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Resumo
INTRODUÇÃO
As Escrituras declaram que Deus é justamente aquilo que a própria Bíblia leva a pensar d’Ele, quando lhe são atribuídas as perfeições da natureza humana em um grau infinito. O ser humano é autoconsciente; também Deus o é, possuí uma natureza moral, infelizmente deformada; Deus possui excelência moral em perfeição infinita, é uma pessoa; também Deus o é. Tudo isso as Escrituras declaram ser verdadeiro. A grande revelação primordial de Deus foi no papel de um Deus pessoal: “Eu Sou” (Exodo 3.14; João 6.35). Todos os nomes e títulos a Ele atribuídos; todos os atributos que lhe são designados; todas as obras a Ele imputadas são revelações do que ele realmente é.
O termo ser refere-se aquilo que possui uma existência real e substancial. Equivale a substância ou essência. Opõe-se ao que é meramente imaginado e a uma mera força ou poder. Tal conceito obtido, em primeiro lugar, da consciência. O homem (criação de Deus, tanto homem quanto mulher), conscientes do ego como o sujeito dos pensamentos, sentimentos e volições, que representam seus vários estados e atos. Essa consciência da substância está envolvida naquela da identidade pessoal. Em segundo lugar, uma lei da razão humana os constrange a crer que há algo subjacente aos fenômenos da matéria e da mente, das quais esses fenômenos são a manifestação. É impossível para o homem gerar pensamento e sentimento, a menos que haja algo que pense e sinta.
A Eternidade (infinitude) de Deus, relativamente ao espaço, é sua imensidão ou onipresença; relativamente à duração, é sua eternidade (Salmos 90.2). Como Ele é isento de todas as limitações do espaço, assim é Ele exaltado acima de todas as limitações do tempo. Como ele não está mais em um lugar do que em outro, mas está igualmente presente em toda a parte, assim Ele não existe por um período de duração mais que em outro. Para Deus não há distinção alguma entre o presente, o passado e o futuro; mas todas as coisas estão igual e perenemente presentes para Ele.
A imutabilidade de Deus está intimamente relacionada à sua imensidão e eternidade, e frequentemente se inclui nelas através das declarações bíblicas concernentes à sua natureza. Portanto, quando se diz que ele é o Primeiro e o Último; o Alfa e o Ômega, o mesmo ontem, hoje e para sempre; ou quando, em contraste com o mundo sempre mutável e perecível, se diz: “Eles serão mudados, mas tu permaneces o mesmo” Salmos 102.27; não é sua eternidade mais que sua imutabilidade o que é posto em evidência. Como um Ser infinito e absoluto, autoexistente e absolutamente independente, Deus é exaltado acima de todas as causas de mudança, e ainda acima da possibilidade de mudança. Espaço infinito e duração infinita não podem mudar.
DESENVOLVIMENTO
A IMPORTÂNCIA DA IMUTABILIDADE DE DEUS
Esse atributo de Deus é também chamado de inalterabilidade, e, o teólogo Louis Berkhof define a imutabilidade de Deus assim:
Deus é imutável no seu ser, nas suas perfeições, nos seus propósitos e nas suas promessas; porém, Deus age e sente emoções, e age e sente de modos diversos diante de situações diferentes. As quatro palavras-chave (ser, perfeições, propósitos, promessas), usadas como resumo dos aspectos nos quais Deus é imutável. (Berkhof Louis, Systematic Theology (Grand Rapids: Eerdmans, 1939, 1941), p. 58).
No Salmo 102, encontra-se um contraste entre coisas que se julgam permanentes, como a terra ou os céus, de um lado, e Deus, do outro. Desde a antiguidade fundaste a terra, e os céus são obra das tuas mãos. Eles perecerão, mas tu permanecerás; todos eles se envelhecerão como um vestido; como roupa as mudará, e ficarão mudados. Porém tu és o mesmo, e os teus anos nunca terão fim. (Salmos 102.25-27)”.
