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Resumo
INTRODUÇÃO
A alfabetização e o letramento na educação infantil foram compreendidos como processos fundamentais para o desenvolvimento cognitivo e social das crianças, exigindo estratégias pedagógicas que considerassem suas necessidades e especificidades. Historicamente, a concepção de alfabetização esteve atrelada apenas ao ensino da decodificação das letras e palavras, enquanto o letramento foi gradualmente reconhecido como a ampliação dessa aprendizagem, incluindo a compreensão e a produção de significados em diferentes contextos sociais.
Ao longo dos anos, a educação infantil passou por transformações significativas, incorporando metodologias que priorizavam a interação, a ludicidade e a experimentação como formas eficazes de inserir a criança no universo da leitura e da escrita. Pesquisadores e educadores destacaram a importância de um ambiente alfabetizador que estimulasse o contato com diversos gêneros textuais, promovendo o desenvolvimento da oralidade, da interpretação e da escrita de maneira integrada.
Nesse contexto, a prática pedagógica não se restringiu ao ensino mecânico das letras, mas buscou proporcionar experiências que tornassem a aprendizagem significativa e engajadora. Estratégias como contação de histórias, jogos educativos, músicas e o uso de materiais concretos foram amplamente utilizadas para favorecer a construção do conhecimento de forma lúdica e prazerosa. Além disso, o papel do professor se mostrou essencial na mediação desses processos, garantindo a adaptação das atividades conforme as necessidades individuais de cada criança.
Dessa forma, a alfabetização e o letramento na educação infantil foram entendidos como um percurso dinâmico, que exigiu a articulação entre teoria e prática, bem como o envolvimento das famílias e da comunidade escolar. O reconhecimento da diversidade cultural e linguística dos alunos também se tornou um fator determinante para o sucesso dessas iniciativas, consolidando a perspectiva de uma educação inclusiva e voltada para a formação cidadã desde os primeiros anos de escolarização.
PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
A metodologia adotada para este estudo baseou-se na revisão da literatura, com o intuito de reunir e analisar produções acadêmicas que abordaram a alfabetização e o letramento na educação infantil. A pesquisa foi conduzida a partir da seleção de artigos científicos, livros, dissertações e teses disponíveis em bases de dados reconhecidas, priorizando publicações que discutiram teorias, metodologias e práticas voltadas para o processo de ensino-aprendizagem da leitura e da escrita na primeira infância.
Os critérios de inclusão envolveram trabalhos que apresentaram abordagem conceitual e empírica sobre a temática, considerando diferentes perspectivas teóricas e contextuais. Para garantir a relevância dos dados, foram selecionados estudos que destacaram estratégias pedagógicas eficazes, desafios enfrentados pelos docentes e impactos do letramento no desenvolvimento infantil.
A análise do material coletado foi realizada por meio da leitura crítica e reflexiva dos textos, buscando identificar pontos convergentes e divergentes nas abordagens apresentadas pelos autores. Além disso, foram examinados documentos normativos e diretrizes educacionais que orientaram as práticas de alfabetização e letramento no Brasil, permitindo um embasamento teórico que contextualizou a evolução dessas práticas no cenário educacional. A revisão bibliográfica possibilitou um aprofundamento sobre as contribuições da literatura para a compreensão da complexidade do tema, fornecendo subsídios para a reflexão sobre a importância de metodologias inovadoras que favoreçam o engajamento das crianças no processo de aprendizagem.
ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO
A alfabetização é um dos pilares fundamentais da educação, sendo essencial para o desenvolvimento cognitivo e social das crianças. Diversos estudos apontam para a importância de um ensino que integre alfabetização e letramento, garantindo não apenas a decodificação dos signos linguísticos, mas também a compreensão e utilização da leitura e escrita em contextos reais (Araújo; Adão; Modesto, 2024). Nesse sentido, a adoção de métodos eficientes no processo de alfabetização e letramento torna-se imprescindível.
