A atuação do enfermeiro na identificação e assistência às mulheres vítimas de violência.

THE ROLE OF NURSES IN THE IDENTIFICATION AND CARE OF WOMEN VICTIMS OF VIOLENCE

LA ACTUACIÓN DEL ENFERMERO EN LA IDENTIFICACIÓN Y ASISTENCIA A MUJERES VÍCTIMAS DE VIOLENCIA

Autor

URL do Artigo

https://iiscientific.com/artigos/94960B

DOI

doi.org/10.63391/94960B

Silva, Alecsandro da . A atuação do enfermeiro na identificação e assistência às mulheres vítimas de violência.. International Integralize Scientific. v 5, n 51, Setembro/2025 ISSN/3085-654X

Resumo

Este estudo investigou a atuação do enfermeiro frente à assistência e identificação de violência contra a mulher, considerando os desafios enfrentados e as possibilidades de melhoria no cuidado. O artigo tem como objetivo analisar como a enfermagem contribui na detecção precoce, no acolhimento humanizado, na notificação compulsória e no encaminhamento adequado das vítimas para os serviços especializados. Trata-se de uma pesquisa de natureza bibliográfica, com abordagem qualitativa, desenvolvida por meio de uma revisão integrativa da literatura. Foram pesquisadas bases científicas nacionais e internacionais, como SciELO, LILACS, BVS e PubMed, utilizando descritores relacionados à violência contra a mulher e à enfermagem. Inicialmente, foram identificados 25 artigos, dos quais, após a aplicação dos critérios de exclusão (publicações anteriores a 2022, duplicadas ou que não contemplavam o tema), restaram oito artigos, que compuseram a amostra final. A análise dos dados foi realizada pela técnica de Análise de Conteúdo de Bardin, permitindo a categorização dos achados. Os resultados demonstraram que o enfermeiro desempenha papel estratégico na linha de frente da assistência, especialmente na Atenção Primária, em que o vínculo com a usuária favorece a identificação dos sinais de violência e possibilita intervenções mais efetivas. Também foi constatado que, nos serviços especializados, a enfermagem é essencial tanto no acolhimento clínico quanto na coleta de evidências forenses e na garantia de suporte emocional. Contudo, foram observadas dificuldades significativas, como insegurança dos profissionais diante dos aspectos legais, ausência de protocolos claros e insuficiente capacitação para lidar com situações de violência, o que compromete a integralidade do cuidado. Os achados indicam que a atuação da enfermagem é imprescindível para a redução dos impactos da violência contra a mulher, mas ainda requer maior investimento em formação acadêmica, educação continuada e fortalecimento de políticas públicas. Pesquisas futuras poderão aprofundar a análise de protocolos institucionais e avaliar práticas inovadoras de acolhimento, a fim de promover uma assistência cada vez mais humanizada e resolutiva.
Palavras-chave
violência contra a mulher; enfermagem; atenção primária; assistência humanizada.

Summary

This study investigated nurses’ role in assisting and identifying violence against women, considering the challenges faced and the possibilities for improving care. The article aims to analyze how nursing contributes to early detection, humane reception, mandatory reporting, and appropriate referral of victims to specialized services. This is a bibliographic study with a qualitative approach, developed through an integrative literature review. National and international scientific databases, such as SciELO, LILACS, BVS, and PubMed, were searched using descriptors related to violence against women and nursing. Initially, 25 articles were identified, of which, after applying the exclusion criteria (publications prior to 2022, duplicates, or those not addressing the topic), eight articles remained, comprising the final sample. Data analysis was performed using Bardin’s Content Analysis technique, allowing for categorization of the findings. The results demonstrated that nurses play a strategic role on the front lines of care, especially in Primary Care, where the bond with patients favors the identification of signs of violence and enables more effective interventions. It was also found that, in specialized services, nursing is essential both in clinical reception and in collecting forensic evidence and ensuring emotional support. However, significant challenges were observed, such as professional insecurity regarding legal aspects, a lack of clear protocols, and insufficient training to deal with situations of violence, which compromises the comprehensiveness of care. The findings indicate that nursing work is essential to reducing the impacts of violence against women, but still requires greater investment in academic training, continuing education, and strengthening public policies. Future research could deepen the analysis of institutional protocols and evaluate innovative reception practices to promote increasingly humane and effective care.
Keywords
violence against women; nursing; primary health care; humanized care.