Deus existia antes da criação dos céus e da terra e existirá muito depois da destruição dessas coisas. Deus faz mudar o universo, mas, contrastando com essa mudança, Ele é “o mesmo”.
Referindo-se às suas próprias virtudes da paciência, da longanimidade e da misericórdia, diz Deus: “Porque Eu, o Senhor, não mudo; por isso, vós, ó filhos de Jacó, não sois consumidos” (Malaquias. 3.6). Aqui Deus usa uma afirmação genérica da sua imutabilidade para se referir a alguns aspectos específicos nos quais ele não muda.
O grande teólogo holandês Herman Bavinck observa que o fato de Deus ser imutável no seu ser é de máxima importância para a manutenção da distinção Criador/criatura e para adoração do homem em relação a Deus:
A doutrina de imutabilidade de Deus é da mais alta importância para a religião. O contraste entre ser e vir a ser assinada a diferença entre o Criador e a criatura. Toda criatura está continuamente vindo a ser. É mutável, vive em constante azáfama, busca repouso e satisfação, e encontra repouso em Deus, e só nele, pois só ele é puro ser e não vir a ser. Daí nas escrituras Deus ser muitas vezes chamado a Rocha… (Herman Bavinck, The Doctrine od God , trad. Por William Hendriksen (Edimburgo: Banner of Truth, 1977, reimpressão da ed. De 1951), p. 149)
Pode Deus às vezes mudar de idéia? Se, porém, dizer que Deus é imutável nos seus propósitos, surpreenderia a todos de forma intrigada diante de passagens bíblicas em que Deus diz que julgaria o seu povo, mas depois, por causa de orações ou do arrependimento do povo (ou ambas as coisas), acaba-se apiedando e não condena como dissera que o faria (Gênesis 6.6-8; Genesis 19). Entre os exemplos de recuo depois de ameaça de juízo estão a bem-sucedida intervenção de Moisés com oração para evitar a destruição do povo de Israel (Êxodo. 32.9-14), o acréscimo de quinze anos à vida de Ezequias (Isaias. 38.1-6) e o fato de Deus ter voltado atrás na decisão de julgar Nínive, diante do arrependimento do povo (Jonas. 3.4,10) e ainda de ter criado a humanidade (Gênesis 6.6). Não serão casos em que os propósitos de Deus de fato mudaram? Os propósitos de Deus afinal não mudaram nesses casos?
Esses exemplos devem todos ser entendidos como expressões verdadeiras da atitude ou intenção presente de Deus diante da situação que existe naquele momento. Se a situação muda, então é claro que a atitude ou expressão de intenção divina irá também mudar. Isso quer dizer somente que Deus reage de modos diversos a situações diferentes, mediante a mudança do caminho do homem, concernente ao que Deus já projetara para o ser humano. O exemplo da pregação de Jonas: “ainda quarenta dias, e Nínive será subvertida” (Jonas. 3.4). a possibilidade de que Deus sustasse o juízo se o povo se arrependesse não é explicitamente mencionada na proclamação de Jonas registrada nas Escrituras, mas está logicamente implícita na advertência: o propósito da proclamação da advertência é provocar o arrependimento. Uma vez havendo o povo se arrependido, a situação era diferente, e Deus reagiu de modo diverso a essa nova situação: “viu Deus o que fizeram, como se converteram do seu mau caminho; e Deus se arrependeu do mal que tinha dito lhes faria e não fez” (Jonas. 3.10).
De início pode não parecer muito importante afirmar a imutabilidade de Deus. A ideia é tão abstrata que talvez não perceba imediatamente a sua importância. Mas a importância dessa doutrina ficaria mais clara se por um instante pudesse imaginar o que aconteceria se Deus pudesse mudar, (no seu ser, nas suas perfeições, nos seus propósitos ou nas suas promessas), então qualquer mudança seria ou para melhor ou para pior. Mas se Deus mudasse para melhor, então Ele não era o melhor Ser possível digno de confiança. E qual seria a prerrogativa de estar certos de que agora Ele é o melhor ser possível? Mas se Deus pudesse mudar para pior (no seu próprio ser), então que espécie de Deus se tornaria: Por exemplo, será que poderia tornar-se um pouquinho mau, portanto, já não plenamente bom? E se pudesse se tornar um pouquinho mau, como saber que ele não se transformaria num ser bastante mau – ou absolutamente mau? E nada haveria de se fazer, pois ele é muitíssimo mais poderoso do que a sua criatura como num todo. Assim, a ideia de que Deus poderia mudar leva a terrível possibilidade de que daqui a milhares de anos talvez o ser humano viveria para sempre num universo dominado por um Deus absolutamente mau e onipotente. Difícil imaginar parecer mais aterrorizante.
