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Resumo
INTRODUÇÃO
A Esofagite Eosinofílica (EE) imunomediada por IgE é uma doença crônica inflamatória do esôfago, caracterizada pela presença de eosinófilos no tecido esofágico. A restrição alimentar é um dos principais tratamentos para crianças com EE, visando reduzir a inflamação e aliviar os sintomas (Kestering, et al., 2022).
Segundo Martins et al. (2022), as causas prováveis para a EE são: Alergia a alimentos (leite, ovos, trigo, soja, nozes, etc.); Sensibilidade a alimentos; Alterações na microbiota intestinal e Fatores genéticos. Dentre as manifestações clínicas incluem-se: Dor abdominal; Vômitos; Diarreia; Constipação; Dificuldade para engolir e Perda de peso. A EE pode acarretar males à saúde como: Obstrução esofágica; Estenose esofágica; Hemorragia esofágica e Disfunção esofágica.
Para Mendonça e Pinto (2020), as intervenções Nutricionais junto às crianças podem incorporar: Avaliação nutricional inicial; Desenvolvimento de um plano alimentar personalizado; Monitoramento do crescimento e desenvolvimento; Educação nutricional para pais e cuidadores; Ajustes na dieta conforme necessário. Alimentos Comuns para Restrição: Leite e derivados, ovos, trigo e derivados, soja e derivados, nozes, sementes, peixes e frutos do mar. A educação nutricional é fundamental para garantir a adesão a um plano alimentar e prevenir complicações.
A Sociedade Brasileira de Pediatria (2018), estima que a prevalência de EE em crianças é de 1-4% na população geral. Um estudo brasileiro encontrou que 71,4% das crianças com EE apresentavam sintomas gastrointestinais, sendo esta patologia mais comum em crianças com histórico de alergia ou asma.
A questão de relevância para o estudo para ser respondida é: A restrição alimentar como tratamento em crianças pré-escolares com diagnóstico de esofagite eosinofílica, promove benefícios reais?
Este estudo tem o objetivo de realizar uma revisão bibliográfica sobre a restrição alimentar como tratamento em crianças pré-escolares com diagnóstico de EE. Como objetivos específicos apresentam-se: características e consequências da EE; descrição dos possíveis impactos nutricionais da restrição alimentar na vida dessas crianças.
A hipótese é que dietas restritivas podem gerar benefícios reais ao público-alvo em questão. O presente estudo visa explicar as características da doença, a partir da compreensão de sua Fisiopatologia, Etiologia e Prevalência. Ao abordar esses aspectos, este artigo pretende contribuir para um melhor entendimento da EE e, consequentemente, para um diagnóstico e tratamento mais eficazes.
A ESOFAGITE EOSINOFÍLICA (EE) E SUAS CARACTERÍSTICAS
De acordo com Freire et al. (2024), na década de 90 surgiram os primeiros relatos da patologia, que começou a apresentar um aumento na incidência de casos após o surgimento da endoscopia e da biópsia. Entretanto, os sintomas sistêmicos da Esofagite Eosinofílica são dificilmente notados por ser um problema de saúde que pode ser assintomático ou não.
De acordo com Macedo, Caldas e Landim (2021), as formas de restrições alimentares comportam: Exclusão de alimentos alergênicos; Dieta de eliminação (exclusão de 1-2 alimentos por vez); Dieta de rotulagem (exclusão de alimentos com alto risco de alergia); Dieta Elemental (fórmulas hidrolisadas ou de aminoácidos). A restrição alimentar é um tipo de tratamento eficaz para crianças com EE e a intervenção nutricional deve ser personalizada e baseada em uma avaliação cuidadosa dos sintomas e necessidades nutricionais da criança.
Como os sintomas sistêmicos da EE são frequentemente difíceis de detectar, torna-se um fator que contribui para um diagnóstico tardio, o que pode levar a complicações graves, como estenose esofágica e obstrução. São apontados como Fatores Desencadeadores dessa patologia: a ingestão de alimentos alérgenos; estresse; infecções virais ou bacterianas e mudanças climáticas (Oliveira e Silva et al., 2023).
Diante desse cenário, é fundamental desenvolver entendimentos sobre a EE para garantir um rápido diagnóstico e tratamento efetivo. Para compreender as características da doença, é necessário abordar aspectos fundamentais como a fisiopatologia que consiste em identificar como a doença afeta o organismo e quais são os mecanismos envolvidos na inflamação do esôfago (Mateus; Souza, 2022).
