Entre saberes locais e políticas públicas: As múltiplas faces do desenvolvimento rural em Anta Gorda-RS

BETWEEN LOCAL KNOWLEDGE AND PUBLIC POLICIES: THE MULTIPLE FACES OF RURAL DEVELOPMENT IN ANTA GORDA-RS

ENTRE EL CONOCIMIENTO LOCAL Y LAS POLÍTICAS PÚBLICAS: LAS MÚLTIPLES CARAS DEL DESARROLLO RURAL EN ANTA GORDA-RS

Autor

URL do Artigo

https://iiscientific.com/artigos/96B892

DOI

doi.org/10.63391/96B892

Polese, Felipe Oneda. Entre saberes locais e políticas públicas: As múltiplas faces do desenvolvimento rural em Anta Gorda-RS. International Integralize Scientific. v 5, n 49, Julho/2025 ISSN/3085-654X

Resumo

O debate sobre o desenvolvimento rural brasileiro tem enfatizado a importância da agricultura familiar, da valorização cultural e da cooperação comunitária como eixos estruturantes de territórios sustentáveis. Neste contexto, o município de Anta Gorda, localizado no Vale do Taquari (RS), destaca-se por integrar práticas produtivas tradicionais com inovação institucional, protagonismo local e diversidade econômica. Este artigo tem como objetivo analisar as virtudes de Anta Gorda para o campo, abordando cinco dimensões interdependentes: base produtiva, organização social, patrimônio cultural, atuação institucional e políticas públicas locais. A metodologia adotada foi a pesquisa bibliográfica com abordagem qualitativa, fundamentada em fontes acadêmicas e dados oficiais do IBGE, EMATER-RS e periódicos científicos. Os resultados apontam que a agricultura familiar é predominante no município e se organiza em torno de agroindústrias artesanais, cadeias curtas de comercialização e práticas de preservação cultural. A atuação de cooperativas e da extensão rural pública fortalece a autonomia produtiva e favorece o acesso a mercados institucionais. Além disso, o patrimônio imaterial — como a culinária típica, os saberes transmitidos entre gerações e o turismo rural — contribui para o enraizamento territorial e a coesão social. Conclui-se que a experiência de Anta Gorda oferece uma referência concreta de desenvolvimento rural sustentável, construído com base no protagonismo das comunidades, na valorização das identidades locais e na integração entre tradição e inovação.
Palavras-chave
desenvolvimento rural; agricultura familiar; identidade cultural; cooperação; sustentabilidade.

Summary

The debate on rural development in Brazil has highlighted the importance of family farming, cultural heritage, and community cooperation as structural axes of sustainable territories. In this context, the municipality of Anta Gorda, located in the Vale do Taquari (RS), stands out for its ability to integrate traditional productive practices with institutional innovation, local protagonism, and economic diversity. This article aims to analyze Anta Gorda’s contributions to rural development by addressing five interdependent dimensions: productive base, social organization, cultural heritage, institutional performance, and local public policies. The methodology employed was bibliographic research with a qualitative approach, based on academic literature and official data from IBGE, EMATER-RS, and peer-reviewed journals. The results indicate that family farming is predominant in the municipality and is organized around artisanal agro-industries, short marketing circuits, and cultural preservation practices. The performance of cooperatives and public rural extension services strengthens productive autonomy and facilitates access to institutional markets. Moreover, intangible heritage — such as traditional cuisine, intergenerational knowledge transmission, and rural tourism — contributes to territorial rootedness and community cohesion. It is concluded that the Anta Gorda experience offers a concrete reference for sustainable rural development, built upon community protagonism, the appreciation of local identities, and the integration between tradition and innovation.
Keywords
rural development; family farming; cultural identity; cooperation; sustainability.