As práticas pedagógicas que articulam a alfabetização ao letramento são fundamentais para que os estudantes possam desenvolver habilidades linguísticas significativas. Cardoso e Lima (2024) destacam que os professores precisam recorrer a estratégias dinâmicas, como a utilização de textos autênticos e atividades interativas, para estimular a aprendizagem. Além disso, a inserção de tecnologias educacionais pode favorecer o processo de ensino-aprendizagem, uma vez que amplia as possibilidades de interação e engajamento dos alunos (Gomes et al., 2020).
Um dos desafios encontrados na alfabetização é a heterogeneidade das turmas, que exige dos docentes um olhar atento para as diferentes necessidades dos alunos. Segundo Martins (2024), a análise das dificuldades individuais permite a aplicação de abordagens personalizadas, promovendo a inclusão e potencializando o aprendizado. Nascimento (2024) acrescenta que a perspectiva diferenciada da alfabetização, alinhada à realidade escolar, possibilita uma intervenção pedagógica mais eficaz.
O uso das metodologias ativas também tem se mostrado uma estratégia eficiente no processo de alfabetização. Segundo Marchesoni e Shimazaki (2021), a interação constante entre aluno e professor, aliada a práticas que envolvam experiências concretas de leitura e escrita, facilita a construção do conhecimento. A ludicidade, por exemplo, tem se mostrado uma ferramenta poderosa na alfabetização, pois permite que as crianças aprendam de forma mais natural e significativa (Silva, 2024).
No contexto da inclusão, é essencial considerar as necessidades específicas dos alunos, especialmente aqueles com dificuldades de aprendizagem, como a dislexia. Estudos indicam que estratégias diferenciadas, como o uso de recursos multisensoriais e adaptação dos materiais didáticos, são fundamentais para garantir o aprendizado dessas crianças (Oliveira, 2021; Silva, 2021). A formação docente também desempenha um papel crucial nesse processo, pois um professor bem-preparado pode aplicar metodologias mais inclusivas e eficientes (Fernandes et al., 2021).
Diante dos desafios impostos pelo período pandêmico, novas abordagens foram necessárias para garantir a continuidade da alfabetização. Coutinho e Côco (2021) ressaltam que a pandemia trouxe mudanças significativas no ensino, tornando essencial a adequação das práticas pedagógicas ao ensino remoto e híbrido. A adoção de plataformas digitais e a formação docente para lidar com essas tecnologias tornaram-se elementos fundamentais nesse período (Moura, 2020).
A IMPORTÂNCIA DO AMBIENTE ESCOLAR NO PROCESSO DE ALFABETIZAÇÃO
O ambiente escolar desempenha um papel fundamental no processo de alfabetização, pois influencia diretamente a forma como as crianças interagem com o conhecimento, desenvolvem habilidades cognitivas e constroem sua relação com a leitura e a escrita. De acordo com Araújo, Adão e Modesto (2024), a alfabetização não se restringe apenas à aprendizagem do sistema alfabético de escrita, mas também envolve processos de letramento que possibilitam a compreensão e utilização da linguagem em diferentes contextos sociais.
A organização do espaço físico e pedagógico da escola pode influenciar significativamente o desempenho dos alunos. Cardoso e Lima (2024) destacam que práticas pedagógicas que estimulam a interação, o pensamento crítico e a contextualização dos conteúdos favorecem um aprendizado mais significativo. O ambiente escolar deve ser planejado de forma a promover a autonomia dos estudantes, oferecendo materiais diversificados e propostas didáticas que contemplem diferentes estilos de aprendizagem.
Com a pandemia de COVID-19, os desafios da alfabetização foram amplificados, destacando-se a importância da adaptação do ambiente escolar para garantir a continuidade do ensino. Segundo Coutinho e Côco (2021), a necessidade de adaptações tecnológicas e metodológicas trouxe novas reflexões sobre o papel da escola na promoção da inclusão digital e da equidade educacional. Dessa forma, o ambiente escolar precisa estar em constante evolução para atender às necessidades dos alunos em contextos diversos.