Os mesmos autores referem ser necessário observar a etiologia, visando perceber os fatores que desencadeiam a doença, incluindo alimentos alérgenos e outras possíveis causas, bem como identificar a prevalência da EE que consiste em entender a frequência da doença na população e quais são os grupos mais afetados.
A fisiopatologia da EE está associada a fatores genéticos, ambientais e alérgenos que atraem eosinófilos e linfócitos T para essa área. As células T helper 2 são ativadas para produzir interleucinas que, por sua vez, estimulam a ativação dos eosinófilos e aumentam a produção de eotaxina-3, ao mesmo tempo em que reduzem a síntese de filagrina e desmogleína 1, comprometendo a barreira epitelial e favorecendo o processo inflamatório. Em crianças, isso pode resultar em dificuldades de crescimento e ganho de peso, enquanto os adultos podem apresentar disfagia, regurgitação e sensação de plenitude (Martins et al., 2022; Oliveira e Silva et al., 2023;).
A condição se manifesta pelo acúmulo de eosinófilos no esôfago, sendo mais comum em adultos. O diagnóstico é confirmado pela identificação de 15 eosinófilos em pelo menos uma das seis amostras de biópsias esofágicas obtidas por endoscopia. O tratamento inicial envolve o uso de Inibidores da Bomba de Prótons e corticosteróides, aliado a intervenções dietéticas. Quando a terapia não resulta em resposta adequada, pode ser necessário realizar dilatação mecânica por endoscopia e o uso de medicamentos biológicos (Martins et al., 2022; Caruso; Brandão, 2021).
Para Martins et al. (2022), a etiologia da EE é multifatorial e envolve uma combinação de fatores genéticos, ambientais e imunológicos. Alguns dos principais fatores etiológicos são: Fatores Genéticos ou Predisposição familiar: EE tende a ocorrer em famílias com história de alergias ou doenças inflamatórias; Mutações genéticas: Alterações nos genes relacionados à resposta imune e inflamação.
De acordo com Oliveira e Silva et al. (2023), existem Fatores Ambientais que predispõem à doença: Alérgenos alimentares (Leite, ovos, trigo, soja, nozes, peixes e frutos do mar), Alérgenos ambientais (Pólen, poeira, mofo); Estresse; Fatores Imunológicos (Hipersensibilidade tipo 2: Reação imune mediada por IgE); Ativação de eosinófilos (Células imunes que liberam substâncias químicas inflamatórias); Desregulação da resposta imune: (Falha na regulação da resposta imune, levando à inflamação crônica). Outros Fatores: Alterações na microbiota intestinal; Doenças gastrointestinais pré-existentes (refluxo gastroesofágico entre outros); Uso de medicamentos (inibidores da bomba de prótons entre outros).
A prevalência da EE varia de acordo com a população estudada e o critério diagnóstico utilizado. A estimativa de prevalência mundial (1-4% da população geral). Prevalência por faixa etária: Crianças: 0,5-2%; Adolescentes: 1-3% e Adultos: 2-5%. Prevalência em grupos de risco: Pacientes com asma: 10-20%; Pacientes com alergia: 5-15% e Pacientes com doença celíaca: 2-5%. Essas estimativas podem variar dependendo do critério diagnóstico utilizado e da população estudada. Além disso, a EE pode ser subdiagnosticada, o que pode afetar as estimativas de prevalência.
A EE é uma condição crônica e, atualmente, não há cura conhecida. No entanto, com tratamento adequado, é possível controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida dos pacientes. O tratamento para EE geralmente envolve a combinação de: Dieta restritiva (evitando alimentos alergênicos e/ou irritantes); Medicamentos (anti-inflamatórios, antialérgicos e/ou imunossupressores); Terapia nutricional (suplementação com nutrientes essenciais); Monitoramento contínuo por acompanhamento nutricional e médico regular para ajustar o tratamento conforme necessário (Macedo; Caldas; Landim, 2021).