Resumen

El debate sobre el desarrollo rural brasileño ha enfatizado la importancia de la agricultura familiar, la valorización cultural y la cooperación comunitaria como ejes estructurantes de territorios sostenibles. En este contexto, el municipio de Anta Gorda, ubicado en el Vale do Taquari (RS), se destaca por integrar prácticas productivas tradicionales con innovación institucional, protagonismo local y diversidad económica. Este artículo tiene como objetivo analizar las virtudes de Anta Gorda para el campo, abordando cinco dimensiones interdependientes: base productiva, organización social, patrimonio cultural, actuación institucional y políticas públicas locales. La metodología adoptada fue la investigación bibliográfica con enfoque cualitativo, fundamentada en fuentes académicas y datos oficiales del IBGE, EMATER-RS y publicaciones científicas. Los resultados indican que la agricultura familiar es predominante en el municipio y se organiza en torno a agroindustrias artesanales, cadenas cortas de comercialización y prácticas de preservación cultural. La actuación de cooperativas y de la extensión rural pública fortalece la autonomía productiva y favorece el acceso a mercados institucionales. Además, el patrimonio inmaterial —como la culinaria típica, los saberes transmitidos entre generaciones y el turismo rural— contribuye al enraizamiento territorial y la cohesión social. Se concluye que la experiencia de Anta Gorda ofrece una referencia concreta de desarrollo rural sostenible, construido con base en el protagonismo de las comunidades, la valorización de las identidades locales y la integración entre tradición e innovación.
Palavras-clave
desarrollo rural; agricultura familiar; identidad cultural; cooperación; sostenibilidad.

INTRODUÇÃO

O debate sobre o desenvolvimento rural no Brasil tem assumido contornos cada vez mais complexos, sobretudo diante das transformações que atravessam os territórios rurais nas últimas décadas. A emergência de uma “nova ruralidade” — caracterizada pela multifuncionalidade do campo, pela valorização das identidades locais e pela diversificação econômica — desafia os modelos clássicos de análise centrados na lógica produtivista e urbano-cêntrica (Wanderley, 2000). Nesse contexto, torna-se necessário refletir sobre experiências territoriais que expressam alternativas sustentáveis e enraizadas no protagonismo das comunidades rurais.

No estado do Rio Grande do Sul, observa-se uma forte presença da agricultura familiar como elemento estruturante das dinâmicas rurais. Pequenos municípios têm se destacado pela capacidade de integrar produção agropecuária, preservação cultural, organização comunitária e políticas públicas direcionadas. Dentre eles, o município de Anta Gorda, situado no Vale do Taquari, configura-se como exemplo de articulação virtuosa entre tradição e inovação no campo. Com população predominantemente rural e base econômica centrada em atividades agroindustriais familiares, Anta Gorda expressa uma trajetória de desenvolvimento territorial fortemente vinculada à herança da colonização italiana e à cooperação entre atores locais.

A literatura aponta que a compreensão do rural como espaço dinâmico e culturalmente ativo exige abordagens que considerem as múltiplas dimensões da vida no campo (Favareto, 2010; Grisa; Schneider, 2015). Essa perspectiva implica reconhecer que o desenvolvimento rural não se limita à produção de alimentos, mas envolve também a valorização de saberes tradicionais, a coesão comunitária, a permanência das juventudes e a autonomia política das famílias agricultoras. A partir dessa leitura ampliada, o caso de Anta Gorda ganha relevância como objeto de investigação científica.

Este artigo tem como objetivo analisar as contribuições de Anta Gorda para o fortalecimento do desenvolvimento rural sustentável, com foco em cinco eixos interdependentes: a base produtiva, a organização social, o patrimônio cultural, os atores institucionais e as políticas públicas locais. A pesquisa, de natureza bibliográfica e abordagem qualitativa, utiliza fontes acadêmicas, dados oficiais e documentos institucionais para descrever e interpretar as estratégias adotadas no território.

Espera-se que a análise contribua para o debate sobre os caminhos possíveis para o desenvolvimento rural no Brasil, oferecendo subsídios teóricos e práticos para a formulação de políticas públicas, a atuação de entidades de extensão rural e o fortalecimento das economias locais. O estudo também visa evidenciar que experiências de municípios de pequeno porte, muitas vezes invisibilizadas no cenário nacional, podem oferecer soluções replicáveis, inovadoras e socialmente justas para os desafios contemporâneos do campo.

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

DESENVOLVIMENTO RURAL NO CONTEXTO GAÚCHO

A concepção de desenvolvimento rural passou por reformulações importantes nas últimas décadas. Superou-se a visão tradicional, centrada apenas na produção agrícola e no papel secundário do campo frente à urbanização. A nova abordagem reconhece o rural como espaço multifuncional, com dinâmicas sociais, econômicas e culturais próprias (Wanderley, 2000). Essa mudança impacta diretamente o modo como se compreendem os territórios rurais no Brasil, em especial no Rio Grande do Sul, onde predomina a agricultura familiar e o cooperativismo.

