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Resumo
INTRODUÇÃO
A relação entre educação, sustentabilidade e saúde pública tem sido amplamente discutida na literatura contemporânea, especialmente no que se refere ao papel da escola na formação de cidadãos conscientes sobre questões ambientais. Estudos como os de Cano-Ortiz et al. (2025), Blom e Karrow (2024) e Li e Wu (2019) indicam que a inserção de temas ambientais nos projetos pedagógicos escolares é essencial para promover práticas educativas alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, em especial o ODS 6, que trata do acesso à água potável e saneamento.
A motivação desta pesquisa decorre da constatação de que, em diversos contextos urbanos, o abastecimento de água apresenta deficiências que afetam diretamente a qualidade de vida das populações escolares. A ausência de água potável nas escolas compromete não apenas a saúde dos estudantes, mas também o ambiente de aprendizagem e a efetividade das ações pedagógicas. Nesse cenário, emerge o seguinte problema de pesquisa: de que forma os Projetos Políticos Pedagógicos das escolas públicas municipais contemplam a temática da água, considerando as condições reais de abastecimento e qualidade nos territórios em que estão inseridas?
O objetivo geral é analisar como os Projetos Políticos Pedagógicos abordam o abastecimento de água e sua relação com a qualidade de vida escolar. Especificamente, busca-se: identificar a presença da temática da água nos documentos institucionais; verificar se há articulação entre os desafios locais de abastecimento e a realidade escolar; e investigar se os PPPs promovem reflexões sobre a situação hídrica das comunidades escolares.
A relevância da pesquisa reside na necessidade de integrar dimensões ambientais e sociais ao planejamento pedagógico, fortalecendo o papel da escola como agente de transformação territorial. A metodologia adotada consiste em uma revisão sistemática da literatura, com análise documental de PPPs e estudos científicos que tratam da interseção entre educação, políticas públicas e saneamento básico.
METODOLOGIA
A metodologia adotada nesta pesquisa consiste em uma revisão sistemática da literatura, com enfoque qualitativo e caráter exploratório. O estudo tem como base a análise de documentos institucionais, especificamente os Projetos Políticos Pedagógicos (PPPs) de escolas públicas municipais, selecionados a partir de critérios de acessibilidade e representatividade territorial. A seleção dos PPPs considerou escolas localizadas em áreas com histórico de vulnerabilidade hídrica, visando compreender como a temática da água é incorporada nos planejamentos pedagógicos frente às condições reais de abastecimento.
A etapa de revisão bibliográfica envolveu a consulta a bases de dados científicas nacionais e internacionais, como Scielo, Google Scholar e Web of Science, priorizando publicações dos últimos cinco anos que abordam a relação entre educação, políticas públicas, saneamento básico e qualidade de vida. Foram utilizados descritores como “educação ambiental”, “projeto político pedagógico”, “abastecimento de água” e “escolas públicas”, com o objetivo de identificar estudos que subsidiem a análise crítica dos documentos escolares.
A análise dos dados foi realizada por meio de leitura interpretativa e categorização temática, buscando evidenciar a presença, ausência ou superficialidade da abordagem sobre abastecimento e qualidade da água nos PPPs. Essa análise permitiu identificar padrões discursivos, lacunas conceituais e possíveis articulações entre os documentos pedagógicos e a realidade socioambiental das comunidades escolares. A triangulação entre literatura científica e documentos institucionais contribuiu para ampliar a compreensão sobre o papel da escola na promoção da saúde e da sustentabilidade em contextos de vulnerabilidade hídrica.
ANÁLISE DOS RESULTADOS
A análise dos dados obtidos por meio da revisão sistemática da literatura e da leitura interpretativa dos Projetos Políticos Pedagógicos (PPPs) permitiu identificar padrões discursivos, lacunas conceituais e limitações estruturais na abordagem da temática da água no contexto escolar. Os resultados foram organizados com base nos objetivos específicos da pesquisa, permitindo uma leitura articulada entre os documentos institucionais e os desafios reais enfrentados pelas escolas públicas em relação ao abastecimento e à qualidade da água.
