enfrentados por professores de Língua Portuguesa frente às demandas digitais. A exclusão de outros autores justificou-se, principalmente, pela ausência de vínculo direto com os objetivos do trabalho ou pela defasagem de suas abordagens frente à realidade atual.
A etapa de levantamento dos dados envolveu uma leitura atenta, analítica e fundamentada dos textos selecionados, buscando identificar conceitos centrais, estratégias metodológicas e conclusões relevantes. Essa etapa foi orientada pelas diretrizes propostas por Egido (2024), que enfatiza a importância da categorização e organização dos conteúdos em pesquisas de natureza bibliográfica. Foram elaboradas fichas de leitura contendo sínteses, reflexões críticas e correlações com os objetivos estabelecidos neste estudo.
A análise do material coletado foi conduzida a partir de uma abordagem descritiva, interpretativa e reflexiva, com o objetivo de identificar convergências e divergências entre os autores selecionados, bem como suas contribuições para o entendimento do letramento digital no ensino de Língua Portuguesa. De acordo com Silva, Cuty e Limberger (2023), esse tipo de análise permite compreender com profundidade os processos pedagógicos, promovendo uma leitura crítica das produções científicas. Foram definidas categorias temáticas que orientaram a discussão dos aspectos relacionados à formação docente, às implicações curriculares, às práticas sociais e às possibilidades pedagógicas vinculadas ao objeto da pesquisa.
No que se refere aos aspectos éticos, por tratar-se de um estudo exclusivamente teórico, sem envolvimento direto com seres humanos, não houve necessidade de submissão ao Comitê de Ética em Pesquisa. No entanto, foram seguidas as diretrizes de integridade acadêmica no uso das fontes e no tratamento das ideias apresentadas, respeitando os direitos autorais conforme as orientações de Pereira e Lima (2022) e as normas estabelecidas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).
Dessa forma, o método utilizado nesta pesquisa proporciona um embasamento teórico consistente e aprofundado sobre o tema, permitindo não apenas identificar os principais entraves relacionados ao letramento digital no ensino de Língua Portuguesa, mas também refletir sobre estratégias viáveis para superá-los no contexto educacional atual.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O presente estudo teve como finalidade analisar o letramento digital aplicado ao ensino de Língua Portuguesa, examinando os desafios e perspectivas relacionados à integração das tecnologias digitais no ambiente educacional. Fundamentado em uma abordagem bibliográfica, foi possível identificar, por meio das obras selecionadas, que o letramento digital não se limita a uma competência operacional, mas constitui um conjunto articulado de práticas sociais que envolvem leitura, escrita, interpretação e análise crítica em contextos mediados por tecnologias.
Os resultados indicaram que o letramento digital representa uma exigência urgente na formação dos estudantes, especialmente diante das transformações socioculturais decorrentes da digitalização da informação e do crescente uso de mídias digitais. Nesse cenário, a escola assume um papel decisivo na formação de sujeitos aptos a atuar com criticidade, ética e responsabilidade nos espaços digitais, o que reforça a necessidade de reavaliar metodologias pedagógicas ainda pautadas em modelos tradicionais.
Diversos autores analisados apontam que o ensino da Língua Portuguesa demanda atualização, incorporando os gêneros textuais próprios do meio digital, os recursos tecnológicos e as linguagens presentes no cotidiano dos alunos (Giovanelli; Coutinho, 2024; Monteiro et al., 2021). Contudo, esse processo requer mais do que a adoção de ferramentas digitais em sala de aula. Implica, sobretudo, uma mudança de concepção sobre o processo de ensino-aprendizagem, na qual o protagonismo do estudante, a mediação pedagógica crítica do professor e o reconhecimento da cultura digital como espaço de aprendizagem ganham centralidade.
A literatura consultada também evidenciou entraves significativos, como a carência de formação continuada para os docentes, a ausência de políticas públicas estruturadas e as desigualdades no acesso às tecnologias (Assis; Costa; Faleiro, 2021; Júnior et al., 2025). Esses desafios apontam para a necessidade de articulação entre escola, gestores, universidades e sociedade, a fim de promover a democratização do acesso e da permanência no universo digital.
Com base na análise empreendida, compreende-se que o letramento digital, no contexto do ensino da Língua Portuguesa, não deve ser interpretado como substituto do conteúdo tradicional, mas como uma ampliação das possibilidades pedagógicas. Essa ampliação visa proporcionar aos estudantes as condições para produzir e interpretar textos multimodais, analisar discursos nas mídias digitais e identificar conteúdos enganosos, contribuindo para a formação de sujeitos críticos e conscientes.
Sob o aspecto metodológico, a adoção da pesquisa bibliográfica mostrou-se eficaz para mapear o panorama atual dos estudos sobre o tema, permitindo a identificação de tendências, lacunas e caminhos possíveis para a prática pedagógica. A diversidade de autores e enfoques permitiu a construção de uma base teórica consistente e plural, essencial para enriquecer o debate educacional.
Diante disso, conclui-se que o investimento no letramento digital é essencial para garantir uma formação linguística coerente com os desafios e demandas do tempo presente. Esse investimento envolve o fortalecimento da formação docente, a reformulação curricular e a implementação de políticas públicas voltadas à inclusão e à equidade digital. É imprescindível que o ensino da Língua Portuguesa se comprometa com a formação de estudantes éticos, autônomos e críticos no uso das tecnologias.
Por fim, recomenda-se o desenvolvimento de novas pesquisas com abordagens empíricas, que permitam observar e analisar práticas pedagógicas em diferentes realidades escolares, ampliando a compreensão das possibilidades e limitações do letramento digital. Tais estudos podem contribuir para o aperfeiçoamento das práticas docentes e para o delineamento de políticas educacionais mais efetivas e adaptadas às realidades locais.
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