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Resumo
INTRODUÇÃO
A trajetória da educação inclusiva no Brasil tem sido marcada por avanços normativos e conceituais que, embora expressivos, ainda não foram plenamente incorporados às práticas cotidianas das instituições escolares. Ao se considerar a construção de um ensino comprometido com a diversidade e com a equidade, torna-se inevitável o reconhecimento da centralidade dos recursos pedagógicos adaptados como instrumentos de mediação essenciais no processo de ensino-aprendizagem de estudantes público-alvo da educação especial. Particularmente nas etapas finais do Ensino Fundamental, entre o 6º e o 9º ano, a complexidade dos conteúdos curriculares e as exigências cognitivas mais elaboradas demandam não apenas estratégias didáticas diferenciadas, mas também materiais estruturados capazes de promover acessibilidade, engajamento e compreensão significativa dos conceitos. Em consonância com esse cenário, a atuação da sala de recursos multifuncionais figura como espaço privilegiado para a construção de práticas pedagógicas centradas nas necessidades específicas dos alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação.
A despeito do arcabouço legal robusto que sustenta o direito à educação inclusiva — incluindo documentos como a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, de 2008, e a Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015) — o hiato entre a normatização e a implementação prática persiste como desafio. Diversos estudos apontam que a presença de alunos com deficiência em ambientes escolares regulares não garante, por si só, a efetivação de processos pedagógicos verdadeiramente inclusivos (Macedo, 2023). O uso do material estruturado, nesse contexto, emerge como um eixo fundamental para que as barreiras à aprendizagem sejam efetivamente superadas. A compreensão de que a aprendizagem não se reduz a conteúdos expostos oralmente, ou a textos escritos em formato padrão, reconfigura o papel dos recursos didáticos como elementos dinâmicos e interativos, especialmente quando adaptados de modo a dialogar com as especificidades sensoriais, cognitivas e afetivas dos estudantes atendidos na sala de recursos.
É relevante observar que os anos finais do Ensino Fundamental representam uma etapa escolar marcada por transições significativas, tanto em termos de conteúdos curriculares quanto de expectativas sociais e emocionais. A dificuldade em acompanhar o ritmo da turma, muitas vezes associada à ausência de recursos adequados, pode desencadear processos de evasão, desmotivação ou cristalização de fracassos escolares. A literatura especializada tem destacado que os materiais adaptados, quando bem elaborados, possibilitam o desenvolvimento da autonomia, da autoestima e da competência acadêmica dos alunos com deficiência intelectual, visual, auditiva e múltipla (Rodrigues, 2023). Em investigações realizadas com estudantes da rede pública que frequentam salas de recursos multifuncionais, verificou-se que o uso de materiais concretos, táteis, visuais e interativos contribui não apenas para a compreensão conceitual, mas também para a permanência escolar com sentido.
No entanto, nem sempre a produção desses materiais está alicerçada em critérios pedagógicos consistentes. Muitas vezes, adaptações são realizadas de forma improvisada, sem respaldo metodológico, o que compromete sua eficácia e, em alguns casos, reforça a segregação em vez de promover inclusão. A escassez de formações docentes voltadas especificamente à construção e uso de materiais estruturados adaptados é um problema recorrente apontado por professores da educação especial (Castro, 2021). Essa constatação revela um tensionamento entre os avanços legais e os entraves estruturais e formativos que atravessam a efetivação das práticas inclusivas nas escolas brasileiras. A ausência de uma cultura institucional consolidada em torno do uso de materiais adaptados, bem como de políticas públicas que assegurem sua produção e disseminação, contribui para a manutenção de práticas excludentes, mesmo em contextos declaradamente inclusivos.