Maria Nazareth Baudel Wanderley (2000) defende que o rural deve ser compreendido como ator coletivo. Para a autora, o campo não se limita à produção de alimentos. Ele representa um espaço de convivência, sociabilidade, identidade e resistência cultural. Essa perspectiva amplia o entendimento do desenvolvimento rural, incorporando variáveis sociais, culturais e ambientais ao planejamento territorial.

No estado do Rio Grande do Sul, essa leitura se confirma pela presença de arranjos produtivos locais organizados em torno de comunidades agrícolas. Municípios de pequeno porte desempenham papel estratégico nesse processo. Anta Gorda, por exemplo, articula práticas tradicionais de cultivo com formas cooperativas de comercialização. Essa dinâmica evidencia a integração entre produção, cultura local e sustentabilidade.

Segundo Wanderley e Favareto (2013), a chamada “nova ruralidade” exige políticas públicas diferenciadas. É necessário valorizar saberes locais, formas autônomas de organização e redes territoriais de cooperação. A agricultura familiar, os mercados de proximidade e a agroindústria artesanal são elementos centrais desse novo modelo. O desenvolvimento não pode ser imposto de fora, mas construído com base na realidade dos sujeitos que vivem e trabalham no campo.

A atuação da Emater-RS nesse cenário é emblemática. Trata-se de uma instituição pública de extensão rural que acompanha agricultores familiares, promove capacitações técnicas e estimula práticas sustentáveis. Segundo Lemos (2019), a Emater contribui para a permanência das famílias no campo e para a valorização da identidade produtiva local. Em municípios como Anta Gorda, esse apoio tem sido fundamental para a organização de feiras, agroindústrias e associações de produtores.

A diversidade produtiva também é marca do meio rural gaúcho. Conforme dados do IBGE (2017), o estado possui mais de 300 mil estabelecimentos da agricultura familiar, responsáveis por grande parte da produção de leite, hortaliças, frutas e grãos. Esse modelo de produção, baseado na cooperação e na pluriatividade, favorece a autonomia das comunidades rurais. Além disso, fortalece o vínculo entre produção e cultura.

A noção de território, nesse contexto, é ampliada. Não se refere apenas ao espaço físico de produção, mas ao lugar onde se constroem vínculos sociais, pertencimento e memória coletiva. O território é também espaço simbólico. Nele se manifestam práticas culturais, modos de vida e resistências. Anta Gorda representa um exemplo desse enraizamento territorial. Sua história, marcada pela colonização italiana, reflete-se na produção artesanal, nas festas populares e nas estratégias de cooperação rural.

Segundo Grisa e Schneider (2015), o desenvolvimento rural sustentável deve considerar três dimensões. A primeira é a econômica, que envolve a geração de renda e a segurança alimentar. A segunda é a sociocultural, que valoriza a diversidade e o patrimônio imaterial. A terceira é a ambiental, que exige equilíbrio no uso dos recursos naturais. Quando essas dimensões se articulam, o desenvolvimento torna-se inclusivo e duradouro.

As políticas públicas voltadas ao campo também evoluíram nesse sentido. O programa Territórios da Cidadania, criado em 2008 pelo governo federal, buscou integrar ações sociais, econômicas e ambientais nos municípios rurais. Embora tenha sofrido descontinuidade em anos recentes, seus efeitos ainda são percebidos em regiões como o Vale do Taquari. De acordo com Delgado e Leite (2011), a política territorial contribuiu para fortalecer redes locais, dar visibilidade a práticas inovadoras e estimular o protagonismo das comunidades.

Além das ações estatais, destaca-se a importância da cooperação horizontal. Associações, sindicatos, cooperativas e redes solidárias atuam na promoção do desenvolvimento endógeno. Essa atuação é especialmente visível em municípios de pequeno porte. Em Anta Gorda, cooperativas de produtores desempenham funções econômicas e educativas. Elas facilitam o acesso a mercados, promovem formação técnica e preservam a identidade rural.

No contexto atual, marcado por crises climáticas e instabilidade econômica, o desenvolvimento rural enfrenta novos desafios. É necessário adaptar práticas produtivas às mudanças ambientais, diversificar fontes de renda e garantir acesso a políticas públicas. A resiliência das comunidades depende da capacidade de inovar sem romper com a tradição. Para isso, é essencial investir na juventude rural, na inclusão digital e na valorização do conhecimento local.

A literatura recente reforça esse diagnóstico. Segundo Siebeneichler et al. (2019), o fortalecimento de arranjos produtivos locais é uma estratégia eficaz para promover inclusão socioeconômica. Os autores analisam o APL das agroindústrias familiares do Vale do Taquari e destacam sua contribuição para a geração de trabalho, a agregação de valor e o aumento da autoestima coletiva. Esses elementos contribuem para a coesão social e para o desenvolvimento territorial.