Os referidos autores apontam ser importante notar que a EE é uma doença complexa e multifatorial, e a etiologia pode variar de pessoa para pessoa. O diagnóstico e tratamento precisam ser personalizados para cada paciente, visto que a intenção é reduzir a inflamação e os sintomas, prevenir complicações (como estenose esofágica) e melhorar a qualidade de vida do paciente. Em alguns casos, pacientes com EE podem experimentar períodos de remissão, onde os sintomas desaparecem ou diminuem significativamente. No entanto, é importante continuar com o tratamento e monitoramento para evitar recaídas.
Estudos recentes têm explorado novas opções terapêuticas, como: Terapia com anticorpos monoclonais, Imunoterapia e Transplante de células-tronco. No entanto, essas opções ainda estão em fase experimental e não estão amplamente disponíveis. É fundamental que pacientes com EE trabalhem em estreita colaboração com seus médicos e nutricionistas para se desenvolver um plano de tratamento personalizado e eficaz.
METODOLOGIA
Conforme Lakatos e Marconi (2017), as investigações de cunho social são características do método qualitativo, que não requer a quantificação estatística. Nesse contexto, ao optar por uma Revisão de Literatura, o presente estudo revela uma estrutura que é essencialmente qualitativa, descritiva e exploratória.
Para fundamentar a pesquisa bibliográfica, foram realizadas buscas sistemáticas nas principais plataformas de acesso a literatura científica, incluindo Scielo, Portal Regional da BVS, Portal de Periódicos CAPES e PubMed. Essas buscas foram realizadas com base em descritores específicos, nomeadamente: Restrição Alimentar, Crianças pré-escolares e Esofagite Eosinofílica (EE).
O objetivo central desta investigação foi orientado pela seguinte pergunta norteadora: A restrição alimentar como tratamento em crianças pré-escolares com diagnóstico de esofagite eosinofílica, promove benefícios reais? Com o objetivo de proporcionar uma análise rigorosa e baseada em evidências científicas, optou-se por selecionar artigos publicados entre os anos de 2020 a 2024. A pesquisa inicial resultou em 113 artigos relevantes.
Após uma avaliação cuidadosa dos descritores e uma leitura detalhada dos resumos, o número de artigos foi reduzido para onze artigos que foram considerados relevantes para a discussão. Na fase final do processo de exclusão e comparação de semelhanças, nove artigos foram selecionados como as bases para discussão e análise.
RESULTADOS
Os artigos analisados foram sintetizados conforme seu conteúdo original, mantendo o destaque para autor, ano, título, objetivo, método e considerações finais. A apresentação segue o conceito cronológico decrescente.
Autores: Freire et al. (2024). Título: Hipertensão intracraniana idiopática ou pseudotumor encefálico: revisão sobre suas manifestações clínicas. Objetivo: Analisar as manifestações clínicas da esofagite eosinofílica em populações adultas e pediátricas. Método: Revisão integrativa da literatura. Considerações Finais: Os dados obtidos demonstram que crianças apresentam disfunção alimentar, sintomas de refluxo e dor abdominal. Foi constatada também a dismotilidade esofágica e complicações sérias, como perfuração do esôfago, em ambas as idades. A discussão enfatizou a relevância de diagnósticos diferenciais e de um manejo individualizado que visa aprimorar a qualidade de vida dos pacientes. Destaca-se que a compreensão das características clínicas e epidemiológicas da esofagite eosinofílica é fundamental para um diagnóstico precoce e um tratamento efetivo, prevenindo assim complicações e melhorando os resultados clínicos.
Autores: Torres, Tenório e Silva (2024). Título: Da etiopatogênese às estratégias terapêuticas: uma revisão integrativa da literatura sobre a esofagite eosinofílica. Objetivo: compreender e sintetizar informações desde os aspectos etiológicos até as estratégias terapêuticas, proporcionando uma visão holística e atualizada dessa condição médica. Método: Revisão integrativa da literatura. Considerações Finais: os resultados indicam que indivíduos com predisposição genética podem apresentar infiltração da mucosa esofágica com componentes granulocíticos, especificamente eosinófilos e basófilos, resultantes do consumo de determinados alimentos, como leite e trigo.
As dietas de eliminação se destacam como uma opção terapêutica vantajosa, já que reduzem a necessidade de medicamentos crônicos para o controle da doença. Os inibidores da bomba de prótons (IBPs) representam uma escolha eficaz para o tratamento farmacológico da EE, podendo ser utilizados isoladamente ou em combinação com outras terapias. Portanto, é imprescindível ressaltar a necessidade de mais pesquisas, incluindo ensaios clínicos randomizados, para identificar as estratégias terapêuticas mais eficazes, que podem melhorar os sintomas e o bem-estar nutricional dos pacientes.