Diante desse panorama, o presente estudo propõe-se a investigar a importância dos materiais estruturados e adaptados no atendimento educacional especializado, direcionado a alunos do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental. A pesquisa parte da seguinte pergunta norteadora: de que maneira o uso de materiais estruturados adaptados contribui para o processo de ensino-aprendizagem de estudantes com necessidades educacionais especiais atendidos nas salas de recursos multifuncionais entre o 6º e o 9º ano? A hipótese que orienta esta investigação sustenta que os materiais estruturados, quando elaborados a partir de critérios pedagógicos claros, favorecem não apenas a compreensão dos conteúdos curriculares, mas também promovem a autonomia e o protagonismo dos estudantes, contribuindo de forma significativa para a consolidação de práticas inclusivas de qualidade.
O objetivo geral do estudo consiste em analisar o papel dos materiais estruturados e adaptados no processo pedagógico desenvolvido nas salas de recursos multifuncionais com alunos dos anos finais do Ensino Fundamental. A partir desse escopo, derivam-se três objetivos específicos: identificar os tipos de materiais mais utilizados nas salas de recursos para alunos do 6º ao 9º ano; examinar as estratégias docentes na elaboração e aplicação desses materiais no contexto da educação inclusiva; e refletir criticamente sobre os impactos do uso desses recursos na aprendizagem e no desenvolvimento dos estudantes com deficiência, com base na literatura especializada.
A relevância da presente investigação se justifica sob múltiplas dimensões. No campo teórico, contribui para o aprofundamento das discussões acerca da mediação pedagógica e da didática inclusiva, em especial no que tange à materialidade do ensino como dispositivo de acessibilidade. No plano científico, o estudo amplia o repertório de produções acadêmicas que buscam articular, de modo crítico, os fundamentos da educação especial com práticas concretas de sala de aula, considerando o espaço da sala de recursos como lócus privilegiado de experimentação pedagógica. Em termos sociais, a pesquisa dialoga com o direito à aprendizagem de estudantes com deficiência, propondo-se a oferecer subsídios para que escolas, professores e gestores reavaliem suas práticas de produção e uso de materiais. Do ponto de vista aplicado, os resultados esperados têm o potencial de subsidiar políticas públicas educacionais voltadas à formação docente continuada e à elaboração de materiais didáticos acessíveis, com foco na etapa fundamental de ensino que, por vezes, tem sido negligenciada nos debates sobre inclusão.
Para alcançar esses objetivos, optou-se por uma metodologia de natureza qualitativa, ancorada em pesquisa bibliográfica, considerando que o corpus do estudo se constitui por meio da análise crítica de produções acadêmicas recentes sobre o tema, todas devidamente referenciadas neste trabalho. A abordagem teórica parte do pressuposto de que o conhecimento pedagógico especializado se constrói a partir de práticas reflexivas, embasadas na articulação entre teoria e experiência (Lima, 2023). A escolha por uma revisão de literatura justifica-se pela necessidade de mapear os principais conceitos, categorias e experiências relatadas em estudos anteriores, possibilitando assim uma visão abrangente e fundamentada sobre os materiais estruturados e adaptados utilizados nas salas de recursos para os anos finais do Ensino Fundamental. Entre os critérios adotados para a seleção das fontes, considerou-se a atualidade das publicações, a diversidade metodológica dos estudos e a relevância dos contextos investigados, priorizando pesquisas realizadas no âmbito da educação básica pública brasileira.
EDUCAÇÃO INCLUSIVA E O PAPEL DAS SALAS DE RECURSOS MULTIFUNCIONAIS NOS ANOS FINAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL
A educação inclusiva no Brasil, ao longo das últimas décadas, tem sido desenhada sob o signo da garantia de direitos e da superação de práticas excludentes, impulsionada por marcos legais como a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva e a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, que orientam a consolidação de práticas escolares fundadas na diversidade e na equidade (Marques; Frizarini, 2021). Tais documentos não apenas normatizam o atendimento, mas também ampliam a concepção de inclusão para além da matrícula, convocando o sistema educacional a assumir a responsabilidade pela aprendizagem efetiva de todos os estudantes, especialmente daqueles pertencentes ao público-alvo da educação especial (Silva; Brito, 2021). A sala de recursos multifuncionais, nesse contexto, figura como elemento articulador entre o ensino comum e os apoios especializados, constituindo-se em espaço estruturado para garantir condições reais de acesso ao currículo e de desenvolvimento das potencialidades dos alunos com deficiência (Costa, 2022).