Outro fator relevante é a valorização do patrimônio cultural. As práticas alimentares, os saberes tradicionais e as formas comunitárias de gestão são ativos importantes. Como aponta Oliveira (2020), a agroindústria familiar não é apenas uma atividade econômica, mas também uma forma de expressão cultural. Em Anta Gorda, a produção de vinhos, sucos e conservas remete à herança imigrante e fortalece a identidade local.

No plano metodológico, o enfoque territorial exige abordagens participativas. Os planejamentos precisam envolver os moradores, respeitar suas escolhas e considerar suas experiências. Como afirma Silva (2021), a construção de políticas eficazes requer escuta ativa, mediação de conflitos e articulação multissetorial. Isso implica rever estruturas burocráticas e ampliar canais de diálogo.

Portanto, o desenvolvimento rural no Rio Grande do Sul configura-se como processo complexo, construído a partir de múltiplas dimensões. A presença da agricultura familiar, o protagonismo de municípios como Anta Gorda e a atuação de instituições como a Emater revelam a vitalidade do campo gaúcho. O reconhecimento do rural como espaço plural, dinâmico e portador de saberes deve orientar as estratégias futuras. Superar a lógica urbana-centrada, promover o equilíbrio territorial e fortalecer os sujeitos do campo são tarefas centrais para a sustentabilidade do Brasil rural.

AGRICULTURA FAMILIAR EM MUNICÍPIOS DE PEQUENO PORTE

A agricultura familiar é um dos principais alicerces da economia rural brasileira, especialmente nos municípios de pequeno porte, onde configura-se como atividade predominante e fator de sustentação sociocultural. No estado do Rio Grande do Sul, essa realidade se expressa de forma ainda mais acentuada, visto que mais de 85% dos estabelecimentos rurais pertencem à categoria da agricultura familiar, conforme dados do Censo Agropecuário (IBGE, 2017). Essa predominância está associada a uma longa tradição de ocupação fundiária baseada em pequenas propriedades e a um modelo produtivo diversificado, adaptado às condições locais.

A definição de agricultura familiar, conforme estabelecida pela Lei n.º 11.326/2006, envolve não apenas o critério da área, mas também elementos como o trabalho predominantemente familiar, a renda principal oriunda da atividade agrícola e o estabelecimento como unidade de moradia. Essa concepção amplia a compreensão sobre o papel social e econômico desses agricultores, indo além da dimensão puramente produtiva.

Schneider (2010), ao estudar a agricultura familiar no Sul do Brasil, destaca três características estruturais: a diversidade de sistemas produtivos, o vínculo com redes de cooperação e a flexibilidade nas estratégias de reprodução social. Essa diversidade, presente em municípios como Anta Gorda, se manifesta tanto na variedade de culturas e criações quanto nas formas de comercialização, que incluem venda direta, feiras locais, agroindústrias familiares e programas de compras públicas.

A pluriatividade é outra marca desse modelo. Muitas famílias combinam a produção agrícola com atividades extrativistas, prestação de serviços ou empregos formais fora da propriedade. Essa combinação de fontes de renda permite maior estabilidade econômica e resiliência frente às oscilações do mercado e às adversidades climáticas. Além disso, contribui para a permanência no campo, especialmente em contextos de escassez de políticas públicas estruturantes.

Em Anta Gorda, observa-se a presença significativa de produtores familiares envolvidos em cadeias curtas de comercialização. As feiras do produtor, a venda para o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) são exemplos de circuitos que favorecem a inserção econômica desses agricultores. Tais iniciativas são fundamentais para garantir renda, dar visibilidade à produção local e promover o consumo de alimentos saudáveis e de base agroecológica.

Neves e Rodrigues (2023), ao analisarem a relação entre políticas públicas e circuitos curtos de comercialização, demonstram que a aproximação entre produtores e consumidores fortalece vínculos comunitários, valoriza produtos locais e estimula práticas sustentáveis. Em municípios pequenos, esses efeitos são ainda mais evidentes, pois o campo e a cidade estão interligados por laços sociais, econômicos e simbólicos.

