Envelhecimento ativo e qualidade de vida: A eficácia de programas personalizados de exercício físico na promoção da saúde do idoso.

ACTIVE AGEING AND QUALITY OF LIFE: THE EFFECTIVENESS OF PERSONALISED PHYSICAL EXERCISE PROGRAMMES IN PROMOTING ELDERLY HEALTH

ENVEJECIMIENTO ACTIVO Y CALIDAD DE VIDA: LA EFICACIA DE LOS PROGRAMAS PERSONALIZADOS DE EJERCICIO FÍSICO EN LA PROMOCIÓN DE LA SALUD DEL ADULTO MAYOR

Autor

URL do Artigo

https://iiscientific.com/artigos/A0DEA8

DOI

doi.org/10.63391/A0DEA8

MAGALHÃES, Fábio Leal Segura. Envelhecimento ativo e qualidade de vida: A eficácia de programas personalizados de exercício físico na promoção da saúde do idoso.. International Integralize Scientific. v 5, n 49, Julho/2025 ISSN/3085-654X

Resumo

O estudo investiga os efeitos de programas personalizados de exercício físico sobre a saúde cognitiva, funcional e emocional da população idosa. Aborda a relevância dessas intervenções na prevenção de doenças crônicas e demenciais, considerando a importância da atividade física como estratégia de promoção da qualidade de vida. Utiliza como metodologia uma revisão de literatura nacional e internacional, com ênfase em publicações dos últimos cinco anos, selecionadas por critérios de relevância e rigor científico. Analisa evidências clínicas, relações genéticas, programas específicos e impactos psicossociais associados à prática corporal em idosos. Identifica-se que tais programas favorecem a autonomia, o bem-estar e o engajamento social, contribuindo de forma mensurável para o envelhecimento saudável. Conclui-se, de forma preliminar, que a personalização das intervenções amplia sua efetividade e legitima a atuação da Educação Física como área estratégica na atenção à saúde do idoso, ao integrar ciência, humanização e funcionalidade em uma mesma proposta.
Palavras-chave
atividade física; envelhecimento; função cognitiva; intervenção; qualidade de vida.

Summary

This study investigates the effects of personalised physical exercise programmes on the cognitive, functional, and emotional health of older adults. It addresses the relevance of such interventions in preventing chronic and neurodegenerative diseases, highlighting physical activity as a key strategy for promoting quality of life. The methodology involves a literature review of national and international sources, focusing on studies from the last five years selected based on relevance and scientific rigour. It analyses clinical evidence, genetic correlations, tailored activity programmes, and psychosocial impacts related to physical practice in elderly individuals. The findings indicate that these programmes enhance autonomy, well-being, and social engagement, contributing measurably to healthy ageing. It concludes, on a preliminary basis, that personalised interventions increase their effectiveness and reinforce Physical Education as a strategic field in elderly care, by integrating science, humanisation, and functionality into a coherent and inclusive approach.
Keywords
ageing. cognitive function; intervention; physical activity; quality of life.

Resumen

Este estudio investiga los efectos de los programas personalizados de ejercicio físico sobre la salud cognitiva, funcional y emocional de las personas mayores. Aborda la relevancia de dichas intervenciones en la prevención de enfermedades crónicas y neurodegenerativas, destacando la actividad física como una estrategia clave para promover la calidad de vida. La metodología consiste en una revisión de literatura nacional e internacional, centrada en estudios de los últimos cinco años seleccionados según criterios de relevancia y rigor científico. Se analizan evidencias clínicas, correlaciones genéticas, programas adaptados y los impactos psicosociales asociados a la práctica corporal en personas mayores. Los resultados indican que estos programas favorecen la autonomía, el bienestar y la participación social, contribuyendo de manera medible al envejecimiento saludable. Se concluye, de forma preliminar, que la personalización de las intervenciones aumenta su efectividad y refuerza a la Educación Física como un campo estratégico en el cuidado del adulto mayor.
Palavras-clave
actividad física; calidad de vida; envejecimiento; función cognitiva; Intervención.