As diretrizes que fundamentam o Atendimento Educacional Especializado (AEE) reconhecem que a aprendizagem de estudantes com deficiência demanda não apenas adaptações curriculares, mas também práticas pedagógicas mediadas por materiais didáticos específicos, adaptados ou estruturados, capazes de criar rotas de acesso aos saberes escolares historicamente negados a esses sujeitos (Pereira; Caldeira, 2021). Nos anos finais do Ensino Fundamental, essa exigência torna-se ainda mais aguda, dado o aumento da complexidade dos conteúdos, a intensificação das demandas por autonomia e o avanço na abstração dos conceitos, o que reforça a necessidade de mediações pedagógicas eficazes (Jesus, 2023). A sala de recursos, por sua vez, deve funcionar como espaço de construção de sentidos e de reorganização da experiência escolar, não sendo meramente um local de reforço, mas um território de produção de estratégias didáticas contextualizadas e fundamentadas (Godoy, 2022).
A construção de um ambiente educacional inclusivo pressupõe uma articulação constante entre os profissionais da educação especial e os docentes da sala de aula comum, o que requer planejamento conjunto, troca de saberes e disponibilidade institucional para que tais encontros se materializem em práticas efetivas (Souza, 2021). Quando essa articulação é frágil ou inexistente, a atuação da sala de recursos corre o risco de se tornar periférica, descolada das experiências escolares cotidianas dos alunos, contribuindo, ainda que involuntariamente, para uma reconfiguração da exclusão no interior da escola inclusiva (Nascimento, 2022). Para que esse processo não se repita, é fundamental compreender que o papel do AEE é o de complementar, e não substituir, as práticas escolares regulares, o que só é possível mediante diálogo formativo entre os sujeitos envolvidos (Biazus; Gris, 2022).
No caso dos anos finais do Ensino Fundamental, os desafios da inclusão assumem contornos específicos, pois os estudantes já se deparam com uma organização disciplinar fragmentada, com múltiplos professores, avaliações sistemáticas e exigências cognitivas cada vez mais abstratas (Castro; Castro, 2021). Diante disso, o papel dos materiais estruturados e adaptados ganha relevo, uma vez que funcionam como pontes entre o universo simbólico do conteúdo escolar e a experiência concreta de aprendizagem dos alunos com deficiência (Lima, 2023). Tais materiais, quando concebidos a partir das especificidades dos estudantes, podem traduzir conceitos, reorganizar percursos de ensino e, sobretudo, garantir a permanência significativa desses sujeitos na trajetória escolar (Rodrigues, 2023).
A utilização de materiais manipuláveis, visuais, táteis e auditivos permite que os alunos com deficiência acessem o conhecimento por outras vias sensoriais e cognitivas, o que se mostra essencial nos anos finais do Ensino Fundamental, nos quais o domínio conceitual e a interpretação textual se tornam centrais (Almeida; Ghizzi, 2021). Estudos demonstram que os recursos didáticos adaptados, quando desenvolvidos com intencionalidade pedagógica, favorecem a internalização dos conteúdos curriculares e potencializam o envolvimento dos estudantes nas atividades escolares (Santos, 2023). No entanto, a elaboração desses materiais exige do docente conhecimento técnico, sensibilidade didática e, sobretudo, tempo institucional para o planejamento e execução dessas adaptações (Costa, 2022).
As experiências desenvolvidas em salas de recursos multifuncionais apontam que a mediação por meio de jogos pedagógicos, material dourado adaptado, maquetes táteis, cartazes contrastantes e tecnologia assistiva de baixo custo tem resultado em avanços significativos no desempenho escolar dos alunos com deficiência (Biazus; Gris, 2022). No entanto, tais experiências ainda são isoladas e fortemente dependentes do empenho individual de docentes que, muitas vezes, atuam sem apoio sistemático das redes de ensino (Marques; Frizarini, 2021). A ausência de políticas públicas que assegurem a produção e disseminação de materiais estruturados adaptados reflete uma lacuna no compromisso estatal com a equidade no direito à educação (Silva; Brito, 2021).