O acesso a mercados institucionais tem sido facilitado por programas federais e estaduais, mas sua efetividade depende da organização dos produtores e da atuação de entidades de apoio, como a Emater-RS. Segundo Klein et al. (2019), o trabalho de assistência técnica e extensão rural é decisivo para a qualificação da produção, a legalização de agroindústrias e o fortalecimento das capacidades locais de gestão. Essa atuação se dá, muitas vezes, em parceria com cooperativas, sindicatos e associações comunitárias.

A sucessão geracional constitui um dos principais desafios enfrentados pela agricultura familiar. Muitos jovens migram para centros urbanos em busca de oportunidades, o que compromete a continuidade das atividades rurais. Para reverter esse quadro, programas como o Pronaf Jovem e iniciativas de formação técnica vêm sendo implementadas, embora ainda encontrem limitações operacionais. Cazella e Schneider (2011) argumentam que políticas de apoio à juventude rural devem contemplar aspectos produtivos, culturais e subjetivos, criando condições para que o campo seja percebido como espaço de realização pessoal e profissional.

A permanência dos jovens no campo não depende apenas de incentivos econômicos. É necessário garantir acesso à educação contextualizada, conectividade digital, cultura e participação social. Municípios como Anta Gorda têm investido em ações voltadas ao fortalecimento da juventude rural, com destaque para capacitações em cooperativismo, cursos de agroindústria e inclusão em redes de comercialização.

Outro aspecto relevante é a valorização do patrimônio cultural associado à agricultura familiar. Práticas como o cultivo de videiras, a produção de embutidos, a panificação artesanal e a preservação de sementes crioulas são expressões de uma identidade coletiva forjada ao longo de gerações. Oliveira (2020) ressalta que esses saberes não apenas garantem diversidade genética e alimentar, mas também reforçam o sentimento de pertencimento e o orgulho de ser agricultor.

A agroindústria familiar, nesse sentido, desponta como estratégia de agregação de valor e conservação de tradições. Ao processar alimentos com base em receitas locais, muitas vezes vinculadas à herança cultural dos imigrantes, essas pequenas unidades produtivas conseguem ampliar a margem de lucro e acessar novos mercados. Em Anta Gorda, iniciativas desse tipo são fortalecidas por políticas municipais de incentivo e pela atuação da Emater-RS na legalização e na qualificação das unidades produtivas.

A gestão dessas atividades exige conhecimentos técnicos, acesso ao crédito e organização coletiva. Nesse ponto, o papel das cooperativas e associações é fundamental. Elas operam como espaços de aprendizagem, solidariedade e construção de autonomia. Schneider e Cassol (2021), ao estudarem formas organizativas na agricultura familiar, afirmam que tais arranjos favorecem a inovação social e o desenvolvimento territorial, sobretudo em contextos de pequena escala.

Em síntese, a agricultura familiar nos municípios de pequeno porte como Anta Gorda constitui não apenas um setor econômico relevante, mas também um modo de vida que articula produção, cultura, identidade e sustentabilidade. Os desafios são muitos — acesso a crédito, formação, sucessão, comercialização —, mas as potencialidades também são evidentes. A diversidade de estratégias produtivas, o enraizamento territorial, a força das redes comunitárias e o patrimônio cultural são ativos que, devidamente valorizados, podem sustentar um projeto de desenvolvimento rural justo e duradouro.

ANTA GORDA: TERRITÓRIO, CULTURA E PRODUÇÃO NO CAMPO

O município de Anta Gorda, localizado na região do Vale do Taquari, no interior do estado do Rio Grande do Sul, representa um exemplo significativo de como a integração entre cultura local, organização comunitária e práticas produtivas sustentáveis pode promover o desenvolvimento rural em territórios de pequeno porte. Fundado oficialmente em 1960, o município possui população estimada em aproximadamente 6 mil habitantes, com forte predominância da agricultura familiar e de atividades agroindustriais de base artesanal (IBGE, 2023).

Anta Gorda insere-se em um contexto regional marcado pela herança da colonização italiana, o que se reflete em aspectos como a estrutura fundiária, as formas de organização social e a preservação de práticas culturais vinculadas ao trabalho rural. Segundo Paternó (2005), a colonização italiana no Sul do Brasil se baseou na distribuição de pequenas glebas a famílias imigrantes, o que favoreceu a consolidação de um modelo agrícola policultor, familiar e autônomo. Essa lógica ainda prevalece no município, onde grande parte das propriedades rurais possui menos de 20 hectares e é gerida por núcleos familiares que aliam cultivo diversificado, processamento artesanal e comercialização direta.