Se Deus não é imutável, então todo o fundamento da fé Cristã começa a desmoronar, e o entendimento do universo cai por terra, porque a fé do cristão professo, a esperança e o conhecimento dependem, em última análise, de uma pessoa infinitamente digna de confiança – pois é absoluta e eternamente imutável no seu ser, nas suas perfeições nos seus propósitos e nas suas promessas, na sua forma de agir e de se relacionar.
O desafio da teologia do processo. A imutabilidade de Deus tem sido negada frequentemente nos últimos anos pelos defensores da teologia do processo, uma posição teológica que afirma que o processo e a mudança são aspectos essenciais da existência genuína, e que, portanto, Deus também deve necessariamente mudar como o tempo, como qualquer outra coisa que existe. De fato, para os pais da teologia do processo (Charles Hartshorne e foram expandidas por John Cobb e David Ray Griffin. Posteriormente, influencia o teísmo aberto, adotado por teólogos como Gregory Boyd, Clark Pinnock e Ricardo Gondim), dizem que Deus continuamente acrescenta a si mesmo todas as experiências que acontecem em qualquer lugar do universo, e por isso Deus está continuamente mudando. O verdadeiro atrativo da teologia do processo vem do fato de que todas as pessoas têm um profundo desejo de significar alguma coisa, de se sentir importantes no universo. Os teólogos do processo têm aversão à doutrina da imutabilidade de Deus porque acham que Ele dá a entender que nada do que possamos fazer realmente importa para Deus. Se Deus é realmente imutável, dirão os teólogos do processo, então nada do que faça o ser humano – de fato, nada do que acontece no universo – chega a afetar de algum modo a Deus, pois ele jamais pode mudar. Então que diferença fazemos? Como é que pode haver algum significado real? Diante disso, os teólogos do processo rejeitam a doutrina da imutabilidade de Deus e dizem que as ações humanas são tão importantes que exercem influência sobre o próprio ser divino! Quando se age, e quando o universo muda, Deus é verdadeiramente afetado, e o ser divino se altera – Deus torna-se algo diferente do que era.
Os defensores da teologia do processo muitas vezes acusam equivocadamente os cristãos evangélicos (ou os próprios autores bíblicos) de crer num Deus que não age no mundo, ou que não pode reagir de modos diversos a situações diferentes. Quando ao juízo de que há necessidade de poder influenciar o próprio ser de Deus para que o homem tenha a devida importância, só resta responder que se trata de uma pressuposição incorreta inserida na discussão, não compatível com as Escrituras. A Bíblia deixa claro que a importância humana vem da última de não ser capaz de mudar o ser divino, mas do fato de que Deus criou o homem para sua glória e que Ele os considera importantes. Só Deus pode dar a verdadeira definição do que é importante ou não no universo, e se Ele os considera importantes.
O outro equívoco fundamental da teologia do processo está em supor que Deus precisa ser mutável como o universo que criou. É exatamente isso que as Escrituras negam explicitamente: “no princípio, Senhor, lançaste os fundamentos da terra, e os céus são obra das tuas mãos; eles perecerão; Tu, porém, permaneces; sim, todos eles envelhecerão qual veste […] como vestes, serão igualmente mudados; tu porém, és o mesmo, e os teus anos jamais terão fim” (Hebreus. 1.10-12, citando Salmos 102.25.27).