INTRODUÇÃO

O envelhecimento populacional configura-se como um dos maiores desafios contemporâneos, exigindo novas abordagens que valorizem a autonomia, a funcionalidade e a qualidade de vida na terceira idade, entre essas abordagens, destaca-se o envelhecimento ativo, conceito que remete à promoção da saúde física, mental e social por meio de práticas intencionais, como o exercício físico. Nesse contexto, emerge a necessidade de investigar estratégias eficazes para promover o bem-estar dos idosos, diante disso, o presente estudo propõe analisar os efeitos de programas personalizados de exercício físico sobre a saúde integral dessa população. A proposta nasce da inquietação em torno do seguinte questionamento: Até que ponto tais programas contribuem, de fato, para a melhoria da qualidade de vida dos idosos?

Ao considerar essa problemática, justifica-se a escolha do tema pelo seu potencial de intervenção direta em múltiplas dimensões da vida do idoso, a prática personalizada de exercícios atua na prevenção de doenças, na melhoria da cognição, na preservação da autonomia e na integração social, elementos que se interligam em uma abordagem biopsicossocial. Além disso, o tema apresenta relevância jurídica, pois envolve o direito à saúde e ao envelhecimento com dignidade, conforme preceituado em políticas públicas brasileiras. Sob o aspecto histórico, reconhece-se o avanço da discussão sobre envelhecimento saudável a partir da transição demográfica, já no plano acadêmico, trata-se de um campo fértil para investigações que unam a Educação Física à saúde pública.

Nessa perspectiva, torna-se essencial compreender como o exercício físico, especialmente quando adaptado às especificidades do idoso, pode transformar realidades, o campo da Educação Física tem avançado no reconhecimento das especificidades dessa população, incorporando práticas baseadas em evidências e estratégias interdisciplinares. O presente estudo almeja contribuir com esse debate ao focar em intervenções estruturadas, individualizadas e contínuas, tais intervenções têm potencial de impactar positivamente indicadores como mobilidade, autonomia funcional, cognição e sociabilidade, assim, torna-se pertinente investigar os efeitos concretos desses programas sobre a saúde integral do idoso.

Estruturalmente, o artigo está organizado em quatro partes. A introdução apresenta o tema, a problemática e a justificativa, contextualizando a relevância do estudo, na sequência, o desenvolvimento teórico está dividido em três seções: a primeira discute o envelhecimento ativo e políticas de qualidade de vida; a segunda aborda o exercício físico como prevenção de doenças crônicas e demenciais; e a terceira analisa os efeitos de programas personalizados na saúde funcional e cognitiva dos idosos. Após o desenvolvimento, são apresentadas as considerações finais com as principais conclusões e implicações, por fim, constam as referências que fundamentam a produção científica do trabalho.

Com essa proposta, espera-se oferecer uma contribuição acadêmica significativa ao campo da Educação Física, especialmente no que diz respeito às práticas voltadas à população idosa, o estudo reforça o papel do educador físico como agente de promoção da saúde e de transformação social. Ao trazer evidências sobre os benefícios do exercício físico personalizado, o artigo também visa influenciar políticas públicas e práticas assistenciais. Além disso, promove o reconhecimento da pessoa idosa como sujeito de direitos, ativo e capaz, em suma, busca-se não apenas compreender a eficácia dessas práticas, mas reafirmar o compromisso da ciência com o bem-estar humano.

REVISÃO DA LITERATURA

A intensificação do processo de envelhecimento populacional impõe a reformulação das políticas públicas de saúde, exigindo intervenções que considerem não apenas a longevidade, mas sobretudo a manutenção da autonomia e da qualidade de vida, nesse cenário, o conceito de envelhecimento ativo adquire centralidade, por representar uma estratégia voltada à preservação das funções físicas, cognitivas e sociais dos idosos, de modo contínuo e integrado (Santos et al., 2025). Contudo, tal abordagem ainda esbarra em estruturas assistencialistas e fragmentadas, pouco responsivas às singularidades do envelhecer, é nesse ponto que o diálogo com a Educação Física se torna essencial, como eixo promotor de funcionalidade e pertencimento.

Dando continuidade a essa reflexão, observa-se que o envelhecimento ativo ultrapassa a simples presença do idoso em espaços institucionais e demanda a construção de práticas que respeitem sua autonomia decisória e seus ritmos corporais, a funcionalidade, nesse sentido, deve ser compreendida como a capacidade concreta de exercer papéis sociais, realizar tarefas cotidianas e manter-se inserido na vida comunitária (Neves et al., 2021). Tais pressupostos requerem a atuação interprofissional na atenção primária, onde a Educação Física pode desenvolver ações que transcendam o movimento mecânico e se tornem experiências educativas e restaurativas, particularmente quando guiadas pela escuta qualificada.