Autores: Xavier et al. (2024). Título: Abordagens terapêuticas da esofagite eosinofílica: revisão integrativa de literatura. Objetivo: Aprofundar o conhecimento sobre métodos alternativos de tratamento da EE. Método: Revisão bibliográfica de literatura. Considerações Finais: O estudo revisado fornece evidências sobre as opções terapêuticas disponíveis para o tratamento da EE. A combinação de terapia não farmacológica com tratamento medicamentoso é preferível, uma vez que contribui para a melhora progressiva dos sintomas dos pacientes. A combinação de dietas de eliminação com IBPs ou corticosteroides tópicos mostrou-se promissora no tratamento da maioria dos pacientes. A EE é uma condição relativamente nova, com progressão constante nas últimas duas décadas, especialmente entre os adultos.
Autores: Oliveira e Silva et al. (2023). Título: Esofagite Eosinofílica – uma revisão de literatura. Objetivo: Reunir informações por meio da análise de estudos recentes sobre aspectos inerentes à EE, incluindo epidemiologia, fisiopatologia, diagnósticos e tratamento. Método: Revisão bibliográfica de literatura. Considerações Finais: a EE é uma condição médica crônica associada a inflamação do esôfago, apresentando um aumento significativo na incidência nas últimas décadas. Embora frequentemente diagnosticada na infância ou em adultos mais velhos, a doença pode ser confundida com outras condições, como refluxo gastroesofágico, tornando o diagnóstico desafiador. Assim, é essencial que os profissionais de saúde considerem a esofagite eosinofílica como uma possível causa de sintomas esofágicos, especialmente em pacientes com histórico de alergias ou condições atópicas.
Autores: Queiros et al. (2023). Título: A prevalência da Esofagite Eosinofílica no Brasil – uma revisão de literatura. Objetivo: Revisar dados da literatura sobre a EE, ampliando o conhecimento sobre seus aspectos etiológicos e fisiopatológicos, além de discutir a incidência e prevalência no Brasil. Métodos: revisão sistemática de literatura no formato exploratório. Considerações Finais: a EE é uma doença em ascensão no Brasil, frequentemente subnotificada e que impacta significativamente a vida cotidiana das pessoas. A interação de antígenos e o epitélio esofágico pode desencadear sintomas como disfagia crônica, impactação alimentar e vômitos. Foi observada uma associação entre indivíduos atópicos e um maior desenvolvimento da doença. A realização de novas pesquisas sistemáticas e metanálises é necessária para aumentar o conhecimento sobre a EE, auxiliando os médicos generalistas, especialmente na atenção primária.
Autores: Kestering et al. (2022). Título: Esofagite eosinofílica: uma condição inflamatória crônica do esôfago. Objetivo: Evidenciar dados da literatura sobre a EE com o intuito de ampliar, fomentar e realizar um processo de atualização do assunto para médicos e acadêmicos de medicina, visando o melhor aprendizado sobre a patologia e melhores condutas perante diagnósticos positivos. Método: Revisão bibliográfica de literatura. Considerações finais: a EE é uma patologia de difícil diagnóstico devido ao fato de expressar sintomas parecidos com o da Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) que, quando presente, deve ser tratada rapidamente, com o intuito de evitar prejuízos funcionais e promover melhor qualidade de vida para esses pacientes.
Autores: Martins et al. (2022). Título: Epidemiologia e tratamento da Esofagite Eosinofílica: uma revisão narrativa. Objetivo: revisar de forma didática a abordagem geral da EE, discutindo desde a epidemiologia até o tratamento. Método: revisão bibliográfica de literatura. Considerações finais: a EE ainda é uma enfermidade de difícil diagnóstico com presença de sintomas confundidos com Doença do Refluxo Gastroesofágico. Quando presente, a esofagite eosinofílica deve ser rapidamente tratada, evitando complicações.
Autores: Mateus e Souza (2022). Título: Esofagite Eosinofílica: os processos inflamatórios causados pelos alérgenos alimentares. Objetivo: entender mais sobre as questões acerca da EE. Método: revisão integrativa de literatura. Considerações finais: o conteúdo abordado com base nos artigos pesquisados demonstra que o leite, amendoim, ovos, soja, crustáceos e trigo estão entre os principais alimentos que induzem os sintomas inflamatórios da EE, assim fazendo com que o indivíduo apresente dificuldades na sua alimentação seguida por manifestações clínicas como a disfagia e impactação alimentar.