No ensinamento da Bíblia, Deus é ao mesmo tempo infinito e pessoal: Ele é infinito porque não está sujeito a nenhuma das limitações da humanidade, ou da criação em geral. É bem maior do que qualquer coisa que tenha feito, bem maior do que qualquer coisa que exista. Mas é também pessoal: relaciona-se com o ser humano como uma pessoa, e o mesmo pode se relacionar com Ele como pessoa, assim pode-se orar a Ele, adorá-lo, obedecer-lhe e amá-lo, e Ele pode falar com a sua criação, alegrar-se com ela e o amar.
Dizer que se Deus é infinito, não pode ser pessoal; ou então que se Deus é pessoal, não pode ser infinito. A bíblia ensina que Deus é ao mesmo temo infinito e pessoal (Malaquias 3.6), (ou ilimitado) com respeito à mudança que ocorre no universo (nada mudará o ser, as perfeições, os propósitos ou as promessas de Deus), que Deus é também pessoal e que se relaciona pessoalmente com o homem ou mulher, considerando-os preciosos.
A IMPORTÂNCIA DA ETERNIDADE DE DEUS
Deus é eterno no seu próprio ser – O fato de Deus não ter princípio nem fim está explícito em Salmos 90.2: “Antes que os montes nascessem e se formassem a terra e o mundo, de eternidade a eternidade, tu és Deus”. Do mesmo modo, em Jó 36.26, Eliú diz sobre Deus: “… o número dos seus anos não se pode calcular”.
O fato de Deus jamais ter começado a existir pode também ser deduzido da verdade de que Deus criou todas as coisas e de que Ele é um Espírito imaterial. Antes que Deus fizesse o universo, não havia matéria, mas então Ele criou todas as coisas (Gn. 1.1; Jo. 1.3; I Co. 8.6; Cl. 1.16; Hb. 1.2). O estudo da física diz que a matéria, o tempo e o espaço precisam ocorrer ao mesmo tempo: se não há matéria, não pode haver nem espaço nem tempo. Assim, antes que Deus criasse o universo, não havia “tempo”, pelo menos não no sentido de uma sucessão de momentos. Portanto, quando Deus criou o universo, também criou o tempo. Quando Deus começou a criar o universo, o tempo começou, e começou a haver uma sucessão de momentos e acontecimentos encadeados. Mas antes de haver um universo, e antes de haver tempo, Deus sempre existiu, sem princípio e sem ser influenciado pelo tempo. E o tempo, portanto, não tem existência por si mesmo, mas, como o resto da criação, depende do eterno Ser Divino e do eterno poder Divino para continuar existindo.
Combinados, as passagens bíblicas mencionadas e o fato de que Deus sempre existiu antes que houvesse tempo afirmam que o próprio Ser Divino não tem uma sucessão de momentos nem nenhum progresso de um estado de existência a outro. Para Deus, toda a sua existência é sempre, de algum modo, “presente”, embora reconhecidamente essa ideia seja de difícil compreensão para o ser humano, pois é uma espécie de existência diferente daquela que se vivencia.
DEUS PERCEBE TODO O TEMPO COM IGUAL REALISMO
Em Salmos 90.4: “pois mil anos, aos teus olhos, são como o dia de ontem que se foi e como a vigília da noite”. O ser humano por mais que seja centrado e de boa memória seria ineficaz em lembrar coisas com precisão com mais tempo passado. Mas aqui as Escrituras dizem que Deus percebe mil anos “como o dia de ontem”. Ele consegue se lembrar detalhadamente de todos os acontecimentos de mil anos atrás com clareza pelo menos tão nítida como quando recordamos os eventos de “ontem”. Tal período de tempo passava rápido e todos os acontecimentos eram facilmente relembrados.