Nessa perspectiva, é indispensável reconhecer que o envelhecimento é um processo atravessado por determinantes sociais, culturais e históricos que configuram diferentes trajetórias e formas de habitar o corpo, assim, práticas corporais personalizadas e adaptadas não são apenas uma exigência técnica, mas um compromisso ético com a heterogeneidade que marca a velhice, Os programas mais eficazes são aqueles que abandonam prescrições padronizadas e valorizam a trajetória de vida dos sujeitos, como ressaltam Raimundo e Moraes (2024), portanto, a ação do educador físico exige sensibilidade para interpretar sinais, escutar silêncios e negociar sentidos.

Por conseguinte, torna-se urgente questionar a lógica que ancora boa parte das práticas de atenção ao idoso em modelos centrados na medicalização e na contenção da doença, essa abordagem reduz o envelhecimento a um fenômeno degenerativo, omitindo suas potencialidades e capacidades adaptativas. A incorporação de práticas corporais como parte dos cuidados ofertados na atenção básica é uma estratégia promissora para ressignificar esse modelo e promover intervenções mais integrais (Araújo et al., 2024), ainda assim, essas práticas precisam ser institucionalmente legitimadas e conduzidas por profissionais com domínio técnico e formação crítica.

De forma articulada, é preciso considerar que o envelhecimento humano é dotado de plasticidade, ou seja, é passível de reorganizações e recuperações mesmo em fases avançadas da vida, a literatura científica vem demonstrando que estímulos ambientais adequados, como a prática física adaptada, favorecem a preservação ou até mesmo a reversão de déficits funcionais, quando integrados a uma abordagem contínua e contextualizada (Blasimme, 2021). Essa plasticidade reforça a importância de ações preventivas e educativas desde as primeiras manifestações de declínio, o que amplia a responsabilidade da atenção primária na construção de ambientes promotores de saúde.

Sob tal prisma, é válido ressaltar que a promoção de práticas corporais deve ultrapassar as finalidades puramente fisiológicas e incluir dimensões relacionais, emocionais e simbólicas do movimento, o exercício físico, quando mediado por vínculos afetivos e metodologias participativas, pode reconstruir a autopercepção do idoso, ampliando seu senso de valor e pertencimento. Trata-se de um processo que exige tempo, empatia e compromisso político com a escuta e a mediação cultural (Santos et al., 2025), desse modo, a intervenção não se limita a protocolos, mas torna-se uma pedagogia do cuidado e da convivência.

Nessa direção, a literatura especializada tem ressaltado que os melhores indicadores de sucesso em programas de envelhecimento ativo são observados em ações de caráter continuado, territorializado e construídas com base no vínculo, a Educação Física, quando inserida com intencionalidade no cotidiano da atenção básica, opera como tecnologia leve de cuidado e educação para a saúde (Neves et al., 2021). Isso pressupõe, no entanto, ruptura com práticas autoritárias e distantes, exigindo planejamento participativo, valorização das narrativas e flexibilidade metodológica, a sistematização dessas estratégias ainda é escassa, embora experiências isoladas revelem grande potência.

Por outro lado, ainda são recorrentes as práticas de saúde fragmentadas, marcadas pela escassez de diálogo entre os profissionais e pela verticalização das decisões institucionais, essa limitação estrutural compromete a eficácia de programas interdisciplinares e dificulta a inserção estável da Educação Física como componente efetivo da atenção ao idoso. Superar essa barreira demanda políticas públicas que reconheçam a complexidade do envelhecimento e assegurem o investimento na formação permanente de equipes multiprofissionais (Raimundo; Moraes, 2024), essa transformação requer também coragem institucional e revisão crítica dos paradigmas que sustentam a saúde coletiva.

De maneira interdependente, é necessário admitir que não há envelhecimento ativo possível sem o reconhecimento das desigualdades que atravessam o corpo idoso, questões como pobreza, isolamento social, racismo, capacitismo e desigualdade de gênero ainda configuram barreiras concretas ao acesso a programas de promoção da saúde. As políticas públicas, ao ignorarem essas variáveis, tendem a reproduzir injustiças estruturais e fragilizar o impacto das intervenções (Araújo et al., 2024), portanto, o olhar sensível e interseccional deve orientar tanto o planejamento quanto a execução das ações no território.