Resumen

Este estudio investigó el rol del personal de enfermería en la asistencia e identificación de la violencia contra la mujer, considerando los desafíos enfrentados y las posibilidades de mejorar la atención. El artículo busca analizar cómo la enfermería contribuye a la detección temprana, la recepción humanitaria, la notificación obligatoria y la derivación adecuada de las víctimas a servicios especializados. Se trata de un estudio bibliográfico con un enfoque cualitativo, desarrollado mediante una revisión integrativa de la literatura. Se realizaron búsquedas en bases de datos científicas nacionales e internacionales, como SciELO, LILACS, BVS y PubMed, utilizando descriptores relacionados con la violencia contra la mujer y la enfermería. Inicialmente, se identificaron 25 artículos, de los cuales, tras aplicar los criterios de exclusión (publicaciones anteriores a 2022, duplicados o que no abordaban el tema), quedaron ocho artículos, que conformaron la muestra final. El análisis de datos se realizó mediante la técnica de Análisis de Contenido de Bardin, lo que permitió la categorización de los hallazgos. Los resultados demostraron que el personal de enfermería desempeña un papel estratégico en la primera línea de atención, especialmente en Atención Primaria, donde el vínculo con los pacientes favorece la identificación de signos de violencia y permite intervenciones más efectivas. También se encontró que, en servicios especializados, la enfermería es esencial tanto en la recepción clínica como en la recolección de evidencia forense y en la garantía del apoyo emocional. Sin embargo, se observaron desafíos significativos, como la inseguridad profesional en cuanto a aspectos legales, la falta de protocolos claros y la capacitación insuficiente para abordar situaciones de violencia, lo que compromete la integralidad de la atención. Los hallazgos indican que la labor de enfermería es esencial para reducir el impacto de la violencia contra la mujer, pero aún requiere mayor inversión en formación académica, educación continua y fortalecimiento de las políticas públicas. Futuras investigaciones podrían profundizar el análisis de los protocolos institucionales y evaluar prácticas innovadoras de recepción para promover una atención cada vez más humana y eficaz.
Palavras-clave
violencia contra la mujer; enfermería; atención primaria; atención humanizada.

INTRODUÇÃO 

A violência contra a mulher constitui um grave problema de saúde pública e de violação dos direitos humanos, manifestando-se em diferentes formas; física, psicológica, sexual, patrimonial e moral. atingindo mulheres de todas as idades, classes sociais e contextos culturais. Segundo a Organização Mundial da Saúde, cerca de 30% das mulheres no mundo já sofreram algum tipo de violência praticada por seus parceiros íntimos (Silva et al., 2023). No Brasil, os índices permanecem alarmantes, com registros crescentes de violência doméstica e sexual, agravados durante a pandemia de COVID-19, o que reforça a necessidade de estratégias de intervenção mais eficazes (SICSU et al., 2024).

Nesse cenário, a enfermagem ocupa posição estratégica na linha de frente da identificação, acolhimento e assistência às vítimas. O enfermeiro, por estar em contato direto e contínuo com a população nos serviços de saúde, especialmente na Atenção Primária, desempenha papel fundamental na escuta qualificada, na detecção precoce de sinais de violência, na notificação compulsória e no encaminhamento adequado às redes de apoio e proteção (Silva et al., 2023). A literatura evidencia, entretanto, que muitos profissionais ainda enfrentam dificuldades relacionadas à falta de preparo técnico, insegurança diante dos aspectos legais e ausência de protocolos específicos, o que compromete a integralidade do cuidado (Alves et al., 2024).

O problema central que norteia esta pesquisa é: como o enfermeiro pode atuar de forma efetiva na assistência e identificação de situações de violência contra a mulher, contribuindo para a prevenção, notificação e recuperação integral da vítima? Tal questionamento se torna relevante diante das lacunas identificadas na formação acadêmica e na prática clínica, que muitas vezes resultam em atendimentos fragmentados e pouco resolutivos (Faria; Witzel; Rosa, 2023).

A justificativa deste estudo baseia-se na urgência de fortalecer a capacitação dos enfermeiros para que possam desempenhar suas funções de maneira segura e humanizada, reconhecendo os sinais de violência e oferecendo suporte clínico, psicológico e social. Além de contribuir para a redução dos agravos à saúde das mulheres, a atuação qualificada do enfermeiro pode fomentar a criação de políticas públicas mais eficazes e de protocolos institucionais que garantam acolhimento e dignidade às vítimas (Bezerra et al., 2023).