Autores: Caruso e Brandão (2021). Título: Esofagite eosinofílica: progresso clínico e principais abordagens terapêuticas em pacientes pediátricos. Objetivo: investigar as características clínicas e epidemiológicas, a resposta ao tratamento e a evolução dos pacientes diagnosticados com EE na infância, em acompanhamento a um serviço de referência. Método: Estudo de coorte retrospectivo que analisou dados de pacientes entre 0 a 18 anos diagnosticados com EE nos Ambulatórios de Gastroenterologia Pediátrica de um hospital de nível terciário. Considerações finais: observou-se uma predominância de pacientes do sexo masculino, com idade mediana de 5 anos, uma forte correlação com condições atópicas e uma média de 5 endoscopias por paciente durante o acompanhamento. O tratamento mais comum consistiu na combinação de dieta de exclusão, IBP e corticoide administrado por via oral. A maior parte dos pacientes apresentou evolução positiva com as terapias recomendadas.
Autores: Macedo, Caldas e Landim (2021). Título: Uso da dieta de eliminação no tratamento de Esofagite Eosinofílica: uma revisão de literatura. Objetivo: compreender e sintetizar os apontamentos apresentados nos artigos estudados sobre a EE, suas causas, características e tratamentos. Método: revisão integrativa de literatura. Considerações finais: a partir dos estudos realizados, foi possível concluir que houve uma melhora significativa no quadro clínico dos pacientes estudados após a adesão às dietas de exclusão e dietas de eliminação empíricas. Além disso, verificou-se que alimentos específicos, como o ovo, trigo, glúten e leite exercem uma influência marcante na EE, afetando diretamente a manifestação dos sintomas. Diante desses resultados, é fundamental ressaltar a importância do acompanhamento contínuo e da adesão rigorosa à dieta recomendada para pacientes com EE. Essa abordagem é crucial para o sucesso do tratamento e para a redução efetiva da sintomatologia associada à doença.
Autores: Mendonça e Pinto (2020). Título: Esofagite eosinofílica na pediatria: um conceito em evolução. Objetivo: Analisar os fatores que dificultam o diagnóstico e a variação da apresentação clínica da doença em pacientes pediátricos. Método: Revisão bibliográfica de literatura. Considerações finais: A média de idade em que ocorrem os diagnósticos hoje ainda é tardia, o que possibilita a evolução da doença para complicações evitáveis. A partir dos critérios diagnósticos, deve-se atentar também a esta doença quando o paciente apresenta sintomas esofágicos, com o objetivo de evitar que ocorra uma piora do quadro. É fundamental uma abordagem proativa para garantir um diagnóstico precoce e um tratamento eficaz.
DISCUSSÃO
A análise dos artigos sobre a esofagite eosinofílica (EE) revela uma condição complexa e multifacetada que requer um diagnóstico precoce e um tratamento individualizado. De acordo com Freire et al. (2024), a EE apresenta sintomas como disfagia crônica, impactação alimentar, vômitos e dor abdominal, especialmente em crianças. Esses achados são compatíveis com os estudos de Oliveira e Silva et al. (2023) e Kestering et al. (2022), que também destacam a importância do diagnóstico diferencial, pois a EE pode ser confundida com outras condições, como refluxo gastroesofágico.
No entanto, Torres, Tenório e Silva (2024) enfatizam a importância da predisposição genética e do consumo de alimentos específicos, como leite e trigo, no desenvolvimento da EE. Essa perspectiva é compartilhada por Mateus e Souza (2022), que destacam a relação entre a EE e os alérgenos alimentares. Já Xavier et al. (2024) enfatizam a eficácia das dietas de eliminação e dos inibidores da bomba de prótons (IBPs) no tratamento da doença.
Além disso, Caruso e Brandão (2021), demonstram a eficácia da combinação de dieta de exclusão, IBP e corticoide no tratamento de pacientes pediátricos com EE. Esses resultados são semelhantes aos encontrados por Macedo, Caldas e Landim (2021), que ressaltam a importância da adesão rigorosa à dieta recomendada para pacientes com EE.