A investigação revelou que, embora a água seja reconhecida como elemento essencial à vida e à educação, sua presença nos PPPs é marcada por superficialidade e desarticulação com a realidade territorial. A ausência de diagnósticos locais, de estratégias pedagógicas contextualizadas e de reflexões críticas sobre a infraestrutura hídrica escolar compromete o papel dos PPPs como instrumentos de planejamento e transformação social.
Nos tópicos a seguir, são apresentados os principais achados da pesquisa, organizados em três eixos: (1) presença da temática da água nos PPPs; (2) articulação entre os documentos pedagógicos e os desafios locais de abastecimento; e (3) reflexões sobre a situação hídrica das escolas e dos bairros adjacentes. Cada eixo é acompanhado de exemplos, quadros analíticos e interpretações que evidenciam a necessidade de revisão crítica dos projetos pedagógicos à luz das condições socioambientais que permeiam o cotidiano escolar.
A análise dos dados obtidos por meio da revisão sistemática da literatura e da leitura interpretativa dos Projetos Políticos Pedagógicos (PPPs) permitiu identificar padrões discursivos, lacunas conceituais e limitações estruturais na abordagem da temática da água no contexto escolar. Os resultados foram organizados com base nos objetivos específicos da pesquisa, permitindo uma leitura articulada entre os documentos institucionais e os desafios reais enfrentados pelas escolas públicas em relação ao abastecimento e à qualidade da água.
A investigação revelou que, embora a água seja reconhecida como elemento essencial à vida e à educação, sua presença nos PPPs é marcada por superficialidade e desarticulação com a realidade territorial. A ausência de diagnósticos locais, de estratégias pedagógicas contextualizadas e de reflexões críticas sobre a infraestrutura hídrica escolar compromete o papel dos PPPs como instrumentos de planejamento e transformação social.
Nos tópicos a seguir, são apresentados os principais achados da pesquisa, organizados em três eixos: (1) presença da temática da água nos PPPs; (2) articulação entre os documentos pedagógicos e os desafios locais de abastecimento; e (3) reflexões sobre a situação hídrica das escolas e dos bairros adjacentes. Cada eixo é acompanhado de exemplos, quadros analíticos e interpretações que evidenciam a necessidade de revisão crítica dos projetos pedagógicos à luz das condições socioambientais que permeiam o cotidiano escolar.
PRESENÇA DA TEMÁTICA DA ÁGUA NOS PROJETOS POLÍTICOS PEDAGÓGICOS (PPPS)
A análise dos Projetos Políticos Pedagógicos (PPPs) das escolas públicas municipais revelou que a temática da água, embora presente em alguns documentos, aparece de forma pontual, superficial e desarticulada das condições reais de infraestrutura e abastecimento enfrentadas pelas instituições. Em grande parte dos casos, a água é mencionada como um recurso natural essencial, geralmente vinculada a ações de educação ambiental genéricas, sem que haja aprofundamento sobre sua relevância no cotidiano escolar ou sobre os impactos da escassez hídrica na qualidade de vida dos estudantes.
Essa constatação está alinhada com os estudos de Oliveira, Calheiro e Spohr (2024), que demonstram como a abordagem da água em contextos educativos tende a se limitar à dimensão conceitual, sem explorar as representações sociais dos sujeitos envolvidos ou as implicações práticas da gestão hídrica nos espaços escolares. Em sua pesquisa com estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA), os autores evidenciam que, embora os alunos reconheçam a importância da água, os projetos pedagógicos não mobilizam esse conhecimento de forma crítica ou interdisciplinar.
Grandisoli et al. (2020) também destacam que a construção de uma cultura de sustentabilidade nas escolas exige mais do que a inclusão simbólica de temas ambientais nos documentos institucionais. Segundo os autores, é necessário que os PPPs incorporem práticas pedagógicas que promovam a corresponsabilidade e o engajamento dos sujeitos com os problemas reais de seus territórios, o que inclui o acesso à água potável e segura como direito fundamental.