Outro aspecto relevante é o uso das tecnologias digitais na alfabetização, que pode contribuir para tornar o aprendizado mais dinâmico e interativo. Moura (2020) ressalta que as tecnologias oferecem oportunidades de ensino personalizadas, permitindo que os alunos avancem no seu próprio ritmo e tenham acesso a diferentes formas de representação do conhecimento. No entanto, é essencial que os professores sejam capacitados para utilizar essas ferramentas de maneira eficiente, garantindo que o ambiente escolar favoreça uma aprendizagem significativa.
A inclusão também deve ser uma premissa essencial na organização do ambiente escolar. Pereira (2021) argumenta que a colaboração entre docentes, psicopedagogos e outros profissionais da educação é fundamental para assegurar que todos os alunos, independentemente de suas dificuldades ou necessidades específicas, tenham acesso a uma alfabetização de qualidade. Dessa forma, a escola deve ser um espaço acolhedor e adaptado às particularidades dos estudantes, promovendo a equidade no processo de ensino e aprendizagem.
Em suma, o ambiente escolar exerce influência direta na alfabetização, sendo essencial que as instituições educacionais invistam na criação de espaços estimulantes, na formação docente e na implementação de tecnologias que favoreçam a aprendizagem. Como destaca Nascimento (2024), a alfabetização é um processo dinâmico que exige reflexão contínua e adaptação constante às novas demandas educacionais. Dessa forma, a escola precisa estar atenta aos desafios e às potencialidades do ensino, garantindo que todas as crianças tenham acesso a um ambiente propício para a aquisição da leitura e da escrita.
O PAPEL DA FAMÍLIA E DA COMUNIDADE NO LETRAMENTO INFANTIL
O letramento infantil representa um processo contínuo e essencial para o desenvolvimento das competências linguísticas e cognitivas da criança. Nesse contexto, a família e a comunidade desempenham um papel crucial na construção do repertório letrado da infância, fornecendo estímulos e experiências fundamentais para a consolidação das habilidades de leitura e escrita. A interação com materiais escritos, a contação de histórias e a participação em atividades culturais são aspectos que favorecem o desenvolvimento da linguagem e o engajamento com a cultura escrita desde os primeiros anos de vida (Lima, 2024).
A família é o primeiro ambiente de socialização da criança, sendo responsável por introduzi-la ao universo letrado. Conforme destaca Silva (2024), o contato precoce com práticas de leitura e escrita no ambiente doméstico contribui significativamente para a alfabetização e o letramento, pois permite que a criança desenvolva familiaridade com os códigos linguísticos antes mesmo de seu ingresso na escola. Além disso, práticas como a leitura compartilhada, a escrita espontânea e o uso de jogos educativos são estratégias eficazes para fortalecer a relação da criança com a cultura escrita (Souza, 2024).
Por outro lado, a comunidade exerce um papel complementar ao da família, pois possibilita a ampliação das práticas letradas por meio de bibliotecas, projetos culturais e ações educativas que promovem a socialização da leitura e da escrita. De acordo com Moura (2020), as tecnologias digitais também emergem como ferramentas essenciais para o fortalecimento do letramento infantil, especialmente quando integradas de maneira crítica e reflexiva ao cotidiano das crianças. A oferta de recursos multimodais, como livros digitais e aplicativos educativos, pode facilitar a aprendizagem e tornar o processo mais dinâmico e acessível.
No âmbito escolar, a parceria entre família, comunidade e instituições de ensino é fundamental para garantir um processo de alfabetização eficaz. Cardoso e Lima (2024) ressaltam que a construção do letramento deve ser vista como uma responsabilidade compartilhada, na qual diferentes atores sociais contribuem para criar um ambiente favorável ao desenvolvimento das habilidades de leitura e escrita. Essa colaboração possibilita a implementação de estratégias pedagógicas mais eficazes e contextualizadas, reduzindo desigualdades e favorecendo a inclusão educacional.