O investimento na formação continuada dos profissionais que atuam no AEE é uma condição imprescindível para a consolidação de práticas pedagógicas inclusivas com base na utilização de recursos acessíveis (Pereira; Caldeira, 2021). É nesse processo formativo que se constroem as competências necessárias para reconhecer as barreiras ao aprendizado e desenvolver intervenções pedagógicas eficazes (Souza, 2021). A formação deve ser contínua, situada e dialógica, contemplando tanto os fundamentos teóricos da educação especial quanto as estratégias concretas de ensino com recursos adaptados (Lima, 2023).
A mediação pedagógica com uso de materiais estruturados também ressignifica o papel do aluno com deficiência na dinâmica escolar, deslocando-o da posição passiva para uma condição ativa e participativa no processo de aprendizagem (Rodrigues, 2023). Ao manusear objetos, reorganizar conteúdos com base em recursos sensoriais e experimentar a materialidade do conhecimento, esses estudantes acessam outras formas de construção de saberes, contribuindo para uma pedagogia que respeita os diferentes tempos e modos de aprender (Godoy, 2022). Tal perspectiva rompe com a lógica homogeneizadora ainda presente em muitas práticas escolares, favorecendo uma educação verdadeiramente centrada no estudante (Jesus, 2023).
A efetivação do direito à aprendizagem nos anos finais do Ensino Fundamental demanda, portanto, uma escola que reconheça a centralidade dos apoios pedagógicos e que se comprometa com a construção de percursos de ensino acessíveis (Almeida; Ghizzi, 2021). Nesse sentido, a sala de recursos multifuncionais assume uma função estratégica, pois opera como espaço de experimentação didática e de inovação pedagógica, desde que integrada ao projeto político-pedagógico da escola (Costa, 2022). Quando essa integração ocorre, os impactos na trajetória dos estudantes são notáveis, refletindo-se em índices de progressão escolar, autoestima e motivação (Castro; Castro, 2021).
As práticas pedagógicas inclusivas, entretanto, não se sustentam apenas na boa vontade dos profissionais, mas exigem respaldo institucional, financiamento adequado e políticas de valorização docente (Biazus; Gris, 2022). Sem esses elementos, o trabalho nas salas de recursos tende a ser invisibilizado e precarizado, limitando seu alcance e sua potência transformadora (Santos, 2023). É preciso, pois, reconhecer o AEE como componente estruturante da educação básica, e não como um apêndice ou serviço paralelo (Pereira; Caldeira, 2021).
O compromisso com a aprendizagem dos estudantes com deficiência deve atravessar todas as dimensões da prática escolar, do planejamento à avaliação, da gestão à formação docente, o que implica uma revisão crítica das concepções que orientam o trabalho pedagógico (Nascimento, 2022). Essa revisão deve considerar os estudantes não como portadores de déficits, mas como sujeitos de direitos, cujas singularidades ampliam o repertório pedagógico da escola (Marques; Frizarini, 2021). A escola inclusiva, nesse horizonte, torna-se espaço de produção de justiça curricular e não apenas de adequação institucional (Silva; Brito, 2021).
A literatura especializada tem destacado que a permanência significativa dos alunos público-alvo da educação especial nos anos finais do Ensino Fundamental está diretamente relacionada à qualidade dos apoios disponibilizados, especialmente no que se refere ao uso de materiais adaptados que favoreçam a mediação didática (Rodrigues, 2023). A negligência na oferta desses apoios configura uma violação do direito à educação e compromete a efetividade da política de inclusão (Lima, 2023). Urge, portanto, ampliar os investimentos em formação, infraestrutura e desenvolvimento de recursos pedagógicos acessíveis (Jesus, 2023).