A ausência de articulação entre os PPPs e os dados concretos sobre abastecimento é ainda mais preocupante em contextos de vulnerabilidade hídrica. Santos, Oliveira e Silva (2018), ao analisarem a realidade do semiárido nordestino, apontam que a escassez de água nas escolas compromete não apenas a saúde dos estudantes, mas também o processo de ensino-aprendizagem. No entanto, essa dimensão raramente é incorporada aos planejamentos pedagógicos, o que revela uma lacuna entre o discurso institucional e a prática educativa.
Além disso, Puggian e Carvalho (2025), ao discutirem a insegurança hídrica como obstáculo ao direito à educação, reforçam que os PPPs deveriam funcionar como instrumentos de denúncia e transformação, capazes de refletir as condições materiais das escolas e propor ações pedagógicas coerentes com os desafios enfrentados. A invisibilidade da temática da água nos documentos analisados, portanto, não é apenas uma omissão técnica, mas uma expressão da fragilidade das políticas públicas voltadas à integração entre educação e saneamento básico.
Em um dos PPPs examinados, por exemplo, a água é mencionada apenas como “recurso natural essencial”, sem qualquer referência à infraestrutura da escola, à qualidade da água disponível ou às dificuldades de abastecimento enfrentadas pela comunidade escolar. Essa abordagem descontextualizada compromete a função formativa do documento e evidencia a necessidade de revisão crítica dos projetos pedagógicos à luz das realidades socioambientais locais.
A literatura científica corrobora essa análise. Bárta et al. (2021), ao realizarem uma revisão integrativa sobre a qualidade da água para consumo humano no Brasil, alertam para os riscos à saúde decorrentes da ausência de padrões adequados de potabilidade, especialmente em instituições públicas. A falta de menção a esses aspectos nos PPPs reforça a desconexão entre os documentos pedagógicos e os indicadores de saúde pública.
Dessa forma, os resultados indicam que, embora a temática da água esteja presente em alguns PPPs, sua abordagem é limitada, genérica e insuficiente para promover uma educação ambiental crítica e transformadora. A ausência de articulação com os dados locais de abastecimento e com os direitos socioambientais dos estudantes compromete o potencial dos PPPs como instrumentos de planejamento pedagógico e de intervenção social.
ARTICULAÇÃO ENTRE OS DESAFIOS LOCAIS DE ABASTECIMENTO E OS PPPS
A análise dos Projetos Políticos Pedagógicos (PPPs) evidenciou uma desconexão estrutural entre os documentos institucionais e os desafios concretos de abastecimento de água enfrentados pelas comunidades escolares. Mesmo em contextos marcados por escassez hídrica, intermitência no fornecimento ou ausência de rede pública, os PPPs não apresentam diagnósticos situados, tampouco estratégias pedagógicas que considerem essa vulnerabilidade como elemento formativo.
Essa lacuna revela uma fragilidade na função dos PPPs como instrumentos de planejamento contextualizado, conforme discutido por Puggian e Carvalho (2025), que defendem a incorporação das condições materiais das escolas nos documentos pedagógicos como forma de garantir o direito à educação em sua plenitude. A invisibilidade da realidade hídrica nos PPPs compromete a capacidade das escolas de promover ações educativas coerentes com os desafios socioambientais do território.
O Quadro 1 sintetiza os dados obtidos a partir da análise documental de três escolas públicas municipais, evidenciando a ausência de articulação entre os problemas de abastecimento e os conteúdos dos PPPs:
Quadro 1 – Articulação entre realidade hídrica e PPPs

Fonte: Elaboração própria com base em análise documental (2025).
A leitura do Quadro 1 permite observar que, mesmo diante de situações críticas de abastecimento, como a ausência de rede pública ou fornecimento intermitente, os PPPs não incorporam essas informações em seus diagnósticos institucionais. Apenas uma escola (Escola B) apresentou menção à escassez de água, ainda que de forma genérica, sem desdobramentos pedagógicos consistentes. Essa abordagem limitada reforça o que Ampolini, Winckler e Renk (2024) apontam em sua análise sobre os desafios da gestão hídrica no Brasil: a falta de integração entre políticas públicas e práticas locais compromete a efetividade das ações voltadas à sustentabilidade e ao cumprimento da Agenda 2030.