A base econômica de Anta Gorda está centrada em cadeias produtivas vinculadas à fruticultura, produção de leite, criação de aves e suínos, além da crescente valorização de produtos coloniais e da agroindústria familiar. O município integra o APL das Agroindústrias Familiares do Vale do Taquari, identificado por Siebeneichler et al. (2019) como uma das experiências mais estruturadas de arranjo produtivo no meio rural gaúcho. Segundo os autores, as agroindústrias familiares promovem a geração de renda, estimulam a permanência dos jovens no campo e favorecem a valorização de produtos com identidade territorial.

A atuação das agroindústrias locais é fortemente amparada por políticas públicas e parcerias institucionais. A EMATER-RS, por exemplo, exerce papel essencial na legalização sanitária, na assistência técnica e no apoio à agregação de valor. Klein et al. (2019) apontam que o sucesso de municípios como Anta Gorda na dinamização da economia rural está diretamente relacionado à atuação consistente da extensão rural, que articula saberes tradicionais e inovações técnicas de forma participativa.

Do ponto de vista territorial, Anta Gorda configura-se como espaço simbólico em que a produção econômica está fortemente entrelaçada com a preservação cultural. A realização de festas típicas, o uso de línguas regionais, a manutenção de saberes culinários e a transmissão de técnicas de cultivo entre gerações são práticas recorrentes no município. Tais elementos demonstram que o desenvolvimento rural não pode ser dissociado das formas de vida locais. Como afirma Oliveira (2020), o patrimônio imaterial rural é componente estratégico para políticas de valorização da agricultura familiar e promoção da identidade territorial.

A cultura da uva, por exemplo, é uma das mais expressivas no município, tanto do ponto de vista econômico quanto cultural. Muitas famílias mantêm vinhedos tradicionais e produzem vinhos artesanais com técnicas herdadas dos antepassados italianos. Essa produção, ainda que em pequena escala, é fundamental para a preservação da identidade camponesa e para a diversificação da renda familiar. Zanchi et al. (2014) destacam que o turismo rural e as atividades enogastronômicas vinculadas à cultura italiana têm crescido na região, impulsionando circuitos de comercialização alternativos e fortalecendo a economia local com base na valorização cultural.

Além da vitivinicultura, Anta Gorda destaca-se pela produção de embutidos artesanais, pães coloniais, doces e conservas, todos produtos típicos das agroindústrias familiares. A autenticidade desses produtos está associada ao saber-fazer tradicional, ao uso de matérias-primas locais e à confiança construída entre produtores e consumidores. Essa dinâmica reforça a valorização do território como espaço produtor de alimentos e de significados. De acordo com Schneider e Cassol (2021), é justamente essa articulação entre tradição e inovação que sustenta o dinamismo das economias familiares rurais.

As redes de cooperação e associativismo também estão fortemente presentes no município. Associações de produtores, cooperativas e grupos informais desempenham papel fundamental na organização da produção, no acesso a mercados e na troca de experiências. Tais formas de organização fortalecem o tecido social e possibilitam a criação de estratégias coletivas de desenvolvimento. Segundo Grisa e Schneider (2015), a cooperação no meio rural deve ser entendida não apenas como instrumento econômico, mas como expressão de uma racionalidade solidária construída historicamente pelas comunidades camponesas.

As políticas públicas municipais contribuem para o fortalecimento desse modelo. O Plano Municipal de Desenvolvimento Rural Sustentável de Anta Gorda (2021–2030) estabelece diretrizes para o incentivo à agroindústria, à sucessão rural e à proteção ambiental. A prefeitura, em parceria com entidades locais, promove capacitações, feiras, eventos e ações voltadas à valorização do agricultor. Essa articulação entre gestão pública, organizações comunitárias e instituições de apoio técnico é um dos fatores que explicam os avanços locais em termos de qualidade de vida, renda no campo e sustentabilidade.

A sucessão geracional, apesar de ainda ser um desafio, tem apresentado avanços no município. Programas de formação técnica, acesso ao crédito e inclusão digital têm incentivado a permanência de jovens no meio rural. Além disso, a valorização simbólica da vida no campo, associada ao reconhecimento do papel social da agricultura familiar, tem contribuído para reverter processos migratórios. Cazella e Schneider (2011) ressaltam que a permanência da juventude rural depende tanto de condições materiais quanto de aspectos simbólicos, como a autoestima e o pertencimento.