Além disso, a pandemia da COVID-19 trouxe desafios significativos para o letramento infantil, destacando ainda mais a importância da participação familiar e comunitária nesse processo. Segundo Coutinho e Côco (2021), a interrupção das aulas presenciais e a necessidade do ensino remoto evidenciaram desigualdades no acesso aos recursos educacionais, tornando a atuação da família e das redes comunitárias ainda mais relevante para mitigar os impactos negativos sobre a aprendizagem das crianças.
Dessa forma, o letramento infantil não se limita ao ambiente escolar, mas se constrói na interseção entre família, escola e comunidade. O estímulo contínuo à leitura e à escrita nos diferentes contextos sociais nos quais a criança está inserida fortalece sua autonomia e seu desenvolvimento cognitivo, preparando-a para os desafios da vida acadêmica e social. Como ressaltam Araújo, Adão e Modesto (2024), compreender o letramento como um processo multifacetado e coletivo é essencial para garantir práticas educativas inclusivas e equitativas que beneficiem todas as crianças.
DESAFIOS E ESTRATÉGIAS PARA A ALFABETIZAÇÃO E O LETRAMENTO NA EDUCAÇÃO INFANTIL
A alfabetização e o letramento na educação infantil são processos complexos que envolvem desafios significativos para educadores e gestores escolares. O desafio central reside na necessidade de integrar abordagens pedagógicas que promovam a aprendizagem da leitura e da escrita de forma contextualizada e significativa, respeitando o ritmo de desenvolvimento de cada criança (Araújo; Adão; Modesto, 2024). Nesse sentido, é fundamental compreender que alfabetizar não significa apenas ensinar a decodificação das palavras, mas garantir que a criança compreenda a função social da escrita e desenvolva habilidades para interpretar e produzir textos diversos.
Um dos principais desafios enfrentados pelos professores no processo de alfabetização e letramento é a heterogeneidade das turmas, pois as crianças chegam à escola com experiências linguísticas e culturais distintas. De acordo com Lima (2024), esse fator exige que os educadores adotem práticas pedagógicas flexíveis e diversificadas para atender às necessidades individuais dos alunos. Ademais, a formação docente desempenha um papel crucial nesse contexto, uma vez que professores bem preparados são capazes de utilizar metodologias inovadoras que favorecem o desenvolvimento da linguagem oral e escrita das crianças.
Outra questão relevante está relacionada à falta de recursos didáticos adequados e às condições estruturais das escolas. Muitas instituições de ensino enfrentam dificuldades na aquisição de materiais pedagógicos que incentivem o letramento, como livros infantis, jogos educativos e tecnologias digitais. Segundo Moura (2020), o uso das tecnologias digitais pode potencializar o aprendizado e proporcionar experiências mais interativas para as crianças, mas a falta de acesso às ferramentas tecnológicas ainda representa uma barreira para muitos alunos da educação infantil.
Diante desses desafios, diferentes estratégias pedagógicas têm sido propostas para melhorar o processo de alfabetização e letramento. Uma das abordagens mais eficazes é o uso de metodologias ativas, como a aprendizagem baseada em projetos e o ensino lúdico. Segundo Cardoso e Lima (2024), o brincar é essencial para o desenvolvimento infantil, pois permite que a criança explore, experimente e construa conhecimentos de maneira natural e prazerosa. Dessa forma, jogos, histórias, músicas e atividades interativas devem ser incorporados ao planejamento escolar para favorecer o aprendizado significativo.
A leitura compartilhada também se destaca como uma estratégia fundamental para a alfabetização e letramento. Conforme Martins (2024), quando os professores leem para as crianças, eles não apenas ampliam seu repertório linguístico, mas também despertam o interesse pela leitura e incentivam a construção de sentido dos textos. Além disso, atividades que envolvem a escrita espontânea e a produção de textos coletivos contribuem para o desenvolvimento da expressão escrita de forma natural e significativa.
Outro aspecto essencial é a colaboração entre escola e família. Segundo Souza (2024), a participação dos pais no processo de alfabetização é determinante para o sucesso da aprendizagem das crianças. Quando as famílias são envolvidas ativamente, seja por meio de atividades em casa ou pela frequente interação com os professores, o desempenho escolar tende a melhorar significativamente.