Deus vê e conhece todos os eventos passados, presentes e futuros com igual realismo. Isso não deve fazer pensar que Deus não vê os eventos no tempo nem age no tempo, Ele é Dono do espaço e do tempo; mas justamente o contrário: Deus é o Senhor e Soberano eterno da história, vendo-a com mais clareza e nela agindo mais decisivamente do que qualquer outro. Ainda assim a bíblia afirma que esses versículos falam da relação de Deus com o tempo de um modo que o humano não experimenta, a experiência divina do tempo não é apenas um paciente suportar de éons de duração infinita; antes, ele tem uma vivência qualitativamente distinta do tempo em comparação com a sua criação. Isso é compatível com a ideia de que no seu próprio ser, Deus é eterno; não experimenta uma sucessão de momentos. Essa tem sido a visão dominante da ortodoxia cristã ao longo da história da igreja, embora tenha sido muitas vezes desafiada, e mesmo hoje muitos teólogos a neguem.
Deus pode ver todos os eventos no tempo com igual realismo, e mesmo assim pode também ver os eventos no tempo e agir no tempo.
Deus conhece todos os eventos do futuro, mesmo o futuro eterno infinitamente distante. Com respeito ao futuro, Deus frequentemente afirma por meio dos profetas do Antigo Testamento que só Ele conhece e pode anunciar acontecimentos futuros. “Quem fez ouvir isto desde a antiguidade? Quem desde aquele tempo o anunciou? Porventura, não o fiz eu, o Senhor? Pois não há outro Deus, senão Eu, Deus justo e Salvador não há além de mim” (Isaías 45.21). Do mesmo modo, no livro de Isaías, se lê: Que eu sou Deus, e não há outro, eu sou Deus, e não há outro semelhante a mim, que desde o princípio anuncio o que há de acontecer e desde a antiguidade, as coisas que ainda não sucederam; que digo: o meu conselho permanecerá de pé, farei toda a minha vontade (Isaías. 46.9-10).
Assim, Deus de algum modo permanece acima do tempo e é capaz de vê-lo todo como presente na sua consciência. Num breve intervalo, coisas que aconteceram durante um longo período parecem estar “presentes” na mente humana. Talvez isso seja uma analogia deficiente da experiência divina de ter toda a história igualmente presente na sua consciência.
DEUS PERCEBE OS ACONTECIMENTOS NO TEMPO E AGE NO TEMPO
Todavia, para evitar uma compreensão equivocada é preciso completar a definição da eternidade de Deus: “…Ele, porém, percebe os acontecimentos no tempo e age no tempo”. Paulo escreve: “vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei” (Gálatas. 4.4-5). Deus observava nitidamente e sabia exatamente o que acontecia com os eventos da sua criação enquanto se desenrolavam no tempo. Assim se diz que Deus observava o avanço do tempo à medida que os vários acontecimentos ocorriam na sua criação. Então, no momento certo, “vindo […] a plenitude do tempo”, Deus enviou Seu Filho ao mundo.
É evidente em toda a Bíblia que Deus age dentro do tempo, e age de modos diversos em diferentes momentos do tempo. Por exemplo, Paulo diz aos homens de Atenas: “Ora, não levou Deus em conta os tempos da ignorância; agora, porém, notifica aos homens que todos, em toda parte, se arrependam; porquanto estabeleceu um dia em que há de julgar o mundo com justiça, por meio de um varão que destinou…” (Atos 17.30-31). Essa afirmação inclui uma descrição de um modo anterior segundo o qual Deus agia, do seu modo presente de agir e de uma atividade futura que ele executará, tudo no tempo.
De fato, a repetida ênfase na capacidade divina de predizer o futuro, vista nos profetas do Antigo Testamento, exige que o homem, a criação perceba que Deus prediz as suas ações num ponto do tempo e depois realiza as suas ações num ponto posterior do tempo. E, numa escala mais ampla, toda a Bíblia, de Gênesis a Apocalipse, é o próprio registro divino do modo como Ele agiu ao longo do tempo para levar a redenção até seu povo.