Contudo, é importante notar que os estudos de Queiros et al. (2023) e Mendonça e Pinto (2020), destacam a necessidade de mais pesquisas sobre a epidemiologia e o tratamento da EE no Brasil. Essa perspectiva é compartilhada por Martins et al. (2022), que enfatiza a importância da epidemiologia e do tratamento da EE em adultos.
Em relação às diferenças entre os estudos, é importante notar que Torres, Tenório e Silva (2024), destacam a importância da predisposição genética, enquanto Mateus e Souza (2022), enfatizam a relação entre a EE e os alérgenos alimentares. Além disso, Caruso e Brandão (2021), se concentram no tratamento de pacientes pediátricos, enquanto Martins et al. (2022), se concentram no tratamento de adultos.
Outro ponto importante é a questão da subnotificação da EE, destacada por Oliveira e Silva et al. (2023) e Kestering et al. (2022). Isso pode ser um obstáculo para o diagnóstico precoce e o tratamento eficaz da doença.
Portanto, é fundamental realizar mais pesquisas para melhorar o manejo da EE e reduzir a sintomatologia associada à doença. Além disso, é importante aumentar a conscientização sobre a EE entre os profissionais de saúde e promover a adesão rigorosa à dieta recomendada para pacientes com EE.
Os autores apresentados neste estudo apontam que a EE é uma condição complexa que requer um diagnóstico precoce e um tratamento individualizado. A compreensão das características clínicas e epidemiológicas da EE é fundamental para um diagnóstico eficaz.
Os supracitados autores recomendam: Aumentar a conscientização sobre a EE entre os profissionais de saúde; Realizar mais pesquisas sobre as estratégias terapêuticas mais eficazes; Implementar uma abordagem proativa para garantir um diagnóstico precoce e um tratamento eficaz; Promover a adesão rigorosa à dieta recomendada para pacientes com EE e; Desenvolver estratégias para reduzir a subnotificação da EE.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A análise integrativa da literatura sobre a esofagite eosinofílica (EE) revelou uma condição complexa e multifacetada que requer um diagnóstico precoce e um tratamento individualizado. A compreensão das características clínicas e epidemiológicas da EE é fundamental para um diagnóstico eficaz e para o desenvolvimento de estratégias terapêuticas eficazes.
Os resultados desta revisão demonstram que a EE é uma doença em ascensão, especialmente entre adultos e crianças com histórico de alergias ou condições atópicas. A predisposição genética e o consumo de alimentos específicos, como leite e trigo, são fatores importantes no desenvolvimento da EE. Além disso, a subnotificação da EE é um obstáculo significativo para o diagnóstico precoce e o tratamento eficaz. As estratégias terapêuticas mais eficazes incluem as dietas restritivas, e podem adotar os tratamentos farmacológicos como inibidores da bomba de prótons (IBPs) e corticoides.
As dietas restritivas são uma abordagem fundamental no tratamento da esofagite eosinofílica (EE). As opções mais comuns incluem: Dieta de eliminação de alimentos comuns: exclui alimentos frequentemente associados à EE, como leite, trigo, ovo, soja, amendoim e frutos do mar; Dieta de exclusão de alimentos específicos: personalizada para cada paciente, exclui alimentos identificados como desencadeadores da EE; Dieta de rotulagem de alimentos: envolve a identificação e rotulagem de alimentos potencialmente alergênicos ou irritantes.
A adesão rigorosa à dieta recomendada é crucial para o sucesso do tratamento. No entanto, é fundamental realizar mais pesquisas para melhorar o manejo da EE e reduzir a sintomatologia associada à doença.
Portanto, é necessária uma abordagem multidisciplinar para melhorar o manejo da EE, incluindo a educação continuada dos profissionais de saúde, investimento em pesquisas clínicas e epidemiológicas, implementação de protocolos de diagnóstico e tratamento padronizados e desenvolvimento de estratégias para aumentar a adesão ao tratamento e reduzir a subnotificação da doença.
Em síntese, a esofagite eosinofílica é uma condição complexa que requer um diagnóstico precoce e um tratamento individualizado. A compreensão das características clínicas e epidemiológicas da EE é fundamental para um diagnóstico eficaz. É essencial realizar mais pesquisas para melhorar o manejo da EE e reduzir a sintomatologia associada à doença.
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