Em suma, a alfabetização e o letramento na educação infantil são processos que demandam uma abordagem pedagógica abrangente, que considere as diferenças individuais das crianças, promova o uso de materiais e estratégias adequadas e envolva a participação das famílias. Como destaca Fernandes (2024), é essencial que os sistemas educacionais invistam na formação de professores e na estruturação de ambientes alfabetizadores que favoreçam a aprendizagem significativa e o desenvolvimento pleno das crianças desde os primeiros anos de vida.
POLÍTICAS PÚBLICAS E DIRETRIZES PARA A ALFABETIZAÇÃO NA EDUCAÇÃO INFANTIL
As políticas públicas e diretrizes para a alfabetização na educação infantil têm sido fundamentais para a promoção do letramento e o desenvolvimento cognitivo das crianças nos primeiros anos escolares. O Plano Nacional de Educação (PNE) 2014-2024, por exemplo, estabelece metas para garantir que todas as crianças sejam alfabetizadas até o final do terceiro ano do ensino fundamental, promovendo a equidade e a inclusão social (Santos, 2020).
A alfabetização na educação infantil deve ser compreendida a partir de uma abordagem que integra o letramento, permitindo que as crianças desenvolvam habilidades de leitura e escrita de maneira contextualizada e significativa (Araújo; Adão; Modesto, 2024). Segundo Lima (2024), a inserção de práticas pedagógicas inovadoras é essencial para garantir um processo de ensino-aprendizagem eficaz, especialmente em contextos nos quais os desafios sociais e estruturais dificultam o acesso a uma educação de qualidade.
As práticas pedagógicas adotadas na alfabetização infantil devem estar alinhadas com os princípios do letramento, promovendo estratégias que incentivem a interação com diferentes gêneros textuais e tecnologias digitais (Cardoso; Lima, 2024). A pandemia de COVID-19 trouxe desafios adicionais a esse processo, exigindo adaptações no ensino e novas formas de mediação pedagógica (Coutinho; Côco, 2021). Nesse sentido, o uso de tecnologias na alfabetização tem se mostrado uma ferramenta poderosa, desde que utilizado de maneira planejada e alinhada às necessidades das crianças (Gomes et al., 2020).
A integração entre alfabetização e letramento na educação infantil é defendida por diversos pesquisadores, que apontam a necessidade de uma formação docente que valorize o desenvolvimento da oralidade, da leitura e da escrita como práticas sociais (Souza, 2024). Dessa forma, a capacitação de professores para atuar com metodologias ativas e inclusivas torna-se essencial para garantir a equidade no processo educativo (Pereira, 2021).
Outro desafio enfrentado no contexto da alfabetização infantil é a atenção às necessidades específicas de crianças com dificuldades de aprendizagem, como a dislexia. Oliveira (2021) destaca a importância da utilização de estratégias diferenciadas que possibilitem a inclusão efetiva desses estudantes, garantindo-lhes condições para o desenvolvimento de suas habilidades linguísticas.
Diante desse panorama, fica evidente que a alfabetização na educação infantil demanda uma política educacional estruturada e coerente com as necessidades da sociedade contemporânea. O fortalecimento das diretrizes nacionais e a implementação de práticas pedagógicas inclusivas e inovadoras são fundamentais para assegurar que todas as crianças tenham acesso a uma educação de qualidade, contribuindo para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.
ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO NA EDUCAÇÃO INFANTIL: UM PROCESSO COMPLEXO E ENGAJADOR
A alfabetização e o letramento na educação infantil representam um processo dinâmico e complexo que vai além da simples decodificação de palavras, envolvendo a compreensão e o uso efetivo da linguagem em diferentes contextos sociais. De acordo com Araújo, Adão e Modesto (2024), a alfabetização está ligada ao aprendizado do sistema de escrita, enquanto o letramento refere-se à capacidade de interação e produção de significados dentro das práticas sociais. Assim, o desafio educacional não se limita apenas ao ensino da escrita, mas à formação de leitores e escritores proficientes em diferentes âmbitos da sociedade.