Além disso, os estudos de Santos, Oliveira e Silva (2018) sobre vulnerabilidade hídrica no semiárido brasileiro destacam que a ausência de água nas escolas afeta diretamente a permanência dos estudantes, a saúde coletiva e o desempenho escolar. No entanto, essa dimensão raramente é considerada nos PPPs, que permanecem distantes das realidades concretas das comunidades escolares.
A desconexão entre os documentos pedagógicos e os desafios locais também é evidenciada por Bárta et al. (2021), que alertam para os riscos à saúde decorrentes da baixa qualidade da água consumida em instituições públicas. A falta de menção a esses riscos nos PPPs analisados reforça a negligência institucional frente a um problema que ultrapassa a dimensão ambiental e se insere no campo dos direitos humanos.
Dessa forma, os resultados indicam que os PPPs, em sua maioria, não cumprem o papel de refletir criticamente sobre as condições de abastecimento de água nas escolas, tampouco propõem ações pedagógicas que articulem educação, saúde e sustentabilidade. A ausência de estratégias educativas voltadas à realidade hídrica local compromete a função social da escola e evidencia a necessidade de revisão dos documentos institucionais à luz dos princípios da educação ambiental crítica e da justiça socioambiental.
REFLEXÕES SOBRE A SITUAÇÃO HÍDRICA DAS ESCOLAS E DOS BAIRROS ADJACENTES
A análise dos Projetos Políticos Pedagógicos (PPPs) revelou uma ausência quase total de reflexões críticas sobre a situação hídrica das escolas e dos bairros em que estão inseridas. Embora a água seja reconhecida como um recurso essencial à vida e à aprendizagem, os documentos institucionais não estabelecem conexões entre a infraestrutura escolar, a qualidade da água disponível e os impactos sobre a saúde e o desempenho dos estudantes. Essa lacuna compromete a função dos PPPs como instrumentos de planejamento territorial e de promoção da justiça socioambiental.
Segundo Bárta et al. (2021), a qualidade da água para consumo humano nas instituições públicas brasileiras apresenta riscos significativos à saúde, especialmente em regiões com baixa cobertura de saneamento. A ausência de qualquer menção a esses riscos nos PPPs analisados reforça a desconexão entre os documentos pedagógicos e os indicadores de saúde pública. Essa negligência é ainda mais grave quando se considera que a água contaminada pode ser vetor de doenças como diarreia, hepatite A e esquistossomose, afetando diretamente a frequência escolar e o rendimento dos alunos.
Ampolini, Winckler e Renk (2024) destacam que a gestão de recursos hídricos no Brasil enfrenta desafios estruturais, e que a integração entre políticas públicas e práticas educativas é fundamental para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, especialmente o ODS 6. No entanto, os PPPs não incorporam essa perspectiva, limitando-se a abordagens genéricas sobre meio ambiente, sem considerar os dados locais de abastecimento, qualidade da água ou vulnerabilidade sanitária.
A literatura internacional também reforça a importância da educação como ferramenta para enfrentar os desafios hídricos. Garcia-Chevesich et al. (2023), em estudo sobre educação hídrica infantil nas Américas, apontam que programas escolares que envolvem os estudantes na compreensão da realidade hídrica de seus territórios promovem maior engajamento e consciência crítica. No entanto, essa abordagem participativa está ausente nos PPPs analisados, que não promovem o protagonismo estudantil nem articulam ações com a comunidade local.
O estudo de Cimene e Otterpohl (2024), ao discutir o papel da educação na implementação do ODS 6, reforça que a formação docente e a inclusão de conteúdos específicos sobre água e saneamento são essenciais para transformar a escola em agente de mudança. A ausência dessas dimensões nos PPPs compromete a capacidade das instituições de ensino de atuar frente aos desafios ambientais e sociais que afetam diretamente seus estudantes.