Dessa forma, o objetivo deste trabalho é analisar a atuação do enfermeiro frente à assistência e identificação de violência contra a mulher, considerando os desafios enfrentados, as estratégias adotadas e as perspectivas de melhoria no cuidado.

Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa de natureza bibliográfica, com abordagem qualitativa, realizada a partir de revisão integrativa de artigos publicados em bases científicas nacionais e internacionais, que discutem o papel do enfermeiro na atenção às mulheres em situação de violência. A análise será conduzida à luz de referenciais teóricos da saúde coletiva, do cuidado de enfermagem e dos direitos humanos.

Por fim, este trabalho discutirá, ao longo de seus capítulos, a contextualização da violência contra a mulher, a responsabilidade legal e ética do enfermeiro, as práticas de assistência na Atenção Básica e nos serviços especializados, além dos desafios e possibilidades para uma atuação mais efetiva no enfrentamento dessa realidade.

REFERENCIAL TEÓRICO

A VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER COMO PROBLEMA DE SAÚDE PÚBLICA

A violência contra a mulher é um fenômeno social complexo e multifatorial, que se manifesta em diferentes esferas, doméstica, comunitária, institucional e estrutural  e tem impactos diretos na saúde física, psicológica e social das vítimas. A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera esse fenômeno uma grave violação dos direitos humanos, sendo responsável por elevados índices de morbidade e mortalidade feminina em todo o mundo (Silva et al., 2023).

No Brasil, dados recentes demonstram que cerca de uma em cada cinco mulheres já sofreu violência doméstica, e milhões foram espancadas ao menos uma vez em suas vidas, muitas sem acesso a atendimento adequado ou sem realizar denúncia (SICSU et al., 2024). Essa realidade evidencia a dimensão do problema e a necessidade de políticas públicas integradas, voltadas para a prevenção, identificação e enfrentamento do fenômeno.

A literatura aponta que os impactos da violência contra a mulher vão além dos danos físicos, atingindo diretamente a saúde mental e a qualidade de vida, uma vez que a exposição contínua a agressões gera quadros de ansiedade, depressão, baixa autoestima e dificuldades de inserção social (Silva et al., 2022). Portanto, reconhecer a violência como problema de saúde pública é condição essencial para a atuação efetiva da enfermagem na proteção e no cuidado das vítimas.

A RESPONSABILIDADE LEGAL E ÉTICA DO ENFERMEIRO NA IDENTIFICAÇÃO E ASSISTÊNCIA

O papel do enfermeiro frente às situações de violência contra a mulher não se restringe à prestação de cuidados imediatos. Ele engloba também responsabilidades legais, éticas e sociais, uma vez que a profissão se fundamenta em princípios de integralidade, acolhimento e defesa da vida. No Brasil, a Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006) e a Política Nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres determinam que os profissionais de saúde, incluindo enfermeiros, devem identificar, notificar e encaminhar os casos às autoridades competentes (Silva et. al., 2023).

A notificação compulsória, prevista pelo Ministério da Saúde, é uma das ferramentas mais importantes na construção de dados epidemiológicos sobre violência, permitindo o planejamento de ações preventivas e o fortalecimento das redes de apoio. Entretanto, estudos mostram que muitos enfermeiros ainda têm dificuldades em realizar a notificação, seja por insegurança, falta de conhecimento sobre os protocolos, ou receio de envolvimento em processos legais (Alves., 2024).

Além da responsabilidade legal, a dimensão ética da profissão exige que o enfermeiro ofereça atendimento humanizado, respeitando os direitos e a autonomia da paciente. Isso inclui o sigilo profissional, o acolhimento sem julgamentos e a criação de um ambiente seguro para que a mulher sinta confiança em relatar a violência sofrida (Faria; Witzel; Rosa, 2023).

A PRÁTICA DA ENFERMAGEM NA ATENÇÃO BÁSICA E NOS SERVIÇOS ESPECIALIZADOS

A enfermagem desempenha papel central na Atenção Primária à Saúde (APS), considerada a porta de entrada preferencial para mulheres em situação de violência. Nessa esfera, o enfermeiro tem condições de estabelecer vínculo com a usuária, identificar sinais de agressão por meio da escuta qualificada, notificar os casos e realizar os devidos encaminhamentos (Silva et al., 2023). O trabalho em rede, articulado com equipes multiprofissionais e instituições de apoio, potencializa a resolutividade dos atendimentos.