Considerando essas dimensões, é imperioso compreender como os programas de exercício físico personalizados têm operado na prática e quais resultados apresentam no que se refere à funcionalidade e à qualidade de vida dos idosos, a plasticidade do envelhecimento e a capacidade de adaptação funcional são elementos-chave para a efetivação de estratégias que respeitem a individualidade e promovam autonomia (Blasimme, 2021). A próxima seção se dedicará à análise desses impactos, com base em dados empíricos e referenciais teóricos, estabelecendo correlações entre prática corporal, cuidado integral e saúde na velhice.

METODOLOGIA

Para alcançar os objetivos propostos, foi adotada uma metodologia fundamentada em revisão de literatura científica nacional e internacional, priorizando publicações dos últimos cinco anos, a seleção dos estudos considerou critérios de atualidade, relevância temática e adequação ao escopo da pesquisa, com foco em periódicos científicos indexados e revisados por pares. Essa escolha metodológica visa garantir a consistência acadêmica e a qualidade das evidências analisadas, o corpus bibliográfico foi construído com base em bases de dados reconhecidas, o que favorece a confiabilidade do material. Assim, buscou-se integrar conhecimento técnico e prático em torno do envelhecimento ativo.

A análise das produções selecionadas foi realizada de forma descritiva e interpretativa, com ênfase nos aspectos qualitativos das abordagens e dos resultados, essa estratégia permite mapear as contribuições científicas já consolidadas, bem como reconhecer lacunas que poderão orientar novos estudos. Ao adotar esse enfoque, o presente trabalho busca contribuir com a sistematização do conhecimento produzido na interface entre a Educação Física e a saúde do idoso, além disso, o estudo pretende dialogar com as experiências de profissionais da área, valorizando a prática fundamentada em evidências, por fim, essa abordagem amplia as possibilidades de atuação crítica e transformadora no contexto do envelhecimento.

RESULTADOS

O envelhecimento populacional é acompanhado por um aumento na incidência de doenças crônicas não transmissíveis e de condições neurodegenerativas, as quais comprometem severamente a funcionalidade e a autonomia dos idosos, dentre os fatores de enfrentamento, a atividade física destaca-se como uma intervenção de baixo custo, com forte respaldo científico quanto à sua eficácia preventiva. Estudos apontam que programas regulares de exercício contribuem para a preservação cognitiva e redução dos fatores de risco para demência (Costa et al., 2025), a Educação Física, nesse panorama, assume papel central na mediação entre os conhecimentos técnico-científicos e a aplicabilidade comunitária dessas práticas.

Sob essa mesma ótica, doenças como hipertensão arterial e diabetes tipo 2, altamente prevalentes na população idosa, têm mostrado sensível redução de incidência e gravidade quando associadas a rotinas de exercícios físicos regulares, essa relação é confirmada por dados que evidenciam o controle glicêmico e pressórico mais eficaz em grupos fisicamente ativos, quando comparados a indivíduos sedentários (Araújo et al., 2024). Dessa maneira, reforça-se a importância da atuação do profissional de Educação Física como agente de promoção da saúde e não apenas de desempenho, contribuindo com estratégias educativas e de adesão.

Entretanto, é preciso reconhecer que a adesão de idosos a programas de atividade física enfrenta inúmeras barreiras, que vão desde questões motivacionais até limitações estruturais e socioeconômicas, a literatura indica que a percepção de inutilidade da prática, o medo de quedas e a falta de acesso a espaços adequados reduzem significativamente a frequência e o engajamento (Silva et al., 2023). Nesse contexto, o planejamento pedagógico deve considerar não apenas o aspecto fisiológico, mas também os componentes psicossociais e ambientais que interferem na motivação e no pertencimento desses sujeitos.

Ainda dentro desse panorama, a inatividade física é apontada como um dos principais fatores de risco modificáveis para o agravamento de doenças crônicas, além de impactar negativamente a saúde mental e a autoestima dos idosos, a ausência de estímulos corporais compromete a plasticidade neural, aumenta a resistência à insulina e reduz a capacidade funcional, agravando o ciclo de dependência (Feter et al., 2020). Frente a esse cenário, cabe à Educação Física propor intervenções que transcendam o treino motor e integrem aspectos de empoderamento e autonomia, construindo sentidos coletivos para o movimento.