Em síntese, os resultados indicam que os PPPs não promovem reflexões sobre a situação hídrica das escolas e dos bairros adjacentes, ignorando dados epidemiológicos, indicadores de infraestrutura e demandas da comunidade escolar. Essa omissão compromete a efetividade das ações pedagógicas e reforça a necessidade de revisão crítica dos documentos institucionais, com vistas à construção de uma educação ambiental territorializada, comprometida com a saúde pública e a equidade socioambiental.
DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
Os resultados obtidos nesta pesquisa revelam uma lacuna significativa na abordagem da temática da água nos Projetos Políticos Pedagógicos (PPPs) das escolas públicas municipais analisadas. Essa ausência de articulação entre os documentos institucionais e os desafios reais de abastecimento hídrico confirma e aprofunda os achados de diversos autores que discutem a interseção entre educação, sustentabilidade e políticas públicas.
A superficialidade com que a água é tratada nos PPPs, geralmente vinculada a projetos genéricos de educação ambiental, está em consonância com o que Oliveira, Calheiro e Spohr (2024) identificaram em sua análise sobre representações sociais da água na Educação de Jovens e Adultos. Os autores apontam que, embora os estudantes reconheçam a importância da água, os projetos pedagógicos não mobilizam esse conhecimento de forma crítica ou interdisciplinar. Essa constatação é reforçada pelos dados desta pesquisa, que mostram que, mesmo em escolas com abastecimento intermitente ou inexistente, os PPPs não incorporam essa realidade em seus planejamentos.
Grandisoli et al. (2020) defendem que a construção de uma cultura de sustentabilidade exige práticas pedagógicas que promovam corresponsabilidade e engajamento com os problemas reais do território. No entanto, os PPPs analisados demonstram uma desconexão entre o discurso ambiental e a prática educativa, o que compromete a função formativa do documento. Essa crítica é compartilhada por Puggian e Carvalho (2025), que argumentam que os PPPs deveriam refletir as condições materiais das escolas e propor ações pedagógicas coerentes com os desafios enfrentados, especialmente em contextos de insegurança hídrica.
A ausência de diagnósticos situados sobre abastecimento e qualidade da água também dialoga com os estudos de Santos, Oliveira e Silva (2018), que analisam a vulnerabilidade hídrica no semiárido nordestino. Os autores destacam que a escassez de água nas escolas afeta diretamente a saúde, a permanência e o desempenho dos estudantes, mas essa dimensão raramente é considerada nos documentos pedagógicos. Os dados desta pesquisa confirmam essa negligência, evidenciando que os PPPs não promovem reflexões críticas sobre a situação hídrica das escolas e dos bairros adjacentes.
Bárta et al. (2021), ao realizarem uma revisão integrativa sobre a qualidade da água para consumo humano no Brasil, alertam para os riscos à saúde decorrentes da ausência de padrões adequados de potabilidade, especialmente em instituições públicas. A falta de menção a esses aspectos nos PPPs analisados reforça a desconexão entre os documentos pedagógicos e os indicadores de saúde pública, comprometendo a efetividade das ações educativas.
Ampolini, Winckler e Renk (2024) discutem os desafios da gestão hídrica no Brasil e defendem a integração entre políticas públicas e práticas educativas como estratégia para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, especialmente o ODS 6. No entanto, os PPPs analisados não incorporam essa perspectiva, limitando-se a abordagens descontextualizadas que não dialogam com os dados locais de abastecimento ou com as demandas da comunidade escolar.
No campo internacional, Blom e Karrow (2024) reforçam que a educação ambiental deve ser integrada à formação docente e aos currículos escolares de forma estruturada e crítica. Cano-Ortiz et al. (2025) complementam essa visão ao destacar que a educação ambiental é ferramenta fundamental para prevenir riscos à saúde decorrentes da ingestão de contaminantes, especialmente em contextos de vulnerabilidade. Os achados desta pesquisa, no entanto, mostram que essa abordagem ainda não se materializa nos PPPs das escolas analisadas.