A inserção de Anta Gorda em roteiros de turismo rural e gastronômico representa uma estratégia complementar de geração de renda e de valorização do território. A aproximação entre campo e cidade, mediada por experiências como visitas a propriedades, degustações e eventos culturais, amplia o reconhecimento da agricultura familiar e reforça a identidade rural. Conforme Zanchi et al. (2014), o turismo rural deve ser compreendido como política integrada de desenvolvimento territorial, capaz de articular dimensões econômicas, culturais e ambientais.

Por fim, cabe destacar que a experiência de Anta Gorda, embora localizada em um contexto geográfico e cultural específico, oferece lições aplicáveis a outros territórios rurais brasileiros. A valorização da cultura local, a articulação entre diferentes atores sociais, a qualificação técnica e a presença ativa do poder público são fatores replicáveis e fundamentais para a promoção de um desenvolvimento rural mais justo, sustentável e enraizado nos territórios.

DISCUSSÃO

A análise do desenvolvimento rural no município de Anta Gorda evidencia uma articulação sólida entre base produtiva, organização social, cultura local e políticas públicas. Esses eixos estruturam um modelo de desenvolvimento territorial que se diferencia por seu enraizamento comunitário, sua valorização de saberes tradicionais e sua capacidade de inovação social. O quadro explicativo apresentado reforça essa leitura ao sintetizar os principais vetores de fortalecimento do campo no município.

A base produtiva de Anta Gorda, centrada na agricultura familiar, mostra-se diversificada e resiliente. A combinação entre culturas alimentares, pecuária leiteira, vitivinicultura e processamento artesanal de alimentos permite maior estabilidade econômica e menor dependência de monoculturas ou grandes cadeias de insumo. Essa estratégia favorece a segurança alimentar, a geração de renda local e a autonomia dos produtores. Segundo Schneider (2010), esse tipo de estrutura produtiva é típico de regiões de colonização policultora e está associado à maior capacidade de reprodução social das famílias rurais.

No campo da organização social, destaca-se a atuação de cooperativas, associações e redes solidárias locais. Esses arranjos coletivos não apenas facilitam o acesso a mercados e insumos, como também constroem formas de sociabilidade, pertencimento e resistência frente à desagregação rural. O fortalecimento do capital social, apontado por Grisa e Schneider (2015), revela-se um dos principais ativos de municípios como Anta Gorda, nos quais a cooperação supera a competição como princípio orientador das relações econômicas e comunitárias.

Outro eixo fundamental é o patrimônio cultural. A transmissão intergeracional de saberes, a realização de festas tradicionais e a manutenção de práticas alimentares típicas — como a produção de vinhos, pães e embutidos — não apenas preservam a identidade territorial, como também se convertem em ativos econômicos, especialmente no turismo rural e na comercialização direta de produtos. Como argumenta Oliveira (2020), a cultura rural deve ser reconhecida como parte do capital simbólico das comunidades, com valor econômico e político. Em Anta Gorda, essa valorização cultural impulsiona práticas como o agroturismo e a venda de produtos coloniais com certificação de origem, fortalecendo o vínculo entre produtores e consumidores.

A presença e atuação de atores institucionais como a EMATER-RS, escolas técnicas e a Prefeitura Municipal reforçam as capacidades locais de planejamento e execução de políticas públicas. A assistência técnica, por exemplo, contribui para a legalização sanitária de agroindústrias, a transição agroecológica e o acesso a mercados institucionais. Klein et al. (2019) destacam que o sucesso de experiências locais depende diretamente da qualidade e regularidade da extensão rural, o que se verifica no caso de Anta Gorda.

A agricultura familiar não é compreendida isoladamente, mas como parte de um sistema que inclui redes de apoio, valores culturais, instituições locais e políticas específicas. Essa perspectiva dialoga com o conceito de desenvolvimento territorial sustentável, conforme proposto por Favareto (2010), que defende a superação de abordagens setoriais em favor de soluções interdependentes e centradas no território.

É importante destacar, no entanto, que esse modelo não está isento de desafios. A sucessão geracional, embora estimulada por programas de capacitação e incentivo, ainda encontra entraves relacionados à valorização simbólica da vida no campo, à conectividade digital e à infraestrutura de transporte. Do mesmo modo, a inserção em mercados mais amplos exige esforços contínuos de qualificação, certificação e padronização, o que demanda apoio técnico e acesso a crédito.