Adicionalmente, intervenções que priorizam o envelhecimento saudável demonstram impactos mensuráveis tanto em parâmetros clínicos quanto na percepção subjetiva de bem-estar, a qualidade de vida tende a se elevar quando os programas são bem estruturados, baseados em evidências e ajustados às reais condições dos praticantes (Almeida et al., 2020). Tais resultados reforçam a necessidade de programas individualizados, construídos com base em avaliações funcionais e inseridos de forma intersetorial nas redes de atenção à saúde, valorizando o papel da Educação Física como eixo articulador dessas práticas.

Com base nessas análises, torna-se fundamental investigar como os programas personalizados influenciam a saúde cognitiva e emocional dos idosos, especialmente no enfrentamento precoce de processos demenciais. Essa transição nos permite adentrar a próxima seção, dedicada a examinar as contribuições específicas de intervenções estruturadas sobre a funcionalidade mental e a participação social do idoso, considerando inclusive a relação entre genética e exercício físico como variável moduladora de resultados.

DISCUSSÃO

Nas últimas décadas, o campo da Educação Física tem incorporado, de maneira crescente, abordagens específicas para o cuidado do idoso, sobretudo por meio de programas estruturados de exercício físico, Tais programas buscam preservar a funcionalidade, retardar o declínio cognitivo e fortalecer dimensões emocionais, compondo uma estratégia interdisciplinar de cuidado, evidências empíricas reforçam que intervenções personalizadas geram respostas mais consistentes quando comparadas a atividades padronizadas (Almeida et al., 2020). Desse modo, a individualização das práticas torna-se um elemento central na promoção do envelhecimento saudável, essa premissa também sustenta a urgência de revisões sistemáticas sobre os impactos mensuráveis dessas ações.

Para além da estrutura técnica dos exercícios, a literatura científica tem aprofundado investigações sobre as bases genéticas da resposta cognitiva ao esforço físico, nesse sentido, destaca-se a relação entre polimorfismos do gene APOE e o desempenho cognitivo em idosos submetidos a intervenções regulares. Colovati et al. (2021) demonstram que a prática física tem potencial para modular os efeitos negativos desse marcador genético, sugerindo que o exercício pode atuar como fator compensatório em populações geneticamente vulneráveis, essa perspectiva amplia o escopo das práticas da Educação Física, integrando-a ao debate sobre medicina personalizada e neuroproteção.

Complementarmente, observa-se que programas como o Tailored Activity Program (TAP), voltado para idosos com declínio cognitivo, têm produzido impactos significativos na manutenção de habilidades funcionais, Gitlin et al. (2021) evidenciam que a adaptação das atividades às rotinas e aos interesses individuais contribui para a redução de sintomas comportamentais e melhora da qualidade das interações sociais. Tais achados reafirmam a importância da escuta ativa e do planejamento sensível à biografia dos sujeitos, em razão disso, o papel do educador físico deve ser compreendido como mediador de sentidos e reconstrutor de vínculos afetivos no contexto do cuidado.

A esse respeito, a literatura aponta ainda que a participação ativa em práticas corporais pode reforçar aspectos identitários e de pertencimento, fundamentais à preservação da saúde mental na velhice, segundo Göktaş et al. (2020), quanto maior o envolvimento dos idosos em papéis sociais mediados pela atividade física, mais acentuada é a preservação da cognição e do humor. Essa dinâmica evidencia a função das práticas corporais como espaços de ressignificação simbólica do corpo envelhecido, em consequência, o exercício físico passa a ser compreendido não apenas como estratégia fisiológica, mas como expressão de subjetividade e resistência cultural.

Além disso, estudos recentes demonstram que intervenções personalizadas, quando aplicadas com regularidade e monitoramento qualificado, promovem alterações positivas em indicadores bioquímicos, psicológicos e de funcionalidade física, Costa et al. (2025) apresentam dados que revelam melhorias na memória operacional, no equilíbrio e na autopercepção de saúde após doze semanas de intervenção. Esses resultados atestam que a sistematização das atividades físicas, aliada à escuta clínica e à avaliação periódica, pode representar um avanço metodológico na atenção ao idoso, tais evidências contribuem para o fortalecimento das práticas baseadas em evidências no campo da Educação Física.