Por fim, os estudos de Chagas et al. (2024), realizados em escolas públicas da Amazônia, demonstram que ações educativas voltadas à sustentabilidade podem ser efetivas quando articuladas ao território e às práticas pedagógicas. Essa experiência contrasta com os dados desta pesquisa, que revelam a ausência de estratégias educativas voltadas à realidade hídrica local, mesmo em regiões com histórico de escassez e precariedade no abastecimento.
Em síntese, a comparação entre os resultados desta pesquisa e os estudos analisados evidencia uma convergência quanto à necessidade de revisão crítica dos PPPs, com vistas à incorporação da temática da água de forma contextualizada, interdisciplinar e comprometida com a promoção da saúde, da equidade e da sustentabilidade. A ausência de articulação entre os documentos pedagógicos e os desafios locais compromete a função social da escola e reforça a urgência de políticas públicas integradas que reconheçam o papel da educação na transformação territorial.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A análise dos Projetos Políticos Pedagógicos das escolas públicas municipais revelou que a temática da água, embora reconhecida como elemento essencial à vida e à educação, é tratada de forma superficial e desarticulada dos contextos reais de abastecimento enfrentados pelas comunidades escolares. Os documentos institucionais não apresentam diagnósticos situados sobre a infraestrutura hídrica das escolas, tampouco propõem estratégias pedagógicas que considerem os impactos da escassez ou da baixa qualidade da água sobre o cotidiano escolar.
Foi possível identificar que, mesmo em regiões marcadas por vulnerabilidade hídrica, os projetos pedagógicos não incorporam reflexões críticas sobre a situação dos territórios, nem articulam ações educativas voltadas à promoção da saúde, da sustentabilidade ou da justiça socioambiental. A ausência de conexão entre os documentos e os desafios concretos compromete a função dos PPPs como instrumentos de planejamento e transformação, limitando seu alcance formativo e social.
A pesquisa evidenciou a necessidade de revisão dos projetos pedagógicos à luz das condições materiais das escolas e das demandas das comunidades. A inclusão da temática da água de forma contextualizada e interdisciplinar é fundamental para fortalecer a consciência ambiental, promover práticas educativas alinhadas às realidades locais e garantir o direito à educação em ambientes saudáveis e seguros. A escola, como espaço de formação cidadã, deve assumir um papel ativo na construção de respostas pedagógicas aos desafios hídricos que atravessam seus territórios.
A análise dos Projetos Políticos Pedagógicos das escolas públicas municipais revelou que a temática da água, embora reconhecida como elemento essencial à vida e à educação, é tratada de forma superficial e desarticulada dos contextos reais de abastecimento enfrentados pelas comunidades escolares. Os documentos institucionais não apresentam diagnósticos situados sobre a infraestrutura hídrica das escolas, tampouco propõem estratégias pedagógicas que considerem os impactos da escassez ou da baixa qualidade da água sobre o cotidiano escolar.
Foi possível identificar que, mesmo em regiões marcadas por vulnerabilidade hídrica, os projetos pedagógicos não incorporam reflexões críticas sobre a situação dos territórios, nem articulam ações educativas voltadas à promoção da saúde, da sustentabilidade ou da justiça socioambiental. A ausência de conexão entre os documentos e os desafios concretos compromete a função dos PPPs como instrumentos de planejamento e transformação, limitando seu alcance formativo e social.
A pesquisa evidenciou a necessidade de revisão dos projetos pedagógicos à luz das condições materiais das escolas e das demandas das comunidades. A inclusão da temática da água de forma contextualizada e interdisciplinar é fundamental para fortalecer a consciência ambiental, promover práticas educativas alinhadas às realidades locais e garantir o direito à educação em ambientes saudáveis e seguros. A escola, como espaço de formação cidadã, deve assumir um papel ativo na construção de respostas pedagógicas aos desafios hídricos que atravessam seus territórios.
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