A valorização das salas de recursos multifuncionais como espaços de aprendizagem e de criação pedagógica requer, ainda, um redimensionamento das concepções sobre deficiência e inclusão que atravessam a cultura escolar (Souza, 2021). Tal redimensionamento passa pelo reconhecimento do papel central dos materiais estruturados na concretização de experiências escolares significativas e exige uma prática docente que se funda na escuta, na pesquisa e na reconstrução constante do planejamento (Almeida; Ghizzi, 2021). É nesse processo que a escola deixa de ser mera reprodutora de conteúdos para se tornar espaço de produção de sentidos e pertencimento (Godoy, 2022).
A continuidade da escolarização de alunos com deficiência nos anos finais do Ensino Fundamental depende de uma rede articulada de apoios, sendo o AEE um dos pilares fundamentais dessa sustentação (Costa, 2022). A fragmentação ou ausência desses apoios tende a agravar as desigualdades educacionais, resultando em evasão, baixo rendimento e exclusão simbólica (Pereira; Caldeira, 2021). O enfrentamento dessas desigualdades exige uma escola comprometida com o acolhimento das diferenças e com a produção de novas práticas pedagógicas baseadas na equidade (Santos, 2023).
Como demonstrado, a sala de recursos não é apenas um espaço físico, mas um campo de possibilidades pedagógicas que, quando bem estruturado, contribui decisivamente para a construção de uma escola plural, democrática e acessível (Rodrigues, 2023). A consolidação desse espaço, no entanto, depende de políticas intersetoriais que articulem educação, assistência social e saúde, reconhecendo a complexidade das demandas dos estudantes com deficiência (Nascimento, 2022). Tais políticas devem garantir suporte técnico, recursos humanos e materiais, assegurando que o AEE atue com efetividade (Biazus; Gris, 2022).
A pesquisa evidencia que os materiais adaptados não apenas viabilizam a aprendizagem, mas também promovem reconhecimento, pertencimento e valorização das identidades dos alunos com deficiência (Castro; Castro, 2021). O contato com recursos que respeitam seus modos de aprender constitui uma forma de afirmação de subjetividades historicamente silenciadas (Lima, 2023). Nesse sentido, o uso de materiais estruturados é também uma prática de resistência e transformação social (Silva; Brito, 2021).
A urgência da escola inclusiva não está apenas em cumprir legislações, mas em reinventar-se como espaço de vida, criação e produção de conhecimento para todos os seus sujeitos (Marques; Frizarini, 2021). A atuação docente, quando pautada na ética da inclusão e no compromisso com a justiça curricular, pode operar deslocamentos profundos na estrutura da escola e, por conseguinte, na trajetória de milhares de estudantes (Souza, 2021). O desafio não é pequeno, mas a potência da educação inclusiva é maior.
ENTRE LINGUAGENS E MATERIAIS: ACESSIBILIDADE PEDAGÓGICA COMO DISPOSITIVO INCLUSIVO NOS ANOS FINAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL
A produção de materiais estruturados e adaptados tem se consolidado como uma das estratégias mais eficazes no enfrentamento das barreiras pedagógicas que limitam a participação plena de estudantes com deficiência no cotidiano escolar, particularmente nos anos finais do Ensino Fundamental, etapa em que os desafios curriculares se intensificam e a necessidade de acessibilidade didática se torna inadiável (Godoy, 2022). A presença desses materiais nos ambientes de ensino não pode ser reduzida a uma função meramente ilustrativa ou complementar, pois sua finalidade ultrapassa a dimensão auxiliar e se inscreve como ferramenta essencial de mediação entre o sujeito e o conhecimento (Lima, 2023). Ao reconhecer as singularidades dos estudantes com deficiência, os materiais estruturados e adaptados assumem o papel de reorganizar didaticamente os conteúdos, promovendo o acesso às práticas escolares em uma perspectiva mais equânime e responsiva (Rodrigues, 2023).