Sob essa perspectiva, torna-se necessário problematizar os elementos que garantem a eficácia dos programas personalizados, especialmente em contextos de vulnerabilidade social, a heterogeneidade dos idosos, aliada à complexidade dos fatores socioambientais, exige do profissional uma postura crítica, sensível e adaptativa. Almeida et al. (2020) destacam que os ganhos funcionais são mais significativos quando há estabilidade nas condições de vida e continuidade nos vínculos institucionais, assim, é possível inferir que a efetividade dos programas não reside apenas na técnica aplicada, mas no modo como ela é inserida na ecologia de vida dos participantes.

Por conseguinte, é importante compreender que os programas personalizados não operam isoladamente, mas interagem com variáveis como motivação, redes de apoio e políticas públicas, a Educação Física, ao se posicionar como um campo estratégico para o envelhecimento ativo, deve assumir a responsabilidade de articular ações com os demais dispositivos da rede de atenção. Göktaş et al. (2020) reforçam que a participação comunitária é um marcador essencial de sucesso das intervenções voltadas à terceira idade, logo, o planejamento das práticas deve considerar contextos territoriais, saberes populares e dispositivos de escuta mútua, o que fortalece a humanização do cuidado.

Diante dessas reflexões, emerge a questão que orienta este estudo: até que ponto tais programas contribuem, de fato, para a melhoria da qualidade de vida dos idosos? A análise crítica dos dados evidencia que, quando planejadas com rigor técnico, base científica e sensibilidade social, as intervenções personalizadas demonstram impacto relevante na saúde cognitiva e funcional. Gitlin et al. (2021) e Costa et al. (2025) comprovam que há ganhos substanciais em indicadores clínicos, emocionais e sociais, desde que respeitadas as singularidades e as condições concretas dos sujeitos envolvidos, assim, o desafio está em consolidar tais práticas como política permanente de cuidado integral e humanizado.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A análise dos dados permitiu constatar que os programas personalizados de exercício físico exercem influência significativa sobre a saúde cognitiva, funcional e emocional dos idosos, observou-se que os benefícios não se restringem ao desempenho físico, mas também promovem o fortalecimento de vínculos sociais, o estímulo à autonomia e a elevação da autoestima. Com isso, é possível afirmar que tais intervenções contribuem positivamente para a promoção da qualidade de vida na velhice, a correlação entre a prática regular e a prevenção de doenças crônicas e demenciais demonstrou-se consistente com os objetivos propostos, a pesquisa, portanto, alcançou resultados expressivos e coerentes com as hipóteses iniciais.

A relevância do estudo se reflete na compreensão de que o exercício físico, quando sistematizado com base nas necessidades e potencialidades dos indivíduos, atua como instrumento terapêutico e educativo, as evidências reunidas indicam que programas personalizados não apenas retardam os efeitos do envelhecimento, como também ressignificam a experiência de ser idoso. Essa abordagem interdisciplinar amplia o papel do profissional de Educação Física na atenção à saúde, posicionando-o como agente promotor de bem-estar integral, desse modo, os resultados obtidos oferecem suporte prático e teórico para intervenções em diferentes contextos institucionais e comunitários.

Considerando os avanços verificados, recomenda-se o aprofundamento de estudos que explorem a relação entre práticas corporais e a diversidade biopsicossocial da população idosa, investigações futuras poderão ampliar a amostra, testar diferentes metodologias de intervenção e comparar os impactos em grupos com perfis variados. Tais pesquisas devem adotar uma perspectiva longitudinal e colaborativa, envolvendo diferentes setores da saúde e da educação, o presente trabalho contribui, assim, para o fortalecimento do campo da Educação Física no enfrentamento dos desafios do envelhecimento, promovendo novas possibilidades de ação e reflexão crítica sobre o cuidado humanizado.

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MAGALHÃES, Fábio Leal Segura. Envelhecimento ativo e qualidade de vida: A eficácia de programas personalizados de exercício físico na promoção da saúde do idoso..International Integralize Scientific. v 5, n 49, Julho/2025 ISSN/3085-654X

Referencias

Vivian Caroline Coraucci.
BAILEY, C. J.; LEE, J. H.
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v. 67
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2021.
Disponível em: https://academic.oup.com/cid/article/67/7/1208/6141108.
Acesso em: 2024-09-03.

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