Nos serviços especializados, como centros de referência e hospitais, o enfermeiro atua na assistência imediata às vítimas de violência física e sexual, garantindo medidas de proteção, coleta de evidências forenses, suporte emocional e encaminhamentos para acompanhamento psicológico e jurídico (SICSU et al., 2024). 

A literatura evidencia, contudo, que ainda há lacunas na formação profissional, sendo necessária a ampliação de programas de capacitação e protocolos institucionais para padronizar condutas e assegurar a integralidade do cuidado (Bezerra et al., 2023).

Assim, tanto na atenção básica quanto nos serviços especializados, a atuação do enfermeiro é decisiva para romper o ciclo de violência, promover o empoderamento feminino e contribuir para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

METODOLOGIA 

Este estudo caracteriza-se como uma pesquisa qualitativa, de caráter exploratório e descritivo, fundamentada em uma revisão bibliográfica integrativa da literatura. Essa abordagem foi escolhida por possibilitar a análise de diferentes estudos científicos sobre a atuação do enfermeiro frente à assistência e identificação de violência contra a mulher, permitindo a construção de um panorama crítico sobre o tema.

PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

O levantamento bibliográfico foi realizado em bases científicas nacionais e internacionais, como SciELO, LILACS, BVS e PubMed, utilizando os descritores “violência contra a mulher”, “enfermagem” e “assistência de enfermagem”. A busca resultou em 25 artigos, dos quais foram aplicados critérios de inclusão e exclusão para refinar o material analisado.

Os critérios de inclusão adotados foram: artigos completos, disponíveis gratuitamente, publicados em português, inglês ou espanhol, que abordassem diretamente a atuação do enfermeiro frente à violência contra a mulher. Foram desconsiderados, artigos publicados antes de 2022, duplicados ou que não respondiam ao objetivo da pesquisa. Após a aplicação desses critérios, foram selecionados oito artigos para compor a amostra final.

INSTRUMENTOS DE COLETA DE DADOS

A coleta dos dados foi realizada por meio de análise documental, considerando o conteúdo dos artigos selecionados, seus objetivos, resultados e conclusões.

POPULAÇÃO E AMOSTRA

A população inicial foi composta por 25 artigos encontrados nas bases consultadas. A amostra final, definida a partir de amostragem intencional, correspondeu a oito artigos que atenderam aos critérios de inclusão estabelecidos.

PROCEDIMENTOS DE ANÁLISE DOS DADOS

Os dados foram analisados por meio da técnica de Análise de Conteúdo proposta por Bardin (2016), permitindo identificar categorias temáticas relacionadas ao papel do enfermeiro na identificação, acolhimento, notificação e assistência às mulheres vítimas de violência. A análise buscou sistematizar os achados, comparando-os e discutindo-os à luz dos referenciais teóricos e legais pertinentes.

RESULTADOS E DISCUSSÃO 

APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS

A revisão da literatura permitiu selecionar oito artigos publicados a partir de 2022 que discutem a atuação do enfermeiro frente à violência contra a mulher em diferentes contextos: violência doméstica, sexual, obstétrica e de gênero. Os dados indicaram que a enfermagem tem papel central tanto na identificação precoce dos casos quanto no acolhimento humanizado e encaminhamento adequado das vítimas. No entanto, observou-se que os estudos convergem na constatação de que os profissionais ainda enfrentam dificuldades relacionadas à falta de capacitação, ausência de protocolos claros e insegurança quanto às questões legais.

ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO

Alves et al. (2024) ressaltaram que a violência doméstica compromete não apenas a saúde física da mulher, mas também sua saúde mental, destacando a necessidade de o enfermeiro adotar condutas pautadas no respeito, acolhimento e segurança. De forma semelhante, Silva et al. (2023) identificaram que, na atenção primária, a escuta ativa e o vínculo com a usuária são elementos fundamentais para aumentar a resolutividade dos casos, embora os profissionais ainda relatem barreiras para realizar notificações e encaminhamentos adequados.

No âmbito da violência sexual, SICSU et al. (2024) apontaram que a enfermagem não apenas presta os primeiros cuidados, mas também desempenha função essencial na coleta de evidências forenses e no apoio emocional às vítimas, exigindo preparo técnico e psicológico adequado. Faria, Witzel e Rosa (2023) reforçam que a capacitação contínua é imprescindível para que o enfermeiro ofereça informações sobre direitos, tratamento e evolução clínica às mulheres vítimas de violência sexual.