O desafio da acessibilidade pedagógica no contexto da educação inclusiva exige uma ruptura com a lógica compensatória tradicionalmente atribuída à adaptação de recursos, ressignificando o uso dos materiais didáticos como expressão concreta de uma proposta curricular comprometida com a diversidade (Souza, 2021). Tal ruptura implica compreender que a adaptação não se refere a uma modificação à parte do currículo, mas a uma reinterpretação crítica e planejada do próprio processo de ensino-aprendizagem, orientada pelos princípios do Desenho Universal para a Aprendizagem (Nascimento, 2022). Esses princípios propõem que as estratégias educacionais sejam desenhadas desde o início para contemplar diferentes formas de representação, expressão e engajamento, contribuindo para uma pedagogia mais flexível e sensível às múltiplas formas de aprender (Castro; Castro, 2021).
As evidências oriundas das práticas desenvolvidas em salas de recursos multifuncionais têm demonstrado que o uso de materiais estruturados favorece a construção de um ambiente de aprendizagem mais interativo, permitindo que o estudante com deficiência compreenda e manipule conceitos abstratos por meio da mediação concreta (Pereira; Caldeira, 2021). A materialidade do conhecimento, quando acessível, gera oportunidades reais de desenvolvimento cognitivo, afetivo e social, impactando diretamente o engajamento dos alunos nas atividades escolares (Jesus, 2023). Contudo, para que essa potencialidade se concretize, é necessário que os materiais sejam elaborados com base em critérios pedagógicos consistentes, considerando as especificidades sensoriais e cognitivas de cada estudante (Costa, 2022).
A ausência de recursos estruturados adequados representa uma das principais causas de fracasso escolar entre alunos público-alvo da educação especial, especialmente no segundo ciclo do Ensino Fundamental, etapa em que a abstração do conteúdo e a fragmentação disciplinar se intensificam (Santos, 2023). Nesse cenário, o uso de materiais concretos e adaptados atua como um mecanismo de compensação de desvantagens históricas, contribuindo para que os estudantes não apenas permaneçam na escola, mas desenvolvam autonomia na aprendizagem (Almeida; Ghizzi, 2021). Estudos têm indicado que materiais como o ábaco adaptado, o material dourado em alto relevo, mapas táteis e jogos pedagógicos acessíveis favorecem significativamente a compreensão de conteúdos nas áreas de matemática, ciências e linguagem (Silva; Brito, 2021).
O engajamento dos estudantes com deficiência nas atividades pedagógicas é amplamente influenciado pela possibilidade de manipular, experimentar e explorar objetos que representem o conteúdo de forma significativa e acessível (Biazus; Gris, 2022). Ao tornar visível o que antes era inacessível, os materiais adaptados modificam a relação do aluno com o conhecimento, criando condições para que ele se reconheça como sujeito da aprendizagem (Godoy, 2022). Essa transformação não é meramente técnica, mas envolve dimensões éticas e políticas, pois coloca em xeque os modos tradicionais de organizar o ensino e convoca os professores a revisitarem suas práticas (Lima, 2023).
A construção de materiais estruturados exige, por parte do docente, não apenas criatividade, mas domínio de saberes didáticos e conhecimento sobre as especificidades da deficiência com a qual trabalha, bem como acesso a materiais e tempo institucional para o planejamento e execução das atividades (Rodrigues, 2023). No entanto, grande parte dos professores da educação básica ainda não dispõe de formação adequada para elaborar ou adaptar materiais didáticos, o que evidencia uma lacuna significativa nas políticas públicas de formação continuada (Souza, 2021). Essa carência formativa compromete a qualidade do atendimento educacional especializado e limita as possibilidades de desenvolvimento pleno dos estudantes (Nascimento, 2022).