Deus não tem sucessão de momentos no seu próprio ser e percebe toda a história com igual realismo, quanto que na sua criação ele percebe o avanço dos acontecimentos no tempo e age de modos diversos em momentos diferentes do tempo; Ele é o Senhor que criou o tempo e que o rege e o utiliza para seus próprios fins. Deus pode agir no tempo porque é o Senhor do tempo. Ele o utiliza para exibir a sua glória. De fato, Deus se deleita em cumprir as suas promessas e realizar as suas obras de redenção ao longo de um período de tempo para que possamos mais profundamente perceber e apreciar a sua grande sabedoria, a sua paciência, a sua fidelidade, a sua soberania sobre todos os acontecimentos e mesmo a sua imutabilidade e eternidade.
SEMPRE SE EXISTIRÁ NO TEMPO
Será que algum dia o ser humano participará da eternidade de Deus? Especificamente, no novo céu e na nova terra que hão de vir, será que o tempo ainda existirá? “A cidade não precisa nem do sol, nem da lua, para lhe darem claridade, pois a glória de Deus a iluminou, e o cordeiro é a sua lâmpada […] porque, nela, não haverá noite” (Apocalipse 21.23, 25; cf. 22.5).
No entanto, não é verdade dizer que o céu será “intemporal” ou alheio à presença do tempo ou à passagem do tempo. Antes, como criaturas finitas, necessariamente o humano há de experimentar os acontecimentos uns após os outros. Mesmo a passagem que fala sobre a inexistência da noite no céu também menciona o fato de que os reis da terra levarão à cidade celeste: “a glória e a honra das nações” (Apocalipse 21.26). A respeito da luz da cidade celeste: “As nações andarão mediante a sua luz” (Apocalipse 21.24). Essas atividades de levar coisas até a cidade celeste e andar mediante a luz da cidade celeste implicam que os acontecimentos vêm uns após os outros. Algo está fora da cidade celeste e, depois, num momento posterior do tempo, essa coisa faz parte da glória e da honra das nações levadas até a cidade celeste. O ato de depositar a coroa diante do trono de Deus (Apocalipse 4.10) exige que num momento a pessoa esteja com a coroa e, num momento posterior, essa coroa seja depositada diante do trono. O ato de entoar um novo cântico de louvor perante Deus no céu exige que uma palavra seja cantada depois da outra. De fato, leia-se que a “árvore da vida” da cidade celeste dá “o seu fruto de mês em mês” (Apocalipse 22.2), o que implica uma passagem regular de tempo e a ocorrência dos eventos no tempo.
Então, já não haverá noite, nem precisam eles de luz de candeia, nem da luz do sol, porque o Senhor Deus brilhará sobre eles, e reinarão pelos séculos dos séculos” (Apocalipse 22.5).
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A Bíblia Sagrada cita: “Vocês me procurarão e me acharão quando me procurarem de todo o coração”. Citando Jeremias capitulo 29 versículo 13; a palavra coração traduzida do Hebraico (Lebab), tem um significado de homem interior, mente, vontade, coração, alma, entendimento, consciência.
O coração é muitas vezes mencionado na Bíblia como sendo o local onde Deus se revela, se mostra ao homem natural e é justamente onde o homem deve guardar seus sentimentos e pensamentos. Nesse lugar de aprendizado (o coração), é onde se deve guardar a revelação de quem é Deus, como Ele age, por quais meio Ele opera, daí a carência de se aprofundar no conhecimento da sua Imutabilidade e sua Infinitude, não é de forma alguma tentar esgotar o conhecimento sobre sua Imutabilidade e sua Infinitude, porém há um grande passo a entendê-las da melhor forma.
Em deuteronômio capítulo quatro e versículo 29 leia-se: “E lá procurarão o Senhor, o seu Deus, e o acharão, se o procurarem de todo o seu coração e de toda a sua alma.”, reforçando que o ser humano deve buscar e procurar o conhecimento d’Aquele que criou todas as coisas (Gn 1.1). bem como o Salmista corrobora nos Salmos 9, verso 10: “Os que conhecem o teu nome confiam em ti, pois tu, Senhor, jamais abandonas os que te buscam.”
Assim há a necessidade de se conhecer a Deus através dos seus atributos revelados ao homem de maneira natural e reveladora por meio da sua Palavra (Bíblia Sagrada) e da experiência pessoal.
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