A violência obstétrica também se apresentou como uma dimensão relevante. Zecca e Polido (2022) destacaram que práticas intervencionistas desnecessárias, como cesarianas em excesso, ainda desumanizam o parto no Brasil, sendo a enfermagem um dos principais instrumentos de mudança nesse cenário, a partir da humanização da assistência.

Outro aspecto discutido foi a repercussão da violência de gênero na qualidade de vida das próprias profissionais de enfermagem. Silva et al. (2022) evidenciaram que estudantes de enfermagem vítimas de violência de gênero apresentaram índices reduzidos de bem-estar psicológico e ambiental, o que compromete sua atuação e reforça a necessidade de políticas institucionais de proteção.

RESULTADOS

As dificuldades relatadas pelos profissionais podem ser explicadas por fatores como falta de preparo acadêmico para lidar com casos de violência, ausência de protocolos institucionais unificados, além do estigma social que ainda envolve as vítimas (Bezerra et al., 2023). Esses elementos contribuem para a subnotificação dos casos e para a manutenção do ciclo de violência.

LIMITAÇÕES E SUGESTÕES PARA PESQUISAS FUTURAS

Entre as limitações identificadas está o número restrito de artigos recentes disponíveis sobre a temática, o que sugere uma lacuna na produção científica. Além disso, a maioria dos estudos tem caráter descritivo ou de revisão, carecendo de pesquisas de campo que analisem práticas efetivas em diferentes realidades de saúde. Sugere-se que investigações futuras aprofundem a análise da eficácia dos protocolos existentes, além de avaliar programas de capacitação voltados especificamente ao enfermeiro na identificação e notificação de casos de violência contra a mulher.

CONSIDERAÇÕES FINAIS 

Este estudo teve como objetivo analisar a atuação do enfermeiro frente à assistência e identificação de violência contra a mulher, considerando os desafios, as estratégias e as perspectivas de melhoria no cuidado.

Os resultados indicaram que a enfermagem possui papel central na identificação precoce, no acolhimento humanizado e na notificação compulsória dos casos de violência. Constatou-se, ainda, que os enfermeiros atuam de forma decisiva tanto na atenção primária quanto em serviços especializados, sendo responsáveis por prestar cuidados clínicos, realizar encaminhamentos adequados, coletar evidências forenses e oferecer suporte emocional às vítimas. Entretanto, verificou-se que a prática profissional ainda enfrenta obstáculos como a ausência de capacitação específica, insegurança diante dos aspectos legais e a falta de protocolos institucionais, fatores que contribuem para a subnotificação e fragilidade da rede de proteção.

A relevância deste estudo está na contribuição para o campo da saúde coletiva e da enfermagem, ao evidenciar a necessidade de fortalecimento da formação acadêmica e da educação continuada dos profissionais. Além disso, os achados apontam para a importância de inserir o tema da violência de gênero de maneira mais efetiva nas políticas públicas de saúde, de modo a ampliar a resolutividade e a integralidade do cuidado prestado às mulheres em situação de violência.

Como limitação, o estudo foi restrito a apenas oito artigos recentes, selecionados dentro de critérios específicos. Esse recorte reduzido pode não contemplar toda a complexidade do fenômeno da violência contra a mulher em diferentes contextos sociais e culturais, o que reforça a necessidade de investigações complementares.

Pesquisas futuras poderão explorar, de forma mais aprofundada, a eficácia de protocolos institucionais já existentes, além de analisar práticas inovadoras de acolhimento e capacitação profissional. Também se sugere a realização de estudos de campo que envolvam a perspectiva de enfermeiros atuantes em diferentes cenários de cuidado, a fim de subsidiar políticas mais assertivas e práticas mais humanizadas.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 

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Silva, Alecsandro da . A atuação do enfermeiro na identificação e assistência às mulheres vítimas de violência..International Integralize Scientific. v 5, n 51, Setembro/2025 ISSN/3085-654X

Referencias

Vivian Caroline Coraucci.
BAILEY, C. J.; LEE, J. H.
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v. 67
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p. 1208-1216,
2021.
Disponível em: https://academic.oup.com/cid/article/67/7/1208/6141108.
Acesso em: 2024-09-03.

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A atuação do enfermeiro na identificação e assistência às mulheres vítimas de violência.

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