A prática pedagógica inclusiva demanda o reconhecimento da diversidade como valor, e não como obstáculo, o que implica reorganizar a escola como um todo para atender aos diferentes modos de aprender, em especial por meio da criação e uso de materiais acessíveis (Castro; Castro, 2021). A escola que se compromete com a inclusão não pode delegar à sala de recursos a responsabilidade exclusiva pelas adaptações, mas deve assumir coletivamente o desafio de construir percursos pedagógicos acessíveis, em diálogo constante entre os docentes do ensino comum e os profissionais do AEE (Pereira; Caldeira, 2021). Essa articulação é fundamental para que o uso de materiais adaptados deixe de ser uma prática isolada e se torne parte orgânica do planejamento escolar (Jesus, 2023).
A escassez de recursos materiais e a sobrecarga de trabalho enfrentada pelos professores da educação especial são fatores que fragilizam a implementação de práticas inclusivas efetivas, revelando a necessidade de políticas educacionais que garantam financiamento adequado e condições dignas de trabalho (Costa, 2022). Quando não há investimento institucional na aquisição, produção e socialização de materiais adaptados, a escola opera por meio de soluções improvisadas, muitas vezes sustentadas pelo esforço individual dos docentes (Santos, 2023). Essa precariedade compromete a continuidade das ações pedagógicas e impede a consolidação de uma cultura escolar inclusiva (Almeida; Ghizzi, 2021).
O processo de construção de materiais estruturados e adaptados deve considerar, ainda, os aspectos culturais, afetivos e sociais que atravessam a experiência escolar dos estudantes com deficiência, evitando generalizações e respeitando as singularidades que caracterizam cada trajetória (Silva; Brito, 2021). O uso de objetos significativos, familiares e contextualizados com a vivência dos alunos favorece a apropriação do conhecimento e amplia o repertório de experiências escolares (Biazus; Gris, 2022). Tal abordagem requer sensibilidade pedagógica e escuta atenta, atributos que devem ser fortalecidos no processo de formação docente (Godoy, 2022).
As tipologias de materiais estruturados são múltiplas e variam conforme a área do conhecimento, o tipo de deficiência e os objetivos pedagógicos pretendidos, incluindo desde recursos táteis e visuais até jogos interativos e suportes digitais acessíveis (Lima, 2023). Entre os recursos mais utilizados estão os painéis sensoriais, os jogos de memória com textura, os livros em braile ou ampliados, os aplicativos de leitura com síntese de voz e os vídeos com interpretação em Libras (Rodrigues, 2023). Tais recursos, quando integrados ao planejamento curricular, potencializam as aprendizagens e ampliam a participação dos alunos nas atividades coletivas da turma (Souza, 2021).
O caráter artesanal de muitos materiais adaptados, frequentemente produzidos pelos próprios professores, revela tanto a criatividade quanto a precarização das condições de trabalho na educação especial, evidenciando a necessidade de políticas públicas que valorizem essa produção e a transformem em política sistemática (Nascimento, 2022). A valorização do fazer docente deve considerar o tempo necessário para a construção de materiais, bem como a oferta de formações que auxiliem na sistematização de metodologias inclusivas (Castro; Castro, 2021). Nesse contexto, a atuação das universidades e dos centros de formação continuada é estratégica para disseminar práticas bem-sucedidas e fomentar a criação de acervos coletivos de recursos adaptados (Pereira; Caldeira, 2021).
Ao mesmo tempo, a produção de materiais acessíveis não pode ser dissociada de uma crítica às estruturas escolares que ainda operam sob modelos homogeneizantes de ensino, os quais ignoram a diversidade presente nas salas de aula (Jesus, 2023). A prática inclusiva requer uma escola que se reinvente, acolhendo os estudantes com deficiência não como exceção, mas como sujeitos integrantes da dinâmica escolar e coconstrutores do processo pedagógico (Costa, 2022). Essa reinvenção demanda não apenas vontade política, mas mudanças estruturais e epistemológicas que impactem diretamente a organização do currículo, da avaliação e do tempo pedagógico (Santos, 2023).