As práticas pedagógicas desempenham um papel crucial nesse processo, pois é por meio de metodologias ativas e do contato constante com textos autêuticos que as crianças desenvolvem habilidades de letramento (Cardoso; Lima, 2024). Segundo Silva (2024), um dos principais desafios da alfabetização é integrar estratégias que promovam o ensino da leitura e da escrita de maneira significativa, respeitando o ritmo de aprendizagem dos estudantes. Nesse sentido, a ludicidade, o uso de histórias infantis e a exploração de diferentes linguagens são fundamentais para garantir um ensino mais engajador.
Outro fator relevante para a eficácia da alfabetização e do letramento na educação infantil é a integração entre educadores, família e comunidade. Conforme destacado por Lima (2024), o processo de aprendizagem não se restringe ao espaço escolar, mas se amplia para diferentes contextos sociais, onde a interação com a linguagem deve ser incentivada. Esse aspecto também é reforçado por Martins (2024), que aponta a importância de um ambiente alfabetizador que possibilite experiências diversas de leitura e escrita desde a primeira infância.
Além disso, com o avanço das tecnologias digitais, novas possibilidades e desafios emergem no ensino da alfabetização e do letramento. Moura (2020) enfatiza que o uso de ferramentas digitais pode ser um recurso valioso para estimular a participação ativa das crianças no processo de aprendizagem, desde que seja utilizado de forma pedagógica e reflexiva. Gomes et al. (2020) também ressaltam que a alfabetização midiática se torna essencial na contemporaneidade, visto que as crianças estão cada vez mais expostas a diferentes formas de comunicação digital.
Dessa forma, a alfabetização e o letramento na educação infantil devem ser compreendidos como um processo dinâmico, engajador e socialmente contextualizado. O desafio dos educadores é garantir que as crianças tenham acesso a experiências significativas de leitura e escrita, promovendo não apenas a aquisição técnica da língua, mas também o desenvolvimento de sujeitos críticos e participativos. Assim, torna-se fundamental investir em metodologias inovadoras, na valorização da diversidade cultural e no uso de recursos didáticos que favoreçam a imersão das crianças em um ambiente alfabetizador rico e estimulante.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A alfabetização e o letramento na educação infantil representam um processo dinâmico e essencial para o desenvolvimento cognitivo e social das crianças. Esse percurso vai além da simples decodificação de símbolos escritos, envolvendo a construção de sentidos e a apropriação da linguagem como ferramenta de comunicação e expressão. Ao reconhecer a complexidade desse processo, compreende-se que ele não ocorre de maneira linear, mas sim como um conjunto de experiências interativas que estimulam o pensamento crítico, a criatividade e a autonomia.
Nesse contexto, o papel do educador se destaca como mediador do conhecimento, proporcionando práticas pedagógicas que respeitam o ritmo e as especificidades de cada criança. O ambiente alfabetizador deve ser rico e diversificado, contemplando diferentes linguagens e recursos que favoreçam o contato das crianças com a leitura e a escrita de maneira lúdica e significativa. A ludicidade, por sua vez, torna-se um elemento central para engajar os pequenos no aprendizado, permitindo que adquiram novas habilidades de forma prazerosa e espontânea.
Além disso, a parceria entre escola, família e comunidade é fundamental para fortalecer o processo de alfabetização e letramento, criando uma rede de apoio que incentiva a continuidade da aprendizagem para além do espaço escolar. O incentivo à leitura desde os primeiros anos de vida, a valorização da oralidade e a oferta de experiências que promovam a construção ativa do conhecimento são estratégias essenciais para o sucesso desse percurso.
Dessa forma, a alfabetização e o letramento na educação infantil devem ser compreendidos como um processo integral, que envolve não apenas a aquisição técnica da escrita, mas também a formação de leitores críticos e cidadãos participativos. Investir em metodologias inovadoras e inclusivas, respeitando a diversidade cultural e social das crianças, contribui para a construção de uma base sólida para o desenvolvimento acadêmico e pessoal ao longo da vida.
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