Apesar desses desafios, o caso de Anta Gorda revela que é possível desenvolver estratégias de permanência e valorização do campo com base na realidade local. A combinação entre tradição e inovação, entre cultura e técnica, constitui um diferencial competitivo e social. As experiências relatadas no município podem servir como referência para outros territórios rurais brasileiros que buscam alternativas ao modelo agroexportador, altamente concentrador e excludente.

Conforme argumenta Wanderley (2000), a emergência de uma nova ruralidade está associada à capacidade das comunidades de afirmar sua autonomia, reinventar suas práticas e negociar políticas públicas em consonância com seus valores. Anta Gorda, nesse sentido, expressa a possibilidade concreta de um desenvolvimento rural construído a partir da base, articulado em redes de confiança e orientado por princípios de solidariedade, sustentabilidade e identidade territorial.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Este artigo teve como objetivo analisar o município de Anta Gorda, localizado na região do Vale do Taquari, no Rio Grande do Sul, a partir de suas contribuições para o desenvolvimento rural, com foco na agricultura familiar, na valorização cultural e nas estratégias institucionais adotadas em nível local. A partir de uma abordagem bibliográfica fundamentada em autores reconhecidos e dados oficiais, buscou-se compreender de que forma a articulação entre base produtiva, organização comunitária, patrimônio cultural e políticas públicas contribui para a permanência das famílias no campo e a sustentabilidade das práticas socioeconômicas locais.

A análise revelou que Anta Gorda representa um exemplo bem-sucedido de território onde a agricultura familiar é mais que atividade econômica: trata-se de uma forma de vida ancorada na cooperação, na tradição e na inovação. As pequenas propriedades, predominantemente de gestão familiar, combinam diversificação produtiva, processamento artesanal e inserção em mercados locais e institucionais. Essa estrutura produtiva é sustentada por formas organizativas consolidadas, como cooperativas e associações, que ampliam o acesso a recursos, fortalecem a comercialização e promovem autonomia local.

A cultura local, herdada majoritariamente da imigração italiana, é outro fator estruturante do desenvolvimento rural no município. As práticas produtivas estão intimamente ligadas aos saberes tradicionais, às técnicas culinárias, às festas típicas e ao uso do idioma regional. Esse patrimônio imaterial constitui um ativo estratégico para a economia do campo, principalmente por meio do turismo rural, da gastronomia regional e da valorização de produtos com identidade cultural.

Além disso, a atuação de instituições como a EMATER-RS, escolas técnicas e a Prefeitura Municipal demonstra que o desenvolvimento rural exige mediação institucional eficaz. A assistência técnica, a legalização de agroindústrias, a capacitação dos agricultores e o planejamento territorial contribuem para a qualificação da produção e para o fortalecimento da economia local. Programas como o PNAE e o PAA, associados a políticas públicas municipais bem estruturadas, oferecem suporte concreto às famílias rurais, garantindo mercado e estimulando a produção de base local.

A experiência de Anta Gorda mostra que a construção de um desenvolvimento rural sustentável e inclusivo depende da integração de múltiplos fatores: viabilidade econômica, coesão social, valorização cultural e apoio institucional. Essa articulação de dimensões foi evidenciada no quadro explicativo apresentado, que sintetizou os principais eixos estruturantes do desenvolvimento local. A prática do cooperativismo, o papel das agroindústrias familiares, a presença de jovens na sucessão rural e o protagonismo feminino em diversas etapas do processo produtivo são indicadores positivos que merecem ser fortalecidos.

No entanto, é importante reconhecer os desafios persistentes. A sucessão geracional, embora amparada por programas de incentivo, ainda encontra barreiras relacionadas ao acesso à terra, à conectividade digital e à valorização simbólica da vida no campo. O fortalecimento da infraestrutura rural, o acesso a crédito e a inovação tecnológica são demandas recorrentes, que exigem políticas públicas articuladas entre os níveis municipal, estadual e federal.

Conclui-se que o caso de Anta Gorda oferece importantes lições para o debate sobre o futuro do campo no Brasil. Sua experiência demonstra que o desenvolvimento rural não se resume ao aumento da produtividade ou à modernização tecnológica. Ele envolve, sobretudo, o reconhecimento da dignidade do modo de vida camponês, a valorização dos saberes locais e a construção de políticas territoriais participativas. Anta Gorda representa, assim, um território que alia tradição e transformação, mostrando que é possível pensar o campo como espaço de vida, cultura e desenvolvimento.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Entre saberes locais e políticas públicas: As múltiplas faces do desenvolvimento rural em Anta Gorda-RS

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