Os materiais estruturados e adaptados, ao mediar a aprendizagem, também promovem o reconhecimento dos estudantes como sujeitos capazes, desafiando as expectativas negativas que frequentemente recaem sobre os alunos com deficiência (Almeida; Ghizzi, 2021). Essa mediação possibilita experiências escolares mais significativas, nas quais os estudantes podem expressar seus saberes por meio de múltiplas linguagens, rompendo com a hegemonia da linguagem escrita como único modo legítimo de aprender e demonstrar conhecimento (Silva; Brito, 2021). Ao ampliar os canais de expressão, a escola se aproxima dos princípios de justiça curricular e equidade (Biazus; Gris, 2022).
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Diante do percurso investigativo realizado, foi possível confirmar que os materiais estruturados e adaptados constituem-se como ferramentas pedagógicas fundamentais no processo de ensino-aprendizagem de estudantes com necessidades educacionais especiais atendidos nas salas de recursos multifuncionais entre o 6º e o 9º ano do Ensino Fundamental. A análise teórica desenvolvida permitiu compreender que tais materiais não apenas mediam o acesso ao conhecimento, mas também desempenham um papel decisivo na construção da autonomia, no fortalecimento da autoestima e na permanência significativa dos alunos na trajetória escolar. A hipótese inicialmente levantada, de que a elaboração criteriosa desses recursos favoreceria práticas inclusivas de qualidade, mostrou-se amplamente sustentada pelos achados da literatura analisada.
Ao longo da pesquisa, foi possível identificar com clareza os tipos mais recorrentes de materiais estruturados utilizados no AEE, bem como as estratégias docentes aplicadas na sua construção e implementação. Evidenciou-se que, quando esses materiais são planejados com base em princípios pedagógicos sólidos e alinhados às necessidades individuais dos estudantes, tornam-se agentes de transformação nas experiências educacionais. Também se confirmou que sua presença qualificada no cotidiano escolar contribui para a superação de barreiras didáticas frequentemente invisibilizadas pelas práticas convencionais de ensino. Assim, o estudo atendeu plenamente aos objetivos propostos, revelando que a produção e o uso de materiais acessíveis deve ser concebido como um componente central de qualquer proposta curricular comprometida com a inclusão.
O problema de pesquisa foi respondido de maneira consistente: o uso de materiais estruturados adaptados potencializa a aprendizagem de alunos público-alvo da educação especial ao oferecer formas alternativas e eficazes de apropriação dos conteúdos escolares. Essa constatação reafirma a importância de investir na formação continuada dos docentes e na valorização institucional da produção desses recursos, de modo a ampliar sua presença e qualificar sua aplicação nos diferentes contextos educacionais. Por conseguinte, a análise crítica dos estudos revisados também permitiu reforçar que a atuação da sala de recursos não pode ser isolada, mas deve articular-se com o projeto pedagógico da escola e com as práticas dos professores do ensino comum.
Ainda que o estudo tenha alcançado resultados significativos, reconhece-se que a pesquisa bibliográfica, por sua própria natureza, impõe limites quanto à observação direta das práticas pedagógicas e à análise empírica das interações em sala de aula. Por esse motivo, recomenda-se que futuras investigações avancem para estudos de campo, a fim de observar, em contextos reais, os efeitos concretos da utilização dos materiais estruturados na aprendizagem dos estudantes. Estudos de abordagem qualitativa, com entrevistas, observações participantes e análise documental em diferentes redes de ensino, podem contribuir para aprofundar a compreensão sobre a efetividade desses recursos e suas repercussões na inclusão escolar.
Em vista do exposto, conclui-se que a valorização dos materiais estruturados e adaptados não pode mais figurar como pauta secundária na agenda da educação inclusiva. Eles são expressão concreta do compromisso com o direito à aprendizagem e, quando utilizados de forma planejada e integrada ao contexto escolar, tornam-se não apenas acessos ao currículo, mas caminhos para a cidadania plena. Assim, consolidar sua presença no cotidiano pedagógico exige vontade política, formação docente, financiamento público e, sobretudo, a crença inegociável de que toda diferença é uma possibilidade legítima de aprender.
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